O lobo e a raposa
26 O movimento final!
Capítulo 26: O movimento final!
(Narração do ponto de vista de Kakashi.)
Olhei para a rua que podíamos ver através da barreira, depois olhei para Naruto ao meu lado que observava a rua intensamente.
— Está feliz que minha mãe está voltando? — perguntei, escondendo o ciúme em minha voz.
Já se passou um mês desde que chegamos ao clã Haruka e durante esse tempo, esses dois ficaram cada vez mais próximos. Não foi um ou dois dias que eles passaram juntos, conversando, rindo e fazendo planos. Sobre o que era, não sabia.
— Não estou especificamente feliz — respondeu calmamente. Ao menos sua voz e expressão estavam calmas. Desviei meu olhar do seu rosto e vi as caudas que apareceram em algum momento e que balançam de um lado para o outro com excitação.
Suspirei pesadamente e disse a mim mesmo para não ficar com ciúmes, afinal, era minha mãe.
— Cheguei! — Ela gritou assim que entrou, após atravessar a barreira.
— Linda! — Naruto exclamou, não escondendo mais sua felicidade e correndo até ela, pulando e lhe abraçando como se não se vissem há anos, não parecia que ela saiu por apenas dois dias.
"Não fique com ciúme, não fique com ciúme", repeti em minha mente, deixando os dois sozinhos e voltando para o quarto. Já era o final da tarde e eu sabia que ele viria ao anoitecer então apenas esperei e como o esperado, assim que anoiteceu, ele apareceu.
Sem dizer nada, Naruto pegou suas roupas e foi tomar um banho e mais tarde se sentou em minha antiga escrivaninha, fazendo algumas atividades dos livros que antes havia lhe dado.
— Naruto, venha me fazer companhia — pedi, deitado na cama e olhando para suas costas.
— Estou ocupado — respondeu e depois olhou para trás, seus olhos mostrando um pouco de raiva. — E você não precisa da minha companhia todos os dias, então fique sozinho — encerrou e voltou a fazer as atividades.
Suspirei pesadamente outra vez e olhei para o teto. A atitude recente de Naruto era outro problema. Embora eu sentisse um pouco de ciúmes do tempo em que ele passava com minha mãe, essa questão não era muito séria, não quando comparado com a raiva da minha raposa.
Já passou duas semanas depois daquele incidente. Acordei pela manhã e enquanto Naruto estava dormindo, saí para ir visitar um conhecido ferreiro, pois queria lhe pedir ajuda com a fabricação de uma arma. Só que eu não esperava que essa visita demorasse três dias. Quando voltei, Naruto estava com raiva por eu sair sem lhe dizer nada e desde então tem me ignorado como "punição".
Originalmente pensei que não era nada de mais, apenas uma birra de criança e não liguei muito, nem sequer pedi desculpas por sair, pois não achava que precisasse lhe dizer aonde ia e o que iria fazer. Mas depois de alguns dias, minha mãe brigou comigo e disse que eu era tão insensível quanto meu pai e que se continuasse assim, eu perderia Naruto.
Não consegui entender o que ela queria dizer com isso, então ela me explicou com detalhes.
Quando Naruto acordou naquele dia, ele não me encontrou no quarto e não sentiu minha presença na mansão e isso o assustou. Ele correu até minha mãe e chorando, disse a ela que eu havia desaparecido.
Foi só nesse momento que me lembrei de algo, era a tristeza dele e sua preocupação quando entrei em coma. Então eu finalmente percebi, que não é que eu tenha que notificar Naruto até mesmo se eu quiser sair, mas que tenho que lembrar que há alguém que se preocupa comigo antes de decidir fazer algo como desaparecer por alguns dias.
Meus pensamentos já haviam mudado e eu admiti meu erro, mas Naruto ainda não havia me perdoado e não sabia o que fazer. Olhei para ele por mais de uma hora e ele nem sequer virou para trás, fazendo-me suspirar outra vez.
Nesse tempo, havia pensado muito em como conseguir que ele me perdoasse, mas não havia conseguido pensar em nada. Nessa noite decidi que não deixaria que isso continuasse, mas… eu deixando ou não, parece que nada mudará.
Depois de mais meia hora, me levantei da cama e saí do quarto, indo até o quarto de minha mãe no andar de cima. Bati em sua porta e esperei que ela a abrisse, porque podia sentir sua presença lá dentro e sabia que estava ali. Alguns minutos depois ela abriu a porta, revelando os cabelos molhados e roupas de dormir.
— O que foi, Kakashi?
— Como posso fazer Naruto me perdoar? — perguntei diretamente, nem sequer perdendo tempo em entrar para conversar. Ela ficou obviamente surpresa, mas logo sorriu e me disse:
— Você já pediu desculpas então agora pode tentar lhe persuadir ou agradar.
— Como posso fazer isso?
— Não sei — Ela riu e me olhou com óbvia diversão. — Ele é o seu companheiro, você deveria saber do que ele gosta — encerrou sua explicação com uma dica, fechando a porta logo a seguir e não dizendo mais nada.
Voltei para o quarto pensando em suas palavras e quando entrei no recinto, Naruto me olhou com curiosidade. Ao ser encarado por esses olhos, soube no mesmo instante que ele deveria ter ouvido o que falamos. Seu olhar agora parecia ser o de alguém que quer ver o que farei.
Fiquei parado perto da porta depois de entrar e sustentei seu olhar enquanto pensava sobre seus gostos. Depois de muito pensar, descobri com pesar que não sabia muito sobre ele. Mas havia algo que ele gostava e que eu sabia.
Engoli meu orgulho como o poderoso líder de um clã e como aquele que ocupou o título de rei da floresta por duas centenas de anos, em seguida me transformei em forma de lobo e me abaixei perto dele, olhando-o com esperança.
Naruto estava obviamente surpreso com minha ação, mas não se moveu.
Rastejei dois pequenos passos e ergui minha cabeça, colocando-a em seu colo e ainda olhando para ele. A raiva de Naruto já havia virado desejo de me tocar nesse momento, mas ele ainda estava se segurando. Não tive escolha além de usar o movimento final.
Me afastei e deitei no chão, rolando um pouco e ficando de barriga para cima, virando a cabeça e olhando para ele, vendo um sorriso se abrir em seus lábios antes dele pular sobre mim e me abraçar, esfregando seu rosto em minha barriga. Não pude deixar de sorrir, mostrando minhas presas.
— Você está rindo de mim?
— É impressão sua — O sorriso desapareceu imediatamente e deixei que ele me tocasse.
— Tudo bem então… E eu te perdoo — Finalmente disse as palavras pelas quais tanto esperei nos últimos dias.
Mais tarde, dormimos juntos, mas ainda permaneci na forma animal enquanto ele me abraçava. Olhando-o dormir tranquilamente apoiado em mim, movi minha cauda algumas vezes com grande felicidade, lembrando que precisava agradecer Obito por ter me dado essa ideia.
Ser fofo, funciona!
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