O espetacular Homem Aranha: Uma história

2 Cap 2 Não há nada mais incrível que o acaso!


— Ao que parece, o Cory já está estabilizado. — Disse tia May saindo da ala médica e indo até onde estava Peter, Ben e Cinthia.— Ainda não sabemos os danos que a bala pode ter causado, só teremos uma ideia a partir do momento que ele acordar.

— Ele vai ficar bem, não é mesmo, May? — Perguntou Cinthia. Ela chorava, seus olhos estavam vermelhos e ainda usava o pijama sujo de sangue da noite anterior.— Por favor, diga que o meu filho vai ficar bem.

Tia May olhou para aquela mãe desesperada, abriu a boca, mas nenhum som saiu. Ela abaixou a cabeça por um instante e voltou a erguer o olhar para Cinthia. Peter notou uma dó no olhar da tia e, ali, ele percebeu que a resposta não seria boa.

— Infelizmente ainda não sabemos. — May quase sussurrava. Peter conhecia bem a tia, algo de ruim aconteceu.— Como eu disse, só poderemos ter uma noção das consequências do tiro após o Cory acordar.

— Vai ficar tudo bem, Cinthia. — Disse o Tio Ben abraçando-a e lançando um olhar de como quem perguntava algo para May. Ela apenas balançou a cabeça negativamente. Peter tremeu por dentro.

— Cinthia, vou pegar um copo d’água para você. — Disse a tia May indo até a máquina de água.

— Isso é tudo culpa minha. — Se penalizou Cinthia.

— Claro que não. — Disse enfático o tio Ben.— Não se culpe pelo que aquele homem fez.

— A culpa é minha, Ben. Quem obrigou o meu filho a conviver com aquele homem fui eu. — Ela se desvencilhou dos braços do Tio Ben e encarando-o em lágrimas continuou.— Eu sou um lixo como mãe. Eu convivi anos com um homem que sempre esteve à um passo de fazer o que fez, eu sabia que um dia isso iria acontecer e mesmo assim continuava aceitando o que aquele homem fazia, pensando comigo mesmo que enquanto ele era violento apenas comigo, estava tudo bem.

— Já disse, Cinthia. — Tio Ben pôs as mãos no rosto da mãe de Cory e seguiu.— Quem era violento era aquele homem, quem atirou foi ele. A situação que você estava era de dependência emocional.

Peter apenas olhava aquilo tudo. Tio Ben continuou.

— Lembre-se disso, O Matt é o único culpado. O seu estado de depressão também é culpa dele e de todas as violências que ele cometeu contra você. Nessa história, você e o Cory são vítimas.

As palavras do Tio Ben acalmaram Cinthia, ela continuou chorando, mas de forma mais contida. Tia May chegou com água em seguida e, depois, a muito custo, convenceram aquela mãe destroçada a ir para a casa dos Parkers e descansar.

Peter, depois de certa insistência, conseguiu autorização dos tios para ficar no hospital durante um pouco mais de tempo, Tio Ben voltaria mais tarde para buscá-lo.

Ali, sentado, ele parou pela primeira vez desde que ouviu aquele grito:

“CORYYYYYYYYYYY”

Desde a noite do dia anterior aquele som estridente não saía da sua cabeça, repetindo-se em um ciclo excruciante, como um tornado girando no mesmo lugar. Seu amigo, o único amigo, quase havia partido e, mesmo naquele momento, o pior ainda poderia acontecer. Durante anos ele viu Cory usando roupas longas para esconder hematomas, se antes, isso era apenas uma suspeita, agora era uma certeza e, mesmo diante das suspeitas, ele nunca contou nada a ninguém, nem sequer perguntou ao amigo se estava tudo bem. Sim, não era Cinthia a culpada, era ele. Talvez assim como o homem que atirou, ele também devia estar preso.

Peter afundou-se no banco e as lembranças da noite anterior voltaram com tudo. Era uma noite de chuva quando Parker chegou à casa de Cory junto aos tios, o lugar estava cercado de viaturas policiais, o barulho das sirenes era ensurdecedor, pessoas curiosas observavam aos montes na rua. Peter e os tios tentaram se aproximar, mas era em vão, nem a multidão, nem a polícia os deixariam chegar perto da casa onde aconteceu o crime. No entanto, aproximar-se não era necessário para sentir o ambiente de tragédia, sentir que o seu amigo poderia ter ido embora para sempre. Peter vagou o olhar por todos os lados, observando cada expressão, cada gesto, cada movimento daqueles curiosos. E ali, no meio da multidão, chorou. A chuva no seu rosto disfarçava as lágrimas que escorriam pelo sua face. Em seu âmago, a tristeza misturava-se com a culpa e, o ódio lutava para brotar. Ódio de tudo aquilo, Da multidão, de Flash, de Matt, de Cinthia e até de si mesmo. Diante daquilo, cerrou os punhos. O ódio a aquele mundo talvez fosse inevitável

— Não fique assim, filho, vai ficar tudo bem. — A voz de Ben o puxou de volta a superfície. Sentiu em seguida os braços do tio o envolverem, como quando era apenas uma criança e tinha um pesadelo. Ali, o ódio desapareceu. Um mundo que tinha alguém como o tio Ben, não poderia ser tão horrível assim. Aquele abraço, aquelas palavras, foram como um sopro de esperança, tudo terminaria bem, Cory estaria bem. Não estava.

Quando tia May finalmente conseguiu a informação de que Cory havia sido levado para o hospital do bairro, o mesmo no qual ela trabalhava, os três partiram direto para lá. A madrugada aproximava-se do fim quando chegaram, o despertar já barulhento da cidade contrastava com o silêncio dos três no carro a caminho do hospital. Peter observava as pessoas vivendo suas vidas normalmente, acordando, indo para o trabalho, à escola como se nada houvesse ocorrido naquela noite. Esse foi o primeiro momento que Parker percebeu o quão irrelevante é a sua vida, a vida do seu amigo, a vida de todos que conhecia diante de todas aquelas milhões de vidas apenas em Nova York. Ali, pela segunda vez, chorou.

— Peter. — Ele retornou. Tia May o olhava preocupada. Havia se perdido nas memórias das horas anteriores. Entretanto, ali estava ele, ainda naquela cadeira de hospital. O lugar estava mais movimentado. Peter não havia percebido, mas havia mergulhado por quase duas horas nos seus próprios pensamentos.

— Oi? — Peter ainda estava um pouco perdido.

— Querido, você não está cansado? Vem comigo, quero te levar para comer algo. — May estava claramente preocupada.

— Não estou com fome. — Disse Parker desviando o olhar para baixo. Sim, ele estava com fome e cansado, não tinha comido, nem dormido aquela noite.

— Mas precisa comer. — A tia se sentou ao lado do sobrinho e acolheu sua mão entre as delas.— Escuta, não vai ajudar o Cory você deixar de lado a sua saúde.

— Eu só não quero. — Peter a encarou firme.

— Não é hora disso, Peter. — O tom de May era ainda mais firme.— O que você acha que o Cory vai pensar quando acordar e ver você em um péssimo estado?

— Ele vai acordar? — Questionou Parker.

— Mas é claro que vai. — Respondeu May convicta.— O Cory é forte, ele vai acordar com toda certeza, pode acreditar.

— A sua cara quando a Cinthia estava aqui não mostrava isso. — Rebateu Peter.

May parou por um instante, olhou o sobrinho, deu um leve suspiro e disse:

— Serei honesta, querido.

— Eu sabia. — Disse Peter afastando a mão das de May e olhando para baixo já prevendo o pior. Ela continuou:

— Olha para mim, por favor. — Peter continuou a olhar pra baixo. A tia gentilmente pôs a mão em seu queixo e direcionou seu rosto para olhá-la.— Espere eu terminar, tá bem?

— Tá bem. — Disse Parker bem baixinho.

— Ele vai acordar, isso é uma certeza para nós, porém... — Era justamente o “porém” que preocupava Peter.— A bala acertou uma região bem... digamos, perigosa.

— Como assim? Não estou entendendo. — Disse Peter confuso.

— A bala acertou a coluna. — O jovem Parker compreendeu.— E pelo local... ainda não temos certeza, mas é provável que ele não volte a andar.

Peter engoliu em seco.

— Quão provável? — Perguntou.

— 80%. — Respondeu May.— Sendo otimista.

— Entendi. — Peter estava desolado.

— Não é o fim do mundo, querido. — Iniciou May.— Não enxergue a situação dessa maneira, por favor. O Cory continuará tendo toda a vida pela frente.

— O sonho dele era se tornar jornalista. — Interrompeu Peter.

— E ele será, tenho certeza disso. — Afirmou plenamente convicta May.

— Será mesmo? — Questionou Parker.

— Claro que sim. — A tia estava claramente chocada com o questionamento do sobrinho.

— Desculpa, tia May. — Começou Peter.— Mas não consigo, apenas não consigo.

Pela terceira desde que ouviu o grito, ele chorou. May compadeceu-se e abraçou Peter, dizendo baixinho para ele.

— Acredite, você como amigo vai ser fundamental para a recuperação dele, consegue entender isso? — Parker murmurou concordando.

Por algum tempo, os dois ficaram ali, abraçados. O conforto passado pela tia fortaleceu Peter. Com a cabeça no lugar, ele pode perceber a razão nas palavras de May. Realmente, o amigo precisaria dele, e ele estaria lá para Cory, não importa o que acontecesse.

---o---

A noite já pairava no horizonte quando tio Ben voltou ao hospital. Peter passara o dia inteiro lá. Agora, finalmente compreendia o cansaço da tia May. Pacientes e mais pacientes passaram por ele ao longo das horas, pessoas desesperadas, sofrendo, por si ou por entes queridos, outras, completamente desamparadas. Tudo aquilo era angustiante.

No estacionamento, a caminho do carro, Peter observou por alguns instantes o lugar, poucos sons além das sirenes das ambulâncias eram perceptíveis. Naquele momento pensou, finalmente, que apesar da dor que sentia pelo seu amigo, a dor de todas as pessoas que viu durante o dia lhe eram estranhas, que mesmo entendendo que todos ali estavam passando por momentos difíceis, até se compadecia, mas não muito mais que isso, nem sequer se lembrava de algum rosto em específico. Por fim, sentiu-se um egoísta. No entanto, era provável que todas aquelas pessoas não se lembrassem do seu rosto também, ou de Cory, ou de Cinthia. Concluiu então que todos eram um pouco egoístas também. Isso o fez pensar que todos aqueles médicos e enfermeiros, lá, lutando por vidas, perdendo o sono e, até em alguns casos a própria saúde, eram realmente incríveis, talvez o mais próximo dos heróis do cinema que tanto gostava.

“Alguém que se sacrifica em prol do próximo” pensou Peter. “Infelizmente não tinha talento para isso”

— Pensativo, não é? — Disse Tio Ben de pé, ao lado da porta do motorista do carro, já aberta.

O jovem Parker saiu de seus devaneios e olhou para o tio.

— Aconteceu muita coisa hoje. — Disse o garoto, estava cansado.

— Sim... — Ben deu um longo suspiro.— Mas tudo vai melhorar.

— A tia May disse que provavelmente o Cory não vai mais andar. — Contou Peter abrindo a porta do carro e sentando-se no banco do carona.

— Ela contou para você? — Ben também entrou no carro. A voz dele entregava que não estava surpreso.

— O senhor já sabia? — Perguntou o jovem Parker.

— Sabia. — Tio Ben girou a chave na ignição, ligando o carro.— A May já havia me contado.

Peter ficou um pouco aborrecido.

— Não fique assim, filho. — Ben passou a mão nos cabelos do sobrinho.— Não tínhamos certeza de que você entenderia a situação.

Peter bufou em contragosto.

— Olha, Peter. — Falou o tio.— Apenas não sabíamos se você compreenderia que não era o fim do mundo, sabe? sua tia já deve ter lhe explicado.

— Já sim. — Respondeu o sobrinho conciso.

— Então... imagino que se a May contou, ela considerou você pronto para lidar com isso. — Ben saiu com o carro.

— Ela disse que tenho que estar pronto. — Iniciou Peter.— Que o Cory vai precisar muito de mim, mas não sei se estou pronto de verdade.

Ben deu um pequeno sorriso de compreensão e disse:

— É natural não se sentir preparado, filho. Mas o que fazemos em situações como essa é que mostra quem somos. Estar do lado de quem nos importamos nos momentos difíceis é a maior prova do nosso amor. — Ben continuou. — Não saber o que fazer diante do novo é o normal. Mas ali, no momento em que apesar da dor que sentimos, sabemos que a dor da pessoa que é importante para nós é maior, torna-se nossa missão ser a base que faz a vida de quem amamos mais fácil.

— Então, basicamente, tenho que ser forte. — Disse Peter entendendo.

— Exatamente. — Disse Ben sorrindo.— Mas não se preocupe, nós, eu e sua tia, vamos estar lá para te ajudar. Você não estará sozinho.

Peter olhou para o tio e, naquele instante, sentiu-se feliz por tê-lo na sua vida, ele podia até não trabalhar em algo que salvasse pessoas o dia inteiro, mas para Peter, pelo menos para ele, Benjamim Parker era um herói.

— Obrigado, Tio Ben. — Disse Peter.— Por apenas ser quem você é.

Ben sorriu novamente e concluiu.

— Obrigado você por ser meu filho, Peter. — Mesmo que não fossem pai e filho de verdade, o jovem Parker agradecia por ser criado por May e Ben. Ele nunca conseguiria imaginar sua vida sem os dois.

— Inclusive. — Iniciou o tio.— Quando vai ser mesmo aquela exposição que vocês queriam ir?

— A do Lancel? Em uma semana. — Respondeu Peter.

— Você ainda vai, não é? — Perguntou Ben.

— Depois do que aconteceu? Sem chance. — Foi enfático o jovem Parker.

— Eu acho que seria bom você ir. — Aconselhou o tio.

— Acha? — Peter assustou-se. Não conseguia ver sentido naquilo.

— Acho sim. — Começou Ben.— O que vai dizer ao Cory quando ele acordar e descobrir que você perdeu a maior convenção dos últimos tempos?

— É exposição, tio Ben. — Peter deu um pequeno sorriso. Não lembrava já havia sorrido desde aquele fatídico momento.

— Sim! Isso mesmo, exposição. — Falou em tom mais animador o tio.— Afinal, quem vai contar ao Cory todos os detalhes do que aconteceu lá? Se ocorrer algo incrível e ele não ficar sabendo, já posso ver a cara de furioso que ele vai fazer.

— Tem razão. — Ponderou o sobrinho.

— Então... decidido, não é? — Ben encarou Peter esperando a resposta.

— Sim, Tio Ben. Decidido. — Finalizou Peter.

— Ahhhh já iria me esquecendo, leve sua máquina. — Salientou o tio.

— A fotográfica? Mas pra quê? — Questionou Peter, sem entender.

— Como assim pra quê? — Rebateu Ben, fazendo uma expressão de quem disse algo óbvio.— Contar o que aconteceu com fotos na mão é bem mais legal, não concorda.

Peter pensou por uns segundos e, por fim, respondeu.

— É... concordo. Vou levar sim.

O carro seguiu pelas ruas de Nova York que, como sempre, estava bastante movimentada. Mesmo não estando nas vias mais importantes, a cidade que nunca dorme seguia sem parar. As pessoas viviam suas vidas como em qualquer outro dia, carros passavam uns pelos outros, parando nos semáforos quando o sinal estava vermelho, seguindo seu caminho quando ficava verde, tudo como mais um dia comum. No entanto, o que Peter, Ben ou qualquer outro não esperavam é a mão do acaso em suas vidas. Por um pequeno momento, não mais que um mero segundo, o carro dos Parkers cruzou um outro em específico, nesse carro, Lancel Ferguson dirigia na via contrária, no caminho para a Oscorp. Em uma semana, a vida de todos eles iria se cruzar e, mudar para sempre.

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Quando Lancel chegou à Oscorp, já era mais de oito da noite. Naquela noite fria, o cientista estava usando dois casacos. Quando saiu do carro, notou pingos de chuva começando a cair, pensou que se o volume d’água aumentasse seria melhor dormir na empresa mesmo.

Tinha ido até lá apenas dar uma olhada para ver se estava tudo bem. Era o décimo segundo dia seguido que fazia isso. Algo, em seu íntimo o perturbava, não sabia explicar o quê. Sua esposa, Camila, acreditava que era só mais uma das suas paranoias atacando-o. No entanto, Lancel sentia que não estava tudo bem.

Caminhou em direção a entrada da Oscorp. Lá, na frente da porta principal, quatro homens estavam de pé, eram os seguranças. Se estivesse vendo aquilo, o cientista tinha certeza, Camila engrossaria o discurso de que ele estava louco. Mas não era loucura. Apesar de ser um renomado cientista, com tantas grandes pesquisas, algumas ainda mais famosas que aquela com a qual estava tão preocupado, não deixava de sentir que algo imenso viria daquelas doze aranhinhas.

— Boa noite, sr. Ferguson. — Disse um dos seguranças quando Lancel se aproximou.

— Boa noite, Johnson. — Respondeu educadamente Lancel.— Olha eu aqui mais uma vez tarde da noite.

— Continua preocupado com a pesquisa, não é mesmo? — Perguntou Johnson dando um sorriso.

— É... minha mulher acha que estou ficando maluco. — Disse em tom de piada o cientista.

— Se eu estivesse fazendo algo tão importante. — Iniciou Johnson. Eu também me preocuparia.

— Não precisa tentar me consolar, Johnson. — Sorriu levemente agradecido Lancel.— Pelo menos alguém não achava que ele estava doido.

— Não tô fazendo isso não senhor. — Falou apressado o segurança.— É realmente o que penso. Inclusive, sr. Ferguson, pedi a um dos agentes daqui da área externa para ficar em frente a sua ala do laboratório durante toda a noite. O nome dele é MacDonald Gargan, mas geral aqui só o chama de Mac mesmo.

— Meu Deus. — Disse surpreso Lancel.— Muito obrigado, Johnson. Você é um bom amigo.

Lancel deu um abraço no segurança que ficou levemente embaraçado com a situação.

— Que isso, sr. Ferguson. — Disse Johnson vermelho.— O sr. é uma ótima pessoa e eu só quis ajudar hahaha!

— Ainda assim, muito obrigado.

Lancel entrou na Oscorp. Lá dentro também estava frio, mas o ambiente, além de não haver as gotas de chuva, estava mais ameno. Não perdeu muito tempo por ali devaneando, afinal de contas, só viera olhar se estava tudo bem com as aranhas e já iria embora.

Quando chegou em frente ao laboratório, pôde ver o sr. Gargan. Era um homem bastante alto e forte, dos seguranças da Oscorp que conhecia, sem dúvida o que mais se destacava nesses atributos.

— Boa noite. Gargan o seu nome, não é? — Saudou amigável Lancel.

— Oh, olá sr. Ferguson. — Disse nervoso o homem.— O sr. Johnson me designou para fi...

— Se acalme, rapaz. — Tranquilizou o segurança o cientista. Ele já me avisou, não precisa ficar afoito desse jeito. Vim apenas checar se estava tudo certo com a pesquisa, sua presença aqui até me tranquiliza mais.

— Ufa hahaha! Desculpe a situação. Sou novo aqui e não queria criar nenhum mal-entendido, sabe? — O homem continuou, claramente afoito.— Ainda mais com alguém tão importante quanto o senhor.

— Que importante nada. — Disse Lancel.— Sou apenas um cientista. Uma pessoa tão comum quanto você ou o Johnson ou, até mesmo, Norman Osborn.

— Comum? O senhor? Meu Deus, claro que não. — Voltou a falar, ainda afoito Gargan.

— Mac, posso te chamar assim, não é? — Gargan balançou rapidamente a cabeça em sinal positivo.— Se tem uma coisa que eu aprendi com os meus anos de trabalho, é que somos todos, sem exceção, bem comuns.

— Isso soou bastante inteligente. — Disse o segurança com uma expressão de admiração.

— Hahahaha! Mesmo? Talvez seja esse meu único traço de inteligência mesmo, conseguir ver o quão comum são as pessoas.

— Espero que se um dia eu tiver filhos, tenham metade da inteligência do senhor. — Falou Gargan ainda mais admirado.

— Pois tomara que sejam dez vezes mais. — Concluiu Lancel, para o riso de Mac.

— Rindo com os subalternos, Lancel? — Disse uma voz enfadonha inconfundível na entrada do corredor em que estavam o cientista e o segurança. Quando se virou, Ferguson pôde ver aquela figura esguia caminhando até eles.

— Olá, Farley. Aqui essa hora da noite? — Disse Lancel tentando disfarçar o desprazer em encontrar Farley Stillwell, outro cientista da Oscorp e, grande rival, na cabeça dele próprio, de Ferguson.

— Os gênios não têm hora para parar, não concorda, Lancel? — O tom debochado era quase que natural de Stillwell.

— Não tanto. — Disse Ferguson. Queria acabar com aquilo o mais rápido possível.

— Então qual o motivo de estar aqui? — Questionou enfático Farley.

— Só vim checar umas coisas. — Respondeu pragmático Lancel.

— Checar umas coisas? — A voz debochada daquele homem alinhada ao sorriso peçonhento irritava um pouco Lancel.

— Sim! Não posso? — Ferguson foi mais agressivo do que gostaria.

— Mas é claro que pode, Lancel. — Disse, agora com um largo sorriso no rosto Stillwell. — Não precisa ficar irritado.

— Só estou um pouco cansado, Stillwell.

— Oh sim, sim. Cansado, com toda certeza. — Ele passou a gesticular. Lancel pensava que aquele homem estava sempre atuando.— Todos os seus gestos, trejeitos e falam pareciam calculados. Imagino que a pressão da falha esteja pairando a todo momento na sua cabeça, não é mesmo?

— Ah Stillwell, quanto a isso não precisa se preocupar. — Lancel usou o mesmo tom que Farley.— Quando eu estiver sendo ovacionado na próxima semana, vou até citá-lo entre os agradecimentos, obviamente se eu me lembrar.

O sorriso de Farley oscilou, mas não desapareceu.

— Ah Lancel, nunca se sabe o dia de amanhã, não é mesmo? — Os olhos de Stillwell brilhavam.— O futuro sempre pode nos surpreender.

— O que você está querendo dizer com isso? — Questionou, voltando a um tom mais firme Lancel.

— Eu? Nada. — Desconversou Stillwell. Mas estamos sempre nas mãos do acaso, não acha?

Lancel sentiu um arrepio.

— Fale o que quer de uma vez. Sem joguinhos. — Pediu sério Ferguson.

— Oras, meu amigo. Não quero dizer nada que eu já não tenha dito.— Mais uma resposta turva. — Apenas não há nada mais incrível que o acaso.

Os dois se encararam por um segundo, desafiantes.

— Muito bem, acho que já vou indo. Até mais Lancel e... segurança. — Finalizou Stillwell dando meia volta e indo embora.

Lancel ficou preocupado novamente. Farley estava claramente tramando algo contra sua exposição com toda aquela ladainha de acaso. Pensou que agora, mais do que nunca, a presença de Mac ali séria crucial.

— O que foi isso? — Perguntou assustado Gargan. Havia ficado calado em toda a discursão entre os cientistas.

— Essa é a relação que eu e ele temos. — Disse bufando de cansaço Lancel.

— Mas por qual razão? — Questionou com a mesma expressão de assustado de sempre o segurança.

— A Oscorp destina a maioria dos recursos a minha pesquisa. — Iniciou Ferguson.— Mas, se algo der errado, a minha é descartada e a dele passa a ser a principal, entendeu?

— É... até no mundo dos inteligentes existe essas picuinhas. — Disse Mac cruzando os braços e balançando a cabeça em compreensão. Lancel sorriu e foi entrando no laboratório.

— Só vou dar uma olhada rápida, certo, Mac. — Disse.

— Claro, Sr. Ferguson. — Falou abrindo caminho o segurança.— Ah Sr. Ferguson...

Lancel já havia entrado, mas olhou para trás perante o chamado de Gargan e disse:

— Sim?

— Sua pesquisa é sobre aranhas, não é? Mas e a dele? — Perguntou Mac.

— Se me lembro bem, algo sobre escorpiões. — Respondeu Lancel

— Hugh! Minha mulher odeia escorpiões. — Conclui MacDonald Gargan.

Ferguson sorriu e entrou. Ficou apenas quinze minutos no laboratório antes de sair e ir embora. Quando se dirigiu ao carro novamente, apesar do frio, não chovia. Ficou feliz de não chegar ensopado em casa. No entanto, as palavras de Farley Stillwell ainda o atormentavam. Por fim, decidiu que iria a Oscorp no dia seguinte novamente.

__o__

Uma semana depois

Quando acordou naquele fatídico dia, Peter Parker não se demorou na cama, levantou-se rápido e já conferiu se suas coisas estavam todas prontas, mesmo que já tivesse feito o mesmo nos três dias anteriores. Em seguida, deu um tapa no seu próprio visual. Achava que seus óculos, companheiro de tantos anos, não se encaixava bem para melhorar sua aparência, mas, infortunadamente, não enxergava nem a própria mão a sua frente sem eles.

Saindo do quarto, de mochila nas costas, o jovem Parker de cara com a tia May. Ela o olhou espantada e disse:

— Incrível! Já de pé, filho.

— Eu sempre acordo cedo, Tia. — Falou Peter se defendendo.

— Mas nunca tão disposto assim. — Disse May sorrindo e dando um beijo na testa do sobrinho.

Peter desceu as escadas casa em direção a cozinha. Pensou então que realmente May tinha razão, ele estava muito disposto aquele dia. Desde o dia da tragédia, o jovem Parker havia estado bem desinteressado de tudo. Só voltou a frequentar o colégio há dois dias e, estava apenas afastado do resto das pessoas, incluindo Flash e seus capangas, que o haviam deixado em paz até então.

Na cozinha, Tio Ben tomava seu café da manhã enquanto lia seu jornal. Um bolo de Cenoura com chocolate estava sob a mesa, Peter imaginou que a Sra. Watson o trouxera. Então saudou o tio sentando-se à mesa

— Bom dia, Tio Ben!

— Bom dia, filho! Pronto para o dia da exposição? — Ben fechou o jornal e olhou sorrindo para o sobrinho.

— Prontíssimo. — Mostrou a mochila cheia. O jovem estava animado.

— Olha só hahaha! — Riu o tio tamanho o exagero.

— E esse bolo aqui hein? — Perguntou Peter já pegando um pedaço.

— A Sra. Watson que trouxe. — Começou Ben.— Ela também estava bastante preocupada com você.

Peter sorriu e disse:

— A Sra. Watson é demais.

— E falando em Sra. Watson, ela me disse que a filha vai vir um pouco mais cedo nas férias anuais para cá. — Disse Tio Bem.— Vamos finalmente conhecê-la, não é ótimo.

— A Margarida, não é? — Falou Parker. Sempre esquecia o nome da garota.

— Margarida? Não hahaha! — Gargalhou o tio Ben.— O nome dela é Mary Jane.

— Issoooo!!! Verdade, Mary Jane. — Disse Peter fazendo um estalo com os dedos, como de quem lembra de algo.

— Melhor você tomar cuidado, hein, filho. — Avisou o Tio sorrindo.— Imagina só a cena. Você conhece a garota e chama ela de Margarida hahaha!

— Ainda falta muito tempo para ela vir. — Disse o jovem.— É óbvio que vou esquecer o nome dela.

— Vai passar vergonha então hahaha! — Debochou Ben.

— Não se o senhor me relembrar todo santo dia o nome dela. A propósito, essa vai ser a sua missão.

— Minha missão? — O tio riu.

— Exatamente. Te nomeio Ben, responsável por relembrar á Peter Parker o nome da garota esquisita.

— Não fale assim dela, Peter. — Deu uma bronca o tio. Mas sabia que era só brincadeira da parte do sobrinho.

— Tá bem, tá bem.

Em todo caso, Pensou Peter, ainda faltava muito tempo para as férias anuais. Estavam em outubro, as férias só começariam em maio. Então, esse não era um assunto para se preocupar agora.

Quando finalmente terminaram o café, Tio Ben se ofereceu para levar o sobrinho na Oscorp. O dia estava ensolarado, algo incomum naquela época do ano. O jovem esperava que aquilo fosse sinal de um bom dia.

Quando chegaram em frente a Oscorp, uma multidão se aglomerava na entrada, apesar de faltar cerca de duas horas pro evento em si. Peter assustou-se. Começou a ter dúvidas se realmente conseguiria entrar. Tio Ben teve de parar o carro um pouco mais distante para evitar toda aquela gente. Antes do sobrinho descer, inclusive, perguntou:

— Não quer que eu espere um pouco, filho?

— Não precisa, tio. — Respondeu Peter já saindo do carro.— Tá tudo bem.

— Ei, Peter. — Chamou Ben. O jovem Parker olhou pra trás.— Divirta-se. Te amo.

— Pode deixar. — Falou o garoto sorrindo.— Também te amo.

Enquanto se dirigia para a multidão, Peter viu o carro do tio se afastando até não conseguir mais enxergá-lo. Voltou a atenção totalmente para a quantidade de pessoas que teria que enfrentar para entrar. Sentiu à vontade que Cory também estivesse ali, ao seu lado, apesar de saber que, naquele momento, isso não era possível. Apertou, quase que por instinto, a máquina fotográfica que levava no pescoço. Sabia que deveria fazer o que tivesse ao seu alcance para que quando o amigo acordasse, pudesse se sentir o mais próximo possível de ter estado na exposição.

Se misturou aquela massa de pessoas. Sentiu umas cotoveladas ali e aqui, uns empurrões lá e cá, uns puxões de um lado e de outro. Mas seguiu em frente. Quando avistou a porta de entrada da Oscorp havia mais de vinte seguranças parados, de braços cruzados e mal-encarados.

Faltava muito tempo para as portas serem abertas. O sol anormalmente quente daquele dia castigava. O calor, ainda mais no meio daquela multidão estava agoniante, mas, por pior que fosse estar ali, Peter não daria meia-volta. Aquele seria um dia legal, ele tinha certeza, e não desistiria de um dia bom naquele momento por um mero calorzinho.

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A multidão já aguardava do lado de há uma hora e meia, restavam trinta minutos de espera. Dentro da Oscorp já estava tudo pronto. Lancel encontrava-se ansioso, um pouco nervoso também, mas nada diferente do normal para um momento que tanto aguardou.

Observou o salão da Oscorp montado para a exposição e permitiu-se orgulhar de si mesmo. Havia ido todos os dias daquela semana a empresa a noite sempre checando se estava tudo bem com as doze aranhinhas da sua pesquisa e, agora, enfim, após tanto esforço e dedicação tudo se encaminhava para o momento derradeiro.

Nesse momento, a porta do elevador se abriu, ele olhou e lá vinha em sua pose de sempre Farley, mas dessa vez não estava sozinho, ao seu lado, o dono da Oscorp, o homem que havia tornado tudo aquilo possível, alguém que Ferguson admirava.

Norman Osborn caminhava altivo como sempre, terno alinhado, cabelo perfeitamente penteado, barba bem-feita, um verdadeiro gentleman. O que aquela pose escondia era o empresário afiado e perspicaz que havia nele. Lancel sabia que, ainda que por trás daquela figura admirável, que constantemente ajudava instituições de caridade e oferecia cursos profissionalizantes grátis para jovens com potencial, existia o homem que não tolerava prejuízo. Por conta disso, aquela exposição não poderia ser outra coisa que não perfeita.

— Olha o homem da noite, ou melhor, do dia. — Exclamou Norman ao subir no palco em que Lancel estava.

— Bom dia, Norman. — Cumprimentou Ferguson.— Farley. — Fez um pequeno aceno com a cabeça para Stillwell, ao qual, este retribuiu igualmente com aquele sorrisinho de sempre.

— Ótimo dia, Lancel, um ótimo dia. — Osborn pôs a mão no ombro de Ferguson e seguiu.— E então, conseguiu dormir essa noite?

— Bem pouco. — Disse Ferguson dando um suspiro.— Mas faz parte, não é?

— Sim, faz. — Respondeu Osborn.— Só espero que não esteja nervoso a ponto de atrapalhar a apresentação.

— Oh Norman. — Intrometeu-se Farley.— Nunca que o nosso cientista estrela estaria nervoso, não é mesmo, Lancel? Diz pra ele. — Irritante como sempre.

O rosto de Ferguson contorceu-se, Osborn notou.

— Cale-se Farley, não seja inconveniente. — Disse tentando apaziguar a situação, mas sendo firme Norman. Não ligue para ele, meu caro. Não se esqueça, o dia é seu. Farley só está com inveja.

— Inveja? Eu? — Indignou-se Stillwell.

— Sim, Norman, eu sei. — Falou Lancel com um sorriso agradecido

— Exato, Farley. Você mesmo. — Foi duro Norman

— Oras, estou ultrajado. — Exclamou Farley.

— Gente, vamos, hoje é um grande dia, não temos tempo para... — Tentou apaziguar os ânimos Ferguson, mas, Norman, com a mão, fez sinal para ele não se meter.

— Farley, escute aqui. — Começou imponente Osborn.— Ou você cala essa sua boca e some desse palco agora, ou mando os seguranças te arrastarem porta a fora daqui. O que você prefere.

Farley encarou Norman por segundos, os olhos em chamas, bufou e desceu do palco em direção aos assentos na plateia onde ficariam jornalistas, outros empresários e executivos da Oscorp. Area essa que ficava de frente para o palco e entre este e o local destinado ao público geral.

— Como você aguenta conviver com esse homem todo dia, Lancel. — Perguntou Osborn.

— É um grande exercício de paciência. — Sorriu ao dizer Ferguson.

— Eu já teria socado a cara dele, meu amigo hahaha! — Riu Norman.

— Vontade não me falta, Norman, vontade não me falta.

— Pois agora esqueça aquela criatura e concentre-se na exposição. — Disse voltando a seriedade Osborn.

— Em nenhum momento deixei de estar. — Garantiu Lancel, confiante.

— É assim que eu gosto. — Sorriu Norman, gostando da resposta.

— Sr. Osborn. — Disse uma mulher, saindo do elevador. O empresário virou-se.

— Sim, Felicity, o que houve? — Perguntou.

— Os acionistas já chegaram, o esperam na sua sala. — Respondeu a mulher. Seu nome era Felicity Jones. Havia sido contratada há dois meses, tinha apenas vinte anos. Lancel, pelo pouco que percebeu, a considerava competente, mas, pelo que conhecia de Norman a contratação da moça se devia mais a qualidade física do que profissional.

Muito bem, Felicity, já vou indo. — Disse Osborn. Voltando-se para Ferguson, concluiu.— Boa sorte, Lancel. Que tudo ocorra bem.

— Obrigado, Norman. Ocorrerá. — Apertaram as mãos e o dono da Oscorp se foi.

Agora faltava pouco; a exposição logo começaria. Olhando para a porta de entrada, Lancel pôde observar a imensa quantidade de pessoas do lado de fora, ficou sentido por terem que enfrentar o forte sol por aquilo, mas feliz por haver tanta gente interessada em genética e ciência em geral. No entanto, algo em seu íntimo ainda o incomodava, não sabia explicar, mas incomodava. Farley sorrindo na plateia só piorava a situação.

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Finalmente as portas da Oscorp se abriram, as pessoas entravam como uma avalanche. Peter chegou a se assustar, prontamente protegeu a sua câmera para que nada de ruim acontecesse. E com o embalo da multidão foi arrastado para dentro da empresa. Lá, várias pessoas sentavam-se as cadeiras em frente ao palco. Conseguiu reconhecer Norman Osborn na primeira fileira. Também na primeira pôde ver Howard Stark, dono das indústrias Stark e rival de longa data de Norman. Algumas fileiras mais para trás, conseguiu identificar J. Jonah Jameson, dono do Clarim Diário, um dos maiores jornais de Nova York e lugar para onde havia mandado as fotos para o concurso. No entanto, outra figura, no palco, chamou a atenção de Peter. Lá estava ele, um dos homens que mais admirava, Lancel Ferguson e, ao seu lado, um grande viveiro de vidro coberto por um pano preto com as aranhas da sua pesquisa. A empolgação tomou conta de Peter e ele logo começou a tirar suas fotos.

— Bom dia pessoal. — Começou Lancel saudando todos os presentes.— Sejam todos bem-vindos a exposição da Oscorp.

O público atrás da plateia vibrou.

— Vejo que estão muito animados de estar aqui hoje hahaha! — Gritou Lancel em resposta a multidão.— Eu também estou muito feliz de estar aqui com vocês. Acredito que a maioria aqui imagine que essa pesquisa é só mais uma entre tantas que já desenvolvi e outras que tenho desenvolvido. Mas não, essas aranhas que logo exibirei a vocês são especiais. Mesmo que eu tenha divulgado há apenas um ano, essas pequenas aracnídeas são o trabalho de toda uma vida. Portanto, sintam-se agraciados por poder ver essa maravilha cientifica. Hoje apresento a vocês as doze aranhas que revolucionarão a ciência contemporânea.

Peter pensou em Cory nesse instante. no fim, não daria pra dizer qual dos dois ganhou a aposta. Resultados iriam ser divulgados, como Peter tinha cravado, porém, havia mais de um ano de pesquisa, algo que certamente Cory usaria para invalidar a vitória de Parker. Sorriu, seria divertido passar horas com o amigo argumentando sobre isso.

— Aqui, sem mais delongas, está o que todos vieram ver. — Gritou Lancel enquanto retirava o pano que cobria o viveiro. Entretanto, ao contrário dos gritos de empolgação que Peter esperava, ouviu-se um “ohhhhh” de decepção. Lancel pareceu confuso ao ver essa reação.

— Mas as aranhas... — Iniciou J. Jonah Jameson, levantando-se em um salto na plateia.— As aranhas estão mortas.

Peter ficou em choque. Lancel, pelo que o garoto percebeu também.

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Os dois, Peter e Lancel estavam atônitos, mas não apenas os dois, todos os presentes. Todos. Exceto um. Farley Stillwell sorria triunfante. A pesquisa de do Dr. Ferguson estava acabada. Entretanto, o que ninguém entre os presentes, nem mesmo Farley esperavam, é que a mão do acaso é simplesmente imprevisível.

— Mas só há onze aranhas mortas aqui. — Lancel emitiu para si mesmo essas palavras ao examinar com cuidado o viveiro.— Onde está a última?

Infelizmente, o cientista não teria essa resposta. Quase ninguém na Oscorp um dia chegaria a saber o que ocorrera e para onde fora aquela aranha. A única sobrevivente.

Peter Parker, passado o choque inicial, voltou a tirar fotos. Agora, da consternação que contagiava o ambiente. E, enquanto aquele garoto comum de dezesseis anos fotografava, o acaso descia do teto, de forma silenciosa, numa fina teia, de maneira quase imperceptível em direção a seu pulso. Se a exposição houvesse continuado, Lancel Ferguson teria explicado as mudanças que fez em cada uma das aranhas. Infortunadamente, Peter teria que descobrir essas mudanças de modo solitário, sem ajuda, ou atalhos, apenas por si próprio.

Em seu momento de destaque, a pequena criatura aracnídea fez seu grande ato. Assentou tranquilamente sobre a pulso direito de Peter Parker em um movimento ágil e certeiro de sua mandíbula, cravou suas presas. Entre tantos ali, o acaso pôs sua mão naquele garoto, sem nada de especial, apenas por um evento aleatório da vida.

O jovem Parker, por reflexo sacudiu a mão a dor da picada. Viu de relance a aranha desaparecer entre os muitos pés da multidão. Aranha que, mesmo que ainda não soubesse, mudara sua vida para todo o sempre.

À noite, já em casa, sentiu-se mal. Não ligou tal situação a aranha, estava muito desorientado para isso. Apenas dormiu. Seria a última noite comum que teria, o acaso havia agido, e assim como disse Farley Stillwell, “não há nada mais incrível que o acaso”.