O conflito de Hera
16 Fogo VS Fogo
Notas iniciais
Sala do Trono
— Irmã, senti falta de um nome, de um dos cavaleiros lendários que havia me falado, o cavaleiro de Fênix.
A deusa fecha seus olhos e tenta sentir a presença do cavaleiro mencionado, mas não o encontra em seu Santuário.
— Não é possível! Ikki saiu do Santuário e está...
Ela abre seus olhos novamente e vê o irmão, curioso, na sua frente.
— E então, Atena, onde ele está?
— Ele está na Ilha Canon.
— Que lugar é esse?
— É uma ilha localizada no mediterrâneo, onde existe um vulcão cuja fumaça cura os ferimentos dos cavaleiros, se eles ficarem lá por sete dias e sete noites.
— Mas por que ele iria até essa ilha? Os ferimentos dele eram assim tão graves?
— Não, não eram tão graves a esse ponto.
A deusa parecia preocupada, tendo Hércules percebendo isso
— Atena, existe algo nessa ilha?
— Vou lhe contar algo, mas que deve permanecer em segredo.
— Tem minha palavra quanto a isso.
— Ikki nunca deixou o campo de batalha de verdade. Enquanto alguns achavam que ele estava estudando no Japão, ele agia secretamente, sob minhas ordens, em alguns pontos do mundo e a Ilha Canon era um desses locais.
— Mas por que escondeu isso dos outros, Atena?
— Ikki é um dos meus cavaleiros mais poderosos, embora rebelde. Eu sabia que ele nunca iria aceitar parar de lutar, então fiz dele um cavaleiro espião, para averiguar as eventualidades que eu julgasse suspeita. É claro, isso custava muito dele, já que manter o cosmo oculto por longos períodos de tempos consome muita energia. Esse deve ter sido o motivo dele ter sido vencido com tanta facilidade.
Ela percebe que o irmão ficou surpreso com aquelas palavras, e continuou:
— Eu me ofereci para selar parte do cosmo dele, para que não precisasse gastar tanta energia, mas ele me advertiu que, caso alguma coisa acontecesse, ele precisaria de todo o poder que tinha.
— Ainda não entendo o motivo dele ter voltado para essa ilha.
— Nessa vida acabamos criando muitos laços, Hércules, e Ikki não é uma exceção. As pessoas que moram naquela ilha uma vez já o ajudaram quando ele era perseguido por cavaleiros de prata. Ele só está pagando uma dívida...
Ilha Canon
O vulcão da ilha estava sempre ativo, mas nunca havia sido preciso que os moradores da aldeia precisassem sair de suas casas. Mas algumas semanas atrás tinha sido diferente...
O cavaleiro, com seu cosmo oculto, estava na fumaça do vulcão, curando suas feridas, quando o nível de magma começou a subir. O Fênix sabia o que aquilo significava: uma erupção aconteceria a qualquer momento, algo comum para aquele lugar, mas não naquele patamar. Ikki já estava saindo do lugar, quando sente um cosmo incomum na área. Suas suspeitas só aumentam quando ouve uma voz que conhecia muito bem:
— Socorro! Alguém me ajude!
Saltando por entre as rochas fumegantes, o defensor de Atena logo vê a moça que um dia salvara. Ela tinha crescido, já era adulta com curvas bem definidas. O cabelo, do castanho para um ruivo, ainda era longo, mas não era mais mantido no estilo Maria Chiquinha e sim soltos, atingindo o meio de suas costas. Os olhos, esses sim permaneciam os mesmos: Verde-água, lindos. Os olhos que um dia tinham chorado pela morte do avô, morto no ataque em que Shiva de Pavão e Ágora de Lótus, discípulos de Shaka de Virgem, estavam caçando Ikki, a mando do próprio cavaleiro de ouro. O Ancião tinha protegido o bronze, não revelando onde ele estava e, por sua honra e comprometimento junto de Atena, pagou com a vida. Helen teria tido o mesmo destino, senão tivesse despertado novamente a vontade de lutar daquele homem, até pouco sem sentimentos.
— Solte-a!
O inimigo, ao ver o homem se aproximando, sorri e atira a jovem contra um poço de lava.
— Helen!
Ikki consegue impedir que ela caia no fogo, segurando-a pelo braço esquerdo.
— Fuja, cavaleiro. É uma armadilha!
Mas as palavras vinham tarde, pois golpes sequenciais são disparados contra as costas do cavaleiro, que grita de dor, mas não solta a moça. Percebendo uma brecha entre os ataques, ele puxa ela para cima, deixando-a em um ponto seguro.
— Helen, saia daqui. O vulcão logo vai entrar em erupção total. Procure abrigo.
— Cavaleiro – fala Helen – Foi esse homem que fez o vulcão ficar instável. Ele que está fazendo tudo isso.
— Eu vou cuidar dele, agora vá.
Helen corre, deixando o seu salvador para cuidar daquele assunto, embora ela desejasse poder ajuda-lo, como havia feito quando garotinha.
— Muito bem, quem é você e por que fez o vulcão entrar em atividade?
— Não se preocupe, cavaleiro, vamos nos encontrar de novo. Isso foi apenas uma amostra do meu poder. Em breve, quando a Senhora Olimpiana chegar, enfrentarei você e o destruirei. Por hora... – a figura, em meio a fumaça, faz um gesto com a mão e logo a lava começa a ser expelida – Acho melhor você salvar a aldeia.
E, rindo, desaparece sem deixar pistas. Ikki tenta ir atrás, mas os gritos que começam a ser ouvidos na aldeia o fazem mudar de ideia. Por meio de seu cosmo, agora elevado, ele manda uma mensagem para Atena:
“Saori, o vulcão da Ilha Canon entrou em erupção e ameaça a aldeia. Não posso mais ficar aqui sem ser visto. Mande ajuda, rápido! ”.
Em sua fuga ele encontra Helen, desacordada. Provavelmente ela tinha tropeçado em uma pedra e batido a cabeça. Pegando-a no colo, ele corre para a aldeia, deixando ela em sua casa e saindo o mais rápido que podia, pois sentia alguém se aproximando. Após alguns instantes, um outro cavaleiro entra no quarto da moça.
— Você está bem? Precisamos sair daqui bem rápido! O vulcão entrou em erupção.
— Ikki?
— Não, eu sou Geki, o cavaleiro de urso. Venha.
— Eu quase fui descoberto aquele dia. Mais um pouco e Geki com certeza teria me visto e meu disfarce estaria comprometido. Bem, ninguém disse que ser um cavaleiro espião seria fácil.
O cavaleiro estava onde antes era a aldeia. Tudo tinha sido consumido pela lava.
— Helen disse que essa erupção tinha sido causada por aquele homem que a atacou. Antes de sumir, ele disse que estava a serviço da Senhora Olimpiana. Ela só pode ser Hera, o que mostra que aquela pilantra estava certa sobre o que fazer e adiantada já naqueles dias, antes da guerra estourar. Mas... – Ele olha em volta, como se algo o perturbasse – Ainda sinto uma presença aqui e muito poderosa.
Andando, com a Pandora box*¹ em suas costas, ele tenta achar uma resposta para sua busca, mas acaba sendo atingido por algo duro em sua cabeça.
— Arg...
Ele cai, mas ainda consegue se recuperar para evitar um novo ataque. Sua cabeça agora doía e sangrava.
— Pensei que não voltaria aqui tão cedo, cavaleiro de Fênix.
— Quem é você?
— Nos encontramos algum tempo atrás, quando eu provoquei o vulcão. Ah, sim... Não me apresentei a você naquele dia. Eu sou uma virtude suplementar de Hera, Esmond*² de Euristeu*³.
— Pouco me importa quem é ou como se chama. Acabarei com você agora!
— Acabara comigo? Já esqueceu o que eu pude fazer? Eliminar você vai ser uma brincadeira de criança.
Ambos inimigos elevam seus respectivos cosmos, fazendo o calor da batalha aumentar.
“Helen, vencerei esse homem por você”.
— Venha, armadura de Fênix.
A urna sagrada, agora no chão, se abre e a armadura logo cobre o corpo do cavaleiro, que agora pode demonstrar todo o poder que tinha.
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