O chefe

37 Mini Lúcifer


Notas iniciais
Olá pessoal, tudo bem com vocês? Rsrsrsrs. Bom, como eu disse no cap anterior, a previsão era eu voltar só no fds, mas o governador do meu estado decretou que estamos em 'quarentena' e com isso as atividades no meu trabalho foram suspensas então... consegui voltar antes. Ainda estou em débito com vocês em responder aos comentários, eu sei, mas passei o dia escrevendo pra conseguir postar hoje, mas já que estou de quarentena forçada, vou conseguir responder todos, não desistam de mim, rsrsrsrs. É isso, espero que gostem e boa leitura ♥

Mini Lúcifer

▬ Bella ▬

Fiquei olhando pra cara de Edward esperando ele dizer que era brincadeira, que isso foi apenas uma piadinha de mal gosto e que é só mais uma das vezes que ele acha que está sendo engraçado, mas na verdade não está, porém, ele continuou me olhando seríssimo enquanto os testes de gravidez estavam em minhas mãos.

— Agora é a hora que você diz que é brincadeira e vai buscar o que você comprou pra mim de verdade – o instruí já que pelo visto ele não sabia o que fazer.

— Bella – ele sentou ao meu lado, sua expressão séria – Eu não estou brincando. Eu realmente acho que você muito provavelmente está grávida, por isso comprei os testes.

— Mas eu tomo pílula – fiz bico.

Ok, eu sei que passei aí um bom intervalo sem tomar a maldita pílula e após voltar a ter uma vida sexual ativa, ainda passei uma semana sem tomar, então... foda-se, ele tinha que me proteger do mesmo jeito.

— E pode acontecer do mesmo jeito. É 99% seguro, a questão é os 1% — explicou paciente me aproximando para me abraçar. Quis dizer que na verdade os 1% era o que eu tava protegida após ter esquecido de tomar por um mês, mas me abstive de falar – Faz o teste, pelo menos pra desencargo de consciência.

Respirei fundo me sentindo cansada e derrotada. Droga, ele não vai descansar enquanto eu não fizer a porcaria do teste.

— Ou a gente pode só esperar pra ver o qu...

— Não – me interrompeu – Faz o teste. Você tem trabalhado como louca, se for só cansaço, tudo bem, mas se você estiver grávida, aí vai precisar cuidar melhor de você.

IN-FER-NOOOOOOOO.

— Tudo bem Cullen, eu faço essa merda – ele sorriu vitorioso – Mas não quero fazer sozinha, então você vai ter que fazer um também, só pra eu não me sentir sozinha.

O sorriso no rosto dele sumiu dando lugar a uma expressão descrente.

— Tá de sacanagem, não está?

— Pareço estar? – imitei sua fala de mais cedo e cruzei os braços exatamente como ele fez.

— Bella isso é loucura.

— Não quero fazer sozinha, não tenho amigas mulheres, não vou pedir pra Nat fazer comigo e você quer mesmo que eu chame alguém da sua família pra me ajudar com isso?

— Por Deus, não – ele fez uma careta.

— Então... aqui tem dois, você faz um e eu faço o outro.

— Bella... – ele tentou protestar, mas me mantive firme.

— Então eu não faço, vamos deixar com que o tempo nos diga.

Ele me olhou avaliativo por um tempo e acho que percebeu que eu estava decidida a não fazer e bom, ele não conseguiria tirar xixi do meu corpo contra minha vontade apenas para fazer o teste. Edward fechou os olhos com força, respirou fundo e quando levantou o olhar para mim, sabia que ele tinha cedido. Mais uma vez Bella 1 x Lúcifer de olhos verdes 0.

[...]

— Eu nunca me senti tão humilhado em toda minha vida – Edward reclamou ao sair do banheiro com seu palitinho em mãos – Essa foi a coisa mais vergonhosa que já fiz na vida – ele balançou a cabeça como se afastasse um pensamento – Sua vez, vá fazer seu teste.

Ainda tentei dar um jeito de fugir disso, mas Edward foi categórico em me obrigar a fazer xixi no palitinho dizendo que ele já cumpriu a parte dele nesse acordo ‘humilhante’. Não tive pra onde fugir e fui fazer a porcaria do teste de farmácia.

Me senti incrivelmente ridícula fazendo xixi nesse negócio e quase meu espírito estabanado derruba o palitinho dentro do vaso quando pingou xixi em minha mão. Quis chorar de nojo, mas logo consegui terminar. voltei para a sala segurando o mais firme que o papel higiênico em volta do palitinho permitia. Eu não ia tocar nisso, era nojento.

— Você conseguiu? – Edward questionou quando saí no banheiro virando a cabeça para me olhar.

— Cadê seu palitinho? – perguntei alarmada – Fica com isso em mãos, não quero que troquemos e que eu acabe confundindo o seu com o meu. SEGURA SEU PALITINHO – gritei aborrecida quando vi que ele não se mexeu, apenas ficou olhando pra minha cara.

Aborrecido e contrariado, Edward ficou segurando seu palitinho e eu fiquei segurando o meu. Ele ficou conversando comigo para me ajudar a distrair e isso ajudou bastante, eu estava realmente nervosa e essa situação me deixava com os nervos a flor da pele. Quando passou o tempo indicado na caixa, Edward me questionou sobre o resultado e mesmo eu não querendo ver, ele insistiu para que eu conferisse.

— GRAÇAS A DEUS – gritei pulando empolgada – Negativo. Eu sabia, nada de bebês que inclusive eu não quero.

Respirei aliviada como não respirava desde que ele me dera os malditos testes. Enquanto eu estava comemorando, Edward por outro lado pareceu decepcionado. Ah claro, é bem ele que vai parir uma criança né. Pimenta no dos outros é refresco.

— Vê o seu – pedi.

— Pra que? Já sabemos o resultado do meu – ele deu de ombros.

— Vê logo, você vê, me dá e eu jogo os dois fora.

Ele revirou os olhos, mas pegou o teste dele de cima da mesinha de centro.

— Isso é ridíc... – ele parou olhando com o cenho franzido par ao objeto em suas mãos e do nada começou a gargalhar alto – Caralho – falou após sua crise histérica. Eu estava sem entender nada – Essa porra é muito zoada.

— O que foi? Eu quero rir também – perguntei curiosa correndo para o seu lado afim de encontrar o que é tão engraçado.

— O meu – ele não parava de rir – O meu deu positivo.

— Hum... você vai ser mamãe é? – brinquei – Caralho, eu te engravidei, será que sem perceber eu enfiei o dedo no seu...

— Nem continua sua frase – ele fechou a cara na hora.

Ri ainda mais e após passar a vontade de rir, me bateu o desespero. Se o palitinho dele deu o resultado errado, o meu também poderia ter dado... não poderia? Bom, eu prefiro me focar no fato de que o meu estava certo e o dele que veio com defeito. Claro que isso não foi desculpa suficiente para Edward que me arrastou em uma sexta a noite para o hospital central de Seattle para fazer um exame de sangue sob a justifica de ‘cobrar alguns favores’. Para que a felicidade não dura muito já que até agora temos: Bella 1 x Lúcifer de olhos verdes 1.

[...]

Quase três cansativas, infinitas e extensas horas depois, finalmente estávamos com o resultado em mãos. Eu respirava com dificuldade, esse não é como um teste de farmácia vagabundo que pode dar errado, esse é certeiro e o resultado que consta aqui é o que vai decidir minha vida por mim...

— Abre – Edward me apressou me forçando a sair do meu conflito interno.

— Para porra – briguei com ele – Tô aqui dramatizando tudo na minha mente e você tá atrapalhando seu empata pensamentos. Me deixa – respirei fundo uma vez mais – Não quero olhar, olha você.

Entreguei o envelope a ele. Trouxamente eu imaginei que ele ia ser solidário e compartilhar do meu drama também dizendo que não queria abrir, que isso poderia mudar nossas vidas e todas as coisas que ele devia ter dito, ao invés disso, ele apenas sorriu murmurando um ‘tudo bem’ e brutalmente rasgou o envelope correndo os olhos pelo conteúdo que constava ali.

Esperei nervosa enquanto ele lia o que estava escrito, meu coração acelerou suas batidas umas três vezes mais quando vi um sorriso se formando em seu rosto.

— O que diz aí? – perguntei mordendo o lábio com força sem conseguir conter o nervosismo – Não, não diz, eu não sei se quero saber... não diz sim. Ai Deus, eu estou vivendo um conflito.

Minha cabeça começou a doer, eram muitos pensamentos em minha mente e meu processor mental não era tão potente pra processar tudo com rapidez.

— Que em alguns meses nós teremos uma linda criança nos braços – ele respondeu sem tirar os olhos do papel em suas mãos.

— Hum... mas isso quer dizer que é positivo ou negativo? – ok, agora ele me olhou.

— Quer dizer que a criança que vamos ter é aquela que tá em mim que o teste deu positivo.

— Ogro.

— Você também não colabora – ele dobrou o papel de qualquer jeito o enfiando no bolso se apressando para me acomodar em seus braços – Deu positivo, nós vamos ser pais – ele dizia empolgado – Bom, eu vou ser pai de novo, você vai ser seu primeiro filho.

POSITIVO. POSITIVO. POSITIVO.

Isso ressoou por minha cabeça como um disco furado repetindo a mesma coisa um irritante número de vezes.

POSITIVO.

Caralho. Eu estou grávida, como pude ser tão irresponsável? Logo eu que sempre fui tão responsável. De repente uma tristeza sem fim começou a tomar conta do meu corpo, tudo o que eu queria era sentar e chorar num canto. Estava com raiva de mim mesma e com raiva de Edward porque ele era gostoso, transava bem, me fazia querer sentar nele o tempo todo e isso acabou resultando em uma gravidez indesejada. O empurrei com certa brutalidade o afastando pra longe e peguei o resultado do exame de seu bolso o rasgando em vários pedaços.

— Não vamos ter nada – bradei irritada – Eu não acredito nesse exame e eu não estou grávida – joguei os pedaços de papeis em minhas mãos na lixeira mais próxima e a passos duros, lhe dei as costas me direcionando para a saída do hospital.

— Ei – ele correu atrás de mim me segurando pelo braço, mas com raiva, puxei meu braço de volta – Espera. O que você? Você está com raiva?

— O que você acha? – eu era pura ironia – Eu sempre disse que não queria ter filhos. É uma escolha minha e você não respeitou isso.

— Eu não respeitei? – repetiu surpreso – Bella, eu não fiz esse filho sozinho e nem te forcei a nada. Tudo entre nós sempre foi consensual. Eu também não queria outro filho, mas essas coisas acontecem, apesar disso, não sei você, mas eu estou muito feliz por essa criança que vai vir. Você não está?

— Ah claro. Estou esbanjando felicidade. Olha, estou dando piruetas de felicidade. VIVAAAA.

Edward abriu a boca e fechou inúmeras vezes. Essa era uma das poucas vezes em que eu o via realmente sem palavras e sem saber o que dizer ou como proceder, mas eu estava do mesmo jeito. Para mim, meu mundo estava acabado e minha via arruinada.

— Eu vou pra casa – falei quando nenhum de nós sabia o que dizer.

— Eu vou co...

— Não – o interrompi – Eu quero ficar sozinha. Por favor, pode respeitar isso?

— Você sabe que não – Edward tentou tocar meu rosto, mas eu dei um passo para trás me esquivando do seu toque – Bella, amor, por favor. Não faz isso. Eu estou com você, vamos ter nosso filho juntos, eu sei que você está assustada e nervosa, mas...

— Mas nada, eu só quero ir embora. Por favor, não venha atrás de mim, eu quero ficar sozinha.

— Deixa pelo menos eu te levar pra casa, nós viemos no meu carro. Você está transtornada demais para ir de táxia, ônibus, trem ou o que for.

— Não, eu só quero distância de você agora, por favor – sem me importar ou esperar por sua resposta, corri para longe dele indo em direção a onde haviam alguns taxis parados em frente ao hospital.

O caminho inteiro fui segurando o choro. Eu não choraria na rua e ainda mais em frente a um estranho. Assim que cheguei em casa e fechei a porta, me permiti chorar tudo o que eu tinha pra chorar. Minha respiração estava pesada e esse era com certeza um péssimo momento para ter uma crise de asma, mas acho que era isso que estava acontecendo comigo.

Lembrei dos exercícios de respiração que Renée me ensinou quando era menor.

Inspira, expira, respira.

Repeti isso por não sei quantas vezes, perdi a conta na oitava vez. Isso não podia estar acontecendo comigo. Eu não podia estar grávida. Eu sabia que quando Edward e eu terminamos, tínhamos que ter nos mantido longe um do outro, reatarmos foi um erro e desse erro, viria outra pessoa. Deus, eu não quero cuidar de outra vida, eu mal cuido de mim mesma.

Abracei uma das minhas almofadas de flores que ficavam em cima do sofá e afundei meu rosto nela contendo a vontade de gritar de frustração. Por Deus, desde os 13 anos eu não tenho uma crise de ansiedade.

Eu estava suando frio, o ar não circulava pro meus pulmões, sentia meu corpo fraco e a náusea era crescente. Eu definitivamente estava tendo uma crise de ansiedade.

Eu queria falar com alguém, mas não tinha ninguém que eu pudesse falar. Renée pularia empolgada e tentaria me mostrar as maravilhas de ser mãe, o mesmo aconteceria com Alice, Esme ou Rosalie, minhas amigas da empresa... bom, não dá pra contar e eu não queria falar com Edward. Eu estou completamente sozinha.

O som alto e estridente da minha campainha preencheu o ambiente. Decidi ignorar e fingir que não ouvia, mas quando a pessoa do outro lado da porta começou a tocar a campainha freneticamente eu não consegui mais fingir que não havia ninguém ali. Só uma pessoa poderia estar batendo ali agora e era justamente a pessoa que eu não queria ver. Levantei enraivecida para abrir a porta.

— Eu já falei... – parei de falar ao ver Tanya parada na minha porta.

— Nossa, quanta revolta, isso cansa minha beleza sabia? – ela passou por mim entrando na minha casa sem esperar por um convite, não que ela precise de um – Cansa a sua também, continue assim e vai chegar aos 30 com cara de 40.

— Tany – sorri fracamente.

— Tanya – me corrigiu – Lembra do que eu falei sobre encurtar meu nome? Não gosto – ela fez uma careta – Bom, é sexta a noite, vamos beber – ela suspendeu uma garrafa de vinho que estava em suas mãos.

— Eu... Eu... – não sabia o que responder.

— Mas olha, eu não sou babá de ninguém e você fica bêbada rápido, então eu vou beber vinho, pra você, como eu sou legal vou fazer um coquetel de frutas sem álcool. De nada.

Ela não esperou por minha resposta, apenas saiu procurando por algumas coisas em minha cozinha e enquanto ela preparava o meu coquetel sem álcool, ela bebia seu vinho e conversávamos sobre assuntos aleatórios.

Fiquei eternamente grata por isso. Eu não queria falar sobre gravidez, não agora e Tanya apareceu bem no meio de uma crise de ansiedade e conversar com ela estava me acalmando e me ajudando a distrair.

— Você precisa ir a Nápoles, não sabe como lá é lindo – ela dizia empolgada bebericando elegantemente seu vinho – Você acha que já viu homens bonitos até ir até lá. Lá sim encontram-se os homens bonitos, ouro bom destino para você ir é Nice. Oh como aquele lugar é lindo... pega – ela me entregou meu coquetel sem álcool.

Tomei um gole e uau, estava uma delícia.

— Passei uma semana na cama de um barman quando fui a Nápoles, ele me ensinou muito mais do que preparar bebidas – ela sorriu sugestiva tirando os saltos os deixando em um canto da cozinha e indo sentar no sofá esticando suas longas pernas e as colocando sobre a mesa de centro da sala – Você tem muitas flores de pelúcia aqui, credo.

— Ei, olha a placa – apontei para minha placa.

— ‘Sinta-se em casa, mas lembre-se que não está’ – ela leu em voz baixa – Eu vou desconsiderar tudo o que vier após o ‘sinta-se em casa’ pois essa é a única parte que me interessa.

Apenas ri. Definitivamente eu estava mais calma. Minha respiração já havia se regularizado, a náusea já tinha passado e eu não estava mais suando frio. Tanya me contava diversas histórias de suas viagens e eu estava me divertindo muito, nunca vi tanto como estava rindo agora. Já bebia minha quinta dose de coquetel e tava até meio bêbada. Bizarro, eu sei.

— Pega – ela falou após sua décima taça de vinho, sim, eu estava contando. Tanya se inclinou sobre o sofá pegando uma caixa em sua bolsa e jogando-a para mim – Pra você comer e engordar de vez.

Não discuti. Minha boca salivou quando viu o chocolate. Se ela falou alguma coisa a mais, não sei, me foquei em enfiar a maior quantidade possível de chocolate na boca. Que coisa dos deuses.

— Sabe – ela chamou minha atenção – Eu lembro que quando eu engravidei na Nat, eu achei que minha vida estava acabada, que eu tinha perdido tudo que restava de bom na vida, eu queria morrer – ela falava pensativa – Daí pensei pior, pensei em abortar.

Sua fala me deixou tensa e rígida no meu lugar. Nunca imaginei que isso tivesse passado pela sua mente.

— Eu estava decidida, eu iria abortar, já dá pra imaginar que o Edward ficou louco e que quis me matar, não dá? – ela ria alto e eu só sorria sem graça.

Gente. Que louca.

— Mas a Nat é tão amorzinho, a melhor criança que eu já conheci – falei abismada.

— Eu sei disso... agora. Mas quando eu estava grávida, assustada e desesperada, eu não sabia. Eu não sabia como ia ser, eu não sabia o que me esperava, eu não sabia nem como segurar um bebê. Eu nem gostava de crianças – ela pareceu pensativa – Ele botou Rosalie pra ir atrás de mim e tentar me convencer que isso era uma loucura.

— E ela conseguiu?

Tanya me olhou com um sorriso zombeteiro no rosto.

— Bom, em janeiro faz 11 anos, me responsa você.

— Ah é né – sorri sem graça.

— Eu nunca disse a ninguém o que Rosalie e eu conversamos...

— E o que foi?

— Se você continuar me interrompendo não vai saber nunca porque eu vou ficar com raiva e vou embora – fiz um sinal com a mão indicando que não mais falaria – Ela falou um monte de coisa, nem sei, não lembro de nada. Me orgulho em dizer que entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Foram um monte de abobrinhas sobre as delícias de ser mãe e poder trazer uma vida ao mundo, nada disso me convenceu, mas daí ela pediu pra eu esperar até que o bebê chutasse pela primeira vez e depois disso, ela deixaria a decisão comigo e prometeu que faria com que todos respeitassem minha decisão. Eu concordei porque queria que os Cullen me deixassem em paz e prosseguir com minha vida.

Assenti concordando, queria que ela continuasse falando.

— Claro que quando o bebê já está grande o suficiente pra chutar, você não pode mais abortar – ela falou como se fosse óbvio – Mas eu não sabia disso. A espertinha da Rosalie sabia, aquela cachorra loira. De qualquer forma, Edward esteve ao meu lado o tempo todo, ele ia comigo a todas as consultas. Quando estava sozinha em casa, criei o hábito de conversar com minha barriga, me sentia ridícula, mas foda-se, não tinha ninguém olhando e olha que minha barriga nem estava grande. Lembro do dia que fomos fazer a ultrassom e eu ouvi o som do coração do meu bebê, me fiz de forte e fingi que não liguei só pra não perder a pose, mas nossa, eu fiquei apaixonada por aquele som, algumas semanas depois eu descobri o sexo do bebê, era uma menina, morre entre nós, mas eu quis chorar de emoção.

— Que coisa mais brega – fiz uma careta.

— Muito, por isso eu fingia que não me importava – ela concordou – Mas ainda assim, toda noite eu conversava com minha barriga. Virou um hábito, eu não me sentia sozinha, mesmo ninguém me respondendo. As semanas foram passando, minha briga foi crescendo e o peso foi ficando horrível, levantar era complicado, andar doía, deitar doía, tudo doía e era desconfortável, ainda assim, Edward estava comigo o tempo todo e nunca reclamou de nada, mesmo eu reclamando como louca. Um dia, enquanto eu tomava banho, eu senti um chute na minha barriga. Achei que estava morrendo – falou fazendo com que nós duas ríssemos – Demorou uns 3 minutos pra eu perceber que na verdade era meu bebê chutando. Quando eu senti meu bebê chutando eu fiquei ‘caralho, tem um ser humano dentro de mim’. Eu me senti no dever moral de proteger aquela coisinha pequena e dependente de mim. Então eu me toquei ‘eu não sou uma assassina’, como eu posso ter pensado em matar uma coisinha tão pequena e inocente.

— Voc...

— Calada, não terminei – ok né, depois dessa, me calei – Sabe, existem casos e casos. Tem pessoas que foram estupradas e engravidaram, pessoas que não tem instrução nenhuma na vida e engravidam sem ter condição financeira alguma de cuidar de uma criança e acabam abandonando a criança na rua e enfim, muitos casos. Eu não sou ninguém para julgar os motivos que levam uma pessoa a abortar, o corpo é dela, ela sabe o que é melhor para si e é ela que vai ter que conviver com a consciência dos seus atos e ninguém tem que julgar nada. Mas eu era diferente. Eu era instruída, eu sabia de todos os métodos contraceptivos, eu tinha condição financeira e psicológica de cuidar de uma criança e o pai queria a criança mais do que tudo no mundo, então... com que direito eu tiraria a oportunidade de alguém ter uma vida? Claro que isso foi algo que eu pensei só quando eu senti meu bebê mexer, antes disso, eu era egoísta.

— Você não teve medo, sabe... de tudo o que envolver ser mãe?

— Claro que tive – ela riu – As pessoas tendem a falar só das maravilhas, mas ninguém fala do lado ruim. Então... eu falarei pra você – Tanya se ajeitou em sua cadeira – É horrível, ninguém te ensina como se amamenta, você faz isso errado, seu peito racha, sangra e dói pra caralho, o bebê vai mamar e você sente que o demônio está arrancando sua alma com uma pinça. Você não dorme mais, o bebê acorda a noite inteira e você vira um zumbi, você perde sua vida todinha, vive em função de uma criança, tem que trocar fralda, Deus me livre, era meu desespero trocar fralda cagada. Edward sempre ria da minha cara, ele tinha mais facilidade com isso... menos nojo também. Quando seu filho fica doente, puta que pariu, você não pensa mais em nada, mais uma vez... vive em função disso. O bebê começa a chorar e você pede a Deus para que ele te arrebate e você não tenha mais que passar por isso.

— Isso é péssimo – falei por fim – Não me parece... por que você continuou com a Nat então?

— Porque ela é minha filha – respondeu séria – Ela foi a coisa mais perfeita que eu já fiz. Errei muito como mãe, muito mesmo e estou tentando corrigir isso. Mas Bella, apesar de tudo que tem de ruim, tudo isso parece um grande nada quando você troca a fralda do seu filho e ele te da um sorriso, quando seu peito tá todo fodido porque amamentou errado, mas vê seu bebê dormindo agarrada ao seu peito e com aquela expressão plena, você passaria por todo esse inferno de novo. Quando seu bebê adoece você se sente péssimo e incapaz e pede a Deus pra que você fique doente, mas não seu filho. Nada nunca vai te preparar pra ser mãe, nada nunca vai te preparar pra todas as sensações. Ser mãe é só... ser.

Fiquei refletindo sobre o que Tanya disse. Tudo me parece péssimo, não faz sentido e sendo honesta... na maior parte do tempo John ficou tocando uma música na minha mente e eu só fiquei vendo os lábios dela se mexerem. Parei de prestar atenção faz é tempo.

— A questão é... você quer tirar seu bebê? – sua pergunta me pegou de surpresa – Se você quiser, pode contar comigo. Eu te protejo dos Cullen e não vou deixar nenhum tentar te fazer mudar de ideia, é seu corpo, ninguém tem nada a ver com isso e é uma decisão só sua, pois é você quem vai conviver com as consequências disso pra sempre, então, pense bem. Pense de verdade, é sua consciência que está em jogo – ela sorriu compreensiva – Não vou falar isso outra vez, mas eu sou sua amiga, pode contar comigo.

Fiquei olhando pra cara de Tanya por um tempo. Eu até queria ficar emocionada por ela me chamar de amiga, mas ela me olhava como se esperasse por uma resposta. Nervosa, saí correndo me trancando em meu quarto. Tudo bem que no caminho eu pisei na pata do Colidir, mas ele sobreviveu.

Parei em frente ao espelho do meu quarto. Fiquei olhando minha imagem aí refletida. Meu olhar fixo em minha barriga, suspirei alto e suspendi minha blusa. Uau, minha barriga parecia pouca coisa maior, nada que se eu não soubesse da gravidez teria me feito notar, vai ver era tudo fruto da minha mente. Incerta, passei a mão sobre meu ventre que pelo visto tinha um tamanho psicológico.

— Você já tá me ouvindo? – disse acariciando a barriga – Olha não vou mentir não, eu nem queria você, nunca quis e você não foi planejado, mas já que está aí né... Será que podemos ser amigos? Promete não me chutar enquanto estiver aí que quando você nascer eu não te belisco – ri – Então... acordo de paz? – óbvio que ninguém me respondeu – Tanya tinha razão, isso é ridículo.

Voltei para a sala e Tanya sorria digitando alguma coisa no celular.

— Quero tirar não – falei voltando a me sentar no sofá a sua frente. Ela bloqueou a tela do celular e me olhou como se esperasse mais respostas – O bebê, não quero tirar. Deixa ele aí, já está aí mesmo. Vamos ver se com o tempo eu me desespero menos.

— Sábia decisão – ela sorriu – Mas eu já sabia que você não tiraria.

— Hum... ei, o Edward que te mandou aqui?

Touché— ela confirmou – Aliás, ele está sentado lá na porta do lado de fora esperando você decidir falar com ele. Ele tá arrasado, eu quase senti pena, mas daí lembrei que ele é filho da puta e a pena foi embora.

— Acho que eu tenho que falar com ele – mordi o lábio nervosa esfregando as mãos nas pernas.

— Pra que? Deixa ele lá, vai dizer que ele não merece ficar um tempo de castigo? Deixa ele, não é como se ele fosse embora a qualquer segundo. Se ele não te largou antes, não é agora que você tá buchuda que ele vai largar, pelo contrário, é agora mesmo que ele gruda em você. Enfim – ela levantou pegando sua taça – Mais coquetel?

Intercalei olhares nervosas entre Tanya e a porta. Tanya tem razão. Ele merece mesmo passar um tempo de castigo lá fora. Problema dele se ele tem um pau gostoso e me engravidou. Ninguém mandou. Ele que lute.

[...]

Já passava das uma da manhã quando Tanya decidiu ir embora. A deixei na porta e estava nervosa me questionando se Edward ainda estava ou não esperando do lado de fora.

— Mas é muito filha da puta mesmo – minha confirmação veio quando Tanya cruzou a porta e Edward levantou a olhando furioso – O combinado era você entrar, falar com ela e ir embora, não me deixar até de madrugada plantado do lado de fora.

— Eu ouço alguém, mas não vejo ninguém – ela colocou a mão no rosto fingindo procurar alguém – Ah, achei, tá aqui – ao dizer isso, ela mostrou a ele o dedo médio – Eu falei que viria, não falei que ia te obedecer e ir embora. Otário. Se fodeu – ela riu e logo se virou pra mim – Lembra da nossa conversa.

— Pode deixar, obrigada Tany.

— Tanya. Puta que pariu, meu nome é Tanya. Se você me chamar de Tany de novo eu nem olho mais na sua cara que logo vai estar gorda e redonda. Até mais – ela acenou e se virou indo embora sem olhar para trás.

Suspirei cansada. Edward segurou minha mão me puxando para dentro do apartamento nos acomodando no sofá. Apesar disso, ele parecia respeitar meu espaço e manter distância, mas já tive o suficiente de distância, me aproximei dele me aninhando em seus braços sendo prontamente recebida.

— Obrigada por ter dito para Tanya vir, acho que ela é a que mais me entende nessa situação – agradeci – A situação me pegou de surpresa, nunca quis ter filhos e agora estar grávida? Isso meio que foi demais pra mim e eu meio que surtei.

Edward sorriu compreensivo e passou a ponta dos dedos por meu rosto em uma carícia suave, gentil e acolhedora.

— Você é sempre surtada, Fiona – ele riu, eu revirei os olhos – Mas...

— Não vou tirar o bebê, se é isso que te preocupa – ele suspirou aliviado – Mas já fizemos uma trégua, ele não me chuta e eu não belisco ele quando nascer.

— Você tá de sacanagem, não está?

— Não. Falo seríssimo – sorri.

Edward me olhava horrorizado, pareceu eu falaria alguma coisa, mas logo desistiu falando a cabeça desacreditado.

— De qualquer forma... nós... estamos bem? Ainda namoramos, certo?

— Aí depende...

— Do que.

— Eu vou escolher o nome da criança. Se você implicar com isso então não, não namoramos, se você não implicar então estamos bem.

— Que tal se você escolher o nome do meio?

— Edward, eu estou começando a ficar estressada com você – fechei a cara pra ele.

— Tudo bem, não precisa se estressar, você pode escolher o nome – falou desgostoso – Só não se estresse, tudo bem?

Hum, se eu disser que tô estressada faz o que eu pedir? Interessante...

Ainda conversamos até quase duas e meia da manhã. Edward disse que marcou uma consulta pra mim com um obstetra na segunda ao meio dia e pediu/insistiu para que eu tirasse o dia de folga e fosse com ele para a empresa pois de lá nós iríamos para a consulta. Até concordei, eu tinha mesmo que ir buscar algumas coisas que deixei lá antes de ser demitida. Lembrar disso até me deixou com raiva.

Outra coisa que decidimos é que ainda não contaríamos para Nat sobre o novo bebê. Edward quer esperar confirmarmos que está tudo bem e que a gestação está tranquila e é sem riscos, segundo ele, os três primeiros meses são os mais delicados e ele não quer a deixar empolgada e... e não sei pois ele não continuou. Sei lá, ficou a dúvida no ar.

— Seus pais estão nos convidando para irmos almoçar com eles amanhã – falei encarando a tela do celular.

Edward franziu o cenho parecendo confuso.

— Esme não me disse nada.

— É que ela mandou no grupo – prendi o riso quando vi Edward fechando a cara desgostoso.

— Quero que se foda – falou mal humorado.

Coitado. Ele ainda é revoltado porque ninguém colocou ele no grupo. Se ele souber que a previsão é nem colocar...

Antes de ir deitar, coloquei comida e água para o Colidir. Não lembro quando foi a última vez que o dei comida ou água. Fui até a gaiolinha do Convergir e conferi se estava tudo bem com ele. Coloquei mais água e colocaria comida também, mas não lembro quando foi a última vez que ele comeu, acho que foi hoje... ou ontem, de qualquer forma, não quero pôr muita comida para minha múmia peluda pois ele pode engordar e ficar difícil de ele respirar já que suas costelinhas ainda estão enfaixadas.

— Edward – chamei sua atenção – Eu ainda não quero falar para sua família... ou pra minha sobra a gravidez. Sabe, que tal nesse começo mantermos apenas para nós dois?

— Como quiser – concordou.

Nos deitamos juntos na cama, Edward ficou que nem pomba lesa olhando pra minha barriga com um sorriso bobo e eu só conseguia pensar ‘que tapado’. Ele não sabe que minha barriga não vai falar com ele? Se não falou comigo, não é com ele que vai falar. Deixa ele sonhar.

— Você já pensou em algum nome? – perguntou acariciando minha barriga.

Isso estava me irritando.

— Não.

— Por favor, chega de nome com C – pediu com um sorriso – Já tem o Convergir, o Colidir, o Coagir que agora é Chia... acho que a cota de C já foi atingida.

— Acho que se for um menino nós podemos colocar Col...

— Não – me cortou – Chega de nomes com C. Seja mais criativa, Bella.

— Tome no seu rabo – bufei irritada.

Gostaria de dizer que consegui ficar bastante tempo acordada, porém pelo contrário, eu dormi e nem percebi quando.

[...]

— Lembre-se, nós não vamos contar agora, então mantenha sua boca grande fechada – o relembrei quando paramos o carro na garagem dos pais de Edward – Seja discreto, pode tirar esse olhar abestalhado de cima de mim e de querer ficar passando a mão na minha barriga até não querer mais. A parte de passar a mão é porque irrita.

— Todo mundo gosta de passar a mão na barriga de grávida.

— Então vai todo mundo levar um tapa na mão – fechei a cara – Tenho cara de mingau pra ser mexida? Eu hein. Já dizia Renée: O porco sabe o pau que se esfrega.

— Eu nunca vou entender esses ditados de vocês.

Ele me ajudou a sair do carro e segurou minha mão caminhando lado a lado comigo e me apoiando como se eu fosse cair a qualquer momento. Quis pensar se ele achava que eu estava doente ou algo assim, mas me contive, eu ia acabar me estressando e é tudo o que eu não queria. Se estressar dá sono.

— MEUS FILHOS – gritei alarmada – Eles vão morrer sem ar, vai buscar eles, Edward – ordenei quando estávamos próximos a entrada da casa.

Eu havia trago comigo John, o Convergir e o Colidir. Eu não quero afastar o Colidir do irmão, o Conv ainda tava mumificado e o John era meu amorzinho. Edward revirou os olhos, mas foi buscar os bichinhos.

O Colidir usava uma roupinha de balé rosa com um tutu super fofinho, o Conv estava mumificado, óbvio e o John estava com a roupinha que Rose comprou pra ele e claro que ele era o único qu eue carregava, o Conv tava na gaiolinha que Edward segurava e em sua outra mão ele segurava a coleira do Colidir que estava frenético querendo correr, mas sendo contido.

Pela manhã, Alice havia informado que tinha uma surpresa para todos nós. Espero que ela diga que está grávida. Aí eu não me fodo sozinha já que o sonho de princesa de Rosalie era ficar prenha.

— Ah, chegaram – Renée falou empolgada nos olhando.

No jardim debaixo de guarda-sóis estavam Rosalie, Esme, Renée, Alice, Charlie, Carlisle (e o Jadite/Coagir/Chia), Emmett, Jasper, Tanya, Nat e Matt. Acho que se eu tivesse dito ‘todo mundo’ teria sido mais rápido. De qualquer forma, todos estavam lá conversando animados e nos cumprimentaram com sorrisos no rosto. Nat correu para abraçar o pai e me abraçou em seguida.

Eu devia estar muito maternal pois queria abraçar ela e não soltar mais, mas assim que ela viu o Conv e o Colidir, ela pegou os bichinhos e foi pra dentro da casa sendo seguida por Matt que cumprimentou Edward educadamente e eu tive que dar uma cotovelada nele para que cumprimentasse o garoto de volta.

— E vocês – Esme começou a falar assim que nos sentamos nos lugares que ela indicou – Alguma novidade? – questionou casualmente tomando sua limonada, ou pelo menos eu queria acreditar que era limonada.

— Nã...

— Eu tô grávida – Edward começou a falar, mas eu acabei o interrompendo e soltando essa bomba.

Esme cuspiu sua bebida na cara de Edward, Charlie se entalou com sua própria saliva, Alice olhava chocada e Rosalie explodiu em uma alta e sonora gargalhada.

— Uau, que discreta – Edward ironizou com um sorriso, mas logo se virou pra mãe e fechou a cara – Que nojo mãe – pegou um guardanapo e se limpou aborrecido.

— Como assim? Como você está grávida? – Esme questionou aturdida.

— É simples amiga – Renée se meteu para falar – Seu filho colocou o pintinho dele na vag...

— CHEGA – interrompi antes que a conversa prosseguisse – Eu nem queria falar, só fiquei nervosa, entrei em pânico e acabei soltando. Não precisa fazerem alarde.

— Eu vou ser avô? – Charlie parecia estar em estado de choque – Eu sou novo demais pra isso.

— Você já passou foi da idade seu velho babão – mamãe rebateu – Com essa sua cara de acabado tá mais pra bisavô.

— Podemos por uma foto sua no berço do meu neto, aí sua cara feia espanta os mosquitos e os pesadelos – Renée mostrou o dedo médio para Charlie.

— Eu vou ter mais netos – Esme estava emocionada – Eu sempre quis a casa cheia de crianças. Eu vou estragar tanto essas crianças. Vou estragar eles pro mundo todinho e Edward não importa o quão chato e insuportável você seja. Você já me barrou com a Nat, mas agora nada mais me barra. Os filhos de vocês – apontou para Rose e eu – Vão ser tudo estragados e foda-se, vou ser aquela avó que estraga a criança mesmo.

— Menos dona Esme, menos – Edward revirou os olhos.

— Vocês já sabem o sexo do bebê? – Carlisle questionou fazendo algo que deixou todos surpresos: bloqueando a tela do celular.

Contudo, o filhote de vira lata continuava em seu colo usando seu elegante cardigã já que em dezembro a temperatura baixava e muito em Seattle.

— Só confirmamos a gravidez ontem – Edward foi mais rápido em responder e eu agradeci por isso – Foi... turbulento descobrir a gravidez, mas está tudo certo – ele olhou para Tanya como quem agradece algo.

Claro que a loira olhou pra ele e ergueu a mão lhe exibindo o dedo médio. Isso me fez rir e Edward retribuiu o gesto.

— Ah puta que me pariu. Até a Tanya soube primeiro? – Esme parecia ofendida.

— Claro, pessoas exclusivas primeiro, que culpa eu tenho se você é a avó chata?

— Vá tomar no cu Tanya, mulher chata da porra.

— E ainda assim eu soube primeiro da gravidez e quando descobrirem o sexo, eu vou saber antes de novo – a loira provocou.

— Se você fizer isso, eu juro que vou pessoalmente te matar – ela olhou ameaçadoramente para o filho.

— Quais nomes você tem em mente? – Renée questionou mudando de assunto.

— Não sei nem o sexo do bebê.

— Mas já tem que pensar.

— Pra que? – questionei confusa – Se for mulher e eu tiver pensado em nome de homem só vou ter perdido tempo.

— Se for menino pode ser Edward Anthony Cullen Junior – Rosalie sugeriu empolgada.

— Eu vou passar 9 meses sofrendo que nem uma condenada fodida pra esse mauricinho – apontei para Edward sentado ao meu lado – Receber o crédito e ficar com o nome? Nem fodendo, ele se quiser que vá parar uma criança.

— Eu não quero amaldiçoar mais alguém com o nome ‘Edward’ – ele rebateu – Mas algo me diz que vai ser uma menina.

— Ei, a vidente da família sou eu – Alice se manifestou – Pode parar de graça, Bozo do esgoto.

O celular de Jasper apitou e ele falou algo no ouvido de Alice que sorriu animada, em seguida, o loiro levantou se afastando e Alice entrou na casa voltando com uma Nat emburrada e um Matt babão atrás dela, nem preciso dizer que Edward se incomodou com isso, preciso?

Jasper retornou não muito tempo depois um uma garotinha de pele levemente bronzeada, cabelos e olhos negros como a noite e ela parecia tímida e ansiosa abraçada a seu coelho de pelúcia. Alice empolgada e saltitante foi para o lado do marido e apoiou a mão no ombro da garotinha. Todos olhávamos em expectativa querendo saber mais sobre isso.

— Família – Alice foi a primeira a falar – Como vocês sabem, o relógio biológico tocou para Jasper e eu, contudo, nós não queríamos engravidar, passar pelo processo de ter um filho, esperar crescer e tudo isso. Dá trabalho e eu não quero, por conta disso, decidimos adotar.

— Fomos a um orfanato na Califórnia e assim que nossos olhos pousaram nela, soubemos instantaneamente que era ela – Jasper tinha um brilho diferente no olhar – Quero que conheçam a Madison, nossa filha.

— Ela tem dez anos e como já deu pra perceber, é da Califórnia – Alice completou – Ontem conseguimos fechar todo o processo de adoção e nossa pequena chegou hoje – a baixinha se abaixou ao lado da garota, não que ela precisasse se abaixar, ela já era da altura da garota – Seja bem vinda a família pequena Mad, espero que você possa nos amar pois nós com certeza já te amamos.

— AAAAAAAA – o grito estridente de Esme chamou a atenção de todos, inclusive da Madison que olhou assustada e se encolheu em um canto – Eu não acredito que eu tenho outro neto e que você sua filha da puta não me contou que ela estava vindo. Como faz isso comigo? Eu queria ter dado um presente de boas vindas pra ela – brigou com Alice que tentou se justificar, mas Esme ignorou indo até Madison – Bem vinda Madison – ela puxou a garota para um abraço – Espero que você goste muito de mim pois eu vou te estragar pro mundo e vou ser sua avó favorita.

— Olá – a garotinha falou pela primeira vez.

Todos fomos cumprimentar a garotinha tímida de olhos negros. Ela pareceu um pouco assustada com a dinâmica da família, não demorou até que Nat passasse nos empurrando e chegando até a prima.

— Oi Mad, eu sou a Nat – ela se apresentou empolgada – Na verdade, meu nome é Natalie, mas você pode me chamar de Nat, nós vamos ser muito amigas, vamos ser melhores amigas e não se assusta com a família, ela é louca e se você se assustar sempre, vai viver traumatizada, faz que nem eu e finge que não tá vendo nada – ela riu – Aquele ali é meu pai – apontou para Edward – Aquela é minha mãe – apontou para Tanya que sorriu acenando – E essa – apontou para mim – É a namorada do meu pai, é uma longa história, eles não querem se casar, não entendi direito, aquele é o Matt – apontou para o amigo – Ele é meu amigo, mas vai ser seu amigo também. Vem, vamos lá pra dentro brincar com os bichinhos da Bella.

— Não, eu...

— VAI BRINCAR COMIGO SIM – Nat se irritou e isso assustou ainda mais a pequena Madison – Desculpa, mas você vai brincar comigo sim e vai me amar, porque eu não tenho primos e eu queria primos, agora vem, vamos ser amigas e brincar juntas, VEM MAAAAAATTT – gritou para o amigo e saiu puxando uma Madison assustada que olhou para Alice, mas ela apenas sorriu incentivando.

Ficamos todos nos olhando sem saber o acerto o que fazer e acabamos rindo.

A tarde foi bem agradável, por incrível que pareça, Madison se familiarizou rápido com Natalie e Matt, tão rápido que já estavam brincando como melhores amigos há séculos. A tarde seguiu com Renée e Charlie trocando farpas, Carlisle no candy crush ou alisando o Coagir/Chia e entre conversas descontraídas. Alguns cheiros me deixaram enjoadas, mas Rosalie dizia que era normal e que lá pelo terceiro mês isso parava, mas que a tendência por enquanto era pirar e que Deus me ajude.

[...]

— Edward, você já contratou alguém para me substituir? – questionei quando seu carro parou no estacionamento da empresa.

— Não – ele falou de cara fechada – Tem uma incompetente ocupando seu lugar, é uma estagiária que não sabe fazer nada direito e chora por tudo, ter tirado férias me ajudou a não a jogar pela janela – ele respirou fundo – Você aceita seu emprego de volta? Pelo amor de Deus, eu sinto falta de você organizando meu dia e de tudo.

— Hahahaha se fode aí otário – ri de seu desespero – Acho bem feito e espero que passe muita raiva.

— Já estou me fodendo – ele bufou irritado – Especialmente porque a tal Ana que tá ocupando seu lugar não sabe fazer nada direito e mandou uma agenda que foi feita porcamente.

— Isso é carma – dei de ombros – Se importa se você subir primeiro? Eu não quero subir com você, fica meio difícil falar com as pessoas com você por perto, ninguém gosta de você, sabe?

— Quero que todos se fodam – rebateu – Se fizerem seu trabalho direito pra mim já estará de bom tamanho. Acho sua ideia ridícula, mas vou concordar para não discutirmos – ele beijou meus lábios em um beijo rápido e sussurrou um ‘até depois’.

Esperei uns dez minutos depois que ele foi e só então subi. Notei que algumas pessoas me olhavam e cochichavam algo, mas ainda assim, me cumprimentavam.

— Hey – cumprimentei o grupo onde estavam Jess, Ang, Jane e Riley conversando – Há quanto tempo não os vejo – sorri educada.

Ang e Jess sorriram animadas me cumprimentando, mas Jane e Riley ficaram tensos e mantiveram sua postura profissional.

— Bom dia, senhorita Swan – Jane cumprimentou.

— Bom dia, Isabella – Riley foi bem menos formal.

— Gente, é só a Bella – Ang revirou os olhos.

— Não, é a mulher do nosso chefe – Jane corrigiu.

Notei que seu tom era muito mais carregado do que suas palavras permitiram demonstrar. Identifiquei esse tom de voz, é a Jane venenosa que fala mal das iniamigas de trabalho.

— Está querendo sugerir algo, Jane? – cruzei os braços a desafiando.

— Claro que não, senhorita Swan.

— Senhorita Swan é meu cu com 10 kg de areia sendo arrastado no asfalto quente – me irritei – Se quer dizer algo, fale na minha cara. Acha o que? Que vou sair correndo ir contar para o seu chefe? Pois fique tranquila, não farei nada disso, nunca abri uma palavra sobre nada que acontece aqui para ele e não é agora que farei isso. Nunca abri a boca pra soltar uma palavra de nada – olhei para ela e para Riley, eles sabiam do que eu falava – Sempre fui muito fiel a meus colegas de trabalho e não é agora que será diferente, mesmo você sendo uma filha da puta comigo. Meu caráter não mudou.

— Claro que não – ela sorriu irônica.

— Está por acaso insinuando que estou com Edward por interesse? – ela me olhou surpresa. Ei, eu posso ser lenta, mas algumas coisas ficam óbvias demais – Está dizendo isso por acaso?

— Nunca falei isso – ela assumiu uma postura séria e rígida, pareceu surpresa por eu ter entendido isso rápido – Fomos amigas por quase 3 anos e olha, devo confessar que nunca imaginei que você fosse baixa e mesquinha a esse ponto. Não sei você Jane, mas eu não sou assim, tudo que fui aqui foi sempre 100% verdadeira, não mudei quem sou e nem minha essência, não espere que eu te trate como amiga pois você claramente escolheu não ser, mas como eu disse, meu caráter não mudou, então não espere que eu vá fazer algo pra te prejudicar, pois eu realmente não farei isso – me virei para Riley – O mesmo vale para você Riley.

— Bella, eu... – ele respirou fundo – Sei lá, só estou meio puto com você, não sei exatamente porque, apenas estou. Uma hora vai passar, sei que vai, eu te adoro, mas essa hora não é agora. Apenas me desculpe sim? – ele sorriu gentil e logo nos deu as costas se distanciando dali.

— Gente, que bafão – Jess riu – Fazia tempo que isso aqui não ficava agitado assim. Adoro uma fofoca, quero mais polêmicas.

— E como vai sua confeitaria, Bells? – Ang questionou mudando de assunto – Jess e eu fomos lá na sexta passada no fim do expediente, mas só sua mãe estava lá, você não estava.

— Garota, você vende uns negócios lá muito maravilhosinhos – Jess se empolgou – Eu comprei um e tive que voltar pra comprar uns 10, passei o fim de semana inteiro comendo isso. Engordei uns 2 kg só com isso.

— Ah que bom que gostou Jess – sorri animada – E adoro fazer doces, sempre amei e Ang, é que eu tive qu...

— Isso realmente não me interessa, então com licença – Jane falou de forma rude para se retirar dali, mas antes que ela o fizesse, Edward apareceu por lá.

— JANE – ele gritou irritadíssimo. A loira me lançou um olhar desdenhoso como quem diz ‘fofoqueira’ e logo se virou pra ele – Tire aquela Ana da minha sala e do meu campo de visão, não precisa a mandar embora, apenas se certifique eu não precise mais olhar pra cara dela e me arranje um assistente decente e competente até amanhã ao meio dia. Se vire, dê seu jeito e eu sugiro começar a seleção agora – ele usou seu melhor tom ‘endiabrado’ e virou as costas saindo dali irritado.

Jane assentiu nervosa concordando e correu para longe dali em direção ao setor do RH. Espero que ela não consiga e se foda. Como eu disse, eu não faria nada para a prejudicar, mas isso não quer dizer que eu não poderia lhe desejar o mal.

Foda-se essa história de ‘deseje o bem, não olhe a quem’ ou seja lá como for o ditado. Eu, Isabella Swan quero mais é que se foda mesmo.

— Você tem transado com ele, Bella? – Jess questionou assim que ele se afastou o suficiente.

Respirei fundo.

— Até demais – concordei lembrando do pequeno ser em meu ventre – Tá com uns meses que eu descobri que o mau humor é patológico, não falta de sexo.

— Lembra quando você dizia que ele era uma alma atribulada? – Ang questionou, assenti concordando – Parabéns, você virou a senhora alma atribulada.

Gemi de frustração. Bem que eu reparei que minha alma está meio atribulada mesmo.

Ainda conversei com as duas últimas amigas que sobraram por mais um tempo, mas não quis as atrapalhar no trabalho e deixei com que fossem fazer suas funções. Fui até a sala de Edward e não pude deixar de me sentir nostálgica ao olhar meu antigo local de trabalho. Eu gostava do meu trabalho, claro que gosto infinitas vezes mais da minha confeitaria, mas eu realmente gostei de trabalhar aqui.

Olhei toda a papelada acumulada em cima da mesa que a coitada da estagiária não deu conta. A consulta será só as uma da tarde, ainda eram 7:40 da manhã, não estava fazendo nada, vou dar uma forcinha para o estressadinho ali dentro.

Sentei ali atrás da mesa, liguei o computador, peguei algumas das pastas dali e comecei montando a agenda semanal de Edward, ao menos a tal ‘Ana’ tinha anotado tudo o que tinha pra fazer na semana, ela só não organizou em forma de agenda, montei seus horários da semana, me certificando de colocar seus horários para comer, ir ao banheiro, suas reuniões, dias livres, dias cheios e tudo mais.

Resolvi ajudar quem fosse ocupar o cargo no futuro e deixei algumas instruções sobre como montar sua agenda, o número do restaurante que ele comia, com quem falar e suas limitações alimentícias: glúten e lactose. Organizei todos os contratos que estavam na pasta em cima da mesa, levei alguns para protocolar, voltei com outros e arrumei todos em pastas devidamente identificados, etiquetados, tudo bonitinho e ainda fui boazinha ao passar um café e levar pra ele em sua xícara. Claro que eu a desliguei. Não sou mais funcionária.

Apenas por ironia, bati em sua porta e óbvio que o mimadinho não ia falar nada. Velhos hábitos nunca mudam. Abri a porta do mesmo jeito o encontrando extremamente aborrecido vendo algo no computador.

— Você não bateu na porta – falou com sua voz de lúcifer manifestado.

— Vou bater é com a minha mão na sua cara – me aborreci também.

Edward confuso levantou o olhar e ao me ver, focou o olhar sobre mim por uns dois segundos até balançar a cabeça e esfregar as mãos no rosto freneticamente.

— Desculpe, eu achei que fosse algum funcionário, você não precisa bater, pode apenas entrar – ora não me diga, revirei os olhos – Estou vivendo um inferno nessa empresa. A estagiária que ocupava seu lugar é uma incompetente, não fez nada direito, confundiu todos os contratos, não montou minha agenda, me trouxe um café doce como o inferno. Eu estou perdido na porra dessa empresa.

— Pra sua sorte, eu sou um amorzinho e tenho bom coração – ele me olhou confuso e entreguei a ele a pasta com os documentos que ele precisaria e sua agenda – De nada, chefinho.

— Bella, você não...

— Eu sei – o cortei – Mas eu quis, não estava fazendo nada mesmo.

Ele sorriu empolgado ao pegar as pastas da minha mão e quase se ajoelhou aos meus pés ao ver sua agenda organizada.

— E ainda trouxe isso pra você – lhe entreguei a xícara com café.

— Porra sim – falou ao tomar um gole do seu café – Isso que é um café decente, mas... meu copo está desligado – franziu o cenho estendeu a xícara em minha direção.

— É? – ele assentiu concordando – Então enfia no cu.

Como era bom poder falar isso e não apenas pensar. A vida é Bella irmãos.

Bella 2 x lúcifer de olhos verdes 1.

[...]

— Você está nervosa? – Edward questionou enquanto esperávamos chamarem meu nome para a ultrassom.

Ele segurava minha mão acariciando e fazendo círculos em minha palma. Isso realmente me ajudava a manter a calma. Vez ou outra ele levava minha mão aos lábios depositando um beijo. Edward passou o braço ao meu redor me puxando para me aninhar em seu peito e eu fui de bom grado.

— Um pouco – segredei a ele – Hoje vamos ver o mini lúcifer, você não está nervoso?

— Olha as coisas que você fala do nosso filho – ele riu – Eu diria que ansioso, não nervoso – ele me pressionou mais contra ele – Eu falei sério quando disse que estava feliz por ter um filho com você, sinto muito, mas agora você está mesmo presa a mim.

— Bobo – ri – Edward, no dia que você me obrigou a ir trabalhar na sua casa, por que me deu um secador de cabelo quando eu disse que o meu quebrou? – perguntei mudando de assunto, mas eu queria saber – E não adianta negar, eu sei que foi você.

— Eu não ia negar, não ia deixar outra pessoa ficar com os créditos – ele riu – Não sei. Naquela época eu só gostava de você de forma profissional, você é esforçada, competente, sempre aguentou meu humor do cão e apesar de toda raiva que eu fazia você passar, você estava lá firme e forme todo dia sorrindo para mais um dia de trabalho. Me senti no dever moral de fazer isso – ele riu parecendo se lembrar de algo – Mas no dia seguinte quando você chegou na empresa com seus cabelos castanhos e seus olhos naturais, naquele momento Swan, naquele momento você me fez ser seu e nem sabia.

— Você ficava repetindo ‘você está diferente’ e eu dizia ‘obrigada’ pra cortar assunto porque achava que você queria dizer que eu estava assustadora, como dizia com minha antiga aparência.

— Longe disso, aquele era meu jeito de dizer ‘puta que pariu mulher, como você está linda’.

— Sério? Que jeito bosta.

— Ei, eu mereço um desc...

— Isabella Swan – fomos interrompidos por meu nome sendo chamado.

Levantei nervosamente sendo seguida por um Edward tão sorridente que minha vontade foi virar pra ele e estapear sua cara só pra tirar esse sorriso irritante da cara. É fácil sorrir quando não tem ninguém crescendo em você, né?! Filho da puta.

Me troquei no local indicado, vestindo a bata ridícula e me deixei onde me foi indicado. Eu tenho certeza que tinha uma carranca no rosto. Era mais engraçado quando Rosalie que estava aqui.

— Você é o irmão dela? – a médica perguntou sorrindo demasiadamente para Edward.

Era só o que me faltava. Já não bastava a médica de Rosalie ser puta, agora a minha também? Já chega. Quero ser atendida por um homem.

— Puta.

— Perdão? – a tal médica puta se virou para me olhar.

Vish, eu falei alto foi?

— Sou o pai, na verdade – Edward respondeu divertido ao notar que não consegui guardar as palavras para mim e falou desviando o foco de mim – Essa é Isabella, minha mulher.

Sorri vitoriosa olhando para a médica/puta.

— Exatamente.

— Ah – foi tudo o que ela disse – Então, preparados para conhecer o seu... bebê?

Tá fazendo pausa pra falar por que? Estreitei os olhos pra ela. Quero outra médica.

— Sim – Edward concordou animado – Não que eu vá ver algo, mas quero ouvir o coração do bebê e saber se está tudo bem.

Um gel gelado e melequento foi aplicado em minha barriga me fazendo estremecer. Que merda de sensação ruim. Ela o espalhou e pressionou um negócio da máquina em meu ventre e logo uma imagem borrada, feia e mais feia se formou na tela. Olhei para Edward e ele não aprecia entender muito mais do que eu através dessa confusão de imagens.

Ela explicou algumas coisas e claro que eu não entendi foi nada, apenas balancei a cabeça e sorri. Só lembrei do pinguem daquele filme Madagascar: ‘Apenas sorria e acene’. Meu lema de vida pra hoje.

— Prontos para ouvir o coração do bebê de vocês? – perguntou com um sorriso profissional no rosto.

— Sim – Edward e eu respondemos juntos.

A médica/puta apertou alguns botões, mexeu em outros e logo um som ecoou no cômodo. Ah, isso que é o coração é? Sei lá, imaginei que fosse ser mais emocionante. Edward estava emocionadíssimo sorrindo que nem abestado, eu só observada a cena. Nada demais.

Ok, conforme ouvia o som, me senti um pouco conquistada pelo barulho... ai que inferno, eu gosto desse som. Inferno de coração bonito batendo. Quero pôr como toque do meu celular.

— Ei, tem algo errado – Edward franziu o cenho confuso.

— Tem sim – a médica conformou olhando atentamente para a o visor e procurando por algo – Tem algo com o coração.

— O QUE? – me desesperei.

Não sei porque, mas me desesperei, como assim? Vão fazer esse som parar? Mas ele é tão bonitinho... me senti triste de repente e quando dei por mim, estava trêmula e Edward segurava minha mão com força.

— Oh...

— O que houve? – Edward questionou alarmado.

— Uau.

— Responde, porra – perdi a compostura – O que foi? Pra que tanto ‘uau’?

— Não tem nada errado com o coração – a médica sorria – Na verdade, está tudo bem, bem até demais... para dois bebês.

— É o que? – a olhei confusa – Me responde isso direito, minha senhora.

— Aqui – ela apontou para dois pontinhos minúsculos e brancos no monitor – Esses são seus bebês. Parabéns Isabella, vocês esperam dois bebês.

MAS PUTA QUE PARIU. O UNIVERSO SÓ PODE ESTAR DE SACANAGEM COM A MINHA CARA.

Eu acabo de aceitar a vinda de um bebê e vem uma filha da puta da casa do caralho me dizer que tem dois. Minha mão na cara dessa mulher. Isso só pode ser obra do Thanos, ou daquela filha da puta da Lilith. Caralho, vão se foder.

— Parabéns – a médica repetiu.

Parabéns o cacete.

Alguém me mata por favor? A hora é agora.

Universo, por favor... se exploda e tome no cu.

(Continua...)

Notas finais
Ai gente, o universo não dá uma folga pra Bella, kkkk. Vou dizer que amei esse momento da Bella com a tanya ♥ Meu coração até ficou apertadinho com a Bella dispensando o Edward, mas ainda bem que ela logo se resolveu com ele ♥ Jane e Riley que belos 'amigos' hein. Ao menos a Jess e a Ang não são amigas embustes. Me digam o que acharam do capítulo, comentem, vou adorar saber o que acharam e poxa, a fic está chegando ao fim e eu estou mega chorosa ):não quero ): Bom é isso, vocês podem me encontrar no twitter: @winterdxs e é isso. Vejo vocês no próximo capítulo ♥ 17.03.2020