O mais baixo amor

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Olá galera, eu sei que a maioria de vocês querem arrancar minha cabeça (com razão) e outra metade meus órgãos (comecem pelo coração), mas eu estava com dificuldades para formar um capítulo na minha outra fanfic e acabei por atrasar essa também. Então, a belíssima justificativa é essa. Bom, boa leitura e mais uma vez, me desculpa.

Algumas semanas depois…

Jade andava pelo corredor infinito, oscilando de um cômodo para o outro e sempre topava com alguma lembrança, que era brutalmente dilacerada a deixando cada vez mais vazia e triste. Ela não sabia o que estava acontecendo, se era real, se era um sonho ou se aquilo mesmo era algum teste mental que estava fazendo em uma dessas clínicas malucas. Arriscou até ter sido abduzida por E.T’s. Só tinha certeza de uma coisa.

– Se o Cobra estivesse aqui, tudo estaria bem.

Havia se passado duas semanas desde que o médico olhou nos olhos de Cobra e deu a trágica notícia que Jade estava em coma. Os machucados já tinham se cicatrizado, os hematomas sumidos e o cérebro da garota tinha voltado ao normal. Só que ela não acordava, simplesmente continuava em coma, o que preocupava Cobra.

– Não podemos fazer nada, agora é por conta dela.- Explicou o médico a Ricardo.

– Doutor, tem a possibilidade dela nunca mais acordar?- Questionou Cobra com medo da resposta.

– Infelizmente, sim.- O médico o encarou.- Nada pode ser descartado.

Enquanto Jade não acordava, Cobra também não se cuidava, raramente comia alguma coisa (maioria das vezes Pedro e Karina trazia algo para ele comer), a barba estava por fazer, banho só quando alguém reclamava que estava insuportável o cheiro e não sabia o que era dormir em uma cama fazia tempo. Simplesmente não saia de perto de Jade.

– Aposto que você está esperando que eu desista e vá para casa para você acordar e, depois jogue na minha cara que sou fraco.- Provocou Cobra acariciando os cabelos negros de Jade.

Cobra costumava conversar com Jade, mesmo que ela não respondesse. Isso afastava um pouco a ideia que ela estava inconsciente.

– Sabe a enfermeira loira que vem com frequência checar os seus aparelhos?- Perguntou Cobra e ouviu um “sei” mentalmente.- Me passou o número dela.- Riu só de imaginar a garota o estapeando.- Calma! Não vou ligar, olha, vou até jogar o número dela no lixo.- Ricardo pegou um papel do bolso da calça e jogou no lixo.- Ciumenta.

O rapaz se debruçou na cama da garota e a observou enquanto acariciava seu rosto fino e delicado.

– Promete pra mim que vai acordar? Promete?- Dessa vez não ouviu a voz da garota em sua cabeça, então apenas deixou que algumas lágrimas caíssem.- Esqueceu que você tem a missão de infernizar minha vida? Eu não posso viver em um mundo onde Jade Gardel não está.

Jade entrou em uma sala onde encontrou a mãe de Cobra e o garoto em seus nove ou dez anos conversando. A garota se aproximou e pode notar que ninguém conseguia vê-la. Aquilo não era uma lembrança, ou pelo menos não dela.

– Mãe eu odeio aquela menina.- Resmungava o menino.

– Eu sei, eu sei.- A mulher o consolava.

Certamente estavam falando da Amanda, uma patricinha do colégio que ambos odiavam.

– Se sabe por que fica me obrigando a fingir que sou amigo dela? Ela é insuportável, mãe!- Esbravejou Cobra.

Espera, Cobra não era amigo da Amanda, nunca nem tentou se aproximar dela.

– Porque eu preciso do dinheiro do pai dela e se você se aproximar dela, logo eu vou me aproximar do pai dela, matamos aquela mãe louca e pronto.- A mulher tinha uma expressão que Jade não gostou nada, nada.- Logo seremos da família Gardel.

Com aquilo a garota deu um grito, ambos a olharam e começaram a rir debochadamente. Jade saiu correndo do corredor e caiu de joelhos no chão.

– Eu não posso viver em um mundo onde Ricardo Cobreloa é feliz.- Ouviu sua própria voz ecoar pelo cômodo, mas não era ela que estava falando.

Jade levantou a cabeça e viu que não estava no conhecido corredor, mas sim em uma sala cheia de espelhos, onde olhava conseguia ver seu reflexo.

– Quem está aí?!- Gritou Jade.

– Eu não posso viver em um mundo onde Ricardo Cobreloa é feliz.- Novamente ecoou a voz.

– Apareça!- A garota gritou e começou a procurar por alguém em sua volta, depois de muitos giros encontrou alguém de costas para ela.- Quem é você?- Perguntou a Jade e a moça em sua frente gargalhou. Isso irritou profundamente a morena, que foi até a garota e a virou bruscamente.- Eu perguntei…

– O seu pior pesadelo.

A moça era exatamente igual a Jade, na verdade, ela era a Jade.

– Jade Gardel.- Declarou a garota com um olhar intimidador em cima de Jade.

As duas estavam com a mesma roupa, a única coisa que mudava, era que a garota tinha um sorriso debochado no rosto e Jade estava amedrontada.

– Você não sou eu.- Jade começou se afastar.

– Sou sim, essa aqui.- A garota apontou para si mesma.- É a verdadeira Jade Gardel.

– E quem é a verdadeira Jade Gardel?- Perguntou Jade.

– A garota que matou a mãe por causa de macho.- Jade não se segurou e deu um tapa na cara da garota que se virou para ela e começou a rir.- Tão vagabunda que não consegue ouvir a própria verdade.

– Cala a boca!

– Vamos ser honestas, amamos quando a mamãe se foi. Ela era um inferno na Terra.- A garota deu de ombros.

– Isso não está acontecendo.- Jade fechou os olhos e depois tampou os dois ouvidos.

Jade ficou um tempo assim com esperança que algo mudasse, mas quando voltou, a garota continuava lá, com aquele sorriso infernal estampado nos lábios.

– Eu não vou a lugar nenhum.- Declarou a garota.

C&J

As maquinas que controlava o estado de Jade, apitou. O médico olhou, tirou a prancheta do jaleco e anotou algo.

– O que isso significa?- Perguntou Cobra preocupado.

– Que a atividade cerebral dela caiu mais um ponto.- Disse sem rodeios.- Sabe, eu não quero te preocupar, mas você pode começar a considerar sua vida sem essa garota.

– O que? Você está me dizendo que a minha namorada vai morrer? É isso!- Se irritou o rapaz.

– Não.- O médico afastou delicadamente Ricardo de perto dele.- Talvez ela não venha a acordar.

O médico saiu do quarto e deixou Cobra e Jade sozinhos, o rapaz se virou para a garota com um sorriso no rosto, mas escorria lágrimas de desespero de seus olhos.

– Você ouviu isso? Um idiota, não?- Se aproximou da garota.- Aquele diploma de merda que ele pegou não lhe diz nada, não é minha Dama?- Ele podia sentir o desespero lhe corroendo.

Cobra pegou a mão de Jade e deixou que uma de suas lágrimas escorregassem e caíssem nas mãos da garota. Não adiantava mentir, ela com certeza sabia que ele estava lá, desesperado.

– Jade, eu sei que fui um idiota e que você provavelmente me odeia por ter te colocado nessa cama dura de hospital, mas por favor, não me deixe.- Pediu com a voz embargada.- Se você quiser, eu sumo, nunca me verá novamente, é só pedir, mas acorda, por favor.- Cobra encheu a mão da garota de beijos e lágrimas.- Fica Jade, fica!

Jade encarou sua cópia, que a encarava de volta com uma das sobrancelhas arqueadas.

– Eu não odiava a minha mãe.- Se defendeu Jade.

– Quem se importa? Você a matou.- Acusou a garota.

– Não a matei, ela que se matou!- Se defendeu Jade.

– Por sua causa, você os trouxe para dentro de casa, você matou minha mãe!- Gritou a garota e as duas começaram a chorar.

– Não…

– Sim, e agora está transando com o cara que é motivo disso tudo!- Acusou a cópia.- Você me prometeu que iria fazer vingança.- Ouviu uma voz infantil e agora já não era mais sua cópia, mas sim a garotinha de doze anos.

– Eu não posso.- Jade sentiu seu estomago queimar, como se um golpe tivesse lhe machucado.

– Ele te odeia.- A garotinha provocou.- Era tudo armação.

– Não, não, ele não me odeia, não isso não é verdade!- Jade tenteou sair da sala, mas a sala não tinha portas, apenas espelhos.

– Não pode fugir dos seus demônios, Jade, eles sempre sabem onde você se esconde.- Agora não nem a sua própria voz, nem a da garotinha, mas sim um coro de vozes.

Jade se virou lentamente e encarou o grupo de pessoas. Estavam na sala a cópia de Jade, a mãe e...

– Cobra...- Sussurrou Jade.

– Saudades, minha Dama?- Cobra perguntou com um sorriso repuxando o canto de seus lábios.

Cobra cochilava debruçado na cama de Jade, quando a porta do hospital foi bruscamente aberta por um Antônio Gardel totalmente alucinado.

– Jade!- Antônio correu até a filha e abraçou seu corpo.

Cobra não soube o que dizer, então simplesmente se afastou da garota para dar espaço aos dois. Ensaiou algumas frases em sua cabeça para poder explicar ao padrasto o que havia acontecido. Assim que ele soltou a garota e encarou o rapaz, Cobra começou.

– Senhor, foi um acidente de…

– Me poupe das suas explicações, metade da cidade sabe da história!- Gritou o homem.

– Ótimo.- Falou Cobra um pouco assustado.

– Ótimo? Foi por sua culpa que ela está nesse estado, seu incompetente!- Acusou Antônio.

– Minha culpa? Foi culpa daquele idiota que estava bêbado no volante.- Se defendeu Cobra.

– Eu pedi para que vocês se entendessem, e olha isso!- O homem apontou para a filha.- Olha onde essas suas briguinhas levaram!

– Nós estávamos nos dando bem, não brigávamos...

– Tô vendo como estavam se dando bem!- Riu sem humor.

– Estávamos namorando, eu a am...

Antônio deu um murro na boca de Cobra que levou o rapaz ao chão.

– Não diga isso, você jamais amou minha filha!- Nessa hora os guardas invadiram o quarto.

Os guardas foram de Antônio a Cobra, depois encararam o homem.

– Algum problema?- Perguntou o mais alto dos dois guardas.

– Sim, quero esse idiota longe da minha filha.- Ordenou o pai da garota.

Notas finais
Então galera, o que acharam? Capítulo que vem a Jade acorda, por que chega de sofrimento com a Jadezinha. Bjs, Tami