O mais baixo amor
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Cobra acordou bem cedo e foi direto para uma ducha, gostava de um banho pela manhã, acreditava que tudo melhorava depois de um banho. Depois, caminhou lentamente até a cozinha e preparou o seu café. Em nenhum momento viu Jade pela casa, pensou que o cheiro de café a faria vir até a cozinha, mas não aconteceu.
O rapaz sabia onde ela estava, na verdade, ele sempre sabia, por isso, não se preocupou tanto. Depois de tomar seu café, pegou um copo de leite morno, algumas bolachas doces, uma torrada e meio copo de suco, equilibrou tudo em uma bandeja e foi ao rumo do ateliê de dança.
Assim que chegou lá, notou que nunca havia entrado naquele lugar. Talvez porque o odiasse tanto. Quando eram mais novos, sempre escutava a garota reclamar de dores no corpo, já que a louca da Lucrécia fazia a filha dançar várias horas seguidas. O garoto realmente achou que depois da morte da mãe, Jade iria parar com as danças, mas não, ela nunca diminuiu o ritmo dos ensaios.
Quando a garota notou que ele estava lá, apenas dirigiu um breve olhar através do grande espelho e continuou com sua coreografia.
– Hoje você está me odiando o mesmo de sempre, ou mais que o normal?- Perguntou depois de colocar a bandeja em cima de uma mesinha que ficava próximo a porta. Jade não respondeu, mas sorriu.- Vou encarar isso como o de sempre.- Brincou Cobra se aproximando lentamente da garota.
– E por que acha isso bom?- Questionou Jade o encarando pelo espelho após voltar de um giro.
– Ah você sabe, vai arruinar meus planos, vai vim com aquele lance que não pode viver em um mundo onde Ricardo Cobreloa é feliz.- Cobra passou as mãos pela cintura da bela morena.- Mas depois a gente transa e fica bem.- Jade se virou e o encarou.
– Isso não vai acontecer, nunca devia ter transado com você.- Falou a garota soando fria.
– Sério que vamos voltar à estaca zero?- Ricardo cruzou os braços e a encarou.- Admite Jade, você sempre me quis.
– Você é bem convencido.- Comentou a garota.
– Não negou.- O rapaz sorriu e ela o empurrou, depois voltou sua coreografia.
Cobra a observou dançar, e mesmo cada parte do seu cérebro o mandando calar a boca, ele falou.
– Eu não entendo.- Começou.- Você sempre sofria nas mãos da sua mãe aqui nesse ateliê, e mesmo assim, continua dançando.
– E daí?- Questionou Jade.
– E daí que ela bateu as botas, morreu, foi dessa para melhor, puf…- Cobra fez um gesto com as mãos.- Não precisa continuar com essa palhaçada.
– Você acha que sabe de tudo, não é? Que o dono da verdade, mas não é.- Jade se virou para ele.- Eu gosto de dançar.
– Ah gosta?- Cobra de um riso de deboche.- Você odeia isso aqui e não tente dizer que não, eu te conheço melhor que ninguém.
– Você me conhece?- Jade colocou as mãos na cintura.- Você acha que me conhece. Isso aqui é a única maneira de me sentir mais próxima da minha mãe.
– Por isso que você odeia.- Falou Cobra.- Jade, você nunca gostou de passar meio minuto com a sua mãe, porque ela sempre estava implicando com você.
– Isso não é verdade…
– É verdade sim!- Gritou Cobra se aproximando da garota e pegando seu rosto da garota na mão.- Você se sente culpada pela morte da sua mãe, mas independente do porquê disso, você não é! Você não é!
– Sou sim.- Jade já estava chorando.
– Não é, nunca foi. Tá na hora de se perdoar!- Cobra acariciou o rosto da garota e olhou nos olhos dela.- Eu te amo, Jade.
Jade o encarou assustada, ela nunca tinha ouvido ninguém dizer isso a ela.
– Cobra, eu…- Antes que ela fosse falar, ele colocou o dedo indicador nos lábios dela.
– Não precisa dizer nada, eu sei que você me odeia.- Falou colocando a mão da garota do lado esquerdo do seu peito.- Você só precisa saber, que não importa o que for, eu te amo e que pode contar comigo.
Cobra se virou e saiu do ateliê de dança. Jade encarou a porta fechada e deixou se deitar no chão frio de madeira.
(...)
“Jade tinha 13 anos e estava ansiosa para seu primeiro beijo. Gabriel era o garoto mais bonito da escola e, por sorte, estava interessado em Jade. Os dois estavam parados em frente a casa e a garota estralava os dedos em puro nervosismo.
– Cobra, porque estamos espiando a minha prima?- Perguntou Pedro de dentro da casa ao lado de Cobra.
– Porque sim, não questiona.- Falou Cobra estressado.
– Você sabe que se ela saber disso, ela vai nos matar.- Pedro sempre foi medroso.
– Cala boca.- Cobra deu um murro no garoto.
Cobra voltou seu olhar a tempo de ver que o cara segurava o rosto de Jade nas mãos. Todo o seu corpo teve uma reação de repulsa da cena. Antes que o rapaz soubesse o que estava fazendo, correu até o corredor da casa e ligou o regador de grama. Voltou em tempo de ver os dois molhados e o rapaz xingando que seu cabelo iria ficar todo bagunçado. Conclusão, o beijo não aconteceu.
– Cara, você é maluco.- Falou Pedro saindo da sala antes que a garota entrasse.
A garota adentrou a casa toda ensopada e bem possessa. Cobra não aguentou e soltou uma gargalhada de escárnio. Jade parou e o encarou.
– Tá parecendo um papel higiênico molhado.- Debochou Cobra.
– Foi você!- Acusou Jade.
– E quem mais seria?- Questionou cruzando o braço.- Você realmente achou que ia beijar aquele filhinho da mamãe?- Cobra fez uma voz afetada.
– Você não tinha o direito!- Jade avançou sobre ele, que a segurou pelos dois braços de frente para ele.
– Você acha que pode sair assim, beijando quem quiser e eu vou deixar?- Perguntou entre dentes.
– Você não manda em mim.- Sussurrou Jade.
– Eu vou ser o seu primeiro.- Cobra anunciou em um sussurro antes de colocar os lábios desajeitados nos lábios da garota.
O beijo começou meio desajeitados, já que ambos não sabiam beijar e estavam um pouco tenso, mas depois começara a curtir o que estavam fazendo. Cobra soltou as mãos do braço da garota e colocou em cada lado da cintura da garota, Jade preferiu os ombros do garoto. Um beijo calmo, sem pressa, assim como tinha que ser o primeiro beijo. Assim que os dois se distanciaram, a garota o encarou e Cobra sorriu, depois passou por ela e foi rumo ao quarto.
Cobra estava contente de ter sido o primeiro beijo da garota, pelo menos, ela nunca o esqueceria.”
Cobra sorriu com a lembrança, jamais esqueceria aquele dia, assim como jamais esqueceria qualquer dia que passou com Jade, eles sendo bons ou ruins. Ele sempre acreditou que tinha feito aquilo para irritar Jade, mas essa não era verdade. Cobra sempre quis Jade, sempre a amou, antes mesmo de saber que poderia amar alguém.
Jade surgiu e se sentou ao lado de Cobra no sofá. A garota não sorria, estava em uma guerra com ela mesma e não sorriria apenas para suavizar as coisas.
– Eu quero te falar uma coisa.- Anunciou sem rodeios.
Cobra a encarou curioso.
– Eu nunca vou mudar.- Começou o encarando.- Sempre serei assim, confusa, vazia… má.- Parou e se afastou.- Jamais vou conseguir parar de sentir essa raiva dentro de mim, eu não tenho conserto, Cobra.
– Jade…
– Por isso, se você quiser ir embora hoje, eu vou não vou te impedir, nem ligar para o meu pai.- Ela respirou fundo.- Eu deixo você ir.
Cobra a encarou, depois começou a rir, Jade estava confusa, mas antes que perguntasse qualquer coisa, ele agarrou os cabelos da garota com força e certa violência.
– Você realmente acha que eu vou fazer tudo o que você quiser? Que eu sou seu cachorrinho?- Perguntou entre dentes.
– Cobra, por favor…
– Não!- Cobra gritou para a garota.- Eu não vou embora e te deixar aqui. Tô nem aí se você é louca ou não, você não diz o que eu devo fazer.
Cobra soltou Jade e saiu apressado para o quarto. Assim que ele saiu, Jade sorriu. Realmente o deixaria ir, mas preferia que ele ficasse, se ele ficasse, significava que realmente a amava.
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