O homem que eu amo
9 Capítulo 9
Notas iniciais
– Tem certeza que pegamos tudo?
– Tenho, amor. Se esquecermos de alguma coisa, compramos lá! – Carlos já estava impaciente.
Tonny voltou ao closet observando cada canto como se tivesse procurando algo, mas estava apenas se certificando que não estava deixando nada que julgasse necessário para trás.
– Tonny! Só vamos ficar três dias! Você já está levando coisas demais!
A mala de Carlos era bem pequena, tanto que fazia as rodinhas parecerem mais uma decoração; a de Tonny era quase o dobro do tamanho da dele. Não que a mala do publicitário fosse tão grande, a do executivo é que era mesmo pequena.
– Eu não estou levando coisas demais. Olha só o tamanho dessa sua mala?! O que você tem aí?! Três sungas e um par de sandálias havaianas?! Metade das suas coisas está na minha mala. E se eu não levar, você fica dando falta e perguntando onde está um monte de coisas que você nem procurou pra colocar na sua bagagem. É sempre assim!
– E o que é que falta agora? – Carlos nem argumentou, no fundo sabia que era verdade – Por que você ainda está dentro desse closet?! Assim nos vamos nos atrasar e perder o voo.
– Vamos, acho que não esqueci nada.
O taxi já aguardava os dois para leva-los ao aeroporto. Tom chegou a se oferecer para fazer a gentileza de levar o casal, mas Carlos não quis, disse que não queria incomodar.
Já no saguão do aeroporto, Tonny sentiu sede e decidiu tomar um chá gelado. Junto com o marido, foi a uma cafeteria antes de entrar para área reservada para o check-in da primeira casse. O casal aguardou em pé próximo ao balcão, já que o atendimento era rápido e não pretendiam ficar no local. Carlos estava parcialmente atrás de Tonny, o seu braço direito rodeava a cintura do publicitário, enquanto o queixo descansava no ombro esquerdo dele.
A alguns metros de distância um paparazzo transformava a cena em frames. As lentes da câmara fotográfica registraram também o momento em que Tonny riu abertamente, jogando a cabeça pra trás, de algo que Carlos dizia no seu ouvido, e quando em seguida o publicitário virou a cabeça e depositou um beijo nos lábios do marido em resposta.
Depois de pegarem o chá, o casal seguia para a área VIP onde iriam fazer o check-in, cada um puxando da própria mala. Tonny que antes estava de mãos dadas com o marido, agora estava de braços dados para conseguir segurar o copo.
Mais alguns passos e Tonny pôde ver a câmera apontada para eles e fechou o rosto numa expressão emburrada. Carlos também percebeu, mas demonstrou nenhuma reação.
– Negócios ou mais uma lua-de-mel com o marido, Carlos? Para onde estão indo dessa vez? – perguntou atrevidamente o fotógrafo, que cruzou o caminho deles justamente em busca de informações.
– Não é da sua conta! – devolveu Tonny, sem dar chance de o marido responder.
– Calma, Anthony, não precisa ser agressivo. – dramatizou o paparazzo, se fez de ofendido – O que os seus fãs irão pensar de você? – tentou apelar para o ego do publicitário.
A tática não funcionou. Tonny apenas o olhou atravessado e o fotógrafo fez questão de registrar com a câmara a expressão do publicitário.
Apenas quando percebeu que o paparazzo estava a uma distância segura Carlos se pronunciou, afinal de contas não queria colocar o marido numa situação vulnerável em relação ao fotógrafo; o seu dever era apoiar o companheiro e não deixar o paparazzo se achando com razão em fazer a vítima.
– Ei! O que foi aquilo?! – perguntou achando um tanto de graça.
– Eu odeio esses caras! Eles falam da nossa vida como se nos conhecessem, como se soubessem tudo sobre nós. Eu detesto isso!
– Ah! Você não vai querer deixar seus fãs desamparados de informação... – brincou Carlos, lembrando da chantagem do paparazzo, tentando livrar a tensão do marido.
– Fãs... Até parece! Ele é ridículo. – respondeu emburrado.
– Aposto que você tem um monte... Mas o seu maior fã sou eu! – ficou na frente de Tonny impedindo que ele continuasse a andar assim que passaram pela porta da sala VIP – Não fica com essa cara... Nós estamos viajando pra nos divertir, não deixa esse idiota te deixar de mau humor... – selou os lábios do marido num beijo.
Tonny assentiu com a cabeça.
Meia hora depois de fazer o check-in, o casal embarcava com destino ao México, em cabines individuais, um dos serviços mais luxuosos que havia em viagem aérea. Carlos não era um homem que costumava esbanjar. Tudo que havia conseguido fora fruto do seu trabalho, não havia nascido rico. Talvez justamente por isso soubesse o valor das coisas. Mas também não se privava de alguns confortos, principalmente quando se tratava de curtir momentos com o marido.
As cabines individuais, como o próprio nome sugere, eram feitas para uma pessoa apenas. Em cada uma delas havia uma cama de solteiro, uma televisão — com 101 canais disponíveis — presa num suporte logo no final da cama onde ficavam os pés, acesso a internet, telefone e tomada para ligar equipamentos eletrônicos. Era pequeno, afinal de contas era um avião, porém era o de mais confortável que havia em serviços aéreos.
O avião havia decolado há algum tempo e assim que foi permitido transitar pela aeronave, Tonny escapuliu para a cabine do marido. Estavam assistindo um filme de ação em um dos canais disponíveis da televisão.
O casal se apertava para caber na cama da cabine do executivo, afinal nenhum dos dois era pequeno. O publicitário estava deitado parcialmente em cima do marido. Certamente aquilo era proibido, já que a cabine era individual; eles não tinham certeza se era permitido, mas não estavam nem um pouco preocupados com isso.
O publicitário comia tabletes de chocolate, uma cortesia da companhia aérea. Na verdade, aqueles eram os de Carlos, os dele já tinham terminado; Tonny tinha achado o doce realmente muito gostoso. Já o executivo tomava um champanhe.
Depois que terminou o filme, Carlos sentiu necessidade de ir ao banheiro; queria apenas fazer xixi, por isso foi rápido. O executivo se surpreendeu ao ser empurrado para dentro novamente quando abriu a porta para sair. Tonny entrou e trancou a porta atrás de si, no rosto tinha um olhar safado, de quem iria aprontar.
– O que você está fazendo? – indagou Carlos com um sorriso surpreso.
– Não é óbvio? – respondeu malicioso e agarrou o marido.
– Pensei que você quisesse fazer isso na cabine...
– O fetiche é fazer no banheiro do avião... – desceu a mão até o cós da calça de Carlos abrindo o cinto, em seguida o botão e o zíper. Colocou a mão por dentro da cueca do marido e apertou o pênis que começava a despertar numa ereção.
– Fetiche, é?! Então vamos fazer isso ficar mais interessante... – mordeu o lábio inferior de Tonny, enquanto as mãos deslizaram para dentro da calça do publicitário, já aberta por ele, apertando suas nádegas – Vamos ver até onde você consegue aguentar sem gemer. – sorriu safado.
A brincadeira proposta por Carlos, apesar de ser gostosa, chegava a ser uma maldade com o publicitário. Primeiro porque Tonny era absolutamente sensível aos toques do executivo; segundo porque Carlos realmente sabia como fazer “a coisa toda” e não gemer era algo praticamente impossível para o outro; e terceiro porque com certeza o executivo não iria facilitar nada, pelo contrário, só iria dificulta as coisas pra Tonny.
Tonny sorriu para o marido e lhe lançou um olhar que dizia “você é um sacana! Isso é praticamente uma missão impossível pra mim e você sabe disso”. Mas o publicitário tinha o próprio orgulho.
– Eu topo... – sussurrou no ouvido de Carlos.
– Bom garoto!
[E fizeram amor]
O banheiro era da primeira classe não era apertado como na classe econômica, lógico. Era tão espaçoso que dava até pra fazer no chão se o casal quisesse, mas isso não era nem uma possibilidade. Dada a urgência de ser uma “rapidinha” no banheiro do avião, não havia tempo para isso.
Carlos virou Tonny rapidamente inclinando-o sobre a pia de mármore. Desceu a calça e a cueca do publicitário até a altura dos joelhos, exibido aquela bunda branquinha, lisa e redonda; chegou até a salivar com a visão. Agachou e seu rosto ficou na altura das nádegas do marido, e logo a língua do executivo provocava a entrada do outro.
Tonny apenas ofegava, tentando se concentrar no desafio de não gemer com aquela sensação gostosa.
Devido ao pouco tempo que tinham, Carlos não demorou a levantar, colocou o pênis rígido pra fora e pincelou a glande entre as nádegas Tonny, até posicionar o falo na direção do ânus do publicitário e entrar bem lento. Tonny ofegou mais forte.
Carlos começou uma sequência ritmada de tirar, meter e rebolar dentro, numa provocação clara, tentando fazer o outro gemer.
A tarefa de não emitir nenhuma som estava realmente difícil para Tonny, especialmente quando Carlos começou a masturba-lo simultaneamente, sem perder o ritmo que imprimia na penetração. O publicitário ofegava sem parar, não gemer começava a exigir uma concentração que parecia impossível pra ele continuar mantendo, diante dos estímulos prazerosos que recebia.
Carlos não sabia, nem tinha como saber, que o publicitário já estava chegando ao seu limite; e o fato de Tonny, até então, estar aguentando a provocação, começava a mexer com o ego do executivo. Ele inclinou seu corpo sobre o marido beijando a nuca dele.
– Tá se fazendo de difícil, não é? – disse com a voz rouca de sensualidade, bem próximo ao ouvido de Tonny – Vamos ver até onde vai essa sua marra... Acho que eu ‘tô sendo bonzinho demais com você...
– Ai, não faz malvadeza comigo... – pediu um a voz gemida.
– Ah, eu faço! Eu faço, sim. E eu sei que você adora...
Saiu de dentro de Tonny e, rapidamente sem muito cuidado, terminou de tirar a calça dele, depositando as peças de roupa numa bancada próxima ao vaso. Com o publicitário ainda debruçado sobre a pia, Carlos levantou uma das pernas do marido. O joelho de Tonny tocava a superfície da pia e Carlos o mantinha na posição segurando sua coxa erguida, o outro braço rodeava sua cintura para mantê-lo no lugar, e o executivo meteu duro e forte.
– Ahhhhhhhh!!! – não gemer com sensação era absolutamente impossível para Tonny. Para o local que eles estavam foi até alto demais, mas não pôde controlar.
– Shhhhhh!!! Assim vão ouvir a gente... – Carlos o provocou e voltou a meter devagar.
– Você... é um filho da puta... seu sacana... – Tonny respondeu entre gemidos. Enquanto recebia as investidas do marido, se masturbava.
Tonny olhou pelo espelho e viu o sorriso largo de Carlos de pura satisfação. O executivo tinha adorado finalmente ouvir aquele gemido; para completar, a resposta da falsa reprimenda, que fez em provocação ao publicitário, só serviu para aumentar o seu ego e deixa-lo mais excitado.
Sabendo que o marido não conseguiria se controlar com o que iria fazer, Carlos levou uma mão até a boca de Tonny para abafar os gemidos altos, quando ele começou a meter muito rápido e forte. Mesmo abafados, os gemidos de Tonny podiam ser ouvidos.
Não demorou nada e Tonny gozou; Carlos gozou logo em seguida dentro do marido. Ambos estavam levemente suados e ofegantes.
O executivo pegou uma das toalhas de rosto limpas que estava disposta na pia e limpou seu sémen que escorria por uma das pernas e saía do ânus do marido, depois passou no chão para limpar o local onde o sêmen de Tonny foi derramado. Descartou a toalha e em seguida o ajudou a se vestir.
Quando ambos já estavam compostos, Tonny colocou a cabeça pra fora para verificar se não havia ninguém. Viu o corredor vazio e decidiu sair, no que Carlos saiu no seu encalço. Quando o executivo fechava a porta, uma aeromoça surgiu de um vão que Tonny nem imaginava que existia, muito menos que alguém pudesse estar ali.
O publicitário ficou vermelho e tinha uma expressão de criança que acabou de aprontar. Já Carlos reagiu completamente de forma inversa. Agiu naturalmente, como se nada tivesse acontecido, como se não estivessem sendo flagrados saindo do banheiro juntos. Foi tão cara de pau que ainda sorriu e acenou com a cabeça para a comissária de bordo.
Tonny apressou o passo até a própria cabine, queria se esconder de tanta vergonha, deixando o marido pra trás. Carlos estranhou o fato de o publicitário entrar na própria cabine e não na dele, como estavam antes. Segundos depois o executivo adentrou a cabine do marido.
– O que está fazendo aqui? Nós estávamos na outra cabine.
– Aquela é a sua cabine. Você acha que eu vou entrar lá de novo depois disso?! Eu aposto que ela ouviu a gente. E a culpa é toda sua! – não aguentava de vergonha.
– Minha?! – Carlos riu – Minha culpa?! Eu é que fui sumariamente atacado enquanto estava no banheiro. – se aproximou perigosamente com uma expressão safada.
– Mas não precisava me fazer gemer daquele jeito... Inventou aquele desafio idiota só pra provar que eu não consigo resistir... – cruzou os braços e fez uma cara que era mais fofa do que emburrada.
Carlos apenas sorriu em resposta – afinal de contas era verdade –, o envolveu com os abraços e começou a provocar o pescoço do marido com beijos mordidas e chupões.
– Para! Nem vem... Sexo acabou pra você neste avião.
– Nem na cabine? – perguntou sensual em seu ouvido.
– Nem na cabine! Sai! – empurrou o marido.
– Claro que não... Já que você não quer ir pra lá, vamos ficar aqui e assistir alguma coisa. – puxou o marido em direção ao leito. Sentou encostado no travesseiro com as pernas estendidas sobre cama e Tonny sentou entre suas pernas, encostando as costas em seu peito.
O voo foi tranquilo. O casal jantou e dormiu junto. Pelo pouco espaço da cama, Tonny dormiu praticamente em cima do corpo de Carlos. Pela manhã, tomaram café e logo depois o avião começava a diminuir a altitude para aterrissar. Conforme a altura diminuía, era possível ver as belas praias de Cancun lá embaixo. Tonny estava completamente apaixonado pela visão. Estava ansioso para curtir de perto aquele lindo mar.
No aeroporto ligaram para suas mães e amigos avisando que haviam chegado bem.
O carro que Carlos havia reservado já os aguardava, então foram para o resort onde ficariam hospedados.
O lugar era belíssimo. Tinha um complexo enorme de piscinas. A maioria delas era uma interligada a outra como se fizessem um caminho ou uma espécie de labirinto curvilíneo de água. Saindo da área da piscina já pisava na areia da praia e o mar lindo e azul estava ali à disposição.
A suíte do casal era enorme e extremamente luxuosa. Tinha uma vista belíssima da orla e de várias áreas do resort, que tinha uma área verde imensa e belíssima.
Depois de arrumarem rapidamente as próprias coisas nos armários do quarto, o casal tomou banho juntos, com direito a beijos, toques, risos e provocações, mas nada mais que isso. Vestiram roupa de banho – sunga, bermuda, camiseta e sandálias – e desceram para a área do complexo de piscinas.
Deitaram apenas de sunga nas espreguiçadeiras, num lugar onde decidiram ser satisfatório. Carlos levou um livro e umas revistas de negócios para ler. Tonny também levou seu próprio livro e o tablet, era justamente com esse equipamento que estava se entretendo naquele momento.
– Olha só isso aqui?! – olhava a tela do tablet com raiva.
– O que foi? – perguntou Carlos se esticando pra ver, Tonny passou o equipamento para o outro.
Ao entrar no seu perfil da rede social, Tonny viu na sua timeline que Tom havia comentado um artigo que tinha o nome dele e do marido no título: “Carlos e Anthony Gutierrez embarcam em viagem internacional”. “O destino do casal não revelado, o publicitário não gostou da presença dos paparazzi”, afirmava o subtítulo.
O discurso das matérias que geralmente giravam em torno da sorte de Anthony em ter um marido como Carlos, desta vez questionava o que o executivo tanto via no publicitário. Acusava Tonny de ser grosso e sem educação, que havia agredido verbalmente o repórter do site/revista. Questionava como Carlos era capaz de aguentar o mau humor do marido que, segundo a publicação, era latente até em dias que deveriam ser felizes, como em uma viagem.
Claro que havia a foto de Tonny olhando com a cara amarrada para o fotógrafo, além de outras duas, uma quando entraram no aeroporto de mãos dadas e a outra aguardando o chá gelado na cafeteria. Mas não era a imagem que Tonny ria para o marido, era uma foto simples onde os dois estavam sérios, lógico, ou o discurso do texto iria todo por água abaixo por causa de uma imagem apenas. Aquela certamente era a forma que o fotógrafo havia encontrado para se vingar de Tonny, sem nenhuma preocupação com a ética jornalística.
No comentário da matéria, Tom havia deixado toda a delicadeza e educação de lado: “Seus FDP’s! Vocês falam do que não sabem e de quem não conhecem. Não têm o mínimo de responsabilidade, muito menos ética, em especular sobre a vida alheia, sobre quem vocês não conhecem!!!”
– Ah, amor! Não fica assim... Esquece isso! Eles são um monte de babacas! – disse devolvendo o tabet depois de ler.
– Você fala isso porque não é de você que eles estão falando mal! Você é sempre o bonitinho, o queridinho, o bom partido... Antes eu era apenas o sortudo de ter o partidão, agora eu sou um idiota, grosso e mal humorado que não mereço o partidão que tenho, porque não tenho nenhum atributo interessante. As pessoas acreditam nessas coisas, você sabia?! – disse mal humorado.
– E daí?! O que interessa é que quem te conhece sabe quem é você, meu amor. E o mais importante: EU sei quem você é, e sei muito bem porque estou com você e porque te amo tanto. – se aproximou do marido e deu um beijo.
Tonny resmungou um “Hum” em resposta.
– Vem! Vamos tomar um banho de piscina e esquecer essa história. – Puxou Tonny pela mão fazendo-o levantar sem poder discutir.
O casal nadou por um longo período, brincou como duas crianças de pegar dentro d’água fazendo todo o percurso das piscinas integradas. Quando cansaram voltaram ao seus lugares.
Logo o horário de almoço chegou e decidiram comer por ali mesmo. Passaram o dia tomando sol, banho de mar, de piscina, conversando, rindo e namorando. Um momento de casal realmente gostoso.
Passava das 4h30 da tarde, Tonny lia o próprio livro, quando uma criança pulou na piscina espirrando água nele; Carlos havia levantado para ir ao banheiro.
– Os pais deveriam tomar conta melhor dessas crianças. Tudo bem que elas estão se divertindo, mas elas não estão sozinhas, precisam prestar atenção que tem gente em volta. – comentou um rapaz na espreguiçadeira ao lado, um pouco mais afastado. Ele também tinha ficado molhado e secava os respingos. O homem tinha a pele bem bronzeada, olhos castanhos claros, boca carnuda bem desenhada e cabelos volumosos e revoltos. Tonny nem havia reparado nele, até ele falar, nem sabia quando ele havia chegado ali.
– Verdade.
– Molhou o seu livro...
– É... – disse passando a toalha na capa – Daqui a pouco seca. Pior seria se fosse meu tablet ou meu celular, por exemplo.
– Realmente, seria mais complicado. Mas essas crianças de hoje em dia são todas assim levadas...
O papo entre Tonny e o desconhecido acabou rendendo de forma amigável em torno do tema família e criação de filhos.
– Quer dizer que eu não posso nem ir ao banheiro por cinco minutos, que você arranja um macho pra flertar?! – Tonny chegou a tomar um susto com a voz fria de Carlos, nem percebeu o executivo se aproximar.
– Carlos!!! – Tonny o repreendeu, temendo que o rapaz tivesse ouvido e se sentido ofendido. Ele já estava de alguma forma ‘habituado’ àquilo, mas ninguém era obrigado a ouvir desaforo. Ainda mais aquele rapaz que fora tão amigável e educado.
– Olá, eu sou o John. – o rapaz cumprimentou Carlos quando percebeu ser alvo o olhar do executivo – Eu estava aqui conversando com o seu amigo, umas crianças molharam a gente...
– Pra começar ele não é meu amigo – interrompeu Carlos – é meu MARIDO – fez questão de articular cada sílaba da palavra – E eu não quero saber quem é você ou que tipo de desculpa você estava usando pra dar em cima do meu homem!
– Carlos! Para com isso agora! – Tonny se levantou em um impulso ficando na frente do marido – Me desculpe por isso... Eu sinto muito. – pediu olhando para o tal John.
O rapaz apenas fez um gesto com a cabeça e as mão como se dissesse “não se preocupe comigo”.
– Desculpar pelo o quê?! – indagou Carlos arrogante.
– Vamos embora, Carlos! – pegou as roupas, o livro, o tablet. Carlos continuava parado – Agora! – o olhou com raiva.
Carlos começou recolheu as próprias coisas e seguiu hotel adentro, por onde Tonny já havia passado na frente.
Quando entrou na suíte batendo a porta alguns segundos depois de Tonny, Carlos estava pronto para começar a chuva de ofensas gerada pelo descontrole do seu ciúme, mas paralisou com cena: Tonny pegando a mala e guardando as próprias coisas que já havia organizado no armário da suíte.
– O que pensa que está fazendo?
– Estou arrumando as minhas coisas! Vou voltar pra casa!
– Você vai o quê?! Nós acabamos de chegar!
– Eu vim para me divertir! Eu não vou ficar aqui pra você ficar fazendo as mesmas coisas que você faz quando estamos em casa!
Carlos andou até Tonny e segurou seus pulsos impedindo de pegar novas peças de roupa para colocar na mala.
– Me solta! – exigiu Tonny.
– Não! Você não vai a lugar nenhum! – respirou fundo – Me desculpa, você tem razão. Você tem toda razão...
– Carlos, você tem ideia do que você fez lá em baixo?! Do constrangimento que você me fez passar?! Da situação vergonhosa que você me colocou e SE colocou?! Aquele rapaz é casado! Está em lua-de-mel com a esposa dele! Ela, por acaso, não estava ali porque está no início da gravidez e anda sentindo muito sono. Por isso ele a deixou dormindo no quarto e foi tomar sol. Sabe como eu sei de tudo isso?! Porque eu estava tendo uma conversa AMIGÁVEL com ele. Isso pode ser uma surpresa pra você, mas homens podem ser amigos, sabia?! – disse ironicamente – Mas você acha que eu não posso ter amizade com homem nenhum, porque você acredita que todos os homens da face da terra querem me comer! Mais uma novidade pra você: todos os homens da terra NÃO querem me comer! Alguns deles são HÉTEROS e não estão nem interessados em se relacionar com outros homens, assim como o John; outros não estão nem aí para a minha existência! Você acha mesmo que ele não ouviu a sua grosseria quando você chegou? Qualquer pessoa com a audição perfeita teria ouvido! Ele apenas não quis te constranger ainda mais, porque, no mínimo, ele é uma pessoa muito educada!
O executivo ficou de cara com aquela informação. “Eu sou um idiota...”, Carlos pensou.
– Sim! Você é um idiota! – disse Tonny com a voz alterada, como se pudesse ler seus pensamentos, mas estava escrito na cara do executivo o que passou pela mente dele.
– Eu... Eu... – Carlos se sentia um estúpido, nem sabia o que dizer – Me perdoa... Eu não deveria ter feito isso, nós viemos nos divertir, me desculpa. Por favor, não vai embora... Eu prometo que não vou fazer mais cena nenhuma, eu juro! Vamos apenas curtir o fim de semana.
– Eu fico, mas com duas condições: a primeira é que você vai cumprir a sua promessa, você não vai fazer nenhuma cena, caso contrário eu vou direto para o aeroporto e pego o primeiro voo de volta – Carlos assentiu com a cabeça. – A outra condição é você pedir desculpa ao pobre do John.
– Mas...
– Sem “mas”, Carlos! É isso ou eu termino de arrumar minhas coisas e vou embora agora! – ditou apontando para a porta.
– Tudo bem... – respondeu resignado – Aonde você vai? – perguntou ao ver Tonny se afastar.
– Tomar banho. – respondeu e Carlos o seguiu até o banheiro. – Sozinho!!! – bateu a porta na cara do marido.
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