Notas iniciais
Oie amores!!! Antes eu era viciada em ler, agora estou viciada também em escrever fic e estou me divertindo muito com isso! =) Mais um capítulo quentinho!!! Espero que gostem! Boa leitura!

O final de semana chegou rápido. Era sexta-feira, passava das quarto da tarde e só àquela hora Tonny havia conseguido se sentar na sua mesa. Mal via a hora daquele dia acabar. Tinha sido um dia cheio, com reuniões chatas com clientes chatos para a aprovação ou proposição de novas campanhas publicitárias.

Mais cedo, por volta do meio dia, Carlos sabendo que Tonny não teria tempo para sair para almoçar, se prontificou a pedir o almoço do marido e mandar entregar na agência. Então enviou um Coq au Vin – galo ao vinho tinto – um prato um prato tradicional francês que Tonny amava. Mas aquela iguaria não era de qualquer restaurante, vinha de um lugar especial: o L’Amour.

O L’Amour era muito bem frequentado, considerado o melhor restaurante de comida francesa da cidade e o mais caro também. Mas sendo Carlos um homem rico, o valor do prato não significava nada para satisfazer o homem que amava. Aliás, o casal costumava almoçar ou jantar lá quando tinha vontade.

A questão era que o dono, Jacques, era um homem muito recluso, incessível e principalmente muito excêntrico. Por isso o restaurante tinha regras rígidas para os clientes e os funcionários não podiam deixar que elas fossem descumpridas, sob pena de demissão. No local não podia usar roupa preta, não era permitido o uso de celulares, tablets, notebooks ou afins, e se saísse para atender ou usa-los de alguma forma do lado de fora não era permitido entrar novamente, e o mais importante: era terminantemente proibido a comida sair do restaurante. Não eram feitas entregas, não aceitavam pedidos pra viagem, muito menos levar o que sobrou do pedido no restaurante. O que era pedido lá só podia ser consumido lá.

Por isso, Tonny ficou abismado quando viu que era um funcionário do L’Amour fardado que lhe trouxe o almoço. “Como esse homem conseguiu isso???”, pensou chocado. Aquilo nunca, em hipótese alguma, havia lhe passado pela cabeça.

Diante da correria, Tonny ainda não tinha conseguido agradecer o mimo. E naquele momento de pausa era o que estava fazendo por mensagem de texto.

De: Anthony Gutierrez
Para: Carlos Gutierrez

Meu dengo, muito obrigada pelo almoço, estava maravilhoso. Eu amei! Fiquei surpreso, encantado e ainda mais apaixonado com a surpresa. Como conseguiu a façanha?

Carlos não demorou nada pra responder.

De: Carlos Gutierrez
Para: Anthony Gutierrez

Sempre à disposição, meu amor. Tenho meus truques, segredo de estado.

De: Anthony Gutierrez
Para: Carlos Gutierrez

Algo me diz que eu não iria gostar de saber. Certamente teve que flertar com alguém, tvz com o próprio Jacques... :@ Que nojo!

De: Carlos Gutierrez
Para: Anthony Gutierrez

Com ciúme, sr. Moore-Gutierrez???? =)

De: Anthony Gutierrez
Para: Carlos Gutierrez

Não, sr. Gutierrez!!!! Apenas assustado em perceber até onde você pode ir. Humpf!!!

De: Carlos Gutierrez
Para: Anthony Gutierrez

Não se preocupe, não envolve minhas habilidades sedutoras e sexuais. Essas estão reservadas só pra você, delícia da minha vida! ♥

De: Anthony Gutierrez
Para: Carlos Gutierrez

Acho bom! Caso contrário, não queira saber o que pode acontecer com você, mocinho!

De: Carlos Gutierrez
Para: Anthony Gutierrez

Nem planejo descobrir. Por falar em coisas exclusivas para você, tenho uma surpresa mais tarde.

De: Anthony Gutierrez
Para: Carlos Gutierrez

Hum! Mais uma?! Que delícia! Depois da academia?

De: Carlos Gutierrez
Para: Anthony Gutierrez

Não vamos à academia hoje. Tenho outros planos pra nós. A noite é toda nossa! ;D

Tonny começou a escrever, protestando que já haviam faltado a academia segunda e terça, que algumas horas não fariam diferença, mas o telefone tocou com o chamado do irmão.

– Fala, mano!

– Tonny! Tonny me ajuda, cara. – a voz do irmão era aflita do outro lado, quase desesperada.

– Calma, Ethan! O que aconteceu?

– Eu me acidentei aqui em casa com uma faca, cortei a minha mão, isso tá muito feio. Eu não consigo dirigir, o Vitinho tá na casa de uns parentes do outro lado da cidade...

– Eu já entendi! Me espera que eu ‘tô indo pra aí! – saiu avisando que tinha uma emergência.

Tonny até pensou que fosse exagero do irmão, já que ele poderia ser bem dramático às vezes. Mas se surpreendeu e ficou até mesmo assustado ao ver Ethan com uma camisa enrolada na mão, já ensopada de sangue. Correu o máximo que pode até a emergência do hospital mais próximo, e dada a situação que estava o ferimento, foi atendido logo. Quando o irmão já estava sendo suturado, saiu para ligar para o marido.

– Oi, homem da minha vida! Preparado pra surpresa? – a voz grossa e sensual soou nos seus ouvidos

– Meu amor, me escuta. Eu estou na emergência, mas não precisa se preocupar, está tudo bem comigo. Eu vim trazer o Ethan, ele se acidentou e estava sozinho no apartamento, o Vitinho tá na casa de uns parentes. Mas agora já está sendo atendido; depois eu vou deixar ele em casa e quando tiver voltando pra casa te aviso.

– O que aconteceu com ele?

– Cortou a mão com uma faca tentando cortar uma carne que ele estava preparando.

– Quer dizer que seu irmão não serve nem pra cortar bife, é isso? – riu.

– Carlos! Não brinque com isso! Foi um corte feio.

– Tá bom... Se você diz... Eu espero você, então. Até mais tarde. Te amo.

– Também te amo. Um beijo.

Quando retornou, o médico estava terminando de enfaixar a mão de Ethan, que desligava o telefone.

– Era a mamãe?

– Não. Vitinho ligou pra avisar que vai sair com uma turma lá que ele reencontrou e não vai voltar.

– E você ligou pra mamãe?

– Não... Você sabe como ela é, vai ficar toda preocupada, histérica. É melhor ligar amanhã, quando as coisas tiverem esfriado.

– Você tem razão. Estamos liberados, doutor? – emendou perguntando ao médico.

– Ele ainda tem que tomar a vacina antitetânica e alguns medicamentos que eu vou prescrever pra ele tomar agora. Depois vocês estão liberados.

Os irmãos ainda tiveram que passar na farmácia para comprar analgésicos e materiais para o curativo de Ethan. Quando conseguiram enfim chegar ao apartamento do mais velho, eram quase oito da noite.

Tonny acomodou o irmão na cama e percebeu que ele estava cabisbaixo.

– Está sentindo dor?

– Não... Quer dizer, sim, mas é uma dor suportável. – ficou pensativo por um momento – Você ouviu o que o médico disse? Eu poderia ter perdido a minha mão... Um milímetro a mais romperia o meu nervo e eu nunca mais poderia movimenta-la. É surreal que eu tenha me mutilado dessa maneira. – o corte tinha sido realmente grave, rasgou a palma da mão de Ethan no meio de ponta a ponta. Mesmo não tendo afetado o nervo drasticamente, o médico indicou que fizesse acompanhamento para confirmar ou descartar a necessidade de fisioterapia depois.

– Eu vi. Mas você teve sorte. Vai ficar tudo bem com você. Daqui a pouco isso vai ser apenas uma cicatriz e sua mão vai ficar novinha em folha, você vai ver. – passou a mão no cabelo do irmão num gesto de carinho. – O que você quer agora? Precisa de alguma coisa? – perguntou no sentido de deixar tudo à mão do irmão para poder retornar pra casa, afinal de contas tinha um compromisso com o marido.

– Preciso que você fique aqui comigo. Não me deixa sozinho, por favor.

Tonny não esperava por aquele pedido. Quando perguntou do que precisava, estava pensando em coisas! Ficou tão surpreso que no primeiro momento não levou a sério, pensou que ele estava fazendo graça e até mesmo pensou em fazer uma brincadeira chamando-o de “bebê chorão”, mas ao olhar a expressão do irmão sentiu que ele estava fragilizado com aquela história de perder o movimento da mão. Respirou fundo pensando que aquilo ia dar uma confusão dos diabos, mas não tinha escolha. Não podia deixar o irmão sozinho diante daquele pedido. O irmão sempre o apoiava, sentia que o certo a fazer era retribuir.

– Claro que eu fico. – sorriu meio sem jeito – Eu... Eu vou preparar alguma coisa pra gente comer e já volto. Você precisa de água ou quer um suco?

– Não, não quero nada... Muito obrigada, irmãozinho. – Sorriu de volta.

Antes de preparar o jantar, Tonny foi até a varanda do apartamento, fechou a porta para o irmão não o ouvir e se resignou na missão que tinha de ligar para o marido, que certamente iria enlouquecer com aquilo. Demorou ainda alguns minutos olhando para o aparelho antes de discar.

– Meu bem, onde você está? – indagou a voz carinhosa do outro lado da linha.

– Eu estou aqui na casa do Ethan.

– Ainda? Não acredito nisso, Tonny! São oito horas da noite. O que nós combinamos, querido? Você está mais do que atrasado.

– Eu sei... Amor, me ouve. Eu preciso ficar com o Ethan, ele não está muito bem.

Carlos gargalhou despreocupado. Embora Tonny estivesse rezando para que o marido entendesse e não criasse caso a respeito da estadia com o irmão, aquela definitivamente não era a reação que o publicitário esperava.

– Você é muito engraçado, senhor espertinho. Só porque eu disse que tinha uma surpresa está querendo virar jogo, mas não vou cair nessa sua história. Ninguém com um simples corte na mão pode estar tão mal assim.

“Pronto! Era tudo que eu precisava. Ele acha que é alguma espécie de joguinho divertido.”, pensou Tonny, que respirou fundo buscando as palavras cuidadosamente.

– Meu amor... Veja bem... Não foi um simples corte... Ethan quase perdeu a mão, ele está abalado com isso.

– Você está realmente querendo me dizer que não está vindo e nem virá, é isso?! – Carlos começou a entender que era verdade pelo jeito cauteloso que Tonny falava.

– Carlos, meu amor, tenta entender... Eu não posso deixar meu irmão sozinho. Ele está fragilizado. Tudo que eu mais queria era curtir a noite que você planejou pra nós, mas...

– Anthony, você tem 40 minutos pra chegar em casa!!! – ditou ríspido, cortando a fala de Tonny e em seguida bateu o telefone.

“Puta que pariu! Estava tudo tão bem. Que inferno!”, pensou frustrado. Mas ele não culpava Ethan por isso, afinal de contas tinha sido um acidente.

Se Tonny saísse de onde estava imediatamente, chegaria em casa em 40 minutos. Mas aquela não era uma opção. Estava decido a ficar com o irmão.

O publicitário preparou macarrão, frango ensopado com batatas e purê, a comida preferida do irmão. Preparou também um suco de laranja.

Por volta das nove e meia da noite, os irmãos estavam deitados na cama. Tonny tinha um braço em volta dos ombros e Ethan que descansava a cabeça na sua clavícula enquanto assistiam desenho. O telefone do publicitário tocou e ele levantou da cama indo pra sala pra atender o marido.

– Desce agora! Estou aqui fora te esperando! – disse Carlos seco e um tanto grosso, surpreendendo Tonny.

– O quê?! Carlos, eu não posso d...

– Ou você desce agora ou eu vou subir, nem que eu tenha que esmurrar esse porteiro idiota! E você não vai gostar nada se eu subir, Anthony! – Carlos interrompeu a fala do marido ríspido e em tom de ameaça.

Tonny respirou fundo de maneira ruidosa e passou a mão forte no rosto. Não que acreditasse fielmente na ameaça do marido, mas sabia que ele era capaz de fazer no mínimo uma cena. E isso era uma coisa que ele definitivamente não queria que acontecesse, principalmente na casa do irmão, com certeza daria uma merda muito grande entre aqueles dois.

– Eu já estou descendo! – respondeu irritado e desligou o telefone. Foi até o quarto do irmão e sem dar muitas explicações avisou que ia à portaria do prédio e já voltava.

Tonny logo avistou o carro do marido parado na porta do prédio. Percebeu que ele não ia sair do carro, então abriu a porta e entrou. Ao sentar no banco do carona, Carlos ligou carro e Tonny instintivamente abriu a porta do veículo.

– O que pensa que está fazendo?! – indagou surpreso.

– Estou te levando pra casa! Onde você deveria estar a muito tempo pra se arrumar para sairmos!

– Eu já falei pra você que não posso deixar o Ethan sozinho! Ele não está bem... – disse colocando um dos pés pra fora do carro na tentativa de garantir que o outro não arrastasse o carro.

– Então o imbecil agora resolveu apelar para a chantagem emocional... – riu com desgosto – Inacreditável!

– Não fale assim dele! Ele está abalado, poderia ter perdido o movimento da mão!

– Não ia fazer falta pra ninguém.

– Carlos!!!!

– E só você tem você no mundo que pode ficar com ele?! – ignorou a reprimenda do marido.

– O Vitinho saiu, a minha mãe ainda não sabe para não surtar e a Jessie está viajando numa conferência, então a resposta da sua pergunta é sim! Neste momento ele só tem a mim que sou o IRMÃO dele – ressaltou a relação de parentesco entre os dois.

– Então quer dizer que você está escolhendo ele a mim, é isso???

– Ai, como você é infantil!!! – explodiu Tonny.

– Responde! Você prefere ficar com ele do que comigo? – gesticulou apontando para o prédio e depois pra si mesmo.

– Não é uma questão de escolha, Carlos! Ele PRECISA de mim!!!

– Você já fez a sua escolha. Sai do meu carro.

– Carlos, pare com isso! Seja razoável! – pediu exasperado, tentando em vão trazer razão ao marido.

– Sai do meu carro agora!

Tonny desceu do carro com os olhos faiscando de raiva. Bateu a porta do veículo com toda a força que tinha, vendo Carlos sair cantando pneu em seguida.

– Estúpido! – esbravejou Tonny, mas o outro não podia mais ouvir.

Notas finais
Esse casal, viu?! Agora eu fiquei curiosa pra saber qual era surpresa do Carlos, mas como é que a gente vai saber se o Tonny vai ficar com o irmão?! O que vocês acham que era? Deixem reviews, favoritem, recomendem: faça uma autora feliz e inspirada! =D Beijokas!