O meu outro eu
3 Capítulo 3
Quando eu acordei no outro dia, a primeira coisa que fiz foi, ao invés de abrir os olhos, respirar profundamente. Eu sentia um delicioso cheiro vindo da minha cozinha, e isso fazia minha barriga roncar. "Pera, da minha cozinha?!" foi o que eu pensei assim que me levantei rapidamente da minha cama, correndo até aquele cômodo donde vinha o cheiro. Estando agora eu lá, meu coração que, ficou mais acelerado do que já estava.
—- Bom dia, Kodazinho! Estou preparando nosso café da manhã. Eu sei que você não se dedica quando faz seu próprio alimento, mas agora que viveremos juntos, não custa nada eu te ajudar com isso, né? Como ela tinha entrado na minha casa? E mais importante, por que ela estava tão bonita vestida com a roupa do trabalho? Minha mente estava confusa, mas isso não me impediu de agradecer, mesmo que minha cara espantada ainda estivesse aparente. Agatha, me vendo naquele estado, deu uma risada bem gostosinha de se ouvir, e isso fez com que eu me amolecesse todo.—- Não precisa fazer essa cara espantada! Eu sei que você mantém uma cópia de sua chave num dos vasos com plantas falsas na frente da porta da frente. —- Ah sim, eu tinha me esquecido disso. Bem, pelo menos agora você está aqui dentro! Desculpe por dormir até tão tarde, Agatha.—- Está tudo bem! Na verdade, eu que acabei vindo cedo demais. Queria te fazer essa surpresa, então está tudo bem! —- Sério? Obrigado por isso, então! E me diz, por que está com a roupa do seu trabalho?—- Não é obvio, bobinho? Daqui a pouco eu terei de ir trabalhar! Aquela minha pergunta boba fez com que eu ficasse completamente envergonhado, e isso me fez esconder meu rosto, me virando de costas por alguns minutinhos. —- B-Bem... O que está preparando para nós?—- Eu sempre soube que quis experimentar panquecas caseiras, então eu, como já sabia a receita, decidi fazer para a gente! Deseja experimentar?—- Claro!!! Me virei tão rapidamente que até fiquei tonto. Eu estava tão feliz de poder comer panquecas caseiras, feitas pela minha própria criação. Desejando ajudá-la, peguei dois copos e abri a geladeira. Vi que tinha um refrigerante fechado ali, um jarra de suco de morango e cinco latinhas Beast. Eu optei pelo energético, mas como não sabia o que Agatha gostaria, perguntei.—- Agatha, você deseja tomar o que? Suco de morando, refrigerante ou um energético? —- Hmm... Se importaria se eu tomasse um energético contigo? Sempre quis experimentar.—- É pra já! Peguei outra latinha, assim fechei a geladeira e fui até o balcão. Abri ambas as latas e enchi os copos. Coloquei os dois na mesa que ali teria, enquanto Agatha servia as panquecas. Quando terminamos de arrumar tudo, nos sentamos e agradecemos pela comida, então começamos a ter nosso café da manhã. —- Q-que delicioso, Agatha!! Como conseguiu fazer algo tão bom assim?—- Sério que você gostou? Obrigada, Kodazinho. Bem, não posso dizer que fiquei anos treinando, entende? — Ela teria dado uma risada fofa e curta, prosseguindo logo depois — Mas eu acho que... Eu só surgi sabendo. Acho que é isso. Interessante, não?—- Com certeza é! E me diz, o que achou do energético?—- É simplesmente saboroso! Obrigada por me dar um deles, Koda!—- Não precisa agradecer, "Agathinha". Eu teria dado um ênfase no apelido que dei a ela, vendo sua face ficar vermelha conforme Agatha percebia o trocadilho que fiz, a elogiando disfarçadamente. A moça em minha frente escondia sua face com suas mãos, olhando para as suas panquecas com uma expressão tímida e feliz. A vi respirando fundo e então voltou a comer, ficando um silêncio por alguns minutos. Pensei ter a magoado, mas pelo contrário, a deixei bem feliz.—- O-obrigada pelo apelido, Koda... Eu... Gostei...—- A-ah, bem... Fico feliz então! Fiquei com medo de que não gostasse.—- S-sorte sua que eu gostei, hein! Se não eu teria provavelmente ficado bem chateada com você, bobão! A presença dela ali era muito agradável, até arriscaria dizer que Agatha era uma artista. O porquê? Simples: ela deu cor a minha vida. Antes dela vir, minha vida era tudo a mesma coisa: acordar, comer, fazer alguma coisa, voltar pra casa, dormir e assim se repetir. É claro que a vida funciona assim, mas isso nunca fez a minha vida ser colorida, diferente e/ou legal. Era como viver numa roda de um hamster, e não importando o quanto corria, o quanto tentava, tudo só continuava girando, girando e girando, sem sair do lugar. Mas agora com Agatha, era como se ela tivesse tirado uma venda de meus olhos e me mostrasse que a vida pode ser colorida e diferente, bastando apenas uma coisa: eu querer mudar. Nós terminamos de comer, então peguei os pratos e copos e agradeci pela comida, indo lavar eles e o resto da louça suja. Terminando de lavar e guardar os objetos sujos, sequei minhas mãos e me virei para Agatha, vendo que ela estava se arrumando para sair.—- Espere um pouco, Agatha! Quero te fazer uma pergunta antes de você ir trabalhar.—- Ahn? Claro! Pode fazer.—- No seu trabalho, eles estão precisando de um outro funcionário? Eu... Eu gostaria de trabalhar ao seu lado. Quando terminei de dizer aquela frase, eu a vi semicerrando seus olhos, enquanto colocou sua mão direita em sua bochecha direita, colocando sua mão esquerda em seu cotovelo direito, sorrindo para mim, tombando sua cabeça um pouquinho para a direita, assim fazendo uma expressão fofa e certamente sedutora. Ela passava o seu dedo anelar direito em seus próprios lábios, fazendo movimentos circulares repetitivos.
—- Então quer dizer que... O Kodazinho deseja trabalhar ao meu lado?... Que fofo! — Ela então começou a falar num jeito meio provocativo — Bem... Tem uma vaga lá no meu trabalho. Se não tiver chegado ninguém hoje, ela pode ser sua... Vá se arrumar então, eu vou ir pro trabalho primeiro para tentar segurar sua vaga. —- C-certo... E assim Agatha saiu de casa, e eu fiquei ali, paralisado. O que tinha acabado de acontecer? Aquela face dela... Era algo possível de se fazer? Meu coração batendo a mil só me deixava ainda mais tenso, sentindo ele parecer querer pular do meu peito. Voltando a realidade minutos depois, andei até meu quarto, onde lá coloquei uma roupa apropriada e saí de casa, certificando se tudo estava trancado. Caminhei um tanto tenso, chegando na loja após alguns minutos da minha casa até o local. Lá, vi Agatha conversando com sua chefe, provavelmente falando sobre mim. Entrando lá, o sino que teria em cima porta teria sido tocado, e assim a atenção de Agatha e de sua chefe foi até mim, que acenei com um pequeno sorriso no garoto.—- Esse é o Koda, chefinha! Acha que poderia dar a vaga pra ele? —- Hmm... Se ele é seu amigo, Gath, então a vaga é dele. —- Obrigada, chefinha!! Agatha teria abraçado sua superior, e então sua chefe teria devolvido o abraço, parecendo mãe e filha. Quando separaram o abraço, a minha nova chefe me chamou, assim me aproximei e fui até os fundos. Lá, recebi minha nova roupa do trabalho e então a minha superior disse—- Bem, Koda, meu nome é Victorique, mas pode me chamar de Vicky. Será um prazer trabalhar contigo. — Ela estendeu sua mão para um gentil aperto de mãos — Posso contar contigo?—- Pode contar sim! — Estendi minha mão também e apertei a de Victorique — —- Pois bem, vamos acertar a papelada agora, tudo bem? A minha chefe, Vicky, na época, tinha seus trinta anos, era alta, bonita e solteira, tanto que ela poderia ser facilmente uma modelo. Ela usava óculos e ela tinha um certo ar de autoridade e segurança, o que certamente trazia uma sensação se proteção agradável. Enfim, nós dois então fomos agora o escritório dela, um pequeno cômodo onde ela mexia com documentos e algumas papeladas um tanto complexas. Lá, acertamos alguns assuntos e assim comecei a trabalhar ali oficialmente. Fui até o banheiro e me troquei, colocando minhas roupas numa sacola, guardando-a nos fundos. Assim, comecei o meu primeiro dia trabalhando como operador de caixa, não somente isso mas estaria começando o meu primeiro dia de trabalho ao lado de Agatha. Eu não podia pedir por mais. Com certeza, era um dos melhores momentos de minha vida.
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