O mistério de Múringan

17 Capítulo 17 - Companheiro


George olhava em seu relógio a cada pessoa que passava beira à praia, comia um pedaço de seu sanduiche com creme de amendoim e observava as crianças sadias e inteligentes. Cada uma brincando de seu modo, como se vestiam, até o modo como elas olhavam. Simplesmente estava se comportando como um abusador de crianças, não era legal.

Após muito tempo recordando de suas memórias no navio, não estava nem um pouco animado em saber que teria que mandar mais crianças sadias e fortes para o chefão. Sim, George era um grande psicopata e usava o termo detetive para abafar o fato de estar em um dos melhores criminosos do mundo, mesmo sem a polícia estar sabendo. George foi um grande famoso, mas poucos sabiam que ele teve trauma de infância que nunca se recuperou. Afetou seus comportamentos intelectuais e físicos e utiliza isto como forma para se sentir melhor, em relação ao trauma, fazendo com que crianças sofram nas mãos de um grande torturador.

Ele observa cada detalhe das crianças, quais seriam aptas para cair nas mãos do tão falado Múrigan. As mais fortes, mais espertas, mais resistentes e utilizava estas qualidades para impor no seu grande tráfico secreto de crianças inocentes, que tinham o direito de viver em sociedade como pessoas normalmente civilizadas. Quando grandes, se tornariam homens e mulheres conhecidos, mas George está tentando impedir que isso ocorra.

Sua mente foi completamente modificada pela infância, quando entrou na escola por sua primeira vez. George era um garoto envelhecido, sua mente já se comportava como um adulto amadurecido e outras crianças não o viam como normal praticamente todas. Ele sempre estudou numa escola para pobres, nunca foi rico. Quando seus pais o colocaram em outras atividades curriculares, como esportes, artes e outras atividades opcionais, foi o completo choque inicial de seu trauma. Nunca agia como as outras crianças. Ele queria ficar em locais onde adultos ficam, onde o entenderiam. Não demorou para um da turma, extrovertido e atentado, começasse a chamá-lo de apelidos ofensores e humilhantes a seu modo de viver. Uns dias depois, os meninos se uniram para fazer uma brincadeira ofensiva a George, totalmente ingênuo da situação. Ele se apaixonou loucamente por uma menina, uma das mais belas de sua escola.

Não deu outra, a bela garota se juntou aos outros. Vendo que George estava completamente obcecado, ela poderia brincar com seus sentimentos. Assim, mandou um cartão para se encontrarem fora da escola, perto da árvore mais alta da cidade de onde nasceu. Ao chegar lá ele não encontrou apenas a menina, mas sim, os garotos de seu colégio, todos segurando uma arma nas mãos. Uns levavam porretes, outros levaram pedras, teve um que levou uma faca real para assustá-lo. Todos olhando para ele como uma ameaça às crianças.

Os meninos avançaram sem dó para cima de George, foi realmente um ato de covardia e exagerado. Todos batendo em George e o torturando com as armas, algumas se encharcaram de sangue, de tanto bater no pobre garoto, que quase sai sem vida naquele dia.

A menina, a única que não conseguiu atacá-lo, sentiu-se culpada. Após todos os garotos forem embora, todos cansados de baterem George, ela voltou onde George estava jogado prestes a morrer e o socorreu, levando ao hospital mais próximo, para salvar a vida dele, que ela a pôs em jogo, com a ajuda de seus pais.

A garota ficou os próximos cinco meses, observando sua recuperação e pensando no que havia feito de tão ruim para ele.

Num certo domingo de Dezembro de 1979, George acorda e vê aquela bela garota ao seu lado na maca, vestindo um lindo vestido azul dos anos setenta, chorando de alegria pelo seu acordar.

– Fique quieto! Você ainda não se recuperou totalmente.

–Quem é você? – respondeu totalmente perdido.

– Eu lhe peço perdão, me chamo Marggaret Stanford...