O lobo e a raposa

1 Raposa de nove caudas


Notas iniciais
Avisos:

* Essa história será atualizada duas vezes ao dia, 7 da manhã (se eu acordar, caso contrário, pode atrasar um pouco) e 7 da noite (a partir de amanhã).

* Romance homossexual, se não gosta, não leia.

* Essa história usa os personagens de Naruto, mas não se passa em seu universo original.

Capítulo 01: Raposa de nove caudas


As gotas de chuva estavam geladas, mas não sentia mais frio. Depois de correr por tanto tempo, se não fosse a chuva, deveria estar suando muito nessa noite de verão.

— Não deixem que ele escape dessa vez! — Ouvi alguém gritar e inconscientemente corri mais rápido.

Foi um grande descuido ter vindo para essa vila novamente, afinal fui pego roubando da última vez. Mas por mais que esperasse ser uma situação ruim, não imaginei que fosse ser assim.

Quase todos os homens da vila estavam me perseguindo, o que tornava a minha fuga muito mais difícil. A única notícia boa era que eles apenas me tratavam como um ladrão, pois, se soubessem o que eu era, provavelmente seria morto.

Continuei a correr e mesmo que estivesse cansado, não me atrevi a parar. O que eu não esperava era que estivesse tomando cuidado para não diminuir a minha velocidade ou parar, e no fim acabasse caindo.

Não tenho certeza no que havia tropeçado, porque estava escuro demais para ver. Mas devido à velocidade na qual corria, assim que cai, meu corpo se chocou fortemente contra o chão, cada osso e músculo doía como se fosse se partir sozinho.

— Você ouviu isso? — Uma voz não muito longe soou e meu corpo tremeu, só não sei se era de medo, frio ou dor.

Para escapar, assumi minha forma animal e logo usei o pequeno corpo da raposa para me esconder em um buraco qualquer que encontrei por perto. Me encolhi e minhas nove caudas circularam meu corpo, enquanto isso passos se aproximaram e depois felizmente passaram, sem parar e me encontrar.

Estava feliz por conseguir me esconder, mas não consegui dormir e também não pude sair e continuar fugindo. Não havia escolha além de ficar ali e esperar, então foi o que fiz, mesmo que estivesse com frio, com fome, com dor e com medo.

Foi só ao entardecer do dia seguinte, quando a chuva já havia parado e não havia mais perseguição, que finalmente consegui sair do meu esconderijo. E depois de toda essa perseguição, não havia mais como ficar perto da vila, seja essa ou outra, portanto, tive que seguir para a floresta.

Normalmente eu ficaria longe daquele lugar, pois para uma raposinha como eu, isso era o mesmo que suicídio. Tinha apenas cinquenta anos e minha forma humana era equivalente a uma criança de dez anos, não havia poder de luta ou qualquer proteção, mas já havia chegado ao ponto de que não podia mais escolher e não havia opção além de ir.

Corri novamente, mas dessa vez a velocidade era um pouco menor, porque precisava tomar cuidado com onde estava pisando e para qual área da floresta estava indo. Fui o mais cauteloso possível, mas ainda não foi o bastante.

Só tive tempo de ver algo gigante e marrom se movendo, quando de repente fui acertado e jogado contra uma árvore. Meu corpo que já estava dolorido, agora quase chegou ao limite, várias pequenas feridas se abriram na pele e cuspi sangue quando cai no chão.

Olhei brevemente para a direção onde havia visto a cor marrom e vi um urso… Ou melhor dizendo, uma família de ursos, pois havia cinco deles.

— Uma raposa?

— Não é uma raposa, é uma Kitsune. Você vê ali? Tem nove caudas — outro corrigiu e senti meu corpo frio, mais frio do que quando estava correndo sob a chuva.

Não era incomum que nossa espécie ouvisse animais falarem, só era preciso que eles atingissem uma certa idade e tivessem um pouco de sorte. Na minha forma animal, já havia visto e ouvido tais animais, porém, a situação atual não era tão simples.

Ali não era um único animal com consciência, era mais de um e ele sabia muito para ser apenas um animal. Outros veriam apenas uma raposa quando olhassem para mim, poucos sabem que as minhas nove caudas significam que sou uma Kitsune, um demônio raposa. E aqueles que sabem… também são demônios.

Se ser encontrado por um animal selvagem ou um humano era ruim, ser encontrado por outro demônio era terrível.

Após ver os ursos e escutar suas palavras, só foram necessários dois segundos para que eu pulasse para longe deles e voltasse a correr, dessa vez usando minha velocidade em seu máximo para que assim pudesse escapar deles. Felizmente a velocidade era minha melhor habilidade, infelizmente já estava cansado da fuga anterior e meu corpo doía ainda mais após ser acertado.

Depois de correr com todas as minhas forças por alguns minutos, minha visão começou a ficar embaçada. Persisti por mais um minuto, mas não consegui continuar e tive que parar, caindo no chão assim que a corrida cessou e sem conseguir me mexer.

Estava difícil de respirar e aquele lugar parecia mais escuro do que os outros, então não via muito, mas meus instintos ainda me diziam que estava em perigo.

Infelizmente, já não podia mais correr.

Me concentrei em respirar e esperei, esperei que essa crise de vida ou morte pudesse passar sem que perdesse minha vida.

No momento seguinte, presenciei o que poderia ser minha salvação… ou meu fim.

Os ursos me alcançaram e podia ouvir seus xingamentos por eu ter invadido seu território, estavam cada vez mais perto, assim como o barulho de seus pesados passos sobre a terra. Porém, quando eles chegaram a uma distância que já podiam me ver, todos pararam e nesse momento ouvi um rosnado baixo, porém, ameaçador.

Estava deitado de lado e os ursos estavam em minha frente, só podia ver suas expressões de pânico e nada mais, pois o rosnado veio de trás da minha posição atual e não tinha forças para me mexer.

— Minha área. Saia ou morra — Uma voz fria como gelo e mortal como a garra mais afiada, veio de trás de mim.
Foram apenas cinco palavras, mas elas eram o bastante para explicar que eu estava em grandes problemas.

Os ursos se viraram e foram embora mais rápido do que quando vieram. Quanto a mim? Respirei o mais devagar e baixo possível, esperando que o fato de ser pequeno fosse o suficiente para passar despercebido.

— Isso vale para você também — Mais cinco palavras, dessa vez pareciam ainda mais mortais, pois eu tinha certeza de que elas foram ditas para mim e… estavam muito perto!

Fiz um pequeno esforço para olhar para cima e vi dois grandes olhos me encarando. Um olho amarelo e um olho vermelho, ambos igualmente mortíferos. Pude ver também seu pelo prateado, seu tamanho e sua forma corporal, percebendo que era um lobo.

Um lobo prateado.

Dizem os boatos que o lobo prateado é o rei da floresta e que ele sozinho monopoliza vários quilômetros. Inteligente, forte, resistente e quase invencível. Um demônio de alto nível.

Ao constatar que em minha fuga descuidada, havia entrado na área desse lobo, entendi finalmente o que os humanos queriam dizer com o ditado:

"Saiu da frigideira para cair direto no fogo."

Notas finais
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^_^