Trottel passou a noite em claro, o quarto em que o trancaram poderia ser facilmente comparado aos pequenos alojamentos da segunda guerra. Alguns colchões jogados não chão, água e uma pasta sem sabor em potes de cachorros, e no canto da sala uma porta trancada.

Passou horas pensando do que estaria atrás dela, até que ele tomou coragem e tocou na maçaneta. O som da porta abrindo veio com um voz.

—Nem pense nisso. -Srta Selmer disse entrando no quarto.

—Por que? O que você guarda aqui? -Trottel disse tremendo.

—O que sobrou da nossa última diretora. -Srta. Selmer com um tom sóbria.

—O que aconteceu com ela? -Trottel pergunta se sentando em seu colchão sujo.

—O maquinista aconteceu... -Srta Selmer se sentou com ele. -É um gigante terrível que caça crianças peculiares para fazer cocaína. Ele atacou nossa diretora ano passado, após ela morrer eu tomei conta do orfanato. Ela ficou com marcas profundas do ataque, agora é um zumbi com sede por drogas.

—Esse maquinista ainda esta a solta? -Trottel perguntou com medo, como a mariquinha que era.

—Sim, mas contanto que ninguém fale a frase amaldiçoada ele não vem. -Srta Selmer caminhou até a porta e olhou para Trottel. -Vamos, você tem que lavar os banheiros do Brenno.

Brenno era um peculiar estranho. Não tinha amigos, era zuado, gostava das aulas de geografia e teorias dizem que ele até gosta do maquinista. Mas o que mais irritava nele...era ele. Suas piadas se tornavam cansativas e as vezes o nível de idiotice dele era MAIS DE OITO MIL! Sua peculiaridade era estranha, ele comia pela bunda e cagava pela boca, o que tornava o menino um BV de carteirinha.

—Por que eu tenho que lavar o banheiro? -Trottel falou.

—Porque você é inútil, tem que servir pelo menos pra isso. — Srta Selmer deu a ele o rodo.

—Mas eu como ferro.- Ele fala com confiança.

—Já temos o Eisen pra isso. -Srta Selmer virou a costas a ele. -Depois de terminar esse, pode lavar o banheiro do seu tio. Parece que ele comeu chumbo de mais de novo.

—Eca! — Trottel gemeu.

—Vire homem !- Srta Selmer gritou ao longe.

Trottel entrou no banheiro do menino que só falava merda e aceitou sua sina.

A campainha tocou, Srta Selmer e Schlange sabiam muito bem quem era, elas faziam isso a anos.

—Bom dia ,Emily! — Um garoto emo gótico das trevas disse para ela. -Por que parou de ir na escola?

—Sabe, depois que a Srta Pin morreu, estou cuidando das crianças. — Srta Selmer responde com certa pressa. -Schlange esta no segundo andar.

—Obrigado. -Ele falou entrando.

—Nossa! Já ão 8:30?! Vou me atrasar pro colégio. — Eisen disse ao ver o emo subir as escadas.

—Boa aula...- Emily se jogou no sofá. -Deve ser um saco ter que reviver o último dia de aula pra sempre.

—Nem tanto. -Eisen diz se despedindo. -Saco é aguentar a visita dos 3 namorados da Schlange.

—É íncrivel como tem tanto menino idiota nesse mundo. — Srta Selmer ri.

—Eu já fui namorado dela. — Eisen fala sério.

—Eu sei.

Eles riem muito...Eisen joga um caderno nela e vai embora.

—Cadê os irmãos? -Mathew pergunta antes de sair.

—É a vez do Blue Guy ficar com eles. — Srta Selmer puxou um cobertor. -Agora deixa eu dormir criança burra.

No parque que ficava do lado da casa Blue guy observava de longe o casal de irmãos judeus brincarem. Com 13 anos, eles tinham mentalidade de crianças e características parecidas, como gosto musical péssimo, bundas enormes, loiros e de olhos verdes. Qual era a peculiaridade desse casal judeu? Eles viravam cinzas quando ficavam nervosos.

A menina judia tenta brincar na caixa de areia, mas Blue Guy a devolve para o lar rapidamente.

—Você não pode brincar na areia! — Blue Guy dá um tapa na cabeça dela. -Criança burra.

—Mas eu só estava procurando o El. -Ela disse com os olhos cheios de lágrimas.

—Elly, ele não estava com você? — Blue Guy arregalou os olhos.

Em um piscar de olhos eles estavam de volta ao parque, repleto de crianças, mas nenhuma delas era El.

—Qual foi a última vez que você o viu? -Ele tenta manter a calma.

—Ele foi pegar doce com um cara alto. -Elly disse. -Ele levou até meu mp3 especial do mc Kevinho. -Ela começa a chorar. -E se eu nunca mais o ver de novo?!

—Calma, Elly, vamos achar o El...

—Que El? To falando do meu mp3, deu tanto trabalho baixar todos aqueles funks mara. -Blue Guy não consegue segurar a risada, mas no fundo tem um pouco de medo. Leva Elly de volta ao lar e espera um pouco El voltar.

Já era quase noite quando Srta Selmer ficou sabendo do desaparecimento de El. Saiu um formato de pássaro para fazer uma busca aérea enquanto isso deixou Eisen no comando.

—Vera foi procurar no subterrâneo e Srta Selmer pode demorar. -Ele disse. -Devemos ficar todos aqui, pode ter sido o maquinista.

—Tomara que não. -Mathew falou. -Se for o maquinista, pode já ser tarde demais.

—Eu estou tão preocupada com ele. -Schlange disse. -Nem consegui terminar minhas tarefas por causa disso.

—Como assim você não terminou suas tarefas?- Trottel se indignou. -Você não faz nada o dia todo, só dá!

—Eita -Ela diz. -Eu tenho que terminar com 3 pessoas em um dia só, e faze-las feliz, isso cansa.

Ouviram ao longe um som suspeito e se trancaram no quarto de Brenno, que por exalar um forte cheiro era o mais seguro. Mas o som se tornava cada vem mais nítido.

—Chuuuuu chuuu! Chuuuuu chuuu!

—O que é isso? -Perguntou Trottel.

—É o trem... -Disse Schlange. -Eu reconheceria em qualquer lugar.

—Mas...não tem trens em Londrina...não é? — Pergunta Trottel.

—Mas tem o Maquinista. -Brenno responde. — Mas esta tudo bem, ele é da hora.

—Não, não é. -Diz Elly chorando.

—É sim, são 20 horas, então ele é da hora. -Ele ri sozinho.

—Que merda...- Falou Mathew.

—O que você esperava? Ele só fala merda. -Blue Guy falou com ódio nos olhos. -Se eu pudesse...

—Calma, El não esta tão mau assim. -Elly diz. -Ele tem o consolo do homem mais lindo do mundo.

—O psicopata que transforma crianças em cocaína? -Pergunta Trottel.

—Não...O mc Kevinho! -Elly disse com os olhos no horizonte. -Que homem...

—Quem vota para deixar ela ser morta? -Mathew pergunta e se vê algumas mãos levantadas, mas mesmo assim não seriam tão idiotas de deixa-la para o maquinista nesse momento. Eles certamente esperariam para deixa-la quando tiverem que fugir.

A conversa encerra com a frase vindo do lado de fora.

—Já era pra ta grifando!