O lobo e a raposa
15 Como um companheiro
Capítulo 15: Como um companheiro
— Gosto de Konoha, ao menos nesse lugar posso ter uma vida, já é melhor que antes e não sei como será quando eu for para outro lugar — respondi depois de pensar um pouco e mudar minhas palavras.
— Não era isso o que você ia dizer, era? — questionou após me ouvir. Mordi o lábio inferior com um pouco de constrangimento e resolvi dizer a verdade.
— Eu ia dizer que é porque você está aqui.
Não olhei mais para ele, dobrei minhas pernas e as puxei para perto, abraçando meus joelhos e me sentindo um pouco nervoso. Ele ficou em silêncio e não se pronunciou imediatamente, mas quando falou, me deixou surpreso.
— Então se eu for embora com você, está disposto a ir? — Assim que ouvi essas palavras, voltei a olhar para ele e vi uma expressão séria, não era brincadeira. Ao constatar que ele falava sério, meu primeiro sentimento foi felicidade, mas logo a felicidade se tornou confusão e a confusão aumentou pouco a pouco.
— Você está disposto a ir embora comigo? Por quê? É por conhecer meus pais e por eu salvar sua vida? — Não conseguia entender e só me restava a opção de perguntar.
— Eu não pude ajudar Minato quando ele precisou, então estou disposto a te ajudar. Você salvou minha vida e quero usá-la para proteger a sua. Há algo errado com isso? — perguntou também parecendo confuso.
— Não, não há nada de errado, é só… Se não tivesse te salvado e você não conhecesse meus pais, então não teríamos nenhuma ligação?
— O que você quer eu diga? — perguntou em resposta e por um momento, não soube o que dizer.
Sim, o que eu queria que ele dissesse? O que queria ouvir ele dizer?
— Apenas… Acho que queria ter uma ligação com você que fosse além de meus pais e sua gratidão. Tipo… Você gostar de mim?
— Você está me perguntado ou se perguntando? — Sua voz soou junto de um sorriso e me senti envergonhado pela minha confusão. Desviei meus olhos dele mais uma vez e observei a janela em frente, vendo que o sol do final da tarde já havia ido embora e era noite.
— Eu meio que gosto de você — confessei e não ousei olhar para ele, não querendo ver sua repulsa ou negação.
— Gosta de mim? Como um companheiro ou amigo? — Ouvi sua pergunta e ao ouvir que sua voz não estava tão ruim quanto eu esperava, olhei pelo canto do olho e percebi que sua expressão continuava a mesma, o que não parecia ser muito ruim.
— Companheiro — respondi honestamente. Para os demônios, ser um companheiro era o mesmo que se casar, então esse tipo de confissão era muito importante. Eu nem sequer deveria estar falando sobre isso agora, mas quando pensei na possibilidade de ter que me afastar dele ou estar ao seu lado diariamente outra vez, mas sem ser como eu desejava, acabei falando.
— Faz apenas alguns anos que você falou sobre ainda ser criança e não estar pronto para acasalar, mas agora está se declarando para mim? Sua opinião mudou mais rápido do que eu esperava — provocou e me senti envergonhado, respondendo inconscientemente.
— Eu disse que gosto de você! Não estou pedindo para acasalar!
— Em um relacionamento de companheiros, o sexo é algo natural. Ou você acha que sou um padre? — continuou suas provocações.
— Eu não pensei nesse sentido, eu apenas… apenas… — Ah! Realmente, isso era muito vergonhoso.
— Se você não pensou sobre tudo, então pense mais. Não quero uma criança como companheiro, quero um adulto — respondeu mais paciente do que eu esperava e ao ouvir suas palavras, rapidamente entendi uma questão muito importante.
— Você não é contra? — Meus olhos o encaravam intensamente e nem sequer pisquei enquanto esperava pela sua resposta.
— Não pensei nisso até você dizer que gosta de mim. Mas depois de pensar, não tenho nada contra essa ideia. Se quero cuidar de você, será normal estar na sua companhia e é melhor ter você ao meu lado do que estar sozinho — admitiu, me deixando de boca aberta.
Eu ouvi tudo, mas era difícil acreditar. Saí do lugar onde estava, perto da parede e engatinhei na cama até ele, tocando sua testa e depois puxando sua bochecha, testando se era realmente ele. De repente ele segurou minha mão e perguntou com um toque de irritação na voz, sobre o que eu estava fazendo.
— Você praticamente se confessou para mim, isso é muito estranho, não parece ser você mesmo — falei seriamente, lembrando das muitas vezes que ele me ignorou, me jogou para fora da caverna e me impediu de tocar seu pelo. Não parecia que ele não gostava de ficar sozinho, muitas vezes senti como se ele preferisse a solidão.
— Quer testar se sou real? — Ao pronunciar essa frase, ele sorriu e esse sorriso era muito diferente dos que eu já havia visto antes. — Então veja por si — pediu e seu rosto se aproximou do meu. Antes que eu pudesse reagir, senti algo macio tocar meus lábios e depois ele voltou ao seu lugar.
Pisquei algumas vezes, atordoado e quando percebi o que era aquele toque em meus lábios, o vermelho surgiu em meu rosto. Aquilo foi um beijo! Meu primeiro beijo se foi! E o pior é que foi tão rápido que nem mesmo aproveitei!
— Então? É real? — perguntou para o meu eu ainda atordoado.
— Ainda não consegui dizer com clareza… Mais uma vez — pedi, com coragem sabe-se lá de onde, mas ainda envergonhado. Felizmente ele aceitou… ou achei que sim.
Kakashi se aproximou novamente e quando seu rosto estava próximo do meu, ele ergueu sua mão e usou dois dedos para dar um peteleco em minha testa, me fazendo gemer de dor e cobrir o local enquanto deitava na cama e ele sorria.
— Sou um lobo sério. Não vou te beijar sem compromisso — falou como se fosse natural e como se não fosse ele mesmo que havia acabado de me beijar!
— Então vamos casar! Agora! — disse e pulei sobre ele, tentando lhe abraçar, mas ele desapareceu e apareceu ao lado da cama, fazendo com que eu abraçasse o vazio.
— Boa tentativa. Falaremos sobre isso em uma próxima vez. Vou indo por enquanto, então aproveite esse tempo para pensar melhor em nossa situação e se preparar para ir embora — falou e em seguida senti uma mão acariciar minha cabeça e quando me virei para olhar para ele, o quarto já estava vazio.
Da felicidade de tê-lo visto, para a preocupação com o motivo pelo qual ele estava ali, para a confusão com seu modo de agir e agora para a alegria de ter ouvido dele a resposta que queria e muito mais. Foi um início de noite bastante agitado.
Sorri sozinho por muitos minutos e mais tarde gargalhei feliz, abraçando o travesseiro e dizendo a mim mesmo que todo o sofrimento de anos anteriores foi para poder encontrar Kakashi e agora poder estar ao seu lado.
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