O namorado da minha irmã.
12 12.
Notas iniciais
Entramos no carro em completo silêncio por, pelo menos, cinco minutos. Ele estava nervoso e soava, e eu ainda não entendia por que ele ficava assim perto de mim.
— O que foi? — ri ao ver a cara amarrada de Daniel para a estrada. Sim, eu achava engraçado seu modo embaraçado ao meu lado. — Você está bem?
— Eu estou, é só que... — ele virou-se pra mim, e um segundo depois seus olhos estavam colados na estrada novamente.
— Pode me dizer, eu não vou te morder — ele solto um riso nervoso.
— É que eu não sei sobre o que conversar com você. E, desde aquele dia em que você falou todas aquelas coisas na frente da sua família, eu meio que me sinto intimidado por você. — ele apertou as mãos no volante, e percebi que ele não queria olhar em meus olhos, provavelmente por que achou que eu ia fazer alguma coisa.
— Ahm, sobre isso... eu te devo desculpas —sussurrei, olhando para minhas mãos em meu colo.
— O que? Por quê?! — virou-se pra mim, surpreso. Suspirei.
— Por que eu não fui justa com você. Por mais que você seja assim no colégio, você é uma pessoa totalmente diferente fora dele. E eu não te conhecia — não ousei olhá-lo nos olhos, continuei com o olhar baixo em meu colo. — É claro que isso não é certo, digo, você fingir ser uma pessoa que não é só por seu pai. Ele não foi justo com você.
—Hum, mas como... — murmurou ele, sem saber o que dizer. O interrompi, explicando.
— Hum, eu deveria te dizer... O motivo de eu ter te chamado pra ver meus ensaios é que... eu ouvi você falando pro seu amigo na quinta passada sobre o seu pai e sobre como você sempre fez tudo que ele queria. — disse, olhando em seus olhos, em um implícito pedido de desculpas. — Eu juro que não foi minha intenção ouvir, eu só estava passando perto de você e você não me viu, por que provavelmente estava muito transtornado...
— Não, está tudo bem — abriu um sorriso. — É bom descobrir que você já sabe pelo menos uma parte da minha história. E que eu não sou um monstro pra você. — ri.
— Não, você não é um monstro, Daniel. — sorri, e ele me encarou por alguns longos segundos, o que me levou a pensar que talvez ele gostasse de mim, mas logo tirei essa hipótese de minha mente. Nós nem nos conhecemos direito.
— Pode me chamar de Danny — murmurou, voltando sua atenção para a estrada.
—Então tá, Danny — frisei seu apelido. —Você pode me chamar de Sam.
Então começamos a conversar animadamente sobre a banda, sobre minhas músicas, e Danny me disse que sempre quis aprender a tocar piano. Disse a ele que talvez poderíamos marcar algumas aulas, já que eu tocava piano desde os 10 anos de idade. Chegamos na casa de meus pais e Danny estacionou em frente. Ele sorriu pra mim como se fosse dizer alguma coisa, mas meu celular avisou uma mensagem de texto. Era o Ryan.
— Só um minuto. — pedi, pegando meu celular.
“É oficial! Estamos namorando. Ele me pediu em namoro enquanto me levava pra sua casa, vou passar a noite lá, e, adivinha o que vamos fazer hoje?! É, isso mesmo, vou perder minha virgindade. Deseje-me sorte! Beijos, te amo.”
Sorri largamente com a mensagem de texto. Deus sabe o quanto eu ficava feliz de saber disso, Ryan era uma das pessoas que mais mereciam um amor de verdade, e a pessoa que eu mais amava no mundo, além do Tom. E, saber que Ryan estava namorando um cara com o Tyler me deixava ainda mais animada com o futuro dele.
“PARABÉEEEEENS! Estou tão feliz por vocês dois. Tenho certeza que vocês vão ser muito felizes. Amo você. Divirta-se, estou torcendo por você, mas sei que vai dar tudo certo. Beijos.”
— Então, o que queria falar? — Voltei minha atenção para Daniel e coloquei meu celular no bolso de minha calça.
— Hum, eu... — hesitou, e parecia travar uma batalha interna sobre alguma coisa. — Nada. Só quis te dar boa noite.
— Boa noite! — sorri, e abri a porta do carro, caminhando até a entrada. Antes de girar a chave na maçaneta, gritei um: “a gente se vê” para ele, e entrei em casa, caindo no sofá. Ainda tentava descobrir o que se passava na cabeça de Daniel e o que tudo aquilo queria dizer quando fui deitar.
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