Enquanto eu e Agatha atendíamos os clientes, muitos perguntavam sobre mim. As perguntas eram as mesmas: se eu era novo ali, se eu estava gostando de trabalhar ali, quanto tempo eu comecei a trabalhar lá, entre outras. Enfim, foi um dia bem calmo, se não fosse por um certo acontecimento. Faltando pouco para fecharmos a loja de conveniência, entraram três garotos mais ou menos na minha idade. Um deles parecia ter uns vinte e dois anos, outro parecia ter dezenove e outro ter vinte e três. Esses três garotos tinham cabelos pintados, usavam piercings, brincos e tinham tatuagens em seus braços. Lembro-me de que eles usavam uma jaqueta preta de couro e blusas listradas com as mesmas duas cores: preto e branco. Usavam calça jeans azul-escuro e rasgada nos joelhos, e seus tênis pareciam ser de alguma marca famosa na qual eu não reconhecia.
—- Boa tarde! Sejam bem vindos à Sunshine Store!
Desejando aquela boa tarde, os observei adentrando mais ainda na loja, vendo que eles se aproximavam do balcão com certo sorriso no rosto, um sorriso no qual causava nojo e desprezo por parte minha e de Agatha. O mais velho deles andava na frente, enquanto os outros dois andavam ao seu lado. Esses três encaravam nos dois ali sem parar, até que finalmente estavam de frente para o balcão, mais especificamente, de frente para Agatha.
—- Olá de novo, Agatha...
—- O que você quer, Bernard? Eu já te disse... Eu não estou afim de voc-...
—- Eu sei, eu sei... Mas você acha que eu ligo? Tentei ser bacana com você, mas não adiantou. E sabe... Tudo que eu quero, eu consigo! Seja na conversa, seja na força bruta... E o que seu irmão tá fazendo aqui? Trabalhando aqui também?
—- Ah é? E o que pensa que vai fazer comigo? Me bater até que eu fique apaixonada por você?! Babaca! E ele não é meu irmão! Argh! Quer saber?!
Agatha era uma pessoa doce, fofa, sensível e parecia muito comigo na aparência, mas quando irritada, era outro ser. Eu olhei na direção do escritório de Victorique e, para minha surpresa, ela estava observando aquilo tudo. Eu pensei em chamá-la, mas ela, percebendo que eu a vi ali, apenas fez um sinal com a mão, me pedindo para ficar em silêncio, assim voltei minha atenção para Agatha e, quando eu menos esperava, ela teria dado um forte tapa em Bernard. O tapa foi tão forte que ficou certinho a marca da mão dela na bochecha dele. Naquele momento, eu não me aguentei e comecei a rir dele, e já irritado, Bernard foi pra cima de mim, pegando minha camisa pela gola e assim puxando.
—- Tá rindo do que, espertinho!?
—- De você! Não tá vendo? Acho que você tá precisando se tratar
—- Está me chamando de louco?!
—- Louco? Não! Estou te chamando de doente mesmo. Quem em sã consciência trataria alguém da forma que tratou ela?
—- Eu a trato como eu bem quiser e entender!
—- Sério? Então... Eu posso te tratar como eu quiser também?
Eu estava com medo? Claro que sim, mas eu estava mais dominado pela raiva e pela ironia que acabei deixando meu medo de lado e simplesmente dei um forte tapa na cara de Bernard, acertando agora sua outra bochecha, também deixando uma marca lá. Como ele me puxou pela gola de minha casa, aquilo foi um certo ato de agressão, por isso, apenas revidei, então não me preocupei com futuras denuncias, sem falar que ele parecia ser um cara de encrencas e se quisesse denunciar qualquer coisa, provavelmente não seria levado a sério e seria preso. Não importa, pois agora eu estava no chão e ele encostado na parede, com as mãos em cada bochecha, gritando e xingando muito. Os dois amigos deles só conseguiam olhar pra ele e segurar a risada, já eu e Agatha estávamos sérios e sem paciência alguma. Ela olhou nos meus olhos e eu olhei para ela, então fomos até Bernard e o empurramos até fora da loja, assim os dois amigos deles foram socorre-lo.
—- Esses três idiotas...
—- Conhece eles?
—- Bem... Conhecer, conhecer não... Mas eles são... Eram, um dos clientes nossos. A Vicky sabe muito bem deles. Ela pede para que eu lide com eles, e caso eu não consiga, eu chame ela. Mesmo não parecendo, ela é muito violenta, sabia? É um segredo dela.
—- Entendi... Se ela e você dizem isso, tudo bem. E como não temos mais clientes, acho que já podemos fechar, né?
—- Isso mesmo!
E com isso, fechamos a loja e limpamos o estabelecimento, também aproveitamos para encher algumas estantes com os devidos produtos e assim fomos nos despedir de Vicky, indo então, nos dois, para nossa casa. No meio do caminho, fiz uma pergunta para Agatha.
—- Hey, Agatha. me diz... Você não estaria apaixonada por alguém não, né? Tipo... Você surgiu esses dias e tudo...
—- Hmm... Estou sim. Estou apaixonada por alguém que foi recentemente na loja de conveniência esses dias. Por que?
O que? Como isso era possível? Meu coração doía tanto, que até apertei minha blusa, como se eu quisesse segurar meu próprio coração. O motivo de estar daquele jeito? Era simples dizer: eu estava apaixonado por Agatha. Ela era uma criação minha, o meu desejo, então era lógico que eu ficaria afim dela, mas o que eu não saiba era que ela ficaria afim de outra pessoa, mas fazia sentido, afinal, eu só a imaginei comigo estando afim dela, não ela estando afim de mim também.
—- A-ah... Bem... P-por nada... Eu acho...
—- Koda? Tá tudo bem?...
—- E-está sim! Só não... Estava esperando que você estivesse apaixonada! Isso me surpreendeu...
Eu estava envergonhado, triste e parecia que meu mundo não tinha cor novamente. Eu devia ser mais grato por ter Agatha ao meu lado pelo menos, mas eu não conseguia ser tanto assim pois eu sabia que ela iria me abandonar caso ela começasse a namorar quem seja aquela outra pessoa. Chegando em casa, a primeira coisa que fiz foi ir até o banheiro, onde lá tirei minhas roupas, e tomei meu banho. Em meio as minhas lágrimas, a água do chuveiro escorria por todo meu corpo. Quando terminei meu banho, saí do banheiro já vestido e seco, só com o cabelo meio úmido. Mesmo chateado e abatido, fui até a cozinha afim de conversar com Agatha que agora cozinhava.
—- A-Agatha, eu...
—- Koda, pode cuidar das panelas pra mim? Vou tomar um banho e já volto!
Ela saiu saltitante até o banheiro, onde lá ela teve seu merecido e um pouco demorado banho. Quando ela voltou, estava vestida com um pijama rosa fofo. Nós dois agora cozinhávamos juntos, e o tempo todo ela deixava um sorriso calmo e sincero em sua face, enquanto na minha só tinha uma expressão deprimida
—- Olha, Agatha...
—- Pode passar pra mim aquele tempero ali em cima?
Agatha estaria fazendo aquilo de propósito, e eu sabia disso, e estava me irritando. Por que ela estaria fazendo isso comigo? Eu a irritei de alguma forma? Desisti de pensar numa razão lógica e só entreguei o tempero para ela. Numa última tentativa, tentei a chamar.
—- M-me perdoe, Agatha, e-eu...
—- Será que a Vicky teria outro uniforme pra mim? Aquele meu já tá ficando pequeno... Talvez eu devesse ligar para ela e-...
—- AGATHA!
Estressado, bati minha mão na mesa e a olhei, agora com uma expressão de raiva. Ela me olhava com um sorriso no rosto enquanto mantinha seus olhos fechados, parecendo ter conseguido o queria
—- Sim...?
—- Eu cansei de esperar! Olha, vou ser sincero! Sei bem que está apaixonada por outra pessoa, mas eu tenho que te dizer: EU. TE. AMO!
E sem pensar duas vezes, teria abraçado a cintura dela com um de meus braços e com a minha outra mão livre, segurei o queixo dela e a beijei, acabando por colocar ela contra a parede. Naquele momento, nada mais importava, apenas nós e aquele beijo intenso e sincero. Nossas línguas e encontraram e começaram a dançar em nossas bocas, e nossos corpos só ficavam mais e mais grudados uns nos outros. Quando nos afastamos para recuperar nosso fôlego, Agatha estaria chorando.
—- A-agatha! Desculpe, e-eu...
—- F-finalmente! Finalmente você me beijou!! Koda! Sabe quanto tempo eu esperava por isso?...
—- C-como assim?...
—- Eu estava apaixonada por você, bobão! Desde que eu era apenas um fragmento em seus sonhos... Mas depois que me materializei, ansiava por esse dia! O dia em que você me teria em seus braços e me beijaria!
—- M-mas você disse que tava apaixonada por uma pessoa que foi na loja de conveniências...
—- E quem foi lá pra comprar Beast, hein?
Quando a minha ficha caiu, minha alegria foi tanta que a peguei e comecei a rodopiar pela casa, sorridente e rindo sem parar, com Agatha fazendo as mesmas coisas enquanto era girada por mim. Já tonto e cansado, a coloquei no chão.
—- É-é sério que está apaixonada por mim?! Que surpresa! O-Olha Agatha, nem sei como agradecer por isso!
—- Tem uma maneira, Koda...
E quando ela disse aquilo, ela olhava para baixo, para seu próprio corpo, assim levou suas mãos até o zíper de seu pijama, o descendo lentamente, até que ela parou, não revelando seu corpo, apenas deixando uma espécie de decote ali.
—- Mais tarde, Koda... Nos tornaremos um novamente... Mas dessa vez, não serei um fragmento de um sonho seu...
Só de ouvir aquilo, meu coração começou a correr uma maratona. Tudo aquilo era real? Talvez sim, talvez não, já nem sabia dizer. Agatha e eu ficamos nos encarando por um bom tempo, trocando doces carícias, mas algo nos chamou a atenção. Um cheiro de queimado invadia nos narinas e quando nos demos conta, nossa comida tinha queimado. As pressas, desligamos o fogão e, sem muito o que fazer, apenas joguei a comida fora e lavei tudo ali, enquanto isso, pedi para Agatha ligar para alguma pizzaria, dizendo então que eu iria pagar. Ela agradeceu e sorriu, pedindo desculpas também por ter deixado a comida queimar e assim ligou para uma pizzaria um tanto famosa da cidade onde morávamos. Pedimos duas pizzas e assim decidimos aproveitar os minutos que demorariam para passar um tempo juntos.
Estávamos na sala de estar, comigo deitado no sofá e Agatha sobre mim. Eu a abraçava e beijava seus lábios, segurando seu corpo com ternura e muito desejo. Ela retribuía meus beijos com alegria, tanto que até daria alguns risadas em alguns dos nossos inúmeros beijos. Nos afastamos um pouco para podermos ver a face do outro, e posso afirmar que nós dois estávamos um tanto vermelhinhos, mas estávamos felizes, bem felizes.
—- Eu te amo, Koda...
—- E eu te amo muito, Agatha...
—- Você quer... Ser meu namorado?
—- É claro que sim! Nem precisava ter perguntado...
Estava prestes a beijá-la de novo quando escutei a buzina do motoqueiro na frente de nossa casa. Pedi licença e fui atender o motoqueiro. Paguei pela pizza e agradeci pelo serviço dele, assim entrei pra dentro de casa e tranquei a porta, indo até a cozinha para dividir a pizza e servi-la. Não demorou muito para que nós estivéssemos comendo e vendo algum filme e, é claro, estando com nossos corpos bem grudadinhos. Depois de comer, lavámos a louça, escovamos nossos dentes e fomos para nossa cama. A cama era casal, já que sempre preferi camas grandes, mas como tinha Agatha, eu iria dividir com ela sem problema algum. Naquele momento, eu já pretendia dormir, mas escutei um barulho de zíper sendo aberto e lembrei-me do que Agatha falou mais cedo, o que fez meu peito parecer ser uma bomba relógio novamente. O quarto estava escuro, e aquele momento era perfeito para nós dois
—- K-Koda... Como sabe... Essa será a minha primeira vez... Seja gentil, tá?
—- É claro que serei, minha querida Agatha...
Não demorei para ficar por cima dela, com minha face no pescoço de Agatha, sentindo o cheiro doce e natural dela. Mordia e beijava o local sem parar, fazendo um caminho até sua orelha, onde lá mordi fracamente o lóbulo de sua orelha, então comecei a formar outro caminho, indo de sua orelha até seus lábios e, naquela noite, nos tornamos um só, tanto de corpo, assim como de alma.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor