O chefe

26 Sapo de alma atribulada


Notas iniciais
Gente, oi. Queri agradecer a Dani fernandes, a rafakbm e a Thata Swan por terem recomendado a fic, amei cada palavra de vocês, amo saber do carinho que tem com a fic e vocês deixam meu coração quentinho e entopem ele de amor, muito obrigada por isso gente. Espero que gostem do capítulo pois dedico ele a vocês ♥ Quero agradecer também a quem comenta, vocês me incentivam a continuar ♥ Bom, espero que gostem do capítulo, é isso e boa leitura ♥

Sapo de alma atribulada

▬ Bella ▬

— Bella – ouvi ao longe a voz de Edward me chamando – Ei, Isabella. BELLA – fui fortemente chacoalhada pro ombro até que consegui fixar meus olhos nele – Respira. Você está roxa.

De primeira, não entendi o que ele queria dizer com isso, apenas quando soltei o ar pela boca, notei como meu pulmão estava queimando e como minha cabeça doeu devido ao ar que ficou um tempo sem circular. Vish, é agora que minha cabeça desregulou de vez.

— O que aconteceu com você? – Edward perguntou com o cenho franzido e me olhava de forma preocupada – Droga Isabella, respira. Você está fica do vermelha de novo, eu vou te levar em um hospital.

Respondi com uma careta. Minha voz resolveu dar uma voltinha pelo país das maravilhas e não me levou junto. Uma pena, eu adoraria ir.

Como não sabia o que falar e minha voz tinha ido se divertir sem mim, fiquei encarando a piscina. Me dar conta que estava apaixonada por ele era um pouco demais pra mim. Como eu iria olhar pra ele agora? Tá, eu estava olhando pra cara dele agora, mas acho que deu pra entender o que eu quis dizer. Enquanto Edward me olhava claramente esperando que eu respondesse algo, eu só tinha uma coisa lógica pra falar agora.

— Acho que eu estou com diarreia, com licença – levantei apressada.

Edward ainda tentou me segurar pela mão, a confusão estampada em seu rosto, mas eu fui mais esperta em dizer que ia fazer um estrago aqui se ele na me soltasse agora. Ele fez uma cara de nojo e me soltou. Quase três anos usando essa desculpa, a vergonha na cara já até se dissipou. Agora só tenho a cara e a vergonha se foi.

Quando notei que Edward ficou distraído vendo alguma coisa no celular, fui até onde Carlisle estava. Esme ainda estava deitada com ele, não queria ter essa conversa com ela lá, mas fazer o que né?!

— Mas como é que você faz isso comigo meu senhor? Agora minha mente tem muito caos e nenhum John batendo palmas – assim que me aproximei de Carlisle e Esme estavam, já fui logo falando com ele.

Talvez meu tom de voz tenha saído um pouco mais histérico e hostil do que o esperado. Mas é isso aí, já dizia a frozen, ‘lerigou’.

Carlisle, pleno como só ele, desviou seis olhos do malfiro candy crush e me olhou com um sorriso divertido nos lábios.

— Você me deve 20 pratas amor – Esme tranquilamente falou pro marido enquanto me olhava debochada – Falei que ela ia surtar quando descobrisse. Ela é meio fora da casa*.

— Eu realmente não estou em casa – concordei.

— Não querida – Esme sorriu educada – Eu quis dizer que você é meio louca.

— Ah... – disse sem jeito, mas logo me recompus – Enfim. Como você joga uma bomba dessa em mim seu demônio pai? E como você concorda com isso tão claramente? Se eu fosse uma golpista, uma interesseira? Já pensou o perigo que sua família estaria correndo? – tanto Esme quando Carlisle riram do meu desespero – Gente, eu estou falando sério. Vai que eu sou uma interesseira.

— Somos ricos Bella, estamos sempre cercados de pessoas interesseiras, com o tempo desenvolvemos a habilidade de reconhecer a quilômetros de distância uma pessoa interesseira. Você não é uma, apenas é meio estabanada das ideias – Carlisle explicou tranquilamente – Fisicamente também, pelo que percebemos.

Fiz uma careta pra ele.

— Ah é senhor sabichão? E se eu for uma mau caráter? Seu filhinho demônio pode estar errado sobre mim – dizia desesperada.

Qual era meu objetivo com isso eu não sei, mas eu queria descontar meu desespero em algo ou alguém.

— Pois é, não confiamos mais no senso de julgamento dele sobre as pessoas desde que ele se envolveu com a Tanya – Esme fez uma careta de desgosto.

— Mas confiamos no nosso e no da Natalie – Carlisle completou.

— Isso não conta – bufei irritada – A Nat é um amor, ela gosta de todo mundo.

Os dois demônios originais se entreolharam e explodiram em uma gargalhada exageradamente estrondosa. Que foi? Virei palhaça agora? Só faltou meu nariz vermelho.

— Bella, querida – Esme foi a primeira a se recompor da crise de risos – Natalie não é a cópia cuspida e cagada do Edward apenas na aparência física. É na personalidade também. Olha de quem ela é filha. Do próprio nojento em pessoa, ela é que nem o pai. Não gosta de ninguém, não deixa ninguém se aproximar. Ela tem um amigo de verdade que é o garoto que está aqui, com o resto ela é falsa por sobrevivência pois ela não é burra.

— Se ela deixou você se aproximar, é porque você é realmente uma boa pessoa. Ela é que nem o Edward – Carlisle completou – Ela e Edward são iguais nesse sentido, dois nojentos que não gostam de nada e nem de ninguém. Você se aproxima quando eles deixam e apenas isso. Deixa eu te perguntar uma coisa. Você está a quase três anos trabalhando com ele não é? – assenti concordando – Se ele não tivesse deixado você saber sobre ele, acha mesmo que saberia que ele tem família e uma filha?

— Descobrir isso foi meio decepcionante, acabou com as piadinhas de “Lúcifer sem família” – ri e quando vi que os dois me olhavam sérios, parei de rir.

— Enfim – resolveram me ignorar – De qualquer forma, você deixa meu filho feliz. O brilho que ele tem nos olhos quando te olha é algo que eu sinceramente achei que nunca fosse ver acontecendo com ele. Sempre achei que ele ia morrer sozinho, cercado por papéis e naquela sala dele na empresa. Agora pelo menos se isso acontecer, tem você pra achar ele antes que o corpo entre em decomposição – Carlisle sorriu.

Gente. E depois eu sou a ‘fora da casa’? Eu hein.

— Oh meu amor, se você unir ‘morte’ e meu filho de novo em uma mesma frase. Eu arranco suas lindas e gloriosas bolas – Esme disse amorosa afagando o rosto do marido – De qualquer forma, apenas não surte Bella, siga o conselho de Rosalie, não dificulte sua própria vida. Sabemos que você nunca se apaixonou e não sabe direito como é estar apaixonada. Mas dê uma chance a esse sentimento. Além do que, quando Edward quer, ele é uma pessoa apaixonante e te garanto que ele quer – ela sorriu – E para de me dar língua.

Só notei que estava com a língua pra fora quando Esme falou. Sorri sem graça e apenas assenti concordando.

— Já que estamos entendidos, com licença, candy crush me espera – Carlisle desbloqueou a tela do seu celular e fingiu que eu não estava ali.

Esme revirou os olhos pra ele e voltou a deitar no colo dele. Como eu estava sendo ignorada, resolvi me retirar dali. Voltei lá para onde o diabo filho estava, ele ainda estava distraído fazendo alguma coisa no celular, ele parecia contente e ficou a coisa mais fofa do mundo (ou do inferno já que ele é o próprio Lúcifer manifestado) prendendo o lábio inferior entre os dentes. Fofo.

Quando me aproximei e estiquei o pescoço para ver o que ele fazia, ao notar minha presença, ele rapidamente bloqueou a tela do celular e o colocou de lado.

— Você tava vendo pornografia? – perguntei divertida com o desespero dele.

— Tava – falou sem graça.

— Deixa eu ver também – pedi curiosa. Ele apenas riu e balançou a cabeça negativamente – Você estava vendo pornô gay?

— O que? Não. De onde tirou isso? – negou rapidamente.

— Eu acho que era pornô gay sim – provoquei.

Eu só queria saber o que era.

— Eu sei o que você está tentando fazer, não vai colar comigo – riu – Mas vou te mostrar, só não ri.

Ah meu jovem, dependendo do que for, eu vou rir pra caralho sim.

Edward parecia constrangido e desbloqueou a tela do celular revelando um jogo de confeitaria chamado “my cafe”.

— Nat fez eu baixar ele jogo pra ela subir de nível em alguma coisa aí, acabei me afeiçoando ao jogo, mas eu sempre nego que jogo ele – confessou – O pior foi que eu já gastei tanto dinheiro nisso comprando diamantes – ele fez uma careta e parecia decepcionado com ele mesmo.

Era disso que ele estava com vergonha? Que fofo gente. Da até vontade de morder. Apenas ri e beijei sua bochecha... Hum, mordi também.

— Aí caralho – reclamou esfregando a bochecha – Sua canibal.

— Ei seu sapo, eu quero ir embora – falei ainda rindo de sua bochecha mordida.

— Eu também – olhou em seu relógio e viu que ainda era cedo – Vamos?

Concordei com um aceno de cabeça. Edward chamou Nat para ir com ele, mas ela pediu pra ficar mais um pouco e Esme insistiu pra que ela dormisse lá hoje. Após alguns protestos e a relutância de Edward em a deixar lá já que Matt ficaria, ele concordou em ir sem a filha. Nos despedimos de todos e os pais dele mais uma vez disseram o quanto estavam felizes por eu ter ido, Esme falou sobre eu considerar o que ela falou pi pi pi, pó pó pó e blá blá blá. Nada contra eles, até gosto, mas falam demais e eu paro de prestar atenção e perco a concentração. Quando falam demais, é muita informação na minha cabeça, aí meu cérebro não aguenta e desliga.

— Você quer fazer alguma coisa agora? – Edward perguntou quando estávamos no carro.

— Sim, ir pra casa, já disse isso – revirei os olhos.

— Grossa – riu.

Eu obviamente me senti na intimidade para conectar meu celular a central de mídia do carro dele e ligar minha própria música ali. Quando o assunto é música, meu gosto musical é bem adolescente mesmo. Não nego e nem me envergonho. Coloquei Taylor Swift pra tocar e se ele não gostasse... ele que furasse os ouvidos. Escolhas, cada um tem as suas.

Fui o resto do caminho perdida em meus próprios pensamentos. Tentei associar o que Esme, Carlisle, Rosalie e Alice já me falaram. Mas daí eu já me perdi na minha própria mente. Eram muitas vozes na minha cabeça, muitas palavras pra me concentrar, muita informação e no meio disso tudo, John ainda tocava uma música.

Oh como eu sofro. Deu até dor de cabeça.

Notei que Edward batucava os dedos no volante acompanhando a melodia e seus lábios até se mexiam acompanhando a letra. Lembrei que temos o mesmo gosto musical... mais ou menos, a Nat forçou ele a conhecer essas músicas. É suficiente pra mim, mas... O que ele gosta de ouvir quando ele mesmo põe suas músicas?

— Ei sapo demoníaco, que tipo de música você escuta? – perguntei curiosa.

— Você tem cada apelido estranho – ele riu com o cenho franzido.

— Você não respondeu minha pergunta. Responde.

— Meu gosto é bem extremo um do outro. Eu gosto de ouvir rock clássico e gosto de ouvir rap, sabe... Queen, Rolling Stones, Bom Jovi, Lil Wayne, Eminem...

Fiz uma careta pra ele. Que péssimo gosto hein, a maioria aí é banda de gente velha, mas daí eu lembrei que ele tem 35, já é velho. Tá na idade de gostar de coisa assim mesmo. Será que quando eu tiver 35 ainda vou estar ouvindo Jonas Brothers e Taylor Swift? Claro que eu vou. Ri com meu próprio pensamento.

— Seu gosto é ruim, mas vou ser legal, vamos ouvir Queen, eles são legais.

— Alguém no carro e eu ouvindo minhas músicas? Isso é novidade – ele riu – Nunca estou autorizado a ouvir minhas músicas quando tem alguém no carro.

— Porque são ruins – justifiquei enquanto colocava uma música aleatória do Queen pra tocar – Mas não se acostuma, isso não vai acontecer sempre.

— Isso quer dizer que você vai estar constantemente no meu carro? Interessante – ele riu balançando a cabeça como quem concorda com algo.

— Não, eu gosto de dirigir, sou ótima nisso e me desestressa... as vezes.

— Bella, seu carro está todo arranhado por um motivo e acho que o motivo não são suas habilidades no volante e sim a falta delas.

— O que você está insinuando?

— Que muito provavelmente você é péssima dirigindo – mostrei o dedo médio pra ele e ele riu mais ainda – Não foi você que bateu o carro num hidrante?

— Ei – falei irritada – Isso foi um caso a parte, eu me distraí enquanto dirigia, eu acordei atrasada, estava pedindo que o doutor estranho me ajudasse pra você não arrancar minha cabeça.

— Se distraiu é? Ótima motorista mesmo.

— Vai tomar no cu Edward, garoto chato – fechei a cara.

Claro que ouvi a risadinha dele e virei o rosto para a janela encarando a paisagem. Que homem implicante e a família dele ainda quer que eu goste dele. Absurdo.

Continuei focadíssima em observar a paisagem de Seattle e estava até distraída quando senti Edward segurando minha mão enquanto dirigia. Sério, juro que meu coração acelerou e por um momento eu não soube o que fazer, minha respiração ficou até pesada e posso afirmar que minha pressão estava caindo. Meu instinto foi puxar minha mão de volta e lhe dar um tapa bem dado na mão, mas ao invés disso, entrelacei nossos dedos. Porque fiz isso eu não sei, mas eu gostei. Estranhamente... eu gostei e faria de novo se preciso fosse.

[...]

— Eu vou comprar um hamster – disse assim que chegamos ao meu prédio.

Na verdade, eu falei isso apenas para mim mesma. Eu estava sentindo falta de algum ser vivo em meu apartamento. Tudo bem que eu matei a aquarela, um cacto e minhas plantinhas não sobrevivem muito, mas algo me diz que com o hamster vai ser diferente.

— Não sei porque, mas minha intuição diz que ele vai ter o mesmo destino da Aquarela – Edward disse e eu o olhei esperando ele concluir sua colocação – Em uma cova ilegal nos fundos de um cemitério.

— Agora que você já jogou sua praga é bem capaz mesmo – revirei os olhos – Enfim, tchau, até segunda e adeus – falei e tentei abrir a porta, mas ele me segurou pela mão.

— Eu subo com você.

— Não, eu tenho coisas pra fazer em casa, sendo assim, eu vou pra minha casa, você vai pra sua e assim nós vivemos a vida. É capaz de você querer dormir comigo e eu não quero – fui sincera – Então tchau, boa noite.

— Tem certeza que você não quer que eu durma contigo?

— Foi isso que eu acabei de dizer, não foi? Até parece que não escuta.

— Você é mesmo a Fiona, sua grossa – ele revirou os olhos.

Ele ainda tentou me fazer mudar de ideia e deixar ele subir, fez até um beicinho que foi bem bonitinho de ver, mas... É... isso não me comove. Tentei de novo abrir a porta e novamente, ele me segurou. Aproximou o rosto do meu e beijou o canto da minha boca. Isso me frustou.

— Você chama isso de beijo de despedida? – debochei.

— Você não está sendo uma boa garota, não merece mais que isso.

Mostrei o dedo do meio pra ele e o filho da mãe riu alto da minha cara.

— Tchau, Bella – se despediu.

Tá bom, foi meio frustrante não receber um beijo decente então com raiva, eu só saí do carro e bati a porta com força. Foi pra irritar, eu sei que ele adora esse carro e por isso descontei minha raiva na porta.

Eu vou comprar um hamster e o nome dele vai ser convergir.

“Lar doce lar, bem vinda minha paz”. Foi exatamente isso que eu pensei no momento em que coloquei os pés em casa. Larguei meu celular em um canto qualquer da sala, tranquei a porta e me espreguicei. Faz tempo que não tenho a minha casa apenas para mim mesma.

Estava com muita coisa em mente, sendo assim... eu vou fazer um bolo, mas primeiro, vou tomar um banho. Enquanto me despia em frente ao espelho, pensava no que Carlisle falou sobre eu estar apaixonada e no que Esme falou sobre eu dar uma ‘chance’ ao sentimento. Toda vez que penso nisso, eu me desespero um pouco mais. É estranho, não sei lidar e me deixa completamente sem ar. Deus, cadê minha bombinha? Inferno.

Olhei minha imagem refletida no espelho e olhei para minha tatuagem. ‘Expira, inspira, respira’. Esse me parece um bom conselho agora, se eu não fizer isso, certeza que eu surto de vez. Bom... que mal faz eu só deixar rolar e ver onde isso da? Mal não faz... certo?!

[...]

Em pleno sábado à noite e eu estou me sentindo ociosa. Mas que merda eu tenho na cabeça de dispensar meu sexo fixo um sábado à noite? Só pode ser caquinha.

Nesse momento minha cabeça tá cheia de vozes e como não conseguia pensar direito, resolvi que ia fazer um bolo. Fui até minha cozinha e peguei todos os ingredientes que eu iria precisar e os coloquei em cima do balcão. Fiquei encarando o saco de farinha de trigo, até consigo contornar o problema de Edward com lactose, mas o do glúten eu não sei se consigo.

— Droga Edward, tão bonito, mas todo estragadinho, até pra comer você dificulta minha vida – reclamei para mim mesma.

Guardei a farinha, o achocolatado e o leite. Faria um bolo sem glúten, sem lactose e usaria cacau em pó para o bolo de chocolate. Liguei o forno para o deixar pré aquecido, untei uma forma pequena, preparei a massa e após pronta, o despejei na forma o colocando no forno em seguida.

Enquanto a massa estava no forno, comecei a me sentir sozinha em meu apartamento. Isso era novidade, eu gostava de ficar sozinha aqui, era meu refúgio, mas ainda assim estava me sentindo só. Fiquei alguns bons minutos parada no meio da sala apenas olhando o nada até meu olhar recair sobre meu celular. Corri até o aparelho e enquanto corria os olhos por minha agenda telefônica, vi o nome de Edward, fiquei tentada... mas ao invés disso liguei para Renée, ela ainda estava em Seattle então a chamei para vir aqui me fazer companhia.

Quando ela chegou, estranhou o motivo de ter a chamado aqui, então optei por ser honesta, conversei com ela sobre como me sentia, sobre o contrato que eu fiz que questão que tivéssemos detalhes superficiais sem nem ao menos citar um nome, mas ao ela afirmar que eu estava falando sobre Jacob, acabei cedendo e lhe contei que na verdade, Edward que era o meu pedacinho de estresse no momento.

— ISABELLA – ela gritou com sua voz estridente quando contei quem estava confundindo minha mente – Eu não acredito que você está sentando a hora que bem entende naquele homem, tem ele aos seus pés e ainda está cheia de minhoca na cabeça – ela fez uma careta pra mim – Se joga minha filha, tá se questionando por que?

— Mãe, eu estou falando sério – ralhei – Eu estou confusa. Isso de se apaixonar é estranho, ainda não sei lidar com isso...

— Ninguém sabe, colega – Renée me cortou – É algo que você só entende na prática. Não vem me fazer cu doce não filha. Aproveita que ele tá de quatro por você e fica de quatro pra ele que te garanto que você nem vai se arrepender, me conta... ele é bom de cama? – perguntou curiosa.

Eu não queria, mas o sorriso que se formou em meu rosto foi completamente involuntário.

— Bom era Jacob, Edward é o próprio deus do sexo – ri – Eu não consigo nem sentar direito depois que a gente transa e ele tem um fôlego que puta que pariu, é a madrugada toda.

— Deus me livre, mas quem me dera – ela gargalhou alto – Meu sonho de princesa é sentar na piroca daquele homem gostoso da porra – Renée suspirou – Se aquele homem pisca pra mim, Phil estaria solteiro na hora.

— Para mãe – reclamei.

— Eu estou falando sério. Se eu sento naquele homem, nem um guindaste me tira de lá. Ia ser que nem aquele caso da espada do rei Arthur sabe?

Fechei a cara pra ela. Ah ótimo, agora eu tenho que ficar ouvindo minha falando sobre sentar no pau do meu namorado... opa, namorado não. Namorado não. Pensando bem, ela que sente onde ela quiser... não, eu não ia querer ela sentando em Edward. Aí, que conflituoso, eu estou tão dividida.

— Você está se mordendo de ciúmes – Renée falou e gargalhou em seguida – Caralho você já está apaixonada.

— Talvez um pouco... – não neguei, estava ficando um pouco cansativo negar o tempo todo – Mãe, eu não quero estar apaixonada, se não der certo? Como eu fico depois?

— E se der certo? – ela rebateu – Já pensou nessa possibilidade?

Fiz uma careta pra ela.

— Você e sua mania de só ver o lado negativo da coisa – abri a boca para protestar, mas ela foi mais rápida – E nem me ver m com essa de ‘eu sou realista’ se não eu quebro a sua boca.

— E como está a senhora e o papai? Ainda tentando se matar? – mudei de assunto, não queria mais falar sobre isso.

— Sempre né, filha?! Seu pai me enche a paciência.

Apenas ri das histórias absurdas de Renée. Ela e meu pai são uma graça. Um tentando atacar o outro e no fundo, pra mim os dois tem um puta de um tesão reprimido entre eles.

Quando o bolo ficou pronto, optei por fazer um naked cake de chocolate. Peguei as frutas que eu tinha na geladeira, desenformei o bolo e comecei a montar. Fiquei olhando pra uva em minhas mãos e não pude deixar de lembrar da piadinha tosca de Edward, a tal da “uva parça”. Só ele mesmo.

Não vou mentir, foi um pouco deprimente ver tanta fruta e não ouvir uma piadinha ruim sobre nenhuma delas.

— Mãe, vendo essa framboesa – levantei a fruta em minha mão – Em qual piada a senhora pensa?

— Nenhuma. Não da pra fazer piada com frutas, não tem graça – falou sem tirar os olhos do celular.

É, graça não tem, mas da pra fazer. Após decorar o bolo e ver o quanto bonito ficou, tirei uma foto dele. Com certeza estaria uma delicia até porque, sem querer me gabar, meus bolos são uma delicia.

Realmente, estava maravilhoso, Renée comeu duas fatias e só não comeu mais pois estava de ‘dieta’. Ainda conversamos bastante, claro que de cada 10 palavras, 11 eram besteiras e 12 eram imoralidades relacionadas ao pau de Edward, mas gostei de conversar com ela. Perto das onze da noite ela foi embora e eu fui me deitar em meu quarto.

Coloquei meu pijama, apaguei as luzes, abracei John e me deitei me enfiando embaixo da coberta. Fechei meus olhos e tentei relaxar. Me remexi na cama tantas vezes, não conseguia dormir, de repente minha cama estava tão gelada, tão... grande. Ela sempre foi gigante assim?

Não vou negar, estava sentindo a falta de um calor em minha cama, mas não me deixaria levar por isso. Ignorei esse sentimento de saudade que me dominava, abracei John com mais força e tratei de dormir. Era melhor assim.

[...]

Meu domingo tinha sido um saco. Quando finalmente me convenci a mandar uma mensagem para Edward o chamando para vir ate minha casa, a alma atribulada que é meu chefe estava na empresa trabalhando e ainda teve a audácia de perguntar se eu não queria ir “me divertir” trabalhando com ele. Eu até iria se soubesse que isso tinha alguma conotação sexual, mas conhecendo a alma perturbada que ele é, ele realmente estava falando de trabalho, então cancela. Ele que se divirta sozinho pra lá. Eu hein.

Cheguei cedo no trabalho, bom, não sei se cinco minutos antes do meu horário é cedo, mas já estava por aqui.

Estava em minha sala e estava sentindo meus seios doloridos e notei uma espinha em minha testa. Droga, eu estou para menstruar. Vai chegar a época da minha tpm fodida, por sorte, meu chefe vai estar do outro lado do país e não aqui para me fazer ir ao banheiro e chorar de raiva. Eu fico sensível quando estou ‘naqueles dias’.

Passei no setor de finanças para liberar a compra da passagem de Edward pra Nova Iorque, a reserva do seu hotel e o aluguel de um carro. Imprimi todas as cinco vias do contrato com a Amazon que eu havia redigido, os coloquei em pastas devidamente identificados, mandei a agenda semanal do meu chefe por e-mail, salvei em seu desktop e imprimi uma cópia pois o atormentadinho amava gastar um papel e ter uma cópia impressa mesmo que ele não fosse usar.

Servi seu café em sua maldiga xícara que eu tenho certeza que a alma perturbada que ele é vai e desliga de propósito só pra me fazer pegar outro e me deixar perturbada também é tirei da bolsa o bolo que eu trouxe, coloquei em um pratinho e enfeitei com as frutinhas que eu trouxe. Arrumei tudo e deixei em cima de sua mesa.

Após adiantar uma boa parte do serviço, fui circular pela empresa e saber o que as pessoas estavam fofocando.

— Esse infeliz está me perseguindo, eu tenho certeza. Ele não é feliz e nem deixa ninguém ser também – ouvi Riley comentando com Jane e Ang.

Fofoca, quero saber. Me aproximei dos três e enfiei minha cabeça na rodinha que eles faziam.

— Qual a fofoca da vez? – questionei curiosa.

Riley bufou irritado.

— O infeliz do próprio demônio manifestado está pegando no meu pé. Ele não tem me dado um segundo de paz e ainda me põe pra fazer funções que nem são as minhas, como se eu já não tivesse muito trabalho com minhas próprias funções. Eu estou a beira de um colapso nervoso – Riley puxava seus cabelos como se fosse os arrancar de sua cabeça.

— Sei como é isso – concordei – Acostume-se meu jovem. Isso não passa e a tendência é piorar.

— E o filho de uma puta ainda me chama de Ana. Eu lá tenho cara de Ana, porra?

— Até que tem – Jane brincou e ganhou como resposta um olhar aborrecido de um Riley furioso.

— Vá tomar no seu rabo, Jane.

— Poxa crush, maldade já estou solteira e não tem ninguém pra fazer isso por mim – falou com falsa chateação.

— Riley, se você quiser fugir, a hora é agora, o Lúcifer de olhos verdes chegou – Ang anunciou.

Riley nem sequer se despediu, girou em seus calcanhares e sumiu como se nunca tivesse estado ali. Eu preciso aprender a me materializar e desmaterializar assim dos lugares também.

— Bom dia senhor Cullen – Jane cumprimentou assim que ele passou por nós.

Ele não respondeu e sua expressão não era amigável, mas pelo menos ele não foi um entojado total e cumprimentou com um aceno de cabeça. Após acabar o período da nossa aposta, Edward voltou a ser o capeta que ele era antes, mas não totalmente. Ele não responde com palavras, mas pelo menos ele faz um cumprimento com a cabeça. Até diria que é melhor que nada, mas isso é nada pra mim é a mesma coisa.

— Va até minha sala, Isabella – falou usando sem tom de chefe, ou seja, uma voz autoritária, irritante e nojenta.

Olhei para o teto pedindo paciência. A cada novo dia que eu vinha trabalhar, eu sentia essa janela me chamando e pedindo para que eu me jogasse dela. Se eu cair daqui, eu morro direto ou vou ter que aturar meu chefe dizendo que eu não soube me matar?!

– AGORA ISABELLA! – seu grito no final do corredor me fez sobressaltar de susto.

— Que a força esteja com você, amiga – Ang tocou meu ombro solidária e Jane só sibilou um ‘se fodeu’.

Ridícula.

Corri até a sala de Edward e entrei ofegante. Eu tenho que parar de correr se não a asma vai acabar comigo.

— Me chamou senhor Cullen? – disse com a respiração pesada.

— Você não bateu na porta, Isabella – falou tranquilamente enquanto tirava seu paletó e o colocava no encosto de sua cadeira – Por favor – apontou para a porta.

ELE SÓ PODE ESTAR DE SACANAGEM COM A PORRA DA MINHA CARA.

Ele vai mesmo me fazer sair da sala e bater só pra ele falar a porra e um ‘entre’? Espero que esse café dê diarreia nele.

Fiquei olhando pra cara cínica dele e o filho da puta, perturbado infeliz estava mesmo falando sério. Com toda a raiva que existia em meu ser, sai da porcaria da sala e bati, com toda raiva e força na porcaria da porta da sala dele.

— Entre.

'Entre é meu pé no seu traseiro'. Pensei, mas infelizmente não pude falar pois sou completamente cadelinha do capitalismo e preciso trabalhar pra me sustentar. Eu preciso me lembrar que eu quem tive a ideia idiota de dizer pra ele não mudar como me tratava na empresa, mas agora que eu descobri que estou apaixonada por ele, minha vontade de sentar a mão na cara dele só aumenta.

— Precisa de alguma coisa, senhor Cullen? – falei entredentes deixando transparecer toda a minha raiva.

— Fale sobre a viagem a Nova Iorque – falou assim que se sentou e notou o prato com o bolo bem decorado com as frutas em sua mesa – Eu não como glúten.

Se eu lembrasse o quão filho da puta você é, esse bolo nem estaria aí.

— Eu sei. Não há glúten nem lactose nele – falei sem vontade.

Notei que o canto dos seus lábios se repuxava em um sorriso contido. Ele deve ter associado isso ao fato de que quem fez o malfiro bolo fui eu.

— Quer saber, pensando bem, tem sim. Vou levar ele daí...

— A viagem Isabella, não enrole – falou sério, puxando para si o prato e me impedindo de o pegar – Não me ouviu? Está surda, por acaso?

Queria estar.

— O senhor vai na quarta, volta na sexta. Os contratos já estão prontos, entrei em contato com um cartório em Nova Iorque e já está tudo encaminho para fazer a autenticação assim que ele for assinado sem que precise esperar ou que haja demoras.

— Eu espero tanto que você não tenha comprado passagem em classe econômica – seu tom de voz era ameaçador.

– Não senhor. Classe executiva, conforme o especificado.

— Ótimo. Agora saia daqui, não estou para ninguém ouviu? Ninguém – assenti concordando – Saia, Isabella.

TOME NO SEU CU.

Sorri forçado e me retirei dali. Espero tanto que esse homem tenha diarreia. Vou até pôr o nome dele no macumbaonline e quem sabe assim meu pedido não se realiza.

[...]

— Sem hora extra hoje, pode ir embora – Edward falou ao passar por mim levando suas coisas consigo e nem ao menos olhar na minha cara.

Ótimo. Melhor assim, eu estou de tpm e com zero paciência pra aturar o cão chupando manga.

Olhei no relógio e já eram cinco da tarde. Meu horário de ir embora. Aleluia Deus é mais. Fui bater meu ponto, me despedi das minhas colegas e enquanto esperava o elevador, decidi que eu compraria meu hamster hoje.

Peguei a chave do meu carro que estava dentro da bolsa e me distrai com a bagunça que estava minha bolsa. Eu não me surpreenderia se saísse um rato aí de dentro. Cruzes, está cheia de lixo e cascas de bombom.

— Filho da puta, vai assustar o cão – praticamente gritei sobressaltada de susto e levei a mão até o peito como se isso fosse acalmar meu coração.

Tomei um susto do inferno ao ver Edward escorado em meu carro. Não estava esperando por isso e acabei me assustando. O desgraçado riu da minha cara, na minha cara.

— Ei, calma – ele sorriu um daqueles malditos sorrisos de canto de boca que ele da e faz minha barriga ficar cheia de gases – Eu quero te levar em um lugar, lembra que eu disse que levaria?

Ah, então o bonitinho me dá patada e depois quer me amaciar? Eu sou uma piada para você, Edward?

Ele tentou segurar em minha cintura, mas eu dei um tapa em sua mão.

— Para, vai que alguém vê – olhei para os lados me certificando que não havia ninguém ali.

— E qual seria o problema? – perguntou com o cenho franzido.

— Ah nenhum. Adoro quando falam que eu estou dando pro meu chefe só pra conseguir benefícios na empresa – ironizei.

— Você está preocupada com o que os outros vão pensar? – concordei com um aceno de cabeça – Não precisa se preocupar. Se alguém falar alguma coisa, eu demito.

— Me diz que você está de sacanagem – ele continuou sério – Claro que não. As pessoas precisam do emprego, deixa de ser Lúcifer sem coração.

— Que seja – deu de ombros – Vamos?

— Eu vou, se você for a um lugar comigo antes.

— Que lugar?

— Você também não me falou onde vamos, sem perguntas Edward.

— Quais as chances de você vir comigo no meu carro?

Levantei a chave do meu carro e balancei em frente ao seu rosto. Ele respirou fundo e fez uma careta.

— Imaginei – dei de ombros – Vamos, eu sigo o seu carro.

[...]

— Sério mesmo? Vai mesmo fazer isso? – Edward questionou incrédulo enquanto eu encarava o pequeno hamster branco e marrom em sua gaiolinha.

— Sim – respondi simplesmente é chamei o atendendo do pet shop – Moço, Eu quero esse aqui oh – apontei pro hamster que eu queria – Quando custa?

— 50 dólares – ele respondeu.

— Santa merda – exclamei horrorizada – 50 pilas por um rato? Nesse preço esse bicho no mínimo tem que acordar cedo, levar meu café na cama e me chamar de minha deusa.

Edward e o atendente me olhavam com expressões indecifráveis. Acho que variava da surpresa ao deboche.

— Tá bom, embalava o bicho pra viagem, vou querer a gaiola também.

— Ótima aquisição – o atendendo falou pegando o bicho que escolhi – Já tem um nome pra ele?

— Sim – respondi orgulhosa – Ele vai se chamar Convergir.

— Hum... ok – ele apenas concordou.

— Eu não gosto de bichos – Edward falou assim que o atendente foi embalar meu novo bichinho de estimação.

— Ainda bem que eu estou levando o Convergir pra mim e não pra você – ironizei.

— Grossa.

— Sapo.

Ficamos olhando os bichinhos e fiquei tentada a levar um peixinho também, mas Edward me convenceu a levar um animalzinho por vez. Amanhã eu volto e compro o peixe. Quando o atendente voltou e fui pagar, fiquei na dúvida se estava sendo assaltada ou comprando um bicho e uma gaiola. Porra, 150 dólares apenas por isso. Estou sendo roubada, certeza.

— Deixa que eu pago – Edward tentou tomar a frente.

— Quer pagar por um bichinho compra um pra Nat, meu bicho, eu pago – retruquei.

— Deixa eu te dar pelo menos alguma coisa, você nunca deixa. Se não eu não comprar esse rato maldito eu juro que chego amanhã com uma pulseira de diamantes pra você e ainda compro na Tiffany’s.

— Eu enfio a pulseira no seu rabo – respondi irritada – E não me provoca porque eu estou de tpm e pra eu ficar com raiva é rapidinho.

— Então deixa eu te dar a porcaria do bicho.

— Não. Moço passa logo esse cartão.

Edward bufou irritado, reclamou e tentou dar o dinheiro para o moço que nos atendia, mas eu ameacei fazer um barraco e o atendente passou logo meu cartão e praticamente nos expulsou dali. No fim das contas, eu estava contente por ter finalmente meu rato de ouro, sim de ouro porque pelo preço os ossos dele deviam ser de ouro. Quando fui guardar o Convergir no carro, Edward voltou no pet shop e saiu de la minutos depois com uma sacola nas mãos. Vai ver a vontade de gastar dinheiro falou mais alto nele e ele comprou um bichinho pra Nat também.

Agora Edward disse que me levaria em algum lugar. Segui o carro dele até o centro de Seattle e paramos em frente a um local que era de esquina, tinha uma estrutura bonita e me arrisco em dizer até meio vintage. Tinha grandes e amplas vitrines e a porta também era de vidro. Notei que o piso era de madeira e as paredes eram em tons claros.

Fiquei olhando sem entender. Será que ele havia errado o endereço? Não tinha ninguém aqui e não fazia sentido estar aqui, a noite em um local o de claramente não tinha ninguém. Apesar de ser bem localizado e ter uma grande circulação de pessoas aqui, não entendi porque estávamos aqui. Me virei para lhe perguntar se ele havia errado o endereço, mas quando ele tirou uma chave do bolso e destrancou a porta a segurando aberta para que eu entrasse, fiquei ainda mais confusa.

— Por que estamos aqui? – questionei assim que entramos.

Não vou negar que o ambiente em muito me agradou. Era acolhedor, me sentia bem ali. Não era grande, pelo contrário, era relativamente pequeno, mas era tão acolhedor, me transmitia uma sensação de bem estar e era como se aquele ali fosse o meu lugar.

— O que achou desse lugar? – ele ignorou minha pergunta respondendo com outra pergunta.

— Achei maravilhoso – confessei – Mas por que estamos aqui?

— Já que você insiste em me enrolar, eu resolvi agir – ele falou com um pequeno sorriso dançando em seus lábios – Fui atrás de um lugar para ser sua confeitaria.

— Edward – ofeguei – Eu quero tanto não te odiar. Por favor, me diz que você não comprou esse lugar.

— Você me conhece mais do que isso pra saber que eu saberia que você me mataria se eu fizesse isso – ele se aproximou se posicionando atrás de mim e me abraçando por trás, beijou meu pescoço e apoiou o queixo em meu ombro – Não comprei, mas consegui segurar a venda desse local, queria te trazer aqui, parece um lugar que você gostaria.

— Eu... – eu não tinha nem palavras.

— Já imaginou essas paredes em tons pastéis? Acho que caberiam dez mesas aqui dentro e mais quatro lá fora – ele me girou para olhar para o outro lado – Aqui poderia ficar a vitrine com os doces e o caixa bem ali – ele apontava para os locais enquanto falava.

Eu sorria que nem idiota. Era fácil imaginar isso, eu já até conseguia visualizar.

— No teto, você poderia colocar um daqueles lustres elegantes que dão aquele ar de ligar refinado...

— Por que você está fazendo isso? – perguntei o interrompendo.

Edward me virou para ficar de frente pra ele, acarinhou minha bochecha e tinha um grande sorriso no rosto.

— Porque eu acho que você está perdendo tempo trabalhando comigo enquanto poderia estar fazendo algo que realmente gosta e que é o que realmente quer – sua voz era calma, doce e gentil – Porque você tem realmente talento pra fazer isso e pura que pariu, aquele seu bolo de hoje, eu quase lambi o prato de tão bom que estava. Acho um desperdício você não fazer o que gosta.

— É muita responsabilidade, eu não ia saber lidar – minha voz está a falha.

Sim, sim e sim, eu estava me acobardando e foda-se.

— Você tem uma boa formação em administração e eu sei que você fez especialização em administração de empresas, só não colocou isso no seu currículo, mas eu sei. Você ia dar conta do recado.

Me questionei como ele sabia disso. Eu não contei para ninguém e escondi isso a sete chaves. Ele andou me investigando por acaso? Depois eu me preocupo com essa tendência stalker dele. Mas ele vai levar é uns tapas na fuça se continuar com isso.

—Eu gostei daqui – confessei em voz baixa – Achei acolhedor.

— E realmente é. A venda está congelada, se você quiser, o lugar será seu, mas não precisa decidir isso agora, só me prometa que vai pensar no assunto.

Não vou mentir, estava realmente surpresa com a atitude dele, ninguém nunca fez algo do tipo por mim. Sempre tive que correr atrás do que eu queria sozinha pois sabia que não podia contar com ninguém para correr atrás do que eu almejava, mas ter alguém disposto a me incentivar, me apoiar e correr atrás disso comigo era uma sensação que eu não sabia explicar.

Passei meus braços ao redor dele em um abraço apertado.

— Você é um sapo de alma atribulada, mas eu gosto tanto de você, obrigada por isso, prometo que vou pensar.

— Eu sei que gosta, sempre soube – falou retribuindo meu abraço, senti meu corpo inteiro enrijecer, espero que não tenha ficado evidente que eu realmente gostava dele no sentido de estar apaixonada e não apenas gostar por gostar, temos um contrato e eu realmente não quero que ele acabe só porque eu fui a única idiota que acabou se apaixonando por alguém que só queria sexo. Só relaxei quando ele completou sua fala – Eu sou adorável, já nasci assim. É inevitável.

— Você é um sapo, isso sim – bati em seu ombro o fazendo rir.

Saímos de lá pois estava começando a me dar cólica e das fortes. Edward me acompanhou até em casa, esperou que eu tomasse um banho, pegou água e um remédio para mim e eu estava só agradecimentos pra ele.

— Já que você não deixou eu comprar o seu rato, eu comprei algo pra ele – falou me entregando a sacola do pet shop que ele tinha trago consigo.

— Uma roupinha pra ele? – perguntei animada pegando a sacola e abrindo.

— Não, você já deu um nome ridículo pro rato. Ele já está humilhado o suficiente, não precisa de uma roupa pra continuar o serviço – fiz careta pra ele – É algo bem mais útil e que você não se atentou de comprar, o que me faz temer pela vida do rato.

— Puta merda, eu tinha esquecido da ração, ele ia passar fome – exclamei surpresa ao abrir a sacola e ver a ração lá dentro.

— Imaginei – falou com um sorriso.

— O nome dele é Convergir, não rato, rato é a sua cara.

— Esse nome é ridículo, eu vou chamar ele de rato.

Revirei os olhos pra ele. Edward beijou meu rosto, infiltrou seus dedos em meu cabelo fazendo um carinho gostoso em minha cabeça. Fechei os olhos apreciando a carícia e acabei soltando um gemido baixinho. Só ouvi sua risadinha.

— Bella, eu tenho que ir agora – ele falou.

Abri os olhos e me deparei com seus lindos, límpidos e cristalinos olhos verdes me fitando com intensidade.

Tudo nele era muito intenso, seu olhar, sua presença, suas carícias, seu jeito de me tratar. Eu quase conseguia acreditar em Esme... ou Carlisle Não lembro, quando falaram sobre o “brilho nos olhos dele” que acharam que nunca iriam ver, mas infelizmente, eu já conhecia Edward o suficiente pra saber que ele nunca quebrava um contrato e que ele a assinava algo que ele não fosse cumprir a risca, então, eu apenas desfrutaria desse ‘relacionamento’ que ele não sabe que estamos em um e sim, permitiria me apaixonar por ele, porque não?

Pode dar muito errado, mas foda-se. Quando der merda eu penso em como reparar o estrago. Isso é assunto para outra hora.

— Queria que você ficasse – confessei baixinho colocando minha mão sobre a sua.

— Também queria, mas tenho que ajudar a Nat com o dever de casa dela – posso jurar ter visto certa tristeza em seu rosto – Eu tenho mesmo que ir, mas não iria me opor se você quisesse ir comigo.

Fiquei tentada a ir, mas estava de tpm, tinha certeza que minha menstruação viria essa madrugada e estar fora de casa não era uma opção. Edward não gostou muito de eu não ir, mas entendeu, além do que, agora eu tinha que alimentar o Convergir. Vou chamar ele de Conv, é menos extenso.

Me despedi de Edward e mais uma vez, quando fui deitar, achei minha cama grande demais e vazia demais. Era um saco.

Na manhã seguinte, eu estava um caco, conforme o esperado, minha menstruação veio pela madrugada, meus seios estavam doloridos, eu estava com uma puta cólica, acordei com um humor do cão e só queria explodir alguma coisa. Fui para o trabalho apenas pelo medo de ser enterrada como indigente carro ficar desempregada e cheguei de cara fechada, nem me dar ao trabalho de cumprimentar ninguém.

As meninas que já me conheciam sabiam o motivo de eu estar assim e não se importaram. Agradeço por meu chefe ainda não ter chego, preciso de uns momentos me recompor ou o mandaria tomar bem no cu.

Imaginem o tamanho da minha surpresa ao chegar em minha sala e ver um cima da minha mesa um buquê de margarida e uma caixa de chocolate belga, o mesmo que Nat me dei de aniversário, mas comeu.

Me aproximei do buquê e peguei o cartão que tinha ali lendo e reconhecendo a caligrafia irritantemente linda e perfeita de Edward ali.

Acho que agora são as flores certas, espero que elas não tenham o mesmo fim que as da última vez, rs. Soube também que chocolate ajuda na tpm, se não ajudar, prometo te recompensar a noite.

Obs.: estarei a noite com você mesmo que o chocolate seja útil.

E.

Sorri que nem trouxa ao lembrar que só comentei uma vez com Edward que margaridas eram minhas flores favoritas e ainda assim ele guardou a informação e se lembrou disso. Mas sim, esse chocolate vai ser muito útil e sim, eu ainda vou querer a presença dele essa noite exatamente como ele prometeu. Estou soft.

Acho que estou um pouquinho quase nada um pouco mais apaixonada por ele, ou talvez seja efeito da tpm. De qualquer forma, eu não sei como proceder com ele sendo todo amorzinho comigo. Tá bom, eu sou grossa mesmo, não sei ser fofa e carinhosa, já ele, pelo visto quando quer sabe ser... então... é isso. Vou ter que cuspir no café dele e ele que interprete isso como prova de amor.

Edward que lute.

Notas finais
Bella não teve um cachorro pra chamar de Convergir, mas teve um hamster, rsrsrsrs. Quem achou que o Edward levaria a Bella pra algum lugar relacionado a cafeteria dele, acertou, rssrsrsrs. Eu fico de coração mole com os momentos desses dois e mais uma vez o Edward é paciente com a Bella em esperar ela aceitar de bom grado o que sente. Gente, como spoiler: no próximo capítulo ou no próximo do próximo, iremos descobrir o que o Edward vai pedir da bella como recompensa por ele ter ganhado aquela aposta com a ela. De bom temos o fato que a Bella aceitou se permitir apaixonar pelo edward, aleluia né. É isso, vejo vocês no próximo capítulo. Comentem ♥ *Uma vez uma leitora a Laila usou esse termo e eu achei tão tendência que resolvi usar aqui também, rsrsrsrs. 10.02.2020