O caminho até o local, onde se encontrava o corpo do senhor Calvin Phaier, foi tranquilo, tive tempo suficiente para ler todo relatório, que tínhamos até agora sobre o caso, não havia muita coisa, mas me ajudou a ficar a par de tudo o que sabíamos até o momento.

Calvin era dono de uma loja de material esportivo, sua esposa era dona de casa, segundo os vizinhos, às vezes ela ia à loja ajuda-lo. Ainda segundo os vizinhos, eles estavam tendo algumas brigas recentemente.

Chegamos ao local, um beco, em uma área considerada perigosa em Las Vegas.

–Ate que chegamos rápido – comentou Greg estacionando o carro.

–Teríamos chegado mais rápido se eu tivesse dirigindo – retruquei brincando, enquanto abria a porta.

–A questão é se chegaríamos aqui, se você tivesse dirigido – rebateu ele com um sorriso, enquanto descia do carro.

Começamos a caminhar onde meu pai estava parado, falando com um policial.

–Claro que chegaríamos – contrapus – Não dirijo tão mal assim.

–Na verdade Morgan, da ultima vez, você não obedeceu às leis de trânsito – retrucou-o mais uma vez, caçoando de mim – Nenhuma se quer, como você não leva multa ou perde a carteira?

Parei por um momento e ficamos um de frente pro outro.

–Viu a vantagem de ser filha do xarife – brinquei e continuei andando.

Chegamos próximo ao meu pai, o policial que falava com ele havia acabado de sair.

–Sanders, Filha como estão? – questionou ele, quando paramos.

–Olá pai – respondi dando um pequeno abraço nele – Estou bem, e você?

–Eu vou bem xerife – respondeu Greg todo sem graça – E o senhor?

–Estou bem, venham. – ele começou a andar em direção ao final do beco, então ò seguimos – Recebemos uma ligação que havia um corpo de um homem dentro de uma lata de lixo, ao chegarmos aqui, percebemos que era o corpo de Calvin Phaier, marido da senhora Phaier que foi encontrada morta, um pouco mais cedo – ele parou enfrente a uma das latas de lixo e abriu, com certeza era Calvin, todo sujo de sangue, cheio de hematomas e um pouco pálido, mas ainda sim era ele.

–Definitivamente é ele – comentou Greg, aparentemente lendo meus pensamentos.

–Sim – comentou meu pai se retirando, e nos deixando trabalhar.

Peguei a câmera e comecei a tirar as fotos, da lata de lixo, do corpo, do rasto de sangue, e de tudo o que poderia nos ajudar mais tarde. Enquanto isso, Greg procurava impressões digitais na tampa do lixo, vestígios e se levarmos sorte, a arma do crime.

Alguns minutos mais tarde, David chega para analisar o corpo, e leva-lo para o laboratório, fui ate ele para tirar mais fotos.

Minutos depois, o corpo já tinha sido levado, e estamos somente com a cena, Greg empacotava todo o conteúdo que havia no lixo, para levarmos para o laboratório, e eu ainda tirava algumas fotos, enquanto procurava mais alguns vestígios fora do beco.

Quarenta minutos depois, aproximadamente, liberamos o local e voltamos para o laboratório, Greg insistiu para levarmos a lata de lixo conosco para procurarmos mais algumas digitais, meu pai não gostou muito da ideia, mas acabou aceitando.

Voltamos ao laboratório. Enquanto Greg analisava o lixo, para ver se encontrava algo importante, me encarreguei de levar os vestígios encontrados para Hodges.

–Hey Hodges – falei quando entrava em seu “santuário” – Trouxe algumas coisas para você.

–Olá Morgan – disse ele vindo em minha direção, para verificar o que eu estava trazendo para ele. – São do local onde foi encontrado o senhor Calvin, certo?

–Sim – respondi somente.

–Ótimo, vou analisa-las para você – disse ele.

–Obrigada – quando estava saindo me bateu uma vontade de pergunta-lhe algo, e não podia esperar acabar o turno, então voltei – Hodges?

–Sim – respondeu, levantando a cabeça para me olhar – O que foi? – estava na cara que ele sabia que eu queria algo.

–Você é homem não é? – foi uma pergunta ridícula com certeza, percebi isso logo depois que acabei de falar, ele deve ter pensado assim também, porque ergueu uma sobrancelha e largou o que estava fazendo.

–O que você me perguntou?

–Desculpe – estava totalmente sem graça, claro que ele era homem, nos beijamos uma vez, há pouco tempo tinha uma namorada, estava noivo – Não me expressei bem, o que eu quis dizer foi – respirei fundo, devia fazer essa pergunta para qualquer um, menos para o Hodges, mas agora já era tarde – Como uma mulher sabe quando um cara gosta dela?

–Como é que é? – ele perguntou confuso.

–Sabe, tipo vocês homens dão algum sinal de que estão afim da mulher? Mesmo sabendo que o relacionamento entre vocês dois pode ser complicado?

–Cada caso é um caso – respondeu simplesmente.

Serio? Só isso? Sabia que não era uma boa ideia vir até o Hodges.

–Mas – continuou mexendo nos saquinhos de vestígios, que eu havia deixado na mesa – Na maioria das vezes ele pode se afastar.

–Por quê?

–Porque como você disse – respondeu ele, parando novamente o que estava fazendo – Se o relacionamento pode ser complicado, talvez ele não queira se arriscar – parei por um segundo, para analisar o que ele havia acabado de dizer, será que isso, o Greg esta com medo de se arriscar, porque o xerife é meu pai? Ou porque trabalhamos juntos? Ou era pelos dois casos? – Quer, por favor, me dizer o que esta acontecendo? – questionou Hodges me tirando dos meus pensamentos.

–Só uma dúvida, que surgiu agora, só isso – respondi um pouco sem graça.

–Morgan está saindo com alguém? – questionou com um sorriso – Foi por isso que chegou atrasada hoje não é? – perguntou ele começando a tirar conclusões precipitadas.

–O que? – perguntei – Não é nada disso.

–Então, o que é? – ótimo, mais um para me interrogar.

–Talvez eu esteja gostando de alguém – disse o mais baixo que pode.

–Quem é? Eu conheço?

–Eu disse talvez – retruquei.

Ele estava perto de me dizer algo quando me telefone toca, olho o identificador de chamada doutor Roubbins, obrigada, é tudo o que passa pela minha cabeça, antes de atender.

–Doutor – digo.

–Morgan, tenho algo para você, pode vir aqui quando puder.

–Ótimo, já estou indo – respondi desligando, me viro para Hodges que me observava – Se eu escutar alguma fofoca nesse laboratório a respeito do que eu lhe falei, você vai se ver comigo – ameacei, claro que não ia fazer nada, mas tinha que colocar um susto nele, se não o laboratório inteiro, inclusive o Greg, ia pensar que eu estava saindo com alguém.

–Você sabe que eu não vou dizer nada – respondeu voltando suas atenções para os vestígios, continuei a olhar seria para ele – Eu prometo.

–Obrigada – digo dando um abraço nele, ele era como se fosse meu irmão mais velho, e em teoria podia ser mesmo, já que meu pai e a mãe dele estavam namorando.

–Sem problemas – ele piscou e voltou a trabalhar.

Sai do laboratório e fui para a autopsia. Minhas duvidas em relação ao Greg vão ter que esperar por mais algumas horas. Mas hoje, ta sendo um pouco difícil, para de pensar nele.