Notas iniciais
Oi pimpolhos

17 de Outubro

Acordar hoje foi muito mais fácil do que em outros dias.

Tudo porque faltam apenas 18 horas, 43 minutos e 23 segundos para o show! E com o Chris! Tá, e com o Shawn, mas eu posso abandoná-lo e corromper o Chris para que ele fique o mais perto possível de mim.

O único problema?

– Lia, como vamos fugir das harpias, do Sr. D e tal? — Os men inos estavam sentados comigo na casa da árvore. Coloquei a mão no queixo pra raciocinar, tipo aquela escultura.

– Podemos viajar nas sombras. — Shawn divagou com um brinquedo colorido que eu não faço a mínima ideia de onde ele arrumou aquilo.

– Não sou táxi de vocês, obrigada. — Me joguei num conjunto de almofadas ali.

– Então diz pra nós o que vamos fazer, sra. Sabe-Tudo.

Ele riu da minha cara e do meu dedo do meio.

– Olha, não dá com vocês me encarando! Licença.

Desci de lá antes que algum deles pudesse me procurar. Pena que minhas pernas são curtas demais e não dá pra andar rápido sem tropeçar...

– Lia, espera! — Continuei a andar. Não era ninguém! Um mosquito! — Eu falei pra esperar, além de idiota é surda?

O moreno quase faiscava, sério.

– Olha, não quero falar com ninguém que do nada me chama de idiota. Francamente, o que eu fiz dessa vez?

– O Chris, poxa. — Shawn suspirou e tirou uma mecha de frente dos olhos. — Por que vai levar ele?

Sério isso?

– Porque... Bem...

– Você gosta dele? — Corei violentamente, e a sua expressão facial mudou do nada. — Já entendi, boa sorte.

Alguém pode, por favor, me explicar o que aconteceu?

***

18 de Outubro (o show é depois de amanhã, yay!)

Bem, estou escrevendo de novo porque eu fugi! Como cada um deles têm seu ingresso já em mãos, estou pouco me lixando para o modo que eles vão sair. Pra me situar, estou aqui em Orlando, em um hotel da Disney por dois motivos:

1. Os pacotes de estadia são baratos.

2. O show vai ser aqui — incrível, não?

3. Tenho uma missão loucamente incrível de... Encontrar a Elsa do Frozen!

** E o Olaf, porque, assim como ele, amo abraços quentinhos!

Então eu, que já não tenho muita cara de velha, com todo esse entusiasmo de Disney, me faz pensar que os outros acham que eu tenho 12 anos. Ah, peitos, como eu os amo agora...

Depois de um café da manhã cheio de bacon e waffles e tudo o que eu não posso comer no Acampamento, fui ao meu quarto buscar o que preciso — inclusive meus braceletes que viram uma espada e um escudo — e... Eu estou ferrada!

Porque?

Porque quando desci no saguão, toda serelepe, esbarrei...

No Nico.

Não é tão ruim, pra falar a verdade, poderia ser pior. Eu poderia esbarrar no Jason Voorhees, ou... No fofão.

– Ai, eu... Lia! — Ele deu um mini gritinho, mas pedi apressadamente para que abaixasse o tom de voz. — Aonde você foi? Fiquei horas te procurando! Sua...

– Eu fugi, dã. — Puxei-o até um corredor aonde não ia muita gente. — Não deixe que eles saibam, porque eu meio que prometi que ia com eles.

– Como assim?

Flashback on

Acordei de madrugada. Não porque eu fui dormir às seis da tarde, mas porque um futuro cadáver pulava na minha cama, em cima de mim.

– Ahrrm, quem ousa me acordar? — Esfreguei os olhos pois tudo o que eu via na minha frente era um anjo. Não mudou muito, era o Chris. — Ah, você...

Ele riu e não entendeu o porque de eu ter mudado completamente meu tom de voz.

– Não quer saber o que vim fazer aqui? — Ele parecia estranhamente feliz.

– Poderia me falar, mas antes, ahm, saia de cima de mim. — Graças aos deuses estava escuro, assim ele não via que eu parecia um pimentão.

– Bem, eu estava falando do show com meus irmãos, aí eu me toquei... Como eu tenho a capacidade de ir com você, sendo que nem te conheço direito?

Faz sentido. Ele continuou.

– Então eu peguei algumas coisas na cozinha e pensei em fazermos um piquenique, sei lá, pra eu poder conversar sobre você, sobre mim, sobre nós.

Nós?

– Nós? — Minhas bochechas queimaram como se colocassem um ferro de passar quente na minha cara.

– Ah, eu, sobre o show e tudo o mais e nossa amizade. — ele consertou e eu soltei um muxoxo que acho que ele não ouviu, ou, pelo menos fingiu que não.

– Okay, o que você trouxe?

– Bem... Eu também não sabia nada sobre você, então perguntei pro Shawn do que você gosta. — Ahn? Como assim? — Então trouxe pizza, pudim, jujubas e uns Cheetos, não sei qual deles você prefere então peguei todos.

Ai que fofo!

Mal percebi que eu abraçava ele e dava uns gritinhos e pulinhos dignos de líder de torcida.

A noite passou e eu pude descobrir muitas coisas que ainda não estou permitida de reproduzir aqui. Ele dormiu no chalé, e quando eu estava quase dormindo ele me cutucou:

– Lia, vem comigo pro show? Por favor...

– Ah, tá, tá... — Eu grogue de sono nem notei. Fui acordar algumas horas depois, com o soar daquela concha que avisava o almoço.

Levantei de pijama mesmo — aquele dos Ursinhos Carinhosos — e fui comer. Shawn se sentou na minha mesa e roubou um dos meus rolinhos primavera.

– Ei!

Ele comeu, dando de ombros.

– Você e eu vamos no show juntos.

– Já vou com o Chris. — Disse indiferente, mas ele se irritou. Falo isso pois sinto o ódio. Por que será?

– Não ligo, você vem comigo.

Mas adivinha? Não fui. E nem com o Chris. Eles me irritavam muito, mesmo com o Chris sendo um anjo querubim lindo e gostoso, viviam me perguntando coisas que me irritavam, tipo se o Harry ia ficar com a Hermione ou sei lá.

Idiotas.

Enfim, como eu já tinha cansado, depois da aula de arco-e-flecha fiz minhas necessidades — tipo comer mais secretamente — rapidamente e viajei nas sombras.

Parei no meu apartamento em Nova York, aonde minha mãe já tinha preparado a minha mala e estava sentada tomando um uísque na cadeira preferida dela.

– Ainda acho que não devia ir. — Ela soltou um arroto que fedia a Jack Daniel's.

– Por que não, rainha da minha vida? — Eu fazia uma boquinha na geladeira enquanto ela bebia.

– Porque devia me levar, e não esses meninos bestas. Aliás, é poder demais, você vai chamar muita atenção.

– Relaxa, mãe! Eles são bobões, se fossem uma ameaça eu nem falaria com eles.

– Isso é mentira. — Ela riu e soluçou.

– Eu sei, mas olha, eu tenho que ir mesmo. Te amo mamãe! — Dei um beijo na sua testa e saí correndo com vinte mil malas até o andar térreo, aonde peguei um táxi e fui pro aeroporto.

Zeus me odeia um pouquinho mais por conta disso, mas né.

– ... E é isso. — Respirei, ofegante.

Nico riu, murmurou algumas coisas que não pude distinguir e saiu pra terminar o check-in. Já eu, fingi que era outra pessoa colocando um chapéu super gigante de pirata e saí andando disfarçadamente.

Consegui passar pela entrada e fui até... bem...

Aonde eu iria mesmo?

Notas finais
Desculpa mesmo pela demora pra atualizar, sério! Boas festas