O destino de um shinigami em preto
25 Registros do passado - Parte 2
Notas iniciais
–Podemos...continuar?
–Claro, claro. –Concordou, selando seus lábios e novamente abrindo o livro.
Registro on:
[
E dia pós dia, o relacionamento foi se intensificando, no escritório rígidos e frios, mas entre quatro paredes...O amor chegava a virar algo qual ninguém poderia entender.
Um ano depois:
Finalmente, um dia de folga. O ruivo, distraído em seus pensamentos olhando a madeira sendo queimada dentro da lareira e a neve cair na rua. Brincava com a barra da blusa do pijama. William já estranhava pela quietude do ruivo. Botou a caneca qual segurava em cima da bancada e selou de leve seus lábios com os de Grell.
–Você promete estar na eternidade comigo William? –Perguntou Grell, encolhido no sofá por conta do frio, sendo abraçado pelo o de negros cabelos.
–Eu prometo, pelo oque você quiser. Mas porque isso agora? –Perguntou afagando os cabelos ruivos, que riu.
–Nada meu amor. –Falou segurando o rosto do moreno e afagando de leve, para partir para os lábios quentes e suaves do mais velho. –Apenas queria ver o quanto me ama.
–Ainda preciso medir? –Perguntou ironicamente para Grell que soltou uma gargalhada. –Hm...Maior que um filhote de girafa com elefante talvez...talvez bem maior que todas as galáxias multiplicadas por mil. –Falou confuso, fazendo cocegas no ruivo que se revirava nos braços quais o rodeavam. –Preciso de mais?
–Na-não amor! –Implorou entre as risadas.
–Você tem certeza? –Perguntou deitando o ruivo sobre o tecido macio do sofá, ficando por cima do mesmo. –Porque eu posso dar mais exemplos.
–Não precisa. –Falou selando seus lábios rapidamente, o envolvendo em um carinhoso beijo. –Se me prometeu eu acreditarei em você, e não irei mais questionar.
–---x-----
E assim passou-se por dias, e até umas duas... três? Semanas . William, impressionado porque o ruivo não tinha estado no trabalho resolveu dar uma passada na casa do mesmo, e bateu diversas vezes na porta, tendo um nada como resposta. Largou o buque de rosas quais tinha levado de presente para o amado e procurou as chaves no bolso. Ao achar a chave reserva do bolso ,pegou as flores novamente. não gostava de usar a chave, mas algo poderia ter acontecido. Com um mau pressentimento a girou duas vezes e abriu a porta, a casa? Silenciosa.
Subiu as escadas rapidamente, encontrando um papel deixado na ponta da mesma, com uma pedra como peso encima. A juntou e pôs a ler:
“Eles me pegaram. Eles me descobriram. Viva sua vida como tiver que viver.
Um do escritório falou para eles, mas não quero morrer na humilhação de ser executado na frente de todos, na humilhação que você veja. Você qual tanto amei, qual agora...eu pude passar ao menos um pouco de tempo, o tempo qual eu levarei comigo para sempre. Levarei em minha memória e espero que nunca se esqueça de mim, pois eu nunca me esquecerei de você. Eu te amo, como nunca amei ninguém.
Na verdade...Eu nunca amei ninguém tirando você. Com todos meus ossos quebrados, com todos meus dias que passei ao seu lado, eu nunca me arrependerei, de nenhum dos segundos quais tive com você. Eu apenas amei você, e sinto não ter dito antes. Espero que não se arrependa de todos os “eu te amo” de todas nossas carícias e nosso amor... Eu nunca esquecerei.
Eu queria dessa vez não dizer adeus novamente, mas sinto por isso. Será menos doloroso do outro lado, pois eu estarei cuidando de você sem medo. Eu prometo cuidar de você. Prometo tentar te proteger de todo mal... Todo mal nos seus sonhos ,eu estarei lá para você e nunca irei te deixar.
Hoje eu te deixo porque não posso mais estar aqui, e sinto muito por isso. Por favor, não se esqueça de mim...É oque te peço. Eu apenas quero que leia isso e saiba o quanto eu te amo e nunca deixarei de te amar, porque foi oque eu fiz a minha vida inteira.
Me desculpa por não ter dito antes, por ter poupado de tanto amor. Eu apenas queria viver mais ao seu lado, e como um covarde obedeci a sociedade. A maldita sociedade.
E agora, deixarei essa noite, eu espero que saiba o quanto te amo, espero que ainda possa sentir meu amor.
Me desculpa meu amor.
Minha vida.
Meu amante.
Meu...tudo.
Com amor, com todo amor que eu tenho.
Grell Sutcliff.”
William entrou em pânico e correu para o quarto do ruivo, quase derrubando a porta com tamanha força e derrubando também as flores ao choque.
Se jogou no chão, caiu de joelhos sobre o tapete. Ele não podia estar vendo aquilo.
–Grell...Amor...GRELL! –Chamou algumas vezes, botando a cabeça do ruivo em seu colo. –Amor por favor acorda. –Pediu rangendo os dentes, segurando as orgulhosas lágrimas. –SUTCLIFF NÃO, VOCÊ NÃO FEZ ISSO, EU NÃO PERMITO! –Gritou, batendo o punho no chão de madeira. –EU PROMETI LUTAR COM VOCÊ! EU PROMETI ME QUEBRAR POR VOCÊ, E EU FARIA ISSO QUANTAS VEZES NECESSÁRIO! –Ainda gritando, deixou as tão orgulhosas lágrimas escorrerem pelo seu pálido rosto. –Eu te amo...como nunca amei ninguém...me deixasse...quebrar por você.
[If I die young bury me in satin –Se eu morrer jovem, enterre-me em cetim]
Com seu rosto mais pálido que o normal, sem vida. William logo olhou o braço esquerdo do ruivo:
Não esquecerei
Cortes não entendidos de primeira, mas formando uma pequena frase qual não foi compreendida. Olhou o braço direito:
Que te amo
Um silêncio mortal pairava no quarto. O moreno, deixava violentas e salgadas lágrimas escorrerem pelo rosto enquanto rangia os dentes, não acreditando no que estava sentindo, afinal, no que via. Os cabelos ruivos jogados emaranhados sobre seu colo, seu rosto pálido sem vida, sobre seu colo. Os lábios roxos e secos do frio e de seu destino, os lábios quais ele tanto amou e tanto amava os beijar. Beijou por uma ultima vez os tais lábios, enquanto as grossas lágrimas escorriam. Sussurrava palavras de amor que nunca tinha dito, sussurrava o quanto amava, esperava que estivesse o ouvindo. Acariciou os longos ruivos cabelos e o pegou em seu colo, mesmo que não adiantasse, o apertou. O último aperto. Deixou um sorriso inexplicável sair de seus lábios, qual nem ele mesmo entendeu e beijou o topo da cabeça de Grell. Agora, deixava sem vergonha as temerosas lágrimas escorrerem, e também, gritava que o amava.
[Lay me down on a bed of roses. –Deite-me sobre uma cama de rosas.]
Pegou o buque qual tinha largado, e depositou as rosas sobre os ruivos fios de cabelo, deixando três em cada braço, tapando os cortes.
[Sink me in the river at dawn –afunde-me no rio sobre o amanhecer.]
Ele nunca iria o esquecer, até porque a eternidade estava reservada para eles. A eternidade os acolheria como uma mãe acolhe seus filhos, acolheria de seu melhor jeito. A eternidade, pode ser difícil, mas seria superada, pois seria por eles.
[Send me away with the words of a love song –E me mande embora com palavras de uma música de amor.]
Pegou a faca qual repousava do lado, e suspirou soltando um soluço.
–Se irá deixar esse mundo, irei com você, pois com seu amor nunca esquecerei o quanto fui importante. Pois com seu amor, eu me senti acolhido de algum modo. Espero que no outro mundo, eu possa novamente o acolher em meus braços e dizer que o amo e eternamente te amarei. –Disse afundando a faca, no pálido antebraço, deixando o vermelho escorrer sobre seus braços. –Grell Sutcliff...Eu te amo. –Disse com seu suspiro final, com o rubro escorrendo sobre seus braços.
Caiu, com um baque, mas ainda com o ruivo em seus braços. O quarto “decorado” com a cor que Grell tanto gostava, mas acho que não gostaria desse tipo de decoração. Os corpos largados sobre o frio chão de madeira, os corpos sem vida largados sobre o frio chão de madeira. Qualquer que visse isso, não iria entender, os corpos pareciam praticamente envolvidos um com o outro, E assim...Agora, a eternidade será alcançada.
[Funny when you’re dead how people star to listening – Engraçado quando você está morto, como as pessoas começam a ouvir.]
E a eternidade novamente os acolheu.
E a eternidade os acolheu como um todo. E agora...O tão famoso “eu te amo” seria eternizado. Os abraços, não se acabariam. O amor...teria então um fim? O trágico amor teria um fim? Poderia ter um início e um meio torturantes, mas e o fim? Seria também? Acho que isso...Seria um destino não? O destino de um shinigami em preto, mas também o em vermelho. Agora a partida tinha tido um fim, mas sempre tem tempo para começar uma nova. Não tem? E o destino agora...apenas se prolongava sobre seu amor. ]
Registro off:
–Will... –Sussurrou com lágrimas escorrendo sobre sua face. –E-eu...A-amo você.
Sussurrou sobre o ouvido do marido, que inconscientemente deixou uma orgulhosa lágrima escapar de seus olhos. Envolveu suavemente o ruivo em seus braços, qual deixou-se desabar nos braços de William.
–Pelo visto...será sempre assim não é? –Falou calmamente, ao pé do ouvido de Grell que soltou uma risada seguida de um soluço. –Grell.
–Oi?
–Eu te amo. Desculpa esquecer de dizer isso hoje. –Falou fazendo o ruivo rir em meio ao beijo. –E dessa vez, prometo não te deixar ir. Pois...eu vou te apoiar.
–Você pelo visto sempre me apoiou. –Falou sorrindo em meio as lágrimas. –William?
–Oi?
–Eu amo você. –Falou escorando a cabeça em seu peito, que riu e prendeu o ruivo em seus braços, e por fim, limpou as lágrimas quais escorriam no pálido rosto do ruivo.
–Sempre que se sentir caindo, irei te apoiar.
–E é por isso...Que te amo como nunca amei ninguém mais em minha vida. –Falou empurrando William para trás, tomando seus lábios para si. Lábios quentes, rosados, vivos. –E que até a eternidade nos separe.
–Até que a eternidade nos separe.
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