O chefe
35 O diabo já pode se preocupar
Notas iniciais
O diabo já pode se preocupar
▬ Bella ▬
— TIRA SEU PÉ GIGANTE DE NÓS TODOS DE CIMA DO MEU FILHOOO – gritei desesperada ao ver que Edward permanecia com o pé grande dele em cima do meu hamster.
Ele sobressaltou assustado com o meu grito e ainda que devagar demais, tirou essa balsa que ele chama de pé de cima do meu filhinho peludo. Eu não sentia nada, mas posso jurar que meu rosto já devia estar banhado em lágrimas de desespero.
Larguei o filhote caramelo de qualquer jeito no sofá e o coitado fez um barulhinho sofrido, mas ele estava a vivo, o Conv que poderia não estar.
— Se ele morreu, você nem precisa saber se ainda está em fase de teste – falei me agachando no chão ao lado do meu ratinho espatifado no chão – Já pode se considerar sem namorada mesmo, então torce pra ele estar vivo.
Quis mexer nele e ver se ele respirava ou sei lá, não entendo de ratos mortos, mas o Convergir não se mexia. Lembrei das aulas de direção quando diziam que em caso de acidentes não devem mexer a vítima pois se ela estiver com uma fratura, pode ser pior caso ela seja indevidamente movida. Será que isso vale para meu hamster também?
— Olha diabo em forma de gente, você já pode se preocupar tá?! – falei aborrecida – Se o Conv morrer você é o próximo.
Edward me olhou estranho e puxou o celular do bolso. Ah pronto, só o que faltava ele ignorar meu sofrimento. Ele percebeu que eu estava prestes a explodir com ele e tratou de se adiantar avisando que procurava na internet o número de um veterinário. Por um momento, eu quase suspirei aliviada. Quase.
— Você vai viver meu peludinho, por favor não me deixe – sussurrei com a voz chorosa pra ele.
Se ele morrer, eu mato o Edward junto e ele vai fazer companhia pro Convergir.
— E quanto você cobra por uma consulta de urgência? – a voz de Edward falando no telefone chamou minha atenção, prestei atenção nele e logo vi que ele fez uma cara de surpreso – Sério? Tudo isso só pra vim ver um rato irritante no meio da madrugada? – fechei a cara pra ele – Eu pago três vezes esse valor, se você chegar aqui em 10 minutos, eu pago cinco vezes o valor.
Triste, passei o indicador pelo meu pequeno hamster, ele ainda estava quentinho, espero que isso seja um bom sinal.
[...]
— Pelo visto, alguém lá em cima deve gostar muito desse ratinho pois ele vai sobreviver, mas está com duas patinhas e alguns costelas quebradas – Felix, o veterinário disse após enfaixar meu primogênito que respira, pois o primogênito que não respira é o John – Mas foi por pouco. Como é o nome dessa lindeza? – ele perguntou passando o indicador na cabeça de um Convergir dopado já que o veterinário espetou a bundinha peluda dele com uma injeção quando chegou.
— Con... – funguei alto – Convergir.
— E pelo visto alguém lá em baixo me odeia muito – Edward murmurou revirando os olhos.
Felix passou algumas instruções de como proceder com o Convergir para que ele se recuperasse da melhor forma possível e eu não parava de o agradecer por salvar a vida do meu peludinho. A muito contra gosto, Edward pagou o veterinário que tinha um sorriso gigante no rosto ao receber seu pagamento. Bom, Edward não fez mais que a obrigação dele por quase ter tirado a vida de um ser vivo inocente.
— Isso não é um rato – ele reclamou quando finalmente ficamos sozinhos novamente no apartamento – Isso é pior que um gato. Nem gato tem tantas vidas assim, por que esse bicho não morre? Vaso ruim não quebra mesmo.
— Já chega, sai daqui – bradei irritada tomando cuidado com a múmia em forma de rato que eu tinha nas mãos – Já não te basta quase matar meu filho? Sai daqui, você não vai dormir aqui hoje não, tô com raiva de você.
— Mas é só um rato encard...
É isso, Edward não dorme aqui essa noite.
Após conseguir literalmente enxotar o quase assassino de hamster daqui, fiquei sozinha com minha pequena múmia, já que ele estava todo enfaixado. Arrumei lugares para o Jadite, vulgo Coagir, e o Colidir dormirem e levei o Convergir para dormir comigo em minha cama em cima de uma almofada. Agora é só torcer para eu não rolar por cima dele durante a noite e não o matar asfixiado.
[...]
Pela manhã, Renée já estava cedo na confeitaria comigo pois íamos juntas ver a melhor disposição para os jogos de mesas no ambiente. Meu plano era já deixar tudo o mais pronto e ajeitado possível, se tudo saísse como o planejado, até dia 10 de dezembro eu conseguiria fazer a inauguração.
Nosso dia foi bastante divertido, Renée não parava de falar besteiras e apenas quando ela perguntou se Edward estava oficialmente “livre na pista” para ela “tentar a sorte” foi que eu resolvi falar que nós tínhamos voltado, mas que eu disse a ele que ele estava em fase de teste e que na mente dele, nós ainda não tínhamos voltado.
Ele não pode saber que nós ainda namorados se não ele vai relaxar e ele tem que me reconquistar.
Edward
15:47 pm
“Ei, você ainda está chateada por causa do seu rato encardido?”
Encardido é a cara dele quando não faz a barba.
Guardei meu celular no bolso novamente e continuei meus afazeres, ele que interprete isso como um sim.
Essa mensagem dele me fez lembrar que eu tenho que passar na empresa de novo para pegar minhas coisas que ficaram lá, porém, eu estou sem ânimo -ou coragem- alguma para voltar lá, eu sei que receberei muitos olhares, questionadores, acusadores, julgadores e muitos ‘dores’ e diferente do próprio lúcifer manifestado, eu me importo sim com o que falam sobre mim.
O resto da semana foi recheado de uma Bella extremamente ocupada, porém com tempo para dedicar a minha múmia peluda. Já que o Convergir estava todo enfaixado, coitado, ele precisou receber mais atenção, mas dediquei atenção para o Colidir também, passei em um petshop e comprei pra ele uma roupinha super fofa. Era um vestidinho de bailarina e tinha um tutu rosa que a coisa mais linda.
Tá, ele era macho, mas era meu filho e ia usar a roupa que eu vestisse nele e se ele não estivesse contente, ele que me contasse, caso contrário, eu ia interpretar que ele gostou. Enquanto isso, Carlisle aceitou devolver minha gaiola após eu dar o Jadite/Coagir pra ele e óbvio que ele ia renomear o bicho, o novo nome dele era Chia. Primeiro teve o Quinoa e agora o Chia, se ele nomear mais alguma coisa vai chamar de Linhaça.
Era redundante dizer o quanto Carlisle estava apaixonado pelo Jadite/Coagir/Chia já que ele todo dia enviava no grupo várias fotos do filhote fazendo várias coisas e com muitas roupas diferentes. Edward ainda reclamava por não estar no grupo, mas ninguém queria ele.
— Eu preciso de uma cadeira – Rosalie assustou-me ao falar entrando na confeitaria – Eu não aguento mais o peso dessa barriga gente, eu não estou nem com quatro meses de gestação.
— Papai falou que ela comeu duas melancias – Natalie dizia empolgada passando a mão na barriga da tia – E que o bebê vai se alimentar da melancia.
— Oh fofinha – sorri para Nat passando a mão em seu cabelo acobreado – Seu pai tá precisando de uma mãozada na fuça – claro que a pequena me olhou de cara feia.
— Isso é ridículo, você precisa ir a sua consulta – agora que notei a presença de Alice – Você não pode abandonar seu pré natal porque está com medo de descobrir se são gêmeos.
— Posso sim, já até abandonei – respondeu sorridente fazendo Alice revirar os olhos – Bella pega uma cadeira pra mim, quero sentar.
Virei empregada da madame por acaso?
A resposta é sim já que eu saí correndo pra buscar uma cadeira pra bonita pois Rosalie grávida é uma reclamona e Deus me livre ela começar a reclamar.
— Eu cheguei a uma conclusão – Alice largou a bolsa de Rosalie em cima da loira que fez uma cara feia pra prima – Nessa vibe de Edward já ter filho, Rosalie estar grávida e eu ser a única que ainda não tem filhos...
— Eu também não tenho...
— Não me interrompe, Bella – a baixinha ralhou – Enfim, decidi que vou ter filhos.
— Você vai tentar engravidar também? – Rosalie perguntou animada a prima.
— NÃO – ela se apressou em negar e pareceu horrorizada – Deus me livre virar uma baleia orca e pesar 70 quilos por causa da gravidez.
Claro que se vem da família do demônio, a demônia prima não vai ter sentimentos já que ignorou a cara de choro que Rosalie fazia enquanto acariciava sua -enorme- barriga. Bom, não dá pra julgar né, eu também não queria ter filhos.
— E como você pretende ter filhos então? – questionei curiosa – Com o dedo?
— Quando chegar a hora certa eu conto.
— E quando vai ser a hora certa?
— Não sei, eu não vejo o futuro – ela riu zombeteira.
Revirei os olhos pra ela. Agora a fada demoníaca resolveu se fazer de esfinge e soltar enigmas. Era só o que me faltava.
[...]
O decorrer da semana foi relativamente tranquilo. ‘Relativamente’ pois eu estava com a constante sensação de que estava esquecendo alguma coisa e meu instinto me dizia que era alguma coisa importante, eu só não conseguia lembrar o que era. Mas se eu não lembrava então não era importante. Se fosse importante eu não teria esquecido.
— Eu não quero estar aqui – Rosalie choramingou pela milésima vez me arrancando uma vez mais dos meus pensamentos.
— Foda-se – Edward reclamou – Ninguém liga, Rosalie. Para de reclamar.
— Rose meu amorzinho, eu amo você, mas você já está enchendo minha paciência – Esme reclamou com a filha – E se eu ficar irritada eu não vou querer se você está grávida ou não. Ou eu vou meter a mão na sua cara ou eu vou jogar água em você.
— Você tinha a obrigação moral de me defender, cadê nossa parceria de gêmeos? – a loira se virou para o irmão olhando zangada pra ele.
— Foi pra puta que pariu no dia que você abriu a boca dizendo pra Bella que o cordão era um diamante – claro que o desalmado não desviou o olho do celular um segundo sequer.
Como a família ficou preocupada com o fato de Rosalie ter abandonado o pré natal apenas por medo do que a ultrassom poderia revelar, ela foi literalmente arrastada para sua consulta. Emmett estava em uma reunião importante no trabalho então não teve como vir, mas Esme, Alice, eu e Edward estávamos aqui para dar apoio moral pra loira. Bom, Edward veio, pois, eu prometi que ia recompensar ele mais tarde, mas concordo que a reclamação constante da loira já estava me dando nos nervos.
— Rosalie McCarthy – uma enfermeira anunciou o nome da gêmea do satanás e eu quase glorifiquei de pé por ela ter que ir e me deixar em paz com minha mente.
— Eu não quer...
— Se você não levantar a bunda dessa cadeira agora, eu te arrasto pelos cabelos – Esme tinha um sorriso gentil no rosto, mas sua voz era ameaçadora.
O mais trágico é que Rosalie fez com que todos entrássemos juntos com ela. Deus, eu nem era da família, por que eu estava sendo submetida a esse tipo de coisa?
— Nervosa para descobrir sobre o seu bebê, mamãe? – a médica perguntou tentando ser simpática.
— Eu? Nervosa? Magina, tô plena – ela sorriu irônica.
Apesar do jeito ogro de Edward, ele segurava a mão da irmã de uma forma incrivelmente amorosa. Quando eles estavam calados, eles eram a visão perfeita de cumplicidade e amor fraternal.
— Já sei...
— Não fala não, você está me irritando há horas.
Como eu falei, era só quando eles ficavam calados.
— Você é o pai? – a médica perguntou a Edward.
— Deus me livre – ambos responderam simultaneamente.
— Oh, interessante – a médica sorriu para Edward.
Agora quem ficou de mau humor foi eu. O trabalho dela não é ver os bebês na barriga das pessoas? O que ela faz dando em cima do meu namorado? Sempre soube que era puta. Tá escrito na cara dela.
— Moça, meu filho – Rosalie chamou atenção da médica/puta que sorriu sem graça e passou o gel melequento na barriga da loira.
Ela pareceu alheia a nossa presença e conferiu se estava tudo correto com o bebê, fez algumas perguntas para Rosalie e por fim, ela sorriu abertamente.
— Pronta pr...
— Já me decidi – Rose interrompeu a médica que a olhou confusa – Você não me diz nada, só diz se tá tudo bem com ele, vou entrar na vibe do chá revelação.
— Certeza?
— Absoluta.
A médica/puta se limitou a assentiu. Ela imprimiu as fotos do ultrassom e o que eu considero serem as informações relevantes e colocou num envelope entregando nas mãos de Edward.
— Podemos decorar um salão todo rosa e azul e a Bella pode fazer um bolo de cobertura branca e a massa do bolo ser da cor do sexo do bebê – Alice se empolgou com a ideia da prima.
— Oh e se forem gêmeos, o bolo pode vir duas listras no meio, se for só um uma listra – até Esme se animou.
Eu só estava animada por fazer o bolo, a ideia das listras por dentro do bolo era interessante. Eu podia fazer as listras de recheio... recheio de creme de coco sempre fica uma delícia.
— O Edward pode ficar responsável por ajudar nesses detalhes do chá revelação – a loira sugeriu fazendo ele arregalar os olhos pra ela.
— Esse filho não é meu e ainda assim eu vou ter que ficar responsável por essa palhaçada mais inútil da história da humanidade que é esse chá ridículo de revelação só pra me dar um trabalho e estresse desnecessário?
— Exatamente. Não quero estressar o Emmett.
Edward olhou incrédulo pra irmã que sorria prepotente pra ele. Não faz isso não amada, você está desafiando o diabo e você sabe que o diabo não gosta de ser desafiado. Soube pelo olhar demoníaco dele que ia dar alguma merda. Edward pegou o envelope que estava em suas mãos, leu o que constava ali e fechou em seguida.
— São gêmeos e é um casal. Parabéns, agora vê se me erra – ele largou o envelope em cima da irmã e saiu do consultório deixando todas de queixo caído com a audácia dele.
Meu Deus... Era uma vez um namorado.
[...]
— Rosalie ainda se recusa a falar com você? – questionei quando Edward colocou o celular no ouvido pela milésima vez.
— Sim, dá pra acreditar nisso? – respondeu irritado.
— Na verdade dá sim e eu acho bem feito – dei de ombros.
— Ela queria me deixar responsável pelo chá de revelação que inclusive, é ridículo, eu tive que fazer alguma coisa – ele tirou o celular do ouvido e bloqueou a tela o jogando em cima do criado mudo ao lado da cama – Depois eu deixo ela ler me mente e ver que estou arrependido... longa história, deixa pra lá – explicou ao ver minha cara de tacho sem entender o que ele quis dizer com ‘ler a mente’.
— Você não está arrependido.
— Ela não precisa saber.
— Tomara que ela arranque sua cabeça – ele fez uma careta – Bom, eu vou ver como a Nat está.
— Espera, eu vou junto – ele levantou da cama e veio até mim segurando minha mão em seguida.
Tive que conter um suspiro alto. Como eu disse, nós ainda estávamos namorando, mas ele merecia sofrer um pouco e não saber disso, mas, nesse meio tempo, não quer dizer que eu tinha que sofrer também. Eu sentia falta de dormir com ele, sentia falta de Natalie e sentia falta dos momentos que nós tínhamos juntos. Éramos extremos opostos um do outro, mas por algum motivo, quando estávamos juntos parecia fazer sentido, por isso, chamei ele e Natalie para virem dormir na minha casa.
Entramos no quarto de hóspedes e Nat já estava banhada e empolgadíssima brincando com o Colidir que fazia uns barulhinhos toda vez que ela o abraçava. Era engraçado pois os olhinhos dele sempre saltavam para fora do rosto e ele até chorava de felicidade... eu espero.
— Filha, larga esse bicho, sabe Deus quando foi a última vez que a Bella deu banho nele... Ai filha da puta – ele praticamente gritou a última parte quando dei uma cotevelada na costela dele.
— Deixa de ser tapado Edward, ele é filhote, filhotes não tomam banho – revirei os olhos pra ele.
Edward e Natalie me olharam surpresos, Nat até largou o filhote no chão sem pena, nem dó e nem piedade. Tadinho do meu novo filho, ele sofre na mão desse povo.
— Poxa, isso é o mais próximo que eu vou ter de um cachorro e ele ainda é mau cuidado.
— Por que o John tá na sua cama? – franzi o cenho confusa em ver meu primogênito ali e não no meu quarto.
— Meu pai que me deu, ele disse que eu podia dormir com ele hoje.
Olhei para Edward estatalada. Eu vou arrancar as bolas brancas desse infeliz.
— Ué, ele não é irmão dela? Deixa ela dormir com o irmão – ele fez pouco caso – Vem, vamos ver alguma coisa pra comer, estou com fome.
Eu tentei discutir, mas Edward foi mais rápido e me arrastou para fora dali. Eu vou pegar meu filho de volta, não importa o quando eu goste da Nat, só quem dorme com meu macaco sou eu. Edward que compre um John pra ela.
Contra a minha vontade, Natalie decidiu que ia dar banho no Colidir e Edward me impediu de arrancar o filhote das mãos assassinas dela. Não dá pra confiar, primeiro o pai quase mata o Convergir, agora a filha tenta matar meu vira lata caramelo afogado. Se o Colidir morrer, eu mato Edward e a filha.
Edward quis pedir comida para jantarmos, mas eu me recusei, estava com vontade de cozinhar então reuni todos os materiais para fazer um risoto de camarão já que por um milagre do Senhor eu tinha camarão em casa e bom, Edward é meio podre e não pode comer muita coisa. se ele tiver alergia a camarão, então e só lamento.
O fiz lavar todas as louças que eu usei e sujei de propósito mais louças do que eu precisaria. Ele não faz nada na casa dele, tem que ter um pouco de trabalho doméstico sim.
— Bella – ele chamou minha atenção enquanto lavava uma das panelas.
— Para de reclamar Edward, foram só cinco panelas – revirei os olhos pra ele.
— O que? Não, eu já me conformei, só vou reclamar depois se a comida estiver sem sal.
— Tome o seu rabo – bufei irritada – O que você quer?
— Eu tirei duas semanas de férias da empresa – o olhei embasbacada.
Ué gente, como assim? Não é ele o ser humano que respira trabalho e que se puder lambe o chão daquela empresa? Trabalhei lá por quase três anos e nunca, NUNCA o vi tirar um dia de folga sequer, nem quando a filha dele chegou na cidade ele faltou. Bom, pra não dizer nunca... teve a vez que ele não foi porque estava gripado, mas daí ele me fez ir trabalhar na casa dele, então, pra mim é quase como se ele tivesse ido.
— Sério? Por que? – questionei curiosa.
— Você está na etapa final pra inaugurar sua confeitaria, eu quero te ajudar, nem que seja te dando apoio moral.
— Mas ajudar com o que que você não sabe cozinhar nada e reclama quando eu peço pra mover um móvel de lugar?!
— Foda-se, deixa de ser mal agradecida.
Olhei estranho pra ele. Como eu vou ser mal agradecida se eu não pedi nada?
— Certo, desculpe, obrigada, mas é que eu fiquei surpresa e apesar de sua cara nem tremer, eu sei que não é só isso. Por que resolveu magicamente tirar duas semanas de férias?
Edward respirou fundo, terminou de enxaguar a panela que lavava, secou suas mãos e se virou para mim.
— Essencialmente porque eu sinto sua falta – o olhei confusa, não estávamos aqui agora? – Passamos três semanas separados, Bella. Não sei como foi pra você, mas pra mim foi um inferno. Não vou mentir, pra mim sempre foi tudo trabalho, era trabalho no céu e na terra e Deus me livre ficar sem trabalhar, mas naqueles dias que eu te perdi eu percebi que... ai, me dói falar isso, mas nem tudo é trabalho – realmente, ficou bem evidente que dizer isso doía nele já que o rosto dele se contorceu inteiro – E no meio disso tudo, eu quero estar com você enquanto você conclui seus planos, quero estar para o que você precisar, sem que seja para ficar sentado num canto te fazendo companhia ou se você quiser ajuda com alguma parte burocrática, eu só quero estar ao seu lado te apoiando.
Pelo visto hoje eu estou extremamente emotiva já que eu quase choro com as palavras dele.
— Obrigada – disse passando meus braços ao redor do seu corpo em um abraço e afundando minha cabeça em seu peito – Mas deixa de ser mentiroso, eu sei que você está torcendo pra eu te dar alguma coisa burocrática pra resolver – falei o fazendo rir.
— Ei, que culpa eu tenho se o trabalho me persegue e eu não fujo? – o descarado riu abertamente exibindo os dentes brancos e perfetinhos dele. Que vontade de socar.
— Como assim o senhor tira férias e eu tenho que ir pra escola todo dia? – Natalie apareceu na cozinha agarrada ao Colidir e com John debaixo do braço.
— Oh fofinha, você é criança, tá na fase do você que lute – expliquei a ela que fez careta, mas nada disse.
Edward estendeu a mão pra filha que veio até nós, mas conhecendo pai, deixou o Colidir no chão antes e veio só com o John. Assim que Edward a abraçou e a pegou no colo, dei um jeito de tomar John dela, ele é meu filho e se Nat quiser reivindicar os direitos de irmã dela, ele vai virar produção independente.
Nat que estava no colo de Edward o abraçou pelo pescoço deitando a cabeça no ombro dele e após ele a equilibrar a carregando só com um braço, ele me puxou pela cintura me abraçando com seu braço livre e beijando o topo da minha cabeça.
Eu não lembro de algum dia ter me sentido tão plena quanto estava agora. Estava tão plena que esse momento merecia ser eternizado. Estiquei meu braço para alcançar meu celular que estava ali próximo de nós e virei a câmera para nós. Surpreendendo a todos, Edward até sorriu para a fotografia, Nat estava abraçada ao pai, mas ela passou o outro braço ao redor do meu pescoço me abraçando também. Definitivamente, eu nunca estive tão plena quanto estava agora.
[...]
Terminei de fazer nosso jantar e Nat não parava de elogiar dizendo o quanto estava gostoso, mas que ela estava mesmo é de olho no Eton Mess* que estava na geladeira.
Após o jantar, enquanto comíamos a sobremesa, Nat teve a ideia de jogarmos um jogo que ela baixou no celular e que segurávamos o aparelho na testa e tentávamos adivinhar o que éramos. Eu nunca ri tanto na minha vida. Estávamos os três jogados no chão da minha sala, John estava no meu colo, o Colidir estava com a Nat e o Convergir repousava enfaixado e dopado na caminha dele. Edward se aborrecia toda vez que não acertava de primeira e isso era engraçado pois para implicar com ele, dizíamos que ele estava ficando burro e ele ficava putasso.
Quem visse de fora, diria que éramos uma família feliz e bom, estávamos felizes, quanto a parte do ‘família’, daí eu já não sei como considerar, mas eu não me importaria em fazer parte dessa família. Essa noite, pela primeira vez algo diferente aconteceu comigo. Eu nunca quis me casar, nunca quis morar com ninguém e nunca nem quis ninguém dormindo comigo, Deus me livre disso, mas pela primeira vez, enquanto estávamos os três sentados no chão, comendo doces e jogando um jogo qualquer no celular eu imaginei o quão bom seria se morássemos juntos.
Tentei imaginar como seria, é algo muito grandioso dividir a vida com alguém assim e essa proximidade sempre me assustou e pela primeira vez, agora não me assustou, pelo contrário, em minha mente morar com Edward e Nat pareceu algo tão certo e por um milésimo de segundo eu realmente quis que nós três morássemos juntos, mas durou pouco, logo percebi a insanidade que isso é. Deus me livre acordar todo dia olhando pra cara do lúcifer de olhos verdes... mas não vou mentir, quem me dera.
▬ Edward ▬
— Ela não quer falar com você, filho – Carlisle dizia sem de fato olhar pra mim.
Minha vontade era amaldiçoar Bella até sua última geração por ter dado esse cachorro cabeçudo pra Carlisle, agora além do candy crush, ele desenvolveu obsessão pelo maldito vira lata e olha, devo dizer que ele e Bella combinam nessa paixão obsessiva/doentia por animal e vestir o maldito pobre coitado já que o tal ‘Chia’ estava com um laço azul gigante no pescoço e usava um terninho que não combinava em absolutamente nada com a roupa.
— Pai, esse cachorro é macho, por que o laço? – ignorei o que ele disse anteriormente, em breve eu insistiria novamente para falar com Rosalie.
— Bella falou algo interessante no grupo, a menos que ele me diga que não gosta de ser vestido assim, eu continuarei o vestindo como eu quiser – ele deu de ombros – Além do que, Tanya também se irrita em ver o Chia com o laço e se irrita com as constantes fotos que eu mando.
— Não a julgo, é irrit... espera – o olhei confuso – Como assim ‘Tanya também se irrita’?
— Ah, ela também está no grupo, ela e os pais da Bella – explicou – Bella os adicionou essa semana. Ah e a Nat adicionou o Matt também, o garoto é legal, você ia gostar dele se tivesse no grupo.
— Todo mundo tá na porra desse grupo menos eu?
— Sim – ele sorriu olhando para o cachorro – Virou nossa brincadeira interna te deixar de fora, ficamos fazendo memes com suas fotos com cara de irritado.
— Enfia todo mundo esse grupo no cu – falei irritado – Foda-se, eu vou subir e vou falar com a Rosalie sim.
Desconsiderei o fato de que ele estava anteriormente me impedindo de ir falar com minha irmã e dei a volta por ele indo em direção a escada. Durante o dia, enquanto Emmett estava no trabalho, Rosalie para não ficar sozinha passava o dia na casa dos nossos pais e voltava a noite para casa, ainda não vi Esme quando cheguei então imagino que ela deva estar com Rosalie no quarto. Achei que Carlisle me impediria de subir, mas pelo visto ele estava distraído demais com o vira lata cabeçudo dele.
— Edward – tava demorando pra ele me impedir – Esqueci de falar, cria um instagram e segue o Chia lá, o usuário dele é @chiaviralata, ele já tem 52 seguidores.
Revirei os olhos pra ele. Pelo visto isso de ter parafusos a menos é contagioso e Bella contagiou meu pai.
Antes de entrar no quarto, bati na porta, não queria correr o risco de entrar e ver Rosalie sem roupa. Como não obtive resposta, bati de novo e só então ouvi um ‘entra’.
— Não quero falar com você – ela falou virando o rosto assim que me viu.
— Não perguntei – me virei para Esme que estava sentada ao lado dela na cama – Mãe, deixa eu falar com a Rose em particular?
— Claro que não, eu quero ver ela sentando a mãozada em você – lhe dei meu melhor olhar sério e furioso – Ai tá bom seu nojento, não precisa me olhar com essa cara. Rose, bate nele por mim. Eu vou lá na confeitaria com a Bella e a Renée, de lá vou levar a Renée para um sex shop comigo, tenho certeza que essa implicância que ela tem com o Charlie é tudo tesão reprimido. Tchau meus amores, se matem, mas não muito, mamãe ama vocês.
Ficamos eu e Rosalie olhando-a deixar o quarto e assim que ela passu pela porta, balancei a cabeça. Não é possível que eu seja o único sensato dessa família. Voltei meu olhar para Rosalie que ainda estava virada para o outro lado sem de fato me olhar. Ela estava mesmo com raiva só porque eu cortei a vibe dela e mesmo sem ela querer revelei que ela estava grávida de gêmeos e que era um casal?
Bom, vendo por esse lado, acho que ela tem motivos para isso.
Me sentei ao lado dela na cama e ela tentou se afastar indo mais para o lado, eu me aproximei ainda mais. Tive que apelar, fiz como eu fazia quando éramos adolescentes e de mansinho, deitei minha cabeça no colo dela. Ela me olhou furiosa, fiz minha melhor cara de inocente, ou ao menos tentei, há anos eu não fazia isso. Acho que funcionou já que ela bufou irritada.
— O que você quer, Edward?
— Seu perdão?
— Vai ficar querendo.
— Por favor?
— Não.
— Por favorzinho? – insisti mais uma vez pegando sua mão e colocando em minha cabeça, não acredito que eu vou fazer isso – Eu até deixo você ler meus pensamentos e ver que eu estou mesmo arrependido.
Ela me olhou de soslaio e percebi que ela estava começando a ceder, ela mordeu a boca querendo prender um riso. Ergui minha mão pegando em sua bochecha e apertando.
— Eu sei que você quer ler minha mente, você está doidinha pra fazer isso e quer rir que eu sei – seus lábios se repuxaram em um sorriso e ela quase não conseguia mais segurar a vontade de rir – Mas se você não quiser tudo bem, sabe-se lá quando eu vou deixar você ler minha mente de novo.
Bingo! A ganhei nesse instante, a loira se virou para mim e colocou as duas mãos na minha cabeça.
— Tá bom, mas só porque você está insistindo muito.
Ela fechou os olhos e começou a passar a mão pela minha cabeça. Sim, eu pelo visto sou o único sensato dessa família. Não é possível que aos 35 anos Rosalie realmente acredite que pode ler minha mente. Eu prefiro acreditar que ela faz isso pelo puro costume e que acha divertido. Se eu pensar dessa forma, soa menos ridículo.
— Hum... você está pensando que foi um grande filho da puta comigo e que não devia ter revelado o sexo dos meus bebês e nem ter dito que eram dois – falou ainda de olhos fechados e sua feição era de pura concentração.
— É... é exatamente isso que eu estou pensando – concordei.
Ela não precisava saber que eu estava pensando que ela é doida de pedra.
— Anos sem prática e eu continuo ótima nisso – disse orgulhosa de si mesma. Em seguida, ela puxou meu cabelo com tanta força que alguns fios ficaram em suas mãos.
— FILHA DA PUTA – levantei abruptamente do seu colo levando a mão a cabeça – Por que fez isso sua perturbada?
— Você mereceu – respondeu me lançando um olhar irônico – Está sendo filho da puta além da conta ultimamente, comigo, com a Bella, quem vai ser a próxima vítima?
— O rato dela foi uma vítima – falei fazendo a loira rir – Por azar, aquele bicho não morre, está todo enfaixado, mas ainda assim vivíssimo – aproveitei que ela estava rindo e passei meus braços ao redor dela – Desculpa ter sido filho da puta com você, você só deu azar de me pegar em um dia de estresse... mais do que o comum – completei quando ela me lançou um olhar cético – Ainda assim, não justifica, eu devia ter respeitado sua vontade de não saber se eram ou não gêmeos e se era ou não um casal.
— Devia mesmo, eu fiquei muito triste com você – ela suspirou alto – Mas na verdade, eu fiquei triste não é por saber o sexo dos bebês, foi por descobrir que eram gêmeos, eu estou assustada com isso, com um eu já estava amedrontada, com dois vai ser pior ainda. E se eu não for uma boa mãe, Edward? Se meus filhos me odiarem? – Rosalie segurou a almofada que estava ao seu lado com força fincando suas unhas ali – E quando for de madrugada, eles chorarem ao mesmo tempo e eu não conseguir amamentar eles? – notei que seus olhos estavam brilhantes e vi que eram lágrimas se formando.
Tirei a almofada dela e segurei sua mão firme, empurrei sua cabeça para que deitasse em meu ombro e a abracei com mais força.
— É normal sentir medo, é algo novo e é uma vida que depende de você. Lembra quando Nat nasceu e eu fiquei assustado como o inferno em segurá-la? Eu tinha um puta medo de quebrar ela, ou a derrubar e por Deus, eu passei o primeiro ano da vida dela tendo pesadelos achando que estava sendo um péssimo pai e em todos os meus sonhos ela me odiava. Você não nasce sabendo, vai acertar e vai errar. Seus filhos vão crescendo e você vai ter que os chamar atenção por algumas coisas, eles vão ficar com raiva, te odiar por 5 minutos, mas vão continuar te amando. Com relação a acordarem os dois de madrugada para mamar, não vou mentir, vai ser complicado, mas não impossível, você vai se acostumar e vai tirar de letra e eu vou estar aqui pra te ajudar em qualquer coisa que você precisar.
— Como você sabe que eu vou sobreviver a isso?
— Mamãe e papai sobreviveram, não sobreviveram? E olha, você levou duas horas pra nascer – disse a fazendo rir – Você vai sobreviver pois vai ter o Emmett, a mãe, o pai e especialmente eu ao seu lado.
— E se meu filho gostar mais de você do que de mim?
— Aí vai ser inevitável, acostume-se – brinquei – Mas falando sério, seus filhos vão te amar e eu sei que você vai ser a melhor mãe do mundo pra eles, não precisa se desesperar, tudo ao seu tempo, não sofra por antecedência.
— Você vai mesmo me ajudar em tudo que eu precisar? De verdade?
— Claro – concordei – Nossa parceria de gêmeos é real e verdadeira, lembra? Você que inventou isso.
— Que porcaria, era pra Nat ser gêmea e eu ter ficado só com um – ela suspirou resignada.
— Você ganhou na loteria loira falsa, foi a premiada e olha, isso é com o Emmett já que os espermatozoides são deles e você só os recebeu.
— Verdade – refletiu – Eu prefiro ter uma conversinha séria com ele em relação a isso.
— Faça isso pelo amor de Deus, ele merece passar raiva também – ri – Me desculpa ter sido babaca e falado o sexo e multiplicidade dos bebês quando você não queria saber.
— Tudo bem, eu não teria resistido e quando saísse do consultório ia te encher o saco pra falar de uma vez.
— Eu sei, acho que foi por isso que eu falei de uma vez.
— Te perdoo cabeção – falou me dando um peteleco na cabeça.
Revirei os olhos pra ela. Rosalie vai sempre ser Rosalie.
Ficamos conversando no quarto por bastante tempo até ela cair no sono, a gravidez estava a deixando mais cansada que o normal e quando saí da casa dos meus pais, Carlisle estava com o vira lata em seu colo o acariciando com uma mão e com a outra jogando candy crush. Sim, pelo visto eu sou o único normal dessa família.
Tanya levou Natalie para dormir com ela então ficaríamos apenas Bella e eu. Eu a chamaria para dormir em minha casa comigo, mas entendo que sua casa fique mais perto da confeitaria dela e que ela precise estar aqui cedo pela manhã pois se tudo der certo e continuar como o planejado, em pouquíssimos dias ela inaugura.
Cheguei na confeitaria e ainda não eram nem quatro da tarde, infelizmente já que Bella me barrou de cuidar de alguma parte burocrática e me fez arrastar diversas caixas, mesas e cadeiras de um lado para o outro me fazendo chegar a uma conclusão: trabalho braçal não é minha praia. Apesar disso, não reclamei nenhuma vez pois eu realmente queria mostrar a ela que estava disposto a ajudar no que ela precisasse... bom, quase, já que eu reclamei quando ela me pôs pra varrer e espanar o que seria a dispensa e olha, não reclamei pouco.
Voltamos para a casa dela ela no carro dela e eu no meu, me arrependi de ter ido de carro, mas daí lembrei que ela é uma motorista de qualidade duvidosa e me contentei com isso.
— Caralho, olha como está seu carro – disse após ter estacionado na vaga para visitantes de seu prédio e ela ainda estava terminando de estacionar em sua vaga – Sujo pra caralho, ele não era branco?
— Ei – ela falou ofendida saindo do caso e o trancando em seguida – Não fala assim do fúria da noite – ela passou a mão no carro e deitou a cabeça nele.
— O que?
— O fúria da noite – repetiu apontando pro carro – É que ele tá sujinho e ficou preto, aí renomeei pra fúria da noite.
— Hum... ok.
Louca.
Ajudei-a a levar suas coisas lá para dentro e durante o trajeto até seu apartamento, notei que havia algo diferente nela, eu só não sabia dizer o que era, mas definitivamente algo estava diferente.
— Por que você tá me olhando estranho? – ela questionou confusa – Tem alguma coisa no meu dente?
— Não sei, tem algo diferente em você, você fez alguma coisa no cabelo? – ela passou a mão no cabelo – Está tão brilhante.
— Ah... vai ver é óleo, tá com três dias que eu não lavo o cabelo – ela deu de ombros.
— Nojenta.
— Ogro.
— Fiona.
— Foda-se.
Eu ainda estava incomodado com o fato de que havia algo de diferente nela e eu não sabia dizer o que era, mas não me prendi muito a este detalhe.
— Olha, já que você está passando muito tempo aqui, eu separei essa gaveta pra suas coisas não ficarem jogadas – falou apontando para uma gaveta em seu guarda roupa e não pude evitar de sorrir com isso – E tira esse sorriso da cara, isso não quer dizer que você mora aqui.
— Eu não disse nada.
— Mas estava pensando.
— Você lê mentes agora?
— Sim, enfim, no outro quarto tem uma gaveta pra Nat também, ela pode morar aqui, você não.
Me aproximei dela enlaçando sua cintura, um sorriso idiota não deixava meu rosto. Ela podia não perceber agora, mas se estava separando uma gaveta pra mim, ela já me aceitou de vez em sua vida e que ela não tinha planos de me deixar, ou seja, ainda estávamos namorando.
— Tudo bem, eu não moro aqui então – aproximei minha boca da dela.
— Ótimo, garoto esperto... – grudei minha boca à dela antes que ela continuasse falando algo.
Eu definitivamente nunca me cansaria do sabor dos seus lábios, da sensação que era ter sua boca na minha, eu sempre iria querer ficar com ela e só a ideia de ficarmos longes chegava a me causar dor física, descobri que realmente causa dor física quando ficamos separados por três semanas.
— Eu amo você – sussurrei contra seus lábios – Pra caralho.
— Eu sei – ela respondeu no mesmo tom – Eu também.
Uh, agora eu acho que sei como ela se sentia quando eu só respondia isso. Péssimo.
— Mas pelo visto meu cabelo não é o único que precisa de um banho, eu preciso e você também, estamos os dois fedendo.
— Eu não estou fedendo – me afastei para me cheirar.
— Edward, você passou uma parte da tarde arrastando coisas, carregando coisas e ainda limpou a dispensa, suou que nem um porco, acha mesmo que não está fedorentinho?
— Talvez com cheiro de suor, mas não fedorento.
— Como eu disse... banho, vem – ela me puxou pela mão em direção ao banheiro.
— Vamos só tomar banho?
Bella se virou para me olhar com um sorriso malicioso no rosto e uma sobrancelha arqueada com sua melhor cara de safada.
— Você sabe que não.
Porra, eu amo essa mulher. Pra caralho.
(Continua....)
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