O chefe

30 No céu, porém no inferno também


Notas iniciais
Oi oi pessoas que leem essa fic, tudo bem com vocês? rsrsrs Bom, quero agradecer a todos que comentaram no ultimo capítulo e inclusive, vou responder todos já já ♥ Trouxe mais um pra vocês e espero que gostem ♥

No céu, porém no inferno também

▬ Edward ▬

— Mas que porra é essa aqui? – perguntei estranhando a cena que via.

Esme estava usando uma roupa com estampa indiana e tentava se equilibrar em um pé só em um tapetinho que estava estirado no chão.

— PAPAI – Natalie correu para me abraçar assim que me viu.

Com certo esforço, carreguei-a no colo. Ela está a cada dia maior, mais pesada e daqui pro aniversário dela eu com certeza não conseguiria mais fazer isso, então aproveitaria enquanto minha pequena ainda era, literalmente, minha pequena.

— Oi boneca – beijei seu rosto – Estava com saudade de você, princesa. Deixa-me ver se não te quebraram – falei a conferindo e vendo que estava tudo no lugar.

– O tio Emmett me levantou alto no ar e uma dessas vezes eu caí, mas ele disse que não era pra eu contar porque era segredo...

— FOFOQUEIRA – Emmett gritou de algum canto da casa.

— Vou me entender com ele depois – bufei irritado – O que sua vó está fazendo?

— É que agora eu sou zen – Esme falou tentando manter o equilíbrio e tinha seus olhos fechados – Agora virei uma pessoa espiritualista e de paz interior. Faço até ioga.

Tive que me controlar muito pra não rir disso.

— Você? – perguntei irônico enquanto a olhava cético e dei uma alta gargalhada, não adiantou tentar me controlar para não rir – Tá foda dona Esme. Você não é zen nem aqui nem na puta que pariu.

— Aí pai, olha a boca, que feio – Nat reclamou – Não quero ser submetida a essa pouca vergonha de vocês.

— Desculpa princesa – a abracei mais forte e ela deitou a cabeça no eu peito se aninhando em meu colo – Vou tentar me controlar.

— Tá desculpado. Que não se repita.

— Você não vai tirar minha paz interior seu nojento de meia tigela – Esme fechou os olhos e continuou fazendo seus movimentos estranhos e desengonçados – Agora eu pertenço a outro estado de espírito.

— Deixa sua mãe em paz, Edward – Carlisle chamou minha atenção – Como foi de viagem? Conseguiu fechar o contrato com a Amazon?

— Melhor empresa dos Estados Unidos não é a toa – sorri vitorioso.

— Ótimo – disse simplesmente voltando sua atenção para o celular em suas mãos – Isso nos põe em vantagem.

— Sim, mas você é o viciadinho do candy crush, então não tem graça falar com você agora.

Óbvio que ele não me deu atenção pois conseguiu subir de nível. Rosalie, Alice, Emmett e Jasper ao ouvirem minha voz, logo se juntaram a nós na sala. Perguntaram como foi de viagem e eu respondi que foi boa. As duas fofoqueiras tentaram me arrancar detalhes da noite que Bella e eu bebemos demais e fizemos as tatuagens, mas não contei muito. Riram da tatuagem que eu havia feito e riram mais ainda da tatuagem com nossos nomes em nossos pés. Segundo Alice, isso era carma por eu ser “um escroto em tempo integral”. Foda-se.

— Voltando ao que interessa, alguém me explica o que minha mãe tá fazendo e porque ela acha que usar roupas com essa estampa estranha vai refletir sua “paz interior?

— Edward eu estou começando a me irritar com você – falou de olhos fechados tentando se equilibrar em uma posição com um só pé.

— Que bosta de paz interior hein – zombei – Aliás, essa roupa te deixa até meio gorda, mãe – falei na brincadeira.

Os olhos de todos se arregalaram e até Carlisle que estava concentradíssimo no seu jogo levantou a cabeça para me olhar. Esme abriu os olhos e seu olhar era furioso. A última vez que vi esse olhar Bella foi quando anunciei que Tanya estava grávida.

— Que burro, paizinho – Natalie pulou pra fora do meu colo e foi e se esconder com as tias.

Rosalie balançava a cabeça negativamente e Alice ainda estava surpresa demais. Jasper sibilou um ‘se fodeu’ sem som e Emmett ria descontroladamente. Quanto exagero, era só uma brincadeira. Esme que até então estava calada, se ajeitou em sua postura ficando em pé e veio caminhando em minha direção pegando uma almofada no caminho. Oh porra, ela vai partir pra agressão física. Respirei fundo, foi merecido, eu sei.

— Seu filho de mim — falou enraivecida ao tacar a almofada com força na minha cara. Porra, por essa eu não esperava, na cara foi demais já – Me chama e de gorda de novo – ela continuava tacando com força a almofada em mim – Que eu juro que da próxima vai ser meu salto alto e caro que eu vou enfiar no seu traseiro branco.

— Porra mãe, para – tentei sem sucesso tirar a almofada de sua mão – Isso incomoda.

— Desculpe, o objetivo não era incomodar – ela sorriu irônica, levou sua mão ao meu cabelo o puxando com força e torcendo a mão de forma que minha cabeça ficasse inclinada para o lado e ela aumentava ainda mais a força que exercia sobre meus fios fazendo meu couro cabeludo doer – Gorda tá a sua cara branca e feia, me chama disso de novo e juro que eu mesma te mato seu nojentinho de uma figa.

Apenas concordei com um aceno de cabeça. Algumas mulheres são simplesmente loucas quando o assunto é seu peso. Levou um tempo para que eu conseguisse fazer Esme se acalmar, como eu disse, tá foda que ela tem paz interior. Ela tem é um grande e severo desequilíbrio interior.

— Tava com saudade de você, princesa – disse a minha filha a tirando do colo de Alice a carregando e levando-a para sentar comigo em um dos sofás que ficam de frente pra a piscina.

Alice reclamou por eu levar Nat, mas eu apenas ignorei. A filha é minha, ela que faça um pra ela também.

Natalie e eu deitamos no sofá a beira da piscina com ela apoiando sua cabeça em meu braço e seu pequeno braço por cima do meu peito. Com a mão livre, segurei sua mão enlaçando seus dedos com os meus e beijei sua mão.

— Eu também estava com saudade papai – ela falou quando estávamos bem acomodados – De verdade, eu sinto muito sua falta quando você viaja, não gosto.

— Também não gosto de ficar longe de você meu amorzinho, mas as vezes é preciso – expliquei vendo-a assentir de forma triste, ela entendia meu trabalho, não gostava, mas entendia – Mas pra te animar, eu tenho uma coisa pra te contar.

Seus olhinhos brilharam de animação e um grande sorriso moldou seu rosto.

— Me conta, adoro uma fofoca – pediu empolgada.

— Agora, Bella e eu estamos namorando, oficialmente – falei em tom de voz baixo para que apenas ela ouvisse, já que conheço bem minha família e eles possivelmente estariam escutando em algum lugar.

Não que eu tivesse concordado com a ideia absurda de Bella de namorarmos escondido “por um tempo”, mas ele já viram no instagram e eu devia contar as coisas primeiro a minha filha, ela é a principal envolvida na minha vida, então, as notícias tem que passar primeiro por ela.

— Não acredito que ela disse sim – Nat falou surpresa – Ela não me ligou mais então eu achei que ela tinha te dispensado.

— Ela tentou, mas eu sou insistente – confessei fazendo Natalie rir – Ela só é meio confusa, tem uma visão meio distorcida de relacionamentos, mas vamos nos resolver.

— A Bella é louca papai.

— Vai ver, por isso ela se encaixa tão bem nessa família – disse com um sorriso e Nat pareceu pensativa.

— Eu gosto dela, quando a vi pela primeira vez sabe o que eu pensei?

— Vou saber se você me contar.

— Não lembro, só sei que eu sabia que ela ia conseguir te fazer feliz, eu sentia no meu coração.

— Você tem a capacidade de julgar bem o caráter das pessoas, filha. Bella é surtada, mas é uma boa pessoa.

— Sim, espero que ela não surte e não tente te dar um pé na bunda.

— Ela vai tentar, mas eu sei lidar com os surtos dela, na verdade, eu até gosto – disse pensativo.

Nat fez uma careta e me chamou de doido. Conversamos sobre sua semana, como estavam as coisas em sua escola e sobre seus treinos como líder de torcida. Natalie estava empolgada com o fato de ser popular na escola mesmo ela não gostando de ninguém além do Matt. Fechei a cara ao ouvir o nome do garoto.

Meu consolo é que Nat gosta de ser criança, ela aproveita bem cada uma de suas fases e não se apressa em querer crescer e isso vai me deixar tranquilo por uns bons dois ou três anos. Durante esse tempo, o tal Matt não vai me preocupar e isso é ótimo.

Não muito tempo depois, Rosalie veio sequestrar minha filha pois segundo ela, estava se sentindo maternal demais e tudo que era pequeno, ela queria cuidar. Natalie e eu reviramos os olhos pra ela, mas não reclamamos, especialmente minha filha que foi de bom grado com a tia.

— Ei cara – Emmett chamou minha atenção – Soube via instagram que agora você conseguiu finalmente enlaçar a mulher sem ser por um contrato. Como se sente?

Ele e Jasper e sentaram na cadeiras próximas e esperavam por minha resposta me olhando em expectativa.

— Incomodado – confessei – Cara, nós quebramos o contrato. Apesar de eu gostar do fato de que agora nós realmente somos namorados, eu tô bem incomodado com essa quebra, não curto isso não. Contratos pra mim do sagrados.

— Puta que pariu – Jasper revirou os olhos – Sério que essa é sua preocupação?

— Não – suspirei alto – Bella é meio surtada quando o assunto é relacionamento, por isso, eu tenho um certo receio de que ela vá tentar terminar comigo antes mesmo de que tenhamos a chance de progredir em nosso relacionamento.

— Você a ama? – Jasper questionou me olhando de forma séria.

— Sim – confessei – Pra caralho.

— Você acha que ela sente o mesmo por você?

— Sim, ela disse que me amava, por isso estamos juntos.

— Então sua preocupação toda é inútil – ele deu de ombros – Se ela te ama vai ficar e se mesmo assim for demais pra ela, paciência, você não pode obrigar ninguém a ficar, só vai te restar desejar que ela seja feliz.

— Sem estar comigo? – perguntei cético e vi Jasper assentir concordando – Tá foda. Se ela não ficar comigo, a última coisa que eu vou desejar é que ela seja feliz. Especialmente se ela encontrar outro logo em seguida.

— Acalma-te, gado – Jazz riu – Já ouviu falar que o amor é altruísta? Ele não é egoísta, Edward.

— Dá pra acreditar nas merdas que esse cara fala? – Emmett questionou enquanto ria descontroladamente – Ele é hilário.

— Jasper, isso é coisa de livro, de filme ou de gente otária. Vou te falar uma verdade sobre o amor: o único amor que é altruísta é o amor fraternal, o amor romântico é egoísta – passei a mão no cabelo de forma nervosa – Na vida real, se alguém te deixa você já deseja que a pessoa seja infeliz e perceba que era feliz ao seu lado e volte, se achar outra pessoa então, é aí que você deseja toda infelicidade do mundo pra ela. Por isso quando você termina com alguém você fica vendo as redes sociais da pessoa, pra ver se ela não está tendo a audácia de ser feliz sem você.

— Edward, você não sabe nada sobre o amor – Jasper balançou a cabeça negativamente.

— Então – Emmett falou confuso – Você está me dizendo que se Alice te deixasse, ainda mais se fosse ficar com outro, você ia ficar feliz?

— Se ela estivesse feliz, eu ia ficar bem. O amor é isso – explicou de forma pacífica.

Emmett e eu nos olhamos e explodimos em uma gargalhada escandalosa.

— E depois o gado sou eu – disse enquanto limpava uma lágrima do canto do olho que caía de tanto que eu ri.

—Você é muito otário, cara – Emmett ria.

— Achei você, amor – Alice apareceu no jardim onde estávamos – Estava te procurando, Jazzlícia.

Nojo.

— Você ouviu essa, Alice? – perguntei me aproximando dela e passando o braço por seu ombro a abraçando, ela retribuiu o abraço passando os braços ao redor da minha cintura e me olhou confusa.

— Ouvi não, o que foi? – perguntou curiosa

— Jasper está dizendo que se você o deixasse ele ficaria feliz e que se você o deixasse para ficar com outra pessoa ele também ficaria feliz desde que você estivesse feliz porque o amor é “altruísta”. – expliquei, apesar da ironia em minha voz.

Alice sorriu gentil para o marido e lhe jogou um beijo no ar fazendo Jasper sorrir igual idiota.

— Awn, meu amor tem um coração tão puro, amo isso em você meu lindo – falou amorosa para o marido.

— Então você também ficaria feliz se ele estivesse feliz após te deixar? – Emmett questionou olhando Alice com uma sobrancelha arqueada.

— Por Deus, não. Tenho cara de otária por acaso? – riu – Eu ia desejar toda infelicidade do mundo pra você, amor. Ia numa casa de macumba fazer trabalho pra que você sempre broxasse e nunca mais conseguisse transar com uma mulher. Eu ia fazer questão de ver toda sua infelicidade pra que você percebesse que eu quem te fazia feliz. Aí não ia mais te aceitar de volta pois estaria putassa por você ter me deixado – ela sorriu angelicalmente.

Jasper olhava para a esposa com os olhos arregalados e a boca aberta em surpresa.

Alice sorria como se tivesse falado algo bom sobre o clima e Emmett não segurou a gargalhada, eu apenas ria no meu canto.

— Viu Jasper? Na vida real a história é outra – falei vitorioso e meu cunhado apenas me mostrou o dedo médio.

Não sei como chegamos nessa conversa, mas isso só me fez perceber que eu ia ficar muito puto se Bella terminasse comigo, então, eu realmente espero que isso não aconteça pois porra, eu amo ela pra caralho e não consigo mais imaginar como eu ficaria sem ela.

▬ Bella ▬

Aproveitando o trânsito intenso de uma segunda de manhã em Seattle, já que eu estava parada sem ir pra frente ou para trás, peguei meu celular e decidi que mandaria uma mensagem para Victoria, a corretora que salvei o número do lugar que Edward me levou. Ele disse que conseguiu que a venda fosse congelada, então, provavelmente ela de devia estar esperando meu contato. Deixei os questionamentos de lado e lhe pedir um orçamento do local e marcar de almoçar com ela para vermos isso.

Como eu não tenho muitas despesas, sou mão fechada pra caramba, não gasto meu dinheiro e passei quase três anos fazendo hora extra e convenhamos, Edward não era miserável na hora de pagar minhas horas extras então. Se considerar o fato de que eu não gasto meu salário e recebo uma bolada de hora extra todo mês, já da pra saber que eu tenho uma boa e generosa quantia no banco, ou seja, eu consigo dar metade do valor do lugar a vista... ou dependendo do valor, consigo dar o valor inteiro.

Larguei o celular no banco do passageiro quando buzinaram atrás de mim, agora era esperar pela resposta de Victoria, eu realmente me encantei pelo lugar e quero ele pois mim, mesmo que eu não vá montar minha confeitaria, eu quero aquele lugar.

[...]

— AMADAAAAA – Jane gritou empolgada quando me viu – Que stories foram aqueles? Me conta, quem era o boy da voz sexy que você estava? E onde era aquilo? Não parecia ser em Seattle.

— Cuidado Jane – Jess se introduziu na conversa – Ela vai já te chamar de puta por estar “de olho no boy dela” – elas riram e até Ang que estava perto riu também.

Revirei os olhos para as três. Eu tinha que me controlar pra não falar demais pois eu realmente não queria por nada a perder. E foi por não querer por nada a perder que eu vim trabalhar de tênis hoje. Não que eu trabalhasse de sapato aberto, era aqueles saltos fechadinhos e sociais, mas eu tinha o costume de tirar o sapato dos pés e ficar descalça e bom, não podia fazer isso agora. A tatuagem com o nome dele era pequena, não devia ter mais que três centímetros e fica próximo a planta do pé e bem próxima ao calcanhar, mas ainda assim, não queria dar motivos.

— Não adianta cobrir o pé não queridinha – Jane ameaçou se aproximando de mim – Pode tirar o sapato e mostrar o nome indivíduo. Trabalho com nomes, Bella.

— Mas pra que essa curiosidade toda? – dei dois passos para trás – Eu estava bêbada e fiz besteira. Saí de lá com duas tatuagens brega, uma de borboleta e outra com nome de namorado. Essa humilhação já não te basta?

— É alguém que eu conheço? – Ang questionou pensativa – A voz me parecia familiar, mas como era voz de bêbado e a fala tava toda embolada, não consegui identificar direito. Conta aí, nós conhecemos.

SIM e olham pra bunda dele todo dia. Putas.

— Não – menti – Agora querem por favor me deixar trabalhar antes que meu chefe arranque minha cabeça com a faca de plástico da copa só pra doer mais?! – olhei para a cafeteira e gemi em desgosto – E ainda não tem nem café pronto.

— Bella, pode parar de...

— Bom dia, senhor Cullen – Jess interrompeu Jane de continuar falando quando Edward passou por nós.

Obviamente o metido não ia responder com palavras, mas fez um gesto com a cabeça como quem faz um cumprimento. Ele passou reto por nós e as três viraram a cabeça pra olhar a bunda dele. E depois querem que eu diga quem é meu namorado, puff, como se eu fosse abrir o bico.

— É isso aí, vamos trabalhar que não tá fácil pra ninguém – disse e me virei indo direto para a cafeteira.

Infelizmente, eu não podia fazer o café mais rápido do que isso e eu já até ouvia a voz esgaçada de Edward me chamando e enquanto isso, eu só conseguia pensar no desespero que eu estava para fazer tudo que tinha pra fazer e ainda tinha que ir agradar meu chefe mimado que não sabe tomar café antes de sair de casa. A vida é realmente cruel comigo.

Fiz o maldito café de Edward e apenas para descontar minha frustração, eu cuspi e sua bebida. Ele já põe a boca em mim inteira e nós trocamos saliva quando nos beijamos, então, ele engolir minha saliva não vai ser novidade. É só pra descontar a raiva mesmo, podia ser pior, eu podia ter pedido para Riley cuspir na bebida dele, ao invés disso, eu mesma cuspi. Olha como sou boazinha.

— Você tem uma reunião de emergência às dez – falei quando entrei na sala de Edward com seu café na mão, seus horários e a pasta contendo todas as informações da reunião que ele teria.

— Estava vendo isso agora – falou desviando os olhos do computador para me olhar e sorriu abertamente – Bom dia, dormiu bem?

Olhei pra ele estranhando sua atitude, ele nunca era educadinho comigo no trabalho e nunca chegava aqui perguntando se eu tinha dormido bem. Olhei ao redor a procura de alguma câmera escondida ou para ver se Alice ou Rosalie não estavam escondidas rindo da minha cara. Olhei novamente para Edward com os olhos crispados para constatar se ele estava ou não rindo da minha cara, mas ele mantinha um sorriso gentil nos lábios.

— Sim? – respondi desconfiadíssima.

— Bella, você ainda se lembra que nós namoramos, certo? – ele questionou ao se dar conta de toda minha desconfiança.

Coloquei a mão no peito respirando aliviada. Oh é isso, não tem ninguém escondido pra rir de mim. Graças a Deus.

— Edward – ralhei – Estamos no trabalho, lembra? Não somos casalzinho aqui, contenha-se homem.

— Sério? – me olhou cético – Achei que depois de rompermos o contrato, você ia parar com isso. Ainda quer que eu não mude a forma de te tratar?

— Sim. Vamos manter tudo como sempre foi.

— Não sei se gosto disso – ele fez uma careta – Não é legal ficar gritando com minha namorada. Depois você fica irritada comigo, eu me fodo dos dois jeitos, no trabalho com você desorganizando minha agenda de propósito e cuspindo na minha bebida e quando sairmos daqui com você puta comigo por ter sido escroto no trabalho e me dando gelo só pra me castigar. Viu o que acontece? Eu só tenho a me foder, dos dois jeitos.

— Faz sentido – concordei – Mas de qualquer forma vamos nos manter profissionais, sim?

— Tem certeza?

— Sim.

— Certo – ele respirou fundo – Nesse caso, você não bateu na porta, então por favor – apontou para a porta atrás de mim.

O olhei bestificada. Depois de já estar aqui dentro ele vai mesmo me fazer sair só por causa de um capricho idiota como bater na merda da porta? Ao notar sua expressão séria e extremamente profissional constatei que sim, ele vai mesmo fazer isso.

— Aliás Isabella, antes de voltar aqui, traga outro café, eu sei que você cuspiu nesse – ele voltou novamente sua atenção para o computador a sua frente e não voltou a me olhar – Não bata a porta.

INFERNO!

Parece que lúcifer é mesmo onipresente, essa é a única explicação plausível pra ele saber que eu cuspi na porcaria da bebida dele e o filho da puta do diabo manifestado ainda me impede de descontar toda minha raiva na porta.

— Qual o seu problema com a merda da porta pra precisar bater nela o tempo todo? – questionei furiosa.

— Me incomoda quando entram sem bater – respondeu simplesmente ainda sem me olhar.

— Muita coisa em você me incomoda e nem por isso eu não reclamo – rebati ácida.

— Porque não quer. Eu reclamo, agora saia, traga um café que não esteja cuspido e quando entrar, bata na porta.

Que vontade de jogar esse café quente na cara bonita dele.

Com ódio no coração, saí da sua sala e bati SIM a porta com força. Edward tinha razão, a tendência é ele se foder mesmo.

[...]

— Só um minuto – falei ao notar que alguém havia parado em frente a minha mesa e esperava pra falar comigo – Só vou terminar isso e já te atendo.

Estava terminando minha terapia diária: colocar o nome de Edward no macumbaonline.com. Claro que agora como ele era meu namorado, eu já não fazia macumbas pedindo para ele broxar, eram mais simples, coisas tipo pedindo para ele cair da escada, o pneu do caro furar, alguém arranhar o carro dele, vandalizarem o carro dele, um urso comer. Coisinhas simples e básicas do dia-a-dia assim, nada demais. Terminei a macumba online que eu fazia e me virei para a pessoa que queria falar comigo.

— Pois n... Jacob? – estranhei o ver ali – O que faz aqui?

Ele parecia realmente irritado, me encarava com seus olhos negros e tinha o olhar duro, o maxilar trincado e parecia bem transtornado.

— Olá, Isabella— sua voz era carregada em ironia – A quanto tempo não te vejo. Alguma novidade em as vida?

Nenhuma que interesse pra você, palhaço.

— Não? – respondi confusa.

Ele piscou demoradamente, a forma como me olhava era estranha e parecia que iria gritar comigo aqui mesmo.

— Posso ver que não – descarregou ironia em seu tom de voz – Onde está o seu chefe? – usou um tom de voz diferente para falar a última parte.

Eu não estava entendendo essa sua atitude. Vai ver hoje alguém com a bunda bem longe da lua.

— Em uma reunião – olhei no relógio do computador – Mas pelo horário, ele deve estar aqui em menos de 10 minutos, então...

— Vou esperar na sala dele – me interrompeu de forma grosseira dando-me as costas.

— Ei, você não pode entrar – corri passando por ele e parando em frente a porta – Qual é Jacob, colabora comigo, Edward arranca meu coro se eu te deixar entrar sem a permissão dele.

— Tenho certeza ele arranca muitas coisas – ironizou mais uma vez – Isabella, eu vou entrar nessa sala e vou esperar aí dentro. Não quero usar da força física para te tirar da frente, então por favor, apenas saia da minha frente.

Até pensei em discutir, mas eu ia mesmo discutir com um homem visivelmente transtornado e que já se mostrou disposto a usar da força bruta? Não vou. Eu sei que sou meio tapada, mas não sou burra. Apenas saí da frente e voltei para o meu lugar.

Ninguém me respeita nessa empresa. Inferno.

Tamborilava nervosamente meus dedos sobre minha mesa e a cada 10 segundos olhava para o relógio. Primeiro que eu tinha que me justificar quando Edward chegasse e dizer que ele simplesmente entrou e eu não deixei nada, segundo porque Edward precisava chegar logo para e me justificar pois eu ainda precisava sair e me encontrar com a corretora.

— Finalmente – quase agradeço de joelhos quando Edward passou pela porta – Senhor Cullen, antes de qualquer coisa, eu tentei impedir, mas Jacob simplesmente entrou na sua sala e eu nem tenho forças pra tentar impedir, então...

— Ei, respira – ele falou me interrompendo – Se contenha, Isabella, o que aconteceu? Bom, não importa, acho que entendi mais ou menos. Pode ir para o seu almoço.

— Ah sobre isso. Se importa se eu chegar um pouco mais tarde? Tenho uns assuntos pessoais a resolver e talvez não consiga o fazer durante o horário do almoço apenas.

— Claro, qualquer coisa você repõe horário depois. Sem problemas – concordou.

— Ah e eu...

— Eu não me importo – me cortou novamente já me dando as costas e indo para sua sala.

Estou começando a perceber que realmente, essa minha ideia de ele continuar me tratando da mesma forma é péssima, talvez possamos negociar isso, um meio termo nunca fez mal a ninguém, certo?

Voltei a realidade quando meu celular tocou e no visor vi que era Victoria, precisava urgente ir ou chegaria muito atrasada. Respirei fundo e peguei minhas coisas. Realmente espero conseguir comprar aquele lugar, então é isso aí. Vamos lá.

▬ Edward ▬

— Jake? – perguntei surpreso ao ver Jacob na minha sala – O que faz aqui? Marcamos alguma reunião? Não estou lembrado.

Olhei em minha agenda para ver se Isabella não havia esquecido de agendar alguma coisa ou se eu que havia deixado algum detalhe passar. Não encontrei nada sobre reunião com Jacob e ele certamente não veio para irmos almoçar juntos, já que nunca fazemos isso.

Jacob mantinha em seu rosto a expressão séria e uma certa fúria era evidente em seus olhos.

— Olha Edward – falou com a voz carregada de ironia e ira – Eu sempre soube que você era filho da puta e gostava de sacanear os outros, mas olha, dessa vez você se superou pois eu realmente não esperava que você fosse fazer isso com um amigo seu.

— Mas o que...

— Não se faz de idiota, Cullen – me interrompeu furioso – Você não aparece naqueles vídeos da Bella do instagram, mas eu conheço de longe essa sua voz de traidor.

Senti a ira tomar conta do meu corpo. Acabei de sair de uma reunião estressante e realmente não precisava que Jacob viesse descarregar toda sua raiva em mim por ele ter sido incompetente e burro o suficiente por perder de forma tão ridícula uma mulher como Bella.

— Primeiro de tudo, abaixa seu tom pra falar comigo pois se você não percebeu, está em uma empresa séria e respeitada e não no meio da rua onde você faz o que bem entende – falei sério largando minhas coisas em cima da minha mesa e me virei para o olhar novamente – Segundo, o que eu faço da minha vida privada não te diz respeito e principalmente, não te dou essa confiança pra vir aqui se achar no direito de tomar satisfações.

— Impressionante que naquele dia da festa de Halloween, eu estava te falando sobre ela e ainda assim você me deixou continuar falando só pra me sacanear depois...

— Jacob – o interrompi – Primeiro de tudo, sobre sua relação com Isabella, eu não ligo e bom, eu não leio mentes. Você não dizia quem era sua pseudo namorada e eu não conversava com ela nada além dos assuntos da empresa. Um belo dia, nos encontramos casualmente no cinema e conversando, ela me contou da história de vocês e aí eu fui saber alguma coisa, mas a partir daí vocês já não estavam mais juntos.

Claro que não fui 100% honesto, eu soube porque propositalmente li o cartão que ele enviara a Isabella pois queria saber quem havia mandado as flores a ela, mas esse era um detalhe que ele não precisava saber e eu não comentaria, então permanecia com minha versão da história que inclusive, tinha seu fundo de verdade.

— E após saber você não pensou em se afastar, já que ela já me pertencia?

— Já te pertencia? – repeti irônico – Desculpe, estou desenformado sobre o fato de ela ser um objeto e você ter o comprado para poder chamar de seu e declarar posse.

— Você entendeu o que eu quis dizer.

— Sim, que você é bem escroto. Isso explica o porquê de ela ter terminado com você – Jacob cerrou os punhos para controlar sua raiva – De qualquer forma, sim, estamos namorando e não, isso não te diz respeito, então essa cena que você está protagonizando é ridícula.

— Só queria mesmo vir aqui olhar na sua cara cínica e...

— E o que? Achou que eu negaria que estou com ela? – o olhei irônico – Eu não sou a porra de um adolescente imaturo, Jacob. Não ajo dessa forma e nem espere tipo de comportamento vindo de mim. Agora se me der licença, eu tenho mais o que fazer – apontei para a porta na esperança de ele entender o recado.

— Ela não é grande coisa, de qualquer forma – deu de ombros.

— E ainda assim estamos aqui tendo essa conversa. Acho que você passou longe de provar seu ponto e fica cada vez mais claro o motivo de ela não ter te aceitado de volta – rebati – Agora por favor – apontei novamente para a porta – Saia ou eu não irei me opor a chamar os seguranças e aí você será literalmente enxotado daqui.

— A filha da putice realmente combina com você, é quase como sua segunda pele – respondeu ácido.

Jacob me olhou furioso uma vez mais antes de deixar minha sala.

— Não tem como piorar – sussurrei para mim mesmo esfregando as têmporas.

Eu vou precisar de uma aspirina... ou melhor, duas.

— Falando sozinho, amorzinho?

Estou no inferno e ninguém me avisou?

Relutante, abri os olhos encontrando Tanya me olhando com seu olha e sorriso irônico no rosto. Sem convite, ela caminhou para dentro da sala parando ao meu lado e apoiando a mão em meu ombro.

— Poxa amorzinho, assim sua cabeça explode de vez – falou com falsa preocupação na voz – Quando for explodir me avisa, quero ter o prazer de gravar esse momento. Vou adorar assistir em câmera lenta.

Fechei os olhos respirando fundo. As vezes é difícil lembrar que minha filha ainda precisa da mãe, mesmo que a mãe seja uma inútil, filha da puta egoísta e egocêntrica pra caralho.

— O que faz aqui, Tanya? – questionei impaciente.

— Vim olhar pra sua carinha bonita, é meu passa tempo favorito, lembra? – ironizou

— Sem tempo Tanya, seja objetiva e vá embora.

— Estressadinho, recomendo transar, caso ninguém te queira, o que eu acho mais provável porque você é chato pra caralho, recomendo usar do amor próprio – falou pegando minha mão e levantando até ficar na altura do meu rosto – Se é que me entende.

Aproveitando que minha mão estava no alto, a fechei deixando apenas o dedo médio em pé, a filha da puta gargalhou alto e puxei minha mão de volta.

— O que quer, Tanya?

— Vim avisar que vou levar Nat pra passar a noite comigo – falou simplesmente sentando em minha mesa e cruzando as pernas.

— Com certeza você não vai – disse sério cerrando os punhos para controlar a raiva, me– A coitada ainda não se recuperou do trauma da última vez e eu não confio em você. – aproximei-me dela ficando com o rosto próximo ao dela – Natalie fica comigo e ponto final.

— Meu amorzinho – Tanya falou irônica ao apertar minha bochecha como se eu fosse criança e eu tive que controlar toda a raiva que dominou meu corpo – Se você não percebeu querido, eu não preciso da sua permissão pra sair com a minha filha. Vou sair com a Nat sim e ela vai dormir comigo, quer você goste ou não.

— Realmente Tanya – concordei com ela tirando sua mão do meu rosto – Não vou impedir, infelizmente você é a mãe dela, mas se Natalie voltar para casa do mesmo estado que voltou da última vez – me aproximei dela a olhando de força ameaçadora – Você vai desejar ter ido desafiar o diabo, não a mim.

— Amorzinho, tente me impedir de ver minha filha e daí eu te garanto que é você quem vai desejar ter ido ter uma conversinha com o diabo ao invés de mim – Tanya levantou da minha mesa e passou a mão pela sua saia ajeitando sua roupa – Agora que estamos conversados, eu vou embora. Libere minha entrada para o porteiro do seu prédio e pense no que eu te falei sobre o amor próprio.

— Vá para o inferno, Tanya.

— Também amo você, coisinha fofa de olhos verdes – riu – Não é assim que Esme te chama? Falando em Esme, diga a ela que eu desejo que ela caia de uma escada e diga a Carlisle que se ele quiser me procurar, sabe onde me encontrar – suspirou – Que pedaço de mau caminho seu pai é. Sentava nele fácil.

O DIABO ME CONHECE E SABE COMO ME TIRAR DO SÉRIO. Puta que me pariu.

Escolhi ignorar, seria pior se Tanya percebesse que suas palavras me afetaram, ela continuaria falando e eu estou no meu limite para continuar passando raiva de graça.

Ao mesmo tempo que me sinto como se estivesse no céu por Bella ter finalmente aceitado namorar comigo, também sinto como se estivesse no inferno porque puta que pariu, é cada uma que aparece pra testar minha paciência. Ainda tenho que ligar para Natalie e anunciar que ela dormirá com a mãe e precisa arrumar suas coisas.

É, minha filha vai me matar, mas se a mim de consolo servir, agora eu também quero me matar. Agora sei porque Bella tanto olha para minha janela. Acho que se eu me jogar daqui eu com certeza não morro de uma vez. Inferno. Peguei o telefone discando o número de Natalie, ela atendeu no segundo toque.

— Oi paizinho, estava pensando em você – falou animada – Eu tirei A+ na minha prova de matemática, fui a única da sala, porque eu sou inteligente e os outros são burros.

— Parabéns filha, mas lembra do que eu falei sobre ser nojenta com os amiguinhos?

— Sim, só posso ser nojenta quando estiver longe deles.

— Exato.

— Vou lembrar disso da próxima vez – ela deu de ombros – Agora me diga, porque ligou? Vai almoçar comigo? Eu não posso sair da escola, vou ter treino em meia hora.

— Que pena, frustrou meus planos do nosso almoço – menti – Bom, de qualquer forma, tenho uma notícia pra você.

— O senhor vai finalmente me dar um cachorro?

— Não. Mas a notícia é pior – ela ficou em silêncio esperando que eu continuasse – Hoje você vai dormir com a sua mãe.

Claro que ela desligaria na minha cara. Infelizmente eu quem ensinei isso a ela ao fazer isso com ela. Respirei fundo e liguei novamente. Não queria que ela fosse, mas como Tanya e eu temos guarda compartilhada, estava de mãos atadas, mas estava torcendo por um deslize de Tanya, caso ela faça algo que eu desaprove, ela vai ter que se entender com ela. Disquei novamente o número de Nat e esperei que ela atendesse, coisa que ela não fez. Respirei fundo. O diabo hoje estava atacado em me atentar e olha, ele estava tendo sucesso.

▬ Bella ▬

Mordia a unha do meu polegar nervosa enquanto olhava para o papel em minhas mãos. O valor era acessível, eu poderia pagar, mas ainda estava desconfiada do valor. Já havia pesquisado sobre a empresa de corretoria de imóveis e vi que era confiável e não poderia ser menos, tenho certeza que Edward não me apareceria com uma empresa vagabunda de competência duvidosa e nome desconhecido, então com relação a isso eu estava tranquila.

Minha preocupação era o valor. O imóvel estava a um custo de 200 mil dólares, eu tinha esse dinheiro e poderia comprar a vista, o problema é que apesar do local ser pequeno, quase minúsculo, era extremamente bem localizado. Um imóvel, bem localizado, no centro de Seattle e que custa apenas esse valor, me desculpe, mas eu desconfio.

Victoria havia dito que o vendedor tem pressa na venda pois precisa do dinheiro, com urgência para quitar dívidas pessoais. Me parece fazer sentido, mas eu ainda estava meio que com o pé atrás.

— Você não precisa assinar nada agora, Bella – Victoria disse ao notar minha desconfiança – Leve o contrato de compra e venda com você, leve a um advogado se quiser. Você tem uma semana para dar sua resposta, não posso congelar a venda por mais tempo que isso. Recomendo que veja com alguém que entenda de contratos e tenha experiência com isso caso esteja em dúvida, eles poderão esclarecer qualquer eventual dúvida que venha a surgir.

— Posso levar? – levantei o contrato para evidenciar do que eu falava.

— Claro – concordou com um sorriso – Me ligue caso tenha alguma dúvida ou chegue a alguma conclusão, sim?

Concordei com um aceno de cabeça, me despedi de Victoria em seguida levando o contrato comigo. Merda, eu teria que procurar um advogado urgente, mas tem tanto advogado, de direito trabalhista, de direito penal, de direito civil, de qual área devo procurar? Se ao menos eu conhecesse alguém que entendesse de contratos...

Por Deus, como eu consigo ser tão tapada?

EDWARD. Óbvio, como não pensei nele antes? Edward entende bem de contratos e conhece advogados, se tem alguém que pode me ajudar, esse alguém é ele e agora que ele é meu namorado, ele tem obrigação moral de me ajudar ou então faço greve de sexo. Gente, mal comecei esse namoro e já estou adorando esse poder todo.

Ao estacionar o carro na minha vaga de garagem, ainda tive o azar de arranhar minha porta. Droga, mais um arranhão para depois Edward dizer que eu não dirijo bem, assim fica difícil me defender. Guardei o contrato na bolsa e decidi que falaria com Edward ao final do expediente.

Olhei no relógio e já passavam das três da tarde, acabei demorando mais do que o previsto, por sorte, meu chefe já estava avisado sobre meu atraso. Apertei desesperadamente o botão do elevador como se o apertar freneticamente fizesse ele vir mais rápido. Cheguei ao andar em que trabalhava ofegante, a pressa fazia esse tipo de coisa comigo. Saí correndo pelos corredores na pressa para ir logo para minha sala e acabei esbarrando em alguém.

— Oh, pra que a pressa? – Riley me segurou antes que eu caísse no chão devido ao impacto do escorão de nossos corpos.

— Ai Riley, sem tempo, deixa eu ir antes que o próprio lúcifer condene minha alma pro inferno – tentei me soltar, mas ele continuou me segurando.

— Ei, onde você estava? – Jane chamou minha atenção – Estava me procurando, tem uns arquivos que você tem que pré aprovar antes de encaminhar para o Edward, sabe que essas coisas precisam da sua pré aprovação – me brigou.

— Falando em Edward – Riley disse pensativo – Que história é essa de que vocês estão namorando?

— O que? – Jess que passava por nós voltou no mesmo instante questionando com os olhos arregalados – Como assim você e o lúcifer namorando? Que babado é esse?

— Riley, você bateu a cabeça? – tentei disfarçar.

— Aquela sua coletânea de vídeos no instagram— explicou – Ele não aparece, mas ele já me infernizou tanto que eu sou capaz de reconhecer sua voz infernal até se não estiver olhando pra cara dele.

— Riley, você...

— E também notei que você veio de tênis e ele passou uma boa parte do dia incomodado com o pé e teve uma vez durante a reunião que ele tirou o sapato debaixo da mesa. Você e seu ‘namorado’ tatuaram o nome de vocês no pé, não tatuaram? – Riley me olhou inquisitivo.

— Não – neguei rapidamente.

— Ok, ok – Jane que estava em silêncio falou largando os papeis que tinha em mãos em uma mesa qualquer ao seu lado – Jess, eu e Riley seguramos ela em uma cadeira, você tira os sapatos dos pés dela. Não sei em qual ela tatuou e ela não vai falar.

— Ei... – tentei protestar, mas Jane já me segurava me forçando a sentar em uma cadeira.

Ela e Riley me seguravam sentada na cadeira, cada um segurava um braço meu e me mantinham sentada aqui. Tentei chutar Jess, mas ela era mais ágil e conseguiu segurar meu pé.

— Isso é ridículo – reclamei tentando chutar Jess novamente – Me soltem. Nunca me senti tão ridicularizada essa empresa e olha que eu trabalho diretamente com o próprio lúcifer.

— Se você ficar paradinha isso acaba logo – Jess demandou ao agarrar um dos meus pés e tirar o sapato – Droga, é no outro.

Desisti de lutar, apenas parei de me debater na cadeira e isso facilitou que Jess conseguisse tirar meu outro sapato.

— Não tem nada também... ah, achei – ela virou meu pé com força – Puta que me pariu – exclamou ao ler o nome tatuado no meu pé.

Riley e Jane me soltaram e correram para olhar meu pé, vendo o nome ali tatuado e me olharam completamente surpresos.

Os três pares de olhos me encaravam inquisitivos e as dúvidas, confusão e julgamento estavam explícitos em seus olhos. De tudo, o pior mesmo era ver o julgamento nos olhos deles, como se eu conseguisse qualquer vantagem nessa empresa por estar ‘dando para o chefe’.

Qual é, se tem algo que eu não tenho nessa empresa é privilégios. Respirei fundo e olhei para o outro lado. Talvez se eu ficasse em silêncio e fingisse que não é comigo, eles esqueceriam que o nome do nosso chefe está tatuado no meu pé. Talvez se eu continuar em silêncio eles esqueçam que eu estou aqui.

— Bella – Jane pigarreou – Por que o nome do nosso chefe está tatuado no lugar onde deveria estar tatuado o nome do seu namorado?

Então... acho que ela mesma já respondeu a pergunta dele né?! Sendo assim, minha resposta ainda será necessária? Oh inferno.

(Continua...)

Notas finais
Bellinha progredindo ainda mais com os planos da confeitaria dela: TUDO PRA MIM. Esse capítulo foi apenas pro Edward passar raiva porque olha... coitado hein. Achei o Edward sensatíssimo, eu também ia desejar toda infelicidade do mundo caso a pessoa não estivesse comigo, vocês não? Rrsrsrsrsrs. Hum... parece que agora os amiguinhos do trabalho da Bella descobriram sobre o namoro dela com o chefe... o que será que vão dizer sobre isso? Bella vai pedir ajuda do Edward com o contrato pra comprar o local pra ser a confeitaria dela, amo. Digam o que acharam, comentem, não me deixem aqui sozinha. Vocês não sabem o quanto os comentários de vocês me incentiva ♥ Bom, é isso, vejo vocês no próximo ♥ 23.02.2020