Notas iniciais
Olá galera, resolvi por a cara no sol kkk. Boa leitura

“Tá tudo bem, tá tudo bem. Agora eu tô com você, ninguém irá te machucar…

Era começo de dezembro, férias escolares, algum pai de aluno resolveu viajar e deixá-lo sozinho, lógico que não iria prestar. Os pais de Daniel eram tão inocentes, que acreditavam que boas notas significavam responsabilidade e caráter. Tão inocentes…

Cobra e Jade tinham 15 anos e pareciam estar em uma espécie de trégua, já que ambos haviam fugido de casa para ir a festa regada de bebida na casa do mais novo namorado da garota.. Só tinha um problema, não era porque eles estavam em paz, que o restante também deveria estar.

Cobra observava a quase meia irmã se esfregar na pista com o seu novo namorado, e aquela cena não agrava nem um pouco. Então, virou mais um copo na tentativa de apagar aquela imagem da cabeça.

– Vamos dançar!- Gritou a loira ao seu lado que ele nem sabia o nome.

– Não, vamos ficar aqui.- Pediu sorrindo para a garota.

Apesar de não gostar da cena, não queria desgrudar os olhos da irmã, era masoquista. Cobra notou que Jade também o observava, então, por que não provocá-la? O rapaz beijou a loira a sua frente com vontade. Jade parou de dançar e o encarou. Daniel não gostou nada da ideia bufando e arrastando a namorada consigo. Quando Cobra terminou com sua cena e notou que a garota não estava ali, resolveu ir atrás da irmã.

Não demorou muito para encontrá-la, estava junto com o seu namorado do lado de fora da casa. Cobra se escondeu atrás da parede para escutar a conversa.

– Você pensa que eu sou o que, garota?!- Gritou o namorado.

– Daniel, acalme-se.- Pediu Jade.

– Me acalmar? Você pensa que eu não vi como você age com relação ao seu irmão?!- O rapaz gritou, fazendo Jade se encolher.

– Ele não é meu irmão.- Corrigiu a garota.

– E esse é o problema, ele não é o seu irmão. Ele não é o seu irmão!- Gritava Daniel completamente irritado e bêbado.- Eu não nasci para ser corno!

– Eu nunca te traí.- Alegou a garota encarando o rapaz a sua frente.

– Mentirosa.- O rapaz pegou Jade pelo braço.- Pagando de virgem, mas deve ser uma putinha.- Daniel cuspiu as palavras.- Se é assim, eu também quero.

– Não!- Jade balançou a cabeça em desespero.

– Sim, ah sim!- Daniel puxou a blusa de Jade a rasgando.- Vamos ver se você é boa.

– Não! Não!- O rapaz jogou Jade no chão e avançou em cima da garota, que o tentava empurrar, mas sem sucesso.

Cobra ouviu os gritos da garota e saiu correndo pelo quintal, no meio do caminho pegou uma barra de ferro e foi em rumo ao casal.

– Solta a Jade!- Gritou acertando com a barra de ferro na cabeça de Daniel que caiu desmaiado pro lado.

Cobra ofegava de nervoso e Jade o encarava com lágrimas nos olhos, ambos em choque. O rapaz soltou a barra de ferro assustado com a sua reação e olhou a garota no chão, em seguida se ajoelhando próximo a irmã.

– Jade…- Pegou o rosto da garota nas mãos e a encarou por alguns minutos antes de puxá-la para um abraço.- Tá tudo bem, tá tudo bem. Agora eu tô com você, ninguém irá te machucar.

Daniel não morreu, mas ficou com um grande galo na cabeça e um medo terrível de Cobra. Também preferiu não prestar queixa, já que ele podia ser acusado de tentativa de estupro.”

Cobra esperava na sala Jade terminar o seu banho, enquanto se lembrava do episódio deplorável. Depois daquele dia, ele achou que as coisas mudariam, mas Jade fingiu que nada havia acontecido e voltou a odiá-lo como sempre. Ela poderia fazer o mesmo. Cobra só não saberia se teria saúde para aquilo. A garota saiu do banho, veio em direção da sala, apenas de roupão, e se sentou ao lado do rapaz. Cobra ficou em silencio, esperou que ela dissesse algo, mas não aconteceu.

– Ok Jade.- Cobra foi o primeiro a falar.- Se você quer que eu finja que nada aconteceu, eu finjo...

Jade o encarou e Cobra parou de falar.

– Se você quer fingir, problema é seu, mas eu não vou fingir nada. Estou cansada de mentir.- Jade desabafou.

Cobra suspirou, não imaginava essa reação da garota.

– Eu também não quero mais mentir.- Confessou.- O que faremos agora?

– Como assim o que faremos agora? Cobra não estamos namorando e nem por isso meu ódio por você diminuiu.- Jade sorriu de lado o encarando.- Foi só uma transa. Uma boa e quente transa.

Cobra sorriu de volta e mordeu o lábio inferior.

– Então podemos repetir, não é mesmo?

– Claro.- Jade sorriu e Cobra a agarrou a beijando, então a garota o empurrou o jogando no chão.- Mas não agora, estou com fome.

Cobra olhou para o teto derrotado e Jade passou por ele, confiante de si mesma e foi para a cozinha. Cobra fez o mesmo, afinal de contas, era bem provável que Jade não soubesse riscar um fósforo.

Cobra preparou o café da manhã e Jade cuidaria da louça, era uma regra. No entanto, era difícil se manter quieto enquanto a garota estava somente de roupão. Ele era humano. Cobra se levantou e foi até Jade.

– Quer ajuda?- Perguntou para a garota.

– Eu conheço esse seu sorriso.- A garota piscou e sorriu para ele.

– Você está sorrindo para mim? Isso é alguma pegadinha?- Perguntou Cobra divertido e a garota jogou água nele.

– Idiota.

Cobra ajudou a enxugar os pratos, enquanto observava Jade, de vez enquanto ela soltava um “o que você está olhando?”, o rapaz não respondia. Era muito estranho tudo aquilo, Jade estava sendo legal com ele? Era uma trégua ou um sinal que viria artilharia pesada? Cobra não sabia e nem queria entender, estava cansado de conversar com os seus demônios tentando entender os de Jade.

(...)

Cobra e Jade estavam deitados na cama do garoto, haviam acabado de transar mais uma vez. Era interessante, como ambos não se cansavam um do corpo do outro. Jade se levantou e começou a se vestir, sem dizer uma única palavra para Cobra.

– Você sabe que pode dormir aqui, não sabe?- Indagou Cobra suspenso pelos cotovelos para encarar Jade.

– Sei, mas não quero.- Disse a garota friamente.

– Claro, não segue os padrões da filhinha mimada do papai.- Atacou Cobra. Odiava quando falava assim com as pessoas, mas era difícil se controlar, sempre se sentia diminuído pela morena.

– Sim e não.- Disse Jade calmamente.- Sim, esse quarto não está a minha altura. Não, não é por causa disso que eu estou saindo.

– Então por que?

– Porque dormi aqui é um erro, transar com você é um erro.- Jade desabafou.

– Um erro que você adora cometer, não é mesmo?- Apesar do tom sarcástico, ele tinha um sorriso malicioso nos lábios.

– Não é porque eu estou fazendo isso com você, significa que não te odeio.- Jade o encarou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso de canto, características da garota que seria capaz de tacar fogo em Cobra e ainda sorrir.

– Jade, por favor.- Implorou segurando o pulso da garota.

– Não posso.- A morena puxou o pulso e saiu do quarto.

Assim que Jade saiu do quarto do rapaz, sentiu suas pernas bambearem e ela teve que se segurar nas paredes para chegar ao quarto. Era bom fazer o que sempre quis, mas ao mesmo tempo tão doloroso. Devia odiá-lo, estar nesse momento pensando em mil maneiras de acabar com a vida de Ricardo, não se sentindo fraca por ele. Como queria voltar lá e passar a noite com o rapaz, mas não podia. Dormir com ele, seria como concordar com um compromisso e isso nunca aconteceria, jamais.

A garota puxou a gaveta e pegou uma foto de Ricardo Cobreloa, a única que ela não tinha queimado. Esta foto ela havia roubado do álbum de formatura do rapaz, era a que ele estava mais bonito e a primeiro momento, Jade pensou em queimar, mas não conseguiu. Cobra estava sorrindo na foto, feliz por ter concluído o ensino médio. Jade acariciou a foto antes de virá-la e ler a frase que estava escrito com sua própria letra no verso da foto.

“Amar é destruir, e ser amado é ser destruído”

Nunca aquela frase fez tanto sentido.

Notas finais
A última frase é de um livro. Me doí ver a Jade sofrer, ainda mais por algo que ela não tem culpa. Desabafo, não gostei do fato de não ter tido cobrade ontem, porque falaram que o Cobra voltaria, mas na verdade, só foi mostrado o que ele estava fazendo. Precisava dele com a Jade, pelo menos, uma última vez. Estou ciente do porque, mas mesmo assim, queria cobrade u,u Comentem e me desculpem a demora Bjs, Tami