O chefe

33 Sim, estou no inferno


Notas iniciais
Relou pipous, tudo bem com vocês? Bom, quero agradecer a todos que comentaram no último capítulo, vocês fazem meu coração muito feliz ♥ Muito obrigada pelo carinho que vocês tem com a história, saibam que eu amo vocês e sou muito grata pelo apoio ♥ Bom, sem mais demoras... Boa leitura e espero que gostem ♥

Sim, estou no inferno

▬ Bella ▬

Fiquei olhando pra cara dele, tenho certeza que minha boca estava aberta em surpresa e eu me recusava com todas as minhas forças a acreditar no que eu estava ouvindo. Só podia ser brincadeira. Eu não acredito que Edward escolheu um momento tão sério pra querer curtir com a porra da minha cara.

— Oi? Não entendi, pode repetir? – pedi tentando controlar minha voz pois minha vontade era gritar e voar no pescoço dele para o esganar até ele morrer sem ar.

— Bella – ele respirou fundo e por um momento, sua máscara de ‘o todo poderoso chefão’ deu lugar a uma expressão contorcida como se ele sofresse com alguma coisa – Não torne isso mais difícil do que já é.

Agora meu sangue ferveu.

— Você está mesmo me demitindo? – perguntei cética e quando ele não respondeu, essa foi a minha resposta – A PUTA QUE ME PARIU, EDWARD – gritei liberando toda minha raiva – Você tá sacaneando com a minha cara? É isso? Qual o seu problema? Eu sempre fui uma funcionária ótima, talvez não excelente, mas ótima eu sempre fui então porque caralhos você está me demitindo?

— Isso não é assunto para tratar aqui, Bella...

— Bella o caralho, pra você é Isabella – o cortei – Você me demite e ainda tem a cara de pau de dizer que ‘não é assunto pra tratar aqui’? Se não tratar disso aqui não trata mais porque eu não quero te ver nem pintado de ouro na minha frente, ouviu?

— Essa noite eu vou a sua casa e nós conversamos, pode ser?

— Pode ser que eu dê na sua cara seu otário. Não tem essa de você ir a minha casa, vou ter uma séria conversa com o porteiro do meu prédio pra deixar a sua entrada proibida. Eu não quero olhar pra sua cara, entendeu?

Edward passou nervosamente a mão pelo cabelo e deu a volta em sua mesa, ele parecia levemente desesperado com algo, não que eu me importasse, ele tentou se aproximar de mim e estendeu a mão para tocar minha cintura, mas eu me afastei dando um passo para trás.

— Encosta um dedo em mim que eu juro que faço um escândalo aqui – ameacei – Não te dei liberdade para me pegar.

Ele parou no lugar erguendo as mãos, mas permaneceu me olhando. Eu estava tão chateada, desapontada, com raiva e triste que simplesmente não consegui controlar que as lágrimas que estavam contidas rolassem livres por meu rosto.

Eu estava triste, decepcionada e com raiva não pela demissão em si, mas pela forma rude como ele tem me tratado esses dias e bom, pela demissão também, confesso. Ele simplesmente me descartou como se eu fosse a pior das funcionárias. Como se eu não merecesse ao menos que ele me chamasse para conversar e dissesse ‘olha querida, seus serviços foram bons, mas não serão mais úteis’.

Eu ainda teria surtado, mas ao menos seria mais digno do que a forma como ele simplesmente estava me demitindo. O que é isso? Eu terminei com ele e pra me punir ele resolveu me pôr na rua? Ele era mesmo infantil a esse ponto?

Realmente eu me recuso a acreditar nisso pois eu o conheci por um tempo, mas pelo visto, não fo tempo suficiente para o conhecer bem.

Passei a mão no rosto para enxugar minhas lágrimas de frustração, revolta e ódio. Sim, ódio. Edward tinha o rosto contorcido e parecia sofrer, grandes merda, eu estava sofrendo e estava em estado pior porque além de ele ter sido um baita de um filho da puta comigo essa semana, ele ainda me demitiu quando terminei com ele e pelo visto foi puro capricho e aparentemente, eu sou a única que se iludiu nessa relação pois enquanto eu sempre fazia questão de falar o quanto o amava, ele nunca se preocupou em falar o mesmo para mim.

Não que eu cobrasse, ele não precisava falar sempre, mas ao menos uma vez, uma única vez sabe, só pra me deixar ciente do que ele sente por mim, mas creio que seu silêncio e a merda do ‘eu também’ que ele dizia já responde tudo. Ele dizia ‘eu também’ só pra não me deixar no vácuo e não ficar ruim pra ele. Queria ter percebido isso antes de ser trouxa a esse ponto.

— Bella, por favor – ele pediu novamente esticando a mão e tocando meu rosto – Por favor, não chora, você não sabe o quanto me destrói te ver assim.

Ele tentou se aproximar novamente e eu dei dois passos para trás.

— Não precisa mentir, você realmente não se importa – falei – Mas tudo bem, acho que eu também não me importo, afinal de contas, nós dois não temos mais nada, lembra?

— Bella para com isso, vam...

— Não quero saber – o impedi de continuar falando – Mas quer saber? Eu já estou de saco cheio desse lugar mesmo. Estou cansada de aturar suas crises infantis, seus caprichos de criança mimada, você é um péssimo chefe, horrível, nenhum funcionário te suporta, você transforma a convivência nessa empresa em um verdadeiro inferno. Fiquei aqui por 2 anos e 11 meses e todo santo dia você conseguia transformar meus dias em um inferno na terra, então acho que no fundo, quem ganha sou eu – soltei de uma vez.

Nem tudo era verdade, ele realmente fazia dos meus dias um inferno, mas não vou mentir, eu gostava do meu trabalho e achava até divertido a implicância que desenvolvi com ele, mas eu queria o machucar da mesma forma que ele me machucou.

— Eu não ligo pra opinião de ninguém nessa empresa, Bella, só a sua. Mesmo antes de meus sentimentos por você começarem a mudar, eu sempre me importei só com o que você pensava...

— Foda-se essa merda agora, de nada importa – o interrompi mais uma vez e interromperia quantas vezes mais fossem necessárias, não aguentava ouvir tanta mentira vindo dele.

Caminhei até a mesa dele, peguei o contrato que eu havia redigido a mando dele e o parte em dois, em seguida, o rasguei quantas vezes mais consegui e espalhei os papeis no chão. Talvez eu estivesse meio surtada mesmo pois ao ver que ele trabalhava em algo no computador, o puxei da tomada, mas estava ligado no nobreak e não desligou na hora. Com raiva, fui até o nobreak e desconectei os fios do computador fazendo com que agora sim, o maldito desligasse.

— Espero que você refaça tudo e tenha muito trabalho fazendo isso – praguejei.

Edward fez uma careta e esfregou as mãos no rosto.

— Esse contrato não estava ruim, na verdade, foi o melhor que você já redigiu, eu realmente ia usar ele.

Ah, agora ele inventa de querer elogiar meu serviço?

— Eu sei, porque eu fiquei a madrugada inteira que nem uma filha da puta fazendo essa merda, pra chegar aqui e você olhar na minha cara, dizer que estava uma porcaria e me chamar de incompetente – bradei irritada.

Tenho que lembrar de excluir o arquivo desse contrato do meu computador.

— Mas tudo bem, senhor Cullen— eu era pura ironia ao chama-lo dessa forma – Não é como se eu já não estivesse acostumada com seus surtos de humor seu bipolar enviado do cão e foda-se esse contrato, eu já fui demitida mesmo não é mesmo?! Aliás, você podia ter feito isso antes de descobrirem sobre nós, seria menos humilhante pra mim sabe?! Não que você se importe, claro.

— Bella – ele respirou fundo – Eu mesmo fiz sua carta de demissão, ainda não passou pelo RH e quando você assinar, vai ser como se você tivesse pedido demissão e não como se eu tivesse te demitido, mas você sairá com todos os seus direitos.

— Uau, adoro quando você tem pena de mim, inclusive, é um fetiche – ironizei – Já que estamos resolvidos aqui, eu vou embora porque olhar pra sua cara está fazendo eu me arrepender ainda mais do exato momento em que eu comecei a me envolver com você.

Respirei fundo, ajeitei minha postura e passei a mão em minha saia social para ajustá-la ao meu corpo e peguei a caneta que estava em cima de sua mesa assinando em seguida os papeis da minha demissão. Se fosse alguns meses atrás, eu com certeza me humilharia por esse emprego, mas não fara isso agora, não depois de já termos nos envolvido tanto. Edward permaneceu em silêncio, ele me olhava como se quisesse dizer algo, mas se conteve. Achei melhor assim.

— Agora se me der licença, foda-se você e essa empresa, por mim pode ir à falência – sorri irônica mais uma vez e me dirigi até a porta.

— Ei, Bella – Edward me segurou pelo braço.

Não pensei muito, apenas desvencilhei meu braço dele e ao me virar para ele, espalmei minha mão em seu rosto. O choque da minha mão em sua face foi tão forte que provocou um barulho alto irrompendo no ambiente que estava relativamente silencioso, o rosto de Edward pendeu para o lado e quase que instantaneamente ficou vermelho com a marca dos meus dedos estampando sua face. Edward ficou em silêncio com o rosto ainda virado para o lado e eu até pensei em me desesperar, mas eu realmente não tinha arrependimentos.

— Eu queria fazer isso desde o momento que comecei a trabalhar aqui e acho que devia ter feito isso bem antes – disse pondo fim ao silêncio constrangedor que se fez na sala. Edward respirou fundo e manteve sua postura inabalável como se nada o atingisse, isso só me causou mais raiva, mas nada mais faria com relação a isso – Agora, se me der licença.

Me virei novamente para a porta, girei a maçaneta e deixei sua sala. Peguei minhas coisas em cima da minha mesa e antes de sair, voltei para meu computador novamente e apaguei o arquivo do contrato que eu havia feito. Ele que se virasse pra fazer essa merda, especialmente porque era pra hoje a tarde. Foda-se.

Ignorando os olhares confusos de todos ou qualquer um que tenha tentado me cumprimentar, passei reto pressionando freneticamente o botão do elevador e como várias pessoas entraram nele comigo, não consegui ter paz até ele me deixar na garagem.

Entrei no carro largando minhas coisas de qualquer jeito no banco do passageiro e deitei minha cabeça no volante, respirando fundo e tentando controlar a crise de asma que queria me atingir.

Inspira. Expira. Respira.

Repeti isso para mim mesma diversas vezes até conseguir controlar o ar e respirar normalmente. Acho que ainda fiquei uns 10 minutos parada no estacionamento do prédio da empresa e no fundo, bem lá no fundo -ou nem tanto assim- eu tinha esperanças de que Edward viesse atrás de mim e tentasse conversar comigo, mas isso não aconteceu. De forma alguma.

— Claro que ele não viria – murmurei para mim mesma conformada.

Liguei a chave na ignição, me preparei para deixar o prédio e ergui minha cabeça. Me recusava a sair daqui de cabeça baixa.

[...]

— Você é patética, Isabella – disse ao meu reflexo no espelho.

Já eram quase cinco da tarde, desde que vim para casa -forçadamente mais cedo- me tranquei em meu quarto e passei a tarde inteira agarrada a John e olhava meu celular a cada 30 segundos para ver se Edward ligaria ou mandaria mensagem. Eu não atenderia e nem responderia, mas esperava que ele ao menos tentasse procurar por mim, mas nem isso ele fez.

Óbvio que ele não se daria a esse trabalho, se ele não se deu ao trabalho de descer até o estacionamento do prédio da empresa para me procurar, não é por telefone ou vindo na minha casa que ele o fará.

Voltei para minha cama puxando novamente John para o meu colo, passei a mão na cabeça peluda de dele e fiquei olhando meu doce macaquinho. Pelo menos ele não me abandona.

— Agora você está órfão de pai John – conversei com meu macaco – Mas não se preocupa, eu vou continuar te amando.

Meu coração acelerou quando meu celular vibrou anunciando uma mensagem, mas a decepção veio logo em seguida ao ver que na verdade era uma mensagem de Natalie.

Nat filhinha do demo

16:47 pm

“Olha meu novo uniforme, é uma graça”

Sorri ao ver a mensagem. Natalie havia enviado uma foto dela vestida com seu novo uniforme de líder de torcida. Deduzi que é o uniforme de inverno já que este possui mangas cumpridas e por baixo da saia ela usava uma legging branca. Fiquei um tempo ainda olhando a foto, Nat é realmente linda, mas infelizmente ela é mesmo a cópia cuspida e cagada do pai e isso só me deixou um pouco mais triste.

Bella Swan

16:49 pm

“tá linda fofinha, o uniforme é mesmo uma graça”

Nat filhinha do demo

16:49 pm

“Eu sei, eu sou muito lindo mesmo, é porque eu pareço com meu pai”

Bella Swan

16:50 pm

“rsrsrsrsrrsrs”

Respondi sem vontade. Não queria falar do pai dela agora. Inclusive, acho que ele não chegou a comentar com ela sobre o fim do nosso namoro já que ela agia como se não soubesse de nada e sendo honesta, é a Nat, se ela soubesse, teria me ligado e estaria me dando um baita de um sermão agora.

Triste pois eu realmente gostei da Nat e não queria perder o contato com ela, mas também não estava com ânimo para ficar no mesmo ambiente que Edward e onde Nat está, Edward também está. Por sorte a tenho no whatsapp, e é por aqui que conversaremos.

A campainha soou freneticamente e amaldiçoei tanto a vida de quem estava a tocando. Sei que não teria como ser Edward pois eu fui bem clara com o porteiro quando disse que sua entrada estava terminantemente proibida e que em hipótese alguma ele deveria entrar. Me arrastei até a sala, passei a mão no rosto e no cabelo para me arrumar e por fim, abri a porta surpreendendo-me ao ver Alice, Esme e Rosalie paradas em minha porta com um sorriso gigante no rosto.

— Nossa, sua cara está péssima – Esme foi a primeira a tecer um comentário – Não importa, se arruma, vamos sair.

— Pra onde? – perguntei desconfiada.

— Vamos a um sex shop fazer compras – Rosalie respondeu animada.

Quase gemi alto de frustração. Elas só podiam estar de sacanagem com a minha cara, não é possível que Edward não tenha falado nada a elas, mas eu que não tiraria a prova dos nove.

— Sério? – questionei olhando sua barriga incrédula – Olha o tamanho da sua barriga, ainda tem disposição pra transar? Aliás, de quantos meses você está?

— Poucos – respondeu dando de ombros – Agora vai se arrumar, vamos te esperar aqui.

Até pensei em reclamar e arranjar uma desculpa para não ir, mas sabe, eu precisava mesmo de um consolo, e dos bons.

[...]

Uau, como minha vida é gostosa, estou em um sex shop, fazendo compras com a mãe, irmã e prima do meu ex namorado e pelo visto, nenhuma delas sabe que eu e Edward terminamos. Delícia de vida hein.

— Qual desses será que vibra mais? – Esme perguntou enquanto observada a descrição dos dois vibradores que estava em suas mãos.

— Não sei, deixa eu ver – Rosalie pegou os ‘produtos’ da mão da mãe e foi ler a descrição também.

QUE COISA MAIS BIZARRA.

Olha, eu sei que eu tenho um ou outro parafuso meio solto na cabeça, mas poxa, nem eu faço esse tipo de coisa. resolvi fingir que não conhecia nenhuma delas e fui dar uma volta pela loja.

Estar em um sex shop só me deixou mais triste pois da última vez que estive em um, comprei umas coisas para usar com Edward e olha, foram todas muito bem aproveitadas. Decidi que não deixaria isso me abalar, eu precisava recuperar minha vida sexual novamente e o faria nem se tivesse que ligar para Jacob, claro que só o faria se eu não conseguir mais ninguém nesse mundo além dele para transar, eu ainda tenho meu orgulho... ou o que restou dele.

Olhei pelas prateleiras em busca de novidades e algo me chamou atenção.

— Hum... hotball com glitter é? – murmurei para mim mesma pegando o potinho com as bolinhas em minha mão – Será que brilha mesmo?

Dourado, será que tem rosa? Acho que não, não vi nenhuma. Peguei umas três embalagens e coloquei na minha pequena cesta. Não custa nada tentar né?!

Peguei também o tal de um gel comestível para sexo oral, ia trazer o de uva, mas o de morango é rosa e sendo honesta, eu tenho esperança que tudo brilhe. Continuei olhando que eu poderia trazer, mas eu ainda tinha algumas coisas que trouxe de Miami e bom, não estava com pressa para usar nada pois eu não tinha ninguém com quem usar... ainda.

Por mim, minha compra já estava fechada, mas quando ao longe eu vi alguns chicotes, deixei minha divagar sobre o que eu poderia fazer com um chicote em mãos. Interessante. Fui até o expositor onde estes se encontravam e fiquei olhando para ver qual era o melhor. Haviam muitos chicotes em couro, mudando apenas o cabo onde haviam diversas variedades de cor. O que mais me chamou atenção foram as chibatas, em especial as que a ponta era de coração, minha vontade foi trazer e fingir que eu era uma fada... a fada do amor. A ideia era interessante, mas acabei pegando a regular mesmo. Aparentava doer um pouco mais.

Conforme o programado -por mim- eu não trouxe muita coisa, já as três loucas fizeram a festa e saíram com sacolas quase cheias de lá. Agora eu sei porque Edward é meio traumatizado, a família dele é mesmo meio louca. Ao final, as três mosquiteiras decidiram que seria uma boa ideia ir comer sushi e bom, já que disseram que iam pagar, eu fui. Lá sou mulher de recusar uma boca livre?

— Bella você é tão sem graça – Alice comentou mergulhando seu sashimi no shoyo – Trouxe tão pouca coisa.

— Não é como se eu tivesse alguém pra usar isso – dei de ombros enfiando uma peça de sushi na boca.

Só percebi o que falei quando notei que as três me olhavam surpresas e sem entender nada.

— Como assim? – Esme foi a primeira a expressar suas dúvidas – Esqueceu do meu filho foi? Eu quero netos, sabia?

— Nós terminamos – optei por falar logo de uma vez.

Seria pior se prolongasse isso.

Alice se engalou com a comida que estava em sua boca, tossindo como louca, Esme deu alguns tapinhas na costa dela, mas olhava para mim e Rosalie estava completamente em choque.

— Oi? O que? Como? – a loira questionou – Explica isso direito amada?!

— Ele estava sendo filho da puta comigo, fiquei com raiva, terminei com ele e de birra, ele me demitiu – expliquei sem dar muita importância a isso.

— Ele te demitiu? – Esme perguntou surpresa, ela tinha os olhos arregalados e a boca escancarada – Mas quem esse filho da puta pensa que é?

Hum... seu filho?

Até quis comentar isso, mas você não discute com quem está pagando seu sushi.

— Pois eu vou ligar pra ele agora e fazer...

— Está tudo bem – a interrompi quando ela fez menção de pegar sua bolsa – Eu não quero mais aquele emprego de volta. Com todo respeito, mas eu não quero mais nem olhar na cara dele e acho que ele também não faz muita questão.

— Como não? – Alice falou após sua crise de tosse – Bella, está tão na cara que ele é apaixonado por você, ele te ama...

— Uau, queria que estivesse tão na cara assim pra ele também já que ele nunca sequer demonstrou se sentir dessa forma – ironizei – Além do que, ele nunca realmente disse que me amava, então... – dei de ombros.

As três me olhavam com o cenho franzido e pareciam estranhar algo.

— Essa é nova – Rosalie disse confusa – Quando ele gosta de alguém, ele sempre deixa a pessoa saber disso.

— Tcharam, eis aí a prova que eu precisava.

— Mas...

— Tudo bem – a interrompi – É melhor assim, nós éramos muito diferentes, não concordávamos com nada, éramos o extremo oposto e sendo honesta, eu já estou meio que no meu limite emocional com ele. Eu não sei o que ele sente, nunca o cobrei que ele dissesse que me ama, mas quando eu dizia isso a ele, ele sempre respondia com um ‘eu também’. O que isso significa? Que ele também se ama? Que ele também me ama? Que ele também estava com fome? Que ele também queria terminar o que quer que tivéssemos? Bom, acho que isso pode significar muita coisa.

Esme abriu a boca para falar alguma coisa diversas vezes, mas nada saiu então ela desistiu optando por ficar em silêncio.

— Olha, só por favor, não comentem nada disso com ele tá legal? – pedi – Eu realmente não preciso que ele se sinta na obrigação de fazer algo apenas para me agradar. Esse é o tipo de coisa que não deve ser cobrado.

— Claro – concordaram em uníssono.

Terminamos de comer em um silêncio constrangedor e quando me despedi delas, mais uma vez pedi que mantivessem nossa conversa apenas entre nós e já que ele não contou para a família que tínhamos terminado, pedi que não tocassem no assunto a menos que ele o fizesse e apesar da relutância, elas acabaram concordando e prometeram não comentar nada.

Ótimo, melhor assim. Tudo que eu não preciso é de Edward achando que eu estou implorando pelo amor dele.

[...]

— O que faz aqui e como soube onde me encontrar? – Tanya questionou ao abrir a porta e me ver parada ali.

— Perguntei da Nat – respondi apressada e não esperei um convite para entrar, até porque eu já sei que ela não me convidaria – Eu quero falar mal do Edward e você é a única que eu conheço que vai falar mal dele comigo. Vamos falar mal dele? – praticamente implorei.

Tanya me olhou entediada, mas deu de ombros concordando.

— Tá. O que você quer falar? Tomou um pé na bunda? – questionou fechando a porta atrás de si e indo até a cama se deitar lá.

— Na verdade, eu terminei com ele, mas porque ele foi filho da puta comigo, acredita nisso?

— Sim – ela respondeu entediada.

— ELE FOI FILHO DA PUTA COMIGO – gritei liberando toda minha raiva interior – E PORRA, NÓS ESTÁVAMOS MUITO BEM, BEM ATÉ DEMAIS...

— Olha – ela me interrompeu – Se você vai surtar, eu vou precisar no mínimo de uma bebida. Vamos beber.

— Vamos – concordei animada.

Tanya me levou até um pub em uma zona nobre de Seattle, eu vim o caminho inteiro reclamando pois precisava desabafar e como Tanya também já tinha tido um relacionamento (?) com Edward, ela seria capaz de me entender. Tudo bem que ela estava com a cara mais entediada do mundo, mas ao menos estava me escutando.

— Falar mal dele é tão libertador – disse animada.

— Não querida, fazê-lo quase ter um AVC é libertador, o resto é brincadeira de criança.

— Falar mal também não fica atrás... Ohm podemos formar um clubinho para falar mal dele e nos reunir toda semana – sugeri – Como eu sou a mais recente, posso ser a presidente do clubinho? – perguntei empolgada quando entramos no estabelecimento.

Tanya respirou fundo, virou seu corpo até estar de frente para mim e me olhou com a feição entediada.

— Primeiro, nós duas não formamos um clube – falou erguendo um dedo como se me impedisse de continuar falando... ou andando – Segundo, só estou aqui com você porque estou entediada e porque eu gosto de beber.

— Eu estou solteira agora, eu não tenho que vir a um pub– falei direcionando meu olhar para a entrada

— É exatamente por estar solteira que você tem que estar aqui querida – ela tocou meu ombro – Agora sente em uma mesa qualquer e consiga uma bebida de graça às custas de algum otário que você não vai beijar essa noite.

— Tanya, você é tãããão descolada, posso ser sua amiga?

— Não.

— Por favor – insisti mais uma vez.

— Olha, eu estou aqui porque você foi bater na minha porta fazendo escândalo, não me faça perder a paciência e ir embora daqui.

— A gente pode falar mal do Edward? – pedi esperançosa.

— Pode – ela concordou prontamente.

Agora a gente pode começar a noite.

Tanya caminhou elegantemente até o barman e lhe lançou um sorriso extremamente sedutor. Ajeitei minha postura imitando a sua pose e a cada vez que ela se mexia, eu tentava fazer o mesmo. Vai que andando com ela eu aprendo a ser uma mulher elegante e fodidamente sexy como ela é.

— Um dry martini para mim – ela falou sedutoramente ao barman que olhava para ela com desejo e admiração – O que você bebe? – perguntou se virando para mim.

— Dá última vez que eu bebia, eu fiz uma tatuagem de borboleta, quer ver?

— Pra ela, enche um copo com água e pinga algumas gotas de vodka por favor – ela me ignorou e se virou para o barman fazendo o pedido por mim.

Fomos nos sentar em uma mesa um pouco mais afastada e vi que muitos homens viravam os pescoços para olhar Tanya passar. Continuei imitando seus movimentos, ela era tão elegante.

— Você está me imitando? – ela perguntou se virando abruptamente para mim.

— Sim?

— Não está fazendo isso direito, por favor. Pare.

Assim que ela se virou de costas para mim, fiz careta pra ela e continuei imitando seus passos. Não muito depois, trouxeram nossas bebidas e olha, achei excelente. Qual será o nome dessa bebida que ela pediu? Vou pedir mais vezes, tem um gosto ótimo.

▬ Edward ▬

— Diga dona Esme – disse ao atender o telefone sem vontade.

Como vai meu nojentinho favorito?— ela perguntou animada – Como foi seu dia meu amor? O que aconteceu de novo em sua vida?

— Nada – respondi mais ríspido do que gostaria de ter respondido – O que a senhora quer?

Quero saber como está meu filhinho querido. Uma mãe não pode se preocupar com a cria?— respondeu inocente – Não aconteceu nada de novo na sua vida hoje?

— Não.

— Nenhuma novidade para me contar?

— Não.

E como andam as coisas ne empresa? — insistiu mais uma vez – Nenhum novo acontecimento por lá?

— Não – neguei mais uma vez.

Eu não queria ter que falar para ninguém sobre Bella e eu termos nos... desentendido, pois eu realmente não aceitava o ‘fim’ do nosso relacionamento e porque eu não queria ninguém se metendo nisso e minha família consegue ser bem invasiva quando quer.

Eu só preciso dar um tempo para que ela ponha a cabeça em ordem e aceite falar comigo. Eu sei que eu fui um escroto com ela e que nada justifica minhas ações, mesmo que eu tenha um objetivo com isso. Não a procurei hoje para lhe dar espaço, depois do tapa que ela me deu, ela deixou bem claro que não queria conversa comigo, ao menos não hoje.

Porra, depois de tudo que passamos para chegar até aqui, depois de conseguir fazer ela própria enxergar que me ama da mesma forma como eu a amo, parece que regredimos e voltamos a estaca zero. Não, até a estaca zero seria melhor. Parece que regredimos e descemos para a estaca abaixo de zero. Inferno de mulher que só veio para foder minha mente e me fazer não saber mais como viver sem ela. Eu sinto falta até dela falando besteira ao meu lado e de como eu não entendo nenhuma das suas metáforas.

Sabe filho — Esme falou novamente atraindo a minha atenção – Você é um grande de um filho da puta— dito isso, ela simplesmente desligou o telefone.

Fiquei encarando o aparelho em minhas mãos sem entender absolutamente nada. Ignorei o surto dela e me dediquei a observar a foto do meu papel de parede, era a foto que Bella me enviara quando eu estive em Nova Iorque, ela e Nat deitadas juntas e abraçadas. Ela tinha o sorriso mais lindo que eu já tinha visto e eu estava com saudade de ver pessoalmente esse sorriso.

Como me dediquei em esta última semana ser um baita de um filho da puta, mal passamos tempos juntos e confesso que até do rato encardido dela eu sentia falta... tá, não sentia falta dele, mas me preocupava em saber se o bicho estava vivo.

Falando em bicho, será que se eu usar o argumento de que John é nosso filho e eu quero ver como ele está, ela aceitaria me ver? Balancei a cabeça afastando esse pensamento, idiota demais. Larguei o celular na mesa de centro em frente ao sofá e apoiei o rosto nas mãos respirando fundo. Meu telefone vibrou alertando sobre uma mensagem, sabia que não era Bella, então não tinha nenhum interesse em conferir, mas acabei mesmo assim conferindo quem me perturbava.

Tanya (escrota)

20:39 pm

“Ei panacão, vem buscar tua mulher que ela está me tirando a paciência e esse é só o terceiro dela”

Junto da mensagem, ela mandou também uma foto de Bella que levava um copo cheio com um líquido transparente à boca. Bella parecia contente em beber, mas eu não confiava nela quando bebia, ela sóbria já fazia besteiras, mas sendo honesto, temia que alguém se interessasse por ela, a abordasse e ela terminasse a noite com alguém que não fosse eu.

Edward Cullen

20:40 pm

“Você deu bebida a ela, filha da puta?”

Tanya (escrota)

20:40 pm

“Te acalma macho, aí tem 98% água e 2% vodka. Agora corre aqui ou eu deixo ela sozinha”

Edward Cullen

20:41 pm

“Só não é mais filha da puta porque não é duas, onde você está?”

Tanya me passou o endereço do pub onde estavam e não era longe de casa. Avisei a Gianna que iria sair, que não demoraria e pedi que reparasse Nat enquanto eu estivesse fora. Peguei apenas minhas chaves, carteira e vesti uma roupa, já que estava apenas de bermuda. Dirigi até o endereço fornecido por Tanya e ao chegar lá, não encontrei nenhuma das duas. Respirei fundo tentando não ter uma crise nervosa agora e puxei o celular do bolso ligando para a filha da puta da mãe da minha filha.

— Onde você está, caralho? – questionei irritado quando ela atendeu.

Poxa amorzinho, você é sempre todo revoltadinho— disse com sua voz debochada.

— Você não vai me tirar do sério, Tanya.

Já tirei baby— a filha da puta riu – Mas fomos embora. Bella disse que não queria olhar pra sua cara e sendo honesta, nem eu, então a levei para casa, agora, sua voz me irrita, mas olha, ela não está realmente bêbada, é tudo psicológico dela, enfim... Até mais panacão.

Ela desligou o telefone. Sim, mais uma vez ela conseguiu, a filha da puta conseguiu me tirar do sério.

[...]

— Me desculpe, mas você não pode entrar – o porteiro do prédio de Bella me advertiu – Ela proibiu sua entrada.

— Mas eu só quer...

— Por favor – ele me interrompeu – Não me arranje confusão, eu preciso desse emprego – o homem pediu.

Suspirei vencido e senti meus ombros caírem. Eu realmente não queria arranjar problema com ninguém e nem para ninguém. Concordei com um aceno de cabeça e voltei para o meu carro. Não consegui ficar em paz sem falar com Bella e por isso eu estava agora, quase meia noite na porta do seu prédio, ainda não tinha perdido totalmente a esperança, então saquei o celular do bolso e tentei lhe ligar, mas ela não atendia, então mandei mensagem.

Edward Cullen

23:41 pm

"Bella, estou na entrada do seu prédio, você pode por favor liberar a minha entrada?"

Quando ela ficou online e os dois tracinhos ficaram azuis, eu achei que ela fosse responder algo, mas ao invés disso, o tempo passou e ela nada respondeu, então tentei novamente.

Edward Cullen

23:41 pm

"Bella?"

Edward Cullen

23:41 pm

"Caramba Bella, pelo menos fala comigo. Diz que me odeia, que não quer mais me ver, que me quer fora da sua vida, só fala comigo."

Edward Cullen

23:41 pm

"Por favor."

Meu coração acelerou quando apareceu ‘digitando’, mas logo ela parou e ao invés de uma resposta chegar, sua foto, seu status ‘online’ e seu visto por último sumiram. Tentei enviar mais uma mensagem e a mensagem não chegou. Ela realmente me bloqueou?

Com raiva, taquei o celular em algum lugar do carro que eu realmente não vi e soquei o volante com força. Inferno. Ela realmente não vai facilitar pra mim.

▬ Bella ▬

Após Edward e eu termos terminado, eu passei os dois dias seguintes trancada no quarto chorando e me lamentando por ser a trouxa que tem tatuagem com nome de ex. Ao menos é no pé e dá pra disfarçar.

No dia em que terminamos e ele veio até meu prédio quase meia noite e quando ele teve a audácia de mandar mensagem, eu até comecei a digitar o que seria um textão o mandando ir para o inferno dar um beijo na boca de lúcifer pois os dois se mereciam e muito, mas, ao invés disso, apenas o bloqueei. Bloqueei no whatsaap, bloquei seu número para que não pudesse me ligar, bloqueei seu e-mail e se tivesse mais alguma coisa para bloquear, eu teria bloqueado também.

No terceiro dia, eu decidi que me recusava a ficar chorando e trancada sentindo pena de mim mesma, então, lavei o rosto, vesti uma roupa e comecei a pôr meus planos em prática. Fiz diversas ligações fazendo cotações de mesas, cadeiras, freezers, vitrines e tudo mais que eu fosse precisar para dar início a minha confeitaria. Reuni todas as minhas melhores receitas e selecionei quais eu faria para quando inaugurasse e fiz o improvável: chamei Renée para me ajudar e mais improvável ainda foi ela ter chamado Esme e minha ex-sogra vir nos ajudar.

— Eu achei que ficou lindo – Renée elogiou logo após a pintura ter sido concluída, o piso de madeira ter sido colocado e o lustre em estilo parisiense que escolhi ter sido devidamente instalado.

Escolhi para as paredes um tom de amarelo pastel bem clarinho. Combinava bem com o piso e com a iluminação que escolhi, especialmente com o lustre central. Estava há quase três semanas nesse processo de reforma e o resultado estava do meu agrado. O jogo de mesas e cadeiras já haviam sido entregues, estavam em um canto esperando serem retirados das caixas e distribuídos pelo local.

Me recusando a pensar em toda raiva e ressentimento que eu sentia de Edward, direcionei toda minha energia e disposição para me concentrar no que realmente importava: montar minha confeitaria para ter um emprego e não morrer de fome -e ser enterrada como indigente- já que eu já gastei mais da metade do meu dinheiro com a merda desse lugar.

Estava fechando contrato com uma floricultura para que ela me fornecesse semanalmente algumas rosas brancas pois as usaria como centro de mesa, já entrei em contato com alguns fornecedores e fiz orçamentos para os suprimentos alimentícios que irei precisar para fazer os doces e a maior parte das coisas já consegui deixar bem encaminhado, inclusive, um pequeno empréstimo que fiz no banco, nada muito grande, apenas o suficiente para pagar o primeiro mês de alguns funcionários que eu contrataria, fazer os uniformes e cobrir qualquer outra despesa extra que eu venha a ter.

Bom, meus antigos amigos do trabalho não falam comigo... bom, Jane e Riley não falam, Jess e Ang ainda falam comigo e elas se mostraram empolgadas em vir provar meus doces quando eu inaugurar. Tenho planos de inaugurar até a segunda quinzena de dezembro pois com o natal chegando, sei que terei bastante encomendas e assim, seria uma boa forma de tornar minha confeitaria mais conhecida.

— Está, não está? – concordei olhando em volta.

— Você caprichou, tudo está sua cara – Renée me abraçou – Pálido, porém muito bonitinho.

Revirei os olhos pra ela e como resposta, ela gargalhou alto.

— Mãe, a senhora vai me ajudar? – questionei preocupada – Sabe, de começo eu ainda não vou ter exatamente como pagar muitos funcionários, então, preciso de alguém que eu confie para ficar no caixa. Vou contratar duas garçonetes e duas confeiteiras também.

— Claro que vou te ajudar bebê – ela apertou minha bochecha – Acha que eu perderia a chance de ficar perto do meu pedacinho de amor?

— Acho, mas isso não vem ao caso.

Ela ia responder alguma coisa, mas foi interrompida por uma Natalie saltitante entrando empolgada.

— Uau Bella – ela olhava admirada – Tá muuuuuuuito lindo – ela dizia fazendo bico – Ainda estou proibida de tirar foto?

— Sim – afirmei.

Natalie ainda não sabia que Edward e eu tínhamos terminado, mas ela sempre perguntava porque eu não estava mais com o pai dela e eu sempre usava a confeitaria como desculpa. Na mente dela, fazia sentido eu não o ver para acompanhar o andamento da ‘obra’ até a inauguração.

— Rose, você está enooorme – me surpreendi – Cada dia maior. Tem certeza que não tem dois aí dentro?

Ela apoiava uma mão na costa e outra na barriga acariciando por cima da blusa.

— Não sei, estão falando tanto que tô até com medo de descobrir. Adiei minha ultrassom, tenho medo de descobrir que tem dois aqui – ela aprecia realmente apavorada – Aliás, está mesmo ficando bonito.

— Obrigada – agradeci – Eu estou realmente me empenhando.

— Percebo – ela sorriu gentil.

— Nat, vem cá, deixa eu te mostrar uma coisa – Renée chamou a pequena que brincava de arrastar o pé no piso de madeira.

Ela percebeu que Rosalie queria falar comigo e logo tirou Natalie dali. Respirei fundo quando ficamos sozinhas, sabia do que ela queria falar e sendo honesta, não queria falar sobre isso.

— Bella, você não acha que já puniu meu irmão o suficiente? – perguntou puxando um banquinho e sentando em seguida – Ai, até sentar tá difícil.

— Não estou tentando punir ninguém, Rose. Só estou prosseguindo com minha vida, não posso parar tudo por conta do seu irmão – expliquei arrastando algumas caixas de lugar apenas para parecer ocupada.

— Ele está péssimo Bella, realmente péssimo – intercedeu por ele novamente – Você precisa ver como ele está. Ele sente sua falta, você cortou todos os meios de comunicação com ele e ele só sabe de você através da Nat que acha que vocês ainda estão juntos e todo dia chega empolgada contando como a confeitaria tá ficando bonita.

Por um momento, eu quase me senti culpada pois Edward foi a principal pessoa a me encorajar a realizar esse desejo que eu tinha. Mas foi apenas quase. Dá mesmo forma que eu não mereci a consideração dele, ele não merece a minha.

— Nós somos muito diferentes, não tínhamos como dar certo – respondi tentando fazer parecer que não me importava.

Ela nada respondeu, apenas me olhou repreensiva e balançou a cabeça negativamente. Ignorei sua repreensão e continuei meus afazeres. No fim do dia, deixei Renée em sua casa em Seattle e voltei para meu apartamento. Estava exausta, o dia tinha sido cansativo e eu daria tudo por um banho relaxante para relaxar bem meus músculos.

Entrei com o carro na garagem do prédio e já comecei passando raiva quando vi que o elevador estava em manutenção, por pura preguiça de subir as escadas, saí do prédio e entraria pela entrada principal, o elevador de lá devia estar funcionando normalmente. Estava distraída mexendo em meu celular, Nat havia me enviado um vídeo de cachorro e eu queria muito ver.

— Bella? – estanquei no lugar ao ouvir a voz.

Levei alguns segundos para desviar o olhar da tela do celular e ver Edward a minha frente. Ele estava escorado na entrada, tinha seu paletó apoiado na mão, sua gravata frouxa e seus olhos estavam fundos, com círculos roxos bem marcados embaixo dos seus olhos, seus cabelos estavam uma confusão, mas não era a confusão boa de sempre, era uma confusão no sentido ruim da palavra. Rosalie tinha razão, ele estava mesmo péssimo.

— Podemos conversar? – pediu hesitante.

Apenas dei de ombros e continuei andando. Ele que interpretasse como quisesse e pelo visto, ele quis interpretar como ‘sim’ já que me seguiu quando entrei. O porteiro fez menção de levantar para impedir sua entrada, mas lhe dei um pequeno sorriso e ele entendeu que Edward estava comigo.

Fomos em silêncio no elevador, ele parecia querer falar algo, mas estava contido, nada dizia, eu muito menos. Quando o elevador parou no meu andar, caminhamos em silêncio até meu apartamento, entramos em silêncio, larguei minhas coisas em cima do sofá e me virei para ele.

— Pode falar – quebrei o silêncio – O que faz aqui, Edward?

Edward abriu e fechou a boca pelo menos três vezes, mas nada saía. Impressionante como ele fazia ‘questão’ de falar comigo, mas não aprecia ter nada a dizer.

Esperei por um, dois, três minutos ou mais, me perdi na contagem do tempo. Continuamos em silêncio. Se ele não tem nada a dizer, por que me procurou? Pra que vir aqui? É mais difícil o esquecer quando ele se faz presente. Eu estava bem, tinha me focado apenas em minha futura confeitaria, mas pra que ele veio?

Sua presença aqui só me fez perceber que diferente do que eu achei, eu não estava nem perto de o esquecer, pelo contrário, ele ainda estava bem presente em minha mente. Ficamos em silêncio apenas nos olhando por mais tempo do que eu sou capaz de citar.

— Não tem nada a dizer? – questionei não suportando esse silêncio ensurdecedor.

— Eu... – esperei que ele continuasse, mas ele nada disse.

— Por que está aqui, Edward?

Mais uma vez, esperei por uma resposta que não veio. Fiquei com tanta raiva, queria bater nele, queria gritar com ele e por último, queria chorar. Queria por pra fora tudo que não me permiti chorar nessas quase três semanas que ficamos separados.

— Por que está aqui se não tem anda a dizer? – questionei novamente me recusando a deixar com que uma lágrima sequer saísse dos meus olhos – Honestamente, eu acho que terminar foi melhor. Somos muito diferentes, não daríamos certo de qualquer forma, já começamos esse relacionamento fadados ao fim, foi bom enquanto durou, mas é isso.

— Eu discordo – respondeu por fim – Foi bom enquanto durou e se estivermos juntos, vai ser melhor ainda pois nós somos excelentes juntos.

— Você realmente acredita nisso? – perguntei curiosa.

— Sim – ele respondeu firme.

— Me dê um bom motivo – pedi – Sabe, você é grosso, arrogante, fez questão de me afastar e foi extremamente filho da puta comigo a troco de nada. Não nos entendemos em nada, estamos sempre discordando, você só me faz passar raiva, nossas personalidades são horríveis juntas, eu amo do meu hamster e você odeia animais, eu sou totalmente insana e me deixo levar pelos meus impulsos sem me importar com as consequências enquanto você gosta de planejar absolutamente tudo. Nós somos dois opostos que estão tão opostos que não tem como se atrair, então Edward, me dê um bom motivo, um único bom motivo no qual te faz acreditar que nós poderíamos dar certo juntos?

— Porque eu te amo – falou me deixando totalmente surpresa, sem palavras e sem reação – Isso não pode ser suficiente pra você?

(Continua...)

Notas finais
Não vou mentir não... esse final foi proposital, rsrsrsrs. Bom, essa cena do final do capítulo estava planejada em minha mente desde muuuuuuuito tempo, eu já idealizava ela acontecendo assim desde quando eu me viciei no início da fic na música 'Million reasons' da lady gaga, rsrsrsrs Bom, é isso, tentem não me matar, rsrsrsrs Comentem, digam o que estão achando da história e se vocês acham que a Bella vai perdoar o Eduardinho assim de cara. Para spoilers ou apenas interagir comigo, me acompanhem no twitter: @winterdxs Bom, é isso, vejo vocês no próximo ♥ 03.03.2020