Notas iniciais
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—Isso é idiota!- Schlange gritava. -Ele nos deixou sair, nós deveríamos fugir.

—Se não acharmos uma oferenda pro Chin Chin, o Maquinista vai jogar os outros no fogo. -Blue Guy disse. -Se você pensasse melhor, saberia que a Srta Selmer vai nos matar se eles morrerem.

—Não se matarmos ela. -Schlange recebeu um olhar de reprovação.

—Estaríamos mortos antes mesmo de pensar nisso. -Blue Guy andava com cuidado pela praça má iluminada, quando avistou de longe um guarda.

Andaram até o pobre trabalhador com pressa.

—Moço!- Schlange gritou e ele parou.

—Como posso ajudar? -Ele falou sorrindo para ela, Blue Guy rolou os olhos.

—Você tem uma oferenda pro mestre Chin Chin? -Blue Guy perguntou.

—Quem é Chin Chin? -Ele perguntou.

—Isso não é necessário.- Srta Selmer disse com uma capivara nas mãos.

—Onde você arranjou isso? -Schlange perguntou.

—Não queira saber. -Ela disse entregando para Blue Guy. -Vão até a escola abandonada, o Maquinista o espera lá com as outras crianças.

—Você não vai com a gente? -Blue Guy pergunta.

—Chin Chin e eu temos assuntos mal resolvidos. -Ela olhou para baixo. -Melhor deixar vocês cuidarem disso.

—Ele não é perigoso? -Schlange perguntou enquanto Srta Selmer virava uma pássaro.

—Claro que é, mas ele não vai mexer com vocês, ele tem amor a vida. -Ela voa pela noite mal iluminada.

A escola abandonada era enorme, do lado de fora era possível sentir o forte cheiro de maconha. Pensaram quão sortudos foram por terem sido encarregados por ir atrás de uma oferenda, desse ser horrível estar em custódia do Maquinista.

Em uma sala no final do corredor principal, era possível ouvir o choro alto de Ely e a música de Mc Kevinho. Notícia ruim: El virou cocaína. Notícia boa: O mp3 estava em bom estado...pra falar a verdade não acho que tenha uma notícia boa.

Quando entraram seus amigos estavam presos em uma grande gaiola, o Maquinista cheirava o que restava de El, enquanto Ely estava amarrada em uma cadeira, ela seria a próxima.

—Maquinista! -Blue Guy gritou. -Temos sua oferenda.

Ele olhou para os peculiares com seus olhos saltados e vermelho.

—Boas crianças. -Ele riu e observou cautelosamente a capivara. -Acho que não vou precisar mais de vocês. -Com força, ele jogou os dois para dentro da gaiola, Ely chorava muito, era irritante.

Ele se aproximou da menina, e cortou sua mão. Com o sangue da menina ela fazia símbolos estranhos que quando prontos invocariam o terrível Chin Chin.

Es nostrum fraudem! Es nostrum fraudem!- Ele repetiu enquanto quebrava o pescoço do animal.

Uma fumaça densa tomou conta do lugar, era difícil respirar.

—Eu não deveria ter ido pra Londrina!- Trottel gritou.

—Cala a boca! -Eisen bateu nele. -Ta parecendo o Brenno.

Quem acordou o Exilado? -Uma voz densa falou.

—Mestre Chin Chin! -O Maquinista caiu de joelhos. -Eu venho até ti, pedindo a receita suprema da cocaína.

—E quem são os outros? -A voz que vem da fumaça pergunta.

—Peculiares que usei para te invocar. -O Maquinista respondeu.

—Você usou um da minha raça para me invocar? -Sai da sombra a criatura, que a semelhança com o Blue Guy era extrema, tirando a pela negra.

—Eu não sabia que a Srta Selmer cuidava de tal criatura! -O Maquinista treme de medo.

—Selmer?! Você me trouxe peculiares da Selmer?! -Chin Chin pegou o grande Maquinista pelo pescoço. -Você deve pagar pelos seus erros!

A fumaça fica mais densa e a visão de todos se torna negra, quando recuperada a visão, o Maquinista havia se tornado um trem de brinquedo. Com seus olhos focados em Blue Guy ,Chin Chin se aproxima.

—Podem ir. -Ele abre a gaiola. -E diga a sua diretora, que eu estou de volta.

—Você não precisa de garotos de recado. — O pássaro pousa em seu ombro. -Crianças, vão para casa, eu cuido disso.

Chin Chin sorriu e ambos sumiram em uma densa fumaça.

Cansados da longa caminhada até o orfanato, as crianças estavam estressadas e com medo. Por lógica, Eisen, Schlange e Blue Guy tomariam conta dos menores, mas eles também estavam com medo.

—Alguém viu a Vera? -Ely perguntou.

—Quem é essa? -Trottel perguntou.

—É uma peculiar que vira capivara...pera ai!- Brenno disse surpreso.

—Você acha que a Emily...-Schlange começou.

—Claro que não!- Uma capivara apareceu no canto da sala. -O Maquinista acho que eu era animal empalhado então eu fiquei aqui.

—E você não se preocupou em nos ajudar? -Eisen pegou a capivara no colo.

—Srta Selmer mandou eu ficar aqui e esperar. -Vera disse. -Onde ela está?

—Chin Chin levou ela. -Blue Guy disse.

—Ela vai ficar bem..? -Todos se entre olharam, ninguém sabia ao certo.

—Se ele fizer algo com ela...-Eisen disse.

—Vai fazer o que? -Ely perguntou.

—Eu sei lá.

—Mas afinal...quem é Chin Chin? -Trottel perguntou.

—Ele é um peculiar exilado, ele tentou se revoltar contra os sistemas de orfanato, ele achava que podia lidar com a rejeição dos normais. -Eisen disse.

—Mas como a Srta Selmer está envolvida nisso? -Brenno perguntou.

—Foi ela que exilou o Chin Chin...Foi ela que o mandou pra zona fantasma. -Schlange falou por um momento até pareceu humana.

—O que vai acontecer agora? Quem vai reiniciar o loop? -Ely perguntou chorando.

—Ela deixou o loop no automático, não se preocupe. -Blue Guy pegou a menina no colo. -Ela vai dar um jeito.

—E se não der? -Perguntou Trottel.

—A gente vai acabar com a raça desse Chin Chin. -Eisen se levantou.