O escolhido

9 Benjamin Woodwork


– Droga! — queimo meu dedo quando distraído pego na frigideira quente.
– Você está bem? — ela vem em minha direção e segura minha mão para verificar o estrago. Gentilmente puxo minha mão da sua.
– Estou sim, então você vai ter que ir pra Itália? Não tem como você ficar?
– Não, minha mãe disse que é punição por ter feito, bem,você sabe. — diz sentando-se no balcão.
– Ficado com ciúme e surtado na frente de várias câmeras? -Ela joga o pano de prato em mim. — Ei! É melhor se comportar ou nada de panquecas.
– Você não iria me deixar com fome, iria? -diz fazendo beicinho.
– Você não está com fome, já comeu lá no castelo, só gosta de me fazer de escravo. Como alguém tão pequena consegue comer tanto?
– Nao sei. — diz dando de ombros. — Sabe porque eu gosto de fazer voce de cozinheiro?
– Hum?
Ela desce do balcão e vem sedutoramente em minha direção.
– Porque você é a única pessoa que eu conheço, que fica lindo coberto de trigo.- sem que percebesse ela pega um punhado de farinha e joga na minha cabeça. — retiro o que eu disse.
– Ah é... — pego a calda e vou em sua direção.
– Não se atreva... Ben, não! — Tarde demais a calda já escorria pelos seus cabelos castanhos. — Você é um idiota.
Ela começa a me bater e rir ao mesmo tempo. Eu a abraço impedindo que ela continue a me atacar.
– Eu te odeio, sabia?
– Que nada voce me ama. — digo beijando-a
– Benjamin, você está em casa?
Amberly me empurra bem na hora que minha mãe entra na cozinha.
– Amberly? Meu deus o que aconteceu com vocês dois? — diz contendo um sorriso.
– Oi tia Marlee, foi só um acidente.
Logo atrás de minha mãe surgem duas cabecinhas loiras. Assim que elas me vem, dão um gritinho e correm para me abarcar.
– Ben! Porque só veio agora ver a gente. — pergunta Lilian, uma das gêmeas.
– A gente tava com saudade. — diz Julieta.
Eu me ajoelho pra ficar na altura das duas.
– Também estava morrendo de saudade, das minha gêmeas favoritas. — digo abraçando minhas irmãs com força.
– Credo você ta sujo de calda e trigo. — diz Julieta fazendo careta.
Elas finalmente reparam em Amberly.
– Oi Amberly. — dizem ao mesmo tempo.
– Oi meninas. Eu daria um abraço em vocês, mas estou suja de calda. — diz fazendo careta pra mim.
– Vem comigo querida. — diz minha mãe. — Eu arrumo uma ROUPA pra você. Quero a cozinha limpa Ben.
Antes de sumir, Ambs me da um sorriso vitorioso, por eu ter que limpar a cozinha sozinho.
– Olha Ben eu arranquei um dente.
– Nossa que incrível Lily!
– Voce e Amberly estão namorando? — pergunta Julieta.
– O que? Não! Claro que não.
– Estão sim. — rebate Julieta. — Você olha pra ela do mesmo jeito que o papai olha pra mamãe.
Eu a puxo para um abraço.
– Vem cá sua espertinha. Você anda vendo coisas demais.
– Porque não conta pros nossos pais? — pergunta Lily
– Escutem aqui espertinhas, vocês só tem oito anos e não deveriam se meter nos assuntos dos mais velhos.
– Ta tudo bem Ben, se não quiser que a gente conte, não vamos contar, até hoje eu não contei que a Lily gosta do Tommen Leger.
– Ei!
– Você o que?
As duas saem correndo para as escadas.
– Voces duas devagar.
Quando ouço a voz da minha mãe. Volto para a cozinha e começo limpar.
Ela surge na cozinha com sorriso e seu cabelos loiros reluzentes e me da um abraço apertado.
– Estou todo sujo mãe.
– não tem problema, estava morrendo de saudade do meu garotinho. — ela se afasta o suficiente para ver o meu rosto. — então me conte como foi em Londres. Alguma garota especial?
– Hã? O que? Não, nada de garota...
– Que bom.
– Nao era a senhora que dizia que queria netos?
– E quero, mas não com uma britânica, para vê-lo crescer longe. Quem eu gostaria de ter como nora é a Amberly.
– Ah é?
– Uhum, vocês iam formar um casal lindo.
Eu me afasto dela, pego um pano e começo a limpar a calda no chão. Não conseguiria mentir olhando em seus olhos, ela perceberia na hora.
– Já pensou nisso?
– Em que?
– Em namorar a Amberly.
É claro que sim, já estávamos namorando. Pensava até em me casar com ela, mas com a Ambs, tinha que ser bem devagar. Ela iria surtar se ouvisse falar em casamento.
– Não sei mãe. Não quer saber como foi em Londres.- digo tentando mudar de assunto.
– Claro querido.
Quando vou COMEÇAR a contar sobre os dois meses em que passei estudando em Londres, vejo Amberly descer as escadas. Ela está usando um antigo vestido da minha mãe, branco com rosas por todo ele. Está radiante e fico sem palavras por alguns segundos.
Minha mãe segue meu olhar e sorri quando vê Amberly.
– O vestido caiu muito bem em você querida.
– Obrigada tia.
Minha mãe olha para mim e da um sorriso suspeito.
– Então Amberly, você veio servir de cobaia para o meu filho? — diz olhando em volta para a cozinha bagunçada.
– Ben cozinha maravilhosamente, mas faz muita bagunça. — diz rindo. — Na verdade eu vim trazê-lo em casa era o mínimo que eu podia fazer depois dele ter gentilmente me acompanhado ontem.
– Ah sim.
– Eu já vou indo, tenho que terminar de arrumar minhas coisas.
– Venha sempre que quiser querida, adora as suas visitas e da sua irmã. — diz minha mãe abraçando-a
– Eu vou acompanha-la a porta. Depois eu termino de limpar
– Tudo bem querido eu termino. Até logo Amberly.
– Tchau.
Seguimos o corredor e quando chegamos a porta, eu puxo Ambs para ela olhar pra mim. Empurro- a contra a porta e dou um longo beijo.
– Queria que você ficasse. — sussurro com os lábios próximos aos dela.
– Eu também queria ficar. — diz roçando a boca na minha. — Vou sentir saudade.
Abraço-a sentido o aroma do seu cabelo.
– Amanhã a gente se vê. — diz descendo a escada da frente.
Eu balanço a cabeça confirmando.
Antes de entrar no carro, ela olha para mim e mexe a boca dizendo "eu te amo".