O conto do livreiro e a rainha fria - jelsa
5 A recusa de um amigo
Hans olhava pela janela do castelo pensativo, já fazia uma semana que estava vivendo no castelo de Arendelle e não havia tido sucesso em nada. A rainha Elsa era fria e pragmática, não gostava de tê-lo por perto por muito tempo e Anna infelizmente tinha se apaixonado por um entregador de gelo antes que ele tivesse a chance de conquistá-la.
Foi só depois disso que notou que a ruiva teria sido sua chance, já que a princesa era boba e ingênua o suficiente para cair de amores por qualquer um que lhe desse um pouco de atenção. Uma pena que ele havia errado o alvo.
Ele dedilhou os dedos no queixo, irritamento e suspeita o encheram ao ver o garoto dos livros entrar no castelo. Elsa e aquele camponês tinham algo que Hans não sabia identificar o que era, amizade? No entanto, era estranho imaginar algo assim.
Hans negou, rindo sozinho, ao imaginar alguém tão fria quanto Elsa apaixonada. Com certeza, se houvesse amor ali, seria apenas da parte do pobre rapaz.
Ele nunca viu ninguém como ela, e seu jeito o inquietava. Elsa provavelmente ocultava algo e Hans iria descobrir o que era.
Desceu as escadas, colocando um sorriso no rosto ao sair pelas grandes entradas do salão rumo à rainha.
— Rainha Elsa. — Ele cumprimentou, Elsa assentiu elegantemente à sua presença.
— Príncipe Hans, acordou cedo hoje, normalmente não o vejo antes do meio-dia. — Ela falou normalmente, mas Hans viu Jack disfarçar uma risada com uma sequência breve de tosse.
— Apenas sofremos do infortúnio de não trombarmos antes do almoço. — Hans explicou, escondendo o irritamento que sentia.
— E você deve ser o Jack, o rapaz que estava dançando com sua majestade na coroação. — Hans observou Jack de cima a baixo, realmente ele era bem apresentável, mas apenas sua aparência era o diferencial e as roupas humildes tratavam de ocultar bem isso. — Vejo que teve problemas. — O ruivo apontou para o olho de Jack, agora o círculo roxo estava esverdeado, sinal de que estava se curando.
Jack sorriu, fios de cabelo marrom caindo em sua testa enquanto ele balançava a cabeça em um gesto despreocupado.
— Nem todos os homens têm uma boa educação, não é mesmo? Creio que topei com um destes neste dia. — Os olhos profundos de Jack o encaravam desafiantes e Hans, ao notar que Elsa o encarava, deu risada, descontraindo a tensão que pairava no ar.
— Tem razão, o mundo de hoje está cheio de homens assim. — Concordou, olhando os livros que o rapaz trouxera.
Pegou um aleatório.
— Vou ficar com este. — Retirou algumas moedas de ouro do bolso e as entregou ao camponês.
— Elsa, um de seus conselheiros tem algo a tratar com você. — Ele disse e, para seu deleite, o rapaz pareceu frustrado.
— Oh, é mesmo? — Ela indagou e olhou para Jack. — Já tenho que ir, obrigada pelo livro. — Ela agradeceu e ele sorriu pacificamente.
— Foi um prazer, majestade. — Ele respondeu, se virando e indo embora.
Tudo parecia normal se não fosse por um pequeno detalhe, este que Hans não pôde deixar de notar.
Ela não havia pegado nenhum livro.
***
Elsa nunca pensou que sentiria falta da vida de princesa como sentia agora que era rainha, seu cuidado com os poderes tinha que ser redobrado, assim como manter suas luvas no lugar e seus sentimentos controlados. Qualquer mínimo deslize poderia ocasionar um grande problema.
Ela ainda temia isso, mesmo que os livros sobre magia que Jack a trouxera ajudassem a controlar seus poderes, eles não eram suficientes e seu medo de enlouquecer ou de ser rejeitada como o antigo rei a apavorava ao ponto de quase não a deixar dormir.
Mas não aconteceria, porque ela não era descendente daquele homem.
Ela estava almoçando juntamente com Anna quando vários empregados entraram e rodearam Anna, todos perguntando sobre como deveria ser a festa de comemoração de Natal nesta noite.
Elsa sorriu ao ver a irmã se empenhando neste papel com uma seriedade quase espantosa.
— Uf, haha, eles são bem agitados nesta época do ano, não são? — Anna indagou um pouco sem jeito.
— Com certeza, mas eles têm sorte, você dá conta disto muito bem. — A platinada elogiou. — Seria uma ótima rainha.
Anna gaguejou.
— R-rainha? Puf, não! Eu nunca seria tão boa quanto você. — Ela sorriu, parecendo bem feliz por estar tendo aquela conversa. — Aliás, Elsa... — Ela começou cautelosamente.
— Sim?
— Eu queria te dizer que estou namorando. — Soltou de uma vez, baixando o olhar para o próprio prato.
Elsa sorriu levemente.
— Oh, é mesmo? E quem é o feliz rapaz? — Indagou.
— Ele é bem humilde... E talvez um pouco grosseirão, mas tenho certeza de que você vai gostar muito dele! Vou apresentá-lo a você hoje à noite. — Completou, e Elsa concordou, era estranho, mas se sentia receosa com isso, como se estivesse ocupando a posição de seus pais atualmente.
— Contanto que você esteja feliz e que não queira se casar antes de conhecê-lo completamente. — Ela deu de ombros, cuidaria da neura dos seus conselheiros depois. Anna não precisava ser condenada a um casamento sem amor e ela não permitiria isso.
Afinal, ainda a tinham para condenar a se casar caso assim quisessem.
— Elsa, posso te fazer uma pergunta? — Anna indagou novamente e a loira concordou.
— Claro, o que quer saber? — Perguntou, recolocando as luvas.
— O que você acha do Jack? — Elsa a olhou confusa.
— Gosto dele, é um bom amigo. — Respondeu e se inclinou. — Por que a pergunta?
— Acho que ele está apaixonado por você. — A ruiva soltou um sorriso malicioso, surgindo em seu rosto.
Elsa se levantou.
— Não invente coisas, Anna...
— Não estou inventando! Venho notando a... Há um bom tempo! O jeito que ele te trata, como ele te olha, até mesmo quando eu era mais nova e confessei minha paixonite por ele, ele me rejeitou. — Anna falou, se recordando daquela época.
Há quatro anos.
" — Jack, eu estou apaixonada por você! — Anna disse, trêmula, segurando uma flor branca com força entre a mão direita.
Jack a olhou confuso por alguns instantes antes de sorrir e se inclinar um pouco para olhá-la nos olhos.
— Você anda lendo romances demais, princesa. — Ele disse, colocando a flor branca na orelha da garota. — Aqui, tenho uma coisinha que vai te ajudar a superar isso. — Se virou de costas e pegou um livro, entregando à ruiva.
— "Matemática"
Atualmente.
— Pensando bem, depois daquilo, detesto matemática até hoje — Anna disse em seu devaneio.
— Você é apaixonada por ele? — Elsa indagou, espantada.
— O quê? Não! Foi uma paixão boba de adolescente! Mas no caso dele, não! Tenho certeza de que, se você pedir que ele vá ao fim do mundo, ele vai por você.
***
— Não, eu não iria até o fim do mundo por ela. — Jack disse, irritado, terminando de descarregar algumas caixas de maçã e cenoura em uma tenda de verduras.
— Claro que não iria, até porque você já foi! Vem cá, não foi você que sumiu por meses atrás de um bruxo louco atirador de gelo? — Kristoff perguntou, quase entregando uma cenoura a Sven, mas Jack tomou a mesma de sua mão.
A sobrancelha franzida.
— Não era um bruxo louco e ele já está morto há muito tempo. — Jack revirou os olhos. — Fui atrás da história dele.
— Tem razão, Sven, ele se apega rápido demais. — Kristoff concordou com a rena.
— Jack, meu querido. Obrigada. — A senhora da tenda agradeceu, o garoto sorriu.
— Não há de quê. — Respondeu, caminhando com Kristoff em seu encalço.
— Aonde vai? — O loiro perguntou.
— Embora. — Jack respondeu.
— E a festa de inauguração da fonte de Natal? Você não vai?
— Não, e não me importo com isso, todo o ano é sempre a mesma coisa, não é nem um pouco divertido. — Resmungou.
— Este ano, não. Elsa irá inaugurar a fonte. — Dito isto, Kristoff soube que tinha ganho a atenção do amigo, então se aproximou.
— Jack, eu te conheço há um bom tempo, você é meu único amigo.
— Não! Como pode dizer isso? Pelo Santo Troll, o que sua família de rochas diria se ouvisse isso? — Jack perguntou sarcástico e Kristoff o golpeou no ombro.
O garoto deu risada.
— Estou dizendo que você é meu único amigo humano, idiota. — Kristoff resmungou.
— Certo, entendi. Amigão. Quer um abraço ou algo do tipo? — Jack disse sarcástico, se sentindo incomodado com o assunto.
— Você é apaixonado por ela há um tempão, Jack, desde que você começou a ir ao Palácio, o que é tão difícil assim para você? — Perguntou e Jack bufou mal-humorado, colocando as mãos no bolso da calça marrom que usava.
— Pra você é fácil falar, conheceu a princesa Anna em um dia e no outro já começou a namorar. — O rapaz passou a mão nos cabelos, frustrado, suspirando.
— Ela simplesmente é inalcançável para mim. — Automaticamente, os olhos do rapaz foram para a lua, que começava a brilhar acima de suas cabeças.
Seria bom se conseguisse passar mais tempo com ela.
— Podemos encontrar outra garota para você. Hoje à noite. — O loiro sugeriu, colocando o braço no ombro de Jack.
— Não comece. — O rapaz advertiu, sentindo-se repentinamente animado.
Sabia que seus sentimentos não eram correspondidos, na verdade, ele sentiu raiva de si mesmo quando percebeu o que sentia, odiava Arendelle, odiava ter que ver a mulher que o concebeu, que mal o olhava quando se trombavam pelas ruas.
Odiava lembrar os abusos que sofreu enquanto vivia na rua e odiava principalmente os reis, a forma como esqueciam os pobres e moradores de rua como se fossem a escória.
Isso o deixava louco.
Mas Elsa não seria igual aos reis anteriores. A única coisa que a impedia de reinar com sabedoria eram os conselheiros da corte, que controlavam o Reino com seus falsos ensinamentos, mas ela seria boa, ele sentia isso e queria estar por perto para ver.
— Jack? — Chamou Kristoff ao ver o olhar perdido do amigo e de repente viu os olhos do amigo brilharem como antigamente, quando ia aprontar alguma coisa.
— Onde está o Coelhão? Você o viu? — O moreno indagou, ignorando o amigo.
Kristoff suspirou exasperado, sabia que Jack sempre procurava o rapaz encrenqueiro quando tinha alguma ideia e aquilo o incomodava, não queria ver o amigo em problemas, mas Jack o encontraria com ou sem a sua ajuda, então, de má vontade, disse:
— Onde você acha que ele está uma hora dessas? — Indagou Kristoff, e Jack concordou.
— Nos vemos por aí, Kristoff. — Jack se despediu rapidamente, sumindo entre as vielas do Reino. Não foi difícil encontrar o mais velho sentado na habitual bancada da taverna mais conhecida do beco, todos os "maus" homens frequentavam aquele lugar e Jack odiava ter que ir até lá, já que ali havia muitas pessoas que odiavam sua presença, normalmente por algum motivo do passado.
— Coelhão, meu velho amigo, tem um minuto? — Indagou ele, interrompendo a conversa entre ele e mais dois homens. — Preciso deste cara aqui por alguns minutos, se importam? Não? É claro que não se importam. Então, com a devida licença... — Jack exclamou, afastando Coelhão com ele para um lugar mais calmo.
— Opa, opa, opa. O que te traz aqui, hein, Jack? Você odeia esse lugar. — Indagou Coelhão, curioso.
— Ah, eu não odeio esse lugar. — Jack respondeu, bebendo um copo de cerveja de uma vez e batendo-o com um som chamativo na mesa.
Jack não gostava de beber, mas se sentia socialmente obrigado sempre que ia à taverna.
— Preciso de sua ajuda. — Exclamou e contou sua ideia ao rapaz, assim como sua perspectiva de melhora no reinado sem os líderes da coroa implantando limites à rainha de Arendelle.
— Você está louco? Não podemos simplesmente atacar os caras. — Coelhão exclamou ao terminar de ouvir o plano, engasgando-se com a fumaça do próprio cigarro.
— Ah, qual é, Coelhão? Você já roubou a nobreza e vários outros feitos tão grandes quanto. — Jack tentou persuadir e Coelhão o olhou repressivo ao procurar por guardas ou alguém os escutando.
— Isso... Isso não é a mesma coisa! — O rapaz disse, apontando o dedo para Jack. — Estamos abordando coisa grande aqui, Jack. Tire isso da cabeça, não temos armas nem pessoal para isso. — Concluiu, deixando algumas moedas de ouro na mesa do bar para pagar ambos os copos de bebida que consumiu no estabelecimento.
— Isso não é a mesma coisa? — Indagou Jack, irritado, se levantando. — Quando é você que precisa da minha ajuda, eu não penso duas vezes. Mas sempre me esqueço de que você só faz as coisas quando elas te convêm. Sabe quantos anos vivi nesta droga de Reino passando fome e tendo que roubar para sobreviver? Não, claro que você não sabe, é só mais um riquinho qualquer que se acha descolado ao viver rodeado de coisas roubadas. — Exclamou.
Coelhão pareceu surpreso e talvez até um pouco magoado ao escutar o amigo proferir aquelas palavras, mas seu rosto rapidamente se endureceu, ele se aproximou de Jack.
— Isso não é sobre mim! Foram anos medíocres nesta bosta de reino. Aquela rainha por quem você está cego de amores não vai mudar droga nenhuma, assim como nenhum rei ou rainha antes dela fez, deixe-a lidar com os próprios problemas, se ela não consegue nem se livrar dos conselheiros, como espera que ela melhore alguma coisa? — Concluiu, colocando o dedo no peito de Jack e o empurrando firmemente. — Abra os olhos, garoto. — Mandou, se virando e rapidamente saindo pela porta em direção à fria e escura noite.
Jack suspirou, olhando para onde o amigo saiu.
Coelhão tinha razão.
A discussão estava encerrada.
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