Notas iniciais
Olá minhas cerejas, eu fico muito feliz a quem está me acompanhando até aqui ainda, as 17 cerejinhas ♥ Esse capítulo foi divido em duas partes para ficar melhor compreensão. Para a segunda...preparem os lencinhos damas e cavalheiros.

Pela primeira vez em semanas, os dois se dava o luxo de permanecer juntos por mais tempo, no silêncio, no sossego.

Desde que Anally havia chego na casa, tudo tinha sido uma completa bagunça. Seu tempo de ficar juntos tinha desaparecido junto, Tinham apenas minutos antes do moreno sair e quando Anally dormia.

Como sempre, William foi o primeiro a acordar. Deu um tempo para ficar analisando a expressão calma que pairava no rosto do marido, adormecido, provavelmente tendo um bom sonho pois sorria levemente. Trouxe o ruivo para mais perto, beijando o topo de sua cabeça, e fechou os olhos novamente, mas logo acordou assustado pelo pulo qual Grell deu.

–Bom dia... –Falou suavemente, e logo o ruivo escondeu o rosto entre travesseiros. –Pesadelo de novo?

–Uhum. –Disse se espreguiçando. –Bom dia. –Falou selando seus lábios levemente. –Sabe oque eu me lembrei?

–Oque?

–QUE EU TENHO UM PRESENTE E NÃO ABRI. –Exclamou e passou por cima de William para pegar oque estava na cômoda. –Desculpa, obrigada.

–Vamos, criança.

–Nem sou. –Falou mostrando a língua, fazendo William soltar um riso abafado. –Vamos ver... –Abriu a embalagem prateada com uma fita vermelha, vendo dois livros pretos felpudos dentro. –William....

–Sim?

–William... –Chamou mais uma vez, fazendo o moreno sentar na cama. –William...olha isso... –Tremendo, colocou os livros na mão de William.

Com os olhos arregalados, segurou o pulso de Grell, que tremia. Olhou para o mesmo, grossas lágrimas escorriam no rosto pálido, com seus olhos esmeraldas tomados por lágrimas. Como de apenas de ver a capa, tivesse percorrido tudo a sua cabeça.

Abriu o livro de capa preta, e um soluço saiu da garganta do ruivo, que apertou o tecido macio do pijama fortemente e caiu sobre o ombro do marido. William afagou os fios de cabelo vermelho.

“Registro: Grell Sutcliff”

“Registro: William T. Spears”

PORQUE ELE ME DEU ISSO. –Gritou enquanto chorava, segurando o pijama do marido, que o abraçou. –Ele queria...que eu me desmontasse novamente?

–Talvez ele queira que você veja algo Grell... –Falou tomando o livro da mão do ruivo, e abrindo na página demarcada. –Meu nome....está no seu. –Sussurrou e Grell levantou a cabeça e analisou oque estava escrito.

–William... –Sussurrou a si pegando o registro do marido–E o meu...no seu. Exatamente a mesma coisa. –Disse e se aproximou do marido, que o puxou e o botou sentado entre suas pernas, com as costas apoiadas em seu peitoral. –Você...quer ler?

–O presente é seu. Você quer? –Perguntou o abraçando pela cintura.

–Sim. –Disse por fim, pegando os dois registros e botando sobre suas pernas. –Vamos...ver isso.

[

–Ficaram sabendo? Vem um novato hoje... –Disse algum dos colegas de trabalho, fazendo todos rirem.

–Um novato? Humpf...não sabe onde está se metendo. –Falou um homem moreno, de verdes olhos, segurando papeladas em sua mão e soltando um suspiro em fim.

William T. Spears, o nome do tal homem. William Taylor Spears, escondia seu nome do meio por vergonha do mesmo. Um homem alto, de corpo definido e pálida pele fazendo seus olhos verdes com sua grossa armação de óculos pretos na frente. Não muito sorridente, mas sociável, de boa convivência. Bancário, trabalhava no centro da cidade.

–Bo-bom dia! –Cumprimentou o de cabelos vermelhos compridos, preso com uma fita, formando um laço.

–Bom di... Sutcliff? – Parou em meio sua frase, surpreso com quem via em sua frente.

–Talvez...Quem seria o de cabelos rubros que voltaria?

Grell Sutcliff, o nome do ruivo. Com seu terno azul marinho, com um lenço vermelho, mostrava-se seu corpo também bem definido. Com um sorriso envergonhado estampado no rosto. Deixou um pequeno papel na mesa do Spears e foi se apresentar ao resto.

Me desculpa por ter sumido, sei que está bravo.

Pode me encontrar hoje na saída do expediente? Precisamos conversar.”

Ao ler,William soltou um riso abafado, dobrando o bilhete com a caligrafia bem desenhada estampada nele e botou no bolso do terno.

A verdade, é que o ruivo era inesquecível. Os dois se conheciam quando crianças, e Grell sempre foi o de cabelos vermelhos mais conhecidos na vila. Não se considerava mais ruivo, pois seu cabelo era mais rubro que tudo. Já teve uma queda pelo mesmo e nunca se esqueceu do “pequeno” ruivo. Sentia agonia ao ver ele e não poder o abraçar.

“Abraçar?”

Desde quando ele era assim? Espantou os pensamentos de sua mente E focou em seu trabalho.

.....x.....

–Hey Spears! –Chamou o ruivo abanando, fechando o casaco pelo frio que fazia em Londres. –Podemos conversar?

–Onde iremos?

–Bem...pode ser na casa que eu aluguei? Não quero...que pensem nada errado. –Falou abaixando a cabeça, fazendo o moreno concordar e segui-lo.

–Aconteceu algo? –Perguntou enquanto botava as luvas.

–Te contarei quando chegarmos. Perigoso aqui fora. –Falou olhando para os lados e seguindo em passos apressados.

Os dois eram vizinhos, até Grell alcançar seus 16 anos, quando sumira. Sua mãe preocupada, falava algo com a senhora Spears, algo como “Ele era, e se ele for pego? E se ele foi pego? Ele será executado!” enquanto deixava grossas lágrimas pesadas escorrerem sobre seu rosto. William preocupado apenas ouvia, não tinha ideia o porque, mas não queria o perder.

Se sentia aliviado após oito anos separados, ao ver ele em sua frente. Vivo. Com seu ruivo cabelo, seu sorriso que iluminava. Sua timidez, seu jeito. Ele estava vivo, na sua frente. Sorriu de leve com o pensamento, tanta coisa já tinha mudado. Ele já tinha mudado.

Entrou na casa qual Grell morava, não muito grande e nem tão luxuosa, mas bem arrumada. Largou seu casaco no cabideiro e sinalizou para o moreno fazer o mesmo.

–Aceita um café? Chá? –Perguntou passando a mão no cabelo, tirando a franja do rosto. –William? –Chamou mais uma vez, o fazendo acordar. –Chá...café?

–Ahn...aceito um chá. –Falou, o ruivo sorriu e seguiu para a cozinha com um pequeno sorriso estampado no rosto. –Porque você sumiu?

–Hanm? –Perguntou, voltando a prestar atenção na conversa, enquanto botava a água na chaleira.

–Você sumiu, todo mundo se preocupou. –Explicou, botando as mãos no bolso, analisando o rosto pálido do ruivo, com as orbes verdes brilhando, mas com um pequeno brilho triste em meio.

–Todo...mundo?

–Bem...eu, sua mãe e a minha mãe. – Falou olhando para baixo, fazendo o ruivo soltar uma risada abafada.

–Sempre fomos tão próximos... Mesmo com o tempo, você não mudou nada. –Falou rindo, dando um empurrão no ombro do mesmo.

–Queria que tivesse mudado? –Perguntou sorrindo de leve.

–Não...Não quero que mude.

....x....

–Pode me explicar agora? –Pediu novamente, se sentando na poltrona em frente a da de Grell.

–Ai ai William... –Suspirou ajeitando a franja que teimava soltar do cabelo amarrado, assim por fim soltando todo o cabelo. –Eles iriam me descobrir...decidi sumir por um tempo, mas sempre tem tempo de voltar as origens.

–Descobrir?

–Ah vamos lá né William, você sabe... Não...ah meu deus...

–Fala logo Sutcliff. –Disse apoiando as mãos sobre os joelhos e ele soltar uma risada.

–Ah querido, sabe que não sou hétero. Oque acha que eles fariam se me achassem e soubessem? –Falou soltando mais uma risada, meio irônica dessa vez. –Eu seria executado...

–Grell calma...

–Executado William... Eu deixaria essa...INUTIL EXISTENCIA! –Falou ainda rindo ironicamente, apoiando a cabeça entre as mãos. –Eu...deixaria tudo. Deixaria tudo com a humilhação em meu caminho... –Sussurrou, soluçando.

William se levantou da onde estava e se sentou ao lado de Grell, esperando que ele se acalmasse. Respirou fundo, passando a mão sobre as costas do ruivo, esperando que isso o acalmasse.

–Porque eles achariam isso?

–Ah William...você se faz? –Perguntou rindo baixinho em meio aos soluços. –Eu nunca entendi...como continuava meu amigo.

–Oque algo tem haver com outro? –Perguntou fazendo Grell se jogar para trás.

–Ah você é lerdo mesmo... –Falou se aproximando do outro. –Nunca percebeu? –Perguntou ainda com sua risada irônica presente. –Ai ai William...Eu sempre gostei de você... eu sempre...te amei... –Falou e logo começou a negar rapidamente com a cabeça enquanto ria, como se estivesse tendo um surto. –Não...sempre fui alucinado por ti.

–Gre-grell..

–Pode chama-los...ao menos morrerei sem o meu segredo.

–Sutcliff. –Chamou novamente.

–CHAME-OS, DEIXE EU ACABAR LOGO COM ESSA EXISTENCIA, ELA NÃO TEM MAIS SENTIDO WILLIAM... –Gritou entre soluços. –VAMOS, OS CHAME, CHAME PARA QUE MATEM ESSA ABERRAÇÃO QUE SOU!

–GRELL SUTCLIFF!

–AH VAI SER COVARDE AGORA? ME INCRIMINE! AFINAL...NÃO SOU UMA ABERRAÇÃO? –Falou se aproximando do rosto de William que o olhava com raiva. –AH VAMOS...MEU AMOR.

–EU DESISTO DE VOCÊ TENTAR ME OUVIR! –Gritou o puxando para um demorado beijo, qual Grell não esperava.

Entrelaçou seus braços sobre o pescoço de William, passando seus dedos sobre o negro cabelo do tal amado. Meio desnorteado, ficou olhando para o rosto rosado de William, que olhava profundamente para seus olhos, seus lindos olhos esmeraldas.

O moreno acariciou a bochecha corada de Grell, e beijou sua testa.

–Vamos então...encarar isso juntos? -Perguntou William, fazendo Grell voltar a chorar.

–Você não mudou! –Exclamou, rindo e se jogando nos braços do mesmo. –Obrigada William, obrigada!

–Em anos...continuamos os mesmos.

–Em eternidade...continuamos os mesmos..

]

Registro off:

–E na eternidade...sempre fomos assim? –Sussurrou Grell baixinho, prestando atenção nas páginas.

–Pelo jeito... Sempre. –Falou acariciando os longos cabelos vermelhos. –Parece que deu certo...

–Oque Wiru? –Perguntou virando o rosto para ele.

–Eu pedi ao universo alguém...E ele me deu você...ele me deu tudo. –Sussurrou em seu ouvido, logo selando seus lábios. –Não podia... pedir mais nada. Pois eu já tenho tudo oque quero. Eu tenho vocês.

Notas finais
Gostaram? poderiam...deixar um review?