O chefe
24 Maldita discussão desnecessária
Notas iniciais
Maldita discussão desnecessária
▬ Bella ▬
Puta que pariu. Puta que pariu. Puta que pariu.
PUTA. QUE. PARIU.
No momento tem pelo menos dez mil sirenes disparando frenéticas em minha cabeça. Que merda que eu estou fazendo?! Eu não me envolvo em relacionamentos, eu não convido ninguém pra dormir na minha casa. Eu não convido nem meus pais pra dormirem aqui comigo.
Nem. Os. Meus. Pais.
Caralho. Como eu cheguei a esse estado? Preciso pôr os dois pra fora daqui... não, a Nat é fofa, ela fica, o Edward que vai embora. Quase dou um grito de acordar o bairro quando perdida e distraída em pensamentos, Edward assustou-me ao beijar meu ombro.
— Você está bem? Parece estranha – perguntou me avaliando.
Não. Não estou. Acabei de perceber que estou na merda de um relacionamento no qual eu não quero estar. Isso é demais pra mim, acho que as coisas entre nós não vão mais funcionar. Você pode por favor ir embora?
— Sim – com tudo que se passava em minha mente, a única palavra que saiu-nos minha boca foi a porra de um ‘sim’.
Por qual tipo de demência eu fui acometida que me impede de dizer que este homem ao meu lado já pode ir embora?
Continuei deitadinha, no meu cantinho assistindo meu filminho, curtindo a vibe da minha Elsa sendo a dona da porra toda, mas ainda assim pensando. Talvez Edward nem tenha percebido isso. Ele é homem, homem é tapado, sempre são os últimos a perceber que estão em um relacionamento.
Eu lembro que o Phil só soube que ele e minha mãe estavam namorando porque mamãe deu um ultimato nele. Jessica e Mike foi a mesma coisa, claro que o Mike deu pra trás quando soube que eles estavam ‘namorando’. Jane e o ex namorado dela também tiveram isso de o cara ser o último a perceber que estavam em um relacionamento.
Acho que infelizmente, chegou a hora de eu ter que conversar com alguém sobre isso... Renée. Inferno.
Ai. O que eu faço agora? Não quero ter que dar um pé na bunda de Edward porque o sexo com ele é incrível, super compensa então... eu vou me fazer de desentendida e seguir com a vida, até porque se ele quisesse namorar com alguém, não assinaria um contrato concordando que não há nenhum tipo de relacionamento entre nós dois e concordando que é apenas sexo, então... sigo plena.
Deixei essas preocupações pra depois, Renée é minha mãe e ela que se vire pra me dar uma luz do que eu tenho que fazer. Por hora e graças ao meu cansaço, após decidir deixar isso pra lá, me aninhei melhor no colo de Edward e aproveitei o carinho que ele fazia em mim. Enquanto ele também não perceber que isso já evoluiu pra um relacionamento, eu aproveitaria. Quando ele começar a perceber isso, aí sim eu penso eu dizer ‘foi bom enquanto durou e adeus’.
Hum... não. Esse é um mal que eu vou ter que cortar pela raiz. Melhor já dispensar ele agora mesmo, assim evita problemas, evita discussões desnecessárias, evita toda essa confusão. Vou dispensar ele quando o filme acabar. Melhor assim.
Quando o filme acabou, me espreguicei na cama e me inclinei para acender a luz do abajur, teríamos que ter uma conversa, mas Edward me parou antes que eu pudesse o fazer. Ele balançou a cabeça sinalizando um ‘não’ e apontou com o queixo para Nat. De primeira não entendi, mas quando olhei pra ela, vi que ela já estava dormindo... e babando... na minha cama. Ela estava babando na minha cama. Que nojo.
— Eu vou levar ela pro outro quarto – falou em tom de voz baixo.
Apenas concordei com um aceno de cabeça. Edward se levantou evitando se mexer muito para não a acordar, contornou a cama e com habilidade a pegou no colo, Nat se mexeu, mas não acordou.
— Espera – falei antes que ele a levasse para o quarto.
Levantei da cama me aproximando dela e a observei dormindo, ela estava tão fofa, parecia um anjo dormindo, mas ela estava abraçada com John e eu queria ele de volta. Tentei pegar John dos braços dela e a filhinha do demo se abraçou ainda mais com o MEU filho peludo.
— Não acredito – Edward murmurou perplexo – Você está mesmo tentando tirar um bicho de pelúcia de uma criança que está dormindo?
— Bicho de pelúcia é a sua cara quando deixa a barba crescer – fechei a cara pra ele – John é meu. Quero ele de volta.
— Ele não era o irmão da Nat? Deixa ele com ela.
Fiquei olhando pra cara dele me recusando a acreditar que ele estava mesmo me falando um negócio desses.
— Não.
Neguei e novamente tentei puxar meu doce e querido macaco dos braços de Nat que o agarrou com mais força. Tive que usar a força bruta. O puxei com força fazendo Nat se remexer no colo dele e quase acordar, mas ela não acordou e se acordasse eu só teria a lamentar, mas abraçada com John ela não dormiria. Edward me olhou repreensivo e balançou a cabeça desaprovando minha atitude. Mais uma vez, eu apenas só tenho a lamentar por ele.
Quando ele foi deixar Nat no outro quarto, eu me deitei novamente na cama abraçando John e fiquei tentando por minha cabeça em ordem. Organizar as palavras na minha mente e pensar em como eu dispensaria Edward, eu tinha que no mínimo ser educadinha nas palavras já que aparentemente, eu tenho uma tendência a ser meio ‘grossa’ com ele. Pra mim ele só é sensível demais.
Ouvi o barulho da porta abrindo, respirei fundo e o chamaria para ter uma conversa. Meus planos foram para o espaço ao o ver entrando, sem camisa, usando apenas uma calça de moletom, passando a mão no cabelo o tirando do rosto e deixando exposta a tatuagem que ele tem na parte interior do braço. Ok, eu dispenso ele outro dia.
— Por que você está me olhando assim? – perguntou me olhando com um sorriso debochado no rosto.
Cínico. Como se ele não soubesse que eu quero sentar nele.
Revirei os olhos pra ele e escolhi não responder nada pra não quebrar o clima. Levantei num pulo da cama e corri pra trancar a porta, afinal de contas, no momento temos uma criança em casa e criança é ardilosa, resolve aparecer nos momentos mais inoportunos.
— Se eu soubesse que você estava com tanta pressa assim pra transar, eu tinha levado a Nat pro outro quarto na metade do filme quando ela dormiu – ele falou já passando os braços ao redor da minha cintura e afastando meu cabelo para beijar meu pescoço.
— Na metade? – falei com a voz fraca por ele estar passando a língua na pele no meu pescoço – Por que você não falou isso antes?
— Não sei – interrompeu o trabalho com sua boca e segurou minha blusa pela barra a puxando por cima da minha cabeça – Você parecia empolgada cantando e assistindo.
Até pensei em discutir e dizer que quando for assim, pode me interromper, mas essa não é uma conversa que eu quero ter nesse momento.
Aproveitei que ele tirou minha blusa e eu mesma tirei o restante das minhas roupas. Impressionante como bastava ele estar perto que eu já sentia meu corpo inteiro ardendo em chamas e só ele poderia fazer algo a respeito. Deve ser o calor do inferno que emana dele.
Não tive tempo de pensar ou fazer nada. Edward avançou em cima de mim tomando meus lábios com os seus em um beijo quente e voraz. Nossas bocas se mexiam em conjunto e nossas línguas se embolaram quando aprofundamos o beijo. Deus, ele nem me tocou direito e eu já estou molhada. Se eu fosse homem, com certeza sofreria de ejaculação precoce.
Por que inferno eu estou pensando em ejaculação precoce?! Deixei esses pensamentos para lá e me concentrei na sensação de queimação que suas mãos causavam ao passear por minha pele. Suguei seu lábio inferior e o puxei, tomando-o entre os meus e mordiscando. Edward gemeu em minha boca. Sua mão que estava em minha nuca desceu por minhas costas, traçando a linha da minha coluna causando arrepios por onde seus dedos tocavam.
— Adoro sentir sua pele reagindo a mim – Edward sussurrou com a voz rouca aproximando a boca do meu ouvido – Se você ainda não percebeu, você já é minha e seu corpo todo responde a mim – ele sugou meu lóbulo em seguida arrancando um gemido abafado de mim.
O que suas palavras significavam eu só pensaria depois. Edward caminhou comigo e logo senti o colchão macio em minhas costas. Ele ficou por cima de mim sem apoiar totalmente o peso do seu corpo sobre o meu. Passei as mãos por seus ombros e desci por suas costas. Caralho, como eu adoro o corpo dele. Seus ombros largos, sua costa bem delineada e seu corpo como um todo, bem definido, músculos nos lugares certos, sem exageros e parece que foi feito tudo sob medida pra ele.
Usei as mãos para tirar sua roupa até onde consegui e os pés para as tirar completamente. Tive que reprimir um grito de prazer e agarrar seu cabelo com força quando senti sua boca em meu seio e com a mão dar atenção ao meu outro seio. Fechei os olhos com força totalmente entregue e sentindo meu corpo se inflamar em um embate violento de paixão. Sua ereção roçando em minha perna me levava a loucura só de pensar no que seu membro fazia comigo quando estava dentro de mim.
Ele sugava, lambia e mordiscava meu mamilo rijo e sua mão que estava em meu seio deslizou por minha costela, passando por minha barriga até chegar onde meu corpo mais chamava por atenção. Quando ele me tocou intimamente, como reflexo abri mais minhas pernas para o 'ajudar'.
— Você já está tão molhada – falou com a voz grave enquanto seus dedos brincavam em minha entrada até finalmente me penetrar com um dedo e adicionar outro em seguida.
— Culpa sua – disse arfante rebolando em seus dedos.
— E você me quer aqui? – perguntou enquanto usava os dedos para me estimular. Mordi o lábio com forma concordando com um aceno de cabeça – Me desculpe, não leio mentes, se me quer tem que falar.
Não acredito que ele vai mesmo me fazer pedir por ele. Tudo bem, é pelo bem do meu corpo e sendo honesta, eu não estou em guerra com ninguém e muito menos com ele, então...
— S-Sim – disse com a voz fraca.
Eu estava tão molhada que quase podia sentir escorrendo por minhas coxas. Edward era habilidoso em muitas coisas e usar bem as mãos era uma das suas muitas habilidades. Eu rebolava em sua mão a cada vez que ele esfregava meu clitóris. O puxei para mim pelo seu cabelo, busquei com urgência sua boca, praticamente a devorando. Edward gemia coisas desconexas e estocava com seus dedos em mim me fazendo delirar.
Eu sabia que estava perto e que não duraria muito e ele percebeu isso também. Eu estava -quase- vergonhosamente molhada e quando ele colocou um terceiro dedo em mim, esse foi o ponto que meu corpo precisava para explodir em um orgasmo intenso e violento. Senti minhas coxas tremerem e meu interior esmagar os dedos dele que estavam em mim.
Fraca, era assim que eu me sentia. Fraca e sem forças nas pernas.
— Sim o que?
O que ele quer saber de mim? Meu querido, nesse momento eu não sei nem qual é meu nome.
— Você estava dizendo se me queria aqui – falou ao ver minha confusão.
Seus dedos saíram de mim e por um momento quase me senti abandonada, mas daí lembrei que agora seria preenchida pelo seu pau e isso me confortou.
— Sim – concordei com pressa – Quero que você me foda.
— E como você quer?
Edward se inclinou sobre mim e sua boca distribuindo beijos molhados em minha barriga e subindo até meus seios não me ajudavam muito nesse negócio de pensar como eu quero. Não sei, só quero que ele me foda, forte, duro e gostoso como só ele sabe fazer.
— Eu... hummm – era muito difícil pensar logicamente com seus toques e carícias – Vou... hum... deixar você escolher hoje – foi tudo que consegui formular.
— Bella, Bella – ele me olhou com seus olhos verdes e cristalinos escurecidos e me lançou um sorriso safado que só serviu para me deixar mais molhada e sedenta por ele ainda – Tem certeza que vai me deixar escolher como eu vou foder você?
Estremeci ao ouvir sua voz. Ele não vai pedir minha portinha de trás... vai? Essa não sei se quero dar hoje. Vou me arriscar em concordar com ele.
— Sim – tentei soar firme, mas falei bem na hora que um gemido escapou por minha garganta.
— Fica de joelho na cama com as mãos apoiadas na cabeceira – ordenou com a voz grave.
Porra, eu acho que eu gozei de novo só de ouvir ele mandão assim.
Preciso enfatizar que eu adoro quando ele é mandão na hora do sexo? Pode mandar mais que tá pouco.
Mesmo com as pernas ainda fracas por conta do orgasmo de ainda pouco, fiz o que ele mandou sem pestanejar. Eu seria a maior recompensada.
Engatinhando na cama, fui até a cabeceira e antes que pudesse ficar na posição que ele falou, ouvi um rosnado abafado. Virei o rosto na direção dele e Edward tinha o olhar fixo na minha bunda e massageava seu membro enquanto me olhava. Coloquei um sorriso na travesso no rosto, lhe olhei sob os cílios e fiz minha melhor cara e voz de inocente.
— Apreciando a vista? – provoquei – A visão tá boa?
Edward piscou longamente e quando abriu os olhos novamente, eles pareciam ainda mais escuros e transbordavam desejo e luxúria. Meu corpo inteiro sentiu seu olhar e senti meu centro pulsando de desejo esperando por ele.
— A visão tá boa pra caralho – falou por fim.
Porra, essa voz ainda vai fazer um estrago em mim.
Como eu não tinha certeza se minha voz sairia, me limitei a piscar pra ele e me ajeitei segurando a cabeceira da cama com força, erguendo o corpo e empinando bem minha bunda apenas para o provocar.
— Assim está bom? – perguntei com falsa inocência.
— Está ótimo – garantiu.
Edward se aproximou até onde eu estava se colocando atrás de mim. Meu coração pulsava frenético em meu peito em expectativa. Ele espalmou suas grandes e másculas mãos em meu quadril o segurando com força fazendo minha bunda roçar em sua ereção, meu corpo inteiro se arrepiou. Edward afastou meu cabelo do meu pescoço e se inclinou deixando um longo e demorado beijo em minha nuca. Gemi baixinho com o contato da sua boca em minha pele.
Seus lábios passearam por meu pescoço descendo até meu ombro.
— Você é gostosa pra caralho.
— Eu sei.
— E convencida pra porra também.
— Eu também sei disso – reprimi um riso – Para de me enrolar, me fode logo se não eu juro que entro em combustão espontânea aqui.
‘E chuto sua cara depois’, completei mentalmente.
— Você é sempre tão apressada – provocou.
Eu estava pronta pra dar uma resposta atravessada, mas senti quando ele roçou seu membro em minha entrada.
— Para de me provocar – pedi em um gemido.
— Que graça teria? – rebateu.
‘Que graça teria’? Tô rindo por acaso, porra? Sexo não é engraçado pra ter graça. ‘Vá tomar no seu cu’. Claro que isso eu apenas pensei pois se eu falasse, era capaz de só de raiva ele me provocar mais e depois me deixar só na vontade.
— Edward... – gemi em protesto.
A ansiedade já estava me dominando.
Ouvi sua risadinha vitoriosa, mas não tive tempo de reclamar uma segunda vez pois foi quando me senti ser preenchida por ele, exatamente como eu gostava. Forte, duro e sem rodeios. Um grito escapou por minha garganta quando ele agarrou meus seios com as duas mãos e investiu forte em mim. Céus, eu estava quase que literalmente vendo estrelas.
Eu sempre soube que sexo era um negócio bom, mas porra. Desde quando comecei a transar com Edward percebi que sexo na verdade é um negócio sensacional, fora do comum e mudador de vidas porque porra. Eu nem imagino mais minha vida sem isso. E eu nem sei se a palavra ‘mudador’ existe. Mas se eu estou falando ela existe e foda-se.
Joguei minha cabeça pra trás fazendo com que ela batesse no peito de Edward. Abri os olhos e ele tinha a cabeça baixa, seus olhos me fitando cheios de desejo. Eu podia ver todo meu desejo refletivo nele e posso jurar que vi mais algumas coisas e emoções em suas orbes verdes, mas eu estava imersa demais em prazer pra reparar.
A cada investida que ele dava eu me sentia um pouco mais perto do céu. Como ele era mestre em me enlouquecer, ele tirou tudo e antes que eu pudesse protestar, ele enfiou tudo de novo com força, fazendo meu corpo impulsionar para frente. Bom como a porra do inferno.
Perdi toda linha de raciocínio quando o ouvi suspirar fundo com um gemido com a sua voz grossa abafado na garganta. Esse foi o sim mais erótico que eu já ouvi na vida. Eu podia gravar e passar o dia inteiro ouvindo que ainda não iria me cansar.
Edward tornou as investidas em mim mais fortes e acelerou o ritmo, eu rebolava em seu pau e nessa posição parece que eu podia o sentir ainda mais fundo em mim.
— Edward, eu já... hum... – mordi o lábio com força sem consegui terminar o que dizia.
— Goza pra mim, Isabella – falou em meu ouvido – E geme meu nome enquanto goza, eu quero ouvir você gemendo meu nome.
Edward investiu ainda mais fundo em mim, segurando meu quadril para ajudar em seus movimentos. Eu já estava tão entregue ao prazer, luxúria e desejo que já me sentia chegando ao ápice. Meu corpo estava no limite e Edward terminou de me levar ao limite.
— Edward... – gemi seu nome quando fui invadida pelo orgasmo.
Violento, forte e intenso.
Era assim que era toda vez que eu estava com ele. Eu não me sentia assim com ninguém, só com ele. Só ele causava isso em mim e estranhamente eu gostava disso. Gostava que só ele me fazia sentir desse jeito, de como aprecia que ele conhecia cada ponto do meu corpo. era ele que me levava ao mais completo e puro prazer.
Rebolei em seu pau enquanto ele socou mais forte em mim mais algumas vezes até ele chegar ao ápice do prazer e se liberar em mim.
— Você é tão quente e macia – falou apoiando a cabeça no meu ombro.
Estávamos suados e ofegantes. Edward saiu de mim e fiz uma careta soltando um gemido de frustração em seguida. Gostava de ter ele em mim. Ele riu notando meu descontentamento e me puxou para um beijo que até começou doce, mas logo se intensificou reacendendo novamente nosso desejo.
— Você já está pronta pra outra? – perguntou com os lábios ainda colados no meu.
O afastei olhando assustada.
— Mas já?
— Bella – ele afagou meu rosto com as mãos enquanto sorria de forma gentil – Eu não vou te dar um segundo de descanso. Vou passar a madrugada toda te fodendo em cada canto desse quarto, principalmente naquela mesa – apontou com a cabeça para uma pequena mesa que eu tinha no canto do quarto.
— Você não cansa não?
— Não. Você cansa?
Canso, mas aguento.
Apenas neguei com um aceno de cabeça e o puxei para um beijo novamente. Amanhã eu vou estar destruída, mas vai valer a penas.
[...]
Pela manhã, apesar de eu estar completamente destruída e meu corpo cansadíssimo devido ao ‘esforço’ da madrugada, acordei bem. Não dormi muito, mas dormi incrivelmente bem. Fomos dormir já eram quase cinco da manhã e como eu estava ‘intimada’ para ir para esse almoço que Esme faria, coloquei o celular para despertar as oito da manhã pois eu ainda faria alguma coisa pra levar. Não chegaria de mãos abanando.
— Bom dia – falei me espreguiçando quando vi que o barulho do despertador acordou Edward.
Ele me olhou de cara feia e cobriu o rosto com o lençol. O fato de ele estar parecendo uma criança mimada me fez gargalhar.
— Para de ser ranzinza – tentei puxar o lençol do seu rosto, mas ele era mais forte.
— Ainda não são nem dez horas, por que já estamos acordados? – reclamou com o lençol ainda cobrindo o rosto.
— Para de ser mimado – se ele deixou não sei, mas consegui puxar o lençol de cima dele – Vamos levantar. Vou fazer uma sobremesa.
Edward -de novo- fez cara feia e em seguida rolou o corpo para ficar por cima do meu, se deitando e se aconchegando em cima de mim.
— A gente pode comprar pronta – sugeriu dando de ombros.
Com raiva, levantei sua cabeça o puxando pelo cabelo.
— Ai porra, isso dói – reclamou.
— ‘Comprar pronto’? – repeti irônica – Eu sou uma piada pra você? Eu não ‘compro pronto’, eu faço.
— Você faz, me deixa deitado aqui e me chama só na hora de ir? – sorriu sem graça.
Meu sangue ferveu. Eu sou mesmo uma piada pra ele, só pode. Eu não ia nem pedir ajuda dele, pois agora só de raiva, ele vai me ajudar e ainda vou pôr ele pra lavar louça. Pensando melhor, olha essa mão dele, é mão de quem não lava um copo. Vai aprender a lavar louça hoje.
— Meu querido, o mínimo que você vai fazer hoje é lavar tudo que eu sujar enquanto... –
— AAAAAAAHHHH – fomos interrompidos pelo grito estridente que Nat deu no outro quarto.
Edward simplesmente levantou num pulo e saiu correndo para fora do quarto indo até onde a demo filha estava. Eu também fui, mas em passos mais lentos. Quando cheguei no quarto, Nat estava sentada na cama com um sorriso sem graça no rosto e Edward a olhava como se fosse a matar a qualquer instante.
— Desculpinha? – ela falou bem sem graça.
— Isso não se faz filham, você quase me matou do coração – Edward reclamou a olhando feio – Eu achei que tivesse acontecido alguma coisa.
— O que foi? – perguntei curiosa – Não me deixem de fora, quero saber o que aconteceu.
— É que eu esqueci onde eu estava e quando acordei e não vi meu quarto, eu me assustei, mas depois eu me lembrei e daí o papai já tinha entrado aqui – Nat explicou – Ele é exagerado – falou em voz baixa apontando para o pai que fechou ainda mais a cara pra ela – Ei, cadê meu macaco? – ela perguntou olhando ao redor.
— Oh fofinha – entei no quarto e baguncei seu cabelo – John não é seu, ele é meu – sorri pra ela que me olhou sem entender – Vem, vamos ver alguma coisa pra comer – estendi a mão pra ela que segurou e me acompanhou até a cozinha.
Nat me ajudou a pegar algumas coisas que estavam na geladeira para comermos e ela colocou os copos na mesa.
— Bom que vocês super se lembram de mim – Edward entrou na cozinha de cara fechada.
Acho que alguém não é muito matinal. Isso explica porque ele sempre chega com o diabo no couro de manhã na empresa.
Nat e eu até olhamos pra ele, mas escolhemos o ignorar. Continuamos colocando as coisas na mesa para o café da manhã e Edward bufou irritado, sentando em uma cadeira e vendo nós duas ajeitando tudo e nem perguntando se precisávamos de ajuda.
Pois eu vou fazer ele lavar as louças e na hora que for fazer a sobremesa pra levar pra casa dos pais dele, vou sujar todas as louças de propósito e ai dele que não lave. Ah sim, eu com certeza vou atolar ele de louças.
▬ Edward ▬
Fiquei observando as duas interagindo juntas enquanto serviam a mesa para comermos. Eu sei que devia ajuda-las, mas movido pelo mais puro egoísmo, me permiti ficar apenas sentado observando a interação entre Bella e Natalie.
Talvez até fosse errado eu gostar de ver as duas assim tão próximas. Se minha ‘relação’ com Bella não for pra frente e ela se afastar, Nat pode sofrer com isso já que minha pequena parece ter afeiçoado a Bella, se eu fosse um pouco mais sensato, limitaria mais a aproximação das duas. Sensato eu era, só não estava de fato disposto a isso.
— Bella seu telefone tá tocando – saí de meus devaneios ao ouvir Nat falando com Isabella.
— Merda! Deixei essa porcaria lá no quarto – Bella bufou irritada e foi até onde seu celular tocava.
Só não digo que ela é péssima influência para Nat porque sinceramente, acho que de boca suja ninguém ganha da minha família. Natalie veio até mim, me abraçando, beijou minha bochecha e sentou na cadeira ao meu lado.
— Dormiu bem filha? – perguntei.
A pequena me olhou de cara feia.
— Não vem com essa pra mim que eu não esqueci que você me chantageou pra estar aqui – reclamou fazendo bico.
— Eu não te chantageei.
— Chantageou sim. Pai dizer ‘se você quiser que entre eu e a Bella dê certo, você tem que colaborar’ é um jeito de me chantagear – ela revirou os olhos me fazendo rir.
Antes que eu pudesse responder, Bella entrou de novo na cozinha largando o celular em algum canto por ali.
— O que é tão engraçado? – ela perguntou sentando na cadeira ao meu lado – Eu também quero rir.
— Meu pai que é chantagista – Nat respondeu.
— Conheço bem o tipinho dela – Bella brincou e minha filha, muito parceira só que não, concordou.
Apenas sorri. Estava mordendo a língua pra controlar a vontade e o impulso de perguntar quem tinha ligado. Ela já é meio surtada com esse negócio de relacionamentos, não quero que ela se sinta pressionada ou como se eu estivesse a cobrando.
Também não quero que ela se assuste, tenho quase certeza que ela ainda não se deu conta que nós já estamos em um relacionamento. Falta apenas ela aceitar isso, isso e o fato de que ela sente algo por mim. Ela pode ainda não saber nomear o que sente, mas com certeza sente.
— Vamos comer, palmito e talco?
— Han? – Nat e eu perguntamos simultaneamente.
Ficamos os dois olhando para Bella sem entender o que ela quis dizer.
— É que os dois são tão branquinhos, aí chamei de palmito – apontou pra mim – E talco – apontou para Nat e depois riu de si mesma.
— Eu não sei se eu ainda gosto dela – Nat sussurrou para mim enquanto Bella ainda ria de algo que pelo visto só era engraçado pra ela.
— É só lembrar de quando ela ainda estava calada – sugeri.
— Eu vou tentar – prometeu – Bella, você dormiu bem essa noite? – Nat perguntou enquanto passava geleia em alguns biscoitos.
— Sim, por que? – ela perguntou de cenho franzido.
— É que você passou a noite gritando, eu já estava irritada, mas depois achei que você tivesse tendo algum pesadelo – Nat deu de ombros ao responder.
Bella cuspiu o suco que tomava se engasgando em seguida e eu que levava minha xícara de café à boca, parei com a mão no ar. Nós dois olhávamos para Nat que nos olhava sem entender.
— Vocês também faziam um barulho estranho – continuou falando – Não gostei de dormir perto, me atrapalham e me irritam.
— Pensando melhor... – Bella disse sem graça coçando a cabeça – Eu acho que tive mesmo um pesadelo essa noite – sorriu amarelo.
— E você não a abraçou pro pesadelo passar? Que feio papai.
— Eu com certeza a abracei — olhei sugestivamente para Bella que ficou vermelha e me chutou por debaixo da mesa – AI PORRA – gritei.
A filha da puta chutou o osso da minha canela.
Natalie pareceu não se importar e aceitou nossa resposta. O resto do café da manhã foi tranquilo e tivemos conversas amenas e sempre resultava em Bella e Nat rindo de mim já que as duas se uniram pra fazer piadinhas sem graça sobre mim.
Após o café, Bella decidiu que ia fazer algo pra levar e Nat tirou o seu da reta murmurando um ‘você sabe do que eu estou falando, então você que lute’ pra mim e foi se jogar em cima do sofá com o celular na mão assistindo algum vídeo qualquer na internet. Bella tirou toda a mesa e se apoiou na pia olhando pra mim com um sorriso travesso no rosto.
— Eu já te dei um teto pra dormir e te alimentei, as louças é com você.
Fiz uma careta pra ela. Eu já não sou muito doméstico, lavar louça então está no meu top 3 de coisas que eu mais odeio fazer.
— E note que eu nem pedi, ordenei mesmo – ela sorriu e se afastou da pia me dando espaço.
Até quis discutir, mas desisti disso. Minha mão não cairia por lavar dois pratos e alguns copos.
— O que você está fazendo? – questionei ao vê-la parada em frente a geladeira.
— Estou pensando no que fazer pra levar...
— Faz aquele doce que você me deu uma vez. Trifle. Meus pais são ingleses e realmente gostam das comidas típicas. Eles vão gostar e o seu é gostoso.
— Hum... até que é boa ideia e é até rápido – concordou.
Lavei as poucas, porém infinitas, louças que estavam na pia e depois fui ver se Bella precisava de ajuda. Claro que perguntei por educação, não esperava que ela fosse realmente querer minha ajuda. Por acaso eu lá tenho cara de quem sabe cozinhar ou fazer alguma coisa de casa? Revirei os olhos, mas ajudei no que quer que ela tivesse pedido ajuda. Eu devia aprender a ficar mais calado.
Fiquei me perguntando como ela conseguia sujar tanta louça. A impressão que eu tive foi que que ela sujou todas as louças que estavam limpas.
Meu momento de raiva veio depois quando ela disse que eu tinha que lavar todas aquelas louças.
— Mas caralho, olha a quantidade que tem aqui – reclamei mais uma vez olhando para a pia na qual só era possível ver a quantidade absurda de louças sujas – Eu me recuso a lavar isso.
— Vai lavar sim ou então não te trago mais pra dormir aqui. Eu já tenho muito enfeite em casa pra você ser mais um – cruzou os braços no peito.
Isso fez seus seios saltarem e acabaram me distraindo. Só notei que me distraí quando acabei sabe-se lá como concordando e ela me empurrou para a pia. É agora que minha mão cai sim.
[...]
— Isso é ridículo – reclamei – Minha família não é tapada, todos sabem que você está comigo. Esme só te chamou por isso.
Achava ridículo que Bella se recusasse a ir comigo no carro pra ‘ninguém achar que temos algo mais’. Era óbvio para todos que nós estávamos juntos e se não fosse óbvio, ficaria depois que Alice espalhou para a família inteira que nos pegou em situação embaraçosa.
Minha família é estranha, pelo visto tem fetiche por pegar alguém em momento íntimo. Infelizmente sofri com isso mais vezes do que gostaria de admitir.
— Eles só acham, ninguém precisa ter certeza de nada – ela contra argumentou.
Nat já tinha desistido de esperar e se jogou no sofá de novo.
— Você acha mesmo que Alice ficou calada e não espalhou nada pra ninguém? – perguntei irônico, o mais surpreendente foi ver ela assentindo e concordando achando mesmo que Alice faria isso – Você só pode estar de sacanagem.
— Isso foi algo íntimo, ela não faria isso.
— Sério? Então sinto informar, ela já espalhou pra todos e até pra quem estava em Londres ela já ligou falando.
— Mas que... – ela bufou irritada – Não quero ir com você. Vão achar que nós temos mais do que temos. Não estou nem me sentindo à vontade em ir.
— Esme vem te levar pelos cabelos se você não for – fingi desinteresse.
Na verdade, eu realmente queria que ela fosse. Faz tempo desde que me envolvi com alguém que eu realmente gostasse... na verdade, se eu fosse honesto, isso nunca aconteceu. Nunca me envolvi com ninguém que eu achasse que valesse a pena fazer parte da minha vida a ponto de ir conhecer minha família.
— Eu me arrisco...
— Que coisa mais chata – Nat nos interrompeu – Para de graça Bella, é só entrar no carro e ir. Você não vai morrer por isso e pai, para de forçar. A criança sou eu e não vocês, parem de tentar tomar meu lugar. Eu que devia estar fazendo birra. Você – apontou para Bella – Só entra no carro e você – apontou pra mim – Só entra e dirige. Eu estou a um passo de ter um piti aqui e eu tenho só dez anos.
Bella e eu nos olhamos assustados. Eu que sou pai dela e a conheço desde pequena não esperava sua atitude. Tive que reprimir um riso quando Bella apesar de irritada se calou e entrou no carro com cara de poucos amigos. Nat sorriu pra mim e deu um tapinha no meu braço. Nesse momento eu soube que ela fez isso de propósito pois viu que eu estava perdendo a ‘discussão’.
Essa é minha garota. Não podia me orgulhar mais.
Fomos o caminho inteiro em silencio. Natalie estava distraída no celular, eu estava dirigindo e Bella ainda estava irritada e olhava para a janela evitando olhar pra mim. Até tentei pegar em sua mão, mas ela bateu em mim, então apenas me limitei a rir, mas durou pouco. Durante o trajeto eu já comecei a ficar irritado pois sentia que estava a forçando a estar aqui quando na verdade eu não forcei ninguém.
O trajeto que era curto, pareceu durar uma eternidade e pude ouvir um coro de ‘aleluia’ quando chegamos. Natalie pulou do carro e literalmente correu até a entrada da casa. Eu já estava com minha paciência bem lá em baixo e assim que Bella e eu ficamos sozinhos no carro, deixei transparecer toda minha irritação.
— Eu vou te deixar em casa – falei de uma vez quebrando o silêncio.
— Ah, de repente eu não sou boa o bastante para estar aqui? Ótimo, prefiro ir pra casa mesmo deu de ombros voltando a se virar para a janela.
Respirei fundo controlando minha raiva e irritação.
— Não é isso, mas se for pra você ficar com essa cara de raiva e de quem não quer estar aqui e se você realmente não quer estar aqui, não precisa estar. Ninguém está te forçando. Não precisa se preocupar com Esme porque eu a impeço de ir atrás de você, se for isso que te preocupa.
— Para de pôr palavras a minha boca – falou irritada finalmente se virando para mim – Eu não falei nada.
— Realmente, não falou, mas age como se tivesse dito mil coisas – reclamei.
— Não precisa fazer drama – ela revirou os olhos – Não é como se você fizesse questão de eu estar aqui, eu sei que você nem queria que eu vie...
— Eu faço – a interrompi antes que ela continuasse falando besteiras – Na verdade eu faço questão que esteja aqui, mas não vou te pedir que fique se você não quiser ficar.
Notei que Esme e Carlisle nos olhavam de longe, Esme parecia preocupada e Carlisle nos olhava como se nos avaliasse e da distancia que estávamos, pude perceber isso. Meu pai disse alguma coisa no ouvido de Esme, ela pareceu relutante, mas concordou com ele e os dois logo entraram, mas não sem antes ela olhar para mim mais uma vez e mexer os lábios formando um ‘calma’. Como eu consegui fazer essa leitura labial eu não sei, mas fiz.
— Por que? – Bella perguntou chamando minha atenção para si – Por que faz questão que eu esteja aqui?
Porque caralho, eu acho que eu te amo. Eu gosto pra porra de você. Quero que faça parte da minha vida, que conheça minha família, que participe de coisas simples como um almoço e família, como dormir na minha casa. Quero que esteja ao meu lado e quero estar ao seu lado também. Porra, eu não acho nada, eu tenho certeza que eu te amo, mas eu sou filho da puta demais pra falar isso porque eu não quero que você se assuste e quebre a merda do nosso contrato por isso ser ‘demais pra você’ e eu prefiro te ter com restrições do que não te ter de forma alguma.
Eu nunca me arrependia por assinar um contrato, mas agora já estava começando a me arrepender pois estou começando a ver que não foi minha decisão mais inteligente. Parecia uma boa ideia na época, agora não mais. Se não fosse por esse contrato, eu me sentiria com mais liberdade para tentar ter um relacionamento decente com ela e não deixar nada nas entrelinhas. Ao invés disso, estamos aqui tendo essa maldita discussão desnecessária.
— Porque eu gosto da sua companhia – respondi de forma covarde já que eu não falaria o que penso – Gosto da sua presença e minha família é legal... as vezes e só quando querem na verdade.
Bella piscou algumas vezes aturdida e parecendo cansada, soltou o ar pela boca.
— Eu só estou nervosa – falou por fim baixando a cabeça – Isso é estranho. Eu estou vindo almoçar na casa dos seus pais, com sua mãe me convidando e nós não temos nenhum tipo de relacionamento. Isso não é estranho pra você?
Pra mim é estranho que você seja tão lenta a ponto de não perceber que já estamos bem mais envolvidos do que o nosso contrato ‘permite’.
— Não – respondi simplesmente.
Bella apenas balançou a cabeça concordando. Peguei suas mãos que repousavam e seu colo e as segurei entre as minhas, fazendo uma carícia suave em sua palma. Ela pareceu relaxar com o meu toque e não pude deixar de sorrir. Aposto minha empresa inteira se ela não está apaixonada por mim, ela só precisa enxergar isso e eu honestamente espero que não demore muito.
— Quer voltar pra casa? Eu te deixo lá e fico com você a tarde, só pelo amor de Deus, outro filme de musical não – falei essa última parte em tom descontraído e Bella riu.
— Agora seus pais já nos viram aqui, vamos ter que entrar de qualquer jeito – falou parecendo estar mais calma.
Tirei uma mecha do seu cabelo que cobria seu rosto e depositei um beijo demorado em sua testa. Não sei se Bella fez isso de forma consciente, mas ela segurou minha mão forte entrelaçando nossos dedos e essa foi a primeira vez que ela fazia isso de tão livre e espontânea vontade assim. Nem tentei disfarçar o sorriso que se formou em meus lábios.
— Obrigada – ela falou baixinho – Às vezes você é tão paciente que me irrita e dá vontade de te bater de tão perfeitinho que você consegue ser as vezes.
— Você é tão agressiva, tá sempre querendo me bater – brinquei.
Ela não ficou só na vontade, deu um tapa em meu braço que realmente doeu. Ela ficaria irritada se eu dissesse que ela tem mãos de homem de tão pesada que é?
— Você merece toda minha agressividade – um sorriso delineou seus lábios.
Ela é tão linda e eu não consigo me conter em mim. Segurei em seu rosto a puxando para mim até que nossos lábios estivessem unidos. A beijei de forma doce, tentei transmitir a ela tudo que eu não tinha coragem pra falar e tudo que eu queria dizer e ela correspondeu da mesma forma. apenas nos separamos quando meu celular tocou insistentemente.
Amaldiçoei quem quer que tivesse me interrompendo nesse instante.
— Acho melhor entrarmos, acho que já demoramos demais e devem estar sentindo nossa falta – Bella disse meio sem graça.
Segurei em seu queixo a beijando novamente, mas dessa vez apenas um selinho apenas porque não resisti. Peguei o celular do bolso e vi uma chamada perdida de Esme e uma mensagem.
Mãe
12:11 pm
“Parem de se comer aí dentro desse carro, entra logo porra”
Não contive o riso ao olhar para a tela do celular. Esme é realmente inacreditável.
— É melhor mesmo – concordei – Mas ninguém notou nossa demora – menti.
Minha família teria outras oportunidades para assustá-la.
Saí do carro e abri a porta pra ela lhe estendo a mão em seguida. A ajudei a sair do carro e quando ela tentou soltar minha mão, eu não soltei.
— Vamos? – perguntei.
Ela olhou para nossas mãos que estavam entrelaçadas e arqueou uma sobrancelha para mim.
— Assim? Jura?
— Eles já acham que estamos juntos mesmo, que tal dar um pouco de assunto pra falarem? – óbvio que fui o mais cínico possível.
Ela pareceu pensar e depois deu de ombros.
— Tá bom então – concordou por fim – Vamos lá almoçar com a família demônio e que Deus me ajude.
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