O homem que eu amo
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Depois de tomar banho – um de cada vez, como havia exigido Tonny – o casal descansava deitados na cama assistindo um programa sobre instinto de sobrevivência animal. Passar o dia na praia e na piscina tinha sido realmente cansativo. Era final da tarde, queriam recarregar as baterias para o programa da noite. Planejavam jantar em um dos restaurantes que havia no complexo do resort. O lugar era muito bem conceituado, até clientes de outros hotéis costumavam frequenta-lo devido à sua fama. Depois de jantar, pretendiam esticar a noite na cidade.
O clima entre o casal estava meio estranho, não estava ruim, mas não também não estava cem por cento ainda. Tonny permanecia chateado com o fato de Carlos já ter aprontado uma em apenas algumas horas de estadia em Cancun. Não se conformava que o marido tivesse se comportado daquela maneira com alguém que não tinha nada a ver e estava apenas tentando ser gentil. Por isso eles estavam apenas deitados lado a lado na cama, sem se tocar. Também só falavam o necessário. Uma hora ou outra Carlos tentava puxar assunto fazendo comentário sobre o que estava passando na TV, que Tonny respondia normalmente, mas não prolongava conversa.
Não demorou muito e Carlos percebeu que o marido ressonava. Tonny acabou caindo no sono de tão cansado. O executivo aproveitou e se aconchegou ao marido, trazendo-o para seu peito; pouco depois ele também já estava dormindo.
Tonny se mexeu preguiçosamente da forma que pôde e abriu os olhos. Percebeu que o aperto que sentia era por causa do marido, que o abraçava possessivamente enquanto dormia. Com dificuldade liberou um dos braços e se esticou para pegar o relógio no criado mudo ao seu lado. Já passavam das 8h da noite.
– Carlos... – cutucou o marido – Carlos, acorda... – a voz rouca de quem acabou de acordar.
– Hum... Tô dormindo... – resmungou com a voz rouca e os olhos ainda fechados, apertando ainda mais os braços em volta de Tonny.
– Eu sei que você tá dormindo, por isso que estou te acordando. Quer dizer, agora você já não está mais dormindo... São mais de oito horas da noite. Eu tô com fome, quero jantar, seu preguiçoso.
– Eu não sou preguiçoso... Eu tô com sono... – resmungou meio dengoso.
– Então vou cancelar a nossa reserva e pedir comida aqui no quarto.
Carlos não respondeu por longos segundos.
– Não... Já estou desperto. Vamos ao restaurante. – Acabou por dizer, finalmente abrindo os olhos para fitar o marido. Tonny já estava achando que o silêncio era sinal de que ele havia concordado e realmente iriam passar a noite na suíte.
– Então me solta. Vamos levantar e nos arrumar pra sair.
– Mas aqui tá tão bom... – se aconchegou escondendo o rosto na curva do pescoço de Tonny, ainda sem solta-lo.
– Meu bem, decida-se!
– Tá! Vamos levantar... – Soltou Tonny do abraço relutantemente.
Tomaram banho de chuveiro não muito demorado e foram se arrumar.
– Amor, você trouxe algum blazer pra mim. – perguntou Carlos, enrolado na toalha. Ele mesmo não tinha pegado nenhum pra levar na viagem.
– Trouxe três. Estão pendurados no armário. – Tonny riu. – Você só faz isso porque você tem certeza que eu vou trazer suas coisas. Onde já se viu não colocar nenhum blazer na mala?
– Esse é dos motivos que eu te amo. Só você sabe cuidar tão bem de mim assim. – se aproximou do marido e lhe deu um beijo.
Não demorou muito e já estavam prontos pra descer. Tonny vestia uma calça jeans preta, uma camisa gola ‘V’ branca, por cima um blazer cinza justo e as mangas puxadas pra cima, calçava um sapatênis preto com detalhes branco. Carlos vestia uma calça jeans azul, camisa polo azul e por cima um blazer preto com um corte mais comprido e mais largo que o de Tonny.
O restaurante estava bem cheio. O casal chegou em cima da hora, quase perdeu a reserva que tinha. O metre não demorou a encaminhá-los à mesa que ocupariam. Carlos estava logo atrás do funcionário do restaurante e não demorou a ver que John estava sentado à mesa, com uma mulher, no meio do caminho para a mesa reservada pra eles. “Droga!”, resmungou o executivo em pensamento, torcendo para que o marido não os tivesse visto.
– Essa é a sua chance. – Tonny sussurrou no ouvido do marido, segurando seu pulso fazendo-o parar ao lado da mesa do rapaz, deixando o metre seguir sozinho.
Carlos ficou tenso. “Eu não acredito nisso! Por que eu não fiquei naquele maldito quarto? Por quê?!”, pensou. Apesar de ter prometido que iria se desculpar com o tal John, Carlos tinha mesmo era a esperança de não encontra-lo nunca mais. Já para Tonny aquilo era um alívio. “Agora não preciso mais descobrir em qual suíte ele está hospedado”, pensou o publicitário, que não estava disposto a deixar passar em branco, faria o marido se desculpar mesmo que tivesse que ir atrás do rapaz para isso.
– Olá John. – cumprimentou Tonny com um aperto de mão.
– Olá... – falou reticente.
– Anthony! Mas pode me chamar de Tonny. Eu não te disse meu nome mais cedo. – respondeu a pergunta implícita.
– Exatamente, você não me disse. – sorriu – Essa é a minha esposa Danda.
– Prazer. – apertou a mão da mulher – Espero que esteja se sentindo melhor. Seu marido disse que está sentindo enjoos.
– Sim, estou melhor, obrigada. – Sorriu largamente a mulher que era negra e tinha cabelos cacheados até a altura dos seios.
– Este é o meu marido Carlos. – o executivo apertou a mão da mulher – John, você já conheceu o Carlos mais cedo, embora de uma forma não muito convencional. –amenizou.
Carlos apenas acenou com a cabeça para John e recebeu o olhar duro e inquisidor de Tonny. Apesar de extremamente constrangido, Carlos se deu por vencido, afinal tinha medo que o marido cumprisse a promessa de ir embora.
– Eu... queria me desculpar... pelo que aconteceu mais cedo... lá na piscina. Eu não queria... ofendê-lo. – Carlos se enrolava nas palavras, extremamente envergonhado.
– Não tem problema, foi apenas um mal entendido. – sorriu simpático – Danda, esse foi o casal que disse que conheci mais cedo na piscina. – Falou John, dando um claro indício de que havia contado o episódio à esposa.
– Mas você não me disse que era Anthony e Carlos Gutierrez... – respondeu a mulher, mostrando claramente que os conhecia pela vida pública.
Tonny corou com a referência.
– Como eu iria saber? Você é quem conhece e sabe quem é todo mundo, não eu. – virou para o casal em pé – Por favor, sentem-se conosco.
– Nós não queremos atrapalhar. – respondeu Carlos. Tonny concordou com a cabeça.
– Eu insisto. – respondeu John – Nem todo mundo tem a chance de apagar uma primeira impressão ruim, como nós estamos tendo agora.
Diante disso, o casal acabou cedendo. Avisaram ao metre sobre a mudança de planos e liberaram a mesa reservada.
John era dono de uma agência de viagens de médio porte e vinha crescendo, fato conhecido por Carlos que sempre estava atento às tendências do mercado financeiro. Logo os dois, que tiveram um estranhamento no começo, tinham em comum o fato de serem homens de negócios e assunto não faltava.
Tonny logo descobriu que Danda era jornalista e ficou com o pé atrás com a moça, devido ao seu trauma com os paparazzi e as revistas e sites de fofoca. O publicitário temia que ela utilizasse informações daquele encontro casual para publicar coisas a respeito deles, informando o destino deles naquele final de semana; ou até coisas mais pessoais, principalmente que ela conhecia do episódio da piscina, e pra piorar, agora estavam partilhando a mesma mesa. Por isso Tonny resolveu sondar um pouco.
– Você reconheceu o Carlos e eu muito rápido, né? Seu marido disse que você conhece tudo mundo, você escreve notícias de gente famosa? Não que nós sejamos famosos...
A moça riu – Se as pessoas são capazes de reconhecê-los, então é claro que vocês são famosos. Mas respondendo a sua pergunta, não, eu não escrevo sobre famosos, como vocês. – Riu da própria ressalva – Eu sou repórter de TV. Cubro principalmente cultura. Mas não é por isso que eu conheço vocês. Claro que vira e mexe eu vejo notícias de vocês dois, mas o motivo principal não é esse. Eu tenho muuuitos amigos gays, eu sou muito ligada a eles e a maioria deles tem você e o Carlos como referência do relacionamento que gostariam de ter. Eu sou muito ligada ao cenário gay, não tem como eu não saber quem são vocês dois. – riu.
– Entendi.
– Mas não se preocupe, sei o que está pensando. Vocês têm a minha palavra que nada vai sair daqui. – fez um gesto como se fechasse a boca com um zíper – Estamos em um momento de distração, não seria ético da minha parte se eu publicasse uma informação abusando a amizade de vocês, que nem temos ainda, e que eu espero que possamos ter. Mas se você quiser me dar uma entrevista exclusiva, eu vou rapidinho buscar meu gravador. – riu da própria brincadeira.
– Não! Nem pensar. – Tonny sorriu – Já basta o que já tem por aí. Mas fico feliz em saber que posso contar com a sua discrição. – relaxou o publicitário.
Se Carlos e John tinham muito que conversar, para Tonny e Danda também não faltava assunto, já que eram os dois da área de comunicação, tinham gostos semelhantes e vasto conhecimento sobre a cultura LGBT.
Os quatro se entrosaram tanto, que decidiram esticar a noite juntos. Acabaram indo para uma boate gay, por insistência de Danda, já que era um dos ambientes que a jornalista mais curtia.
O local estava cheio, mas não lotado. Era possível dançar confortavelmente, coisa que os quatro já tinham feito bastante, mas naquele momento, os dois casais conversavam num área privativa da boate, sentados à mesa. O espaço ficava um tanto mais afastado da pista, por isso o som não estava tão elevado pra eles. Falavam apenas um pouco mais alto pela excitação do momento e não havia dificuldade em ouvir uns aos outros.
– O que vocês vão fazer amanhã? – perguntou Danda, tomando um gole do seu coquetel sem álcool.
– Vamos passar o dia no iate. Alugamos um, a gente gosta de ficar em alto mar. Vamos?
– Eu passo! Não quero nada que possa me fazer me sentir mais enjoada do que já ando. Mas obrigada pelo convite. – respondeu a moça.
– Mas antes disso, eu vou relaxar com uma massagem de Juanito, é claro! Dizem que ele faz milagres. E depois da noite de hoje, tenho que ficar cem por cento! – Tonny já estava bem “alegrinho” devido aos martinis que havia tomado a noite toda.
– Nossa! Você vai amar! Não existe nada igual às massagens dele. – respondeu Danda.
– Quer dizer que o senhor vai fazer massagem com o Juanito?! – indagou Carlos visivelmente enciumado.
– Vou! – respondeu o publicitário com a expressão de “pode parar com isso agora” no rosto – O Tom tinha me dado umas dicas sobre lugares e o que fazer aqui em Cancun e falou que era uma coisa que eu não deveria deixar de fazer. E agora a Danda está confirmando isso.
Juanito era o massagista mais famoso do resort, um dos mais famosos de Cancun. Carlos já conhecia a fama do profissional e o conhecia pessoalmente. Ele mesmo já tinha feito massagem com o rapaz, mas não pretendia fazer novamente, embora admitisse que tudo o que diziam sobre o ótimo trabalho de Juanito era verdade. O homem era realmente grande, sarado e lindo. Apesar de aparentar muita força, tinha as mãos macias e firmes.
A fama do Juanito tinha tanto tempo, que Carlos tinha uma teoria que o “Juanito” não era sempre a mesma pessoa, acreditava que se quem estivesse na posição saísse, o resort colocava outro no lugar com as mesmas características: grande, sarado, lindo, com mãos macias e firmes. E a questão era justamente essa, o executivo não queria homem nenhum passando as mãos pelo corpo inteiro do marido, principalmente com esses atributos.
– Você vai mesmo? – voltou a questionar.
– Já disse que sim!
– Então tá. – respondeu com uma cara de “não estou nem aí”, que Tonny achou estranha, mas preferiu não comentar.
Os dois casais ainda beberam e dançaram um tanto, depois voltaram para o hotel. Pra quem gostava de curtir a noite até amanhecer era cedo, 2h da manhã. Mas se perdessem a noite inteira, não conseguiriam curtir o sábado plenamente, então preferiram assim.
Tonny acordou às 8h da manhã com o despertador do celular. Percebeu que estava sozinho na cama. Levantou e foi até o banheiro, onde encontrou o marido ainda de cueca escovando os dentes.
– Já acordou tão cedo? – abraçou o executivo por trás.
– Têm só uns quinze minutinhos. Animado pro nosso dia em alto mar?
– Muito!
– Então é melhor começar a se arrumar...
– Antes eu tenho uma sessão de massagem com o Juanito.
– Ah, é! Eu tinha esquecido.
– Não vou demorar, vou lá e volto. Você vai fazer alguma coisa?
– Não. Vou te esperar aqui, tenho uns e-mails pra responder. Quando você voltar, vamos pra marina.
– Tudo bem. – deu um beijo no pescoço do marido e se afastou entrando no box para tomar banho.
Tonny vestiu apenas uma camiseta e um short e foi até o local indicado por um dos funcionários do resort. Se identificou na recepção do local onde eram feitas as massagens e aguardou por mais 10 minutos até ser chamado.
– Senhor Anthony Gutierrez, já pode entrar. O senhor pode tirar a sua roupa e deitar na maca e se cobrir com a toalha. Logo a sua sessão iniciará.
– Ok. Obrigada. – sorriu para a moça.
Tonny fez o que lhe foi pedido e aguardou. Estava deitado de barriga pra baixo e enquanto esperava o massagista acabou fechando os olhos. Devido ao cansaço, estava quase pegando no sono quando as mãos começaram a toca-lo, passando uma loção em seu corpo. As mãos eram pequenas demais, por isso ficou curioso e para ver o tal Juanito. “Como pode um homem com mãos tão pequenas?”, se perguntou.
– Desculpa não cumprimenta-lo antes, o senhor parecia estar dormindo, não quis acorda-lo. Pensei que talvez tivesse um sono pesado e não acordasse com a massagem. – falou a moça de pele clara, cabelos pretos lisos presos num rabo de cavalo e olhos castanhos, ao ver a cara de espanto do publicitário.
– Tudo bem. Não me leve a mal, mas é que eu tinha marcado um horário com o Juanito, não com você... Carol. – Leu o nome da moça bordado no jaleco.
– O senhor solicitou a troca de profissional hoje mais cedo, senhor Anthony, antes de chegar aqui. Eu mesma fiz a confirmação da alteração.
– Mas eu não... – de repente tudo ficou muito claro para Tonny – Isso foi um mal entendido. Nós podemos desfazer a troca?
– Sinto muito, mas não é possível. Nós já disponibilizamos o seu horário para outra pessoa, e infelizmente todos os horários dele de hoje já estão ocupados. O senhor quer que eu continue com a sua massagem?
– Claro. Por favor. – sorriu sem graça, por dentro faiscava de raiva.
Carlos estava deitado na cama do hotel. Já estava tomado banho e vestia a roupa que pretendia sair para a marina. A televisão estava ligada em um canal qualquer, mas o executivo tinha atenção voltada ao tablet do marido, de onde respondia alguns e-mails da empresa.
– Como você ousa fazer isso?! – Tonny entrou na suíte parecendo um furacão.
– Isso o que?
– Não se faça de desentendido, Carlos! Você trocou o massoterapeuta!
– Você disse que queria relaxar e se sentir revigorado pra curtir o dia, apenas achei que a Carol era uma profissional mais indicada pra isso. Eu já fiz massagem com ela e acho que ela é melhor que o Juanito. – disse calmo. Claro que era mentira, nunca tinha nem visto a moça na vida, só sabia o nome dela porque ela falou ao telefone.
– Não seja cínico, seu mentiroso! Foi por isso que você acordou antes de mim... E ainda tem a cara lavada de agir como se não tivesse feito nada! Pior! Você estava planejando isso desde ontem depois daquela conversa na boate, não é?! Eu não tinha entendido, mas agora faz sentido a aquela sua cara de quem não estava se importando. E eu, o idiota aqui, achando que você estava apenas cumprindo a sua palavra! Você prometeu que não ia fazer mais nenhuma cena, Carlos! O que eu deveria fazer agora? Hein?! Me diz!
– Mas eu não fiz nada... – o executivo colocou o tablet de lado e levantou da cama, já preocupado com o rumo da conversa — ...demais. – emendou após receber o olhar do marido que o fuzilava.
– Você é inacreditável!
– Eu não fiz por mal, eu juro. – disse se aproximando perigosamente do publicitário.
– Não encosta em mim!
Antes que pudesse fugir ou protestar, Tonny se viu preso nos braços de Carlos. Os braços do publicitário estavam para baixo, por isso estava imobilizado. O executivo o envolvia com os braços segurando com a mão direita o próprio pulso esquerdo às costas de Tonny, para ter mais firmeza no aperto e garantir que ele não se soltaria mesmo que tentasse.
– Me solta! – Tonny tentou se debater em vão. Carlos apenas balançou a cabeça negativamente. – Me solta, agora!
– Não faz isso... Eu juro que não fiz por mal. Da próxima vez que a gente vier à Cancun, você faz massagem com ele. – beijou o pescoço do marido – Se você quer tanto mãos masculinas fazendo massagem em você, deixa que eu faço... – roçou a barba no maxilar do publicitário.
“Maldito! Por que você faz isso comigo? Se controla, Anthony! Se controla! Você consegue! Não cede! Você é homem ou um saco de batatas?!”, o publicitário estava numa briga interna.
– Não... Me deixa... – a voz de Tonny saiu tão gemida e manhosa que nem ele mesmo acreditou quando se ouviu. Carlos repetiu o carinho fatal no outro lado do rosto dele.
“Você é um maldito saco de batatas, Anthony! Uma porra de um maldito saco de batatas que não consegue resistir a essa porra dessa barba roçando na porra do seu rosto! Merda!”, brigou consigo mesmo. Mas agora já era tarde, e ele não tinha pra onde correr, estava feito, o executivo tinha conseguido o que queria.
Carlos tomou a boca de Tonny num beijo forte e apaixonado. O executivo não encontrou nenhuma resistência do outro, pelo contrário, só havia entrega. Carlos andou em direção a cama levando o outro consigo, que andava de costas. Ao sentir que Tonny não tinha mais pra onde ir, o moreno caiu na cama por cima do publicitário, enfim soltando o aperto. Ainda sem pausar o beijo, rastejou na cama, levando o homem embaixo do próprio corpo consigo, até estar no meio do colchão.
O executivo levantou, virou o marido de costas e em seguida retirou seu short e cueca juntos, a camisa também teve o mesmo destino das outras peças. Apreciou aquela visão que considerava tão bela: a pele clara e macia, as costas largas e bem traçadas, o bumbum tão branquinho e redondo, as coxas tão bem marcadas e grossas. Pegou um dos pés do publicitário e beijou a sola, enquanto as mãos massageavam onde a boca não ocupava espaço. Por fim, mordeu o calcanhar levemente, fazendo Tonny soltar um leve gemido; em seguida, fez o mesmo processo com o outro pé. Subiu a boca pela panturrilha direita do publicitário, enquanto uma das mãos tocava a outra perna numa massagem leve que era mais um carinho. Depois de fazer o mesmo com o outro lado, seguiu para as coxas. Lá, fez questão de dar várias mordidinhas, que fizeram Tonny gemer, deixando algumas marcas pelo caminho.
O bumbum Carlos apenas acariciou e beijou cada uma das nádegas, daria uma atenção especial àquele local específico depois. Sentou sobre elas, acariciou e massageou as costas do marido, lambendo, dando beijos e leves chupões por toda a extensão da pele, demorando naquela tarefa, sem esquecer nenhum pedaço.
O executivo retirou as próprias roupas, ficando majestosamente nu, exibindo a grande ereção, que logo deslizava entre as nádegas de Tonny. Logo o pênis foi substituído pela língua, o rosto enfiado no meio aquela bela bunda. Tonny apenas gemia com as provocações do marido.
Carlos o virou de frente e logo levou à boca o pênis rijo do marido, inicialmente chupando apenas a glande, depois descendo pelo comprimento, explorando os testículos.
– Ahhhhhhhhhhh!!! – gemeu Tonny, enfiou as mãos nos cabelos do executivo, puxando os fios, movendo os quadris, imprimindo um ritmo levemente mais acelerado. Enquanto fazia a felação, Carlos acariciava os músculos perfeitos da barriga e peito de Tonny, vez ou outra brincando com os mamilos.
Carlos interrompeu o sexo oral e sua boca foi ao encontro do outro, num beijo carregado de tesão e amor. Virou Tonny de lado e ergueu uma de suas pernas. O executivo se ajoelhou tendo a perna do publicitário que pousava na cama entre as suas; a perna elevada do outro estava apoiada em seu a peitoral largo e definido. Guiou seu pênis até a entrada do marido e penetrou.
– Ohhhhhhhhh!!! – gemeu ao sentir aquele lugar tão quente e apertado.
– Awwwwwwwwnn!!! – Tonny também gemeu ao se sentir preenchido.
Inicialmente, Carlos se movia devagar, mas logo o ritmo foi aumentando gradativamente. O executivo estocava cada vez mais forte, imprimindo uma cadência cada vez mais acelerada, o que estava deixando o publicitário completamente louco. O som dos corpos se chocando chegava a ser alto. Tonny pensava que ia morrer de tanto tesão e prazer tendo sua próstata constantemente provocada daquele jeito, ao mesmo tempo que se masturbava.
– AHHHHHHHHHHHHH!!!! Ohhhhhhhhhhhhhh!!! Ahhhhhhhh!!! – o publicitário gritou num orgasmo tão forte que pensou que iria perder os próprios sentidos.
– Ahhhhhhhh!!! – Carlos liberou um som gutural ao gozar praticamente junto com o marido, despejando seu sêmen dentro dele. Se jogou exausto e ofegante ao lado do publicitário. Passou a mão pelo abdômen suado e melado de esperma de Tonny, fazendo-o estremecer.
– Espera... – pediu Tonny num sussurro ofegante, tentando recuperar a própria voz, retirando a mão do marido do próprio corpo – Não me toca...
– O que foi? – Carlos estranhou.
– Orgasmo... muito violento... Meu corpo... tá muito sensível... Eu não consigo... Apenas espera... não me toca... – disse com dificuldade, ainda ofegante, de olhos fechados. Carlos riu.
– E beijar, pode? – insistiu.
– Não... Não pode... Para... Me deixa quieto... Só um pouquinho... Por favor...
– Ok. – riu.
Uns dois minutos depois Tonny voltou ao normal, e finalmente conseguiu abrir os olhos e fitar o marido ao seu lado.
– Se você não tivesse gozado junto comigo, eu não iria aguentar continuar. Ou eu iria desmaiar ou iria te chutar. – ambos riram.
– Eu acho que você ia desmaiar.
– Eu acho que eu ia te chutar. – riram novamente.
Carlos colocou a mão na nuca do marido, puxando levemente alguns fios daquela região e trazendo-o para um beijo calmo e apaixonado.
– Então, estou aprovado como massagista?
– Desde que você não faça isso com mais ninguém, está. O emprego é seu, mas o contrato é de exclusividade. – deu-lhe um selinho.
– Eu topo! Afinal de contas é uma proposta irrecusável... – beijou-o mais uma vez.
– Amor, já são quase 10h. Vamos levantar e ir pra marina, ou não vamos curtir nada. – se queixou Tonny, tentando afastar o marido que o agarrava.
–É! Eu sei, vamos. – se levantou, levando o marido junto.
Uma hora depois o casal já estava no mar. O iate não era muito grande, mas era bem confortável. Carlos sabia como pilotar a embarcação, já havia feito vários cursos. Até obrigou Tonny a aprender algumas coisas, o suficiente para guiar um iate em caso de necessidade. O executivo adorava iates, não tinha um porque não achava que valia a pena. Considerava mais barato e vantajoso alugar quando quisesse navegar.
Tudo estava do jeito que Carlos havia solicitado. Tinha petiscos, bebidas, frutas, água de coco, sucos, o almoço também estava pronto só para ser aquecido quando quisessem comer. Os dois realmente passaram um dia digno de uma verdadeira lua de mel. Nadaram pelados no meio do mar, fizeram amor na proa, conheceram o litoral pelo mar, se divertiram muito juntos.
Na volta para o hotel, Tonny insistiu que precisava ir ao shopping. Carlos estava irritado com a invenção do publicitário.
– Onde já se viu vir pra Cancun pra ir a shopping?! Isso não existe! — Dirigia resignado o carro alugado.
– Mas a culpa é sua, que fica me dando pressa e não me deixa pegar tudo que preciso!
– Minha culpa? Vamos ver... O que foi mesmo que você esqueceu que é tão importante assim?
– A minha camisa coral que gosto de usar com aquela calça cinza bem clarinha, sabe? Eu deixei em casa e quero usar daqui a pouco quando formos jantar. – passava das 18h.
– Eu não acredito que você me trouxe aqui por causa disso! Não é possível. Você não tem mais nada pra vestir? – o carro adentrava o estacionamento.
– Foi você quem disse que se esquecêssemos de alguma coisa poderíamos comprar aqui.
– Não uma camisa, quando você tem um monte de opções de roupas para vestir!
– Agora a gente já está aqui. Não vai fazer diferença.
Rodaram pelo shopping por um pouco mais de meia hora, mas Tonny dizia não gostar de nada só de olhar para a vitrine, nem se indignava a entrar para perguntar se tinha algo semelhante ao que queria.
– Você vai me fazer ficar rodando igual a uma barata tonta até quando? – Carlos estava visivelmente irritado.
– Eu acho que não vou encontrar nada mesmo pra mim aqui. – Carlos suspirou derrotado por ter perdido tanto tempo – Vamos à praça de alimentação, quero comer fast food. – puxou o executivo pela mão.
Carlos nem estava acreditando que aquilo estava acontecendo. Parecia um pesadelo. Tudo que ele queria era sair daquele maldito shopping, na verdade não queria nem ter entrado.
Depois que pegaram seus pedidos – o executivo decidiu comer também – sentaram-se para fazer a refeição.
– Preciso ir ao banheiro. – avisou Tonny – Me espera aqui que eu já volto. – Levantou antes de terminar o próprio lanche.
O publicitário demorou uns 20 minutos na tarefa.
– Não é possível que você tenha demorado tanto no banheiro! – Carlos se queixou – O que é isso aí na sua mão. – apontou pra sacola. – Encontrou a porcaria da camisa?
– Não! Vi uma bermuda na vitrine que gostei e decidi comprar.
– Podemos ir agora?
– Podemos, claro.
Depois de chegarem ao hotel, o casal se arrumou para sair pra jantar. Carlos se arrumou primeiro e saiu na frente, dizendo que tinha um assunto pendente em relação a estadia deles para resolver na recepção e o encontraria no saguão. Dez minutos depois de Carlos deixar a suíte, Tonny ouviu alguém bater à porta.
– Senhor, Anthony Gutierrez? – perguntou o homem de meia idade de paletó e gravata borboleta.
– Sim, sou eu.
– O senhor, queira me acompanhar por gentileza, vou leva-lo onde o seu marido te aguarda.
– Tudo bem. – disse surpreso, voltando apenas para pegar um embrulho.
Tonny não fazia ideia de onde estava indo, não sabia se era perto ou distante, se iam andando ou de carro, não sabia o que esperar. Mas não tinha coragem de perguntar ao homem, achava que ele não iria responder.
Caminhou, seguindo o homem, pela área da piscina até chegar à faixa de areia, depois andou por mais uns cinco minutos, até chegar numa ponte de madeira construída sobre a água, que culminava num quiosque ali, sobre do mar. O local estava belamente iluminado e decorado, tinha apenas uma mesa com dois lugares, e Carlos o esperava logo ali à frente.
O quiosque. Clique para ver a foto.
Tonny ficou completamente extasiado com a surpresa, nem de longe imaginava uma coisa daquelas.
– Você... Você é louco! Não acredito nisso!
– Louco por você, meu bem! Você gostou?
– Eu amei! Obrigada. – selou os lábios.
– Então vamos jantar, aposto que você está com fome. Eu estou morrendo. – sorriu.
Sentaram-se e o garçom veio com um carrinho e começou a servi-los. Comeram comidas típicas mexicanas: cochinita pibil – uma carne de porco marinada com colorau, laranja amarga e outros condimentos, cozida no forno dentro da folha da bananeira – além dos mais famosos, como a enchilada e os nachos.
– Eu também tenho uma surpresa pra você – disse Tonny de repente, quebrando o silêncio momentâneo, depois de finalizar o último prato servido.
– Uma surpresa pra mim? – Carlos ainda tinha um pouco de comida no prato.
– É. – pegou a caixa mediana branca embrulhada com um belo laço azul, que estava próximo aos seus pés e estendeu para o marido, que a pegou.
– Você chegou aqui com essa caixa na mão?
– Hunrum...
– E eu não reparei?!
– Pelo visto não... – riu.
Tonny chegou escondendo a caixa atrás do corpo, mas Carlos achou que ele estava apenas com as mãos pra trás e não maldou.
– Onde você arranjou isso? Você não tempo de... – a ficha caiu – Foi por isso que você inventou aquela história e me fez ficar rodando naquele shopping?! E eu caí direitinho! Está se saindo um belo mentiroso, senhor Anthony Moore-Gutierrez! – brincou Carlos.
– Eu aprendi com o melhor. Um dia eu chego ao seu nível. – piscou para o marido.
– O que tem aqui?
– Você só vai descobrir se abrir. Abre!
Carlos desfez o laço, puxou a tampa da caixa e olhou atentamente o que tinha dentro. O olhar incrédulo alternava várias vezes entre o rosto do marido e o conteúdo da caixa.
– Eu não acredito... Isso é... Isso é o que eu estou pensando? – indagou com a voz já embargada pela emoção.
Tonny apenas assentiu com a cabeça.
Uma lágrima pulou do olho direito do executivo, e logo outras acompanharam.
– Você tem certeza disso?
O publicitário novamente assentiu com a cabeça, seus olhos também já estavam marejados e as lágrimas ameaçavam cair.
Carlos retirou o primeiro conteúdo da caixa, um par de sapatinhos brancos de bebê, feito de lã. O executivo admirou o objeto como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Depois puxou uma chupeta transparente com desenhos de animais; sorriu completamente bobo enquanto observava bem de perto os pequenos contornos coloridos das girafas, ursos e pássaros que adornavam o objeto. Por último, retirou a peça que o deixou mais encantado e muito mais emocionado, fazendo seu choro intensificar: uma camisetinha branca, tão pequena, com um bordado na frente azul turquesa que dizia “Sou do papai”.
Carlos deixou escapar um soluço provocado pelo pranto – Eu vou ser pai? – indagou incrédulo, tirou os olhos da camisetinha relutante e encarou o marido.
– Vai, sim... – respondeu Tonny secando as próprias lágrimas em vão, já que outras caiam novamente – Nós vamos ser pais.
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