capitulo 6,02,


– Sala 202, Bloco C – Faculdade Federal de Matinhos

Disciplina: Escrita Publicitária Aplicada

Professora: Marta C. Belotti

Horário: 8h30 da manhã, segunda- feia

A sala é iluminada por janelas grandes e tem cartazes de campanhas clássicas nas paredes — Havaianas, Dove Real Beauty, Coca-Cola dos anos 80. No quadro branco, em letra cursiva bem desenhada, está escrito:

“Escrever é encantar com poucas palavras. Hoje: Técnicas de Impacto e Gatilhos Mentais.”

Professora Marta — óculos redondos, colar étnico, blazer sobre camiseta preta dos Rolling Stones — entra energicamente, equilibrando um copo térmico de chá de gengibre na mão esquerda.

Prof. Marta:

“Bom dia, criativos e criativas! Quem aqui já perdeu mais de uma hora tentando escrever uma legenda que parecesse natural, emocionante e ainda vendesse alguma coisa?”

Alguns alunos riem. Ellen levanta a mão.

Prof. Marta (sorrindo):

“Ellen. Quer compartilhar sua dor?”

Ellen:

“Foi ontem, na real. A banda do meu amigo vai tocar na festa junina da antiga escola dele e eu ajudei com o tweet de divulgação. A gente quebrou a cabeça pra equilibrar a nostalgia com o rock.”

Prof. Marta (animada):

“Ótimo! Temos um caso real. Turma, anotem isso: publicidade viva. A melhor escrita publicitária nasce quando a gente realmente se importa com o que está comunicando.”

Ela anda até o computador e projeta um slide com o seguinte título:

“Os 5 Princípios da Escrita Publicitária que Conecta”

Atenção (gancho forte, algo que salta)



Identificação (o público se vê na mensagem)



Emoção (memória, humor, desejo, medo)



Clareza (sem ruído, sem enrolação)



Ação (convite irresistível para agir)



Prof. Marta:

“Ellen, o que tinha no seu tweet?”

Ellen:

“Começava com: ‘GALERA DE MATINHOS! 🤘 Vocês pediram e a gente atendeu!’”

Prof. Marta (aponta para o quadro):

“Aqui está o gancho: vocativo + emoji = fala direta com o público-alvo. E a frase tem promessa: ‘vocês pediram e a gente atendeu’. Isso é gatilho de reciprocidade.”

Ela digita o tweet no quadro digital enquanto fala.

Prof. Marta (continuando):

“‘Depois de ANOS, estamos de volta ao palco da nossa antiga escola…’ – Nostalgia. Forte. Gatilho emocional clássico. Muito usado em campanhas como a da Pepsi retrô, ou mesmo no comercial da Vivo com Sandy & Junior. Vocês lembram?”

Alunos (em coro):

“Lembra sim!”

Prof. Marta (para Ellen):

“Você usou linguagem jovem, emojis, referências afetivas e… qual foi o call to action?”

Ellen:

“‘Sexta-feira que vem! Não percam!’”

Prof. Marta:

“Simples, direto. Mas que tal usar alternativas mais mobilizadoras? Tipo:

‘Marca aí: sexta que vem, é rock no coração da sua história.’

Ou

‘Sexta, seu passado e seu presente se encontram no palco.’”

Ela faz uma pausa dramática.

Prof. Marta:

“Publicitários, às vezes, somos poetas disfarçados. Mas com um objetivo claro: fazer sentir, fazer lembrar, fazer agir.”

Ela pega um giz e escreve:

“Seja irresistível com poucas palavras.”

E, olhando diretamente para a turma:

Prof. Marta:

“Se quiserem trazer mais casos reais que vocês estão fazendo, tragam. Essa sala não é apenas para a teoria. -É um berçário de ideias e campanhas.

Ellen sorri. Sente que está no lugar certo.

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INTERVALO – 10:00

Ellen atravessa o corredor com o copo de café na mão. Quando vira a esquina, encontra o grupo já encostado nos bancos perto da árvore central — o ponto clássico onde o pessoal de outros cursos também se reúne entre as aulas.


**Castiel** está sentado de pernas cruzadas sobre o encosto do banco, camisa xadrez amarrada na cintura, mordendo uma maçã. Ao lado dele, **Kentin** fala animadamente com **Laíto**, que segura o celular com a aba do Twitter aberta, lendo as notificações do post.


**Lysandre**, impecável como sempre, observa uma pomba no chão com a atenção de quem estava em outro mundo — até Ellen chegar.


**Kentin (acena):**

“Ei! Estrela da publicidade chegou!”


**Laíto (sorri):**

“Ellen, você viu que a galera tá comentando o tweet como se fosse retorno dos Los Hermanos? Alguém escreveu ‘me arrepiou o feed inteiro’. Isso é teu.”


**Ellen (modesta):**

“Mérito do assunto também. Vocês têm história, cara. Nostalgia vende.”


**Castiel (arqueia a sobrancelha):**

“Você acha que vender é mesmo a palavra certa pra isso?”


**Ellen:**

“Depende. Se a gente pensar em vender como ‘conquistar de novo’, então sim.”


**Lysandre (calmo, entrando na conversa):**

“Palavras são pontes, Castiel. Às vezes o marketing só acende a lanterna sobre um sentimento que já existe.”


**Laíto (rindo):**

“E lá vem o poeta.”


**Kentin:**

“Mano, eu amei essa aula de hoje. Tava pensando em postar uns trechos dos ensaios com frases tipo ‘o som que marcou a tua infância tá de volta’. Serve como slogan?”


**Ellen:**

“Serve, mas eu te apresento o Sócrates depois. O cara é tipo um monge do texto de impacto. Vai adorar conversar contigo.”


**Castiel (ainda cético, mas curioso):**

“Então quer dizer que agora vocês vão montar uma campanha de verdade pro show?”


**Ellen (séria, empolgada):**

“Já estamos montando. O tweet foi o começo. Depois vem o vídeo, os stories, talvez até uns teasers com fotos antigas de vocês tocando. E tem uma ideia que tive hoje: pedir pro público comentar músicas que marcaram a época da escola. Envolver a galera.”


**Laíto (sacode a cabeça, impressionado):**

“Você é tipo a nossa quinta integrante agora.”


**Lysandre (gentil):**

“Ou a produtora silenciosa da volta triunfal.”


**Ellen (sorri, encostando no banco):**

“Pode ser. Desde que tenha café e liberdade criativa.”


**Kentin (fazendo graça):**

“E desde que você me deixe cantar uma parte de 'Fênix', porque eu sempre quis.”


**Castiel (debochado):**

“Nem nos seus sonhos mais desafinados, Kentin.”


O grupo ri. O som do sinal ecoa ao fundo. A aula vai recomeçar, mas o plano da **volta da @memorycardbanda** só está começando a ganhar forma.


Ellen (sorri, encostando no banco):

“Pode ser. Desde que tenha café e liberdade criativa.”


Ela dá mais um gole no café, hesita um instante e depois solta, como quem já está pensando três passos à frente:


Ellen:

“Ah — e pedi uma ajudinha pra Luna ontem à noite. Ela tá me ajudando a montar um site simples pra banda, só pra esse show, com uma contagem regressiva bonitona. Vai ter uma parte de merch também, com produtos feitos por artesãos e lojistas que são fãs de vocês.”


Laíto (olha com mais atenção):

“Pera. Como assim? Merch feito por fãs?”


Ellen:

“Sim. Uma lojinha colaborativa. Tipo, o cara que fazia botton de vocês nos anos 2000 já mandou DM perguntando se pode participar. E tem uma moça de Matinhos que faz velas aromáticas com nome de músicas. Uma delas chama ‘Sombra’. Juro.”


Kentin (rindo):

“Mano, isso é genial. Isso é... economia afetiva!”


Castiel (sorri de canto, quase não querendo mostrar que gostou):

“Isso é coisa da Luna mesmo. Essa visão... de comunidade criativa. Combina com ela.”


Lysandre (com um brilho no olhar):

“Ela transforma tudo em conexão. Até comércio vira arte, quando passa pelas mãos dela.”


Laíto (tocando no ombro de Ellen):

“Então temos: show marcado, buzz rolando, site a caminho, e agora... fan-made merch oficial. É isso. A @memorycardbanda voltou com time completo.”


Ellen:

“E com amor suficiente pra fazer tudo parecer feito à mão.”


O sinal toca de novo, desta vez mais insistente. O grupo se levanta, com aquela leveza de quem sabe que algo especial está por vir.


Notas finais
Aguardem pro show junino