Notas iniciais
Armando sequestra Betty na saída do fórum para tomarem o desjejum juntos.

—Doutor, melhor não.

—Chegamos!

—Com uma mão abre a porta e com a outra a enlaça e a puxa para dentro. a boca se apodera de seus lábios e só solta porque os dois tem necessidade de respirar.

—Você é um abusado, sabia?

—Sei e você gosta assim. . -beija-a de novo e aos poucos o fogo da paixão queima seus corpos e os consome.

Agora, enquanto o sol brilha lá fora, lutando contra o frio de Bogotá, dentro os dois estão nus, tentando fazer passar o calor. Betty está com a cabeça encostado em seu peito com seus cabelos espalhados

—Você é um trapaceador, Don Armando. Vim aqui para tomarmos um desjejum e na verdade...

—Shiu. Tive meu desjejum sim, tirar o jejum de seu corpo, de sentir seu coração junto ao meu, de beijar teus lábios.

—Você é impossível, Don Armando.

Ele sorri com as covinhas que fazem Betty ficar louca (e quem não?) logo, o abraça pelo pescoço e se amam novamente com ternura e amor. -O senhor é muito levado.

—E a senhorita, doutora presidente, uma espertona assanhada!

—Tenho fome.

—Foi o exercício que me impôs, ah?

—Eu?

—Sabe mesmo que se esforce, NUNCA MAIS vai conseguir ficar feia. É linda demais e muito apetitosa! -bate na bunda dela.

—Ai!

—É isto!

—Ah é? (Ela faz o mesmo)

—Isto, bate-me, me maltrate, me ame, doutora Pinzón!

—Ai, você não dá para ser levado a sério!

—Prefere aquele neurótico, carrancudo de seu chefe-ogro!

—Não, prefiro este aqui. -beijo

—Ah!

—Agora, preciso me arrumar ou desarrumar, sei lá! Nem sei mais como me visto, pois meu pai vai estar na empresa.

—Pensei que gostava como estava em Cartagena.

—E gosto. Gostaria de ficar assim, mas sabe da promessa de meu pai.

—Só não entendi porque ele fez isso.

—Também não sei, mas só sei que só poderia me mostrar assim para meu marido!

—Sim, claro. E deu muito certo!

—Como assim?

—Mostrou-se a mim, certo?

—Sim.

—Vai ter que se casar comigo, Beatriz.

—Ai, você não leva nada a sério.

—Estou falando sério.

—Ah, está bem. Aceito. Agora, peça nosso desjejum sim, enquanto me visto tenho fome e creio que nem terei tempo de almoçar hoje.

Depois de comerem.

— Satisfeita?

—Sim, seu Armando.

—Quando vai deixar de me chamar assim? Não sou mais teu chefe, ao contrário, a chefe agora é você!

—Ou é assim ou doutor Mendoza!

—Por quê?

—Entenda que vou atuar como presidente de sua empresa, não vai ser fácil, vão nos vigiar todo o tempo, seus pais, meu pai, o quartel, a oxigenada e a dona Marcela.

—Sou maior de idade e não devo satisfação de minha vida a nenhum deles, muito menos à Marcela.

—Sabe que não é tão fácil assim. Não nos vão deixar em paz.

Beatriz conta o que aconteceu na visita de Marcela a sua sala.

—Mas que desaforada. Mas você não prometeu nada, não é?

—Tenho palavra, don Armando. Se tivesse prometido algo a dona Marcela não estaria aqui contigo.

—Ah, meu amor. Esta mulher está obcecada comigo.

—Percebe-se. Por isso, temos que nos afastarmos por um tempo.

—Mas como assim? Quer me largar?

—Não Só que por um tempo não podemos nos encontrar assim como fizemos hoje, não podemos dar motivo de me perturbarem. Sabe que eu não queria voltar e quanto antes terminar tudo, antes poderei devolver Ecomoda a vocês e ser livre novamente!

—Livre de mim?

—De você não. Ser livre com você!

—Mas até lá, vamos levar um ano, Betty!

—Não creio. Creio que consigo em menos de seis meses! Vou trabalhar duro e já tenho em minha cabeça um plano de negócios!

—Não vou conseguir me manter longe de você.

—É tão difíci para mim também, mas precisamos. Pense que será só o tempo de colocarmos a empresa bem e nos livrarmos do embargo, depois poderemos ficar juntos, isto é, se ainda me quiser, se não mudar de ideia.

—Jamais mudarei de ideia! Demorei 31 anos para te conhecer e não vou deixá-la. Está inserida aqui na minha pele.

—E você na minha.

—Isto vai demorar.

—Não vai demorar, pois tenho um plano de negócios muito bom na minha cabeça, preciso só colocar no papel e logo quando ver, teremos saído dessa. Ou não confia nas minhas capacidades?

—Plenamente. O que não confio é de conseguirmos ficar sem obedecer à vontade que nossos corpos tem de se unirem em um só. Ai, Betty!

Fazem amor de novo, para se despedirem e preparem-se para os meses de abstinência no qual tem de fingir serem apenas colaboradores e amigos.