O conflito de Hera
17 Avante Ikki! Não tema o inimigo | O tilintar da corrente
Notas iniciais
Ilha Canon
— Eu aguardei ansiosamente por esse dia, cavaleiro de Fênix. Desde que Hera começou a planejar esse ataque eu tenho observado seus movimentos.
— O que quer dizer com isso?
— Tenho mesmo que responder? Acha mesmo que Hera é como qualquer outra deusa meia boca? Ela é ninguém menos do que a esposa de Zeus, deus dos deuses, e possui uma mente brilhante. Entretanto, ela sabia que correria grandes riscos se investisse contra a deusa da sabedoria sem um plano detalhado.
— Então eu estava certo em supor que alguns acontecimentos não eram ao acaso.
— Atena é muito idiota mesmo. Mesmo depois de tantas traições, ela ainda acredita que todos os seus cavaleiros são fiéis e que só querem proteger o mundo e todo aquele blábláblá todo que vocês, vermes, não cansam de repetir. Hera obteve informações privilegiadas vindas de dentro do Santuário e é por isso que ela conhece cada ponto fraco da deusa que vocês insistem em defender.
— Não estamos aqui unicamente para defender Atena – Ikki cerrava os punhos com toda força que seus ossos permitiam – Estamos aqui para defender toda a humanidade de todo o mal existente. Quanto a esses traidores... Uma hora eles terão que se revelar e nós, juntos de Atena, estamos lá para acabar com eles!
— Talvez outros estejam, mas você não vai estar. Essa ilha, Fênix, seu segundo lar, onde você sempre vem se recuperar das batalhas, vai ser o seu túmulo! – A virtude salta, tendo o cavaleiro em sua mira perfeita – Seja consumido pela minha REALEZA DAS CHAMAS.
Pequenas fagulhas de fogo são lançadas dos punhos de Esmond que, ao tocar no chão, formam um círculo ao redor de seu alvo. Em um piscar de olhos as fagulhas se transformam em chamas altas, que adotam a forma de pontas como as de uma coroa real. Tais pontas avançam para o centro, se chocando uma conta a outra acima do alvo, aprisionado, e finalizam o ataque em um único e poderoso raio de calor que caí sobre a vítima no centro. A temperatura elevada desse ataque seria capaz de carbonizar um humano comum, reduzindo-o completamente a cinzas.
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Agora, no lugar do ataque, tudo o que se via era uma cratera, onde o chão ardia em chamas negras. A virtude de Euristeu se aproximou para averiguar o resultado, inalando a fumaça e pisando sobre as rochas queimadas.
— Obrigado por morrer, Ikki. Afinal, nem mesmo você conseguiria suportar esse ataque. Hera não devia se preocupar tanto assim com esses cavaleiros.
O inimigo já saia, chutando algumas pedras, mas suas pernas pararam de caminhar, pois sentiu algo escorrendo pelo seu braço direito. Ao voltar seus olhos para o membro viu que a região abaixo do cotovelo, que não era protegido pela honra, sangrava. Em seu ferimento havia um objeto cortante que imediatamente ele reconheceu como sendo uma das penas da armadura de fênix*¹. O suor começou a escorrer frio pela sua testa, não pelo ferimento que não parava de sangrar, mas pelo tenebroso som que seus ouvidos escutavam. A risada daquele que tinha acabado de matar ecoava de todos os lados da ilha. Seus olhos buscavam avistar o dono do som, mas não conseguia distinguir sua localização, pois sempre parecia que a voz vinha de trás de si. De repente, tudo ficou em silêncio. Esmond conseguia ouvir o tamborinar acelerado do seu próprio coração e sua respiração descompensada.
“Então você ainda está vivo, seu maldito?!”.
Sua mente só pensava em matar o cavaleiro, que o tinha enganado. Fechando seus olhos e elevando violentamente seu cosmo, ele tentava rastrear o mínimo vestígio que pudesse lhe dar uma pista de onde atacar. Mas nada conseguiu.
“Ele passou todos esses anos ocultando seu cosmo, se mostrando de verdade somente no calor da batalha. É claro que ele pode se esconder facilmente de mim, mas não atacar com todo poder. Um cosmo adormecido por tanto tempo deve levar um tempo para alcançar o patamar que um dia teve”.
A virtude de Euristeu abriu os olhos calmamente, esboçando um pequeno sorriso enquanto diminua seu cosmo e então gargalhou, tanto que chegou a escorrer lágrimas pelo seu rosto.
— Eu descobri sua fraqueza, Ikki! – Gritava ele, buscando ser ouvido pelo outro. – Não pode atacar ainda, pois seu cosmo ainda está se re-estabelecendo pelo longo tempo em que permaneceu oculto. Você está com medo? Acho que sim.
Ele começou a andar, buscando pelo cavaleiro espião, enquanto ainda berrava aos quatro ventos:
— Afinal, se me atacar com seu poder atual, não vai me provocar um arranhão e, com certeza, não terá energia para escapar do meu ataque de novo. Por outro lado, se buscar fortalecer seu ataque, vai ter que elevar o cosmo e eu vou te achar. – Ele parou. – E acabarei com você. – Finalizou, em um tom que somente ele pode ouvir.
Pátio principal do Santuário
Um rastro de destruição assolava o Santuário. A barreira de Atena, que seguia sendo energizado pela deusa, combatia as trevas do céu de Hera, deixando as coisas nítidas como o dia para quem estava em suas terras. Ainda assim, era difícil andar sem ser afetado pelo cheiro de sangue que contaminava todo ar. No meio de todo esse caos um cavaleiro seguia confiante na busca de outros invasores. Sua armadura tinha manchas de sangue dos pajens que tinha derrotado a pouco. Ele teria se importado muito com isso e até mesmo chorado pela sua atitude no passado, mas não agora. O próprio não sabia o motivo de ter amadurecido tanto. Não sabia se era por ter sido o deus do inferno, ter visto tantas mortes no decorrer da sua vida ou simplesmente por ter crescido, o que ele sabia é que não pouparia ninguém que fosse inimigo, embora ainda tentasse convencer o oponente a se entregar e até mesmo se aliar com a deusa da terra. Seus movimentos param quando sua atenção se volta para sua corrente triangular, que sentia a presença inimiga.
“Minha corrente está muito tensa. Ela sentiu alguém realmente poderoso por aqui”.
Mas do mesmo modo que a corrente tinha começado a tilintar, parou.
— Isso é estranho.
Passos foram ouvidos pelo cavaleiro de Andrômeda, que logo refez sua compostura, e lançou seu ataque.
— CORRENTE DE ANDRÔMEDA.
As correntes de Shun, sob seu comando, avançam para cima de sua vítima de uma maneira veloz e objetiva, visando acertá-lo por algum ângulo. Possuem a finalidade de danificar o inimigo, seja perfurando sua armadura com a alta pressão exercida sobre o ponto atingindo ou então apenas causando-lhe danos de impacto com a colisão das extremidades da corrente com o corpo da vítima. Mas as correntes não tiveram tempo de chegar perto de quem se aproximava, pois a temperatura abaixou instantaneamente e uma fina camada de gelo cobriu-as, fazendo com que perdessem as forças.
— Quem está ae? Apareça!
— Desculpe-me assusta-lo, Shun, não foi minha intensão.
Quem falava era um homem que vestia uma das armaduras douradas. Seu cabelo era comprido, cacheado e totalmente branco, como a neve, diferente de seus olhos escuros que se destacavam pelo fato da sua pele também ser clara. Diferente da maioria dos cavaleiros, esse tinha a barba por fazer, deixando-o com uma aparência mais intimidadora. Ele sorriu enquanto mexia as mãos, fazendo o frio sumir.
— Sou eu, Silas*² de Aquário. Perdão pelas correntes, foi o impulso.
— Não tem problemas. – Responde o lendário, recolhendo as correntes e fazendo o gelo sumir com facilidade.
— Felipe! Felipe! – Chamou o dourado.
— Estou aqui, senhor!
— Shun, esse é Felipe*³, o cavaleiro de prata de Centauro.
— Shun? Esse é o Shun?
O garoto estava admirado por estar na frente de um cavaleiro famoso e ao mesmo tempo temoroso por estar junto de alguém tão poderoso quanto um cavaleiro de ouro.
— Não precisa ter medo. – Tranquilizou o bronze, estendendo a mão.
O menor demorou um instante antes de apertar a mão que era estendida a ele, mas logo retribuiu o cumprimento com um sorriso no rosto. Shun não pode deixar de notar que o prateado ainda era um menino que, com certeza, não passava dos doze ou treze anos. Os pelos no rosto começavam a aparecer, ruivos como o cabelo, curto e liso. Os olhos castanhos eram belos, mas o que realmente chamava atenção era uma cicatriz, na sua pele bronzeada, no lado esquerdo da cabeça, perto da orelha. Felipe percebeu e tratou de largar a mão que apertava e colocar o elmo da armadura, que era totalmente branca com detalhes vermelhos.
— Shun, temos que ir. – Retomou o dourado. – Temos que proteger Rodorio. Ordens de Atena.
— Claro. Boa sorte. Foi bom conhece-lo, Felipe.
— O prazer foi meu, Shun.
E assim os dois novamente deixaram o lendário novamente sozinho. Mal eles tinham se distanciado, a corrente triangular novamente se movia.
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