O mais baixo amor
4 Capítulo 4
Notas iniciais
O lado secreto de mim
Eu nunca te deixarei ver
Eu mantenho ele enjaulado, mas eu não posso controlar
Então se afaste de mim
A fera é horrenda
Eu sinto a raiva e eu não posso controlar
(...)
Eu odeio o que me tornei
O pesadelo apenas começou
Eu devo confessar que eu me sinto como um Monstro
A manhã havia chegado, e com ela, a partida dos pais de Cobra e Jade. Qualquer pessoa iria se sentir feliz em ficar sozinho em uma casa, com a filha gostosa do seu padrasto. Qualquer um, menos Cobra.
– Ricardo, meu filho, estamos indo.- Disse Quitéria entrando em seu quarto.
– Vocês tem que ir mesmo?- Perguntou o rapaz angustiado.
– Sim, vocês precisam disso.- Quitéria tomou o rosto do filho nas mãos.- Cuide bem da sua irmã.- A mulher depositou um beijo na testa do filho e saiu do quarto.
“Ela não é minha irmã”, corrigiu mentalmente. Este era o problema, a garota não era a sua irmã e ele as vezes não sabia diferenciar o ódio e desejo que sentia por Jade. Dois sentimentos que ele não podia ter por uma irmã, mas Jade não era sua irmã.
Enquanto isso, no quarto de Jade, Antônio se despedia da filha.
– Jade, você sabe que isso é necessário, não é mesmo?- Questionou Antônio.
– Claro, todos tem tendência a me deixar.- Disse a garota tristemente sentada em sua cama.
– Não estamos te deixando.- Antônio tentou explicar para a filha.- Você tem o Cobra, não ficará sozinha.
– Ótimo.- Pensou Jade revirando os olhos.
O pai deu um beijo na testa da filha e a olhou nos olhos.
– Jade, minha joia mais preciosa, por favor, não seja tão dura com as pessoas, não se autodestrua.- Disse antes de sair do quarto da garota.
“Não se autodestrua, não seja louca como a sua mãe” pensou Jade. A garota não gostava muito de pensar na mãe, mas as vezes tinha a impressão que era parecida com ela, como a mania de nunca resolver os problemas.
Jade escutou o barulho do carro do pai saindo da casa, e suspirou.
– Seja lá o que for acontecer, começa agora.
(...)
Quitéria havia adiantado as férias de Rita, o que era uma droga, já que Cobra e Jade não sabiam fazer comida.
– Olha, eu tô com fome.- Reclamou Jade.
– Levanta e cozinha.- Cobra zapeava os canais pela tv sem dar atenção a Jade.
– Eu não sei cozinhar.
– Oh que pena.- Cobra riu e Jade revirou os olhos.
Jade se levantou e foi até o quarto, pegou o celular e resolveu dar atenção para o seu namorado.
– Olá Jade, resolveu lembrar que tem um namorado?- Perguntou Henrique visivelmente mal humorado.
– Me desculpe, mas a minha vida está de ponta cabeça.- Disse Jade.- Você acredita que meus pais viajaram e está só eu e o idiota do Cobra aqui?
– Presumo que sejam dias difíceis.
– Você não sabe o quanto.- Jade suspirou.- Olha, nem eu e nem o Cobra sabemos cozinhar, será que eu posso comer aí?
– Não Jade, você não pode.- O rapaz do outro lado da linha disse rígido.
– O que?
– Você só lembra de mim quando interessa para você, estou cansado de viver em um relacionamento há três.- Henrique dizia cada palavra banhado a ódio.
– Há três? Eu nunca te traí com ninguém!
– Eu, você e esse seu ódio pelo Cobra. Esse seu ódio é quase uma pessoa, toma decisões e dita regras da sua vida.- Henrique suspirou.- Eu te amo, mas não posso lidar com isso. Eu sinto muito.
– Você tá terminando comigo?- Jade estava confusa.
– Sim, estou.- A voz embargada do choro de Henrique, surgiu do outro lado da linha.- Me desculpe.
O telefone foi desligado e Jade sentiu um misto de raiva tomar o seu peito, não era dor, mas sim e somente raiva. Ninguém terminava com Jade Gardel, ela era quem dominava o tabuleiro e dava o xeque mate. A garota jogou o celular na parede e soltou um grito.
Do lado de fora do quarto, Cobra estava próximo a porta ouvindo a conversa ao telefone com Henrique. Era algo que, infelizmente, sempre fazia, mesmo ouvindo somente uma das partes da conversa. Cobra se soltou da porta quando ouviu que Jade tinha jogado o celular na parede e foi para a sala novamente.
“Então quer dizer que o namoro com o filhinho de papai acabou? Ótimo, nunca fui com a cara dele mesmo.” pensou Cobra, agradecendo mentalmente por seus pensamentos serem segredos. Mas o rapaz sabia que sua felicidade não era somente por não gostar de Henrique, isso ele sabia bem.
(...)
Jade sentiu o cheiro de comida chegar em seu quarto, se levantou e desceu até a cozinha. Assim que botou os pés no cômodo, Cobra estava sentado à mesa com um prato de macarrão a sua frente.
– Você fez isso?- Questionou apontando o para o prato de comida.
– Sim.
– Não sabia que cozinhava.- Cobra deu de ombros.- Será que eu posso…?- Perguntou apontando para a panela no fogão e o rapaz mais uma deu de ombros.
Pela fome, Jade declarou que aquele era um sim. A garota entornou um pouco do macarrão no prato, pegou um garfo e correu para a mesa, se sentando de frente com Cobra. Jade não percebeu, mas Cobra fitava cada movimento da garota, curioso para saber se aprovaria a comida, como se de alguma forma, ela o aprovaria. Quando Jade colocou a primeira garfada na boca e fechou os olhos mastigando, o rapaz ficou ansioso.
– Isso tá muito bom.- Murmurou a garota maravilhada e Cobra sorriu, timidamente, não queria que ela visse.
Almoçaram em silencio, assim que terminaram, a garota encarou Cobra.
– Você ouviu minha conversa com o Henrique?- Questionou Jade.
– Que conversa?- Cobra se fez de desentendido.
– Eu ouvi seus passos.- Disse simplesmente.- Não vou me vingar de você por isso, mas não queria que ouvisse.
– Só ouvi, porque estava passando pelo corredor e acabei escutando.- Cobra deu de ombros.- Não me importo com os seus relacionamentos, você que costuma cuidar dos meus.
– Ok.- A garota se levantou e recolheu os dois pratos colocando na pia.
Cobra entendeu que a conversa havia acabado, então se levantou, mas antes que saísse, a voz de Jade mais uma vez ecoou pela cozinha.
– Eu não o amava, na verdade, nunca o amei.- Jade falou em quase um sussurro olhando para Cobra, e Cobra fitava o chão antes de sair ás pressas da cozinha.
(...)
Cobra socava as roupas na mala tentando a todo custo andar o mais rápido possível, tinha que sair daquela casa. Era mais fácil se controlar quando os pais estavam em casa, mas só ele e a garota era quase impossível. Fechou a mala e a carregou na mão, apesar de ser de rodinha, não queria acordar a garota.
O garoto desceu pé a pé, mas não encontrou nenhum sinal que a garota estava na casa. Deveria estar dormindo, já era tarde da noite. Cobra adorava a ver dormindo, sempre de calcinha e uma camisola transparente, todo dia, ele passava da sua sacada do quarto, até a sacada do quarto da garota, entrava pela janela e se aproximava da cama da garota, passava um bom tempo a observando. Devia ser por isso que tinha grandes olheiras. Mas hoje não, se a garota acordasse, ela não o deixaria ir.
Assim que botou os pés para fora da casa, avistou seu carro mal estacionado em frente à casa. Olhou mais uma vez para o quarto de Jade. Sabia que Jade ligaria, assim que acordasse, para os pais e provavelmente seria punido por ter desobedecido.
– Que se dane.- Exclamou correndo carregando a mala até o carro.
Jogou as malas no porta mala, fechou, entrou pela porta do motorista, girou a chave, no entanto, no painel do carro dizia que o tanque estava vazio.
– O que?- Cobra tinha certeza que o tanque estava cheio.- Isso não é possível.
Cobra desceu do carro e notou que os pneus do carro também estavam furados, os quatro.
– Você não vai a lugar nenhum.- Escutou a voz de Jade da entrada da casa.
– Jade…- Cobra estava desacreditado.- Como?
– Você não é o único que fica escutando conversas no telefone.- Jade deu de ombros.
– Eu vou matar você!
Cobra correu até a garota e esperava que ela corresse ou aprontasse qualquer coisa, era a Jade. Mas ela simplesmente levou as mãos no cabelo e começou a puxar. Lembrava bem daquilo.
Flash Back On
Cobra tinha seus 10 anos e apesar das muitas piadinhas que ouvia, nunca se separava de Jade. E naquele dia estavam juntos por um motivo maior. Havia tido uma festa e Jade, como sempre, quis se destacar. Pegou o colar de pérolas da mãe e colocou no pescoço. Cobra sabia que Jade não precisava daquilo para se destacar, de longe era a mais bonita, sempre foi.
No entanto, Jade não contava que Cobra iria se meter em uma briga. O garoto vivia se metendo em brigas, mas isso não impediu Jade de pular nas costas do adversário de Cobra. Infelizmente, quando Jade fez isso, o colar enroscou na blusa do rapaz, e acabou arrebentando o colar.
Depois que acabou a festa, estava Cobra e Jade sentados tentando arrumar o colar, uma tarefa impossível, porém nenhum dos dois queria acreditar.
– Minha mãe vai me matar.- Choramingou Jade.
– Eu não vou deixar ela te bater.- Falou Cobra puxando uma linha de sua roupa e passando pérola por pérola.
– Ela não vai me bater Cobra.- A garota entregou a última pérola ao rapaz.- Ela vai me odiar.
(...)
Ficaram esperando Lucrécia ir os buscar em frente à casa da garota aniversariante. Assim que a mulher estacionou, os dois se aproximaram do carro. A viagem foi em silencio até chegar em casa, mas assim que colocaram os pés pra fora do carro, a mulher começou:
– Sabe Jade, você pensa que eu sou boba não é mesmo?- Lucrécia encarou a filha.- Cadê o meu colar?
Jade entregou o colar a mãe, que pegou, olhou e puxou o colar, arrebentando. A garota encarou as pérolas correrem pelo chão.
– Mãe o seu colar.- A garota correu pegar as pérolas.
– Eu não quero.- Jade se levantou.- Agora é lixo, graças a você.- Encarou a filha.- Satisfeita?
– Me desculpe mãe.- A garota deixou algumas lágrimas caíram do rosto da garota.
– Eu não quero suas desculpas. Estou muito decepcionada com você.- Lucrécia caminhou para dentro da casa deixando Jade totalmente arrasada.
Cobra ficou tempo se questionando como alguém poderia tratar a própria filha assim, quando voltou o olhar para Jade, a garota arrancava os cabelos.
Flash Back Off
Na época o rapaz não soube o que fazer, mas agora sabia. Cobra correu até a garota e puxou seus pulsos, prendendo a garota contra a parede.
– Você tá ficando louca?- Gritou o rapaz para a garota.- Quer ficar careca?
– O que importa?- Sussurrou a garota.
– O que importa?- Cobra apertou os pequenos pulsos em sua mão.- Importa que você está se machucando, se auto mutilando, por minha causa e apesar de tudo, jamais vou suportar ver você se machucar.
– Você ia me deixar.- Jade cuspiu as palavras amarga.
– Sim, eu iria.- Cobra a soltou os pulsos da garota e se afastou um pouco de Jade.- Só porque eu não consigo ficar perto de você.- Cobra levou a mão direita até o pescoço fino da garota e apertou um pouco.- Às vezes eu tenho vontade de te matar.- Então abaixou as mãos.- E outras eu tenho vontade de te jogar na minha cama, de te fazer mulher, coisa que aquele idiota do Henrique jamais fez.- Cobra levou as mãos até os cabelos, os puxando totalmente descontrolado.- Entende porque eu não posso ficar perto de você? Eu tô ficando louco.
– Então você não é o único.- Jade se aproximou do rapaz e o beijou.
Um beijo urgente, um pouco doído, já que ambos se sentiam culpados, mas mesmo assim, cheio de desejo. Um beijo almejado por ambos a anos e agora, estavam finalmente se entregando ao desejo. Ambos se sentiam controversos, mas mesmo assim, não interromperiam aquilo.
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