O destino de um shinigami em preto
35 Seu filho
Notas iniciais
A menina recuou um pouco, segurando o braço do mais velho. Respirou fundo, tremendo em todas as partes de seu corpo. O demônio sorria “alegre” tirando a sua concentração no que deveria fazer, apenas focando no sorriso de Brendon.
Devagar sacou a foice do cinto, qual o sobretudo cobria. Já estava irritada com a atitude de qual permanecia na sua frente. Tentava soltar seu braço da mão do tio, que segurava fortemente sabendo oque ela tentaria fazer. Ela cresceu com dois teimosos, a menina não iria ser diferente.
—Anally, volta. –Sussurrou, sem tirar o olho do demônio, que impressionavelmente continuava no seu lugar.
—Eu não vou machucar Anally. –Soltou uma risada baixa, se encaminhando a menor. –A não ser que ela queira isso.
—Não, ela não quer e se tu encostar um dedo nela seu moleque estúpido... –Suspirou antes de continuar e passou a mão nos cabelos.
Anally o prensou em uma chaminé qualquer, com a lâmina no pescoço de Brendon com uma força descomunal. Os dois se encaravam profundamente, mas ela com ódio descomunal. Ele tentou se aproveitar de sua situação para tentar beija-la, mas em vão.
Com apenas um ataque a menina o chutou para longe e cortou seu peito com a foice de tamanho mediano ( trabalhar com o lendário lhe dava privilégios). Estava tão irritada de ter que estar lidando com um Michaelis que seu sangue subia a cabeça, apenas sentia vontade de acabar com tudo nele logo. De lhe arrancar as cordas vocais para não ouvir aquela voz nojenta, de socar sua face tão parecida com a de seu pai, o qual fez tão mal aos seus próprios.
—Eu te odeio...Eu odeio teu nome eu odeio tua família... –Gritava com lágrimas escorrendo dos olhos esmeralda. –Vocês são vermes, um igual ao outro. O cabelo o sorriso os olhos... Como conseguem ser tão nojentos? Eu sinto náusea só de olhar pra tua cara... –Começou a furar seu rosto com as unhas, rindo baixo. –Miserável... inútil... Desprezível...falta adjetivos para te definir... Espero que tu morra hoje à noite, para eu nunca mais ter que olhar esse rosto que me dá tanta ânsia.
Apenas o perfurou com a lâmina e cambaleou para trás, com os cinematics enrolando seu corpo pequeno, fazendo-a tossir bruscamente procurando ar. Ronald correndo foi cortar tudo oque circundava a sobrinha, para livrar ela que caiu de joelhos no chão.
Encararam incrédulos o demônio morto no chão, e assim ela começou a pensar nas consequências. Ronald se ajoelhou ao lado dela, botando a mão em seu ombro.
—Deveríamos voltar, não é? –Sussurrou para não assustar a sobrinha que suspirou. –Vamos, se eles não estiverem dormindo a gente da meia volta e tu dorme lá em casa. Joga essa roupa direto no lixo.
Voltaram andando devagar, ele tentava limpar a foice da menina rapidamente. Ao passarem pela funerária, jogaram a foice de Anally na dispensa da rua (qual ela tinha a chave). Tinha esfriado rápido, e estava começando a chover; começaram a correr em direção aos departamentos. Quando chegaram na porta da casa a menina gelou e começou a rir.
—Eu não acredito nisso. Não acredito que fiz isso! –Ria baixinho fazendo Ronald começar a rir. –Eu matei um Michaelis! Eu matei eu matei!
—Cala a boca peste, se teu pai acordar ele vai bater na gente.- Mal abriram a porta e viram William, sentado no sofá lendo um livro.
—Pai...? –Chamou escondida atrás do tio.
—Anally, está chovendo forte. Entra de uma vez. –Disse calmamente, dando espaço no sofá.
Ultimamente, a única pessoa que conseguia conversar com o Spears era a filha do mesmo. Aquilo era sinal que eles precisavam conversar. Ela subiu as escadas correndo para trocar de blusa antes que o pai visse. Ele olhou para o aloirado que sorriu torto.
—Ela matou-o. Um dos Michaelis. –Disse rindo baixo e William arregalou os olhos. –Ela é tão forte... Ela é tão jovem Spears...Cuida bem dela agora ta? Ela é sua filha.
A ruiva desceu as escadas em um pé só, voltando para beijar a bochecha do tio que estava de saída. Abanou e sentou no sofá junto de William. Botou a mão no seu ombro e esperou ele falar algo.
—Você...matou o filho dele.
—Como sabe...como sabe que era filho dele? Como sabe que ele tinha um filho?
—Anally, quando eu e sua mãe olhamos seu registro pela primeira vez, quando tu era muito pequena vimos que você tinha um amigo da mesma idade. O seu nome era Brendon Michaelis. Eu e Grell temos feito de tudo para que ele não descobrisse que você voltou para Londres depois de anos. Pelo visto vocês se encontraram.
—Eu...eu deveria ter lhe dito. Eu sei. –Fechou os olhos e apoiou o rosto nas mãos. –Eu matei ele. Eu matei um demônio. Você disse que isso era impossível na minha idade, porque mentiu para mim? Você disse que eu não mataria ele.
—Anally eu queria te proteger.
—Como tentou proteger a mamãe? Eu não sou ela... –Suspirou. –Eu prometi, eu vou mata-lo ainda. Você sabe que eu consigo.
—Não é a hora Anny. Acalme-se. Você matou o filho do demônio, não o demônio. –Disse segurando o braço dela. –Tu é minha filha, eu sou responsável sobre você. Eu e a sua mãe.
—Como ela tá? Como a mamãe ta?
—Anally...eu não sei.
—Oque você disse? Você foi rude com ela não foi? –Disse se levantando e encarando ele friamente. –Você sempre foi assim, custa ser mais delicado! Ela merece.
—Anally Constance, se acalma. Eu não sei oque foi. Ela está assim e você viu que mudou muito de repente. Se quiser falar com ela se sinta a vontade.
—E é oque eu vou fazer. –Sussurrou com um sorriso pequeno. –Eu que tenho que resolver tudo. –Beijou a bochecha do pai e subiu correndo. –Boa noite!
[...]
—Mãe...? Está acordada? –Sussurrou e Grell se sentou na cama imediatamente.
—Querida, oque foi? –Perguntou assustado, passando a mão no rosto e dando tapinhas no lado da cama para ela se sentar.
—Oque aconteceu?
—Você está cheirando à sangue.
—Não importa. Oque aconteceu entre vocês? –Perguntou segurando sua mão. –Ele está lá embaixo, você não deveria ser tão assim. Ele foi rude?
—Anally! Você continua sendo minha filha,eu mando. –Disse irritado. –Porque você está cheirando a sangue.
—Uma coisa primeiro depois outra.
—Seu pai foi um imbecil.
—Ele te ama. Ele te ama e tu vai chamar ele pra dormir com você. Mãe oque deu em ti! Ele sempre foi assim! Ele tem dias e tem dias, tem que administrar isso. Não adianta ficar de mal, e eu sei que a senhora também ama ele. Por favor...chama ele. Eu odeio ver vocês dois brigados, o amor de vocês é tão lindo...
—Só chamo se você falar o porque do cheiro.
—Eu o matei mãe; Eu matei o filho dele. –Choramingou e o ruivo a abraçou forte, abraçou a ruivinha que não sabia se ria ou se chorava. –Eu posso mata-lo, eu sei que consigo mãe. Deixa eu fazer.
—Anally, você matou o filho não o pai. Logo nós iremos resolver isso. Eu não quero você machucada okay? –Disse acariciando o rosto da menina, que sorriu de leve. –Vá descansar, falarei com o Undertaker que você não irá amanhã.
—Obrigada...-Agradeceu, beijando a bochecha de Grell e se direcionando a porta. –Boa noite mãe.
—Anally...
—Oi? –Abriu a porta novamente.
—Chame seu pai, a gente precisa conversar. –Falou, fazendo a menina sorrir. –Boa noite minha filha.
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