O homem que eu amo
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Tonny acordou e se mexeu na cama antes mesmo de abrir os olhos, percebeu que cada pedaço do seu corpo doía, resultado da noite anterior. Quando finalmente levantou as pálpebras viu apenas o pequeno Dan dormindo ao seu lado, dando falta do marido. Ergueu a mão fazendo carinho nos cabelos do garoto. Percebeu que o sol já estava alto e olhou as horas, 6h36. Já estava na hora de acordar o pequeno pra ir pra escola. Deu um beijo no rosto dele e sussurrou no seu ouvido.
– Acorda dorminhoco.
O garoto se mexeu e tentou afastar com as mãos quem o incomodava.
– Ei! Hora de ir pra escola, mocinho... – alisou a barriga do menino para despertá-lo.
Dan abriu os olhos e estranhou o local que estava. Olhou pra todos os cantos como se procurasse alguma coisa.
– Onde está o papá? – perguntou dengoso com voz de sono. Na verdade ele queria saber onde estava e porque estava ali, porém ainda não sabia perguntar com tanta clareza, mas Tonny entendeu.
– Você está na casa do tio Tonny e do tio Carlos. Você veio pra cá ontem à noite, você não lembra porque estava dormindo. Mas está tudo bem. Seu papá e seu papai foram levar sua irmãzinha no médico e você veio pra cá ficar com a gente. Agora que a gente acordou, nós vamos levantar, tomar banho, escovar os dentes, tomar café e ir pra escola, tá bom?
– E eu não vou ver o meu papá e o meu papai? – parecia triste.
– Claro que vai! Mas quando você voltar da escola, tá bem? Agora eles ainda estão no médico com a sua irmãzinha.
O menino balançou a cabeça positivamente.
– Então vamos levantar e tirar essa preguiça do corpo?! Hãn?! – fez cócegas em Dan fazendo o menino rir e tentar se defender do ataque.
Neste momento Carlos entrou com uma bandeja enorme de café da manhã.
– Olha só, Dan! Nós somos muito chiques! Tio Carlos trouxe café da manhã na cama pra gente!
O garoto ajoelhou na cama interessado e Tonny sentou com um pouco de dificuldade devido as dores, se livrando dos lençóis.
– Bom dia, dorminhocos...
– Bom dia!
– Bom dia, amor.
– Trouxe um monte de coisas gostosas pra gente comer...
– O que significa que vamos nos atrasar para o trabalho e o Dan vai se atrasar pra escola.
– Um dia só não tem problema... – minimizou Carlos, já pegando uma uva. Dan se servia de uma fatia de queijo enquanto Tonny colocava um copo de suco pra ele.
– Não pra nós, mas acontece que ele está sob a nossa responsabilidade, não deveríamos levar ele para o colégio atrasado.
– Não é como se ele fosse perder um assunto importante da aula de química.
– Sei... Precisamos ligar pro Tom e saber como estão.
– Ele ligou, eram cinco da manhã. Atendi rapidamente pra não acordar vocês. Ele disse que Mazo poderia voltar pra pegar o Dan e arruma-lo pra escola, mas falei que não era preciso e falei que o Mazo poderia tirar o dia de folga que eu cuidava disso.
– Fez muito bem, amor. E ele falou alguma coisa sobre o estado da Nana?
– Disse que ela estava sendo medicada e estava em observação. Parece que a virose desencadeou uma bactéria no pulmão dela, mas estavam aguardando resultado dos exames mais precisos.
– Nossa, parece sério... Vamos ligar novamente mais tarde, então.
Tonny mordeu um biscoito e um pedaço caiu sobre o seu colo. O pequeno, que acompanhava o movimento com os olhos, reparou numa mancha roxa relativamente grande na coxa do publicitário.
– Você se machucou também, tio Tonny? – perguntou o menino apontando para o local.
Tonny ficou completamente vermelho. Não podia responder pra uma criança como conseguiu aquela marca. Abriu a boca e ia tentar responder de alguma forma, mas Carlos o interrompeu.
– Como assim também, Dan?
– O papá também se machuca às vezes. Ele disse que é muito ‘destarado’ por isso fica roxinho assim também. – disse errando a palavra.
Carlos tentou abafar o riso com as mãos, mas falhou miseravelmente e acabou gargalhando. Se é que era possível, Tonny ficou ainda mais vermelho, certamente o amigo as conseguia da mesma forma que ele. Fitou com olhar de reprovação o marido que ainda ria. Diante da reprimenda, Carlos tentou se controlar.
– O nome é desastrado, meu querido – corrigiu Tonny – Isso acontece às vezes quando a gente é grande, mas você ainda é muito pequeno pra entender isso. Mas vamos terminar esse café antes que a gente se atrase ainda mais. – tentou mudar de assunto.
– Eu tomo banho com ele enquanto você prepara o lanche e a roupa dele. Quando nós sairmos você entra pra tomar banho, é o tempo que eu arrumo ele, ok? – sugeriu o executivo.
– Tudo bem, mas nada de banheira, ou vai ficar ainda mais tarde. Vocês são duas crianças juntas, vão acabar fazendo a maior bagunça.
– Tá bom, estraga prazeres. – mostrou a língua num gesto infantil.
Ao se mexer pra levantar da cama Tonny fez uma careta de dor, Carlos percebeu e se preocupou.
– Amor, tá sentindo alguma coisa?
– Cada pedaço do meu corpo está dolorido...
Carlos deu um sorriso safado e satisfeito consigo mesmo.
– Ah, é mesmo?! – disse demostrando satisfação na voz. Aquilo ia garantir que ele não se esquecesse daquela noite nos próximos dois dias.
Tonny tentou suprimir um sorriso pra esconder que achava graça da expressão do marido, mas não funcionou muito, e balançou a cabeça negativamente.
– Ai, você é ridículo... E eu ainda te dou ousadia... – disse levantando de uma vez da cama. Carlos riu alto.
– Também te amo – provocou o outro com um largo sorriso no rosto.
Tonny preparou a lancheira do garoto com maçã, sanduiche de queijo e suco de maracujá, arrumou a farda, escolheu as próprias roupas e separou dois ternos, um marrom e um cinza, com quatro opções de gravatas para que o marido pudesse escolher. Ainda deu tempo de organizar a louça do café da manhã e os outros dois não saíam do banheiro, então decidiu ver o que estava acontecendo.
O publicitário não acreditou no que viu. Achou que evitaria a bagunça proibindo o banho de banheira, mas o que acontecia ali era a mesma coisa ou pior, um cenário de guerra de água. Fez cara de bravo e tentou dar uma bronca, mas o marido o atingiu com um jato que saía da ducha com roupa e tudo. Acabou se envolvendo na brincadeira, mas não por muito tempo, alguém tinha que fazer o papel de adulto ali.
Naquele dia Tonny foi no carro de Carlos. Deixaram o garoto na escola, bem atrasado, claro; mas o menino estava feliz pela farra logo cedo, o que ajudou a distrair a falta que sentia dos pais. Depois o executivo deixou o marido no trabalho, com a promessa de que voltaria para busca-lo para irem à casa do casal de amigos a noite. E assim foi feito.
– Anthony! Carlos! Achei que demorariam mais a chegar. – Mazo recebeu os dois na entrada.
– Nós também, mas o trânsito estava livre. – respondeu Carlos abraçando Mazo, no mesmo momento que Tom desce as escadas e se aproxima.
– Poxa, a Nana acabou de dormir... Sei que vocês queriam vê-la. – disse Tom com pesar.
– Ah, não acredito! Mas ela está melhor? – perguntou Tonny.
– Sim, está. – abraçou o amigo – Mas vocês podem vê-la dormindo se quiserem. O Dan está no quarto dele assistindo desenho.
– Carlos, tem algumas coisas que eu iria discutir com você hoje lá na empresa sobre o planejamento de marketing, mas devido ao que aconteceu foi impossível. Já que você está aqui poderíamos fazer isso agora, lá no meu escritório. – sugeriu Mazo.
– Claro, vamos sim. – Virou-se para Tonny – Pode ir ver a bela adormecida que eu te encontro depois. – deu-lhe um selinho.
– Vocês quando estão juntos só sabem falar de trabalho. – Repreendeu Tom.
– Deixa eles, assim vão ficar velhos enrugados e caquéticos. Aí a gente arranja outros maridos mais jovens e dispostos. – Tonny piscou um olho, arrancando risadas do melhor amigo e recebendo o olhar atravessado do marido por conta da brincadeira. O publicitário achou engraçado a reação de Carlos e riu.
– Concordo com você, Tonny. Gosto da sua ideia. Vamos. – puxou o amigo pela mão escada acima.
Depois de uma passada rápida no quarto da garotinha, foram para o quarto do casal para que pudessem conversar mais à vontade sem acordar a criança. Thomas estava sentado com as costas apoiadas na cabeceira e as pernas estendidas enquanto Anthony pousava a cabeça em suas coxas, deitado atravessado na grande cama.
– E ela vai ficar bem? – perguntou o publicitário
– Vai sim, é menos grave do que imaginávamos. Atingiu as vias respiratórias, mas graças a Deus não chegou ao pulmão. Se tivesse chegado até lá, com certeza ainda estaríamos no hospital, ela teria que ficar internada. Mas agora, felizmente, só precisamos seguir as recomendações médicas e ela ficará bem.
– Que ótimo.
– E como o meu filhote se comportou com vocês?
– Ah, ele é um amor! Nós adoramos ficar com ele. Ele e o Carlos são duas crianças juntas. Fizeram a maior bagunça juntos no banho e ele acabou se atrasando pra escola. Desculpa.
– Não tem o que se desculpar, só tenho que agradecer a vocês. E um dia só não faz diferença. E vocês dois? Fizeram as pazes rápido dessa vez, hein?!
– Eah... Verdade. –suspirou – Nem eu imaginava. Você sabe, agora é a “fase lua de mel”. Me paparicando com isso, me presenteando com aquilo. Isso até Deus sabe quando ele vai aprontar a próxima, semana que vem ou daqui a um mês. Não aguento mais isso.
– Você já perdoou ele mesmo, não vai separar dele agora, então relaxa e curte a sua fase lua de mel, não fica se concentrando na próxima que ele vai aprontar... – aconselhou – Eu vi vocês entrando no elevador com o Dan no colo, pareciam uma família... Por que você não dá pra ele o filho que ele tanto quer? Talvez assim as coisas melhorem...
Tonny soltou um riso que saiu pelo nariz e balançou a cabeça em negação.
– Você acha mesmo isso? Parece até a minha mãe falando. Dona Elisa sempre diz “quando vocês tiverem um filho, ele vai ter com o que se preocupar de verdade e vai parar com essa besteira” – fez uma voz fina tentando imitar a de Elisa – mas eu não esperava um conselho desses de você, Tom. Você sabe o que acontece de verdade, a minha mãe não sabe. – disse triste – É igual àquela história de ter filho pra segurar o casamento e a gente sabe muito bem que não é assim que funciona, filho não segura casamente de ninguém.
Tom passou a mão pelos cabelos do amigo carinhosamente.
– Claro que não é a mesma coisa, Tonny. A única pessoa que poderia abrir mão do casamento é você, porque o Carlos não te deixaria por nada, mas você nunca abriu mão, nem está abrindo agora. Você vive há 13 nisso e nunca o deixou, já passou e passa por todo tipo de situação. O que poderia piorar? Talvez sua mãe esteja certa. Talvez tendo com coisa mais séria para se preocupar, ele pare com isso.
Tonny exalou o ar forte pelo nariz e esfregou o rosto com as mãos.
– Não... Eu não sei se é uma boa ideia... Não me entenda mal, não é que eu não queira ser pai. Eu quero, sim. Tanto quanto ele. É uma das coisas que mais desejo! Quero que sejamos uma família, como você, Mazo, Dan e Nana são. Mas eu tenho medo, tenho muito medo. E se ele piorar com isso depois que tivermos um filho? Se com a adoção ele confiar de vez que eu não vou deixa-lo e se comportar de forma pior ainda? O que eu vou fazer? Submeter uma criança a um processo de separação ou continuar com ele, sofrer ainda mais e submeter meu filho a cenas deploráveis? – respirou fundo – Além do mais, quem você acha que vai ter que interromper o trabalho por seis meses depois que o bebê chegar? Não estou dizendo que ele não vai ajudar, tenho certeza que ele seria um pai maravilhoso e muito presente, mas ele não vai interromper o trabalho dele por seis meses, eu vou! Não que isso seja um problema. Claro que adoraria ficar junto com meu filho em casa durante o processo dele de adaptação conosco... Mas e depois? Você acha que vai ser mesmo simples eu voltar a trabalhar?! Ele vai querer que eu deixe o meu trabalho de vez! Ele já sonha com isso agora, imagina com uma criança em casa?! Não há nada de errado em escolher cuidar dos filhos, Tom, mas isso quando é uma escolha pessoal, voluntária, como você fez, não por imposição do outro. Eu gosto do que eu faço, não quero deixar a agência. – ficou com os olhos marejados ao dizer em voz alta seus temores.
Tom secou com as mãos as lágrimas do amigo que ameaçavam cair e ia dizer alguma coisa em apoio, mas ouviu a batida na porta.
– Pode entrar.
– Mas o que é isso?! Como se atreve a colocar outro homem na minha cama? – brincou Mazo com uma falsa indignação na voz.
– Ah! Esse aqui?! – disse apontando pro amigo em seu colo – Ih! Esse é mais inofensivo que uma formiga...
– Não foi isso que você disse enquanto eu estava te agarrando e apertando essas coxas gostosas até agora a pouco... – disse Tonny entrando na brincadeira. Virou a cabeça e deu uma mordida de leve em uma das coxas do amigo.
– Aaai!!! – Tom deu um gritinho fino de susto pela mordida que não esperava, fazendo todos rirem alto. Sim, até Carlos, Tom era o único que o moreno não tinha ciúme em termos sexuais. Invejava e ciumava um pouco a relação de cumplicidade que os dois tinham.
– Se já terminaram de fofocar, agora vamos. – provocou Carlos.
– Fofocar?! Pois saiba que a nossa conversa era muito mais importante do que a de vocês! – devolveu Tom.
– Ok! Não está mais aqui quem falou!
Tonny se levantou da cama e segurou a mão que Carlos estendia pra ele. Antes de ir, passaram no quarto de Dan para se despedir do menino, mas acabaram demorando um pouco mais, já que Carlos ficou contando uma história pra criança dormir. Depois seguiram direto pra casa.
O casal tinha acabado de tomar banho, ambos enrolados em toalhas brancas. Carlos secava os cabelos em pé. Tonny mexia no celular sentado na cama.
– O Dan não é uma criança maravilhosa? – perguntou Carlos.
– É, ele é mesmo...
– Eu sou completamente apaixonado por ele. Você não achou incrível ele ter dormido com a gente? O banho foi tão divertido... E deixar ele na escola me deixou com o coração partido, deu vontade de passar o dia inteiro com ele.
“Por favor, não comece esse com esse assunto. Por favor, não comece com esse assunto.”, Tonny repetia mentalmente como um mantra.
– Foi muito legal mesmo. – Tentou não dar muita importância para não incentivar a conversa.
– Você não fica imaginando como seria se fosse o nosso filho? – Carlos perguntou sentando ao lado do marido.
“Droga! Eu sabia!”
– Claro que eu penso, mas... Carlos, nós não estamos preparados pra receber uma criança nas nossas vidas... – esfregou a testa com a palma da mão.
– Como não estamos preparados? O que falta?
– O nosso apartamento não cabe uma criança.
– Tudo bem. Vamos começar a procurar uma casa pra comprar amanhã.
– Não é tão simples assim...
– Como não é simples? Não é como se tivesse faltando dinheiro. Se você gosta tanto desse apartamento, nós podemos mantê-lo também. Até mesmo como investimento é uma boa ideia.
– Mas não é só isso...
– O que é agora? – perguntou com já se exaltando pela chateação – Toda vez que a gente toca nesse assunto é assim!
– Não é bem assim...
– É assim, sim! Há quatro anos, Anthony! Quatro anos que eu tento ter um filho com você! Toda vez que a gente toca nesse assunto é assim! Cada vez uma desculpa. Você se sentia jovem demais pra ser pai e não estava pronto, o seu mestrado que você precisava terminar, a promoção que você ia receber na agência e não podia se afastar do trabalho, o problema de saúde da sua mãe que precisava de atenção, agora é o apartamento que não cabe o nosso filho. Pois eu vou te dizer uma coisa, Tonny, eu já tenho 32 anos, você tem 30, nós não vamos ficar mais jovens, sua promoção já aconteceu, seu mestrado já acabou, a sua mãe graças a Deus já está curada e felizmente nós temos dinheiro pra comprar a casa que quisermos, do tamanho que quisermos para caber 20 filhos, cada um com seu próprio quarto! O que falta agora? –respirou fundo e baixou o tom de voz, até mais baixo que o volume normal – Nós temos 13 anos juntos, Tonny! Treze anos! Há oito anos eu divido o mesmo teto com você. Nós já passamos por tudo, todos os tipos de coisas juntos e superamos. Mazo e Thomas não têm nem a metade do tempo que nós temos juntos e eles já têm Dan e Nana... Você faz ideia de quanto os invejo por isso? Eu nunca invejei ninguém, Tonny, porque tudo que eu quis eu fui em busca até conseguir. Mas eu tenho inveja deles, porque eles têm a única coisa que eu não tenho: filhos.
Nos últimos anos, todas as vezes que o assunto entre Carlos e Tonny era filhos virava uma discussão. Mas Tonny nunca tinha visto Carlos falar de maneira tão apaixonada sobre isso. Ele estava paralisado em choque.
– Carlos... Eu... – não conseguiu continuar a falar. Sentiu um bolo na garganta e lágrimas saltaram seus olhos. Lágrimas de culpa; era o sentimento que esmagava o coração de Tonny naquele momento. Aquele homem nunca havia lhe negado absolutamente nada na vida, e estava lhe negando a única coisa que lhe havia pedido, negava a coisa que ele mais queria na vida por causa dos próprios medos que mantinha em segredo. Ainda que tivesse todos motivos para ter tantos receios, se sentia culpado.
Carlos, que não conhecia os medos nem o sentimento que assolava o marido naquele momento, interpretou o choro de outra maneira.
– Ah, meu amor... Não chora, me perdoa. – secou as lágrimas do companheiro e selou seus lábios – Não quero que você se sinta pressionado, me desculpa. O que estou querendo dizer é que não existe nem vai existir momento perfeito para termos um filho, mas quando ele chegar em nossas vidas, nós vamos nos adaptar. Ninguém está completamente pronto até ser pai de verdade, meu amor. – as lágrimas caiam dos olhos de Tonny – Que tal a gente começar a procurar uma casa pra comprar? Independente de quando teremos filhos. Claro que quando eles chegarem vamos precisar de espaço, mas independente disso quero morar com você num lugar que tenha mais cara de família, de lar. Enquanto isso, vamos amadurecendo a ideia, que tal?
Tonny se jogou em cima de Carlos beijando-o com paixão, como resposta. Sentia que amava tanto aquele que era seu primeiro e único homem que chegava a doer.
O publicitário derrubou o executivo na cama, envolvendo o pescoço dele com os braços, num beijo afoito e necessitado. Desceu as mãos deslizando pelo peitoral e abdômen bem marcados do moreno e abriu sua toalha. Passou uma perna, ficando uma em cada lado do quadril dele, no mesmo momento que Carlos tirou a toalha que o cobria e atirou longe, em algum lugar do quarto.
Tonny desceu a boca pelo pescoço do marido, beijando e mordendo, descendo pela clavícula até o peito. Abocanhou um dos mamilos de Carlos e chupou delicado e firme, fazendo o marido gemer e se contorcer debaixo do seu corpo. Fez uma trilha de beijos do esterno até o umbigo, parando vez ou outra para mordiscar os gominhos do abdômen do outro.
O mais novo acariciou o próprio rosto com pênis do companheiro semi-desperto, sentindo a pele quente e macia daquele falo que tanto amava e conhecia. Deslizou a língua da base até a ponta, enquanto o outro gemia e segurava seus cabelos levemente, apertando vez ou outra devido a uma sensação de prazer mais forte. Seus lábios envolvera apenas a glande, chupando-a, apenas aquela pequena parte só de pirraça, fazendo o outro desejar por mais.
– Ahhh!!! Por favor, não faz isso...
– Isso o quê? – fez uma cara de falso inocente.
– Sei o que você está fazendo... Ohhh!! Me pirraçando, chupando só a cabeça do meu pau. Huuum! Você vai me enlouquecer...
– É essa a intenção...
Continuou chupando a cabeça pra provocar um pouco mais, em seguida deslizou a boca até em baixo, fazendo o pênis de Carlos sumir.
– Ahhhhhh!!! – Carlos gemeu ao finalmente sentir aquela cavidade macia e quente, movendo os quadris.
Quando sentiu que quase ia gozar, Carlos, num movimento rápido colocou Tonny em baixo do seu corpo e o virou de costas. Ergueu os quadris dele deixando os ombros e a cabeça apoiados no colchão, e começou a morder e lamber suas nádegas, estalou um tapa deixando o local vermelho, não satisfeito estalou outro.
– Aaaiii!!! – Tonny gemeu manhoso.
O executivo desceu a língua pelo meio das nádegas do outro e ao encontrar o orifício anal, a enfiou ali, provocando sem parar enquanto o masturbava com uma das mãos.
– Owwwwww!!!! – Tonny pensou que ia explodir de tanto tesão.
E de fato explodiu em um orgasmo forte que parecia sem fim.
– Ah... Mas você já gozou? Eu ainda nem comecei... – provocou Carlos com uma voz sensual que só ele sabia fazer.
Posicionou o falo na entrada de Tonny e penetrou lento.
– Ahhhhh!! – Tonny gemeu sem ainda estar completamente recuperado do orgasmo que acabara de ter.
Carlos inclinou seu corpo por cima do marido colando seu peito nas costas dele e o abraçou, passando a mão por seu abdômen definido e beijando e mordiscando sua nuca, em seguida levantou, trazendo o outro consigo. Agora estavam os dois de joelhos e Carlos metia lento e fundo.
Tonny levou as duas mãos pra trás, levando uma à nuca e a outra aos cabelos do topete do marido, puxando-os levemente enquanto tinha seu pescoço e sua nuca provocados sem parar, pelos beijos, mordidas, lambidas e chupões do outro.
Carlos puxou Tonny pra cama novamente, sem tirar de dentro, dessa vez deitando de lado com ele. Tonny virou levemente os ombros para beijar o marido e Carlos levantou uma de suas pernas e começou aumentar as investidas, cada vez mais rápidas e mais fortes. Tonny já estava duro novamente. O movimento cada vez mais rápido produzia um som com o choque de seus corpos. Carlos se movia com uma rapidez impressionante, provocando sem parar a próstata de Tonny, que acabou tendo um segundo orgasmo de forma espontânea, sem sequer tocar no próprio pênis. Ver aquela cena foi a gota d’água pra Carlos que não aguentou de tanto tesão pelo que viu e acabou gozando imediatamente dentro do amado.
– Ohhhhh!!! Oohhhh!!! Ohhhhh!!!! – Carlos gemeu alto ao ejacular.
Ambos estavam exaustos e molhados de suor. Quando Carlos conseguiu enfim controlar um pouco a respiração, virou Tonny em sua direção, abraçando-o.
– Não pense que vai conseguir me distrair com sexo. Embora seja ótimo, não vou cair na sua. Ainda vamos conversar sobre esse assunto. – disse ainda um pouco ofegante e beijou seus lábios. – Vem, vamos tomar banho de novo. – saiu da cama puxando o outro pela mão sem lhe dar chance de reclamar.
Tom estava deitado em cima do corpo de Mazo, com o rosto colado em seu peito. Estavam prontos pra dormir, vestidos como estavam habituados: o executivo de samba-canção e o dono de casa de pijama.
– Você está bem? – perguntou Mazo reparando que o marido estava quieto demais.
– Agora me sinto melhor... É que ver a nossa filha naquele estado quando entrei no quarto dela, sem saber o que ela tinha de deixou arrasado. – suspirou – Mas o pior foi ver o desespero dela quando a coloquei debaixo d’água pra baixar a febre... Ver aquilo me quebrou completamente por dentro... E quando tirei ela do box, ela se jogou pra você daquele jeito, depois não quis mais vir pro meu colo eu pensei “minha filha vai me odiar pra sempre”...
Mazo sentiu o peito molhado e percebeu que eram lágrimas do outro, ergueu a cabeça dele e lhe beijou nos lábios.
– Nossa filha nunca te odiaria, meu amor... Você é o pai dela. Hoje lá no hospital, na hora de furar no bracinho dela para colocar o cateter para aplicar a medicação, quem ela procurou para protegê-la? Você! Ela te ama e sabe que pode contar com você, mesmo sendo tão pequena ainda. – disse fazendo carinho nos cabelos de Tom. – Você deu o banho nela porque era preciso, era o melhor pra ela naquele momento. Isso vai acontecer muito ainda até ela crescer e ficar adulta. Muitas vezes ela vai chorar por causa de algo que estamos fazendo para o bem dela, mesmo que ela não entenda naquele momento. Neste caso você salvou a vida dela, você viu o que o médico disse, ela poderia ter tido uma convulsão se a febre continuasse aumentando.
Thomas apenas balançou a cabeça positivamente em resposta, como se entendesse e concordasse com o que o marido dizia. Depois de alguns segundos voltou a falar.
– Eu pensei no que conversamos... Sobre eu ter ajuda com a casa e com as crianças e eu acho que você está certo. Acho que vai ser melhor, não só pra mim como para as crianças também, ter mais alguém por perto pra ajudar. Se eu não tivesse a sua ajuda, não teria conseguido. E isso acabou te atrapalhando no trabalho ontem e hoje. Ainda acabamos incomodando o Tonny e o Carlos, que felizmente nos ajudaram muito sem reclamar. Mas tudo poderia ter sido diferente se eu tivesse uma secretária comigo.
– Eu sabia que você seria sensato, meu amor. Agora vamos dormir que o dia foi cansativo... – beijou sua testa e apagou o abajur.
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