O lobo e a raposa
25 Linda Haruka
Notas iniciais
Capítulo 25: Linda Haruka
Nesse momento não sabia que expressão fazer. Olhei da mulher para Kakashi e dele para ela, não sabendo a quem perguntar minhas dúvidas. Na verdade, nem mesmo sabia se podia perguntar sobre isso.
— Você quer me perguntar algo? — A mulher se pronunciou ainda gentil. Eu realmente queria perguntar, mas… Olhei para Kakashi e ele acenou com a cabeça, me dando permissão para dizer o que pensava, então voltei a olhar para ela que era alguns centímetros mais alta que eu e perguntei:
— Você é um demônio?
— Não.
— … É uma humana?
— Não — respondeu novamente e minha expressão congelou.
— A senhora…
— Linda. Meu nome é Linda Haruka e você pode me chamar de Linda, corrigiu com um sorriso.
— Linda… O que você é? — Criei coragem para perguntar.
— Eu? Acho que os humanos chamam de "fada" — respondeu.
Fada.
Eu já havia ouvido isso antes. Entre os humanos, algumas crianças gostam dessas criaturas que eu acreditava serem fictícias.
— Fadas não são pequenas e tem asas? — perguntei curioso, ouvindo Kakashi rir do outro lado.
— Não ria! — Lhe repreendi, virando para olhar para ele e lhe chutando, mas ele se defendeu calmamente. Enquanto o encarava, ele manteve um sorriso em seus lábios, mas ao menos parou de rir descaradamente. Após cuidar dele, voltei a olhar para a mulher e felizmente não havia deboche ou raiva em sua expressão.
— Não possuo asas e meu corpo é igual ao dos humanos, com a exceção de que posso viver por mais tempo. Não é surpresa se você não souber da nossa existência, pois, atualmente o meu clã é o último da espécie — Me deu um pouco de conhecimento.
— Então, agir como um exterminador… — Não sabia bem como perguntar. Ela estava fingindo?
— Temos algumas habilidades especiais, como os demônios. Então decidi montar um clã de exterminadores para poder usar minhas habilidades e não chamar atenção — explicou.
— É muita informação, me deixe aceitar lentamente — pedi e agora ela riu. Em seguida voltamos a caminhar.
(Narração do ponto de vista de Kakashi.)
Na mansão, em uma grande sala de estar, sentamos em uma mesa e conversamos mais um pouco. Naruto pareceu aceitar bem sua identidade como uma fada e como minha mãe. Alguns minutos após se conhecerem, já pareciam ser bons amigos.
— Como você sabia que sou uma raposa? — perguntou Naruto, sentado ao meu lado e olhando para minha mãe, que estava sentada na outra extremidade da mesa.
— Oh! Essa é uma das minhas habilidades especiais. Com um único olhar, posso ver a verdadeira forma de qualquer demônio — respondeu orgulhosa.
— Incrível! — A minha raposa estúpida estava maravilhada.
— Posso ver que você é uma raposa, mas parece ser um pouco diferente, embora eu não consiga ver os detalhes.
— Não sou uma raposa comum, sou uma Kitsune — Dessa vez foi Naruto quem se pronunciou com orgulho.
— Uma raposa de nove caudas?! Nunca vi uma. Posso vê-la?
— Claro — Antes que eu pudesse dizer algo, ele já havia concordado e se transformou, subindo na mesa e se sentando sobre ela, com suas nove causas balançando atrás do corpo.
— Que bonitinho! — Ela exclamou surpresa e depois ergueu sua mão, fazendo um carinho na cabeça de Naruto, enquanto ele mexia suas orelhas, parecendo confortável. Depois ela alisou seu pelo e ele deitou na mesa, deixando que ela lhe acariciasse como quisesse.
— Você é muito fofo.
— Acho que Kakashi é mais fofo. O pelo dele é macio e confortável, é ótimo de tocar — Naruto retrucou.
— Não é? O pelo do Sakumo também é assim. Eu adorava dormir abraçando sua forma animal — Minha mãe falou com nostalgia.
— Essa é uma boa ideia! — Naruto se pronunciou e ela ficou satisfeita. Ao ver a interação deles, finalmente entendi o que significava não saber se ria ou chorava.
— Certo, chega de conversar. Mãe, vamos para o meu quarto descansar um pouco, te encontro para o jantar — avisei e levantei, pegando a pequena raposa no colo e saindo da sala sem lhe dar tempo para me impedir.
Se esses dois continuassem a conversar, Naruto poderia ter muitas ideias e minha raposa estúpida se tornaria uma raposa astuta e perigosa.
(Narração do ponto de vista de Naruto.)
Embora quisesse conversar um pouco mais com Linda, não impedi as ações de meu companheiro e fiquei em seu colo, deixando que ele me levasse ao quarto. Lá dentro, ele me colocou na cama e voltei a forma humana, sentado de pernas cruzadas e lhe observando, tentando ver se havia lhe irritado.
Ele andou pelo quarto e olhou alguns lugares, como se procurasse algo ou se verificasse algo, depois disso veio e se sentou ao meu lado. Não parecia estar com raiva.
— Sua mãe é uma pessoa muito legal.
— Fico feliz que tenha gostado dela. Ela parece ter gostado bastante de você — comentou e fiquei feliz ao ouvir essas palavras. Depois de sorrir, me lembrei sobre o que conversamos antes de ele me trazer para o quarto e uma pergunta surgiu em meu coração. Olhei para o homem ao meu lado e não sabia se devia perguntar ou não. Caso fosse uma história triste, isso poderia lhe machucar.
— O que foi? — questionou após notar o meu olhar sobre si.
— É que eu queria perguntar algo, mas não sei se devo perguntar — expliquei, um pouco confuso e envergonhado.
— Você quer saber sobre porque meus pais não estão juntos? — deduziu, me deixando surpreso. Ao ver essa surpresa, ele ergueu sua mão e acariciou minha cabeça — Você é mais transparente do que imagina — comentou e suspirou profundamente, parecendo se lembrar de algo não muito bom.
— Eles tinham um bom relacionamento antes, mas depois se separaram. Embora não se odeiem ou algo assim, mas já faz algumas décadas que não se falaram mais. O motivo tem ligação com meus ferimentos anteriores.
— Seus ferimentos? Os do exterminador ou do lobo? — questionei depois de lembrar do que ele já havia me falado sobre esse assunto.
— Os dois — respondeu, esticando seu braço e passando-o pela minha cintura antes de me puxar e me virar, me sentando sobre seu colo e me abraçando. Deixei que me abraçasse e esperei que ele falasse sobre o que havia acontecido. Em seguida veio a história.
Para resumir, Linda e Sakumo se apaixonaram cedo e Kakashi nasceu quando eles acabaram de atingir a idade adulta. O que significa que os dois são apenas cerca de sessenta ou setenta anos mais velho que ele.
Naquela época ambos eram inexperientes em cuidar de uma criança e seus pais queriam ajudar, mas diferente dos dois que se dão muito bem, os seus respectivos clãs não eram tão harmoniosos. O clã Haruka queria criar Kakashi entre eles e o clã Hatake queria criá-lo com eles.
Depois de alguma discussão, quando Kakashi tinha menos de dez anos, ele assumiu sua forma de lobo pela primeira vez, mostrando que seu sangue demoníaco era muito forte. Devido a isso, ele foi para o clã Hatake, para conviver com outros demônios e aprender a controlar suas habilidades. Por falar em habilidades, ele tinha uma habilidade especial de relâmpago e também herdou a habilidade de ataque da mãe que também é um relâmpago, o que resultou naqueles raios de duas cores que havia visto.
No início, Linda ia visitá-lo com frequência e até o trazia para passar alguns dias com ela de tempos em tempos. Seu relacionamento com Sakumo era ótimo e várias vezes ela ficou entre os demônios para fazer companhia a ele por alguns dias. Mas infelizmente, tudo o que é bom, dura pouco.
Os pais de Linda, avós maternos de Kakashi, morreram de velhice e ela se tornou a nova chefe do clã, o que a impediu de sair com frequência. Nessa época já era cem anos depois do nascimento de Kakashi e o clã Hatake já havia começado a pensar na possibilidade de se mudar. Essa questão foi o que resultou na primeira briga séria entre eles.
O lugar escolhido pelos pais de Sakumo, era a floresta perto de Konoha, um lugar onde seu amigo morava e que ficava a meses de distância. Quando Linda soube disso, implorou que o clã Hatake mudasse de ideia, pois se eles fossem para tão longe, seria o mesmo que a separar de seu filho. Ela até mesmo tentou arranjar outro local mais perto, mas no fim eles ainda seguiram sua escolha.
Sakumo seguiu seu clã com Kakashi e essa foi a primeira briga. Depois disso algo ainda pior aconteceu. Uma centena de anos depois em que os Hatake já haviam se estabelecido na floresta, uma alcateia muito hostil que queria seu território os enfrentou e houve uma grande luta, muitos anciãos morreram, incluindo os pais de Sakumo, tornando-o próximo líder do clã.
Kakashi também ficou gravemente ferido nessa ocasião e essa foi a segunda briga entre os dois. Quando Linda descobriu a situação dele após conseguir tempo para vir lhe visitar, culpou o homem por não cuidar bem de seu filho. Se tudo isso já não fosse suficiente para criar ressentimentos entre eles, ainda há mais.
Sakumo foi proclamado líder, mas ele não era tão poderoso para ser o líder, então ele nomeou Kakashi para comandar os lobos. Cerca de quarenta anos atrás, o clã foi novamente atacado e dessa vez era por um poderoso exterminador que passou pela área. Kakashi, como líder, teve que defender seu clã, mas ele havia se ferido na luta contra os lobos e as feridas internas ainda não haviam se curado, então as novas feridas quase lhe custaram a vida e mesmo depois de sobreviver e vencer a crise, ele descobriu que não estava tão bem quando achava.
— Uma médica me examinou já naquela época em que enfrentei os lobos. É a Tsunade que você conheceu. Ela me disse que estava muito ferido e que por isso não conseguia me transformar em forma humana. Se eu quisesse me recuperar por completo, teria que ficar quieto por uns duzentos anos, mas então veio a luta com o exterminador e soube que meus ferimentos haviam prejudicado minha vitalidade e que só poderia viver pouco tempo — falou sobre uma conhecida.
— Ao saber disso, minha mãe ficou muito decepcionado com meu pai e então eles se separaram e não se falam mais — encerrou.
— Você não parece culpar seu pai — comentei ao ver sua expressão.
— Os lobos são unidos, mas não no sentido emocional. Ele é um demônio e eu sou a continuação da sua linhagem. O modo como ele me vê e o modo como a mamãe me vê, são diferentes. Assim como a diferença entre o mundo demoníaco e o mundo humano. Eu não o culpo por suas decisões, assim como não culpo minha mãe por ficar brava com ele — falou calmamente.
— Seria bom se eles pudessem ser felizes.
— Estou mais preocupado com minha felicidade do que com a deles — disse e beijou meu rosto, me fazendo sorrir.
— Do jeito que Linda fala de Sakumo, ela não parece odiá-lo — comentei após lembrar das poucas frases que trocamos em nossa breve conversa.
— Acredito que ambos ainda se gostam. Mas se vão voltar a ficar juntos algum dia, isso não é algo que eu possa saber — explicou e me abraçou mais forte, aproximando seu corpo do meu e apoiando seu queixo em meu ombro. Passei os braços por cima do seu ombro e também o abracei, acariciando seus cabelos em silêncio e mandando embora a aura de tristeza que podia sentir em seu corpo após falar sobre esse assunto, mesmo que não quisesse mostrar.
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