O chefe

29 Um pouco mais perto do inferno


Notas iniciais
Oi pessoal, tudo bem com vocês? Quero começar agradecendo a Jane Pereira e a Thay C por terem recomendado a fic. Muito obrigada pessoal, eu amei as palavras e amo mais ainda ver o carinho de vocês com a história ♥, fico muito contente com isso e por isso, dedico esse capítulo a vocês ♥ Bom, também quero agradecer a todos que comentaram no último capítulo, vocês fazem meus dias mais feliz ♥ Sem mais delongas, eis aqui o capítulo e espero que vocês gostem. Boa leitura ♥

Um pouco mais perto do inferno

▬ Bella ▬

John meu filho, agora não. Por favor. Péssima hora pra eu ter um macaco tocando tambor na minha cabeça, mas olha... devo confessar que dentre todas as músicas que meu macaco imaginário já tocou pra mim, dessa vez John se superou. Um louvor? Por essa nem eu esperava. Nem eu sabia que eu conhecia um louvor.

— Bella? – Edward me chamou interrompendo o louvor que tocava em minha mente.

Ele me olhava como se estivesse esperando uma resposta... qual foi a pergunta mesmo? Ah sim. Eita porra. Levantei apressada e tentei correr dali, mas sua mão segurando a minha me impediu. Ele me olhava confuso e franziu o cenho sem entender.

— Bella? – me chamou novamente

— Com licença, eu estou com diarreia – tentei me soltar, mas ele revirou os olhos.

— Pelo amor de Deus Bella, eu já sei que você sempre mente quando fala isso...

— É sério – tentei controlar meu desespero – Comi muitos frutos do mar e misturei tudo. Socorro, a natureza está me chamando. Com licença – puxei minha mão com força e corri em direção ao banheiro.

Fechei a porta atrás de mim com força escorando minha costa nela. Respirei fundo e fechei os olhos. Minha cabeça tem doído demais nessa viagem, fui obrigada a pensar mais vezes do que eu gostaria. Quando me acalmei um pouco mais, percebi que não havia trago meu celular para o banheiro.

— Só pode ser brincadeira – falei a mim mesma ainda me apalpando na esperança de o aparelho estar enfiado, pelo visto, no meu rabo já que eu havia constatado que não estava comigo.

Eu precisava do meu celular e precisava urgente. Merda. Vou ter que sair do meu pequeno casulinho. Respirei fundo algumas vezes e abri a porta devagar olhando disfarçadamente para ver se Edward não estava por ali. Ao constatar que ele não estava, abri de vez a porta e saí do quarto.

Quase eu morro do coração ao ver Edward sentado na cama, me olhando, de braços cruzados e uma sobrancelha arqueada como quem diz ‘já acabou, querida?’. Vesti minha manta do cinismo. Fingi que não era comigo e 100% plena, caminhei em silêncio até o outro lado do quarto e peguei meu celular. Para o caminho de volta, eu já não estava mais tão plena assim já que sentia seu olhar queimando em mim, então, eu corri de volta para o banheiro... literalmente.

Tranquei a porta novamente e me joguei na banheira a usando como cama e discando para o número da única pessoa sensata que poderia me ajudar agora.

— Nat socorro – sussurrei assim que ela se dignou a atender o telefone.

— Por que sua voz tá abafada como se estivesse no banheiro? – claro que a bonita não ia me dar nem um boa noite.

— Porque eu estou no banheiro...

— Ah, tá no banheiro é? – falou com voz de nojo – Ai... não tô ouvindo... ligação ruim... ops.

A filha da mãe desligou na minha cara. Cínica igual o pai. Pois vou ligar de novo. Após quase cinco toques, a pequena diaba ruiva resolveu atender de novo.

— Parece que o sinal agora melhorou...

— Sua cara de pau – a interrompi – Enfim, liguei pra tratar de um assunto importante.

— Tão importante que não pode esperar você sair do banheiro? Isso é nojento, Bella. É quase como se eu te assistisse fazer o nº 2.

— Eu não tô fazendo nada, estou no banheiro deitada na banheira me escondendo.

— Ah, então assim eu me sinto melhor e menos tentada a desligar na sua cara – ela falou aliviada – Qual o assunto importante?

— Eu esqueci de alimentar o Convergir...

— Coitadinho do Oscar – me interrompeu – Ele vai morrer.

— Para de agourar meu hamster. Ele só vai morrer se você não me ajudar e não alimentar ele.

— Por que você se trancou no banheiro pra falar do Oscar? – perguntou confusa – Eu sei que meu pai não gosta de animais, mas isso já é demais.

— Ah não é por isso, é que ele me pediu em namoro e eu não soube o que responder...

A filha do representante do diabo na terra DESLIGOU na minha cara DE NOVO. De novo. Caralho. Precisava ser uma cópia tão fiel do pai? Puta que pariu hein, podia se parecer com a mãe um pouco. Tenho certeza que ela não sai desligando na cara dos outros.

Nat filhinha do demo

20:47 pm

“Para de ser criança. Levanta a bunda daí e vai conversar com meu pai. Só me liguei quando for pra dizer que disse sim pra ele.”

Mas é uma enviada do cão mesmo. Pois daqui eu não saio e daqui ninguém me tira.

Edward

20:49 pm

“Vai morar aí dentro ou possui planos de sair?”

Ah pronto. Agora ele vai querer mandar em mim. Não respondi nada. Apenas respirei fundo mais uma vez, estava respirando fundo tantas vezes que estava a um passo de me afogar no meu próprio oxigênio. Decidi que era hora de sair, estava começando a ficar desconfortável e eu estava ficando com fome.

— Vai conversar comigo agora? – Edward perguntou quando saí do banheiro.

Mordi o lábio com força para não falar alguma besteira e concordei com um aceno de cabeça. Caminhei até a cama onde Edward estava, ele que estava deitado, sentou-se e me chamou para sentar ao seu lado onde após sentar ele aproximou-se de mim segurando meu queixo entre seus dedos e me fazendo olhar pra ele.

— Já terminou de surtar ou precisa de um pouco mais de tempo? – perguntou pacientemente com um sorriso divertido nos lábios.

— Eu sempre vou precisar de mais tempo – suspirei alto.

Mesmo com todo meu surto e vontade de sair correndo, ainda queria um abraço, então me aproximei ainda mais dele deitando minha cabeça em seu ombro. Edward passou os braços ao meu redor e beijou minha cabeça. Isso é bom.

— Edward, eu não quero namorar – falei após alguns minutos em silêncio – Não é nada pessoal, você é uma pessoa legal e se eu fosse namorar com alguém ia ser com você, caso eu não pudesse escolher a mim mesma, mas... é estranho sabe?

— Na verdade, se você explicar um pouco mais, facilita bastante – falou em tom brincalhão – O que te preocupa?

— De forma geral, tudo – soltei o ar pela boca que eu nem sabia que prendia – Eu não sou do tipo que namora. Pra namorar, você tem que compartilhar intimidades com a pessoa, tem que se dar bem com ela, tem que aguentar a pessoa, participa da vida dela. É tanta coisa, são muitos detalhes e eu não gosto de nenhum deles. Sem contar que já passei tanto tempo sozinha que já sei como conviver comigo mesma, não se conviver com outra pessoa.

— Entendo – ele falou ao notar que eu não falaria mais nada – Mas Bella, nós já estamos namorando faz um tempo, só não demos nomes ao que temos e você não tinha percebido ainda. Já estamos a um relacionamento tem um tempinho já, você se sentiu de alguma forma diferente no sentido negativo da coisa?

Sua pergunta me pegou de surpresa. Era muito abrangente. Eu me sentia diferente do dia, basta eu dormir por cima do meu braço pra eu me sentir diferente no sentido negativo da coisa. Eu me senti diferente quando meu cacto morreu e me senti diferente quando Edward foi comigo até o cemitério pra cerimônia mensal em homenagem à Aquarela. Me senti diferente quando no trabalho as meninas ficaram olhando pra bunda de Edward e me senti diferente quando comprei o Convergir.

Me senti diferente quando eu afogada na TPM Edward veio cuidar de mim mesmo antes de ele ir viajar e me sinto diferente toda vez que nos beijamos, me sinto diferente quando ele me toca e me sinto diferente quando nós transamos. Eu me senti e sinto diferente de tantas maneiras... ah... acho que agora que eu entendi o que ele queria dizer... disfarça.

Onde eu estava? Ah sim. Ai, buguei. Eu estava pensando no Convergir? Ou era na Aquarela? Se bem que agora olhando para os meus pés, notei que eu preciso fazer a pedicure...

— Você se perde do assunto tão fácil – a voz de Edward me tirou da realidade paralela na qual eu estava e me trouxe para essa realidade. Ele tinha um sorriso brincalhão no rosto e ah... lembrei.

Me sentir diferente. Isso. Enfim, me sinto diferente, a maior parte do tempo eu quero tanto só sentar minha mão na cara dele, mas na outra parte do tempo eu gosto de estar com ele. Lembro quando fizemos nosso contrato e ele disse que eu ‘estava prestes a descobrir que ele era uma pessoa agradável de se ter por perto’. Eu concordo, mas discordo. Edward é um bipolar do caralho, uma hora está o mais perfeito anjo, pisquei e o demônio já se manifestou no corpo dele e o cara fica endiabrado, pisquei de novo e ele está só amores pro meu lado. De certa forma eu gosto disso.

Eu particularmente nunca fui muito romântica, sensível, o ser humano mais simpático e sensível do mundo, meu tato com as pessoas é péssimo e tá, eu sou grossa, foda-se. Sou um poço de grosseria quando quero ser, mas eu gosto de como eu sou e sinceramente, nunca fui muito a favor da ideia de namorar alguém pois eu sempre soube que uma pessoa busca em outra tudo aquilo que eu não sou e não estou disposta a ser. Quer alguém sensível, romântica, feminina e o caralho a quatro, vá procurar uma assim, porra.

Contudo, o engraçado é que com Edward, eu simplesmente era eu. 100% eu, do jeito que sempre fui e sem sentir que tinha que me frear, diferente de como era com Jacob onde eu não sentia que podia ser eu mesma e o fato de que com Edward eu me sinto dessa forma, é algo bom, não é?

Se é algo bom, se já estamos em um estranho -e pelo visto desconhecido apenas para mim- relacionamento, por que não dar uma chance a ele? Não vou mentir, eu gosto de estar com ele, gosto da presença dele, sinto ciúmes deles, sinto saudades quando ele está longe, gosto do jeito que ele me toca e não vamos esquecer que eu estou apaixonada por ele.

“Pra que dificultar a sua própria vida?”

A voz de Rosalie ecoou em minha mente. Pra que me auto sabotar? Posso dar uma chance pra esse tal de namoro e se não der certo, se eu não me habituar e se eu não gostar, dou um chute na bundinha branca do Edward e voltamos a ficar como éramos apenas com o contrato. É, me parece um bom plano.

— Eu estava pensando... – comecei falando ainda meio sem jeito.

— A fumaça saindo da sua cabeça denunciou isso – brincou, mas pra mim só falou bosta.

— Sua mãe tem razão, você é um nojento – revirei os olhos – Enfim, eu estava pensando e decidi que... ai... tá bom, vamos dar uma chance pra esse negócio de namoro.

— Eu sei – ele segurou minha mão entrelaçando nossos dedos e levando até sua boca depositando um beijo na costa da minha mão – Enquanto você pensava, sua decisão estava estampada no seu rosto.

Eu vou estampar é um ‘vai se foder’ na minha testa.

— Precisamos estabelecer os termos desse namoro, tipo como se fosse um contrato de namoro para poder...-

— Você não é o Sheldon e eu não sou a Amy, Bella – Edward me interrompeu – Não estamos no The Big Bang Theory, não é assim que relacionamentos funcionam na vida real.

— Ah é espertinho? E como funcionam então?

— A base do diálogo, da conversa – respondeu como se fosse óbvio – Se algo te incomoda, você me fala, se algo me incomoda eu converso com você. É assim que a coisa funciona, não tem fórmula mágica, com a convivência descobrimos o que cada um gosta e não gosta. Simples.

Que paradinha sem graça. Primeiros minutos de namoro e já descobri que as regras são diferentes. Me sinto enganada.

— Tá – respondi sem vontade torcendo a boca pra isso.

— Certo, vamos começar de novo...

— Oi, eu sou a Bella – o interrompi já entendendo onde ele queria chegar e me adiantei.

— Bella, vamos começar de novo, não fingir que temos amnésia – ele revirou os olhos pra mim, antipático – Então, você aceita namorar comigo?

— Tá né... aceito – concordei.

— Sua animação é tão contagiante que eu quero morrer.

— Aceito – tentei sorrir, mas acho que saiu uma careta.

Ele me olhou com uma cara estranha e balançou a cabeça negativamente.

— Se for pra aceitar quase morrendo nem precisa se dar ao trabalho.

— Para de ser sentimentalista Edward – revirei os olhos – Aceito tá legal? Esse é o máximo de animação que você vai arrancar de mim – me joguei na cama de costas com a barriga pra cima e batuquei minhas mãos ali – Estou entediada.

Edward olhou as horas no seu celular e olhou para mim em seguida com um sorriso no rosto.

— Ainda não são nem 22:00, quer ir para a praia? – sugeriu vindo até mim e segurando em minhas mãos fazendo com que eu levantasse.

Preguiçosamente fiquei em pé, Edward passou os braços ao redor da minha cintura e me olhou em expectativa por minha resposta.

— Tô aqui, tô fazendo nada, então vamos – concordei – Vista sua sunga bananinha sexy, quero ver seu corpinho branco brilhando como um vagalume na luz do luar.

— Tome no seu cu – falou aborrecido soltando-se de mim e me arrancando uma alta gargalhada.

Edward que lute muito na vida dele.

[...]

— Onde você arranjou vinho? – perguntei notando a garrafa em suas mãos.

Após alguns minutos caminhando na praia e molhando apenas nossos pés na fria água do mar, Edward disse que iria ver algo para bebermos e nesse meio tempo, fiquei sentada na areia enchendo o rabo de areia e torcendo pra nenhum bicho aparecer perto de mim e fiquei refletindo sobre a morte da bezerra enquanto Edward não voltava.

Claro que eu esperava que ele voltasse com uma água de coco, um refrigerante, um suco... não uma garrafa de vinho e esperava menos ainda que fosse um vinho caro, já que aquilo tinha cara de bebida cara.

— A curiosidade matou o gato – rebateu com um sorriso brincalhão – Para de ser curiosa. Tentei arranjar taças também, mas já que não consegui, vamos ter eu beber na boca da garrafa então.

— Enfiar a boca na boca da garrafa? Amo é minha especialidade.

— Ah, com certeza é e olha, que delícia que fica quando você faz isso hein – só entendi a conotação sexual que ele usou quando piscou sugestivo pra mim.

— Eu sei, é que eu pratico desde cedo – falei pra provocar e pisquei pra ele em seguida.

Dessa vez quem riu foi eu com a cara de poucos amigos que ele fez enquanto me mostrava o dedo médio irritado.

A vingança é plena sim irmãos, espalhem-na pela terra.

Sentado ao meu lado, Edward teve dificuldades em abrir a garrafa já que ele parecia não ser o melhor amigo do saca rolhas e se recusou a levar até algum dos quiosques próximo a praia para pedir ajuda, eu mesma faria isso, mas por motivos me preguiça, fiquei sentada esperando que ele magicamente conseguisse abrir. Sim, ele conseguiu abrir, alguns bons minutos depois.

— Por que você gosta da praia? É tão sem graça – Edward perguntou enquanto levava a garrafa à boca tomando um gole da bebida e entregando a garrafa a mim.

Aceitei a garrafa, tomei um gole e fiquei observando o conjunto a minha frente. O céu escuro, com poucas estrelas visíveis no céu graças a poluição urbana de Miami, a lua cheia bem posicionada no céu e o mar que parecia mais revolto graças a influência da lua sobre ele.

A brisa que vinha do mar bagunçava meu cabelo, mas eu não me importava, até gostava da sensação -isso quando não entrava cabelo no meu olho- e por mais que eu odiasse areia, até dela eu gostava quando estava na praia.

Olhei para o lado e Edward olhava para mim, com seus grandes, cristalinos e límpidos olhos verdes que nada mais eram do que a coisa mais linda que eu já vi na vida.

— Sem graça é sua cara feia quando chega no trabalho fazendo aquela cara de antipático – falei e ganhei um revirar de olhos como resposta – Mas eu não sei, eu só gosto. O mar pra mim é tudo. A vista daqui é linda.

Tomei mais um gole de vinho deixando meus olhos fixos no mar de águas agitadas a minha frente. Edward se aproximou ainda mais de mim até ficar com o rosto bem próximo ao meu. Uma de suas mãos foi até o meu rosto o virando para ele, nossos lábios se tocavam em um suave roçar de lábios, seu hálito quente e com aroma de mente misturado com vinho invadiu minhas narinas.

Fechei os olhos suspirando alto. Por mais que já tivesse aceitado a ideia, ainda me era estranho estar apaixonada por ele. Desisti de lutar contra, a sensação é boa agora que eu sei que é recíproco, é um estranho bom, mas ainda é estranho.

— Realmente, a vista daqui é linda – falou.

Não tive tempo para dizer o quão brega ele era pois logo seus lábios estavam nos meus, os tomando sem pressa em um beijo calmo.

Começou como um longo pressionar de bocas, sua boca estava pressionada na minha sem muitas intenções, mas no momento em que subi minha mão para sua nuca a fechando no local e agarrando um punhado de cabelo, ele passou a língua por meu lábio inferior. Separei meus lábios abrindo um pouco a boca em um convite para que ele aprofundasse o beijo e como o homem esperto que ele é, ele entendeu o convite.

Uma de suas mãos dançava pela lateral do meu corpo, subindo até meu pescoço onde ele tocou com a ponta dos seus dedos em minha pele causando sensações em meu corpo que só ele era capaz de causar.

Deixei um gemido escapar quando nossas línguas se tocaram e não me contive sugando sua língua. O vinho que ele trouxera para nós era gostoso, de boa qualidade e docinho, mas o gosto ficava ainda muito melhor em sua boca misturado ao seu hálito de menta. Uva, álcool e menta. Quem diria que essa era uma combinação enlouquecedora?! Minto, deixa eu corrigir: Uva, álcool, menta e Edward, essa combinação consegue fazer coisas inexplicáveis comigo.

Logo Edward tinha seu corpo sobre o meu me fazendo deitar com as costas na areia enquanto ele ficava por cima. Não quebramos o beijo enquanto nos deitávamos na areia da praia. Ele levou uma mão até minha coxa onde o curto vestido que eu usava subiu deixando minha pele exposta. Sua mão acariciava minha pele causando um calor em meu corpo que em muito contrastava com o clima relativamente frio que predominava na praia.

Quando nossos pulmões protestaram pela ausência de ar, nossas bocas se separam, mas isso não o impediu de descer com a boca para o meu pescoço depositando beijos molhares e a sensação de sua boca em minha pele aquecia meu corpo mais do que o próprio vinho. Era maravilhoso. Me estiquei debaixo dele alcançando a garrafa de vinho e tomei mais um gole antes de entregar a garrafa a ele.

— Bebe mais um pouco, gosto do gosto de vinho na sua boca pedi.

Edward sorriu sugestivo e fez o que eu pedi, levando a garrafa até a boca e sorvendo uma boa quantidade do líquido sem nunca desviar os olhos dos meus enquanto fazia isso. Deus, esse homem definitivamente é mais quente que o inferno.

[...]

Que os deuses amaldiçoem a alma de quem inventou o álcool!

Posso jurar que o John em minha cabeça tocando tambor foi multiplicado por 1000 e estavam todos tocando a porra de um tambor altíssimo em minha cabeça enquanto havia um duende azul chacoalhando meu cérebro todinho e o movendo do lugar. Eu nunca mais vou beber, juro, ou não me chamo Ana Luísa.

Abrir os olhos custou o mundo para mim e pra completar minha situação, as persianas das janelas estavam todas abertas deixando o quarto fodidamente claro. Bom, pela posição do sol girando ao redor da terra, eu posso afirmar que antes das dez da manhã eu não acordei. Até iria ver o horário, mas só de pensar em ver algo no celular fazia minha cabeça explodir um pouco mais.

Olhei para o lado e Edward dormia lindamente, mas apenas porque ele é bonito pois a cara dele também é de quem acordaria com uma ressaca do caramba. Depois de nós dois nos agarrando na praia, o resto é apenas um borrão para mim.

Levantei da cama com meu copo protestando e o mundo rodou um pouco mais nesse momento, literalmente me arrastei até o banheiro e sentia uma dor incômoda na lateral da minha costela, mas não me importei, a vontade de fazer xixi era maior, então apenas tirei a blusa que eu vestia sem me importar se ficaria apenas de sutiã e calcinha e atendi minhas necessidades biológicas matinais.

— FILHO DA PUTA – após alguns minutos no banheiro, ouvi Edward gritar do quarto e ele parecia irritado – Caralho, só pode ser brincadeira.

Espero que ele tenha se afogado com o próprio veneno. Lavei as mãos, passei uma água no rosto e peguei meu celular que estava em cima da bancada da pia? Égua, como isso veio parar aqui?

Ao desbloquear a tela, estranhei o fato de eu ter 10 mensagens no instagram. Eu não era tão popular assim. Movida pela curiosidade, enquanto saía do banheiro e ia pro quarto, abri as notificações vendo as mensagens contidas ali.

@rosecullen: AMADA???? Quero detalhes.

@brandonalice: ARRASOU VIADA! Amei a espontaneidade

@janevoluri: amiga, quem esse o boy? Gostoso hein!!!!

@jess_stanley: ai amiga, que brega, podia ter escolhido desenho melhor

@ang_angelawebber: sua mentirosa, vc falou que não tava saindo com ngm, temos que ter uma seria conversinha...

Fiquei vendo essas e outras notificações. Gente? Como assim? Que bicho mordeu esse povo? Levantei o olhar e Edward olhava bestificado para o seu braço e só então notei uma espécie de desenho no interior do seu braço esquerdo.

— Fez uma nova tatuagem foi? – brinquei.

Edward levantou a cabeça pra me olhar e pela expressão em seu rosto, ele com certeza estava putasso com alguma coisa.

— Se você não tiver com uma também eu vou ficar tão puto – falou com raiva e levantou o braço para que eu visse o desenho – Olha essa merda.

Me aproximei dele surpresa por ver que de fato, tinha mesmo uma tatuagem ali. Ah era bonitinha, era uma daquelas que tem os pontos cardeais de norte, sul, leste e oeste e uma flecha cruzada entre os pontos. Era meio cafona, mas era bonitinha.

— De qual caralho de inferno eu tirei ideia pra fazer uma merda de tatuagem escrota pra caralho? Só posso ter virado demente – esbravejou irritado e isso me fez rir, ele olhou pra mim aborrecido, mas seu rosto logo suavizou em uma risada – Estou melhor que você, pelo menos – ele ria alto e tava vendo a hora que ele ia gargalhar – Melhor do que uma borboleta que é brega pra caralho.

— O QUE? – gritei olhando meus braços e não vendo nenhum desenho ali.

— Vem cá – ele me puxou pelo braço até o banheiro e quando me posicionou na frente do espelho, vi que na lateral da minha costela onde estava dolorido havia também uma tatuagem de borboleta ali – Pelo menos você também se fodeu.

Abri a boca surpresa em ver o desenho ali. Era o desenho de uma borboleta, toda feita apenas em linhas pretas e algumas regiões mais escuras e porra. EU ESTAVA COM UMA BORBOLETA TATUADA EM MIM.

— Eu me tornei a pessoa que eu sempre desprezei – reclamei ainda surpresa encarando o desenho.

— A bêbada que faz tatuagem?

— Pior. A bêbada que faz uma tatuagem bosta de borboleta – gemi de frustração – E a borboleta nem é colorida – a última parte saiu quase em um choro.

— Eu estou com uma tatuagem modinha, não reclama Bella – Edward revirou os olhos – Aliás, como fizemos uma tatuagem? Eu lembro que depois que acabou nossa garrafa de vinho, eu comprei mais uma e depois você quis ir pra uma festinha que tinha ali próximo na praia e... – ele arregalou os olhos – Você sugeriu de bebermos uma bebida que tinha vodka. Puta que pariu, misturamos fermentado com destilado, caralho.

Eu até parei de prestar atenção no que ele falava, só prestei atenção no ‘misturamos bebidas’. Que antas. Lembrei do meu celular e das mensagens que meus amigos enviaram, corri até o aparelho e voltei lá para o banheiro onde Edward e olhava confuso. Ignorei seu olhar inquisitivo e fui até o meu perfil vendo que eu tinha adicionado alguns stories... ops, eu sóbria não lembro de ter feito stories nenhum. Com medo no coração, cliquei para ver os stories.

Stories 1:

A imagem começou meio desfocada e logo focou na minha cara de bêbada pra caramba.

— Eu acabei de beber uma bebida colorida bonita que tinha três cores – eu dizia com a cara quase enfiada na câmera do celular. Péssimo ângulo meu – A bebida era mágica, ela fez me dar vontade de ir fazer xixi e eu nem tava com essa vontade.

— Tava sim – a voz de Edward foi ouvida ao fundo, mas ele não aparecia no vídeo – Você é uma mijona.

— FODA-SE.

Stories 2:

— Continuando, eu já fiz meu xixi...

— Ninguém liga.

— Para de me interromper, você nem aparece – reclamei com a voz arrastada de bêbada e minha fala era embolada.

Stories 3:

— VAMOS FAZER UMA TATUAGEM – gritei animadíssima olhando para algum ponto atrás de mim, provavelmente Edward.

— Me soa como uma péssima ideia – a voz de Edward mais uma vez foi ouvida, mas ele não aparecia.

— Por favooooooooorrrrrrr, eu quero tatuar minha pele, quero me marcar todinha... olha, outra bebida mágica

Stories 4:

A câmera se focou em um estúdio de tatuagem e logo estava no meu rosto de novo.

— Convenci ele a fazer uma tatuagem, eu disse pra ele tatuar minha cara na bunda dele, mas ele é chato e não quis.

— Porque eu ia sentar na sua cara e isso soa estranho.

— FODA-SE. Eu vou escolher sua tatuagem então.

— O que vai ser?

— SURPRESA.

Stories 5:

— Vai ser essa aqui oh – apontei a câmera do celular para o desenho da tatuagem que agora estava no braço de Edward e depois a cara do tatuador aparecia – Ele que vai tatuar. Nós dois porque agora nós somos um casal.

— Você e o tatuador? – a voz bêbada de Edward soou alto – Já me trocou assim rápido?

— Nós dois bocó, agora somos namoradinhos – enfiei de novo a câmera na minha cara – Mas não vou mostrar a cara dele se não vocês vão desejar meu namorado. PUTAS.

Stories 6:

— O GRANDE TODO DIABÃO JÁ FEZ A TATUAGEM DELE – anunciei para a câmera – Eu escolhi essa tatuagem porque é brega e ele é todo sério e nunca faz nada brega. EU ESTOU TRAZENDO A BREGUICE PRA VIDA DELE SIIIIMMMMM.

— Vai se foder, Bella.

Stories 7:

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA – eu aparecia no vídeo gritando ao me debruçar em lágrimas enquanto o tatuador fazia ser trabalho ignorando meu drama.

Pelo ângulo que estava sendo filmado, não era mais eu quem filmava e sim Edward que apontava o celular para mim.

— Para de drama que você tomou anestesia.

— Mas o barulho faz doer meus sentimentos.

— Eles estão anestesiados também.

— Com o que?

— Álcool.

— Tá bom.

Stories 8:

— Por que uma borboleta? – Edward perguntou enquanto o tatuador ainda trabalhava em mim.

— Poque a borboletinha, tá na cozinha, fazendo chocolate para a madrinha. Eu tô homenageando essa borboleta trabalhadora.

— Você é surtada.

— Agora você nunca mais vai esquecer onde fica o leste e o oeste.

— Bella, você que não sabe essas direções.

— Esqueci que o grande diabão é o dono do conhecimento.

Stories 9:

— Moço, quem fez suas tatuagens? – perguntei para o tatuador – Foi você?

— Não e você é chata.

— Ei, não fala com minha namorada assim – a voz aborrecida de Edward fez a Bella bêbada do vídeo rir.

— Você também é chato rapaz. Bêbados no geral são chatos pra caralho.

Stories 10:

— Ficou assim – virei a câmera do celular para a tatuagem de Edward e para a minha, mas ficou tudo embaçado – Capetão d céu, eu tive mais uma ideia dos deuses.

— Não quero saber?

— Vamos fazer outra tatuagem.

— Você vai gritar de novo?

— Sim, mas isso não vem ao caso. Vamos tatuar nossos nomes nos nossos pés

— Tá bom – ele concordou e o vídeo acabou.

Após encerrar todos os stories do meu perfil, Edward e eu estávamos chocados, surpresos e de boca aberta. Olhamos um pra cara do outro e em seguida para tela do meu celular novamente.

— Ah puta que pariu – Edward foi o primeiro a quebrar o silêncio – Tatuar nome já é demais. Olha pro seu pé e vê se tem alguma coisa.

— Eu não, olha você – rebati temerosa – Tô com medo de olhar e ter mesmo.

Edward revirou os olhos, mas olhou pra baixo virando seu pé para ver se tinha algo.

— Me diz que não tem nada – pedi de olhos fechados.

— Não tem nada – o desespero na voz dele me fez abrir os olhos e encarar meus pés.

PUTA QUE PARIU. EU TATUEI O NOME DELE NO MEU PÉ.

Olhei para o pé dele e vi o meu nome ali. EU QUERO MORRER.

— Eu culpo você por tudo – ele falou olhando para a tatuagem no pé – Começou misturando as bebidas, a partir daí foi só ladeira a abaixo – ele deu de ombros e foi se sentar na cama.

— Ah pronto. Você concordou bonito, eu não te obriguei a nada e ei, por que você não está surtando por ter meu nome tatuado em você?

— Porque não importa o quanto eu me descabele, a tatuagem ainda vai estar aí, então foda-se. Vamos tomar café?

Me Deus, se a gente terminar eu vou ser a trouxa que vai ter nome de ex tatuado na pele. Minhas amigas vão ver o nome de Edward n meu pé e vão dizer que eu estou dando pro me chefe apenas para conseguir vantagens na empresa. Minha vida acabou, nunca mais vou poder usar sapato aberto. Eu sinto até que estou um pouco mais perto do inferno. Deus, como eu sou trouxa. Thanos e Lilith, seus filhos da puta, conseguiram em foder de vez agora, hein.

— Ei – Edward ao ver que eu estava surtando veio até mim me puxando para sentar ao lado dele na cama – Não precisa entrar em desespero, pensa que pelo menos nós dois acabamos com tatuagens ruins, podia ser pior, poderia ter sido você sozinha – falou me fazendo rir enquanto passava as mãos suavemente em meu cabelo.

Ele tem um jeito estranho de consola, mas eu até gosto.

— Ai Edward, eu odeio tanto você – disse passando os braços ao redor do seu corpo e afundando a cabeça em seu peito.

— Eu sei e do jeito que você se sente, eu também me sinto – respondeu me apertando em seus braços.

— Ei – exclamei me afastando para olhar em seu rosto – Você disse isso uma vez. Você por acaso estava dando indireta sobre gostar de mim?

— Eu sempre deixei você saber como eu me sentia, você que é lenta demais pra perceber.

— Por acaso você está insinuando que eu sou devagar?

— Claro que não – riu beijando meu queixo e em seguida meus lábios – Estou afirmando, linda.

— Que brega – fiz uma careta.

Ele riu mais ainda, um sorriso iluminando seu rosto e acho que eu deveria ter o mesmo sorriso no rosto. Éramos dois bregas que tinham feito duas tatuagens ruins e que tatuamos o nome um do outro no primeiro dia de namoro. Casal nota mil, dois burros, melhor dar zero pra gente.

[...]

▬ Edward ▬

— Miami trouxe boas lembranças – Bella falou quando chegamos em Seattle e eu a acompanhei no taxi até sua casa.

A olhei completamente cético. Ela só podia falar isso pra me irritar.

— Claro – respondi irônico.

A quase perca do cordão de diamante e duas tatuagens bregas. Lembranças boas pra caralho.

— Falando em Miami, nem usamos o anestesiante anal – falei como quem não quer nada.

Bella não respondeu nada, apenas colocou a chave na fechadura da porta a abrindo e em seguida se virando para me olhar.

— Claro, o bonito resolveu marcar o voo pra duas da tarde – ela revirou os olhos – Mas não tem problemas, teremos outras oportunidades.

— Então você considera mesmo usar?

— Por que não? – deu de ombros.

Ela jogou os sapatos em um canto qualquer da sala e se jogou no sofá em seguida. Caminhei até ela sentando ao seu lado e deitei a cabeça em seu colo. Bella passou as mãos em meu cabelo fazendo uma carícia gostosa, fechei os olhos para apreciar a carícia e não pude deixar se sorrir ao me recordar que agora não tínhamos mais um contrato nos prendendo, agora ela era definitivamente minha.

— Por que você tá com esse sorriso irritante na cara? – sua voz suave preencheu o ambiente.

— Não interessa – respondi simplesmente.

Dessa voz foi apenas para irritá-la, mas ela não pareceu perceber isso e deu um tapa na minha testa, apesar de ter doído, eu apenas ri e continuei com os olhos fechados. Não lembrava de quanto tinha me sentido feliz assim. Senti quando os lábios de Bella encostaram nos meus e sorri mais ainda, gostava da sensação.

— Ei representante de lúcifer na terra – ela chamou minha atenção – Você tem que ir já, deu seu horário.

— Vai ficar me expulsando mesmo? – abri os olhos encontrando seus olhos brincalhões e me perguntei se ela estava ou não falando sério.

— Não temos mais o contrato querido, posso te expulsar quando eu quiser e vou usar essa minha liberdade – ela riu mais ainda – Mas pense nisso como um ‘cara, acabei de chegar de viagem e tenho que ir ver minha filha que não vejo desde semana passada’.

— Nat está bem – afirmei – Ela está na casa dos meus pais, vou pra lá agora. Que tal você ir comigo e daí já anunciamos que estamos oficialmente juntos?

Bella me olhava como se esperasse que eu dissesse que estava brincando, mas mantive meu rosto sério.

— Achei que você estivesse brincando.

— Não estou.

— Você é muito empolgadinho Edward – ela fez uma careta – Que tal fazermos assim, nós namoramos em segredo por um tempo e se der certo nós contamos para alguém?

Fiquei a encarando por um tempo pois agora eu quem esperava que ela disse que estava sacaneando com a porra da minha cara. Quando percebi que ela falava sério, senti a raiva se espelhando por meu corpo, sentei no sofá e a olhei sem me importar se minha raiva estava visível ou não.

— Você tem que estar brincando com a minha cara.

— É sério Edward, vamos manter nosso namoro apenas para nós mesmos, se der certo aí a gente pensa em falar, mas não tem necessidade contar nada pra ninguém...

— Eu não sou um adolescente, Bella – disse a impedindo de continuar falando – E inclusive, já passei da idade de namorar escondido. Não sei você, mas eu não tenho nada a esconder de ninguém pra ter que namorar escondido.

— Ideia idiota? – perguntou sem graça e eu me permiti ficar em silêncio pois se falasse algo, tenho que certeza que seria grosso com ela – Desculpe, eu te falei que não sei fazer essa coisa de namoro. É estranho, não gosto e não me sinto a vontade. Podemos falar pra sua família, mas ainda não quero que ninguém de fora saiba, entende? Por favor? Seja paciente comigo.

Respirei fundo tentando controlar minha raiva. Sei que ela estava falando sobre as pessoas do trabalho e honestamente, pra mim que se fodam todos. Se preciso fosse, eu demitiria todos e contrataria uma nova equipe inteira se alguém abrisse a boca para falar algo sobre Bella, mas estou tentando entender seu lado e a aversão que ela sentiria por ter alguém falando coisas ruins sobre ela já que diferente de mim, ela não está acostumada com isso.

— Tudo bem – segurei em sua mão a levando até minha boca e deixando um beijo demorado no local – Acho que ambos temos que ser pacientes, somos bem extremos as vezes e temos que aprender a lidar com isso ou vamos acabar brigando mais vezes do que o necessário. Me desculpe, sim?

Ela concordou com um aceno de cabeça e deitou a cabeça em meu ombro, respirou fundo umas duas vezes até falar novamente.

— Edward, não podemos ser os trouxas que tem nome de ex namorado tatuado na pele – falou com a voz preocupada – Já pensou a vergonha que vai ser chegar no tatuador e ter que pedir pra cobrir a tatuagem? Eu não quero isso pra minha vida. Eu sou acostumada a passar vergonha, mas isso já é demais até pra mim.

Uma alta e sonora gargalhada passou por minha garganta. Bella é completamente absurda, de todas as preocupações que ela pode vir a ter, essa é a que ela escolhe dar prioridade?

— Não vamos terminar, Bella.

— Vamos sim – afirmou – Eu possivelmente vou tentar terminar com você todo dia. Eu me conheço. Quando eu menstruar vou enjoar da sua cara e não vou mais querer te ver.

— De TPM você fica insuportável mesmo.

— Não quer aguentar uma mulher de TPM, namora um homem, querido – ela revirou os olhos.

— Falei que você fica insuportável, não que eu vou ficar longe.

— Não faz mais que sua obrigação, você é o próprio lúcifer escrotinho manifestado e ainda assim eu estou aqui. Não vai ganhar estrelinha dourada por isso não. Tira o pocotó da chuva.

— Enfim – falei a ignorando – Vamos dar um jeito de nos resolver somos de difícil convivência, mas nos gostamos... e sim, você também é de difícil convivência sim – falei ao ver que ela falaria algo para me contrariar.

— Nunca fui tão caluniada na vida – ela torceu a boca – MEU DEUS, O CONVERGIR – Bella levantou num pulo e foi até onde estava a gaiola do seu rato estranho e bicolor.

— Seu rato é feio – falei ao notar que o bicho era branco e marrom – Ele parece encardido, acho até que ele tá sujo.

— Coitado, ele deve estar cagadinho, acho que vou passar papel higiênico na bundinha dele – falou pegando o rato encardido na mão e acariciando a cabeça dele.

Nojo.

— Você é inacreditável – balancei a cabeça me recusando a crer no que acabara de ouvir.

— Quem é a coisinha fofa de mamãe? – ela esfregava o rato encardido no rosto enquanto falava com ele com uma voz de criança – É você Conv, é sim, coisinha preciosa.

Minha namorada com certeza tem a mesma idade mental da minha filha. Perturbador.

— Se seu nome não fosse Convergir, ia ser malhado, porque você é pintadinho – ela falava com o rato e sim, o rato estava ganhando mais atenção que eu – Já que o John não come comida de verdade, vou dividir meu iogurte com você.

— Por Deus Isabella, se esse rato sobreviver até o fim do mês, ele é um sobrevivente.

— O Conv vai viver pra sempre comigo, né coisinha fofa? – perguntou olhando pro bicho – Eu não sei o que faria da minha vida sem ele.

— Ratos morrem – falei e ela me olhou totalmente surpresa com a minha informação – Eles não vivem muito, especialmente na sua mão, então você tem apenas mais alguns dias e sendo mais otimista... meses com ele. Aproveita – ela me olhou com os olhos tristes e a boca se curvando em um beicinho, até senti compaixão dela – É brincadeira, eles vivem por muito tempo.

Ela suspirou aliviada. As vezes eu acho que ela prefere se fazer de sonsa, não é possível. O impressionante é que eu gosto dela do mesmo jeito e essas maluquices que envolvem sua personalidade só me fazem gostar mais dela. Inferno de mulher.

Como nunca tinha reparado antes na mulher maravilhosa que ela é? Passei quase três anos convivendo com ela e a negligenciando, se eu soubesse antes o quão trouxa eu estava sendo por ter passado tanto tempo assim longe dela...

— Ei, eu tenho que ir – falei passando a mão em seu rosto.

Ela soltou o rato de forma totalmente descuidada de volta na gaiola e ele fez até um barulho estranho. Ela com certeza vai matar esse rato.

— Já vai mesmo? Eu estava só brincando quando te expulsei, você pode ficar – ela mordia o lábio e parecia realmente triste por eu ter que ir.

— Sim – passei os braços ao redor do seu corpo a trazendo para mais perto de mim, Bella retribuiu o abraço e sua mão brincava com a barra da minha camisa – Você tem razão, eu tenho mesmo que ver como a Nat está, tenho que me certificar que não quebraram a minha filha.

— A Nat é esperta, ela sobrevive.

— Sim, ela é esperta, mas eu realmente tenho que ir – ela fez uma careta, mas concordou.

Bella me acompanhou até a porta se escorando nela e me olhando triste.

— É tão triste quando você vai – falou com a voz manhosa e me senti o pior namorado de todos por deixa-la sozinha, mas realmente precisava ir ver minha filha – Edward, eu sou meio surtada mesmo, mas não desiste de mim, se não eu juro que quebro suas bolas.

Apenas ri do seu comentário. Parecia algo que ela realmente faria.

— Enquanto você me quiser por perto, eu ficarei e quando você achar que não quer, eu vou dar um jeito de te mostrar que quer sim – prometi a ela me aproximando e tomando seus lábios nos meus em um beijo cálido.

— Você é tão brega as vezes – ela riu em meus lábios – Eu amo você.

— Eu também – pisquei pra ela e me afastei me distanciando da porta e indo em direção a saída do prédio pois realmente precisava ir.

Também amo você, Bella.

Notas finais
Ah Miami, voltaram namorados, com tatuagens ruins e um tatuou o nome do outro. Edward muito cadelinha da Bella fazendo tudo que ela quer até quando tá bêbado, amo, rsrsrsrs. Vou deixar aqui um spoiler que eu deixei no twitter ontem: Perceberam que o Edward falou pra Bella 'eu sinto o mesmo por você' e 'eu também' mas nunca um 'eu também te amo'? Então... guardem essa informação com vocês. A pergunta que não quer calar, será que o Convergir dura até o final da fic? Hum... E outra... será que esse namoro deles vai dar certo? Eles parecem dispostos a tentar né, então vamos ver. Vou deixar aqui pra vocês verem: https://www.elhombre.com.br/wp-content/uploads/2019/09/tt3-1-600x600.jpg << tatuagem do Edward https://i.pinimg.com/originals/7b/08/c5/7b08c5add8481da87daafdd792b779ca.jpg << tatuagem da Bella Enfim, comentem, me digam o que acharam, não me deixem sozinha, vou adorar interagir com você ♥ É isso, vejo vocês no próximo capítulo ♥ 20.02.2020