O diário de uma filha de Hades
12 O show - parte 4
Notas iniciais
Acordei com uma piscina me encarando. Por 3 segundos não lembrei de nada, até flashes pipocarem na minha mente e, deuses, como alguém pode me ver quando acabo de acordar, com remela no olho e toda babada?
– Lia, acorda. — Alguém cutucava a minha bochecha.
– Mãe, hoje é domingo... Me deixa dormir... — Meus sonhos estavam bons demais, eu precisava ver o desfecho!
No sonho, eu tinha acabado de ganhar um Oscar por um filme de terror que eu produzi — sim, minha imaginação é muito fértil mesmo -. E, adivinhem, a Helena Bonham Carter me deu aquela estátua linda!
Sabiam que ela é minha meio-irmã também?
– Lia, acorda caramba, o vôo é daqui a duas horas e o trânsito tá uma maravilha! — Gritaram, jogaram um travesseiro e depois ouvi portas batendo.
Hmmm... Vôo...
– Ai meus deuses! — E, pra coroar o surto, ainda caio da cama de cara no chão. James, que estava na cama ao lado, começou a tossir de tanto rir. Levantei e, aos tropeços, corri ao banheiro pra fazer um milagre.
Infelizmente, isso não aconteceu. Então, como eu estava também parecendo com um panda, só fiz um coque gigante e saí com as minhas coisas equilibradas.
Depois de arrumar — leia socar tudo — a mala, saímos quinze minutos atrasados, levando milhares de sacolas com tudo o que compramos. Notei o pescoço de James cheio de chupões e os olhos avermelhados de Shawn, que apenas destacavam ainda mais os seus olhos azuis que me encaravam como se quisessem dizer algo.
Chris passou o braço no meu ombro. Soltei um sorriso pequeno para ele, que retribuiu bem mais... feliz.
Entramos depois de um tempo no avião, e como nós não somos ricos, acabamos por ficar todos separados. Apenas James estava ao meu lado. Ele fingia ler um livro culto, mas, por baixo, lia uma revista muito tosca na qual eu nunca tinha ouvido falar.
– Ei, você — cutuquei seu braço — compra pra mim um sanduíche?
– Você tá gorda, menina, pare com isso. — Ele resmungou e virou uma página, lambendo o dedo. Continuei a cutucar seu braço. — Tá, praga. Moça, me vê um sanduíche?
– Vão ser dez dólares, senhor. — A aeromoça loira sorriu radiante, e James me fuzilou ao ter de pagar por um sanduíche que eu devorei em dois minutos.
– Então, agora que alimentou sua alma de obesa, poderia me contar por que você e Chris estão nesse climinha de filme de High School Musical?
– E-eu.. é... Que clima? — cocei a cabeça. Será que eu devia falar?
– Não minta para o filho do deus das mentiras, sua estúpida. Agora me conta tudo.
Contei a ele tudo sobre o show, até minha garganta arder e eu ter que tomar dois copos d'água. James riu com o jeito que eu falava, porque ele sabia desde o começo o que eu sinto por Chris.
– Tá, agora que te contei tudo, pode me explicar que marcas são essas no seu pescoço, senhorito? — Nesse momento James ficou mais gelado que a Anna no Frozen.
– Que marcas? — Ele assobiou e uma velha que estava na poltrona resmungou.
– Essas aí. Você não foi usar mais uma menina, né? — Ergui uma sobrancelha, mostrando que entrei no meu modo interrogatório de CSI. Ele abaixou os olhos. — Seu safado!
James deu de ombros e continuou a ler. Percebi que, bem, se ele não quis falar é porque alguma coisa aconteceu. Vou enchê-lo depois, agora tenho que dormir.
***
– Senhorita, o avião já pousou. — Uma moça morena me cutucava delicadamente, como se eu fosse feita de papel.
– Tá, obrigada. — Forcei um sorriso e peguei minha mochila, saindo do avião e podendo respirar. Três girafas me esperavam, irritados e impacientes na saída.
Dei a língua pra eles e fui pegar minha mala, que era a única que girava nas esteiras. Quanto tempo eu dormi?
– Lia, precisamos correr.
– Por que? — Encarei Chris, mas não foi ele quem me respondeu.
– Porque, senhora idiotice, Sr. D está puto com a gente e quanto mais tempo demorarmos, pior é o castigo.- Shawn respondeu ríspido. Voltamos à estaca zero agora?
– Me dêem as mãos, já que vocês se preocupam tanto em não lavar a louça. — Segurei as três mãos e, sem abrir os olhos, os levei pelas sombras até a Colina Meio-Sangue.
– Droga, odeio essas coisas. — Chris resmungou, pegou minha mochila e saiu andando, não antes de entrelaçar seus dedos nos meus. Shawn fechou a cara. Ah, qual é?
Assim que vi Quíron conversando com um semideus, saí correndo rumo ao meu chalé. Nico tocava o meu baixo.
– Seu... Impuro! — Taquei um travesseiro nele. — Por favor, me ajuda, não quero lavar mais louça.
Ele sorriu. — Bagunça mais esse teu cabelo, veste uma roupa suja e babe um pouco. Finja que tava dormindo esses 3 dias. Você já fez isso.
Bom! Muito bom!
A única coisa que ferrou um pouco, é que eu realmente dormi. O dia todo.
E, dessa vez, eu queria realmente acordar. Esses sonhos não são nada bons.
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