O mistério de Múringan

18 Capítulo 18 - O ajudante.


Philip sempre morou com sua mãe, desde quando seu pai voltou bêbado e Juliet o expulsou, simplesmente. Ela trabalhou fora toda a sua vida, nunca teve muito tempo para seu filho, apenas quando eles iam viajar.

Ele estava cansado e com medo ao mesmo tempo. O excesso de adrenalina que teve nestes últimos dias sozinhos foi muito grande. Nunca sentiu esses sentimentos de pré-morte, mas acabou se acostumando, principalmente com o lugar. Toda vez de noite, ele dormia sentado encostado numa árvore alta. Procurava modos de esquecer a morte de Logan naquele dia, lembrando, de ótimos dias que passara com sua mãe, Mary e Brent, lendo suas revistinhas de super-heróis conhecidos e outras coisas que Philip fazia.

***

– Alô, sim ela está preparando o próximo sequestro. –George responde de imediato.

– Chegou ao ponto que eu queria, não deixe mais que aquilo ocorra.

– Sim, o sequestro daquela garota jovem?

– Ele está surtando, precisa de mais alimento. Se não sequestrarem outro a tempo. Eu mesmo farei seu trabalho.

–Sim chefe.

George desligou o telefone. Não sabia bem o que seu chefe queria lhe dizer “ele precisa de mais alimento”. O único que sabia a história completa era seu chefe.

Pegou o telefone novamente do bolso e digitou alguns números:

–Agente, o trabalho começou...

***

Sentado numa árvore, ao amanhecer, Philip acordou com seu estômago rangendo de fome. Precisava abastecer-se. Ele se alimentava com o que aprendera lendo revistinhas e jogando seus jogos de vídeo games, apesar de ter aprendido sobrevivência em sua escola uns tempos que seu pai estava morando em sua casa.

Ouviu um barulho conhecido, como esquilos rangendo nozes. Seguia-o concentrado e paciente. Parecia vir de todo lugar. Pensou, onde tem animais, tem comida. Não conseguia focar o ponto, pois o barulho estava por toda a floresta, invadindo e confundindo seus ouvidos.

Olhou para cima, para os lados, até em lugares onde não é possível encontrar nenhum barulho. Olhou atrás, a sua volta, não encontrou. Cada passo que dava o barulho ia e vinha como um bumerangue, até que o barulho cessou de vez. “Será que tem alguém me vigiando”, pensou Philip apavorado.

***

George estava sentado num banco ao lado da sorveteria, sob o crepúsculo formando a sua volta, enquanto tomava um Milk-shake de morango relaxante. Ao seu lado, uma moça alta, de cabelos lindos e enrolados olhava para ele.

–Não quero continuar mais com isso, George. Minha paciência está se esgotando. Mal posso esperar o chefe acabar com isso. Quero passar mais tempo com você...

–Nós vamos ter esse tempo.

–Eu quero esse tempo aqui. Olha... , é perfeito. Nós dois tomando sorvete, sobre este lindo pôr do sol. Você quer algo melhor?

–Você é muito doce, mas... , nós conhecemos ele o bastante. Se deixássemos o trabalho ele poderia nos matar só com o piscar do olho.

–Me desculpe, mas você deve arrumar outro ajudante. Isso é crime e não consigo mais continuar.

–Margaret...

Ela se levantou, saiu do banco sem olhar para George.