O lobo e a raposa
14 Possíveis problemas
Capítulo 14: Possíveis problemas
Abracei-o por um curto minuto e o soltei, não querendo lhe deixar com raiva quando enfim nos encontramos novamente.
— Sua forma humana é muito bonita, assim como o lobo prateado — elogiei honestamente, dando um passo para trás e não invadindo mais o seu espaço pessoal. Sorri para ele e depois caminhei até estar ao seu lado, andando e sem precisar dizer nada, sendo acompanhado por ele.
— Sabe, fico muito feliz que você tenha vindo me ver, mas também fico um pouco preocupado, porque sei que você não viria sem motivo. Por falar em visita, tentei ir te ver uma vez alguns meses atrás, mas não consegui e fiquei seriamente ferido, então tive que voltar para a cidade e me curar primeiro. A pessoa que me ajudou a curar, se chama Tsunade e ela é médica especialista em demônios, ela é ótima e me ajudou a encontrar uma casa e a escola que estou frequentando agora. Falando na escola…
Uma a uma, sejam acontecimentos grandes ou pequenos, disse tudo a ele. Sobre meu ferimento causado por uma briga com um urso, sim, outro urso. Sobre a médica que era ótima e uma amiga. Sobre a escola que não gostava muito, mas que estava honestamente tentando acompanhar. Sobre meus poucos amigos, humanos e demônios.
Falei também sobre minha pequena casa que era apenas um quarto e uma cozinha, sobre meu emprego no restaurante e sobre os outros demônios que vi ou conheci durante esse tempo em que estivemos separados. Ele ouviu pacientemente, sem nunca interromper, assim como fazia naqueles anos que estávamos na floresta.
— Conheço Tsunade. Também já me consultei com ela, é realmente uma boa mulher — falou após minha longa explicação.
— Vi seus amigos de longe e parecem ser boas pessoas. Sobre a floresta, talvez seja melhor você não voltar para lá — avisou seriamente, andando ao meu lado com as mãos nos bolsos da calça e passos calmos. Uma postura bem relaxada e que não combinava com toda aquela seriedade em sua voz.
— Não devo voltar? Isso tem alguma relação com sua visita? — perguntei curioso, quando chegamos ao mercado. Entrei e peguei alguns produtos rapidamente, enquanto ele me esperava do lado de fora. Depois que paguei e saí, carregando duas pequenas sacolas, voltamos a caminhar e ele me respondeu.
— Tem uma pequena ligação. Mas antes de te dizer o que é, quero saber por que não revidou contra aqueles três — perguntou e me surpreendeu com o conteúdo dessa pergunta.
Ele não precisava dizer muito sobre quem eram "aqueles três", porque a palavra "revidar", já havia dito muito.
— Não consigo controlar minha força. É a primeira vez que entro em contato frequente com humanos e é difícil me controlar. Nos meus primeiros dias da escola, bati em alguém e a pessoa ficou gravemente ferida, então não fiz novamente. Se eu acabar matando alguém, será mais problemático do que apanhar algumas vezes — disse toda a verdade sobre assunto e ele ficou em silêncio.
Não insisti mais nessa conversa e apenas pensei sobre "aqueles três". Kakashi parece ter visto o que aconteceu na noite anterior, caso contrário ele não perguntaria isso. E quando pensei naqueles três, lembrei da cena deles pendurados na árvore, não contendo um sorriso e olhando para o homem ao meu lado. Parece que não era realmente uma coincidência que as pessoas na árvore eram as mesmas que me importunavam.
Não perguntei a ele e não lhe agradeci, pois sabia que ele não queria que eu soubesse disso, foi o que aconteceu alguns anos atrás quando ele arrancou todas as penas de uma águia que havia roubado meus peixes. Kakashi era assim, ele cuidava de mim de sua maneira, mas não queria crédito por isso, era um demônio muito estranho.
— Naruto, o que você sabe sobre Minato e Kushina? — perguntou de repente, me puxando de minhas lembranças. Olhei para ele e vi que estava olhando para mim, esperando minha resposta.
— Esses são meus pais, sou eu quem devia perguntar o que você sabe deles… Isso me lembra que sempre quis saber se você tinha alguma relação com eles e se isso tinha ligação com o fato de que é tão tolerante comigo — falei sobre algo que estava em minha mente por muitos, muitos anos.
— Bem, eu conheci ambos quase dois séculos atrás. Minato também era do tipo lobo, então ele me ensinou um pouco por alguns anos e assim me aproximei dele e de sua esposa. Senti a aura deles em você e por isso não te matei em nosso primeiro encontro. Sou tolerante com você, metade por ser filho deles e metade por salvar minha vida — respondeu e fez um gesto com a cabeça apontando para mim. Era como se dissesse: "Sua vez".
Desviei meus olhos dos seus e prestei atenção no caminho, juntando minhas poucas memórias sobre meus primeiros anos de vida e dizendo o que sabia.
— Sei o nome dos meus pais e sobre suas habilidades, as habilidades que herdei deles, mais especificamente. Porém, isso parece ser uma informação que veio no sangue e ninguém me ensinou. Eu era uma raposa recém-nascida quando eles morreram e não sei como ou o porquê eles se foram, também não sei como sobrevivi nessa época, mas lembro vagamente que um conhecido de meu pai cuidou de mim por alguns anos.
— Depois disso estive sempre sozinho e nunca encontrei ninguém que conhecesse eles, mas ouvi algumas histórias sobre eu ser a última Kitsune e todas as outras terem morrido em uma batalha, o que parece ter ligação com a morte dos meus pais — encerrei e parei de andar, olhando para ele e perguntando diretamente.
— Você sabe de alguma coisa que não sei? Tem alguma relação com o motivo pelo qual está aqui?
— Vamos falar sobre isso quando chegar na sua casa — sugeriu e acenei em concordância, seguindo até lá em poucos minutos e sem mais conversas. Já em casa, tomei um banho e ele me esperou no quarto, quando saí, ele estava deitado em minha cama, parecendo muito confortável.
— Como é? Melhor do que o chão frio da caverna, certo? — provoquei.
— Muito pequeno — reclamou com preguiça.
— Pequeno, mas você continua aí — reclamei em um sussurro e fui esquentar água para fazer dois copos de làmem. Depois que terminei, voltei até a cama e entreguei um copo a ele que finalmente se levantou e se sentou, deixando espaço na pequena cama de solteiro para que eu também pudesse sentar. Comemos rapidamente e depois fomos para a conversa.
Ele se escorou na cabeceira da cama e eu me escorei na parede, ficando de lado para ele e mais perto do pé da cama.
— Não vou dar muitos detalhes e vou direto ao problema — avisou e concordei, sem exigir que ele falasse o que não queria.
— Seu pai abandonou o clã e os deixou para ficar com sua mãe, os Namikaze nunca perdoaram isso. O clã Uzumaki das Kitsune foi atacado pelo clã Namikaze por esse motivo e seus pais morreram tentando impedir que outras Kitsune fossem mortas. Não sabia da sua existência até te encontrar e acredito que os Namikaze também não saibam, caso contrário você provavelmente não estaria mais vivo.
— E o motivo pelo qual vim te ver e pelo qual disse que é melhor você não ir mais para a floresta, é porque os lobos do clã Namikaze irão se estabelecer na floresta aqui perto de Konoha — encerrou, deixando minha cabeça uma grande confusão.
A família do meu pai, matou a família da minha mãe?
Os Namikaze odeiam as Kitsune?
Meus pais morreram para proteger as raposas dos lobos?
Eram tantas informações que estavam realmente confuso e por alguns minutos, só consegui ficar em silêncio e analisar todas aquelas questões.
— Então… estarei em perigo quando eles vierem? Devo ir embora? — perguntei confuso. Quanto ao motivo de perguntar isso a ele, era que Kakashi era o único para quem poderia perguntar algo tão importante quanto o rumo que deveria tomar em minha vida.
— Você estará em perigo se descobrirem sua existência. Mas se você vai ou não embora, essa é uma decisão que você mesmo precisa tomar — Me respondeu.
— Eu não quero ir para longe — respondi depois de pensar um pouco.
— Por que não? — perguntou em tom curioso, seus olhos se apertando enquanto ele parecia me observar mais atentamente do que antes.
— Porque você…
"Porque você está aqui", eu quase disse.
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