O escolhido
10 Pov. Olívia Illéa
Notas iniciais

Pela janela consigo ver Angeles ficando cada vez maior a medida que o jato pousa, começo a desafivelar o cinto. Confesso que ir estudar relações internacionais na universidade da Columbia, foi de certa forma libertador, sem câmeras por todos os lados registrando cada passo meu. Eu não era a princesa, era filha do conselheiro real, mas desde que descobriram que meu pai era descendente de Gregroy Illéa, passamos a receber a mesma atenção que a família real. Contudo eu sentia muita falta daqui, dos meus pais e amigos, principalmente da Violet que era como uma irmã pra mim.
Quando a comissária vem me dizer que já havíamos pousado e que logo eu poderia descer, não consigo evitar sorrir de estar em casa. Pego minha bolsa no assento ao meu lado e me dirijo a porta do avião, desço a escada e não muito longe vejo o carro preto esperando e parado em frente a ele uma garota ruiva com uma placa.
"Futura embaixadora sexy"
Eu me aproximo rindo de Violet, só estávamos nós na pista de decolagem e a placa era desnecessária. Bem a cara dela fazer graça de tudo.
– Garota qual teu problema? Por que você é assim? — digo rindo e abrançando minha cerejinha com toda a força.
– Angeles ficou em falta de limonada quando você foi embora limão.
Quando éramos crianças, apelidamos uma outra com o nome de uma fruta. Eu era o limão, porque ela dizia que eu era azeda as vezes com as pessoas, mas que com um pouco de doçura eu era a coisa mais incrível do mundo. Ela era a cerejinha. Quando ela tinha cinco anos, foi em meu aniversário de seis, naquela época Violet era uma criança rechonchuda e bem gulosa, adorava doces e não podia ver uma cereja em sua frente que ela devorava, o meu bolo de aniversário era rosa e cheio de detalhes, com várias cerejas, na hora do parabéns só tinham sobrado umas três, porque Violet tinha roubado as outras.
– Continua roubando muitas cerejas?
Ela da uma voltinha, mostrando seu corpo esbelto.
– Larguei esse vício, como pode ver.
Eu me aproximo dela imitando o olhar reprovador de Silvia
– Não sei não, ainda estou vendo umas gordurinhas.- digo e começo a cutucar a barriga dela, fazendo-a rir de cócegas.
– Para sua palhaça. — diz ainda rindo. — Vamos indo ainda temos muito o que fazer.
– Mal cheguei e já vai me fazer trabalhar?
– Mandei preparar uma coisa especial pra você, sua maluca.
– O que? — digo franzindo a testa
– Surpresa.
# # #
– Paint ball?!
Digo fazendo uma cara extremamente surpresa.
– Fiquei sabendo que você virou adepta desse esporte na Columbia, então quis fazer uma surpresa. — diz sorrindo — Deu um certo trabalho arranjar tudo, mas acho que deu tudo certo.
Olho maravilhada para o jardim, que foi transformado em campo de guerra, com vários entulhos para se esconder.
– Seus pais sabem?
– Não exatamente, eu disse que iria fazer uma pequena mudança no jardim por algumas horas.
– Pequena?
– É, tanto faz. Vem, vamos escolher as equipes. Pedi pro comandante Leger me emprestar algum soldados. — diz mostrando uns três soldados parados em um canto, incluindo aquele que estava com ela no aeroporto.
Além deles, está Amberly e uma garota loira que parece que vai vomitar a qualquer segundo.
– Liv, essa aqui é minha amiga Charlotte. — diz mostrando a garota loira. — Voce está bem Charlie?
– Eu tava pensando... Acho que não seria uma boa idéia mexer com armas e tudo mais. — diz ficando mais zonza.
– Ah tudo bem, se você não se sentir a vontade pode ficar olhando, mais tarde vemos um filme.
Ela balança a cabeça confirmando e segue para o mais longe possível do campo. Vejo que o soldado que foi nos buscar a segue com os olhos e quando percebe que estou encarando-o desvia o olhar.
– Vamos começar ou não? — Amberly pergunta com um olhar um tanto maníaca.
– Eu sei que você sempre quis usar uma arma, mas acho que pode esperar uns minutinhos, Ambs. — diz Violet. — Acho que irá ficar eu e Olívia em uma equipe, mais... Deixe eu ver, Louis.
O rapaz moreno, que foi me buscar no aeroporto e estava encarnado Charlotte se aproxima de nós.
– Uhul, vou ficar com dois soldados, esse jogo está no papo. — diz Amberly fazendo uma dancinha.
Violet se aproxima de mim e sussurra.
– Ainda é a melhor atiradora que eu conheço, né?
Não respondo, apenas dou um sorriso para ela e escolho uma arma. Se eu ainda era a melhor atiradora? Não gosto de me gabar, na verdade odeio pessoas que ficam se gabando, mas não ignoro o fato de que tudo que eu sabia fazer, eu sabia porque tinha ido atrás para aprender e fazer melhor.
Meus pais eram antigos rebeldes, e quando você é um rebelde, você é um rebelde até morrer, sempre fui ensinada a buscar o melhor de mim, se não estava bom o bastante eu corria atrás para melhorar, nunca dependi de ninguém e detestava a sensação de depender.
Antes do jogo começar, me aproximo de Violet e de Amberly e as ensino a recarregar a arma.
– Lembrem-se passem sempre um pouquinho do alvo quando mirarem, as chances de acertar são maiores e segurem a arma com as duas mãos, isso vai impedir que ela ricochete no rosto de vocês.
Amberly podia ser da outra equipe, mas não iria deixar que se machucasse só pra ter uma vantagem no jogo.
# # #
Violet e Amberly vão andando na frente e discutindo o jogo de hoje.
– Você é uma trapaceira — diz Violet dando um empurraozinho na irmã.
– Você que é boazinha demais. — diz Amberly rindo.
– Eu realmente achei que você tinha se machucado, da próxima vez vou deixar você caída.
– Vai nada, não conseguiria deixar sua irmãzinha ferida. — diz fazendo beicinho.
– Vou sim.
Fico observando as duas rirem e discutirem ao mesmo tempo e fico imaginando no quão bom seria ter uma irmã.
Chegamos em frente a uma porta, onde Amberly se despede e entra. Violet continua caminhando no corredor até chegar a porta do seu quarto, ela entra e eu a sigo.
– Seu quarto já deve estar pronto, mas pedi que trouxessem suas coisa pra cá, vamos fazer uma festa do pijama, como nos velhos tempos.
Dou uma olhada ao redor, não havia mudado quase nada nos últimos dois anos em que estive fora.
– Liv?
– Hum?
– Algum problema?
– Não, só estava pensando no passado, besteira, né?
– Isso tem algo a ver com seus pais não estarem aqui? Se quiser ficar aqui e esperar eles voltarem da Noruega, não tem problema.
– Imagina... Vim da Columbia pra acompanhar você Ví, vou ficar aqui mais alguns dias depois da Itália,pra ficar com meus pais.
– Então ta. Charlotte já deve estar chegando. Pode ir ligando a Tv, que os soldados trouxeram, e escolhe algum filme. Vou tirar a tinta de mim, você nem precisa, não foi atingida nenhuma vez. — diz rindo e entrando no banheiro.
Vou até onde a televisão está e começo a procurar um filme legal, no meio da pilha de DVDs que estavam perto da Tv.
Acabo escolhendo uma comédia. Vou até o armário onde ficam os lençóis e os travesseiros extras. Quando começo a puxar uns dois lençóis, algo amarelo cai em meus pés. Me abaixo para ver o que é. Ao que parece é uma peruca loira. O que você andou aprontando Ví?
A porta do banheiro abre e Violet, sai enrolada em uma toalha com os cabelos molhados.
– O que é isso? — digo mostrando a peruca pra ela
Ela encara o objeto na minha mão e parece um pouco envergonhada.
– Ah.. É só uma peruca.
– Isso eu to vendo, mas por que você tem uma peruca?
– Eu vou colocar uma roupa e a gente conversa sobre isso.
Ela entra no closet e depois de alguns minutos, sai vestindo uma calça jeans e uma camiseta.
– Entao?
– Não é nada demais, eu só queria ir em uma festa e não queria ter atenção voltada pra mim. — diz olhando pra baixo.
Acho que ela esperava que eu a repreendesse ou coisa do tipo, mas a única coisa que faço é rir.
– Para de rir. — diz jogando uma almofada em mim.
– Desculpa, mas você pareceu tão envergonhada que achei que tivesse feito alguma coisa errada. Violet, você é jovem tem todo direito de aproveitar festas, mesmo sendo herdeira do trono.
Ela sorri pra mim e nesse sorriso vejo que esconde mais alguma coisa.
– E o que mais?
– Mais nada.
– Cerejinha eu te conheço desde que nasceu, acho que sei quando está mentindo.
– Não é nada, eu conheci um garoto.
– Um garoto?
– Uhum, mas não foi nada demais, conversamos por alguns minutos, então tive que ir embora.
Olho para ela e vejo que tem mais algo,mas ela não quer continuar, sei que quando ela quiser me contar ela vai.
– Então vamos ver o filme?
– Vamos esperar a Char...
Ouvimos batidas na porta e logo em seguinda a tímida Charlotte entra no quarto.
– Bom agora podemos ver. — diz Violet sorridente e puxando Charlotte para se sentar perto dela.
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