O chefe
39 Malditas descobertas
Notas iniciais
Malditas descobertas
▬ Edward ▬
— MAS QUE INFERNO – bradei irritado – Que porra de demora é essa?
— Acalme-se Cullen – Tanya disse entediada – Faz apenas meia hora que ela entrou no centro cirúrgico, aquieta o cu.
— Concordo com a girafa albina filho, contenha-se – Esme falou afagando meu braço.
Por serem gêmeos, Bella optou por parto cesária e não pelo normal. Não a julgo por isso, se fosse comigo eu faria o mesmo, o problema é que essa demora está me matando. Não pude entrar no centro cirúrgico com ela. Esme e Alice vieram para me dar ‘apoio moral’, Tanya está aqui sabe Deus porque, mas como ela é amiga ou algo assim de Bella, acredito que seja por isso.
Nat e Madison estão na escola, Carlisle na empresa, Rosalie está com os gêmeos dela e Jasper e Emmett estão no trabalho, contudo, todos pediram para serem avisados quando as meninas nascerem.
Eu estava uma completa pilha de nervos, a hora não passava e eu estava à beira de um ataque de nervos. Apenas quase uma hora após Bella entrar no centro cirúrgico que eu recebi alguma notícia. As meninas haviam nascido, estavam bem e Bella ainda estava sedada e inconsciente. Ainda não tive a chance de as ver, as enfermeiras as levaram para limpá-las e fazer todos os procedimentos, mas ambas usavam pulseirinhas indicando o nome dos pais. Se alguém trocar minhas filhas, eu ferro com esse hospital.
Para mim, foram momentos de completo horror ter que ficar longe das minhas meninas, mas quando eu pude finalmente as conhecer, foi como se o mundo a minha volta tivesse parado. Elas eram tão pequenas, tão frágeis e dormiam tão tranquilas. Elas eram realmente idênticas, eu mesmo não saberia dizer quem era quem, ao menos não agora.
As duas nasceram com bastante cabelo na cabeça, tinham o cabelo castanho igual ao de Bella, o nariz arrebitado como o dela e eram tão brancas quanto eu. Eu estava morto de curiosidade para saber como eram seus olhos, torcia para que fosse igual aos da mãe. Elas eram incrivelmente lindas, a última vez que me senti tão feliz quanto estou agora foi quando Natalie nasceu, mas Nat era que nem a mãe, gostava de chamar atenção e chorava como a um bezerro desmamado só se acalmando quando a carreguei no colo e ela já tinha seus grandes olhos verdes abertos desde quando nasceu, diferente das gêmeas que pareciam querer fazer um mistério quanto a isso.
— Elas são lindas, filho – Esme parou ao meu lado apoiando a cabeça em meu ombro.
Passei o braço ao seu redor e não conseguia e nem queria conter o sorriso em meu rosto ao lembrar das minhas meninas. Com os documentos que o hospital forneceu, aproveitei que Bella ainda estava sedada e as meninas estavam dormindo para ir até o cartório mais próximo fazer o registro de nascimento delas e apenas quando voltei que Esme me encontrou e falou comigo.
— Sim, elas são absurdamente lindas – concordei – E eu estou feliz pra caralho.
— Imagino que sim, eu também estou muito feliz e estou mais feliz ainda pois agora você está formando uma família com alguém que você ama e que te ama de volta. Eu realmente achei que isso nunca fosse acontecer, sabia?
Revirei os olhos pra ela.
— A senhora é tão exagerada, dona Esme.
— Gostaria de estar brincando filho, mas você tem um puta humor do cão, não é todo mundo que está disposto a aguentar isso.
— Bella não aguenta – refleti – Acho que nos damos bem pois somos tão parecidos e tão diferentes ao mesmo tempo, o humor dela também é péssimo, acho que isso anula o humor um do outro e por isso convivemos tão bem. Sabia que nós quase não brigamos?
— Alguém divide a vida com você e não entra em colapso? Difícil de acreditar – ela brincou – Estou muito feliz em te ver feliz nojentinho e acho que você vai ficar mais feliz ainda agora que sabe que a Bella já acordou.
A olhei sem entender e quando entendi o que suas palavras significavam, a afastei gentilmente.
— Ok, tchau.
Ela apenas riu. Corri para o quarto dela, claro que eu tive que me esterilizar e colocar uma dessas batas de hospital por cima da roupa, mas isso não me incomodava. Assim que entrei no quarto, notei que Bella olhava ainda meio confusa ao seu redor e as meninas estavam em um berço próximo a cama dela.
— Olá mamãe – a cumprimentei atraindo a atenção dela para mim. Me aproximei da cama dela beijando o topo de sua cabeça, Bella sorriu fracamente para mim – Como se sente?
— Estranha? – ela sorriu – Não sei, honestamente não sinto nada, acho que ainda estou anestesiada.
— Já viu nossas meninas?
— Ah verdade, eu sabia que estava esquecendo de alguma coisa, as meninas – arregalei os olhos para ela que começou a rir – Calma, é brincadeira – ela riu mais ainda – Eu estava tentando as ver daqui, não sei se já estou autorizada a levantar e andar pelo quarto.
— Ainda não está – concordei – Mas elas são lindas, Bella.
— Não seja tão melodramático, Edward, são recém nascidas, bebês novos assim são estranhos.
Revirei os olhos para ela. Isabella é sensível como o coice de um cavalo. Andei até o berço onde elas estavam e peguei uma delas no colo indo até a cama onde Bella nos olhava com o lábio preso entre os dentes demonstrando seu nervosismo. Sentei ao seu lado com nossa filha no colo, Bella suspirou alto e seu rosto mudou de nervoso para derretido.
— Ah meu Deus, como ela é linda – sua voz era doce e eu posso jurar que ela estava lagrimando – Meu Deus, eu fiz mesmo uma coisinha tão linda como ela? – assenti concordando – Ela é tão pequena, parece tão fácil de quebrar e não é ruiva, poxa, estava contando em ter bebês ruivos de olhos verdes.
— Você quer segurá-la?
— Não – podia ver em seu rosto que ela estava triste – Ela é muito perfeitinha e frágil, eu tenho medo de quebra-la. Eu não iria me perdoar se a quebrasse, já pensou eu a derrubo? Não quero matar meu bebê.
— Eu te ajudo, não se preocupe – ofereci e apesar de receosa, ela aceitou.
Coloquei uma das meninas no colo dela, a ajudei a corrigir a posição dos seus braços e lhe mostrei onde ela tinha que segurar e onde dar mais atenção. Uma lágrima solitária escorreu por seu olho e nesse momento, ela parecia tão diferente da minha Bella, era como uma versão melhorada dela e eu estava ainda mais apaixonado por ela, se é que é possível me apaixonar ainda mais pela mesma mulher.
Enquanto Bella estava distraída olhando para a bebê em seus braços, fui até o berço e peguei nossa outra filha nos braços indo me sentar ao lado de Bella novamente. As duas ainda dormiam e estavam incrivelmente angelicais assim.
— Eu vou ser uma péssima mãe – a ouvi murmurar.
Parecia que ela falava com ela mesma.
— Por que diz isso?
— Porque eu não sei diferenciar nenhuma das duas, elas são iguais e pra mim são a mesma coisa.
— Se te servir de consolo, eu também não sei dizer quem é quem – ela desviou o olhar da bebê em seus braços para mim – Mas vamos aprender com o tempo, logo vamos saber as distinguir e identificar suas diferenças, mas enquanto não aprendemos, mandei fazer algo para nos ajudar.
Ela me olhou confusa e sem entender. Ajeitei a neném em meus braços e com certa dificuldade, tirei do bolso uma caixinha de veludo com duas pequenas pulseirinhas de ouro. Em uma pulseira estava escrito ‘Noralie’ e na outra ‘Sonyara’, mandei fazer de ouro para que o metal não causasse alergia a elas.
— Edward – Bella falou surpresa – Ai inferno, como você é perfeitinho, dá tanta vontade de socar sua cara bonita. Isso é genial.
— Eu sei – concordei – Então, quem vai ser a Nora e quem vai ser a Sony?
— Puta que pariu hein, vai começar com as perguntas difíceis? Elas são iguais, porra. Como eu vou saber quem vai ser quem? – sim, ainda é a minha Bella.
— Que tal assim, quem nasceu primeiro vai ser a Nora? Ordem alfabética, eu gosto de organização – sugeri.
— Você é mesmo uma alma atribulada – ela revirou os olhos – Certo, como vamos saber quem nasceu primeiro?
— Pela pulseira no braço – apontei para o braço da bebê em meus braços – Essa aqui nasceu às... 14:32h.
— 14:35h – ela fez uma careta – Essa vai ser a Sony.
— Então, a Sony ainda é a sua favorita?
— Ai, eu acho que não tenho uma favorita – suas bochechas se tingiram de vermelho – Nada de rir, se você rir eu vou ficar com raiva. Me deixa amar minhas meninas em paz.
— Eu não falei anda – sorri.
Com certa dificuldade, coloquei a pulseirinha de ouro com o nome ‘Noralie’ no braço esquerdo da bebê que eu segurava e ajudei Bella a colocar a pulseira de Sony no braço da bebê que ela segurava. Ficamos nós dois admirando nossas filhas adormecidas em nossos braços, foi só após uns dez minutos que Noralie abriu os olhos.
— Olhos verdes – Bella disse animada – Eu sabia que minhas filhas não iam ser as desprovidas da loteria genética que é a sua família. Obrigada Deus e universo... ei, as duas vão ter olhos verdes, né?
— Sim, as duas tem os olhos verdes – afirmei.
— Excelente.
Eu era um filho da puta sortudo pra caralho. Tinha uma filha linda, educada e inteligente, dividia a vida com a mulher que eu amo e acabamos de ter duas filhas incrivelmente lindas. Eu não poderia estar mais feliz.
▬ Bella ▬
— Ai meu Deus, isso é horrível e estranho – gemi de frustração enquanto Sony dormia agarrada ao meu peito – Que coisa mais bizarra, eu estou me sentindo a própria vaca leiteira.
— Seu peito tá gigante, puta que pariu, dá até vontade de pôr a boca – Edward me olhava com a sua maior e melhor cara de pervertido, mas eu só conseguia rir.
— Você dizendo isso segurando uma criança nos braços é bizarro – ri – Duas semanas se passaram e eu não matei ninguém e nem esqueci de alimentar ninguém. Isso é uma vitória na minha vida.
— Você sempre esquece de as alimentar, elas têm que se esgoelar de tanto chorar – Edward me olhava incrédulo.
— Eu ainda estou trabalhando nisso, ok? Se elas não falam que estão com fome, como vou saber que estão com fome? – me defendi – Além do mais, elas só se esgoelavam na primeira semana, essa semana eu estou mais atenta pros horários, até coloquei um despertador no celular.
Por serem duas, Edward e eu montamos uma rotina de horários para elas mamarem, elas estão apenas com duas semanas de vida e mamam apenas no peito, temo que em pouco tempo vão ter que ir para a fórmula pois eu não acho que meu corpo dá conta de produzir leite suficiente. De qualquer forma, intercalamos. Noralie mama meia hora antes da Sony e assim vivemos a vida.
Eu ainda acho a coisa mais bizarra do mundo ter alguém com a boca no meu peito, quer dizer, não que isso seja lá grande novidade pra mim, inclusive, amo quando Edward põe a boca no meu peito, mas daí já é uma situação totalmente diferente.
A primeira semana foi um inferno, Tanya estava certa quando disse que quando você amamentava errado era como se o demônio puxasse sua alma com uma pinça, mas Rosalie, Esme e a própria Tanya me ensinaram como fazer isso corretamente e agora amamentar não dói mais, é apenas estranho e horrível, mas no sentido de ser horrivelmente estranho. Edward tirou mais alguns dias de folga da empresa e fica em casa para me ajudar com as meninas.
O que eu mais gostava de ver era que Nat estava completamente apaixonada pelas irmãs, outro dia ela passou a noite inteira chorando quando lembrou que desejou que as irmãs não nascessem, mas Edward e eu conversamos com ela para que ela não ficasse triste com isso, que já passou e as irmãs perdoaram ela. Ah, esses dias eu quase morro também, Nat pediu para segurar a Sony e quase a derruba no chão, meu espírito saiu do meu corpo e voltou. Edward foi mais rápido e segurou a pequena antes que ela fosse ao chão. Desde esse dia, Nat está barrada de segurar as irmãs.
Meus pais vêm constantemente ver as netas, Charlie está todo babão com elas e Renée acha que eu não vejo, mas eu a vejo tentando beliscar a bochecha delas. Azar o dela que beliscou a bochecha da Nora no exato momento em que Edward entrou no quarto. Quase me mijo de rir com Edward brigando com ela e Renée querendo ir chorar num cantinho. Esse momento foi épico, eu devia ter filmado.
— Mês que vem você faz 27 anos – Edward falou interrompendo os devaneios que passam por minha mente – Como você se sente?
— Exausta – suspirei alto soltando o ar pela boca – Eu sinto falta de dormir a noite toda, acordar meio dia e foda-se o mundo todinho... caralho, acabei de perceber que não faz nem um ano que nós namoramos e já temos dois filhos, moramos juntos e puta merda, isso foi rápido demais.
— Você está arrependida?
— Para de fazer pergunta difícil – brinquei jogando nele uma almofada – Me recuso a responder isso.
— Você ama sua vida agora que eu sei – ele piscou brincalhão pra mim.
Revirei os olhos pra ele. Ele está 100% certo, mas não precisa saber disso. Aproveitei que Sony já estava dormindo e a coloquei no berço, Edward fez o mesmo levantando da cama e deixando a Nora no berço ao lado do da irmã. Acho que a melhor coisa que fizemos foi colocar uma cama de casal aqui no quarto das meninas, ainda mais se considerar que eu passo mais tempo aqui do que no meu quarto, de fato.
Aproveitei que as duas estavam dormindo e liguei para Renée, queria saber como estava a cafeteria, como estavam os negócios. Apesar de eu não poder ir lá com tanta frequência como gostaria, eu nunca me ausento totalmente, tento estar presente nem que seja por telefone.
Assim que desliguei o telefone, vi a cabeleira ruiva de Natalie na porta. Na primeira semana, ela chegava gritando em casa chamando pelas irmãs e foi apenas quando descobrimos o quão potente podem ser as cordas vocais das duas quando são acordadas que estabelecemos a ‘lei do silêncio’: você só pode falar alto quando elas estão acordadas. Por isso as chamamos de Sonora, a super duplinha. Tá, a parte do ‘super duplinha’ só eu chamo, mas o Sonora pegou. É uma mistura de Sonyara + Noralie e é um trocadilho para o fato de que elas conseguem chorar bem alto.
— Cadê elas? – a pequena diaba ruiva perguntou olhando para os berços e vendo-as dormir – Mas elas só vivem dormindo, duas preguiçosas. Como elas vão me amar e me idolatrar se elas só vivem dormindo?
— Quanto estresse boneca, o que aconteceu na escola hoje? – Edward puxou Nat pelo braço para abraça-la – Me conta, o que foi?
— A Mad que só quer ficar perto do Matt – a pequena bufou irritada – Eu quero fazer coisas de menina com ela e ela fica chamando ele, ele é menino, não quer fazer coisas de menina, aí eu fiquei com raiva e expulsei ela da minha rodinha.
— Fofinha, você já parou pra pensar que a Mad pode gostar do seu amigo? – sugeri.
Natalie e Edward me lançaram olhares irritados. O que foi? Pode acontecer.
— Ela tem 11 anos, ela tem que gostar é dos pais dela – Nat estava ainda mais irritada – Ela não sabe que é criança? Deixa pra gostar dele quando ela crescer, mas daí vai ser azar o dela porque o Matt falou que nós vamos nos casar.
— Você não tinha jogado água nele por isso? – Edward a olhou desconfiado – Isso foi o seu ‘não’, correto?
— Isso foi o meu ‘me deixa em paz que eu ainda sou criança, quando eu crescer eu penso nisso’.
— Filha, lembra que quando você casar, você não vai mais morar comigo...
— Deixa ela em paz, Edward – olhei feio pra ele – Daqui a pouco você e a Mad fazem as pazes, vocês sempre fazem, são melhores amigas, lembra?
— No momento, meu melhor amigo é aquele cannoli de chocolate maravilhoso que você fez.
— Ah... eu comi – sorri sem graça – Estava com fome.
— Então você é minha melhor inimiga agora – Nat me olhou de cara fechada – Eu vou embora pois já fui humilhada o suficiente.
— Será que as duas vão ter esse gênio quando forem maiores? – questionei divertida após Nat deixar o quarto.
— Acho difícil, isso é a herança da maldita genética de Tanya – Edward riu.
Ri de volta. As vezes, Nat realmente age como a mãe.
[...]
— Eu fiz uma nova tatuagem – Edward falou empolgado quando chegou em casa.
Ele havia ido na empresa resolver alguns assuntos, só não imaginei que ele ia voltar com uma nova tatuagem.
— E fez sem mim? Que filho da puta egoísta.
— Você ainda amamenta – ele riu enquanto tirava seu paletó e desabotoava sua blusa. Ele quer é me seduzir isso sim – Olha aqui.
Edward me mostrou o interior do seu braço que não tinha tatuagem antes, estava os símbolos ‘XVII VIII MMXX’. Hum... interessante, números romanos... ok, ele já pode me dizer o que significa.
— É a data de nascimento das gêmeas, 17/08/2020 – explicou ao ver a confusão no meu rosto.
— Ah... legal, mas vocês ingleses tem essa mania estranha de colocar o dia antes do mês, é estranho, vocês são estranhos... daqui a um ano eu faço mais algumas também e se você me estressar, eu tiro seu nome do meu pé.
— Eu te estresso todo dia, se você não tirou antes, não tira mais – piscou pra mim.
Abusado. Mostrei o dedo médio pra ele.
— Puta que pariu Bella, tira esse pulguento de perto delas.
Olhei para a direção que Edward olhava e não pude deixar de sorrir. Agora as duas já tinha quatro meses e estavam no tapetinho brincando com o Colidir. Agora que ele brincava com as duas e elas transformaram ele em bff, eu era mais atenta pro banho dele, agora ele tomava banho todo dia, espero que isso seja saudável pra ele.
— Elas o amam, sinto informar – dei de ombros – Além do que, é saudável a relação entre bebês e animais.
— Tipo o seu rato encardido que você não faz ideia de onde está?
— A Nat guardou o Conv em algum lugar, espero que ele esteja alimentado.
— Oi princesas, sentiram falta do papai? – Edward com uma voz melosa.
Eu tinha que prender o riso. Eu nunca me acostumei em o ver todo meloso pro lado das duas. Era até estranho na verdade porque ele é todo lúcifer manifestado, todo malvado, com essa postura assustadora e a cara de malvado que ele faz e quando chega aqui fica derretido com suas garotinhas que não tem nem um metro. Acho engraçado.
Não vou mentir, de vez em quando, eu ainda tinha dificuldade em identificar quem era a Nora e quem era a Sony, elas são muito parecidas, mas a pulseirinha que Edward as deu quando nasceram ajuda bastante, de forma geral, eu sei quem é quem, mas nem sempre.
Aproveitei que ele estava em casa, era cedo e o deixei cuidando das duas, tinha que ir até a confeitaria e sairia com Rosalie, Esme, Renée e Alice para fazermos algumas compras de natal eue inclusive, seria daqui a uma semana.
— Quem é vivo sempre aparece – Lauren me cumprimentou assim que entrei – Bem vinda de volta, Bella.
— Muito engraçadinha você minha jovem – mostrei a língua pra ela – Como vão as coisas por aqui?
– Turbulentas – Emily aparece saindo da cozinha com uma torta embalada nas mãos – Esse ano temos o triplo de encomendas em relação ao ano passado, não sei daremos conta de tudo.
— Eu fico responsável por algumas, posso fazer em casa e trago algumas para a confeitaria para quanto o cliente vier buscar.
— Você nos ajudaria muito com isso, Bella – falou, seu rosto mostrando o alivio que ela sentia com isso.
Imagino que deva ter ficado pesado para ela e para Bree. Quando eu estava grávida, ainda consegui ajudar mais, mas depois que as gêmeas nasceram, o trabalho ficou inteiro para elas e eu não achava justo as explorar desse jeito. Combinei com Emily e Bree a divisão das encomendas, claro que elas ainda foram compreensivas e por saberem que eu tenho duas bebês pequenas em casa, não me deixaram com tanto trabalho assim, mas o que eu fiquei já foi suficiente para as deixar mais tranquilas.
Enquanto esperava Renée terminar o que tinha pra fazer na confeitaria, peguei o celular para ligar para Edward, eu sempre ficava preocupada quando tinha que sair de casa e deixava as duas com ele. Tudo bem que ele é bem mais experiente que eu nesse negócio de ser pai e ele que me ensinou a trocar uma fralda, dar banho, segurar um bebê e essas coisas, mas mesmo assim, não sei se confio nas habilidades dele pra cuidar de uma criança, afinal de contas, ele é homem e homem sempre faz alguma besteira. Fui para fora da confeitaria afim de me afastar do barulho das conversas dos clientes e antes que pudesse discar, ouvi me chamarem.
— Ora se não é Isabella Swan – quase gemi de frustração ao ouvir essa voz.
Respirei fundo umas duas vezes antes de ter o desprazer em me virar para olhar a cara cínica e irritante de Jacob.
— Olá, Jacob – cumprimentei sem vontade – Como vai? – apesar da minha falta de vontade, eu tentava ser educada.
— Eu vou bem, mas pelo visto você está ótima – ele sorriu sarcástico – Soube que conseguiu dar o golpe da barriga em Edward, mas olha... antes ele do que eu, mas é como dizem né, alguém tinha que se foder.
— Sim e graças a Deus não foi eu, imagine a tortura que seria ter algo que me ligasse a você? Eu certamente morreria – ironizei.
— Ah claro, é que eu esqueci que você “o ama” e essa gravidez foi só o “amor de vocês transbordando” – sua ironia palpável enquanto Jacob fazia aspas no ar – Apenas o “amor”.
— Quantos anos você acha que eu tenho? 12? Seja menos infantil Jacob. Eu não tenho que te provar nada sobre minha vida ou meu relacionamento com Edward. Apenas aceite que ele é mais homem do que um dia você seria, agora se você dá licença.
— Confeitaria legal – apontou com a cabeça para o local atrás dele – Edward fez um ótimo trabalho escolhendo o lugar.
— Sim, ele tem bom gosto – concordei com um sorriso no rosto ao lembrar que ele que me trouxe aqui.
— Ainda bem que ele comprou essa confeitaria pra você, assim você pode dizer que tem um trabalho – Jacob sorriu vitorioso – Eu vou indo, feliz natal, Isabella.
Não tive como responder nada, ainda estava um pouco atônita com as suas palavras. O que ele quis dizer com ‘ainda bem que Edward comprou essa confeitaria pra você’? Oh não. Não, não, não. Eu sempre soube que esse imóvel estava abaixo do preço de mercado, mas... não, Edward não faria isso, ele sabe que... oh porra.
— Conseguiu falar com ele? – a voz de Renée me trouxe de volta a realidade.
— Ainda não liguei – tentei disfarçar meu estado – Vou... eu, vou ver se Emily e Bree precisam de algo, pode ligar pra mim e ver se está tudo bem? – empurrei meu telefone para suas mãos – Obrigada.
Corri até o banheiro da confeitaria me trancando ali dentro. Joguei um pouco de água em meu rosto e encarei meu reflexo no espelho. Não é possível que Edward tenha mentido para mim por tanto tempo. Sim, mentido, pois eu lembro muito bem do dia que estávamos no cinema assistindo Aladdin e eu lhe contei sobre Jacob, lembro dele falando que Jacob mentiu por omissão para mim e ele foi bem enfático em afirmar que omitir também era uma forma de mentir, sendo assim, por quanto tempo ele tem mentido para mim?
Acho que é inútil dizer que perdi o ânimo em fazer as compras de natal, ainda assim, fui com as meninas fazer compras. Rosalie empolgadíssima comprou vários conjuntinhos para os bebês dela, Alice comprou muitas roupas para a Mad e eu forcei toda empolgação que consegui. Comprei umas roupas para Nat, uma roupa de natal para Edward. Sim, apenas de eu estar bem chateada com ele, eu sei que se eu não comprar ele não compra e isso estragaria a foto de família, então enquanto ele ainda está no benefício da dúvida, vou fazer isso, pois sou uma alma generosa. Para mim comprei também uma roupa e muitas, MUITAS, roupinhas para a Nora e a Sony. Deus, como eu sentia falta das minhas pequenas.
Eu ainda consegui me empolgar com as compras, era divertido tirar um momento assim apenas com as mulheres, me ajudava a equilibrar minha vida.
— Mãe, por que a senhora está levando roupas masculinas? – perguntei ao estranhar ver as roupas em sua sacola de compras – Você e o Phil se reconciliaram e ele está vindo?
— Ah não, isso aqui é porque Charlie não... – ela parou de falar ao ver que todas olhávamos para ela – Ok, podem tirar essa cara de felicidade de vocês, nada está acontecendo, Charlie me pagou para comprar roupas pra ele e como a Bella diz, eu sou muito cadelinha do capitalismo sim, então aceitei. Não se iludam.
— Suspeito... – Esme comentou – Depois nós conversamos amiga, sua cara não me engana, engana elas que são novas e ingênuas, mas não a mim.
— Ei – Rosalie exclamou contrariada – Eu posso te ouvir, mãe.
— Eu também posso te ouvir. E daí?
Às sete da noite e depois de eu já estar morrendo de saudade e preocupação das minhas meninas, me despedi de todas e voltei praticamente correndo para a casa. ao chegar, na sala apenas o Colidir estava deitado próximo ao sofá, o Convergir estava correndo na roda que tinha em sua gaiolinha e a casa estava silenciosa demais.
Fui até o quarto das gêmeas e as duas estavam dormindo. Não resisti, tive que me aproximar para dar um cheiro nelas e me apaixonei um pouco mais pelo cheirinho de talco e colônia infantil que exalava delas, Edward deve ter dado banho antes de as pôr para dormir. Após meu conflito interno sobre ficar aqui as olhando dormir ou não, decidi ir procurar por Edward, eu precisava conversar com ele.
O encontrei no quarto de Nat, ela estava deitada em seu peito, ele tinha um braço ao redor dela e lia uma história em um livro e pela sua empolgação ao ler a história, com certeza não percebeu que ela já estava dormindo. Entendi o porquê de ela já estar dormindo quando consegui ler o título do livro ‘Administração empresarial’. Entendo, eu também já teria dormido depois dessa.
— Ela já dormiu, você sabe, não sabe? – falei em tom de voz baixo, atraindo sua atenção para mim.
Ao me ver, Edward deu um dos seus lindos sorrisos, daqueles que são capaz de aquecer meu coração e me derreter toda, mas não agora, agora eu só estava potassa com ele e queria gritar um pouco.
— Podemos conversar? – pedi antes que ele pudesse falar algo.
Edward franziu o cenho visivelmente confuso, ele parecia desconfiado, mas concordou. Ajeitou Nat na cama, beijou sua cabeça, a cobriu com o lençol e deixamos o quarto da pequena diaba ruiva. Ele tentou me abraçar, mas dei um sorriso forçado ao me esquivar do seu toque e apenas virei as costas indo até a sala.
Estava nervosa e um pouco ansiosa, por isso, contra a vontade do Colidir, o carreguei o apoiando em meu colo e sentei no sofá. Meu filhinho de quatro patas apenas estava me servindo como escudo para evitar ser inebriada com o toque familiar, acolhedor e erótico de Edward. Céus, eu preciso transar, acho que está com três dias desde a última vez que fizemos sexo... Nossa, acho que estou mal acostumada.
— Bella? – despertei dos pensamentos aleatórios quando ouvi Edward me chamar – Você queria conversar? Aconteceu algo?
— Acho que sim, mas isso é algo que eu gostaria que você me respondesse – ele ficou em silêncio e entendi isso como um sinal para continuar falando – Encontrei com Jacob hoje no lado de fora da cafeteria – óbvio que ele ia revirar os olhos, eu teria a mesma reação ao ouvir o nome do indesejado – Mas ele me falou algo que me fez pensar.
— Pelo amor de deus, não acredito que você vai mesmo escolher dar ouvidos a ele, Bella...
— Ele falou algo sobre você ter comprado o lugar que é a cafeteria – o interrompi despejando tudo que eu tinha pra falar – Edward, você fez isso?
— Sim. Então vendi para você – falou como se não fosse grande coisa – Há algo errado?
Ele tá de sacanagem com a minha cara, não está? Ele só pode estar de sacanagem com a porra da minha cara. Eu não acredito que ele tem a cara de pau de falar algo desse tipo assim de forma tão simples e direta e ainda ser cínico a ponto de perguntar se tem ‘algo errado’.
Fechei as mãos em punho com força e só me lembrei que meu peludinho grande estava no meu colo quando ele chorou reclamando. Me senti culpada por o machucar e passei a mão em sua costa acariciando meu doce e querido vira lata caramelo. Nossa, como o pelo dele é macio e brilhante. Será que se eu usar o shampoo dele meu cabelo fica brilhante e macio assim também ou isso é algo exclusivo dos vira lata caramelo? Eu honestamente acho que as pessoas deviam estudar os vira lata caramelo. Já perceberam como eles são amorosos, fofos, lindos, quando bem cuidados o pelo é brilhante e como são super gente fina? Sério, quero que me mostrem um cachorro melhor que um vira lata caramelo. No que eu estava pensando? Olhei para o teto confusa, só lembro de pensar em usar o shampoo do Colidir...
— Bella? – Edward me chamou.
Ah sim, lembrei.
— Sério Edward? – fechei a cara pra ele – Por que fez isso? Eu sempre deixei tão claro pra você que queria fazer isso sozinha, por mim mesma. Não pensou em mim quando fez isso? Não quero ter minhas conquistas atribuídas a você. Sabe como foi humilhante ouvir Jacob dizendo ‘ainda bem que ele comprou pra você, assim pode dizer que tem um emprego’? Já é péssimo o suficiente para mim ter que conviver com algumas línguas malvadas chamando minhas filhas de ‘golpe do baú’ e agora isso? Por que tem que ser tão egoísta?
— Essa é sua preocupação? O que as pessoas dizem? – questionou incrédulo – Bella, o ser humano é sequelado e fodido pra caralho, claro que haverão pessoas de índole duvidosa para tentar desmerecer qualquer coisa que você faça...
— A questão não é essa – o interrompi – A questão foi você ter passado por cima de uma vontade mim e ainda ter mentido pra mim. Não é você o homem do ‘mentir por omissão’? eu lembro quando contei a você sobre Jacob e você fez todo um discurso e ainda fez questão de enfatizar que omissão também é uma forma de mentir – queria gritar, tacar alguma coisa na parede, mas as gêmeas e Nat estavam dormindo tão tranquilas que não quis perturbar a paz delas – Sabe o que mais me irrita nessa história toda? É o fato de você ter escondido isso de mim. Qual é a parte do ‘não vamos ter segredos entre nós’ que você não entende? Caralho Edward.
— Verdade, eu disse isso – ele coçou a nuca, mas não parecia desconfortável ou abalado com minha irritação – Bella, vou ser bem honesto com você. Comprei o local sim e sendo mais honesto ainda, eu te daria o imóvel, sem pensar duas vezes, seu dinheiro não me interesse nem um pouco, mas não fiz isso pois sei que é orgulhosa o suficiente para recusar, o que é um erro pois orgulho pode te levar muito longe e te deixar lá sozinha. É tão egoísta a forma como você fala ‘minhas conquistas atribuídas a você’. Somos um casal, porra, devemos nos apoiar, não sei você, mas toda e qualquer conquista que eu tenha eu atribuo a você pois quero dividir tudo que eu tenho contigo. Isso é partilhar a vida com alguém.
— Você mentiu pra mim – acusei.
— Eu não me arrependo de ter comprado a cafeteria pra você, não é vergonha precisar da ajuda de alguém para começar alguma coisa. Hoje em dia eu tenho prestígio no que faço, mas acha que isso começou como? No começo eu era apenas o cara que era filho do dono na empresa e por isso tinha uma boa posição, foi assim por muito tempo até que percebessem que eu ocupava o cargo que ocupada por pura competência. Não é como eu comecei que me definiu, foi minha competência e meu jeito de trabalhar. Acha que seus clientes estão preocupados com quem comprou ou deixou de comprar o local? Eles estão pouco se fodendo pra isso, vão lá por causa dos doces que você faz, vão porque o jeito acolhedor, inovador e de ambiente familiar que você criou pra confeitaria é o que os agrada e os faz voltar todo dia. Sua confeitaria está ficando conhecida e requisitada e eu não tenho porra nenhuma a ver isso, é tudo mérito exclusivamente seu, eu ter comprado o local foi apenas um incentivo.
— Você deveria gastar seu dinheiro com você, não comigo – rebati.
— Sério, depois de tudo que eu disse, você não absorveu nada? – questionou incrédulo.
NÃÃÃÃÃO. Será que ele ainda não sabe que quando falam muito meu cérebro se desliga, eu paro de prestar atenção e o John toca uma música pra mim? Não prestei atenção em quase nada pois estava pensando na maciez e no brilho do pelo do Colidir e ninguém pode me julgar por isso. Tá, até podem, mas que julgue cada um em sua própria mente.
— Quantas vezes mais eu vou ter que repetir que o dinheiro não representa nada pra mim? Bella eu não me importo em ter que comprar um imóvel pra você se isso te deixa feliz, foda-se a porra toda, eu gasto com o que me faz feliz e eu fico muito feliz te fazendo feliz. Caso você não saiba, é uma merda ter que ficar de fora olhando quando eu claramente posso ajudar e por isso, me senti obrigado a ajudar e caso se pergunte, não, eu não me arrependo e faria tudo de novo.
Bufei contrariada. Claro que ele não se importa e faria tudo de novo. Ele é um egoísta do caramba. Levantei irritada com meu doce e querido vira lata caramelo no colo e o deixei sozinho na sala. Não sei porque eu achei que ele iria me entender, profissionalmente, ele já está onde queria estar, ninguém o questiona por isso e ele não precisa provar nada a ninguém. Ninguém aponta o dedo pra ele dizendo que ele só está onde está por causa do pai dele. É muito fácil assim.
Edward não veio atrás de mim e por um lado, eu estava agradecida por isso. Estava irritada demais com ele para manter um diálogo pacífico. Deixei o Colidir na caminha dele e fui direto tomar um banho, sequei o cabelo e me joguei na cama. Não sei exatamente que horas fui dormir, mas ainda fiquei esperando que Edward viesse falar comigo, ele não veio e adormeci com o pensamento que ele era um idiota egoísta e egocêntrico.
Acordei com o som agudo do choro de uma das gêmeas e tive a infelicidade de notar que o meu lado da cama estava vazio e gelado denunciando que Edward não veio deitar comigo. Respirei fundo, mas ele é muito mimado mesmo, Esme o estragou para o mundo. Olhei o horário no meu celular e vi que era quase duas da manhã. Contra a vontade dos meus músculos que queriam permanecer na cama, me arrastei até o quarto das gêmeas, era hora de uma delas mamar e seu choro denunciava isso.
A porta estava escorada, abri devagar e paralisei na porta ao ver Edward com uma delas no colo. Ele segurava a mamadeira com o leite que eu tirava do peito e se sentou na poltrona com a neném no colo. Só olhando assim de longe, eu não sabia dizer quem era ela, mas creio que seja a Noralie já que ela mama antes da Sony.
— Oi meu amor, sentiu saudade do papai? – não contive o sorriso bobo no meu rosto ao ver Edward conversando com a filha e sorri mais ainda ao ver que a neném em seu colo sorria de volta pra ele – Papai ama esse sorriso, então mantenha o sorriso no rosto, não precisa chorar, conheço seus horários princesa, mas você está querendo quebrar a rotina? Agora era pra ser a Nora, filha, não você.
Oh, então é a Sony.
Edward conferiu a temperatura do leite em sua mão e após se certificar que estava tudo bem, colocou a mamadeira na boca da Sony.
— Eu vou te contar uma coisa, mas tem que ficar apenas entre nós tudo bem? – ele conversava com Sony e não pareceu notar minha presença na porta – Sua mãe as vezes me tira tanto do sério, ela é tão cabeça dura, mas eu a amo tanto e gostaria que as vezes ela fosse mais condescendente. Ela é meio louca e tem a incrível capacidade de transformar chuvisco em dilúvio, não vou mentir, eu gosto disso nela, mas as vezes isso me aborrece, de qualquer forma, você tem que me prometer que vão ser menos cabeça dura quando forem maiores. Vocês tem que dar uma folga pro pai de vocês, todas as mulheres da minha vida são loucas e sendo honesto, eu tenho 99% de certeza que vocês vão ser também, mas você e sua irmã tem que se revezar, se forem ao mesmo tempo, eu vou surtar.
Eu achava que a minha mente que era completamente full aleatória, mas pelo visto, a mente de Edward funciona do mesmo jeito... ou é a convivência, jamais saberemos. Então ele me acha cabeça dura? Dura é minha mão batendo na cara bonita dele.
— Eu mal posso esperar para que você e sua irmã comecem a falar e a andar, mas também vou sentir falta dessa época que vocês são completamente dependentes de mim, mas não importa em qual fase da vida vocês estejam, a única certeza é que eu vou amar você e sua irmã com todo meu coração. Ta aí outra coisa, sua mãe acha que eu não tenho coração, errada ela não está, mas para algumas pessoas eu tenho coração e meu coração é todinho seu, da Nora, da Nat e da sua mãe e eu vou sempre fazer de tudo pra proteger vocês. Prometo a você.
Ok, talvez meu coração tenha amolecido agora e talvez eu que tenha sido um pouco egoísta e egocêntrica, vou atribuir que nessa escala de culpa, estamos 50/50 e é um empate. Não tem o que fazer, eu sou muito apaixonada por esse homem e não acho que algum dia eu vá deixar de o amar. Eu posso ver o quanto ele também está chateado com nossa discussão de mais cedo e pra mim isso era uma merda.
No momento em que Noralie acordou chorando pois estava na hora de ela mamar, usei isso como desculpa para entrar no quarto e não revelar que estava ouvindo seu monólogo com a Sony.
— Ouvi um choro, está tudo bem por aqui? – coloquei a cabeça para dentro do quarto como se tivesse acabado de chegar.
— Mais ou menos, Sony acordou antes, a Nora só está acordando agora, você pode... – ele apontou com a cabeça para o berço onde Noralie chorava.
— Claro – concordei. Fui até o berço pegando minha pequena nos braços – Deixa mamãe ver essa fralda – conferi e vi que ainda estava sequinha – Tá com fome meu amor?
— Senta aqui – Edward levantou da poltrona de amamentação com Sony no colo – Eu sento na cama.
Apenas concordei com um aceno de cabeça. Sentei posicionando Nora no meu colo e desci a alça da minha camisola posicionando a pequena em meu peito para mamar. Fiquei a observando mamar até que seus olhinhos fechassem. Alguns meses atrás se alguém me dissesse que meu passa tempo favorito seria observar minhas filhas mamando até dormir, eu iria dar uma puta de uma gargalhada na cara da pessoa e dizer ‘você não conhece Isabella Swan’, hoje em dia, eu acho que eu também não me conhecia pois não consigo imaginar uma diversão melhor que essa, bom, até consigo, mas envolve eu e Edward sem roupa e eu sentando nele como se não houvesse amanhã e de diferentes formas. Essa é definitivamente uma diversão melhor...
— Você fica linda amamentando – a voz de Edward me trouxe novamente a realidade – Eu amo te ver amamentando, acho que a melhor visão do mundo pra mim e se torna melhor por saber que eu sou o único que pode ter essa visão.
Senti meu rosto corar de vergonha. Ele com os pensamentos todo puro e todo amorzinho e eu aqui pensando em diferentes formas de sentar nele. Bom, eu que não me arrependo dos meus pensamentos.
— Por que você está vermelha? – questionou – Você estava pensando imoralidade não estava?
— A menos que você leia mentes, jamais saberá essa resposta – respondi prendendo o riso.
— Tava sim sua mentirosa – ele gargalhou.
— Vai se foder, Edward, que homem irritante – mostrei a língua para ele.
Isso o fez rir mais ainda. Desviei o olhar me recusando a olhar pra ele, era pura birra. Quando Noralie adormeceu, a coloquei de volta no berço e Edward fez o mesmo com a Sony e por mais que eu quisesse ficar lá olhando as duas dormirem, eu tinha que me resolver com ele.
— Vem, vamos conversar – segurei em sua mão o conduzindo para fora do quarto.
Edward respirou fundo, mas veio comigo. Nos sentamos no sofá e notei que ele mantinha certa distância, eu odiava essa distância, virei estranha por acaso?
— Me desculpe – falei sem rodeios – Eu fiquei chateada por você ter escondido de mim que comprou o local e também fiquei irritada por ter comprado, mas você está certo, não prestei atenção em todo seu discurso, mas sei que você está certo, eu lembro de ter ouvido a parte do ‘casal compartilha’ e acho que o resto todo deve ter girado em torno disso.
— Óbvio que você não prestou atenção – ele revirou os olhos – Nem me iludo com isso, mas falei sério Bella...
— Só não fala muito se não meu cérebro se desliga – advinha qual foi a resposta dele? Exatamente, me mostrar o dedo médio – Continue.
— Me desculpe também, você está certa, eu menti por omissão, mas não me arrependo, não tem dinheiro no mundo que pague a felicidade que eu sinto quando vejo você empolgada e feliz com sua confeitaria, como eu disse antes, não foi eu que fiz isso acontecer, foi você. O lugar eventualmente você arranjaria, se não aquele, outro, só ia levar um pouco mais de tempo.
— Sim, talvez eu meio que tenha exagerado um pouco também – ele concordou e ficamos em silêncio – Tá bom, você já pode me abraçar, para de graça e com essa palhaçada de ficar distante – ele apenas me olhou divertido, mas não se mexeu do lugar. Isso me irritou e lhe dei um tapa forte no braço.
— Filha da puta – bradou em voz baixa esfregando o peito – Você tem mãos de homens e isso dói pra caralho.
— Problema seu, vem me abraçar que você tem a obrigação de me amar.
— Não faço isso por obrigação – falou enquanto seus braços me acolhiam em um abraço confortável e familiar.
Tenho certeza que eu nasci para ficar nesses braços e não importa o que as pessoas digam, eu pertenço a este abraço.
— Eu sei, pra sua sorte se não teria que fazer do mesmo jeito, eu ia te obrigar – ambos rimos – Sem mais segredos entre nós, sim?
— Sim – concordou.
— Então, tem algo que você ainda esconda de mim?
— Sim – o olhei assustada. Isso era uma pergunta retórica, não imaginei que fosse de fato ter uma resposta – Sabe quando você me contou sobre você e Jacob terem um certo envolvimento? – assenti concordando – Eu já sabia disso. Eu estava procurando minha agenda semanal na sua mesa e vi o cartão que ele te enviou, ele te chamava de ‘minha quase namorada’, foi brega e o cartão tinha umas palavras de qualidade duvidosa. Aí você entrou na sala e foi quando eu não te reconheci, o resto você já sabe.
Meu queixo caiu em surpresa.
— Não acredito – exclamei – Você parecia não saber de nada quando eu te contei. Você é mesmo a porra de um cínico cara de pau. Sua cara nem tremeu, o Oscar tá perdendo esse talento. Puta que pariu.
— O que você esperava que eu fizesse? Dizer que li seu cartão? Eu que não faria isso e você não pode me julgar, eu sei que você sempre lia os cartões de aniversário que Esme me mandava, sua fofoqueira.
Ri com a lembrança e ri mais ainda por achar que ele nunca soube disso.
— Eu achava que ela era uma namorada sua ou algo assim e ei, como você sabe que eu lia?
— Eu já te vi lendo, mas fingi que não vi.
— Ai que vergonha – cobri o rosto com as mãos.
— Você sempre foi fofoqueira, era irritante, mas eu gostava de ter você perto, nunca entendi porque, apenas gostava e hoje em dia eu entendo, é porque você já estava no meu caminho, nós que demoramos demais a ver isso.
— Ai que poético, brega e cafona, mas poético – ri quando ele me mostrou o dedo médio novamente – Então, tem algo mais que eu deveria saber?
— Sim...
— Porra, ainda? – questionei incrédula – Quantos segredos você esconde, Cullen?
— Só mais alguns, prometo, a segunda coisa é: como eu já sabia sobre você e Jacob porque li o cartão, eu fiz de propósito você ligar para Jacob e falar pessoalmente com ele. Você poderia ter apenas mandado mensagem para a assistente dele, mas eu estava com raiva porque você destruiu as flores que eu te enviei e disse que apenas as dele importavam. Fiquei cego de raiva e propositalmente fiz você ligar.
— Você é realmente uma criança mimada – disse com raiva – Porra Edward, você acha divertido brincar de ‘Deus’ por acaso?
— Não. Não me orgulho disso, foi uma atitude infantil, eu sei, mas também não me arrependo, olha onde estamos agora. Moramos juntos, temos duas filhas lindas e Nat está feliz como nunca a vi antes. É como você diz ‘eu não tenho arrependimentos na minha vida’.
Revirei os olhos contrariada e levemente irritada. Ele é um cara de pau e a cara nem treme. Cínico, se você for procurar no dicionário a definição de cínico, com certeza vai encontrar uma foto da cara dele estampada.
— E o que mais você ainda me esconde? – cruzei os braços sobre o peito.
— Sabe aquele arroz doce que você faz todo domingo?
— O que tem ele?
— Eu odeio – meu queixo caiu em surpresa – É arroz Bella, isso é comida, foi feito pra ser salgado, sozinho é até bom, mas porra, você nos faz comer isso com macarrão, carne, frango e outras coisas, aí fica doce com comida salgada. Acho horrível e a Nat não gosta também e todo domingo eu tenho que suborna-la para que ela não diga que não gosta. Então por favor, faça como sobremesa, mas não como parte do prato principal, eu não sei se aguento comer outro arroz doce com carne, frango ou peixe.
Eu estava sem palavras. Todo domingo eles dizem que adoram e por isso que eu continuo fazendo.
— Tome no seu rabo Edward – respondi com raiva – Por que falou que gostou então? se tivesse dito que não gostou eu não continuaria fazendo.
— Eu gosto, mas não pra comer com o prato principal. Pelo amor de Deus Bella, domingo passado você fez salmão com ervas e serviu com arroz doce. Arroz doce, tinha canela, canela com salmão, salmão com arroz doce. Não dá nem pra me culpar, mas em minha defesa, eu gosto da cara de felicidade que você faz quando eu digo que gosto do arroz doce.
— É isso, você vai dormir no sofá.
— Depois de colocar essas coisas pra fora, eu me sinto até mais leve – Edward suspirou aliviado – Principalmente a do arroz, estava me consumindo.
— Caro Edward Cullen, foda-se e vá se foder – levantei ultrajada do sofá.
Estava no meu caminho de volta para o quarto e ainda pude ouvir atrás de mim Edward rindo e chamando meu nome. Foda-se, ele que durma no sofá.
Mentira, ele vai dormir comigo, mas primeiro vou fazer um pouco de charme e não o deixar entrar no quarto, sabe como é, isso ajuda a manter a chama da paixão acesa. Edward Cullen com certeza estará na minha cama essa noite.
[...]
— Vai estar de babá hoje, Cullen? – Tanya ironizou sorridente ao ver Edward vestido para ir para a empresa e carregando a bolsa de Noralie no ombro e Sony no colo.
— Não Tanya, eu estarei de pai, pois eu sou pai, não babá – respondeu ríspido fazendo o sorriso no rosto da loira morrer.
— Ai o pisão – Rosalie falou fingindo uma tosse.
Isso fez com que Renée, Alice e Esme rissem descontroladamente, no entanto, Tanya pareceu não se abalar por isso, apenas virou o rosto mexendo no celular.
Como me dividi com Emily e Bree em relação as encomendas de natal que a confeitaria recebeu e que deveriam ser entregues até amanhã, Edward decidiu que me ajudaria levando uma das gêmeas com ele para a empresa e daí eu ficaria responsável apenas por uma. Eu até cogitei a hipótese de lhe dizer que Alice, Esme e Rosalie vieram me ajudar, Tanya estava aqui pra ser bonita mesmo. Ela agregava a equipe, mas claro que eu jamais diria isso a elas... menos a Tanya, isso eu já disse a uma um milhão de vezes.
Também pensei em dizer que ele estava levando a Sony e não a Nora, mas ela estava com a pulseirinha dela e ele perceberia quando a bebê chorasse mais que o habitual. Era automático, se Edward estivesse por perto e não estivesse com Sony nos braços, ela chorava, a garota era obsessiva com o pai... a Nora também, mas em menor intensidade.
— Cuida direito dela Edward, vê se não a esquece na sua sala, entendeu? – orientei séria.
— Bella, foi você quem levou as duas pra cafeteria e as esqueceu lá – ele fechou a cara pra mim – Aliás, eu nunca deixo de ficar possuído de raiva quando lembro disso.
— Eu nunca...
— Esqueceu sim.
— Eu vi.
— Esqueceu.
— Foi você.
— Eu estava lá.
Antes que eu pudesse terminar minha frase, as cinco amigas da onça e servas do diabo estavam me acusando. Qual é, eu voltei quando percebi que elas não estavam no carro, aliás, minha mãe estava lá, eu só as deixei um pouco mais de tempo na companhia da avó.
Olhei feio para todas elas e mostrei o dedo médio. Vou já expulsar todas daqui.
Me despedi de Edward o deixando um milhão de instruções, ele apenas revirava os olhos e dizia saber cuidar bem dela e que não a esqueceria em lugar nenhum.
— A propósito, eu sei que é a Sony – ele piscou pra mim antes de beijar meus lábios e se distanciar da porta levando minha filha nos braços.
E ele nem precisou olhar pra pulseira. Suspirei apaixonada, eu estou muito excitada com essa versão pai dedicado dele. Daddyward é tudo na minha vida e eu não nego.
Rosalie trouxe os gêmeos dela juntos. Meg e Ryan eram quatro meses mais velhos que Sony e Nora, então, enquanto minhas meninas tinham apenas 4 meses, os dois já tinham 8 e eles já estavam na fase de levantar, dar dois passinhos e caírem.
Deus, por favor, me perdoe, mas eu não tenho palavras pra explicar o quanto eu acho engraçado quando eles caem, também acho bem mais engraçado quando eles caem, se assustam e acabam chorando. Eu sei, é feio achar graça disso, mas juro que é na melhor das intenções.
Esme e Renée não paravam de babar nos netos, inclusive, Renée era audaciosa demais em considerar os bebês de Rosalie e a filha de Alice como netos dela também. A mulher estava louca.
Como elas me fizeram o fazer de vigiar a bebê que ficou comigo, consegui terminar todas as encomendas restantes, embalar com as embalagens contento o logo da confeitaria, que inclusive, mandei fazer um logo e levei a tempo para a confeitaria. Como estávamos muito atarefadas e não conseguiríamos dar conta de tudo, tive que contratar dois adolescentes com carro para fazerem as entregas. No fim do dia, eu estava exausta, quebrada, morta e não sabia mais se quem estava comigo era a Sony ou a Nora e fiquei com preguiça de ler na pulseira. Pelo menos deu tudo certo e nenhum atraso nas encomendas.
[...]
Edward cismou que queria fazer o natal na nossa casa, eu disse que não queria pois óbvio: trabalho para mim, então, de forma muito sábia, madura e centrada como dois adultos, decidimos no pedra, papel, tesoura. Claro que o próprio lúcifer manifestado ia usar seus poderes malignos em prol de si mesmo e me fez perder, como castigo, ele que lavaria as louças e arrumaria tudo.
— Quero deixar registrado que eu estou me sentindo ridicularizado – Edward reclamou fazendo cara feia ao se olhar no espelho – Eu não vou usar essa porra.
Eu havia comprado a ele um suéter vermelho com uma grande rena na frente e na costa o rabo da rena e ao apertar o nariz, ela cantava. Claro que era só pra sacanear ele e tirar umas fotos engraçadas e o fazer passar vergonha. O suéter era horrível.
— Vai sim, vamos todos usar.
— Isso é humilhante, Bella. Você vai querer postar isso no instagram, eu tenho certeza. Eu me recuso a ser visto usando isso.
— Vai usar sim, vamos ser a típica e normal família tradicional americana que usar suéteres combinando no natal.
— Agora você quer ser típica e normal? Devia ter pensado nisso quando escolheu Noralie e Sonyara como nomes – ele revirou os olhos – Sabe que toda noite eu digo a elas que é culpa sua, não sabe?
— Pois então eu direi que você que concordou e ainda foi lá fazer o registro delas.
— Me arrependo até hoje – ele suspirou alto – De qualquer forma, não vou usar isso.
— Tudo bem, eu só estava tentando te sacanear com esse suéter mesmo – ri – Pode vestir qualquer outra coisa.
— Eu faria isso de qualquer forma – ele deu de ombros.
Oh sim, eu com certeza vou pôr trigo na comida dele.
Questionei se Nat precisava da minha ajuda, contudo, ela simplesmente me dispensou. É bizarro pensar que no próximo mês ela faz 12 anos. Edward em ajudou a arrumar as gêmeas e as manter aquecidas já que já estava nevando em Seattle e após as arrumar, eu fui eu mesma me arrumar.
Eu estou muito chocada comigo mesma, nunca, em todos os meus 27 anos de vida eu imaginei que eu iria sediar uma festa de natal, na minha casa, com a minha família e que nesse processo, eu teria duas filhas, bom, três pois eu considero a Nat minha filha também, foda-se.
Fiquei parada na sala observando tudo atentamente, um grande sorriso no meu rosto. A casa estava toda decorada para o natal e em breve nossos convidados chegariam. Caralho, eu estou tão feliz que sinto que já posso explodir. Minha vida está tão diferente de tudo que eu imaginei, mas ainda assim, está tão melhor do que tudo que já se passo pela minha mente. Quem diria que Isabella Swan seria uma excelente mãe? Ok, excelente talvez seja um pouco de exagero, mas eu me esforço.
— Uma moeda por seus pensamentos? – senti os braços de Edward me envolvendo minha cintura por trás.
— Só uma moeda? Com todo esse dinheiro você me daria só uma moeda? Que mão de vaca senhor Cullen.- brinquei... mas era sério.
— Um dólar?
— Isso explica porque você continua rico. Não abre a mão pra nada. Tenho certeza que se você atravessasse um rio a nado com efervescente na mão, ele ainda estaria inteirinho quando você chegasse ao outro lado.
— Eu não entendi?
— Quis dizer que você não abre a mão pra nada. Pão duro.
— Você tem cada analogia estranha – ele riu – De qualquer modo, eu gostaria de te entregar seu presente antes de todos chegarem.
Abruptamente, me virei de frente para ele, sentia a empolgação correndo por minahs veias.
— Me dá? Cadê? É de comer? Eu estou morrendo de fome, não comi nada pois queria continuar magra pro meu vestido, vou deixar pra tufar a barriga só quando me acabar de comer a meia noite. Deus, como eu vou comer. Eu definitivamente comeria qualquer coisa comestível agora.
— Eu sou comestível.
— Sim, mas daí já seria canibalismo – ri divertida – Sabe que na fome eu ia morder seu pau, não sabe? Ia ser com força.
— Jesus, Bella – ele fez uma cara sofrida – Juro que senti a dor agora.
— Não enrola, cadê meu presente?
— São três...
— Isso tá cada vez melhor – sorri animada.
— Para de me interromper, tá me irritando Edward bufou contrariado.
— Foda-se.
— Grossa.
— Ogro.
— Fiona.
— Chega – bati em seu peito – Cadê meus presentes?
— Certo, o primeiro é este – ele tirou do bolso uma caixinha de veludo vermelha.
Ele adora uma caixinha dessas né? Já dá pra fazer coleção e vender, vai lucrar uma grana.
Olhei curiosa para o objeto em suas mãos. Quando Edward abriu a tampa, vi que continham duas alianças ali dentro. Eram douradas, possivelmente ouro e uma delas tinha uma listra mais clara, possivelmente ouro branco e uma pedra no centro a tornando mais feminina. Ah qual é, mais um diamante? Vamos inovar, meu querido. Eu já tenho um, não preciso de dois.
Não pude deixar de expressar o descontentamento em meu rosto. Poxa, o natal tem tudo pra ser ótimo e ele vai mesmo querer estragar com essa história de casamento? Quantas vezes eu vou ter que dizer que eu não quero me casar? É só um pedaço de papel, na prática, já somos marido e mulher e eu vivo bem assim. Nós vivemos bem assim, não se mexe em time que está ganhando. Pra que estragar?
— Edward... – tentei me afastar, mas ele me segurou pelo pulso.
— Calma, primeiro me ouve, depois você surta – concordei com um aceno de cabeça – Felizmente eu ainda compartilho do seu pensamento de que não precisamos nos casar para termos uma relação sólida, feliz e completa. Não sinto necessidade de me casar e sei que se sente do mesmo jeito, aliás, sou grato por pensar desse jeito, confesso que acho casamentos um anto quanto patéticos, a festa e essa palhaçada toda, eu digo. Bom, um pedaço de papel não diz nada, é só nossos nomes em um papel, não significam nada, mas eu gosto da simbologia que as alianças tem. O papel não significa nada, vai estar guardado em alguma gaveta e esquecido lá, mas a aliança não, estará com a gente, o tempo todo, mostrando a todos que nós escolhemos estar em um compromisso um com o outro e é essa simbologia que eu gosto e quero compartilhar com você, por isso as alianças. Quero que quando olhem pra você, saibam que você já tem seu parceiro e que o ama o suficiente para ainda dividir a vida com ele, o mesmo vale para mim. Quero que quando olhem para mim, saibam que eu já tenho a mulher que eu vou amar até o meu último suspiro.
— Ai que amor – me derreti – Achei brega, mas um amor. Mas confessa, você só quer que algum cara ao me olhar saiba que eu já sou comprometida, por isso a aliança é grossa, pra chamar atenção.
O grande sorriso que moldou seu rosto não deixava dúvidas com relação a isso. Filho da mãe.
— Não vou mentir, é um dos motivos sim, mas isso tudo que eu falei tá envolvido também. Você lembra do que eu falei? – questionou franzindo o cenho.
— Não muito, lembro em partes – confessei.
— Eu também, foi no improviso. Eu vi que você ia surtar e tive que explicar...
— Tá bom – o interrompi – Você vai ter tempo pra pôr a aliança no meu dedo, quais são os outros presentes?
— Apressada – riu – O outro é esse aqui...
— Se você tirar mais uma caixa de veludo.
— Tipo essa? – apontou com a cabeça para uma caixa de veludo retangular em cima da mesa de centro da sala.
— Sim. Você tá planejando contrabandear essas coisas?
— São o que vem com as coisas – ele encolheu os ombros, mas não deu muita importância.
Se inclinou para pegar a caixa retangular a entregando em minhas mãos. Bem que ele podia ele mesmo ter aberto, eu estou tentando evitar a fadiga. Preguiçoso.
Abri a caixa encontra uma pulseira dourada lá dentro. Dessa vez, nada de pedras brilhantes, era mais simples, apenas de ouro, sem muitos detalhes, exatamente como eu gostava: simples e sem chamar a atenção... ops, chama sim. Que isso?
Vi que minha pulseira parecia muito com as que Sony e Nora usavam só que ao invés de estar escrito o nome delas ou o meu, estava escrito ‘Lilith’.
— Tá me traindo com essa filha da puta agora? – brinquei arrancando uma sonora e gostosa risada dele.
— Diria que estou pegando ela – piscou pra mim. Fechei imediatamente a cara pra ele.
— Melhor se explicar, Cullen.
Sempre soube que Lilith era uma puta.
— Você sempre diz que eu sou o próprio ‘lúcifer manifestado’ e fala algo sobre Lilith e sobre ela ser a mulher do demônio e reinar com ele no inferno ou coisa assim, já que você me demonizou, vou aderir isso pra mim. Se eu sou o lúcifer, então você vai ser minha Lilith. Quer reinar no inferno comigo? O inferno pode ser essa casa.
— Ai caralho, você é tão criativo. Puta que pariu, merece até um sexo oral como recompensa.
— Eu vou cobrar isso.
— Põe em mim – estiquei meu braço pra ele.
Edward colocou a pulseira no braço direito e no anelar esquerdo colocou a minha aliança e em seguida, colocou em seu próprio dedo a sua aliança. Nossa, a mão até pesou agora. É o peso do comando do inferno.
— Qual é o terceiro presente? – o olhei inquisitiva.
Quero presente.
— Esse eu diria que é o mais importante e não, não vem numa caixa de veludo – esclareceu quando em viu abrir a boca.
Edward puxou do bolso um saquinho prateado o colocando em minha mão. Era até pesado, que isso uma moeda? Se for, espero que seja uma moeda colecionável, não que eu colecione, mas posso vender no eBay.
Sem muito cuidado, rasguei o saquinho prateado e minha boca caiu em surpresa quando vi que era o clássico chaveiro escrito ‘I ♥ NY’ que eu tanto queria, mas que ao invés disso, ele me deu um cordão de diamantes no lugar.
— Oh meu Deus – olhei emocionada par ao objeto – Você foi em NY, filho da puta?
— Um dos sócios foi semana passada e pedi para ele trazer um. Eu sei que até hoje você não superou o fato de não ter ganhado um.
— Você é tão sabidinho, Cullen – apertei sua bochecha – Melhor presente de todos – apertei o chaveiro na mão.
Esse era realmente o melhor presente e eu tinha amado.
— E agora, cadê meu presente? – cobrou com um sorriso sugestivo no rosto.
— Eu já te dei duas filhas e divido minha vida com você, quer mais do que isso? Contenha-se homem – brinquei.
Era brincadeira, mas era verdade. Na correria eu esqueci de comprar um presente pra ele. Vou ter que compensar depois.
— E eu não poderia desejar nada além disso – Edward sorriu se inclinando para tocar seus lábios com os meus em um beijo cálido. Deus, como eu amava isso – Eu vou ver se está tudo nos conformes, sim? Daqui a pouco o pessoal está chegando.
— Tá bom, eu ver se as meninas já acordaram.
Saí da sala indo até o quarto das gêmeas, mas não sem antes passar a mal na bunda dele. Esse é o melhor hábito que eu adquiri. Antes de ir ao quarto delas, passei no meu e decidi colocar o cordão de diamantes que ele me dera quando fomos a Miami. Por que não? Eu tão raramente usava e sei que ele ficava feliz quando eu usava. Se eu esqueci do presente, tenho que pelo menos deixá-lo feliz, fica menos feio pra mim depois.
Coloquei o cordão em meu pescoço e me senti bonita com ele, em seguida, fui até o quarto das gêmeas e apenas Sony estava acordada.
— Oi meu amor, já acordou? – falei com voz de bebê. Sim, eu me rendi a voz boba de bebê – Vem com a mamãe.
A peguei no colo. Fiquei um pouquinho mais apaixonada quando minha pequena esfregou seus olhinhos verdes bocejando. Ai que coisa mais fofa, dá vontade de por num pote e chacoalhar até quebrar.
Sony deitou a cabeça em meu ombro e eu apoiei a bochecha em sua cabeça. Ai como eu amo essa coisa pequena e que suja muita fralda. A fralda suja eu não amo não, que fique claro. Ia a colocar no berço quando vi que Nora também tinha acordado, mas aconteceu tudo tão rápido. Sony puxou meu cordão o arrebentando e em seguida o levou a boca, tudo que eu lembro foi ela tossindo e eu paralisada em desespero.
Deus. Se eu não morri do coração antes, com certeza eu morro agora.
(Continua...)
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