O chefe
27 Maldita distância
Notas iniciais
Maldita distância
▬ Bella ▬
— Isabella – a voz de Edward me fez sobressaltar de susto – Itens pessoais devem ficar guardados em seu armário.
— Perdão senhor Cullen, é que ganhei de alguém que é um ogro que está amorzinho demais pro meu gosto. Não vai se repetir – sorri agradecida para ele.
Vi quando seus lábios se repuxaram em um meio sorriso. Ele não respondeu mais nada, apenas piscou para mim e entrou em sua sala. Enfiei alguns chocolates na boca, guardei minhas flores -e algumas delas vou levar pro túmulo da aquarela- e me dirigi ao setor financeiro para verificar se já foi aprovada a compra das passagens do meu chefe. Emiti as passagens, confirmei a reserva do hotel e do aluguel do carro e após conferir que estava tudo nos conformes e levei até ele.
Meu dia estava sendo até bem produtivo. Fiz o que eu tinha que fazer, já fofoquei sobre a vida alheia com minhas colegas de trabalho, já ouvi Riley reclamando infinitamente sobre o quanto Edward estava pegando no pé dele e o deixando sem um segundo de descanso. Já me entupi de chocolate, já girei em minha cadeira sem que Edward me mandasse parar pois ‘aqui não é playground’. Já fiz tanta coisa e ainda eram três da tarde, eu demoraria a sair daqui.
Fiquei pensando na morte da bezerra, literalmente. Falando em morte... céus, eu esqueci de pôr água e comida para o Convergir. Será que ele sente sede e fome? Nunca precisei me preocupar se a Aquarela sentia fome pois ela morava em um aquário, mas meu pequeno hamster de ouro não. Bom, de qualquer forma... ele vai sobreviver... ao menos eu espero que sim. Quando eu voltar pra casa eu o alimento.
Espero me lembrar de alimentar ele.
Claro que eu fui forçada a fazer hora extra pois meu chefe ainda é o próprio lúcifer encarnado e ainda tenta fazer da minha vida um inferno. Honestamente, eu só acho que ele apanhou pouco quando era criança, se ele tivesse apanhado um pouco mais...
Já na terça-feira, eu passei o dia inteiro arisca. Estava com uma cólica fodida, parecia que estavam cravando uma faca em minha barriga e minha menstruação resolveu fazer cosplay de hemorragia pois veio sangue pra mandar.
— O QUE VOCÊ QUER DE MIM, INFERNO?! – gritei aborrecida com meu chefe – EU JÁ NÃO FIZ ESSA PORCARIA? O QUE MAIS EU TENHO QUE FAZER?
Certo. Eu perdi um pouco a compostura, mas em minha defesa, Edward estava fazendo da minha vida um inferno e eu só queria uns momentinhos de paz pura e absoluta. Edward me olhava com o olhar irritado, estava em pé apoiando as mãos em sua mesa levemente inclinado para frente me olhando enquanto eu dava meu show.
— Recomponha-se, Isabella – falou por fim após se controlar para não gritar, já que eu já estava o fazendo e aí seriam duas pessoas gritando – Agora saia da minha frente e vá fazer o que eu mandei.
Mentalmente, contei até 10. Era preciso ter uma paciência maior que a de Jó para trabalhar para esse homem. Será que Esme daria falta dele se ela ficasse com um filho a menos?
— AGORA ISABELLA – ele gritou. Bufando de raiva, mas sem de fato poder fazer alguma coisa, me virei para sair de sua sala – E não bata a porcaria dessa porta.
INFERNO! Até isso esse homem rouba de mim. Que vontade de destruir aquelas malditas flores bonitas e que são as minhas favoritas.
Fui ao banheiro para me trancar e chorar de raiva. Inferno de dia, inferno de período menstrual. Eu sempre fico sensível irritadiça e soltando fogo pelas ventas quando estou nesses dias. Bom, ir ao banheiro chorar era meu objetivo, mas me distraí pois quando querendo surtar em paz, vou ao banheiro masculino. Nunca tem ninguém lá, diferente do feminino que sempre tem gente.
— Acho que você vai precisar de mais água se quiser se matar – falei divertida ao ver Riley com o rosto debaixo da torneira da pia – Eu recomendo se jogar da janela, acho que é alto o suficiente pra morrer de vez.
— Se eu morrer antes de terminar de fazer o que o diabo em pessoa mandou, ele me ressuscita só pra me matar de vez – bufou irritado – Ei, o que você faz aqui? Ou eu estou no banheiro feminino?
— Não, esse é o masculino. É que eu quis surtar em paz – dei de ombros indo me sentar na pia – Mas você está aqui então isso me inibe de bancar a louca.
— Dia difícil?
— Dia péssimo – suspirei – Estou tendo minha vida duplamente infernizada. Por meu chefe e por meu ciclo menstrual – expliquei ao notar seu olhar confuso.
— Eu troco, eu fico com a menstruação e você fica com o mau humor constante daquele endemoniado.
— Hum... não vale a pena – dei de ombros – Eu preferia...
Me impedi de continuar falando quando Edward entrou o banheiro. Mas que inferno, ele tem o próprio banheiro privativo dele, que merda ele faz aqui? Seu olhar passou de mim sentada e plena na pia e logo foi para Riley que estava escorado na pia próximo a mim e com o rosto molhado.
— Você – apontou para mim – Fora. Este é o banheiro masculino e você – apontou para Riley – Enrole menos e trabalhe mais. Você não é pago para ficar de papo no banheiro. Daqui a pouco vá até minha sala – a voz dele era de pura irritação.
Dito isso, passou reto por nós indo até uma das cabines. Riley e eu nos olhamos e ele fez um sinal com a mão como de quem se enforca. Suspirei alto. Entendo. Estou na mesma vibe.
[...]
Por sorte -ou azar- hoje Edward me dispensou de fazer hora extra pois seu voo será pela madrugada e ele ainda teria que arrumar suas coisas pois deixou para arrumar tudo de última hora. Homens.
Não vou mentir, fiquei bem desapontada com Edward por ele ter deixado pra arrumar suas coisas só agora, eu possuía planos de ficar um pouco com ele já que ele vai ficar até sexta em Nova Iorque.
Olhei no relógio e já passavam das oito e meia da noite e já estava morta de tédio... puta merda. Não alimentei o Convergir. Saí praticamente correndo pelo apartamento caçando sua ração e procurando um potinho para deixar água pra ele. Após ele estar devidamente servido, fui ver como eu poderia futricar a vida alheia na internet, mas parece que a vida de ninguém era interessante e todo mundo só fazia boomerang fazendo bico.
Pra mim era o que eu chamo de ‘boca de cu’. No mesmo instante que iria bloquear a tela, chegou uma notificação de uma mensagem de Edward. Fiquei relutante em abrir, ainda estava com raiva dele por ele deixar pra última hora, mas abri do mesmo jeito. Qualquer coisa eu visualizo e não respondo.
Edward
20:53 pm
“Está muito tarde para ir te ver ou você vai gritar comigo como fez o dia todo?”
Ah pronto, o bonitinho passa anos gritando comigo e quando eu perco a cabeça a louca sou eu? Vou gritar sim, mas ainda quero que ele venha.
Bella Swan
20:54 pm
“se você não souber fazer uma sopa pra melhorar minha cólica, então nem adianta vir”
Claro que essa foi a resposta mais bosta do mundo, mas não consigo evitar. Eu estou naquele ponto da menstruação que eu estou insuportável, sei disso, mas é impossível evitar.
Edward
20:54 pm
“Grossa.”
Estou na dúvida, isso significa que ele vem ou que ele não vem? De qualquer forma apenas ignorei sua mensagem, fui fazer qualquer outra coisa que me interessasse. Fui para o meu quarto, levando comigo a gaiola do Convergir pois amanhã eu precisaria o alimentar e fica mais fácil de lembrar se ele estiver no meu campo de visão. Em seguida, peguei uma das minhas blusas e vesti em John, a noite estava fria e ele devia estar com frio.
Fui tomar o milésimo banho da noite pois quando eu estou nesses dias eu não fico muito ecológica e nem a melhor amiga do ambiente e me infiltrei dentro de uma calça larga e surrada de moletom, uma blusa de mangas cumpridas que com certeza caberia umas dez de mim, coloquei uma meia quentinha nos pés, minha pantufa e sequei apenas superficialmente meu cabelo. Eu estava parecendo ‘o grito’, mas tudo bem. Não é como se eu fosse ficar me olhando no espelho.
Achei que fosse ter paz para me jogar em minha cama e sofrer com uma cólica fodidamente dolorida, mas minha campainha resolveu tocar pelas quase dez e meia da noite. Fui até a porta com raiva, eu com certeza iria dar um senhor sermão em quem quer que estivesse batendo em minha porta uma hora dessas. Já abri a porta com raiva e pronta para descontar toda minha raiva hormonal, mas me surpreendi ao ver Edward ali parado em minha porta segurando algo em suas mãos.
— Desculpe, eu levei mais tempo do que o necessário fazendo sua sopa – falou com um sorriso travesso nos lábios.
Arranquei o recipiente de isopor de suas mãos e notei que a embalagem estava profissionalzinha demais para ele ter feito.
— Seu mentiroso, você comprou a sopa pronta – acusei o puxando para dentro e fechando a porta atrás de mim.
— Ei, minha mala – ele passou por mim abrindo a porta novamente e pegando sua mala que estava no corredor. Nem tinha visto ela aí – E bom, com o meu trabalho eu fiz o dinheiro que pagou pela sopa, então tecnicamente, eu que fiz.
— Eu convivo com essa resposta – dei de ombros indo até a cozinha e voltando de lá com uma colher e me sentando no chã para apreciar minha sopa que ainda estava quentinha – Daqui você já vai para o aeroporto?
— Sim – concordou sentando ao meu lado – Por isso trouxe a mala.
— Você veio de carro?
— Não, peguei um uber— ele fez uma careta que só me fez querer rir dele – Acredita que ele veio o caminho todo querendo conversar comigo? Agora eu sei que ele tinha dois filhos, a mulher dele não gosta de country e mais outras coisas que eu não queria saber.
— Você se acostuma – disse de boca cheia mastigando as verduras que vieram na sopa.
— Para de ser nojenta, come de boca fechada.
Apenas para implicar com ele, abri a boca o máximo que pude mostrando toda a comida que eu tinha dentro da boca. Claro que ele revirou os olhos e me mostrou o dedo médio. Estranho, porém eu já estava até me acostumando com isso. Após terminar de comer, escovei meus dentes e Edward me arrastou para deitar com ele na cama.
Ele garantiu que eu estava bem aquecida pois segundo ele, frio é um dos fatores que agravam a cólica e me puxou para deitar entre suas pernas com a costa apoiada em seu peito. Hum... tá bom, acabei de perdoar ele por ele deixar pra fazer a mala só agora. Não que ele soubesse que eu estava com raiva, mas eu sabia e é isso que importa e nada mais.
— Você não acha que ficar lá até sexta é muito tempo? – perguntei como quem não quer nada – Sabe, pra que tantos dias pra fechar um acordo? Não é só chegar lá e assinar?
Edward soltou uma risadinha baixa, me apertando mais contra ele e apoiando o queixo no topo da minha cabeça.
— Não. As negociações ainda não estão encerradas – explicou – Eles ainda não estão 100% de acordo com todos os meus termos, mas eu vou os convencer. Sempre convenço. No final, um contrato sempre sai como eu planejei – falou, mas sua voz parecia trazer algo mais – Mas por que o interesse? Vai sentir minha falta?
— Coitado. Acorda Alice no país das maravilhas. Eu vou achar maravilhoso que você não vai estar lá pra gritar comigo. De alguém surtada já basta eu e eu mesma – sorri contente ao visualizar a paz que eu teria – Riley é outra pessoa que vai ficar deveras contente com sua ausência.
— Talvez – concordou – Mas eu já deixei pra ele uns serviços que vão o manter bem ocupado.
— Qual sua implicância com ele? O que ele te fez?
— Nada... mas poderia tentar fazer e eu vou precavido – deu de ombros – De qualquer forma, eu chego na sexta à noite.
— E o que a Nat falou sobre você viajar?
— Nada, só pediu pra eu trazer chocolates pra ela. Ela tem mania de colecionar as caixas.
— E o que você vai trazer pra mim? – perguntei animada.
— O que você quer? Honestamente.
— Honestamente, eu queria muito ser uma Kardashian, mas já que isso está meio difícil, eu me contento com um chaveiro ou um globo de neve com o Cristo Redentor.
Edward me afastou se inclinando para me olhar. Sua expressão era de pura perplexidade.
— Bella, o Cristo redentor fica no Rio de Janeiro, no Brasil. Em Nova Iorque fica a estátua da liberdade.
Ah...
— Eu sei, só estava testando a sua geografia. Ponto pra você – sorri amarelo.
Óbvio que ele não acreditou na minha história, mas não questionou mais nada sobre isso. Ainda achava estranho o fato de eu estar apaixonada por Edward -não que eu já tivesse aceitado esse fato como verdade absoluta, mas tudo indica que é isso mesmo- pois eu não gostava de ninguém deitado em minha cama e nem gostava de compartilhar intimidades, mas gostava de como ficávamos deitados, com ele fazendo cafuné em minha cabeça e conversando amenidades.
Estou até me sentindo em uma comédia romântica, mas eu diria que é um estresse romântico pois Edward consegue me estressar de vez em sempre. Mas eu também apreciava nele o fato de que ele era paciente comigo quando eu estava surtada, tá, esse é mínimo que ele tem que fazer já que estamos em um ‘relacionamento’, mas ainda assim, eu apreciava isso nele. Também gosto que ele não é todo meloso, eu honestamente ia querer vomitar se ele fosse muito melzinho. Ele sabe equilibrar bem as doses de romantismo dele, mesmo ele sendo meio ogro.
Eu estava praticamente dormindo com ele fazendo cafuné em mim, alguns minutos antes ele me deu um remédio para cólica pois eu estava voltando a sentir dor e agora me aninhava em seu peito sentindo suas mãos acariciarem minha cabeça. O paraíso existe e está aqui, mas se alguém perguntar, eu vou negar.
Como felicidade de pobre dura pouco, eu tive que controlar meu impulso de fazer manha e implorar para que ele ficasse quando ele disse que tinha que ir. A menstruação me deixou sensível e por isso eu quase choro. Ele percebeu como eu fiquei e me abraçou mais forte, beijando meu rosto e prometendo voltar logo. Não que eu tivesse muita escolha, mas o soltei o deixando ir.
Já eram quase duas da manhã e eu ainda não tinha conseguido pregar o olho. Edward me mandou mensagem quando já estava no avião, mas não pôde falar pois teve que colocar em modo avião e apesar de ter wi-fi no voo, ele disse que revisaria o contrato e adiantaria uma parte do trabalho. Pra mim isso foi apenas uma desculpa esfarrapada para ele me colocar pra dormir. Azar o dele pois não adiantou.
Não parava de me mexer na cama, estava desconfortável, a cama estava grande demais, vazia demais, metade dela estava muito gelada e tava tudo ruim. Fui obrigada pelo universo a admitir a mim mesma que o motivo de tanto desconforto era porque eu estava sentindo falta de Edward aqui comigo. Inferno de homem que até quando tá longe vem me infernizar.
Bufei irritada com minha realização e com toda raiva do universo, peguei o travesseiro em que ele estava deitado mais cedo e o abracei sentindo seu cheiro ainda presente. Só assim consegui dormir. Tô falando, ele consegue me infernizar até quando não está por perto.
[...]
— O dia nunca esteve tão lindo, brilhante, respirável e tolerável como está hoje – Jane respirava fundo como se estivesse sentindo o cheiro de lasanha quentinha – É tão maravilhoso com o próprio lúcifer de olhos verdes enviado do capeta atormentador da minha alma está na puta que pariu o mais longe possível de mim – falou aliviada esticando os braços como se estivesse se espreguiçando.
— O sol fica até mais amarelo né? – Ang concordou.
— Eu ainda sinto falta de olhar pra bundinha bonita dele, mas melhor ele longe – Jess deu de ombros.
Bufei irritada para as três. Diferente delas, meu dia estava sendo bem pombo. Sei lá, eu devo ser bem masoquista mesmo para sentir falta da presença de Edward aqui na empresa. Espero que ele morra de tédio em Nova Iorque e que ele encontre Alec por lá e ele passa muita raiva, não, mentira. Espero só que ele morra de tédio, encontre Alec e de uns gritos nele.
— Que foi? Tá sentindo falta do chefe é? – Jane ironizou.
— Eu quero é ir embora – desconversei – Nem lembro se eu alimentei meu hamster, falar nisso, posso dar sushi pra ele? Se bem que sushi é tão caro pra um rato comer, pensando bem, vou dar só pão pra ele comer.
— Você vai dar pão pro seu rato? – Ang fez uma careta – Amiga, foca só na ração tá bom? Você matou um cacto, pra matar seu rato é rapidinho.
— Por que todos chamam o Convergir de rato? Ele é um hamster.
— Todos quem que você só conhece a gente.
— Ora quem – revirei os olhos – O Ed... vocês – me interrompi de continuar falando ao perceber que eu entregaria o ouro aos bois.
Se esse ditado está certo não sei, mas eu gosto dele.
— Você não me engana não – Jane me olhou com os olhos crispados, dando um passo a frente para se aproximar de mim – Você ia dizer Edward. Desembucha, como ele sabe do seu rato?
— Como se fosse difícil adivinhar – Ang respondeu antes que eu pudesse falar – É a Bella, ela com certeza trouxe o bicho na bolsa e o próprio satanás gritou com ela.
Quase suspirei aliviada. Só não podia dar bandeira.
— Pior que foi isso mesmo – fiz uma careta pra dar veracidade a minha atuação – Ele ainda chamou meu filhinho de rato e disse que o nome que eu escolhi era ridículo. Ridículo é a cara dele.
As três riram, mas eu falava sério. Ridículo é ele que chama meu nenezinho de rato.
[...]
Quando saí do trabalho, simplesmente fui dirigindo pela cidade e quando me dei conta, estava no centro de Seattle, mais especificamente em frente onde Edward havia me levado para ser a minha pseudo futura confeitaria. Porque eu vim pra cá não sei, mas vim.
Saí do carro e fui conferir o local. Agora que estou aqui sozinha posso ver melhor os detalhes. O lugar é pequeno, não é grande, mas é tudo o que eu sempre quis. Pequeno, chão de madeira, grandes janelas e portas de vidro para conferir um ar mais clean e ‘arejado’ e sendo honesta, eu só percebi que eu queria muito um estabelecimento de esquina quando vi esse lugar.
Grudei meu rosto no vidro olhando em seu interior, em minha um pouco louca e talvez muito distorcida mente, eu consegui visualizar bem em minha mente como ficaria se eu o preenchesse com mesas e cadeiras em tom marfim, centros de mesa com rosas brancas... talvez um sofá marrom e marfim, paredes na cor amarelo pastel... eu viveria bem com isso.
Olhando bem para o local, percebi que na verdade, eu não queria uma confeitaria no estilo de um bistrô francês, eu só queria um lugar que fizesse eu me sentir bem e onde eu pudesse fazer algo que eu realmente gosto.
Olhei para a placa de ‘vende-se’ que estava em frente ao estabelecimento e tirei uma foto do número da corretora de imóveis responsável pela venda. Ligaria para ela amanhã, não custava nada obter algumas informações. Assustei-me quando meu celular tocou alto, atrapalhada, peguei meu celular da bolsa e vi que Nat me ligava.
— Oi fofinha filha do demo, diga – atendi em tom divertido.
— Demo, mas você fica se esfregando no meu pai né?!— a filha do demônio o próprio respondeu me deixando constrangida
— O que você quer pequena pirralha?
— Posso dormir com você? Tia Alice não atende e a tia Rose falou que hoje era dia de brincar com tio Emmett— falou desanimada – Ela não me deixou brincar com eles e meu pai não tá na cidade...
— Pode – concordei a interrompendo – Vou passar aí pra te buscar, arruma suas coisas.
— Tá bom, elas já estão arrumadas.
— Você já falou pro seu pai que vai dormir fora?
— Falei que ia dormir na tia Rose, mas isso foi antes de ela me deixar de fora da brincadeira— tive que rir de sua fala.
Ela parecia realmente magoada por isso. Se ela soubesse qual é a brincadeira da tia...
— Tá bom, se ajeita e liga pro seu pai dizendo pra onde você vai, em 20 minutos chego aí.
— Tá— ela simplesmente desligou na minha cara.
Tchau né, sua mal educada.
▬ Edward ▬
— Já comprou meus chocolates? – Nat perguntou enquanto eu fazia chamada de vídeo com ela – Nem precisa falar comigo se chegar aqui sem chocolate na mão.
Ela ligou cerca de duas horas atrás pedindo para dormir na casa de Bella e disse que ela já tinha aceitado. Não vou mentir, estranhei bastante isso pois nunca me envolvi com ninguém que quisesse por pura vontade própria estar com minha filha sem a minha presença perto. Eu sorri feito um pomba lesa com isso, aproveitei-me do fato de não ter ninguém por perto e estar sozinho no quarto do hotel. Quando Nat me ligou era cerca de sete da noite em Seattle, como em Nova Iorque são três horas a mais, pra cá eu já estava pronto para dormir, mas adiei minhas horas de sono quando minha pequena decidiu que queria fazer uma chamada de vídeo.
— Filha, você me mandou só hoje umas quarenta mensagens falando sobre o chocolate. Nem se eu quisesse eu ia esquecer.
— Mas isso quer dizer que o senhor já comprou? – perguntou confusa inclinando a cabeça para o lado.
Natalie é sempre tão inteligente que as vezes esqueço que ela tem apenas dez anos, só me lembro nesses momentos em que ela realmente demonstra a idade que ela tem.
— Sim filha, já comprei seus chocolates – afirmei.
— Quero fotos, sem imagens pra mim o senhor só está mentindo – fez bico.
— Não vou levantar daqui só pra ir mostrar os chocolates – revirei os olhos.
— Ai que malvado. Termina com ele Bella – ela falou olhando para o lado e só pude ouvir a risada de Bella.
Ela não aparecia na vídeo chamada pois Nat estava ocupada demais enfiando a câmera do celular toda em seu rosto a ponto de eu quase conseguir ver o interior de suas narinas. Já até desisti de dizer pra ela afastar o celular do rosto. Ela afasta e dois minutos depois o celular está todo em sua cara de novo.
— Nós não namoramos Nat, vamos terminar o que? – ouvi Bella falando.
Desfiz o sorriso que eu tinha no rosto e respirei fundo. Depois de todos os momentos de intimidade, companheirismo e tudo o que nós passamos juntos, ela ainda realmente acha que não temos nada? Não é possível que ela seja tão tapada assim. Tá, é possível, só não sabia que seria tanto assim.
— Isso é só um detalhe – Nat deu de ombros – Pai você quer ver o Oscar? Ele tá aqui com a gente, você vai adorara conhecer ele, ele é muuuuuuuuuito legal – falou animadíssima.
— Oscar? – perguntei ríspido.
Comecei a ficar irritado. Mas quem inferno é Oscar? Quantos homens mais atrás dela eu vou ter que lidar? Inferno!
— O hamster da Bella – Natalie respondeu antes que eu tivesse tempo para explodir de raiva.
— Nat, o nome dele é Convergir – Bella corrigiu.
— Esse nome é ridículo, eu vou chamar ele de Oscar.
Ah... esse é o Oscar. Menos mal.
— Olha o Oscar, pai – só ouvi a voz de Nat pois agora ela estava enfiando o celular na câmera do rato.
Caguei pra esse rato.
— Filha, eu não tenho interesse nenhum no rato. Se você não continuar falando comigo, eu vou desligar e vou dormir.
— Eu quero que o senhor veja o Oscar, ele me ama mais do que ama a Bella. Eu dei até arroz pra ele e ele comeu o meu arroz e não o dela.
— Ele é meu e me ama mais, com você ele só foi educado – não pude deixar de rir ao ouvir Bella se trocando com Nat.
— Pai diz pra ela que o Oscar me ama mais.
— É Edward, diz pra ver se eu ainda deixo você se divertir quando voltar.
Apenas ri da implicância das duas.
— Pra mim o rato odeia as duas igualmente. Deixem-no em paz.
Eu que não ia me meter na ‘briga’ delas. Depois fico sem a filha e sem a ‘namorada’, a tendência é quem se foder ser eu.
Ainda conversei com Natalie por mais algum tempo e apesar de gostar de falar com ela, queria ter falado com Bella um pouco mais. Após encerrar a vídeo chamada, me preparei para dormir e antes de guardar o celular, vi quando chegou uma notificação de mensagem de Bella. Beirando o desespero de tão rápido, abri a mensagem e um sorriso idiota se fixou em meu rosto.
Era uma foto de Bella e Nat, deitadas juntas e abraçadas na cama, as duas estavam com pijama de estampa de unicórnio, Nat estava com seu cabelo ruivo espalhado em toda a cama e Bella tinha seu cabelo por cima do seu ombro e peito. As duas sorriam abertamente para a câmera e pareciam melhores amigas e a legenda dizia ‘boa noite’.
Tanto a foto como a legenda eram simples, mas eu realmente gostei da foto. Fiquei que nem idiota olhando para a foto por uns bons dez minutos até por fim decidir que esse seria meu papel de parede do celular. Foda-se. O celular é meu e quem não gostar -leia-se Bella- que não olhe, mas de preferência que se ela veja, não surte... muito.
[...]
Durante minha estadia em NY, tive dias cheios com os representantes da Amazon, minha real vontade era gritar com todos eles e dizer pra assinarem logo a porra do contrato, contudo, fui paciente e apenas engoli minha vontade de mandar todos se foderem. Na sexta feira, já estava completamente saturado de tudo e todos e pra mim, eles estavam apenas enrolando pra assinar. Minha experiência no ramo me dizia que eles já tinham concordado com meus termos, estavam apenas me testando para ver se eu cederia. Perdi a concentração e quando meu celular apitou denunciando uma mensagem recebida.
Bella Swan
8:06 am
“vô falar isso só uma vez e mesmo que você tire print, eu vou negar até a morte, mas porra, eu estou sentindo tanto a sua falta, você é chato pra caramba e até sua chatice faz falta.”
Bella Swan
8:07 am
“seu sapo”
É... eu com certeza vou ter que deixar essa mensagem salva. Não é algo que ela vá repetir e porra, ela está sim apaixonada por mim, agora eu tenho certeza e (in)felizmente eu vou ter que me aproveitar disso pra ter ela pra mim.
Edward
8:10 am
“Também gosto de você Fiona. Quando eu chegar te compenso pela ausência.”
Minha maior motivação para poder voltar logo para casa era leva-la onde eu queria. Só iria leva-la na semana que vem, mas foda-se. Vou levar esse final de semana. Já que Bella adorava dizer que eu era o próprio lúcifer negociando, resolvi assumir esse papel. Não dei mais nenhuma abertura para os representantes da Amazon enrolarem e mantive minha melhor cara de poucos amigos. Percebendo que eu não cederia, assinaram o contrato e ainda antes do meio dia, este já estava autenticado em cartório, junto com suas cópias e uma cópia já havia sido enviado para a filial nos Estados Unidos em Seattle e outra para a sede em Londres.
Contudo, contudo, eu ainda tinha uma situação a resolver: a lembrança que eu levaria para Bella de NY. Porra, não é difícil agradar ela, ela gosta de coisas simples e eu realmente acredito quando ela disse que ficaria feliz em ganhar um chaveiro, mas eu não vou dar um chaveiro pra ela.
Se eu der algo caro, ela provavelmente tentaria enfiar em um orifício meu no qual eu realmente não gostaria de ter nada enfiado, eu me recuso a levar algo simplório e nada me parece bom o suficiente. Talvez eu devesse dar a ela um peixe, ela está nessa vibe de achar que consegue dar conta de outros seres vivos além dela mesma.
Andei pelas ruas de NY em busca de algo que eu pudesse dar a ela, mas nada me parecia bom o suficiente. Levemente frustrado, parei no meio da movimentada e fodidamente cheia 5th avenue, apoiei as mãos nos quadris soltando o ar pela boca e pensando no que comprar, até que meus olhos paravam em uma das lojas da Tiffany’s. Hum... pelo visto Bella vai ganhar um diamante sim.
Entrei na loja e olhei alguns modelos de colares. Todos eram incrivelmente elegantes e ficariam fodidamente sexy nela, mas ela tentaria me assassinar caso eu levasse algo assim. Que diamante dar para alguém que se recusa a ganhar um diamante? Com ajuda da vendedora, escolhi por um modelo simples de corrente pouco chamativa. Dispensei as peças de ouro pois chamariam sua atenção e dei prioridade para os que a corrente de platina, o pingente que foi o maior motivo da demora. Optei por um pingente em formato de coração onde o diamante estava meticulosamente lapidado, era incrivelmente brilhante revelando toda elegância e imponência da pedra.
Por o pingente ser inteiramente de diamante, tendo sua base presa a uma estrutura de titânio, eu deixei um rim, um coração e os dois olhos da cara na loja. Não que o valor que eu paguei faça diferença alguma em minha conta bancária, mas eu não sou de gastar dinheiro, a coisa mais cara que já comprei foi meu apartamento e bom, acho que Esme tem razão, talvez eu seja meio avarento mesmo. Foda-se.
Ao sair da loja, passei em uma loja qualquer e comprei uma caixa de presente prateada pequena e simples de tamanho suficiente para caber o cordão, o coloquei na caixa e relutante, joguei a caixa da Tiffany’s fora, claro que guardei o certificado de autencidade do diamante, mas não vou mentir, jogar a caixa fora foi frustrante. A única mulher que eu quero ter ao meu lado e a menos de forma explícita, eu não posso lhe presentear com a porra de um diamante. É patético.
Voltei para o hotel e guardei o colar em minha mala arrumando minhas coisas em seguida. Se eu conseguisse adiantar meu voo, chegaria em Seattle mais cedo do que o previsto e conseguiria levar Bella onde eu queria, mas antes, eu tinha primeiro que ligar para Esme, precisaria que ela ficasse com Nat esse final de semana.
▬ Bella ▬
— Por que estamos em uma loja de roupas para bebês? – questionei olhando em volta.
As roupas eram tão pequenas.
— Oi querida, tudo bem? – Rosalie falou tocando em sua barriga que estava começando a ficar visível – Estou grávida, lembra?
— E seu filho vai usar s roupas agora por acaso? Compra quando ele nascer – falei o óbvio.
Alice e Rosalie me olhavam como se eu fosse louca. Ué gente, o que tem de errado em comprar quando o bebê nascer?
— Eu vou te ignorar – Alice falou balançando a cabeça e indo até onde tinham diversos vestidos infantis.
— Você ainda nem sabe o sexo do bebê, por que já vai comprar roupas? Pelo que eu percebi, Alice já está empolgada ali nos vestidos – falei para a loira e ambas olhamos para Alice que estava 100% empolgada colocando vários vestidos em sua cesta.
— Ah, vou comprar roupas neutras, branco, verde, amarelo... mas nesse meio tempo, é bom deixar Alice entretida, ela meio que surta quando o assunto são compras. Não vamos levar vestido nenhum – falou em tom de voz baixo para que a baixinha não escutasse.
Dei de ombros. Essa família é louca, eu que não vou discutir. Comecei a andar pela loja olhando as roupas masculinas. Tinham tantas roupinhas bonitas e pequenas. Peguei um macacãozinho azul marinho que era minúsculo, menor que minha calcinha. O ser humano é um bicho tão estranho, como cabe num negócio desses? Quando é bebê é tão bonitinho, nem parece que cresce e vira um ser chato pra porra. Sim, chato pra porra pois adulto é um bicho chato seja quem for e fim de papo.
— Uau que lindo – Rosalie falou ao meu lado me fazendo sobressaltar.
— Caralho filha da puta – falei ofegante colocando a mão no peito – Vai dar três dedadas no diabo e ver se assusta ele. Porra, quase infarto.
— Que indelicada, você é tão grossa – falou fazendo bico. Virou regra os membros dessa família me chamarem de grossa? – Enfim, você pegou esse para me dar?
— Não, é pro meu filho – respondi olhando a etiqueta da peça e vendo se John estava merecendo ganhar uma roupa que custa 78 dólares.
— Como assim? – perguntou assustada – Você tem filho? Como nunca o conhecemos e por que Edward nunca falou sobre isso? Você contou isso a ele? Como vocês namoram e eu não sei que você tem filho?
— Controle-se loira do banheiro – só não dei um tapa nela que nem fazem em filmes ou como Alice fez comigo porque ela está prenha – Estou falando do John.
— O nome do seu filho é John?
— Sim.
— Puta que pariu. Quantos anos ele tem? Quando vou o conhecer? – perguntou animadíssima.
— Ele é novo, tem só alguns meses – o rosto de Rosalie era de pura confusão – Pode conhecer agora mesmo.
— Não acredito que você ia apresentar seu filho e ia me deixar de fora dessa – Alice enfiou a cabeça por cima do meu ombro quase enfiando a cara na minha – Eu tive que me convidar para a conversa para ser incluída. Fundo do poço.
Poxa, se eu estivesse com gases e segurando, tinha me peidado aqui mesmo. Que mania feia.
— Sem drama fada do diabo. Todas podem conhecer o John – falei tentando a tranquilizar.
As duas me fitavam com os olhos recheados de expectativa. Olhei para os lados para ver se ninguém estava olhando e tirei John da minha bolsa.
— Tcharam, conheçam o John, meu filho peludinho – falei cheia de orgulho.
As duas me olhavam totalmente sem palavras e sequer piscavam estranhas. Para quebrar o clima, empurrei John contra o rosto de Alice, já que ela gostava de enfiar a cara dela na cara das pessoas, eu ia enfiar o John na cara dela também.
— Dá um beijinho nele – brinquei.
A filha da puta deu um tapa no John e quase teve porrada aqui mesmo. Epa, ninguém bate no John e fica por isso mesmo. É mentira gente, eu só ia bater na Alice porque ela é pequena, se fosse a Rose ia ficar por isso mesmo. Uma mãozada dela e eu me quebro toda. Já deixo claro que eu não me garanto na porrada.
— Sai, eu tenho alergia a pelo. Eles grudam na roupa e me deixam feia – reclamou – Oi filho da Bella, bom, eu vou continuar vendo roupas pro meu... outro sobrinho, depoi falo mais com você... John – ela praticamente correu para longe dali.
Louca.
Rosalie ficou olhando para o John em meus braços e em seguida deu de ombros.
— Estou grávida e maternal, então eu aceito. Me dá ele aqui – esticou os braços e com cuidado, a entreguei meu bebezinho lindo de mamãe.
Rosalie abraçou John e o segurou como o neném que ele é.
— Vem, vamos procurar uma roupa bonita pro John, ele tá pelado e eu não quero sobrinho meu andando pelado por aí.
Tá vendo Alice? Aprende como se trata um neném. Rosalie 1 x Alice 0.
[...]
Comprei o macacão de 78 dólares para John e Rosalie comprou mais duas roupinhas pra ele. A única coisa que me incomodava era que ela não queria me devolver meu filho e ficou circulando por aí com ele no colo, a única coisa que me consola é que ele me ama mais.
PUTA MERDA. O JOHN É INGLÊS.
Agora, apenas agora e neste exato momento eu me dei conta que Edward comprou John no aeroporto a Inglaterra, logo, meu bebê é inglês. Puta que pariu hein, até a nacionalidade americana do meu filho Edward roubou de mim. Por isso dizem que o diabo vem para matar, roubar e destruir.
Ele mata minha vontade de existir toda vez que tenho que ir trabalhar, roubou a nacionalidade americana do John e destrói minha vontade de viver quando grita comigo no trabalho. É muito capetinha manifestado mesmo. Pelo visto, nessa família eu ainda sou a única americana já que Edward, Nat e John são ingleses. Eu que lute.
Deixei as duas loucas me convencerem a ir em uma loja da Victoria’s Secret. Alice entendo porque ela não está grávida, mas Rosalie vai virar um bujão de gás muito em breve, pra que ela quer uma lingerie? Fim do mês nem vai mais caber nela. Bom, é como diz o ditado: o porco sabe o pau que se esfrega.
Fui atrás de uma peça bonita e bem sexy. Na verdade, eu queria mesmo é uma lingerie que gritasse PUTA. Eu queria me dar a esse luxo pelo menos uma vez na vida, sabe, pra inovar, mas como é uma loja elegantezinha demais e não uma loja do ‘povão’, tudo que eu consegui foi uma lingerie de renda vermelha e fitas bem sexy e abusando de transparências. Não grita ‘puta’ mas já serve.
Alguns anos atrás eu era da igreja, meu eu de antigamente iria ficar chocadíssima se soubesse que eu queria algo assim, mas meu eu de hoje em dia pensa: foda-se, ele vai me ver pelada, o que é uma lingerie ousada?
Cerca de uma da tarde voltei para a empresa já que tecnicamente, eu estava no meu horário de trabalho mas as duas loucas foram me sequestrar lá e como justificativa, colocaram Esme e Carlisle no telefone e os demônios originais me liberaram pela manhã para ir bater perna com as duas. Não gostei muito disso, mas me diverti. Confesso.
Coloquei a embalagem da Victoria’s Secret em cima da minha mesa, tirei uma foto da embalagem e mandei para Edward com a legenda ‘tenho uma surpresa’. Foi brega, mas é o temos pra hoje.
Edward
13:11 pm
“Que loja é essa?”
Bella swan
13:12 pm
“você tem acesso a internet e é inteligente, pesquise, você que lute”
Ele visualizou a mensagem e logo em seguida ficou offline, acho que foi pesquisar, não deu nem cinco minutos depois ele respondeu.
Edward
13:16 pm
“Puta que pariu Bella, você só pode estar tentando me matar. Vai no banheiro, veste e me manda uma foto”
COI-TA-DO.
Bella Swan
13:17 pm
“vou trabalhar, até mais Edward...”
Claro que ele ainda tentou protestar, mas eu apenas ignorei a mensagem. Fiz de propósito.
O dia estava demorando demais a passar, Edward chegaria perto da meia noite. Após o trabalho, fui para casa e como não tinha nada para fazer, fiquei experimentando algumas roupas minhas. Coloquei uma legging preta, um salto médio e uma camisa social marfim de cetim e mangas cumpridas, dobrei-as até os cotovelos, coloquei um colar bonito, brincos, passei uma maquiagem leve no rosto e fiquei desfilando pela casa. O mundo que me julgue, mas vou me arrumar para pegar água na cozinha sim.
Eu alimentei o Convergir hoje? Acho que preciso começar a anotar os horários que alimento ele... fui tirada da minha linha de raciocínio quando minha campainha tocou. Olhei no relógio vendo que ainda eram 18:30, estranho, eu não esperava ninguém. Sem vontade, fui abrir a porta apenas ficar completamente sem palavras.
— Surpresa – Edward estava parado na minha porta.
Elegante como o inferno trajando uma calça social preta, blusa social azul marinho dobrada até os joelhos, cabelos selvagens e seus olhos verdes límpidos e cristalinos brilhantes como as chamas do inferno.
— Mas... como assim mana? Achei que você só ia chegar depois da meia noite. Como...? – questionei surpresa.
— Adiantei meu voo, terminei o que tinha que fazer e fiquei com saudades suas – falou se desencostando do batente da porta e envolvendo minha cintura em seus braços.
Esse cheiro amadeirado. Puta que pariu, eu estava com saudades dele sim. Do seu cheiro, seus braços ao redor do meu corpo e dele. Sim, eu estava com uma puta saudade dele, por isso não me fiz de rogada e retribuí seu abraço ficando na ponta dos pés e grudando sua boca na minha.
— Ei, calma se não eu não me controlo – Edward falou ofegante se afastando e arrancando uma carranca minha – Eu quero te levar em um lugar, vem, não podemos perder o horário – segurou minha mão e foi me arrastando para fora do apartamento, mas parece que ele se lembrou de alguma coisa e parou no meio do caminho – Pensando bem, seus documentos estão na sua bolsa, sim? – assenti concordando – Então trás sua bolsa... e aquela sacola da loja da Victoria também.
[...]
— Por que estamos no aeroporto? – perguntei sem entender o que fazíamos ali – Não vai dizer que você é uma daquelas pessoas estranhas que tem fetiche por transar em aeroporto.
— Vou fingir que nem ouvi – ele simplesmente me ignorou e continuou me conduzindo até algum lugar – Pega seu documento, vou precisar dele.
Então tá né. Nem questionei muito já que eu passei o caminho inteiro questionando ele e não consegui arrancar informação nenhuma, eu que não ia ser iludida e achar que ele me diria agora. Entrei meu documento de identificação a ele e continuamos caminhando, até que vi que estávamos indo para um portão de embarque. Gente, estou sendo sequestrada para ser vendida para o tráfico de órgãos? Isso explicaria porque ele é rico. É bonito e tem como atrair as vítimas. Bizarro.
— Mas o que...?
Edward entregou dois papeis para a mulher no portão de embarque junto com nossos documentos e nossa entrada foi liberada. Ela falou algo sobre nos apressarmos pois o embarque já estava sendo finalizado. Gente... o que?
Nem vi quando, como ou onde, mas agora eu já estava sentadinha em um assento na classe executiva pois o mimadinho se recusa a andar na classe econômica e eu não entendi nem como ainda pouco eu estava em casa e arrumando pra ir beber água e agora estava em um avião. Gente, que plot twist minha vida sofreu agora.
— Pra onde você tá me levando? Não é pra Turquia não né? Eu soube de uma novela que a história era quase essa...
— Não vou te contar, apenas espere – ele me cortou.
— Prezados passageiros, informamos que nosso voo com destino a Miami decolará em poucos minutos, mantenham-se sentados com o cinto afivelado até que o sinal luminoso se apague...
A voz do comandante se fez presente denunciando o destino no qual iríamos. Edward bufou irritado e eu não pude evitar de gargalhar.
— Rá rá, se fodeu, descobri do mesmo jeito – ri de sua cara irritada, mas logo parei de rir e o olhei confusa – Ei, o que nós vamos fazer em Miami?
— Vamos ter um final de semana de folga – falou por fim – Você gosta do sol, não gosta?
Meu queixo caiu em surpresa e o olhei sem acreditar quando meu cérebro entendeu o que estava acontecendo.
— Você vai me levar a Miami só porque eu gosto do sol? – perguntei completamente surpresa e Edward assentiu concordando.
— Você gosta do sol, eu gosto de você e quero te ver em um biquini. Tudo contribui – deu de ombros como se não fosse grande coisa.
Porém caralho, era grande coisa sim. Eu nem tive como lutar contra o imenso sorriso que surgiu em meu rosto. Ninguém nunca fez algo tão grande assim pra mim só porque ‘eu gosto’. Bom, isso é algo grande sim. Visto que nem ele e nem eu estamos com mala alguma, eu creio que ele simplesmente planejou isso tipo, do nada e porra, uma passagem assim em cima da hora, ainda mais na classe executiva e reserva do hotel tão em cima devem ter custado um ano de salário meu.
Hum... pra não me sentir inútil, quando chegarmos lá eu compro pra ele uma sunguinha pra ele ir pra praia, mas poxa, isso era grande coisa. Eu estava bem feliz com isso, tão feliz que não consegui me conter e praticamente me joguei em cima dele o abraçando com força enterrando me rosto em seu peito.
— Obrigada – agradeci honestamente – Obrigada de verdade, estou tão feliz que só vou começar a reclamar por você ter gastado dinheiro comigo quando chegarmos lá. Mas obrigada por me trazer.
Ele passou os braços ao meu redor e beijou o topo da minha cabeça.
— Soube que em novembro em Seattle a temperatura começa a cair e que o frio não agrada a todos, um final de semana de calor vai fazer bem – falou divertido com sua mão buscando pela minha e entrelaçando nossos dedos juntos.
Foda-se. Posso negar para todos, mas está difícil negar para mim mesma, mas porra... eu não estou só apaixonada por ele, eu estou tão apaixonada por ele que caralho, eu acho que eu o amo.
PUTA MERDA.
Eu realmente amo ele. Gente, como assim?! Eu o amo. É isso.
Sim meu povo, é isso mesmo, eu amo esse homem que no momento é meu pedacinho de estresse. Senti vontade de dizer isso a ele, mas acho que é cedo demais, ao invés de falar, apenas o abracei mais forte e inalei seu cheiro o máximo que pude. Aproveitaria as horas de viagem apenas ficando em seus braços e refletindo no fato de que... caralho, eu realmente amo Edward e pelo que percebi, eu gosto de amar ele.
É isso, eu só me fodo nessa merda. Eu sou a única trouxa que nesse acordo se apaixonou de verdade. Já podem trazer meu chapéu de burra, me pertence e é merecido.
Burra e apaixonada, prazer, Isabella Swan.
(Continua...)
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