O chefe
36 Lúcifer, você está de brincadeira com a minha cara?
Notas iniciais
Lúcifer, você está de brincadeira com a minha cara?
▬ Edward ▬
— Rosalie?
— Não é porque você ligou para o meu celular que é a Rosalie, aqui quem fala é a mamãe noel, qual o seu desejo meu jovem? – ironizou ao atender a merda do telefone.
— Que você vá pro inferno – respondi impaciente ouvindo sua gargalhada alta como resposta – Me responde uma coisa...
— Até duas, bebê.
— Para de me interromper, porra – bufei contrariado – Emmett já sabe o sexo dos bebês?
— Não, eu ia contar, mas ele me fez raiva e deixei ele de castigo sem saber, por que?
— Você pode me fazer um favor e não contar pra ele?
— Por que?
— Para de ser curiosa, pode ou não pode fazer isso?
— Você é muito estressado Ed, tem transado ultimamente? Vou ter uma séria conversa com a Bella, vou ensinar pra elas umas coisinhas que são sens...
— Me responde, inferno – a interrompi.
— Mamãe tem razão, você é um gatinho arisco – gargalhou alto – Mas vou fazer esse esforço por você, mesmo você não merecendo. Só porque eu te amo.
— Mentirosa cara de pau – acusei – Vai fazer isso porque ainda está chateada com o que quer que Emmett tenha feito.
— Sim, ele falou que minha barriga tá grande. Tem noção que ele me chamou gorda obesa/bola?
— Você é louca. Enfim, era só isso. Tchau – desliguei o telefone antes que ela perguntasse mais alguma coisa... ou quisesse conversar.
Nada contra conversar com minha mãe, é só que ela ia falar alguma besteira e ia terminar na mesma situação: eu desligando o telefone.
Liguei para Alice e para Esme em seguida, segundo elas, papai e Jasper já sabiam o sexo dos bebês de Rosalie, mas pedi para eles fingirem que não sabiam. E prontamente concordaram.
Bella ainda estava na confeitaria com Renée, Esme e Tanya, sendo que esta última foi apenas para se fingir de enfeite e me criticar enquanto ajudava, o resultando foi nós dois discutindo e Bella me expulsando da confeitaria. O mais surpreendente é que eu quem estava carregando caixas enquanto Tanya estava sentada mexendo no celular e ainda assim eu fui o único expulso.
Segundo Natalie, Tanya filmou Bella me pondo pra fora e colocou no grupo do whatsapp, que inclusive, eu sou o único que não está. De qualquer forma, como minha ajuda foi dispensada, aproveitei que era fim de tarde e fui buscar Natalie na escola, Bella pediu para que esperássemos por ela em sua casa e agora estávamos Nat e eu deitados abraçados no sofá da sala de Bella. Impressionante que a pirralha não chega nem na minha cintura e é extremamente espaçosa me fazendo ocupar um espaço ainda mais precário no sofá enquanto ela está plenamente confortável.
— Pai quando o senhor e a Bella vão se casar? – ela questionou brincando com os dedos da minha mão – O senhor tá ficando cada dia mais velho e ainda não se casou. Quando vai ser o casamento? Eu quero ser a daminha.
— Eu não tô ficando velho – rebati ofendido.
— Tá sim, esse seu cabelo cobre daqui a pouco não engana mais ninguém e todos vão ver que é tudo cabelo branco e o senhor vai ter que fazer que nem meu avô e pintar de loiro – ela deu de ombros – O senhor não tem medo que venha outro cara e peça a Bella em casamento?
— Não – ela me olhou sem entender – Relacionamento é confiança filha, tenho que confiar que ela me ama como eu a amo e que ela não vai se interessar por outra pessoa. Quando você ama alguém, você não tem olhos para outra pessoa.
— Mas e o casamento, quando vocês se casam?
— Sendo honesto creio eu que nunca – ri quando ela me olhou confusa – É complicado...
— Então explica – pediu.
Respirei fundo antes de falar.
— Nenhum de nós quer se casar.
— Vocês não vão mais ficar juntos?
— Vamos, mas uma relação não é baseada apenas em casamento. Podemos ter um bom relacionamento, duradouro, com companheirismo, respeito, amor e ainda assim, não precisar nos casar.
— Eu não entendo – ela franziu o cenho – Isso é confuso.
— Falei que era complicado – toquei a ponta do seu nariz com o dedo indicador – Você ainda é nova pra entender isso.
— Matt falou que como nós somos amigos, nós vamos nos casar quando a gente crescer...
Engasguei com a minha própria saliva. Pelo visto eu vou mesmo ter que ser preso por dar umas porradas em um pirralho de 12 anos.
— O que você respondeu, filha? – perguntei atônito.
— Eu joguei minha água na cabeça dele e falei pra ele parar de graça pro meu lado. A Bella disse que quando eu me casar, eu não vou mais morar com o senhor e eu quero morar com você pra sempre papai – ela virou seu corpo para ficar de frente para mim e me abraçar.
Graças a Deus. Tenho que lembrar de agradecer a Isabella depois.
— Exatamente filha, mantenha esse pensamento por mais uns 30 anos e vamos ficar bem – concordei.
— O vovô quer bater no senhor, sabia?
— Por quê?
— Porque o senhor tirou férias e isso forçou ele a ir trabalhar – ela riu – Ele leva o Chia todo dia, ele comprou até uma casinha e um tapetinho de fazer xixi pra ele que fica na sua sala, já que é lá que o vovô fica quando vai pra empresa.
Empalideci.
— Eu não acredito que seu avô tá mesmo levando aquele saco de pulgas melequento e deixando na minha sala.
— Tá sim, mas o Chia é bonzinho, ele só faz xixi no tapetinho – ela explicou – Vamos fazer comida? A Bella vai chegar com fome – Nat mudou de assunto ao notar que eu reclamaria.
— Que tal a gente comprar comida de um restaurante, a gente joga fora as embalagens e diz que nós que fizemos – sugeri – Podemos também salgar o arroz e queimar um pouco a carne pra dar mais autenticidade – falar isso fez Nat gargalhar alto.
— Ela ia descobrir quando visse a comida, nenhum de nós sabe o ponto do arroz – Natalie disse entre risadas – Deixa de ser preguiçoso paizinho, vamos tentar cozinhar alguma coisa.
Apesar de todos os meus protestos, Natalie me convenceu a tentar cozinhar algo. Lembrei-me de uma vez quando Esme insistiu que eu deveria saber cozinhar e falou algo sobre arroz, algo como o arroz parbolizado ser impossível de virar papa, nesse caso, foi este que eu fiz.
— E aí inteligente, como se tempera isso? – questionei a Natalie.
Tiramos uns bifes da geladeira de Bella e agora estávamos os dois olhando para os bifes na pia.
— Sei lá, eu tenho 10 anos, o senhor que devia saber – respondeu com uma careta – Joga sal por cima, comida sem sal é ruim.
— Faz sentido – concordei.
Coloquei sal por cima da carne e Nat achou melhor colocar um pouco mais para garantir que estaria bem temperado. Em seguida, preenchi uma frigideira até a metade com óleo e fritei a carne. Bom, era isso, nenhum de nós sabia fazer nada além disso, então fizemos só alguns bifes e arroz e já estava bom. Mandei Nat tomar banho e fui eu mesmo tomar banho em seguida.
Enquanto esperávamos Bella, ficamos os dois na sala brincando daquele jogo ridículo que ela tem no celular em que eu tinha que adivinhar quem eu era. Estávamos tentando adivinhar personagens de filmes da Disney.
— Eu sou a Ariel? – questionei já irritado por não acertar essa porcaria.
— Não – Natalie se divertia tanto que gargalhava alto – Sou a Jasmine?
— Nã... AAAAAA – ela gritou assustada sobressaltada.
— Filha – corri até ela para me certificar que ela estava bem.
— Que susto Bella – a pequena levou as mãos ao peito respirando com dificuldade – Você não pode aparecer assim do nada.
Olhei na direção em que Nat olhava e vi Bella parada atrás do sofá rindo descontroladamente.
— Desculpa – ela enxugou uma lágrima do canto do olho – É que vocês estavam tão fofinhos que eu não quis interromper – Bella deu a volta no sofá vindo até nós e sentando em meu colo – A propósito Edward, se alguém te dá como dica um ‘castelo de gelo’, você pensa na Frozen.
— Elsa – disse desgostoso – Devia ter pensado nisso antes.
— Sim.
— Meu pai e eu fizemos comida – Nat disse orgulhosa – Fritamos o bife e não queimou, mas ficou crocante.
— Que bife? – ela perguntou confusa – Eu não tenho... oh meu Deus. Você fritou o filé? – Nat e eu nos olhamos confusos – Senhor tenha misericórdia de vocês, filé não se frita gente – ela riu – Eu vou só tomar um banho e já desço para comermos, estou faminta – Bella beijou minha bochecha, a cabeça de Nat e se levantou indo em direção ao seu quarto.
Deixe Nat na sala distraída com seu celular e segui Bella até o quarto.
— Ei – chamei sua atenção enquanto ela se despia e entrava no box do banheiro – Eu sei que você está bastante atarefada com as coisas da confeitaria que inaugura na segunda, mas será que você poderia abrir uma exceção pra mim e aceitar encomenda antes e entregar essa sexta?
— Oi? – ela me olhou confusa – Sexta tipo, depois de amanhã?
— Exatamente – respondi – Um bolo e alguns outros doces e o que mais você conseguir fazer.
— Você é todo podre Edward, pra que vai querer um bolo se não come glúten?
— Quero fazer uma surpresa para alguém... – ela me olhou de cara feia.
Bom, eu não possuía planos de falar para ela pois ela é linguaruda e provavelmente daria com a língua nos dentes, mas como ela faria o bolo, ela precisaria saber.
— Como estraguei o tal do chá revelação da Rose e o Emmett ainda não sabe o sexo do bebê, pensei em fazer essa sexta um chá desse e fazer junto um baby chá pra ela – fiz uma careta para demonstrar meu descontentamento – Já aluguei um salão, contratei alguém para cuidar da decoração e um buffet pras comidas, mas pra essa parte dos doces eu quis primeiro falar com você, mas se não conseg...
— Eu consigo – ela sorria empolgada – Pode deixar que até sexta estará tudo pronto. Ai meu Deus, eu não acredito, minha primeira encomenda oficial – seus olhos brilhavam de animação – Vou aproveitar que você é rico e vou te cobrar os olhos da cara.
— Estou me sentindo um pouco explorado.
— É pra se sentir mesmo – riu – Mas vou usar como desculpa o fato de que você está pedindo muito em cima.
— Acho justo – concordei.
Bella tomou seu banho e voltei para cozinha, chamei Nat para me ajudar a servir a mesa e Bella fez sua melhor atuação ao olhar para a comida que fizemos e dizer que parecia ‘deliciosa’, mas sua cara a denunciou. Assim que colocamos a primeira colher na boca, todos paramos de mastigar e nos olhamos sem saber o que falar.
— Ressecou até minha alma – claro que Bella teria algo a falar, ela cuspiu a comida da boca e tomou a água que estava em seu copo – Quanto de sal você colocou na carne?
— Antes eu achava que o suficiente, agora acho que muito – respondi incerto.
Ela fez um barulho como se fosse vomitar e colocou a mão na boca.
— Não seja exagerada, não está tão ruim assim – revirei os olhos.
— Tá sim papai, eu mesma quero vomitar – Nat disse cuspindo a comida de sua boca – O arroz tá com gosto de queimado e a carne tá dura e salgada.
— Duas exageradas – revirei os olhos.
— Bella, você tá bem? – Nat questionou tocando no rosto dela – Você tá verde.
— É que tá muito salgado – ela respirou fundo e logo a cor foi voltando ao seu rosto – Mas estou bem.
Olhei para as duas sem acreditar. Era muito exagero junto.
▬ Bella ▬
Algo muito importante que aprendi esses dias: manter Edward longe da cozinha. Sabe Deus o que ele fez, mas estou me sentindo ruim desde quando ele inventou de cozinhar. Ele é um perigo para a sociedade quando cozinha.
De qualquer forma, consegui me recuperar relativamente bem. Os preparativos tanto para a inauguração da confeitaria quanto para o baby chá/chá da revelação de Rosalie estavam a todo vapor. Contratei uma pequena equipe para trabalhar comigo na confeitaria e decidi que seria uma equipe inteiramente feminina, apenas porque eu decidi que seria assim.
No caixa, Renée ficaria, ao menos nesse começo, contratei duas meninas para serem as garçonetes, Lauren e Heidi, ambas têm 16 anos e procuravam por empregos para contar como atividades extra curriculares. Para me ajudar na cozinha e no preparo das sobremesas, contratei Emily e Bree, elas eram boas confeiteiras... mas eu era melhor.
Era sexta-feira e estávamos todas empolgadas e na expectativa para segunda quando a “Confiserie Sucrée en Cascade” inaugurasse. Sim, eu também repensei o nome e achei um melhor, segundo o tradutor online que pesquisei, isso é algo como ‘confeitaria doce em cascata’, espero que esteja certo e eu não esteja sendo enganada, que nem aquele povo que faz tatuagem achando que está escrito “gratidão” e na verdade está escrito “trouxa”.
Tudo já estava organizado e pronto para segunda, apenas as flores que chegariam na segunda pela manhã, mas definimos que abriríamos as 9h da manhã e ficaríamos até as 18h, é um bom horário... eu acho.
— Filha, você ainda tem que se arrumar – Renée entrou na cozinha da confeitaria falando alto... como sempre – Aliás, péssima ideia chamar seu pai para esse baby chá. Pra que ele vai? Ele nem conhece a Rose.
— Mãe, para de implicar com meu pai...
— Deixa ela Bells – Charlie apareceu já completamente arrumado e cheiroso até demais para meu olfato – Gente mal amada é assim mesmo, ela ainda não se conformou que levou um pé na bunda do Phil e tem inveja de mim porque sou muito bem amado.
Meu queixo caiu.
— A senhora e o Phil terminaram? – questionei surpresa – Quando você me contaria isso dona Renée?
— Ah é – ela bateu na testa – Esqueci que você é devagar quase parando – Emily e Bree riram baixo ao ouvir minha mãe falar – Achei que o fato de eu me estabelecer em Seattle já tinha deixado isso claro. Mas é isso, Phil e eu terminamos e agora eu sou uma mulher livre e na pista.
— Se eu passar por essa pista eu atropelo. Sai assombração.
— Pai – chamei sua atenção – Sem briga vocês dois.
— Vai dizer que você não atropelaria – me limitei a rir.
Era engraçado.
— Tá rindo do que? – Renée se irritou – Quer rir? Vamos rir. Charlie, sabe com que a Bella tá namorando?
— MÃE!
— Bella encalhada tá namorando? – meu pai pareceu surpreso quando se virou pra me olhar – Não era você a encalhada/que não arranja ninguém e só transa uma vez por semana? – ele se virou para minha mãe novamente – Libera a língua Renée, eu sei que você tá se coçando pra falar, abre a boca fofoqueira.
— MÃE!
— Edward – ela me ignorou respondendo do mesmo jeito. Charlie arregalou os olhos e abriu a boca surpreso – Esse mesmo que você está pensando, o ex chefe dela. Tão se pegando desde que viajaram pra Finlândia lá em setembro.
— Cadê seu discurso do “na minha calcinha ele não manda”? – gemi de frustração enquanto Charlie gargalhava alto.
— Não manda é? – pra completar o circo armado, Edward resolveu aparecer na cozinha também com um sorriso presunçoso no rosto e uma sobrancelha arqueada.
— Precisava ver o discurso dela, Edward – Renée se empolgou – “O lúcifer de olhos verdes na minha calcinha não manda e nem chega perto” – ela repetiu minha frase numa falha tentativa de imitar minha voz, Edward gargalhou alto jogando a cabeça para trás – Agora tá aí sentando em você todo dia como se não houvesse amanhã, as vezes chega aqui até andando aberta.
Tirando Charlie, todos que estavam na cozinha riram alto, inclusive Bree e Emily que não conseguiram conter o som da risada. Traidoras.
— Tá bom, tá bom, chega – Charlie estava de cara fechada – Isso só é engraçado quando você não tá aqui, quando você está eu fico puto – ele olhou sério para Edward – Fique longe da calcinha da minha filha.
— Mas nem fodendo – rebati – Vá o senhor vigiar a calcinha da Sue e deixe a minha em paz. Edward você pode continuar tirando minha calcinha sim, tá bom?
— Vocês se acostumam queridas – Renée confortou minhas duas funcionárias que olhavam a cena sem saber o que fazer ou falar.
— Certo – Edward sorriu e logo mudou de assunto – Você já terminou? Temos que levar as coisas pro salão e você ainda tem que se arrumar.
— Mais ou menos, estamos apenas terminando de decorar o bolo e logo vamos pôr as comidas no carro para levar, vou só...
— Pode deixar, Bella – Emily me interrompeu – Pode ir se arrumar, Bree, Renée e eu terminamos e levamos para o salão.
— É filha – Renée concordou – Vai pra casa, você não parou um segundo esses dias, vai acabar com um esgotamento físico. Descansa uns 30 minutos e se arrumar, deixa que pelo menos pra ajudar a levar as coisas pro carro o embuste do seu pai vai servir.
Tentei protestar, mas todos ali me convenceram de era melhor eu ir descansar um pouco. Acabei concordando, esses dias tem sido realmente corridos e eu tenho me sentido mais cansada do que o habitual. Instruí Renée a liberar Lauren e Heidi quando elas voltassem para a confeitaria, já que elas estavam pregando folders pela rua e fui para casa com Edward.
Como tenho andado muito atarefada, Edward tem dormido comigo em minha casa quase todos os dias, inclusive, o outro quarto estava quase que inteiro preenchido com as coisas de Natalie e de vez em quando, a pequena ladra roubava John achando que eu não sentiria falta do meu primogênito. Eu sempre ia lá e o pegava de volta, não me importando se ela chorava querendo o bichinho ou se Edward me dizia que era feio tirar brinquedo de criança. É como eu digo pra ele... ele que compre um John pra ela.
[...]
— Uau, o pessoal da decoração fez um trabalho incrível – elogiei assim que entramos no salão.
Era um salão relativamente pequeno pois seríamos apenas a família de Edward, a minha e Tanya. Mesmo contra a vontade de Edward, eu a convidei, ela não sabia que Rosalie estava grávida de gêmeos e nem sabia o sexo dos bebês, então além de Emmett, ela também se surpreenderia.
O salão estava inteiramente decorado em branco com detalhes dourados. Nas paredes, estavam alguns símbolos infantis como mamadeiras, fraldas, chupetas e tudo era dourado. Nas mesas elegantes toalhas brancas de cetim com a borda dourada e um lindo arranjo de flores brancas como centro de mesa. Na entrada um grande tapete vermelho foi estendido no centro formando um caminho para guiar os convidados. Bree e Emily fizeram um excelente trabalho ao arrumar os doces que fizemos na mesa de doces. Tudo era de extremo bom gosto, era uma decoração minimalista, porém olha... tava bem coisa de gente rica porque uau, estava tudo não menos do que perfeito.
— Você com certeza não economizou hein mãozinha – comentei sem conseguir tirar os olhos do local.
— Você nem viu nada ainda – ele tinha um sorriso orgulhoso nos lábios – Espera até revelarem o sexo dos bebês.
— Você contratou uma boa equipe.
— Sim – ele concordou – Mas confesso, eu acompanhei tudo de perto. Fiz todo aquele drama pra não ficar responsável por nada e acabar que fiquei sozinho responsável por tudo.
— Que amorzinho – apertei sua bochecha – Mas quando você vai parar de ser mentiroso? Eu sei que você adorou ficar aqui dando ordens pra todo mundo. Essas suas férias são uma mentira.
— Você me conhece – Edward sorriu abertamente – Eu não perco a oportunidade de mandar as pessoas fazerem as coisas e de supervisionar um trabalho. É tipo um fetiche, onde tem trabalho, lá eu estarei.
Revirei os olhos. A definição dele de diversão me deixa entediada.
— Como você vai fazer a Rose vir se é surpresa?
— Falei com Emmett, ele ficou responsável por a trazer.
Concordei com um aceno de cabeça. Todos já haviam chego, só estávamos esperando por Rosalie e Emmett. Enquanto isso, Nat brincava com o Jadite/Coagir/Chia que estava vestido com um terno e gravata. Carlisle o levava para todo lugar, ele e o candy crush eram seus fiéis escudeiros.
A comida estava com um cheiro delicioso e isso abriu meu apetite, perdi a noção de quantos aperitivos eu comi, comi tanto que chegou no ponto de Edward segurar uma bandeja apenas para que eu comesse. Estava maravilhoso e eu ainda poderia comer muito mais, estava faminta. Notei que ele me olhava estranho, de vez em quanto ele me olhava de soslaio e parecia pensativo. Óbvio que eu ignorei.
— AI CARAMBA – todos nos surpreendemos com o grito de Rosalie – O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI?
Edward deu um sorriso tão lindo e tão iluminado que fez meu coração se aquecer todinho. Ele se afastou de mim caminhando até onde Rosalie estava na entrada olhando para tudo embasbacada, ele então abraçou a irmã e segurou sua mão enquanto a olhava.
— Não achou que eu ia estragar seus planos e não fazer nada para consertar, não achou? – ele falou para a irmã a conduzindo até um local do salão – Junto com seu chá revelação, ainda vai ser junto seu baby chá. De nada.
MEU DEUS, COMO ELE É PERFEITINHO.
Junto com Rosalie eu também me emocionei, claro que eu deixei com que apenas ela se debruçasse em lágrimas, eu apenas lagrimei, mas logo tratei de me recompor. Rosalie fez um discurso emocionada e a cada palavra dela, Tanya revirava os olhos. Já que minha cunhada resolveu se pendurar no meu namorado e o impediu de ficar comigo, aproveitei para ficar com Tanya, minha nova melhor amiga.
— Oi Tany – a cumprimentei pelo seu mais novo apelido.
Ela me olhou fazendo uma cara de desprezo que juro, eu tenho que aprender a fazer.
— Bella, lembra do que eu disse sobre apelidos? Sem apelidos. É Tanya, o nome já é curto, não precisa encurtar mais.
— Hum, tá bom – concordei – O que você tá bebendo? Sua bebida é elegante, quero uma dessas também.
— É um daiquiri – respondeu, mas logo ela se tornou sorridente – Pega, bebe minha bebida.
— Sério?
— Sim, você bêbada, dando piti e chamando atenção? Vai ser o ponto alto dessa festa caída.
— Ok.
Peguei sua bebida tomando um grande gole. Uau, desce queimando, adorei.
— Opa – Edward brotou da puta que pariu ao meu lado tomando a taça elegante da minha mão – Vamos evitar beber, sim?
— Por que? – questionei furiosa tentando pegar a bebida de sua mão, mas sem sucesso – Passei a semana trabalhando, acho que eu mereço ficar um pouco bêbada e você não é meu pai.
— Você é fraca pra bebida amor, é a festa da Rose, vamos evitar qualquer coisa, tá bom? – perguntou devolvendo a bebida para Tanya.
Ele me chamou de amor. Ele me chamou de amor. Ele me chamou de amor.
AAAAAAAAAAAAAA.
Isso era tudo o que estava em minha mente. Minto, agora tinha um remix na minha mente onde John tocava um tamborzinho da hora e a palavra ‘amor’ se repetia infinitamente. Caralho, ele me chamou de amor e eu não estou surtando, estou... emocionada? Caramba, que sentimentos conflituosos estão dentro de mim.
Quero surtar pois meu processo evolutivo se evoluiu para surtar, mas não estou conseguindo surtar porque eu gostei. O que está acontecendo comigo? Não consigo mais dar um surtozinho sequer. Vamos mente, surte, comece a surtar, a Bella de algumas semanas atrás ia dar um piti aqui e depois ia querer sentar nele, se bem que eu quero sentar nele agora. Será que conseguimos ir ao banheiro fazer uma rapidinha?
— Caramba hein Edward, você sempre acabando com minhas diversões – a voz irritada de Tanya falando com meu namorado me tirou dos meus pensamentos – Quase onze anos depois e você ainda dá um jeito de acabar com meu parquinho.
— Quero é que você se foda, só faz o que eu te pedi está bem? Não dá bebida pra Bella, acho que ela não pode beber agora.
— Ei, eu posso sim – me defendi – Tenta mandar em mim pra ver se eu não sento a mão na sua cara bonita.
— Ele tá mandando sim, eu se fosse você metia logo a mão na cara dele que inclusive, tá merecendo – Tanya incentivou.
— Não fode Tanya... FILHA DA PUTA – ele gritou de dor quando Tanya usou seu salto agulha para pisar em seu pé.
Uh, isso deve ter doído como o inferno.
Claro que eu tive que proteger minha nova bff já que Edward queria enforca-la com suas próprias mãos. Não minto, seria engraçado, mas ninguém nesse salão é tão badalado quando Tanya então né...
Na hora de revelar o sexo do bebê, Edward voltou novamente para o lado de Rosalie e eu fiquei com Tanya. Até ficaria com meus pais, mas eles estavam ocupados demais se degladiando. Durante uma parte da noite foi engraçado, mas agora só estava cansativo. Tanya não me deixou mais beber pelo resto do tempo em que estive com ela e me perguntei desde quando ela obedece ao que Edward fala. Claro que tive que fingir que ia ao banheiro para beber uma ou outra bebida e analisando agora, acho que foi uma ideia ruim, estou me sentindo bem tonta, tão tonta que tive que sentar.
— Anuncia logo essa porcaria – Tanya falou impaciente e lá da frente, Edward e Rosalie lhe mostraram o dedo médio – Eu tô impaciente e você tá mais gorda a cada segundo, fala logo é menino ou menina?
— Ignorando a galinha loira que está aqui de penetra – Rosalie começou seu discurso – Quero agradecer ao meu irmão que tornou possível estarmos aqui reunidos essa noite. Claro que ele não fez mais do que a obrigação dele já que ele estragou meus planos originais que eram fazer o chá revelação e isso tudo – ela gesticulou para o salão – É fruto da consciência pesada dele, mas como eu sou uma pessoa de bom coração, vou fingir que não sei disso e prosseguir com o planejado – ela pigarreou teatralmente, fechou os olhos, suspirou alto e continuou falando – Uau que surpresa, jamais imaginei que...
— Foda-se – Edward tomou o microfone das mãos dela – Só anuncia logo essa porcaria. Emmett vem aqui pra frente pra vocês cortarem o bolo.
Emmett sorria empolgado e foi até onde a sua esposa estava, ele se posicionou com ela atrás da mesa com o bolo que eu havia feito. Fiquei tão triste por saber que iriam o cortar pois ele estava muito perfeito, mas fiquei feliz por lembrar que por dentro ele também é lindo. Agora faz sentido Edward ter pedido um bolo branco com detalhes dourado.
Fiz um bolo de dois andares, Emily que era especialista em confeitar me ajudou a decorar o bolo. e Quando Emmett e Rosalie cortaram o bolo, a massa com o recheio em camadas rosa e azul fora revelado, notei que Emmett ficou confuso, mas logo ele viu que dentro do bolo havia dois bebês de mãos dadas em biscuit e cada um deles usava uma roupinha rosa e o outro uma roupinha azul.
Neste momento, todos os itens de decoração em dourado que estavam no salão foram instantaneamente coloridos. De um lado do salão, as decorações ficaram rosa, do outro lado a decoração ficou azul. As flores nos arranjos de mesa que eram brancas, foram adquiriram tons rosa e azul e em um telão -que eu nem havia notado a existência antes- apareceu os dizeres ‘Mais um casal de gêmeos na família, parabéns papais’.
CA-RA-LHO.
Edward deve ter pagado uma fortuna para fazer isso. Que arranjo de luzes foi esse que fez todas as cores mudarem para a cor desejada?!
Todos ficaram embasbacados com isso que acabou de acontecer bem diante dos nossos olhos. Certamente ninguém estava esperando por isso e devo dizer, Edward se superou. Caralho, o que um peso na consciência não faz com a pessoa? Ano que vem, no meu aniversário vou deixá-lo com a consciência pesada e apenas esperar pela festa.
— Puta que pariu, nós vamos ter gêmeos – Emmett comemorou animado abraçando a esposa e a enchendo de beijos – Eu só não entendi, vai ser menino ou menina? Por que tá tudo azul e rosa?
— Deixa de ser tapado – Edward lhe deu um tapa na nuca – Olha o que tá escrito aqui – ele apontou para o telão – É um casal seu imbecil.
— Mas vai ser um casal tipo, dois meninos, duas meninas ou um menino e uma menina? – o grandão questionou mais confuso do que ele já estava.
— Eu desisto, o marido é seu, você que se resolva – ele deixou os dois andando a passos largos.
— Mas é muito mamífera mesmo – Tanya riu falando com a ex/atual/alguma coisa cunhada (?) – Eu sempre soube que você era cadela, Rosalinha. Gravidez múltipla é típico de cadela viu?
— É que eu aprendi com você a ser cadela – Rose rebateu – Mas pelo visto, assim como em tudo na vida, até nisso eu fui melhor que você.
— Bom que você vai ficar duplamente gorda. Já pensou seus peitos ficam com estria? Que feio.
— Vai à merda Tanya.
— Tô vendo daqui suas gorduras, coitada.
— E eu estou vendo daqui sua cara de piranha e tô bem incomodada.
Dizer que a noite foi repleta de farpas trocadas entre Tanya e os Cullen, meu pai e minha mãe e Tanya e minha mãe que ficou com raiva dela quando ela disse que Charlie era um ‘coroa bonitão’ era puro eufemismo, apesar disso, a noite foi bastante divertida e proveitosa. Nos fizeram participar daquelas brincadeiras típicas de baby chá, Rosalie ganhou muitos presentes, tipo, muitos mesmo, ainda mais se considerar que sua família é rica e lhes compraram o equivalente a umas dez lojas só em presente.
[...]
— Eu não sei vocês, mas eu estou exausta – falei em um bocejo quando estávamos todos reunidos em uma mesa que na verdade era a união de três mesas – Por estar exausta tudo que eu quero é me deitar e estou com uma saudade da bunda de coelho do Edward.
Nessa hora todos que estavam falando e até os que não estavam pararam de falar e me olharam como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.
— Ai, agora fez vergonha – Edward baixou a cabeça parecendo constrangido.
— Você tem bundinha de coelho é? – só quando Emmett fez piada que eu entendi o que eu tinha dito.
— Não gente, eu tô falando da cama dele, a cama dele é tçao macia que parece a bunda de um coelho – tentei me explicar – Vocês deviam experimentar.
— Honestamente, eu não recomendo – Alice disse com um sorriso zombeteiro no rosto – Nat costuma relatar que a Bella passa a noite fazendo uns ‘barulhos estranhos’.
Todos gargalharam e isso me deixou constrangida. Concordo com Edward, agora fez vergonha.
A conversa estava agradável, Rosalie sempre que podia agradecia ao irmão por ter feito isso por ela e dizia que apesar de o conhecer a vida inteira, ele ainda conseguia a surpreender como ninguém. O problema foi que eu já estava literalmente dormindo sentada então esse foi o momento em que Edward decidiu que iríamos embora.
Agradeci a todos os deuses quando chegamos na casa de Edward e ele me deu um banho relaxante, arrumou a sua cama bunda de coelho para mim e me abraçou cantarolando baixinho até que eu dormisse. A última coisa que eu lembro antes de cair na inconsciência é dele sussurrando um ‘te amo minha Bella’. Quis dizer que o amava de volta, mas estava cansada demais para abrir a boca e lembrei que ele ainda estava na fase de sofrer, então, apenas me entreguei ao sono que se tornava cada vez mais atrativo nessa bundinha de coelho, vulgo cama do meu namorado,
[...]
— Ei, calma – Edward tentava me acalmar – Respira, por favor, não tenha uma crise de asma agora.
Edward me ajudava a tentar controlar minha respiração. Era segunda-feira e era o grande diria em que eu colocaria a confeitaria para funcionar. Edward ainda estava de férias e prometeu passar o dia ao meu lado caso eu precisasse dele e acredite, eu precisaria, especialmente agora que meu pulmão resolveu falhar justo agora.
— Calma, vai dar tudo certo – ele me abraçou passando a mão em minha costa em uma carícia que eu amava, mas que agora tava me irritando.
— Para, tá incomodando – fui um pouco mais grossa do que pretendia.
— Você é uma ogra sabia?
— Você também é um ogro e não me vê reclamando disso.
— Não vejo? Você reclama disso todo dia, sua ogra mentirosa.
— Você que lute – dei de ombros – Não se atreva a sair deste recinto.
— Não possuo planos de ir a lugar algum – ele sorriu aquele sorriso torto que só ele sabe dar – Aliás, tem algo que eu quero que você use.
— Eu estou de uniforme, não vou mudar de roupa, tenho que ser exemplo para meus funcionários.
— Tudo bem, você pode usar com seu uniforme.
— Então o que é? – questionei curiosa.
Pelo sorriso travesse no rosto dele, já presumi que não era coisa boa, tive certeza quando o vi puxar um saquinho de veludo do bolso e tirar de lá o cordão com o pingente de diamante gigante. Eu estava pronta para reclamar e ele percebeu isso se adiantando a mim.
— Ainda bem que você prometeu que usaria sem reclamar da próxima vez que eu te desse.
FILHO DA MÇAE TRAPACEIRO.
— Edward...
— Bella – ele me interrompeu – Quero que você use primeiro porque é seu, esse cordão é seu desde o momento em que eu o coloquei meus olhos nele e isso é tão verídico que é uma peça de edição limitada e poucas peças foram feitas, segundo porque isso é um presente de que eu estou te dando, terceiro porque fica bonito em você e eu posso inventar muitos outros motivos, mas isso só iria te atrasar.
Suspirei vencida, eu até queria discutir, mas estava tão sem forças e cansada que apenas concordei. Edward tinha razão, ele iria mesmo inventar muitos outros motivos para que eu usasse e no final, terminaríamos exatamente como estou agora: de costas pra ele com o cabelo levantado para que ele coloque o cordão em mim.
Estremeci por inteiro quando seus lábios tocaram a pele da minha nuca. Minha respiração estava pesada e minha crise de asma não tinha a ver com isso. Me virei de frente para ele passando os braços ao redor do seu pescoço. Edward me abraçou pela cintura e colou seus lábios nos meus em um beijo gentil e apaixonado.
— Obrigada – sussurrei para que ele ouvisse – Por estar aqui comigo e por me incentivar quando tudo que eu queria fazer era adiar isso.
— Você não precisa me agradecer, o mérito é todo seu – ele tocou meu rosto com a ponta dos dedos presenteando minha pele com sua carícia – Eu sou apenas o cara que como recompensa quer o seu melhor doce sem glúten e sem lactose.
Não pude deixar de rir alto.
— Ah é, eu esqueci que estou com o cara do estômago podre.
— Você tá rindo do que? Eu estou com a garota do pulmão podre. O pulmão é pior que o estômago.
— Pelo menos eu posso comer qualquer coisa sem virar uma botija de gás e a própria rainha sentada no trono – me gabei.
— Não se você não respira e morrer sem ar.
— Credo que horror – estremeci com o pensamento – Você só fala besteira.
— Você que começ...
— BOM DIA MEUS PEQUENOS AVESTRUZES – uma Renée extremamente feliz e sorridente entrou na confeitaria chamando nossa atenção – Dormiram bem crianças?
— Sim – Edward e eu respondemos juntos.
— Que coisa triste, se eu tivesse no seu lugar Bella, nem dormir eu teria dormido – ela piscou para Edward que pareceu super desconfortável – Pronta para começar? Abrimos as 9h mesmo?
— Sim, as 9 em ponto – confirmei.
— Ótimo – Renée sorriu de uma forma demasiadamente exagerada.
Enquanto isso, Edward arregalou os olhos e abriu a boca. Renée permanecia com seu sorrisinho e anunciou que iria ao banheiro vestir seu uniforme.
— Sua mãe beliscou minha bunda – Edward disse cabisbaixo – Eu estou me sentindo violado, ela quase pega onde não devia.
Fechei a cara pra isso. Era só o que me faltava ter que me preocupar se minha própria mãe não estava passando a mão na bunda do meu macho. Me recuso a acreditar que ela está no time das putas de Seattle, mas por via das dúvidas, vou ficar de olho nela e na sua mão abusada.
— Bom dia Bella
— Bom dia, chefe
Heidi e Lauren entraram juntas na confeitaria com grandes sorrisos no rosto. Elas estavam empolgadas para começar e estavam mais empolgadas ainda pois este seria o primeiro trabalho delas.
Notei que Lauren e Heidi sorriram tímidas/animadinhas demais para Edward quando o viram e como reflexo, passei meu braço ao redor da cintura dele.
— Esse é meu namorado, Edward – o apresentei frisando as palavras ‘meu’ e ‘namorado’.
— Bom dia – ele disse educado.
As duas se limitaram a sorrir e acenar freneticamente, Heidi estava com as bochechas coradas e Lauren tinha aquele olhar de adolescente apaixonada pelo professor. Tinha esquecido como Edward chama a atenção do público feminino e de como as mulheres de Seattle são putas.
— Não sei você, mas eu estou me sentindo um pedaço de carne em exposição – ele falou baixo para que apenas eu escutasse.
— Tenta vender esse pedaço de carne que eu jogo esse “pedaço de carne” na máquina de fazer picadinho – sorri irônica apertando sua bochecha.
É brincadeira, mas é sério.
[...]
A própria definição de eufemismo era eu ao dizer que eu estava transbordando felicidade. Quer dizer, essa confeitaria é absolutamente tudo o que eu sempre sonhei na vida e ver agora o resultado final era maravilhoso. Fui bastante caprichosa com a decoração, especialmente com a escolha das flores que adornariam os centros de mesa, estava tudo exatamente como eu sempre quis e sempre imaginei. Estava tão feliz que sentia que podia literalmente chorar de felicidade.
Estava com cinco minutos que abrimos -oficialmente- as portas e eu estava beirando o nervosismo. Tive que proibir Edward de ser o primeiro cliente já que ele queria comprar alguma coisa, mas poxa, não quero que meu primeiro cliente seja fruto da pena que ele está sentindo por me ver tão nervosa olhando fixamente para a porta e me perguntando porque CARALHOS NÃO ENTRA NINGUÉM NESSA MERDA. Eles não estão vendo que já estamos funcionando?!
— Se seu olhar pudesse quebrar algo, essa porta não teria mais vidros – Renée disse ao meu lado – Relaxa filha, é um local novo e você abriu está com exatamente sete minutos, contenha-se, daqui pro fim do dia alguém aparece.
— Quero que apareça agora.
— E eu queria estar numa praia tomando água de coco – ela rebateu – Filha, você aqui olhando fixamente pra porta não vai adiantar nada. Você não tem nada pra fazer lá na cozinha?
— Não, todos os doces já estão prontos – respondi cabisbaixa – E mesmo que tivesse, eu quero ficar aqui e olhar quem vai ser o primeiro cliente, eu estou nervosa.
— Bella, filha – ela me segurou pelo ombro me forçando a olhá-la – Não adianta tirar a bola do mato e jogá-la no rio.
Respirei fundo assentindo em concordância.
— Tem razão mãe, tem razão – suspirei resignada.
— É o que? – Edward perguntou confuso – Isso é um ditado por acaso?
— Muito comum, inclusive – minha mãe concordou.
— Só se for na sua mente.
Antes que os dois pudessem debater sobre o ditado popular de Renée, uma mulher aparentando estar na casa dos 30 e vestida formalmente adentrou a confeitaria. Ajeitei minha postura colocando meu melhor sorriso no rosto.
— Bom dia – a cumprimentei.
— Bom dia, vocês vendem café? – ela perguntou apressada.
— Sim. Temos caf...
— Vou querer um expresso duplo sem açúcar para viagem e se puder ser rápida eu agradeço, tenho que estar em uma reunião em 10 minutos – ela olhava para o relógio e puxou um celular da bolsa prendendo sua atenção ao aparelho.
Nossa que... tenho nem palavras.
Me apressei em servir seu café no copo destinado a bebidas para viagem. Queria mostrar serviço.
— Aqui está o s...
— Obrigada, fique com o troco – ela pegou o copo de minhas mãos e deixou 4 dólares em cima da bancada saindo tão rápido quanto entrou.
Fiquei olhando para a porta e quase choro. Poxa, não deu nem tempo de eu oferecer outra coisa.
— A bebida custava 3 dólares – respondi desgostosa – Ela podia ter levado uma dessas rosquinhas sem recheio pra fechar os 4 dólares.
— Você ganhou 1 dólar de graça, se não quiser, eu quero – Heidi disse brincalhona – Aprenda a aproveitar as gorjetas, Bella.
— A garota sabe o que fala – Edward concordou com Heidi que ficou instantaneamente vermelha. Puta – Enfim, já posso comprar alguma coisa agora? Eu tô morrendo de fome, eu falo sério quando digo que não comi nada.
— Não – neguei mais uma vez.
Ele acha que me engana, eu sei que ele só quer comprar alguma coisa por pura pena por eu estar triste por até agora eu só ter vendido um maldito expresso duplo.
— Só pode ser brincadeira – bufou contrariado.
Ele que lute.
[...]
Por poucos minutos já passava do meio dia, não podia dizer que pela manhã o movimento foi bom, mas também estava longe de ser ruim. Pela manhã, a maioria das pessoas que entraram estavam em busca de bebidas cafeinadas e algumas outras junto com as bebidas, compraram algo para acompanhar e isso me permitiu analisar e identificar cinco coisas importantes.
A primeira delas: pela manhã, a maior parte do público são pessoas vestidas formalmente elegantes, apressadas e graças a essa pressa, as gorjetas eram boas já que era constante o “fique com o troco”. Isso deixou minhas funcionárias adolescentes super empolgadas, já que elas ficavam com o ‘troco’, a segunda delas é que a confeitaria no centro de Seattle ficava próxima a muitos centros comerciais o que justificava o interesse das pessoas em cafeína, a terceira é muito importante: no almoço era onde eu tinha a maior média de clientes e pude notar isso agora já que todas as cinco mesas que ficavam na parte de dentro e as três que ficavam do lado de fora estavam ocupadas.
— Estava ansiosa pra esse lugar abrir – uma das mulheres que estava com seus amigos em uma mesa comentou comigo quando levei seu pedido – Sabe, é bom um lugar diferente, tem umas docerias aqui perto, mas sempre vendem os mesmos doces, pelo que notei aqui os doces são bem variados.
— E o local é bonito – uma outra mulher da roda de amigos comentou – Olhávamos de longe enquanto ainda estava sendo decorado, aliás Ayden, você me deve 100 pratas, falei que seria estilo francês – ela comentou com o amigo que lhe olhou torcendo a boca.
— Puxa, obrigada – agradeci sem feito – Fico contente que estejam gostando.
— Querida, com isso aqui – uma delas apontou para o tartelete de frutas vermelhas que comia – Até o natal eu já engordei uns 2 quilos fácil – ela riu – Por aqui tem muitos restaurantes e a única doceria fica uns três quarteirões do trabalho, depois do almoço eu quero um doce e as vezes sentia preguiça de andar tudo isso só pra comprar uma torta que nem era tão boa, agora só preciso sair do prédio, por favor, não feche as portas.
— Não possuo planos – concordei feliz.
Isso valeu pelo meu dia inteiro, recebi muitos elogios e apesar de os lugares da confeitaria estarem cheios, no horário do almoço ou como eu apelidei de ‘horário de pico’, constantemente pessoas entravam, compravam algo e iam embora, algumas ficaram tristes por não ter onde sentar e percebi que muitas tiravam fotos , especialmente porque fui esperta e em uma das paredes, reservei um local mais bonito e com o nome da confeitaria, especialmente para fotos e foi tudo de caso pensado e com um único objetivo: propaganda gratuita. Espero que postem no instagram e isso traga mais gente.
A quarta coisa que percebi é que a tarde, a partir das 15h o movimento começa a ficar bom pois haviam alunos saindo das escolas, pais que iam buscar os filhos na escola, funcionários com fome querendo algo para lanchar e isso fazia com que o movimento fosse bom, não tão bom como o almoço, mas ainda era melhor do que o da manhã e a quinta, última e mais importante coisa que notei e cheguei a conclusão: para aumentar meu lucro pela, as 7 da manhã eu já devia estar com as portas da confeitaria aberta e funcionando.
[...]
— Sério? – Edward questionou surpreso olhando para John – Não acredito que você mandou fazer uma roupa para o seu macaco.
— John vai ser funcionário também, ele está crescendo, precisa aprender a trabalhar para se sustentar;
— Ok – sabiamente, ele optou por não discutir comigo.
Mandei fazer um uniforme para John também, ele iria me acompanhar na confeitaria. Ele já estava um rapazinho, tinha que aprender a ganhar o dinheiro dele. O trabalho dele vai ser ficar no caixa e ser fofo.
Eu nunca estive tão exausta como estava agora. Apesar do meu novo trabalho ser gratificante, era exaustivo, eu, Emily e Bree sempre fazíamos sobremesas diferentes, doces ingleses, americanos, brasileiros, asiáticos, tentávamos sempre inovar e isso agradou e muito os clientes já que sempre comentavam que amavam chegar e ter uma novidade para experimentarem e por conta disso, já podia identificar alguns clientes fieis e de alguns eu já até sabia o nome.
Eu estava acabada, exausta e morta, mas nunca estive tão feliz em toda minha vida, eu estava tendo bons lucros e isso com toda certeza animava meu espírito. Me sentia completamente realizada profissionalmente e minha vida pessoal nunca esteve tão bem como estava agora, claro que ultimamente eu estava com pouco tempo, mas Edward era super compreensivo comigo e nos reversávamos entre dormir com ele em sua casa ou ele dormir comigo na minha. Eu estava adorando isso.
— Você está diferente – Edward comentou arrancando-me de meus devaneios – Tem algo muito diferente em você, Bella, eu não sei dizer o que é.
— Se você quer dizer que eu estou com cara de acabada, pode dizer Edward, não precisa disfarçar – revirei os olhos.
— Não é isso...
— Foda-se – o cortei irritada, mas logo respirei fundo me recompondo – Desculpa, acho que estou tão cansada que isso está me deixando ranzinza. Deus, agora eu entendo porque é você é todo capetão no trabalho, deve viver exausto e isso te deixa com um humor do cão, mas você é o cão então não sei se faz sentido. Faz sentido pra você?
— Não – respondeu com uma risada – Mas já estou acostumado com você divagando sobre coisas aleatórias e sem sentido.
Deu até vontade de meter a mão na cara dele de tão fofo que ele é. Não sei porque estou o achando fofo, só estou. Continuei me arrumando para ir à confeitaria, após ter conversado com minhas funcionárias, todas concordaram em abrirmos às sete e olha, foi a melhor coisa que fizemos já que nesse horário nossas vendas aumentaram significamente.
Muitas pessoas paravam antes de irem para o trabalho para tomar café, comer alguma coisa ou mães com seus filhos paravam para comprar algo para os filhos levarem para a escola. A minha ideia de abrir as nove era ridícula, nesse horário as pessoas já estavam em seus trabalhos ou na escola e abrir tarde próximo a um local que era um grande centro comercial era burrice demais até pra mim.
Coloquei o cordão que Edward me dera, esta virou minha peça favorita, eu sempre trabalhar com ela, claro que eu não sou tão tapada assim, a colocava por dentro da blusa para ninguém ver, mas eu decidi que este cordão seria meu amuleto da sorte e foda-se.
— Ei, me ajuda aqui – pedi ajuda a Edward.
Todo dia ele me ajudava a me arrumar, não que eu precisasse, mas eu gostava dessa proximidade especialmente porque nossos dias estavam sendo corridos. Me virei de costas para ele e Edward me ajudou a subir o zíper da minha calça social que usava como uniforme da confeitaria.
— Ops – ele falou com a voz hesitante após subir o zíper – Não está querendo fechar com a mesma facilidade do início da semana. Até terça o zíper passava direto, aí com os dias fui notando que estava começando a ficar difícil fechar, agora parece mais difícil do que nos outros dias.
— Ai droga, tenho que parar de comer os doces enquanto os preparo – gemi desgostosa – Eu vou acabar engordando, virando uma bola e voltar pra casa rolando.
Edward nada disse, ele apenas me olhava avaliativo, ele franziu o cenho e desviou o olhar para minha barriga. Era só o que faltava, ele vai me chamar de gorda agora? Tudo bem, tenho comigo de forma um pouco mais exagerada nos últimos dias, mas não é minha culpa, eu tenho sentido uma fome desesperadora. Meus doces são gostosos, o que eu posso fazer?!
— Tá olhando o que porra? – me estressei – Até parece que nunca me viu. Vai me chamar de gorda agora? Tome no seu rabo lúcifer manifestado.
— Bella – ele disse por fim – Hoje, como é sexta que tal se você não ficar até mais tarde e vir pra minha casa comigo? – abri a boca para negar, mas ele foi mais rápido – Foi uma semana cheia, você tem se cansado bastante, não acho que seja prudente você se esgotar tanto assim, além do que, prometo te preparar um banho de banheira relaxante e você ainda vai poder desfrutar da sua bunda de coelho favorita.
Hum, a ideia de deitar na cama gostosinha de Edward e ele me dar um banho de banheira era tentadora. Droga, deu vontade de transar agora e puxa, a vontade estava forte. Eu mereço mesmo um descanso...
— Acho uma boa ideia – concordei – Tá bom, quando sair da confeitaria eu vou pra sua casa aliás, quando você volta pro trabalho?
— Segunda – ele sorriu abertamente – Mal vejo a hora de voltar. Odeio férias, nunca mais vou fazer isso na minha vida. Descobri que é possível morrer de tédio.
— Você não morreu de tédio.
— Mas estou isso aqui – ele juntou o polegar e o indicador fazendo um sinal de ‘pouco’ – De morrer de tédio.
— Exagerado – ri revirando os olhos.
— NAT TIRA O CACHORRO DA BOLSA – Edward gritou quando ouvimos os passos de Nat do lado de fora do quarto.
O olhei completamente assustada. Lúcifer é onipresente por acaso? Como ele sabe dessas coisas.
— PAI, MAS EU NÃO EST... – ela gritou de volta, mas foi cortada pelo pai.
— TIRA O CACHORRO OU EU MESMO VOU AÍ TIRAR O BICHO DA SUA BOLSA.
— POXA – ela gritou de volta chateada.
— Como você sabe dessas coisas? – questionei descrente – Você lê mentes, enxerga através das paredes ou o que? Tá possuído por algum espírito ou você é o espírito?
Ele riu balançando a cabeça e se aproximou de mim me abraçando pela cintura.
— Quando você tem filhos, você conhece sua cria – o olhei cética com a sobrancelha arqueada – Ok e talvez eu tenha a ouvido mandar um áudio pro tal Matt que ia levar o Colidir hoje.
— Meu filhinho de quatro patas ela não leva – respondi aborrecida.
Claro que ele me olhou entediado. Ele já tinha se acostumado a ter Nat e eu brigando pela atenção do filhote que agora não era mais tão filhote assim. De qualquer forma, eu que o alimento, ele tem a obrigação moral de me amar.
[...]
— Você vai ficar barrigudo assim, Carlisle – esme brigou com o marido – Bella, se você vender outro desse a ele, eu vou ficar com raiva.
— Qual a graça de ter dinheiro pra comprar as coisas se eu sou proibido de comprar? – ele respondeu contrariado – Bella, traz mais dois.
— Desculpe Esme, mas eu sou cadelinha do capitalismo, se tem alguém querendo comprar, eu vou vender – minha sogra me mostrou o dedo médio como resposta.
Essa família adora isso né?!
Carlisle já tinha comido 5 triffles e ele não aprecia disposto a parar e bom, eu estava disposta a vender. Voltei logo em seguida com mais dois copinhos do doce do meu sogro.
Sogro e sogra, que coisa mais estranha. Nunca me imaginei namorando alguém e agora eu tenho um sogro, uma sogra, uma cunhada, uma pseudo cunhada vulgo Alice e segundo Rose, eu vou ser tia por ‘associação’ já que eu sou a ‘mulher de Edward’, eu serei tia dos filhos dela. Coitada, se ela acha que eu vou limpar a bunda dos bebês ela, ela não poderia estar mais enganada. Isabella Swan não limpa fralda suja e nem bunda cagada de bebê.
— Bella querida, sua pele está tão brilhante – Esme elogiou quando levei os doces de Carlisle – Seu cabelo também parece maior e parece tão sedoso, você deve estar dando e muito para o meu filho.
Engasguei com minha própria salive. Deus, a mulher é louca. Ela disse isso em voz alta e alguns clientes me prenderam uma risada e outros me olharam rindo.
— Não precisa se envergonhar querida, se ele não fosse meu filho eu também ia querer muito sentar naquele homem, ele é um pedaço de mau caminho – ela piscou para mim me deixando ainda mais constrangida.
LOUCAAAAAAA.
O dia foi como os outros tinham sido: cansativos, exaustivos porém gratificantes. Eu estava cada dia mais apaixonada pela minha confeitaria e não poderia estar mais feliz, contudo, perto do fim do dia, eu estava esgotada, tão esgotada que sentia como se fosse desmaiar. Minha pressão baixou e eu tive que me sentir um pouco, Emily me deu um pouco de sal para ajudar na pressão e isso ajudou bastante, porém eu me sentia um pouco tonta ainda.
Acabei deixando com Renée a responsabilidade de fechar a confeitaria e cuidar de todo o resto. Liguei para Edward avisando-o que estava indo para sua casa e que ele devia deixar meu banho pronto, afinal de contas, ele prometeu e eu queria meu banho. Ao chegar, Edward falou que pedi para que Gianna levasse Nat para passear pois ele queria conversar comigo. Tentei terminar com ele antes que ele terminasse comigo, mas ele disse que não era isso que ele queria falar.
— Então o que é? – questionei curiosa.
— Hoje passei o dia refletindo sobre algumas... coisas – estreitei os olhos pra ele – Bella, você já pensou em ter filhos?
— Ah nem começa – levantei do sofá num pulo – Olha Cullen, eu sei que você é meio velho e gente velha tem essas vontades de ter família e essas coisas, mas meu querido, eu sou nova, não quero me casar e nem ter filhos, então já pode tirar seu doce pocotó da chuva e aquietar o fogo no cu.
— Senta, não é bom você se estressar – ele me puxou pela mão para sentar novamente ao seu lado – E eu não sou tão velho, tenho 35 e você 26, são apenas 9 anos de diferença – revirou os olhos – De qualquer forma, eu também não tenho planos de me casar, é apenas um pedaço de papel, isso não prova que eu amo ou não alguém...
— Mantenha isso em mente e vamos ser muito felizes juntos – o interrompi – Pois se algum dia você vier com graça pro meu lado e me pedir em casamento, eu vou meter a mão na sua cara e dizer não.
— Imaginei que fosse ser isso – ele riu – Bom, eu também nunca pensei em ter outro filho, sendo honesto, por mim a fábrica teria parado na Nat e pronto pois acho bem cansativo pensar em ter outro filho e passar por todo o processo de novo...
— PUTA QUE PARIU – arregalei os olhos – Você me traiu e agora sua amante está grávida? Você é um sem vergonha, espero que você morra...
— Bella, não seja absurda – me interrompeu – Não te traí, jamais poderia fazer isso, eu amo você e não tenho interesse em mais ninguém.
— Mas então que papinho é esse?
— É só que algumas coisas apenas acontecem, independente de querermos ou não e bom, hoje enquanto estive pensando cheguei a conclusão de que se eu fosse ter outro filho, não tem ninguém no mundo que eu fosse querer como mãe do meu filho do que você e honestamente, pensar em ter um filho com você me deixa estranhamente animado.
— Já te falei que eu não vou engravidar só pra você se sentir feliz – fechei a cara pra ele – Você já tem a Nat, não precisa de outro filho, controla o cu.
Edward sorria como se soubesse de algo que eu não sei e esse sorrisinho presunçoso dele estava me dando nos nervos.
— Eu comprei algo pra você.
— Se for outro diamante, eu juro que te galo engolir ele por um buraco seu pouco utilizado – ameacei o fazendo rir.
— Não se preocupe, esse foi barato, não passou de 30 dólares.
— Então espero que seja de comer pois eu estou faminta.
— Imagino que sim – ele levantou indo até a mesa da cozinha e pegando uma sacola de lá.
Estranhei quando vi a logomarca de uma drogaria estampada na sacola branca. Ué, espero que ele tenha comprado camisinhas neon pra eu poder brincar com seu sabre de luz. O pensamento me fez rir.
— Eu quero que você os faça – falou me entregando a sacola.
Ué, ele quer que eu faça a camisinha? Como assim gente?
Desconfiada, peguei a sacola de suas mãos e meu corpo inteiro paralisou quando vi o conteúdo de dentro da sacola. O olhei horrorizada com os olhos arregalados e a boca aberta.
— Lúcifer de olhos verdes, é melhor você me dizer que está de brincadeira com a minha cara – respondi sentindo a raiva me dominar.
— Pareço estar de brincadeira? – cruzou os braços.
Sua expressão firme e séria como ele costuma usar, mas apenas na empresa.
Olhei para os testes de gravidez de farmácia que estavam na sacola. Só podia ser brincadeira. Ele tinha que estar brincando com aminha cara. Não tinha como eu estar grávida, eu tomava pílula e... PUTA QUE ME PARIU.
Isso era a ‘coisa importante’ que eu estava esquecendo. Quando Edward e eu terminamos, eu parei de tomar a pílula e no dia que ‘reatamos’, eu já estava duas semanas sem tomar a pílula e só voltei a tomar quase uma semana depois que voltamos a namorar.
NÃO. NÃO. NÃO.
Eu não posso estar grávida, não tenho como estar grávida. Deus, eu sinto como se fosse desmaiar e bom, talvez eu realmente tivesse desmaiado já que minha visão ficou turva.
Deus por favor, que isso seja apenas uma brincadeira de muito, muito mal gosto ou fruto da minha terrível imaginação.
SÓ PODE SER BRINCADEIRA!
(Continua...)
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