O deu pra ver nas estrelas
7 Ensaio junino
(Na garagem de Lysandre, em Matinhos, o som de amplificadores e a bateria de Kentin reverberava. O ar estava pesado com o cheiro de suor, metal e um toque de poeira. Pôsteres de bandas clássicas e um pôster do primeiro show deles cobria uma das paredes da garagem, ligeiramente amassado nas bordas, e alguns cabos emaranhados serpenteavam pelo chão. No centro, sob luzes pálidas que piscavam, Laito afinava sua guitarra preta, concentrado nas cordas, enquanto Castiel, o segundo guitarrista, com sua habitual expressão entediada, dedilhava um riff complexo em sua Les Paul vermelha, alheio ao mundo. Lysandre ajustava as cordas de seu baixo de quatro cordas, ocasionalmente checando a afinação com um ouvido atento, com sua postura calma e pensativa.)
Laito:( testa o microfone , sai um som seco como ruido . e seus olhos cruzam com os de Ellen que estava anotando as músicas da setlist de sexta feira que vem e ensaiando sua parte no teclado) som som testando .- então gente o nossa próxima apresentação é na nossa antiga escola , a diretora sandra quer que a gente toque na festa junina aberta da escola .
Kentin:
— Festa junina... na escola? Nossa, só de lembrar daquele lugar já me dá flashback de guerra.
Castiel (arqueando uma sobrancelha, ainda tocando sem olhar):
— A gente praticamente fundou o clube dos que matavam aula na sala de música.
Ellen (rindo, anotando no caderno):
— Vocês matavam aula? Eu ensaiava na hora do intervalo. Bonitinha, porém legal.
Laito:
— Ei, tecnicamente a gente não matava aula... eram aulas vagas. Ou quase vagas.
Lysandre (com um sorriso de canto, pensativo):
— Lembro daquela vez em que a Sandra nos pegou todos na sala de música durante a quinta aula. Era vaga, mas ela ficou tão furiosa...
Kentin:
— “Aula vaga não é sinônimo de farra barulhenta com amplificador ligado no volume máximo!” — ele imitou a voz da diretora, arrancando gargalhadas do grupo.
Castiel:
— A parte que mais me marcou foi quando ela ameaçou cortar a energia da sala toda. Como se a gente não fosse dar um jeito com extensão clandestina da cantina...
Ellen:
— Meu Deus, vocês eram o caos.
Laito:
— A gente só estava comprometido com a arte. Os sacrifícios tinham que ser feitos.
Lysandre:
— E no fim, mesmo irritada, a Sandra sempre acabava apoiando. Acho que ela gostava de ver a escola com um pouco de vida.
Ellen:
— E agora ela chamou vocês de volta. Quer dizer, chamou a gente, né? Acho que estamos oficialmente reabilitados na ficha dela.
Kentin:
— Mal sabe ela que vamos usar os mesmos amplificadores criminosos de sempre.
Castiel:
— O espírito rebelde não morre. Só aprende a ajustar o volume.
Todos riram. Havia algo de poético naquela volta — não só ao palco da escola, mas às memórias que construíram entre os corredores, a poeira e o som. A adolescência vibrava nas entrelinhas do presente.
Laito:
— Ok, antes que a nostalgia nos sugue, vamos focar. “Caminhos de Névoa”, ponte e final. E, por favor, sem improviso de última hora, Castiel.
Castiel (sorrindo de canto, já posicionando os dedos na guitarra):
— Sem promessas.
E a música começou.
Tweet da Banda @memorycardbanda:
"GALERA DE MATINHOS! 🤘 Vocês pediram e a gente atendeu! Depois de ANOS, estamos de volta ao palco da nossa antiga escola para incendiar a #FestaJunina2025! 🔥 Preparem-se para um show inesquecível com muito rock anos 90, nossas autorais que vocês amam ('Sombra' e 'Fênix' confirmadas!) e SURPRESAS! 😉 Sexta-feira que vem! Não percam! #BandaMemoryCard #RockNaFestaJunina #VoltaÀsOrigens"
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FIM DO ENSAIO- a noite 18:40
Kentin: você sempre para mais tarde
Ellen: nem sempre Ken.
Kentin: ei , você quase nunca me chama assim .- que foi aconteceu algo ?.
Ellen: me bateu um mini gatilho emocional a respeito da época da escola .
Kentin: eu sei que a sandra te ajudava em relação sobre a fase de divorcio dos seus pais e sobre a sua mãe.
Ellen: e foi a Sandra que me ajudou a achar um psicólogo para tratar a TAP e a depressão.
Kentin: sandrinha sempre ajudando as meninas da nossa sala , mesmo ela tendo aquele semblante de quem chupou limão .
Ellen: isso porque vocês a julgavam mal .
Kentin: ela sempre procurava a gente quando tinha aula vaga nos ensaio da banda dizendo que estavamos atrapalhando com
som.
Ellen: mas eram as regras da escola , seu bobo.
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