O destino de um shinigami em preto
36 Ele sabia
Notas iniciais
Boa noite minha filha...
Fechou a porta suavemente, sem querer agredir os ouvidos de sua mãe. Tirou seu saltos e desceu as escadas, queria trazer paz ao ambiente e não mais barulho.
—Papai...a mãe quer falar com você. Ela te ama...por favor, de um pouco do seu amor pra ela...-Pediu encarecidamente. William chamou-a para se sentar ao lado esboçando um pequeno sorriso.
—Como se sente? Está com alguma dor? Quer algum chá quente? Está febril? -Perguntou baixinho, todos apenas queriam paz dentro de casa.
—Não papai...vou tomar um banho e irei direto para cama. Boa noite -Beijou sua bochecha e subiu as escadas. -Amo vocês!
Deixou a menina subir e suspirou. Ele tinha duas "meninas" para cuidar. Fez um chocolate quente, do jeito que grell gostava. Subiu as escadas quase que em um passo, abrindo suavemente a porta do quarto.
Grell estava quietinho, abraçado em um travesseiro esperando o amado. Se assustou com a presença repentjna de William e se sentou na cama. Feição envergonhada e cheia de culpa.
—Podemos conversar...meu amor? -Pediu baixo, alcançando a xícara nas mãos do ruivo, tremulas. Continuou segurando a caneca e as mãos pálidas. Ele assentiu, olhando para baixo. -Olhe para mim, e diga oque eu fiz. Diga oque eu não fiz. Diga oque não está gostanto.
—Eu te amo...eu só queria mais amor...atenção. Wiru...ainda me ama?
O silêncio foi a unica coisa que restou. Deixou uma lágrima cair, oque assustou Grell. O moreno se aproximou, com algumas lágrimas escorrendo de seu rosto e puxou o marido para um abraço quente. O puxou para um beijo calmo, sem demora alguma; acariciou seu rosto, cada cantinho dele.
—Eu amo você, seu jeito, seu amor. Eu sou seu marido, eu casei com você por um motivo. Sei que pareço ruim, mas eu me dedico. E vou me dedicar todos os dias. Por amor e carinho. Eu sei que não é comum eu ser assim, entendo sua expressão confusa. Mas tenho que tratar melhor a minha esposa.
Os olhos esmeraldas de Grell começaram a lacrimejar. Fazia anos que William não o tratava com tanto amor. Estranhou seu comportamento, botou a mão em na testa do marido, fria. Soltou um riso baixinho e se jogou no seu colo.
Sussurrava palavras de amor e de afeto, dava beijos e abraços. William acariaciava seu rosto sonolento, com os olhos semi abertos.
O pegou no colo e se deitou, com Grell bem perto do seu peito transmitindo calor. Os cobriu e o ruivo quase imediatamente apagou.
Tanto amor e afeto
Nem parecia que tudo estava a beira de desmoronar.
—--x---
A menina acordou aos gritos, assustada. Olhou onde estava: A calmaria de seu quarto. William entrou voando dentro do lugar, sem óculos e com os olhos arregalados.
Anally escondeu o rosto entre as mãos rindo das feições do seu pai. O mais velho vermelho, preocupado e assustado do grito, completamente desnorteado.
—Perdão papai, apenas um pesadelo. -Sorriu pequeno e levantou em direção a ele, caindo no chão logo em seguida.
Sua perna esquerda mal se movia, por mais que tentasse. Começou a encarar William, não sabia oque era aquela sensação. Sentia uma dor horrivel, mas não era como se estivesse quebrada, estava andando normalmente a noite.
—Chama a minha mãe... -Pediu baixinho, tremendo. -Por favor chama ela.
Sem nem pensar duas vezes, correu para o quarto, se ajoelhando do lado da cama e chamando Grell, que acordou assustado ao ver a expressão do marido.
—A Anny Grell... Eu acho que aquele estrume fez algo nela. -Falou rapidamente, e Grell pulou da cama.
—Fica aqui William, eu vou resolver isso. -Pediu segurando seu pulso -Contate Adrian, mande ele vir aqui de imediato.
Sairam um para cada lado, Grell entrou correndo no quarto de Anally.
Ela estava sentada no chão, encostada na cama. Com a camisola pouco levantada, mostrando uma marca em sua perna esquerda. Ela se assustou com a presença da mãe mas logo olhou para grell assustada, como se pedisse socorro.
—Meu bem, fique calma okay? Undertaker vai vir aqui cuidar de você. Deixa eu ver, não precisa esconder a marca com as mãos. -Se ajoelhou na frente da menina e limpou suas lágrimas.
Olhou atentamente a marca, parecia comum ao seus olhos. Passou a mão encjma, a menina sequer se encolheu, não sentia nada ali. Pegou a filha no colo e ficou deitado junto, tentando acalma-la.
—Está tudo bem, seu pai já volta eles vão te deixar bem logo logo. -Acariciou os cabelos castanho avermelhados.
—--x---
Adrian bateu na porta do quarto de Anally, encontrando ela finalmente adormecida. Pediu á William que acordasse ela e Grell, queria ver se era tão grave assim.
—Minha Rainha... -chamou, tentando acordar o marido. -Adrian está aqui,acorda a Anny?
—--x---
Depois de acordada, pediu que seu pai a levantasse, que delicadamente a pegou no colo e levou-a para a sala.
Undertaker examinou todo e qualquer cantinho da marca, rubra com detalhes em roxo. Parecia nervoso, agitado. Grell
Se esforçava para não surtar e o mais calmo era com certeza o mais estressado.
—Anally...E-eu preciso falar com seus pais primeiro. -Se levantou rapidamente em direção a rua, batendo a porta.
—Vai ficar tudo bem. -William disse baixinho, segurando a mão de Grell e beijando a testa da filha. -Só uns minutos.
—Descansa meu bem. -Pediu Grell, que apertava as mãos tremulas do moreno.
—--x---
William ao fechar a porta, deixou Grell cair em seus braços, chorando sem barulho nenhum; ficou encarando o Shinigami Lendário, enquanto afagava os cabelos ruivos com delicadeza.
—Ela...está em risco William, muito grande. -Sussurrou baixo- O procedimento não tem riscos, mas é doloroso demais. Ele sabia disso, sabia que ia morrer mas queria faze-la sofrer.
—Co-como é.. -O ruivo perguntou entre soluços.
—Eu terei que tirar um pedaço da pele da perna dela, toda a área com o ferimento com uma adaga específica. Aquela qual o demônio sabe qual é...E ele está atrás dela, e da Anally.
—A recuperação é dolorida?
—É sem anestesia no momento do corte, se não a marca voltará. Mas assim que acabar irei faze-la dormir, para esquecer da dor.
—Você vai mutilar a minha filha? -O moreno com fogo nos olhos perguntou, fazendo Grell se encolher nos seus braços. -Não tem alguma outra coisa que podemos fazer?
—Infelizmente não. E não quero que vocês vão, apenas se ela implorar muito. Por favor, expliquem para ela, eu irei para a funerária arrumar tudo para o procedimento. Depois que tudo isso passar explico os extras.
E sem pensar duas vezes, Puxou a foice e abriu o portal da área familiar, sumindo imediatamente.
O casal entrou em casa. Grell estava a ponto de desmaiar e William trêmulo.
—Papai...Mamãe..eu vou ficar bem? -Perguntou entre lágrimas.
Tentaram explicar tudo. Ao lado de fora tudo era ouvido a gritos e desespero. Ela era jovem demais, não deveria ter se metido naquilo, deveria ter escutado o tio.
Ela gritava, chorava, fazia de tudo para que mudasse oque teria que ser feito. Batia nas coisas, estava completamente desesperada. Ela queria um colo, um abraço.
E esse não era o maior dos problemas.
Ele estava por perto.
E finalmente, Sebastian Michaelis estava voltando.
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