O melhor está por vir
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Saindo do escritório de Sara, tomo coragem e resolvo ir ao escritório de Greg, mesmo não estando bem um com o outro, precisamos trabalhar. Mas para minha surpresa nem preciso, vejo-o, no laboratório de DNA com Henry, sobre o que estão falando? Provavelmente sobre o caso, que eu não sei absolutamente nada.
–Olá – digo entrando no laboratório.
–Olá Morgan – diz Henry, entregando uns papeis para mim – O sangue encontrado no carro não bate com o da vitima.
Ótimo, quanto tempo me atrasei? Não sei quem é a vitima, não sei do que ela morreu, nem onde, muito menos sobre sangue em um carro. Analiso os papeis um pouco, sem conseguir sequer ler o que estava escrito neles, olho para Greg que estava me analisando com atenção, então faço o que aprendi com meu pai, improvisar.
–Já sabe de quem é, esse outro sangue encontrado?
–Ainda não Morgan, mas estou analisando.
–Ok, nos avise quando encontrar algo.
–Sim pode deixar.
Olho para Greg, será que ele aprovou meu desempenho?
–Obrigado Henry – diz Greg se retirando do laboratório.
–Obrigada – imitei, o seguindo.
–De nada – respondeu Henry.
Esperei nos afastarmos um pouco do laboratório, até poder conversar com ele, sem ter perigo de ninguém escutar.
–Hey, pode me por a par dos acontecimentos? – perguntei tentando alcançar ele.
–Se tivesse chegado no horário, eu não precisaria – respondeu ele sarcástico.
Percebi que estávamos em frente do meu escritório, então agi como Sara, e arrastei-o lá pra dentro.
–Olha só, eu nunca chego atrasada, essa foi a primeira vez – digo apontando o dedo para ele, claramente eu estava falando muito alto, e estava alterada, eu devia pedir desculpas, mas é a ultima coisa que passa pela minha cabeça agora – Então por favor, não venha me dar lição de moral Greg.
–Me desculpe – exclamou ele.
–Não sei por que esta me tratando tão mal.
–Me desculpe.
–O que aconteceu ontem já passou, não quero que isso atrapalhe nosso trabalho.
–Me desculpe – ele nem se quer olhava para mim, só olhava para o chão, o que estava acontecendo?.
–Para de me pedir desculpas – grito.
–O que quer então? – ele estava começando a ficar nervoso.
–Respostas Greg – gritei mais uma vez, abaixei a cabeça e percebi que estava deixando minha vida pessoal, afetar a profissional, isso não é bom, não é nada bom, respirei fundo — Quem é nossa vitima? Como ela morreu e onde ela morreu? E que historia é essa de sangue no carro?
–Ok – respondeu ele, se acalmando também, mas claramente chateado, o que estava acontecendo comigo? E o que está acontecendo com ele? Porque estamos brigando tanto? São essas as respostas que quero nesse momento – Nossa vitima se chama Maya Phaier, ela tinha trinta anos, casada, sem filhos, foi encontrada morta hoje de manhã em sua sala, foi esfaqueada quatro vezes antes de morrer, a casa estava aberta, e o carro do marido estava estacionado enfrente à casa. – ele fez uma pausa me analisando.
Abaixei a cabeça, sei que trabalho com isso já faz algum tempo, mas ainda fico impressionada de como um ser humano pode fazer uma coisa assim, olho para ele novamente.
–Havia sangue por todo carro, mas pelo jeito não é da esposa.
–Algum sinal do marido?
–Ainda não – respondeu ele, lendo um dos relatórios.
–Espera um minuto – ele parou de ler e me olhou – Se aquele sangue que está no carro não é o da nossa vítima, pode ser do marido.
–Pode ser, mas devemos esperar essa confirmação de Henry – exclamou ele, voltando suas atenções para os relatórios.
–Algum sinal de furto na casa?
–Não, tudo estava muito bem organizado, aparentemente tudo em seu lugar.
Fiquei olhando para ele, minha vontade era de abraça-lo, e beija-lo, mas não podia fazer isso, odiava brigar com ele.
–Desculpa por ontem – exclamei me sentando em uma das cadeiras, não ousei olhar para ele – Eu estava de cabeça quente, aquela papelada acabou comigo, isso não justifica sei disso, não devia ter descontado em você, sinto muito.
Ele se sentou do meu lado, colocou os relatórios em cima da minha mesa e respirou fundo, ficou olhando para mim por um minuto, passou a mão pelo cabelo, e respirou profundamente mais uma vez.
Impressão minha ou ele não havia dormido bem essa noite também. Percebi que ele estava sem graça, e pensando no que dizer, aqueles olhos tão lindos, estavam pesados e tristes, acho que estraguei tudo com uma pergunta ridícula.
–Peço desculpas também.
–Greg, sou eu que estou errada – disse segurando na sua mão – Fiz uma pergunta boba que acabou te chateando, sinto muito.
–Tudo bem – disse ele com um pequeno sorriso – E eu sinto muito por te tratar mal, estava cansado e acabei descontando em você também.
Retribui o pequeno sorriso, e fiquei olhando para ele, ainda não estava satisfeita, queria poder beija-lo, mas não podia.
–Acho que devemos voltar ao trabalho – ele sugeriu, olhando para os relatórios em cima da minha mesa.
–Tudo bem.
Levantamos-nos na mesma hora, aproveitei e dei um abraço nele.
–Me desculpe por hoje – eu disse.
–Hoje eu é que fui o culpado, então acho que é você quem deve me perdoar – exclamou ele, enquanto nos distanciávamos, assenti com a cabeça e dei a ele um pequeno sorriso – Vamos lá Morgan, temos um assassino para prender.
–Tudo bem.
Ele pegou os relatórios, e eu estava caminhando em direção à porta.
–Morgan?
–O que foi Greg?
–Você improvisou muito bem – disse ele vindo em minha direção – Até achei que você já sabia do caso.
–Acho que aprendi com o meu pai – ele sorriu para mim – Se contar para ele, eu bato em você – brinquei.
–Não se preocupe – disse com um sorriso, acho que foi o melhor sorriso que ele dava para mim hoje, o mais sincero também – Vou ligar agora mesmo para ele – pegou o celular e fingiu procurar um numero na agenda.
Dei um tapa no braço dele, o que fez com que ele sorri-se um pouco mais.
–Não se preocupe não direi nada.
–Obrigada Greg – abri a porta do meu escritório, e encontramos DB – Olá – disse a ele, quando saiamos.
–Olá Morgan – respondeu ele – Ia agora mesmo ligar para um de vocês.
–Aconteceu alguma coisa? – perguntou Greg.
–Sim, acharam o corpo do marido da senhora Maya, aqui está o endereço – disse ele, entregando um papel para Greg – Seu pai já esta no local Morgan.
–Ok – respondi pegando o papel que Greg estava segurando – Vamos lá.
–Vamos – exclamou Greg.
DB foi para seu escritório, enquanto Greg e eu, fomos para a sala de descanso pegar nosso equipamento, ótimo, dois mortos, e nenhuma pista até agora que nos leve a algum lugar, por onde começar?
Olhei para Greg, ele estava procurando suas chaves, tenho que me concentrar no trabalho e esquecê-lo um pouco, depois, podemos conversar. Mas antes disso preciso urgentemente descobrir o que sinto por ele, é apenas amizade ou algo mais? Estou confusa.
–Está pronta?
–Só se eu for dirigindo – respondi, pegando meu equipamento, e indo em sua direção, para pegar as chaves, que ele acabará de encontrar.
–Não, nem pensar – respondeu brincando, escondendo as chaves de mim.
–Você sempre dirigi.
–Morgan, se você dirigir, quando chegarmos lá, se chegarmos lá – fez uma pausa, e sorriu – no meio do caminho eu vou estar quase morto, então não.
–Serio?
–Serio, vamos lá Morgan.
–Eu sou uma ótima motorista.
–Já ti vi dirigindo Morgan, e tenho que dizer que não sei como você não perdeu sua habilitação ainda.
–Você é mal – fingi estar triste, ele chegou mais perto, para poder falar no meu ouvido.
–Eu sei — brincou ele com um belo sorriso no rosto.
Saímos, e fomos para a cena do crime. Sempre gostei de trabalhar com Greg, ele sempre me faz rir, espero não brigarmos mais até resolvermos o caso, e o que sentimos um pelo outro.
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