O chefe

22 Fã clube organizado do demônio


Notas iniciais
Oi oi pessoal, tudo bem com vocês? Sumi, mas voltei, rsrsrs. Quero agradecer a day psy que recomendou a fanfic, obrigada pelo carinho que tem com a história e fico muito feliz em saber que está gostando, espero que continue gostando e dedico esse capítulo a você ♥ Também quero agradecer a todos que comentaram, vocês me fazem tããããão feliz ♥ Bom, eu ainda estou viajando e só volto pra casa dia 30, então não acho que vou conseguir postar antes do dia 31 - pois dia 30 vou descansar, rsrsrsrs - mas vou deixar esse capítulo aqui com vocês pra não sentirem tanta falta da história. . É isso, espero que gostem e boa leitura ♥

Fã clube organizado do demônio

— Bella –

Respirei fundo uma, duas, três, quatro e até cinco vezes. Rosalie e Alice ainda me olhavam com um sorriso irritante no rosto e Rose ainda me indicava o lugar ao seu lado para sentar. Já aprendi que com a família do Lúcifer de olhos verdes não adianta argumentar, é tipo tentar nadar contra a correnteza: você sabe que vai se ferrar, mas tenta do mesmo jeito. Por questão de bom senso, eu me abstenho dessa parte de tentar. É como eu sempre digo: ‘cansei de lutar, eu que apanhe’.

Contra minha vontade, mas nem tanto, caminhei até o lado da loira e da fada demoníaca me sentando entre as duas. Pode até ser bem infantil da minha parte, mas eu estava internamente rindo horrores por saber que eu e Edward já tínhamos transado onde elas estão sentadas. Sei lá. Vou interpretar isso como minha vingança.

— Sim – fui a primeira a quebrar o silêncio – Posso saber qual o motivo da visita das diabetes em minha residência?

— Diabetes? – Alice questionou confusa.

— É, o fã clube oficial do demônio. O que fazem aqui?

— Nossa. Eu tenho tantas perguntas – Rosalie se empolgou – A primeira de todas é... Como assim você tá dando pro meu irmão e eu não to sabendo desse acontecimento histórico?

— É verdade – Alice concordou – Edward é o encalhado da família. Ele traçando alguém é a maior novidade que os Cullen já viram nos últimos meses.

— Não por falta de opção – a irmã defendeu – O que tem de mulher se jogando nele querendo ir ocupar a cama dele não é brincadeira, ele que é fresco mesmo. Fica com palhaçada de priorizar trabalho e tudo mais. Já estávamos até achando que se ele fosse se casar um dia, seria com o escritório dele.

— Contenham-se jovens – me desesperei – A chance pra ele se casar com o escritório dele ainda está de pé. Não levem isso pra esse nível. Já basta a mãe dele me desejando boas vindas a família.

— Claro que a mamãe ia saber disso primeiro – a diabete loira revirou os olhos – Mas vamos começar do começo. Nos veja como suas amigas, pois realmente lhe consideramos nossa amiga, sendo assim. Quando vocês começaram a sair?

Ponderei se falaria disso com elas ou se as colocaria pra correr daqui. Enquanto ponderava, notei que estava bem carente de amigas, eu tinha Jess, Ang e Jane de amigas, mas não podia conversar com nenhuma delas, ao menos não sobre isso. Elas são minhas colegas de trabalho, com certeza iam me julgar por estar transando com meu chefe e provavelmente interpretariam como se eu estivesse fazendo isso apenas para conseguir benefícios na empresa... Não vou ser hipócrita, eu interpretaria dessa forma caso a situação fosse contrária.

Sabe, eu precisava mesmo falar sobre isso com alguém, caso contrário, eu provavelmente explodiria. Respirei fundo mais uma vez e comecei a contar a elas tudo desde o começo. Como nossa relação sempre foi profissional, como eu sempre quis -e até hoje quero- matar ele e que tudo começou quando ele me forçou a pintar o cabelo e como a coisa toda se desenvolveu desde então.

Ambas escutavam tudo atentamente, não me interrompiam em nenhum momento, mas vi que o olho das duas brilhava de animação. Estranhas.

Claro que omiti alguns detalhes tipo o nosso contrato, mas não omiti o fato de que temos um acordo bem sólido que nossa relação é puramente sexual e nada além disso, que não temos nenhum compromisso, mas que somos exclusivos. Tá bom, eu sou linguaruda, falei todos os termos do contrato a elas, desde a palhaçada que ele inventou de ter “um encontro” a menos uma vez por semana, de ele exigir que eu não o expulsasse mais e todo o resto. Só omiti mesmo o fato que tínhamos isso assinado em um contrato.

Também falei sobre o que levaria o fim do nosso acordo que no caso seria alguém soltar um ‘eu te amo’ ou se ficar emocionalmente demais para alguma das partes. Não vou mentir, foi libertador poder falar sobre isso com alguém. Quando terminei de falar tudo, as duas me olhavam com o olhar sério, mas um sorriso brincando nos lábios.

— Bella, posso te fazer uma pergunta? – Alice foi a primeira a falar.

— Essa já foi sua pergunta. Próxima.

Ela revirou os olhos e decidiu falar mesmo assim.

— O que eu quero saber é, por que você fez tanta questão de deixar bem claro que vocês não têm nenhum tipo de relacionamento?

— Porque eu não quero estar em um – fui objetiva em minha resposta – Eu não sou do tipo que tem relacionamentos, eu não sou do tipo que namora, que fica com alguém assim por tanto tempo. Isso de dividir a vida com alguém e deixar a pessoa entrar... não, não da certo comigo não. Não é pra mim e eu vivo vem assim.

— Quanto “não” em tão poucas frases – Alice riu.

— Bella meu amorzinho – Rose segurou meu ombro, olhando bem nos meus olhos e me fazendo olhar pra ela – Eu vou falar um negócio pra você e como eu percebi que você é um pouco lenta, quero que preste atenção, sim?

— Sim – concordei.

— Querida – começou docemente com um sorriso sincero no rosto – Você já está em um relacionamento.

Suas palavras entraram por um ouvido e saiu pelo outro. Parece que entrou, saiu, não ficou nada e não absorvi nada. Levei um dedo ao ouvido para limpar e ver se assim me ajudava a processar suas palavras... não ajudou. Droga, vou ter que perguntar.

— Oi? – questionei confusa – Você ouviu quando eu disse que deixamos claro que não tínhamos nenhum relacionamento?

— Sim. E você? Ouviu quando eu disse que vocês já estão em um relacionamento?

— Sai da minha casa – falei irritada – Era o sol que faltava na minha janela. Você só pode estar completamente louca.

— Na verdade Bella, Rose tem razão – Alice falou atraindo minha atenção pra ela.

— Sai da minha casa você também. As duas, quero as duas fora daqui. Onde já se viu – a esse ponto eu já estava em pé andando de um lado para o outro – Não estou namorando com ninguém, vocês deixem de ser loucas. Eu deixei bem claro que não estávamos em nenhum tipo de relacionamento justamente porque eu não quer...-

Fui interrompida por uma mão pequena e pesada pra caralho em meu rosto. Olhei assustada e vi que Alice estava parada a minha frente e que a pequena filha da puta tinha acertado um tabefe bem na minha cara. NA NINHA CARA!

— Desculpa – falou com um sorriso amarelo – Você estava histérica, gritando, andando que nem barata tonta, tentei chamar seu nome, mas você não ouviu. Tive que apelar para medidas drásticas.

— Eu vou dar na sua cara sua fada demoníaca – tentei ir pra cima dela que ao perceber meu intuito correu.

Rosalie me segurou pelo braço.

— Senta aqui querida – ela me puxou para sentar ao lado dela – Vem que a gente te explica.

— Mas antes de te explicar, deixa eu te perguntar – nossa, Alice é tão pequena, como cabem tantas perguntas, e força, nesse pequeno corpo?

— Você está proibida de fazer perguntas até meu rosto parar de arder – disse, mas a curiosidade foi maior – Qual é a porcaria da sua pergunta?

– Você na já namorou alguma vez? – maneei a cabeça sinalizando um ‘não’ – Já se apaixonou alguma vez? – repeti o gesto anterior negando novamente – Faça as honras de estrear essa virgem no amor, Rose.

— Eu não quero beijar nenhuma de vocês – neguei rapidamente cobrindo a boca com as mãos.

— Eu vou te ignorar porque esse lado perturbado do seu cérebro é um problema exclusivo do meu irmão – a loira falou séria. Olha, o Edward também ignora as coisas que eu falo, são irmãos mesmo – Mas deixa eu ser clara com você. Vocês são exclusivos, se um dos dois ficar com outra pessoa acaba tudo, certo? – concordei com um aceno de cabeça – Vocês vão pelo menos uma vez na semana semana fazer alguma coisa de casal, certo?

— Sim, mas acho que ultimamente temos feito isso mais do que só uma vez – concordei.

— Certo. Continuando, você disse que não gostava de ninguém dormindo aqui com você, mas ele já dormiu contigo varias vezes... foi isso mesmo?

— Sim, ele é um abusado, mas eu não posso mandar ele ir embora – dei de ombros.

— Entendo sua confusão porque pelo que contou, nunca namorou, sempre se recusou a ter algo sério com alguém e tra lá lá, mas querida... isso que você descreveu pra mim... é um relacionamento. Você está em um namoro, só não percebeu isso ainda – falou calmamente

— Surpresa – Alice falou animada erguendo as mais pro ar e fazendo uma dança estranha.

Que isso gente? Ela tá com formiga no rabo por algum acaso?

Ignorando a fada estranha... Comecei a sentir o pânico tomar conta do meu ser. Eu estava fraca e minha visão ficou turva de repente. Como assim eu estava em um relacionamento? Quando eu entrei nisso... Ah Edward, que tipo de contrato você me fez assinar? Eu vou capar esse infeliz... não, não vou fazer isso porque eu sento nele, mas eu vou dar tanto na cara desse cínico. Se bem que ele me fez ler o contrato umas dez mil vezes pra ver se eu estava mesmo de acordo. Merda, eu sabia que não devia ser dominada pela preguiça e ter lido aquela merda direito.

— Vejo nos seus olhos que você está surtando – a calma de Alice estava me irritando. Que vontade de meter a mão na cara dela – Antes que surte de vez, vamos falar sobre o que você está sentindo, sim?

Aí, lá vamos nós de novo. Respirei fundo e tentei por minha mente em ordem, eu não estava com paciência pra ver um monte de filme pra ver se me entendia, já que elas estavam aqui de livre e espontânea vontade bancando as psicólogas totalmente de graça, eu não ia negar. Coloquei pra fora tudo que tenho sentido nesses dias, como tenho me sentido confusa e até mesmo como de vez em quando sinto meu coração batendo estranho.

— E não sei, desde essa vez que nós transamos eu sinto que foi diferente, alguma coisa estava diferente, em mim, nele e até mesmo na forma como interagimos entre nós dois. Eu não sei o que. Até o jeito que transamos está diferente. Ele continua sendo um demônio do sexo na cama, mas sei lá, mesmo com o fogo todo eu sinto que nós estamos fodendo de um jeito tão fofo e tão selvagem ao mesmo tempo.. A Nat até disse que eu tinha que começar a repensar no que eu sentia pelo pai dela, mas fiquei mais confusa – suspirei resignada me afundando ainda mais no sofá abraçando uma almofada – Eu nunca me apaixonei por ninguém sabe? Eu não sei o que tenho ou não que sentir, como devo sentir ou se devo sentir. Eu sinto um negócio estranho na barriga e eu tenho quase certeza que são gases.

— Eca!

Ignorei Alice completamente e continuei o que eu falava.

— Eu não sei o que é se apaixonar por alguém e eu estou tão confusa, todo mundo se apaixona igual não é? Quero dizer, são os mesmos sintomas não são? Então quais são? Preciso saber pra evitar pegar isso. É como um amigo me disse e aconselhou: se apaixonar é sempre sinônimo de dar merda, então vou seguir os conselhos dele à risca.

— Primeiro de tudo: eca. Não quero saber se você e meu irmão transaram e se ele fode fofo com você. Isso é nojento e broxante, mas posso curtir com a cara dele depois – a loira enumerou – Segundo, ‘um amigo’? Que amigo é esse? Quero nomes querida. Sem citação de nomes pra mim foi só um cachorro que latiu na rua. Que amigo foi esse que cagou pela boca?

— O Jake – elas me olharam confusas – Jacob Black – ambas fizeram cara de desprezo.

— Ah – Alice disse com tamanho desprezo que até eu me senti desprezada – Então pelo visto foi mesmo só um cachorro que latiu na rua... e ainda cagou pela boca – Rosalie assentiu concordando.

— Foco aqui pessoal – falei estalando os dedos na frente das duas – Já que me vieram me questionar, me digam, estou ou não apaixonada e se estiver, como paro isso?

— Não posso te dizer isso, Rose não pode te dizer isso, Edward não pode te dizer isso... ninguém pode, Bella – Alice falou levantando os ombros como quem pede de desculpa.

— Então pra mim vocês são duas inúteis – falei honestamente – Já podem ir embora.

— Ninguém se apaixona de forma igual – Rosalie falou me ignorando.

Por acaso tem uma placa na minha testa escrito que os Cullen tem passe livre pra me ignorar?

– Alice no momento que viu Jasper disse a ele que eles iam se casar muito em breve, ele ficou assustado pra caralho, mas resolveu da ruma chance pra baixinha estranha e acabaram se apaixonando. Emmett e eu fomos amigos por anos na faculdade até percebermos que estávamos apaixonados. Meus pais se conheceram numa festa, transaram no banheiro sem ninguém saber e depois da rapidinha deles, perceberam que estavam apaixonados e que iam ficar um com o outro eternamente – a loira dizia – Edward conhece Tanya por anos, se relacionaram por anos e tem uma filha juntos, mas ainda assim, não são apaixonados...

— Entende o que queremos dizer? – Alice interrompeu.

— Sim, que a família de vocês é estranha pra caralho – falei assustada – Como é que você mal conhece o cara e já diz que vai casar com ele? Eu tinha pulado fora fácil. Sai pra lá assombração. Nunca mais nem tinha olhado na sua cara e espalhado que você é louca.

— De tudo que eu te falei, isso foi só o que você absorveu?

— Sim, foi o mais marcante e chocante de tudo – concordei – Sério mesmo que você chegou na tora com ele e disse “ ei cara, a gente vai se casar” e ainda assim ele aceitou sair com você? É muito desespero, seu e dele – Alice fechou a cara pra mim mostrando o dedo do meio em seguida.

Grossa.

— Sua idiota, a gente tá tentando dizer que algumas coisas simplesmente acontecem e você não controla – a baixinha disse com raiva.

Eu levaria um tapa se risse da raiva dela? Ela ficou engraçada pra caramba, porque ela é pequena e ficou parecendo um dos sete anões.

— Em resumo – Rose assumiu a palavra já que Alice estava dando piti só porque eu falei que ela e Jasper estavam desesperados – Esquece tudo o que o imbecil do Jacob te disse e apenas se permita sentir. Não precisa reprimir o que sente. Só se permita, você não é obrigada a gostar de ninguém, se for pra acontecer vai acontecer você querendo ou não, pode ser simples ou você pode dificultar tudo, mas eu recomendo não dificultar. Vai levando, você vai saber se estiver apaixonada.

Fiz uma careta pra ela, mas não vou dizer que ignorei 100% do que ela disse. Eu absolvi algumas coisas como o negócio do ‘me permitir’ e a parte do ‘não dificulte, pode ser simples’. O resto só e entrou por um ouvido e saiu pelo outro mesmo. Ela fala demais e eu ainda estava rindo da cara de irritada da Alice.

— Aliás, onde a bonita estava na festa? Te procuramos e não te achamos? – Rose questionou confusa – Você perdeu o fantasma oculto, Jake deu piti.

— Infelizmente eu que achei ela... Edward estava com a cara enfiada no meio das pernas dela – a tampa de garrafa bufou irritada – Foi a própria visão do inferno. Sem ofensas.

— Bons tempos – suspirei com a lembrança que poderia ter construído se ela não tivesse me interrompido.

— Ta falando do que prima? Não foi o Edward que pegou o Jasper com o dedo no seu cu? Ele que deve estar traumatizado.

— Olha, eu sou a mais traumatizada dessa família tá legal? Já te peguei chupando o Emmett, já peguei a tia Esme sentando no tio Carlisle e já peguei o Edward se masturbando. Eu tenho incontáveis traumas.

— Eu já fiquei presa no banheiro com Edward e Tanya transando lá dentro e eu tive que ficar caladinha na banheira chorando em silêncio porque eles não sabiam que eu estava lá e eu fiquei traumatizada demais pra me manifestar – Rosalie reivindicou a palavra – Eu tive que ouvir meu irmão falando sacanagem pra aquela mocreia e ainda ouvi ela chupando ele. Você quer mesmo competir em traumas?

Agora quem fechou a cara foi eu. Não preciso ficar ouvindo sobre Edward transando com a puta da Tanya. Sério.

— Ta legal – interrompi o papinho das duas – Já entendi que a família de vocês é estranha e adora um pegar o outro fazendo sacanagem e infelizmente entrei pra conta. Vamos mudar de assunto. Rosalie, como assim o Jake deu piti? Me conta isso direito.

A loira abriu um sorriso diabólico e começou a narrar os acontecimentos daquela noite.

— Rosalie –

— Tia socorro – Natalie veio correndo praticamente se esconder atrás de mim – Se tentarem me matar, diz pro meu pai que eu o amo e que eu não tive culpa de nada.

— O que você fez, pirralha?

— Eu tranquei o Jacob no banheiro e pedi pro dj aumentar o som pra ninguém escutar ele pedindo socorro, depois eu fui na caixa do disjuntor e desliguei a luz de lá e coloquei uma placa de banheiro fora de uso.

— Que orgulho. Essa é minha garota – sorri pra ela me abaixando para beijar sua bochecha – Merece até um prêmio, mas quem vai querer te matar?

— O lobo falso, o próprio – falou olhando ao redor para ver se ele não saiu de lá e não vinha atrás dela.

— A festa está muito legal, mas estou fica do entediada – mamãe se aproximou de onde estávamos e apertou a bochecha de Nat – Acho que vamos logo anunciar esse amigo oculto e em seguida vamos embora, Carlisle está muito gostoso com aquela fantasia, eu quero transar com ele até ficar assada.

— Eu vou contar pro meu pai que a senhora tá falando essas coisas perto de mim – Nat ameaçou e Esme sorriu sem graça.

— Princesinha, o que nós conversamos sobre esse seu hábito feio de ser fofoqueira?

— Que é muito feio e que esse ia ser nosso segredinho, mas meu pai disse que eu não posso ter segredo com ele. Que é pra contar tudo. Principalmente se alguém viesse com esse papinho de “vai ser nosso segredinho”. Ele disse que isso nunca vem seguido de coisa boa.

— Mas que filho da puta – esbravejou como se ela não estivesse falando dela mesma – Pior que ela tá certo, não pode mesmo esconder as coisas do pai. Sua pequena fofoqueira – falou essa última parte olhando pra neta e mostrando a língua em seguida – Vou falar com Carl pra fazer logo esse fantasma oculto e vou embora em seguida.

Não muito depois que ela se afastou, meu pai apareceu no microfone anunciando que daria início à essa palhaçada que tem todo ano. Ficamos em nossa mesa vendo os funcionários animadíssimos.

— Queria ter participado – Alice disse se lamentando – Mas eu não conheço nenhum deles e nenhum deles ia se sentir à vontade com a gente.

— Por não conhecer ninguém que eu não fiz questão de participar – dei de ombros – Nem o Edward participa e olha que ele é o CEO.

— É diferente. Ninguém gosta dele, mas ele também não gosta de ninguém então ninguém liga pra ele – a baixinha concluiu.

— Boa noite a todos – meu pai começou falando no microfone atraindo a atenção dos funcionários pra ele – Faz um tempinho que não participo das festividades de halloween com vocês. Para quem já me conhece sou Carlisle, para quem não me conhece, eu ainda sou Carlisle e sou o...

— SUA PEQUENA DEMONIAZINHA – a voz do grito esganiçado de Jacob se fez presente interrompendo o que Carlisle dizia.

Natalie agarrou minha mão com força, mas seu rosto continuava tranquilo.

— Jacob, o que houve? – Carlisle perguntou ao ver o estado alterado do cachorro sem raça.

— Essa pirralha me trancou no banheiro por horas com a luz apagada e sem ventilação alguma – esbravejou apontando pra Nat, que se fez de desentendida.

— Por que você acha que fui eu? – Natalie questionou prendendo uma risada.

— Você fez isso Nat? – papai questionou.

— Não – negou com tanta veemência que até eu acreditei.

— Você gritou “apodreça lobo falso” – Jacob praticamente gritava de tão irritado..

— Eu não fiz nada vovô – negou novamente olhando para Carlisle – Eu não sei do que esse homem está falando.

— Eu vou arrancar sua cabeça sua garotinha cínica e mentirosa – ele tentou avançar em nossa mesa, mas foi segurado por Carlisle

— Como você saiu de lá, Jacob? – Carlisle perguntou preocupado tentando acalmar os ânimos.

— Eu ouvi gritos e tive que investigar do que se tratava – o pai de Bella, cujo nome não faço ideia, respondeu.

— Você não é CSI pra investigar nada, seu intrometido – Renée rebateu.

— Eu recrutei ela pra não gostar do Jacob também – Nat sussurrou orgulhosa para mim.

— Jacob, entendo sua frustração, mas por que Natalie faria algo assim?

— Porque ela me odeia sabe Deus porquê – respondeu irritado – Pois saiba que agora eu que não te suporto garota.

— Que isso? Reduziu sua idade pra 10 anos? – ironizei – Vê se cresce, cachorro sem dono.

— Rosalie, chega – Esme interveio – Jacob, pode deixar que vamos resolver isso com ela.

— MAS EU NÃO FIZ NADA – Nat levantou gritando irritada – Ele é um mentiroso. Eu não tenho nem motivos pra fazer isso. Eu estava me entupido de doces porque meu pai não me deixa comer besteiras.

— Deixa sim – Alice que até agora estava calada se manifestou e recebeu um olhar irritado da pequena.

— Você tá contra mim por acaso? – Nat murmurou com raiva e Alice sussurrou apenas um “desculpe”.

— Por mim te tacavam numa fogueira...-

— Ei, não se troque com uma criança – Esme interrompeu Jacob de continuar falando e se virou para Nat em seguida – E você tampinha, vamos conversar baixinho depois.

Jacob sorriu vitorioso e Nat emburrada se sentou na cadeira cruzando os braços.

— Eu não quero conversar baixinho, eu sempre termino de castigo depois

O resto do amigo oculto ocorreu sem mais interrupções. Natalie olhava mortalmente para Jacob que toda vez que a via, sorria vitorioso pois sabia que tinha conseguido deixar a pequena em maus lençóis e até Edward iria pra cima dela depois.

Em torno de meia hora depois, quando Jacob foi ao banheiro novamente, eu não resisti. O tranquei no banheiro novamente. Era um dos banheiros onde circulavam mais gente por perto e logo ouviriam seus gritos, mas ele ainda ia passar um pouco de raiva e isso me bastava. Eu não gostava dele e já vinguei minha sobrinha. Sorri vitoriosa me distanciando dali, mas não antes de ouvir seu grito.

— FILHA DA PUTA – gritou batendo freneticamente na porta.

Agora sim. Minha noite está completa e eu posso ir pra casa tranquila.

— Bella –

— Vocês são completamente loucas – balancei a cabeça em negação ao ouvir Rosalie relatando sobre o ocorrido.

As duas riram dando de ombros. Depois a sem noção sou eu.

Já que estavam aqui, ofereci a elas o bolo que eu tinha na geladeira e as duas elogiaram bastante, não vou mentir, fiquei feliz com isso. Tudo bem que Rosalie foi a que mais elogiou, mas ela praticamente comeu o bolo inteiro... sério. Ela comeu 8 fatias e foi quando revelou que estava grávida e seu apetite estava descontrolado.

Parabenizei a ela e me fiz o meu melhor para parecer empolgada com isso. Não é porque eu não queria ter filhos e achava estranho alguém querer estar grávida que eu tinha que ser uma otária e não parabenizar a pessoa. Na verdade, após Rosalie contar sobre sua longa jornada até conseguir engravidar, eu fiquei de verdade feliz por ela finalmente estar esperando seu tão sonhado bebê.

Conversamos bastante. Notei que apesar de Alice e Rosalie serem... Alice e Rosalie, elas são pessoas muito legais, loucas e surtadas, mas ainda assim a companhia delas é muito agradável. Se elas continuarem assim vou até apresentar o John pra elas, mas antes vou arranjar uma roupinha decente pra ele. Ele tem que estar ajeitadinho pra conhecer as tias dele.

Na manhã seguinte, cheguei cedo no trabalho. Arrumei minha mesa, fui ao setor do protocolo buscar os documentos que faltavam, peguei os novos contratos que foram revisados por mim e os organizei em uma pasta pois Edward tinha que dar o aval dele e faria a última vistoria, agendei mais umas três reuniões na qual ele participaria e já separei os documentos necessários para o contrato que eu teria que redigir e deixar pronto para uma dessas reuniões. Após adiantar tudo que eu tinha pra fazer, fui até a copa tomar um café, eu merecia um pouco de descanso.

— Ei Jane – a cumprimentei assim que cheguei na copa – Caiu da cama hoje? – disse olhando no relógio e vendo que ainda faltavam quinze minutos para as sete da manhã.

— Infelizmente eu dei azar de não pegar trânsito e acabei chegando cedo – dei de ombros – Ei, onde você se enfiou na festa? Nós te procuramos pra te chamar pra ir a um barzinho, mas você tinha sumido.

— Ah – sorri sem graça – Eu fui embora mais cedo.

— Por que? Foi embora com Jacob? Eu te vi falando com ele e depois não te vi mais – perguntou com um sorriso sugestivo no rosto.

— Não. Eu comi muito salgadinho, me deu... diarreia – menti... bom, era uma meia mentira, eu de fato comi muito salgadinho.

— Ah, que nojo – fez uma careta.

— É... deixa logo eu aprontar o café do meu chefe antes que o Lúcifer se manifeste nele e ele já chegue dando piti – desconversei.

— Difícil. Hoje ele tá muito sorridente – falou e a olhei confusa – Sabia não? Ele chegou faz tempo já. Tá desde seis horas trancado na sala dele com aquela loira gostosa que é a mãe da filha dele. Falou que não era pra ninguém o interromper em hipótese alguma. Devem estar carimbando aquela sala todinha – riu travessa.

Por um triz a xícara que estava em minha mão não vai ao chão. Como assim ele está trancado com Tanya desde as seis da manhã? Estou aqui desde as seis e quinze e não ouvi um barulho de quer na sala dele. Pois eu que não vou levar café nenhum pra ele. Ele que se vire por lá e se precisar que me chame, mas se me chamar eu vou dificultar tudo.

— Bom que ele não me perturba – falei tentando não demonstrar toda minha irritação.

— Eu daria tudo pra ser aquela mulher agora – Jane suspirou.

Sorri amarelo pra ela e nem cinco minutos depois eu dei uma desculpa para sair dali e ir grudar meus ouvidos na porta da sala do meu chefe. Fiz isso apenas para passar muita raiva mesmo pois tudo que eu ouvi foram risadas e mais risadas vindo lá de dentro, em grande maioria a risada feminina e elegante de Tanya. Ele só pode estar de brincadeira com a minha cara.

Sentei em minha mesa irritada e descontei toda minha raiva no botão de ligar o computador. Minha raiva crescia a cada risada que eu ouvia vindo lá de dentro. Peguei meu celular da bolsa e só agora vi que Edward havia me mandado uma hora atrás uma mensagem de bom dia e perguntando se eu havia dormido bem.

Pro inferno ele com as mensagens dele. Ele que vá perguntar da namoradinha dele se ela dormiu bem.

— Oh Edward, assim você me mata – ouvi a voz de Tanya de dentro da sala dele.

Minha raiva só aumentou mais. Quer saber? Quero que vá para o inferno esse contrato que nós temos, não vou mais continuar com essa palhaçada, ele que se exploda e vá brincar de casinha com Tanya.

A manhã passou demorada até demais, eu olhava o tempo inteiro para o relógio e nada de a hora passar. Já eram dez da manhã e nenhum dos dois saiu da sala e aparentemente o CEO xing ling esqueceu que trabalha e não veio aqui nem me perturbar. Até pra isso ele me esqueceu. Pois bem, eu também não me importo.

[...]

UMA PORRA QUE EU NÃO ME IMPORTO.

Já são quase onze horas e os dois ainda estão trancafiados lá dentro, conversando sobre a puta que pariu e pelo visto o assunto entre os dois não acabe né? Impressionante. Ele nunca fica tanto tempo assim conversando comigo.

Respirei fundo numa vã tentativa de conter minha raiva. Perdi as contas de quantas vezes eu quis levantar e ir até a sala dele para “entregar alguns documentos”, mas decidi que não me prestaria a esse papel.

— BELLA – Rosalie gritou batendo na minha mesa.

— Filha da puta – esbravejei irritada ao quase cair da cadeira no susto – Digo, bom dia – sorri sem graça ao ver que Esme estava do seu lado – Posso ajudar em alguma coisa?

— Você está bem, querida? – Esme perguntou sorrindo amavelmente – Estamos te chamando há uns bons minutos e você nem pareceu notar nossa presença.

— Claro – ‘que não’ completei mentalmente – Em que posso ajudar?

— Bella, sábado farei um almoço em minha casa. Saiba que sua presença é muito mais do que bem vinda – Esme falou amável com um sorriso no rosto.

— Oh, obrigada, mas eu não sei se... –

— Não foi um convite querida foi uma intimação.

— Ah. Tá bom... – não sabia o que responder – Em que posso ajudar?

— Edward está ocupado? Gostaríamos de falar com ele.

— Ele está em reunião e pediu para não ser incomodado em hipótese alguma – respondi desgostosa lembrando do que Jane havia dito.

Esme franziu o cenho parecendo perceber meu incômodo ao falar sobre isso.

— Reunião com quem?

— Tanya – disse simplesmente.

— O caralho que ele não vai ser interrompido – Esme cuspiu entre dentes – Eu vou entrar na porra dessa sala é agora.

Claro que eu não tentei impedir nada. Ela marchou em direção à porta com Rosalie em seu encalço.

Me sentei em minha cadeira roendo a unha. Devo ou não devo seguir elas? Ai que indecisão. Melhor não né?! A mulher parecia já estar com o capeta no coro, se eu for lá vai ser só pra sobrar pra mim.

Fiquei sentadinha em meu lugar apenas ouvindo algumas vozes mais exaltadas que vinham lá de dentro. Mamãe sempre disse que a curiosidade matou o gato e bom, eu não queria ser esse gato. Enquanto eu devorava minhas unhas, Tanya saiu da sala com um grande sorriso no rosto. Se eu for me basear pelo seu comportamento na festa, ela provavelmente conseguiu irritar alguém lá dentro e está orgulhosa disso.

— Libere a agenda de Edward para sexta – falou se virando para mim – Nesse dia, nós estaremos bem ocupados – piscou e saiu em seguida.

A raiva me subiu à cabeça. Como não é a loira camelo que paga meu salário, eu vou fingir que nunca ouvi nada e pronto, mas Edward, ah sim, esse tem muita explicação pra dar.

— PUTA QUE PARIU – ouvi o grito exaltado do meu chefe de dentro de sua sala e em seguida um barulho de algo batendo no chão.

Como o barulho foi grande e eu sou curiosa, fui correndo até a sala ver o que estava acontecendo. Baseado na visão que eu tive assim que entrei, concluí que sabe-se lá como, Rosalie jogou Edward no chão e agora estava por cima dele sentada nele o estapeando e ele usava os braços para cobrir o rosto, até que conseguiu segurar as mãos da irmã.

— Para de ser louca, sai de cima de mim – falou irritado.

— Você é um imbecil – rebateu – Como que ainda fica dando moral pra essa pato sem pena? – dizia enquanto conseguia se soltar e voltar a o estapear – Não aprende com seus erros não sei idiota?

— Porra Rosalie, Eu vou puxar seu cabelo – ameaçou – Sai de cima de mim que você tá velha e grávida.

— Velha tá o seu rabo, seu mascote de cruz credo.

Tá aí uma visão que eu nunca achei que fosse ter. Rosalie e Edward rolando no chão saindo no tapa... bom, ela o batia e ele se defendia, até o momento que ele realmente puxou o cabelo dela, aparentemente não foi forte o suficiente para a machucar, mas foi o suficiente pra irritá-la.

— Filho de uma égua chocadeira – a loira puxou seu cabelo da mão do irmão e lhe deu uma bofetada que teria sido na cara... se ele não tivesse segurado sua mão a tempo.

— Sua rapariga, para de ser doida...

Ouvi um suspiro e olhei pro lado só então me dando conta da presença de Esme. Ela tinha a feição entediada e calmamente, caminhou até a mesa do filho, pegando um copo que tinha ali, foi até o banheiro privativo que a sala possui e voltou de lá segundos depois com um copo cheio de água. Não disse nada pois convenhamos, eu não me meteria em coisa alguma. Ela caminhou até onde os dois se engalfinhavam no chão e despejou o líquido transparente neles fazendo Rose soltar um grito agudo e Edward praguejar alto.

— Agora que eu separei os cachorros grudados, os dois sentadinhos. Agora – ordenou apontando pro sofá que tinha no canto da sala de Edward.

Eu sei que é um momento em família e eu devia ir embora, mas eu estava tão curiosa que fiquei ali mesmo. Rosalie sentou em uma ponta e Edward na outra, eles não se olhavam e cada um olhava na direção oposta. Ela tinha o cabelo molhado e o terno bonito e caro dele estava molhado. A única coisa que tinham em comum agora era a cara de cu que ambos faziam.

— Um de cada vez – Esme falou se posicionando só sofá em frente a eles – Que merda acabou de acontecer?

Os dois começaram a falar ao mesmo tempo, Rosalie gesticulava freneticamente e de vez em quando eu ouvia Edward soltar um “ridícula” e só, era tudo que eu conseguia entender. Pareciam galinhas no galinheiro.

— CHEGA – ela gritou – Eu falei um de cada vez e não os dois juntos. Mas que caralho. Por que vocês estavam quase rolando no chão?

— Ele é um imbecil, já está puxando corda pra se enforcar. Mãe ele já quer enfiar o pau podre nele na Tanya...-

— Para de ser ridícula – ele a cortou – Nós temos uma filha juntos, temos que conversar sua retardada.

— Ela tava te alisando quando entrei na sala.

— Porque ela te viu e achou bonito te irritar.

— Você não fez nada pra impedir a mão dela te alisando – acusou.

— Não deu tempo nem de respirar pois você pulou em mim SUA IDIOTA – gritou a última parte.

— Vocês já sabem o que fazer – Esme interveio

—Nem fodendo – disseram em uníssono.

— Eu não tenho a porra do dia todo, ainda tenho que acompanhar Rose em uma consulta e não saio daqui até vocês se resolverem – Esme falou calma, porém seu tom de voz era ameaçador – E eu estou começando a ficar irritada pra caralho.

Os dois se olharam e pareciam que iam se matar, mas Edward logo deu um sorriso para a irmã e os dois se abraçaram com cada um murmurando um ‘desculpa’. Que coisa mais aleatória. Seria uma cena bonita, se não fosse cômica.

— Você – apontou para o filho – Almoço em minha casa no sábado e você – apontou para Rose – Te espero lá fora. Vou sair daqui porque a cara de vocês está me irritando. Mamãe ama vocês anjinhos – jogou um beijo no ar e foi em direção à porta saindo da sala.

— Ridícula

— Imbecil

Falaram juntos assim que Esme cruzou a porta.

— Sai da minha sala

— Ele fez xixi na cama até os sete anos – Rose disse para mim e se levantou saindo da sala em seguida.

Apenas quando ela falou olhando para mim que Edward notou minha presença na sala já que seu rosto demonstrava surpresa, mas durou pouco, ele logo sorriu pra mim. Revirei os olhos e bufei irritada. Quis lhe mostrar o dedo do meio e o mandar ir tomar longe, mas eu estava no trabalho e ele ainda era meu chefe, então apenas me lhe dei as costas e fui em direção à saída, mas fui impedida por sua mão que segurou meu braço.

— Ei, você está com raiva? – perguntou confuso franzindo o cenho.

— Não, agora com licença, eu tenho trabalho a fazer – tentei soltar meu braço, mas foi sem sucesso.

Edward me olhou nos olhos. Seus olhos fitando os meus de forma avaliativa até eu me sentir incomodada e desviar o olhar.

— Você está com ciúmes – concluiu por fim.

— Estou apenas sendo impedida de ir trabalhar.

— Bella, de ridícula já basta a Rose – riu e isso só fez minha raiva subir – Tanya é a última pessoa do universo na qual você deveria se preocupar.

— Ridícula é a sua cara – bufei irritada – Posso saber porque ela estava te alisando então?

— Porque ela não perde a chance de irritar a Rose.

— Quer saber, não me interessa. Vocês que sejam felizes.

— Para com isso, não aconteceu nada. Ela passou a manhã falando besteiras e me irritando, mas eu tive que aguentar.

— É ficou bem evidente o quanto você estava sofrendo com cara gargalhada e cada ‘oh Edward você me mata’ – falei imitando a voz de Tanya – Mas quer saber? Não me interessa, vocês que se resolvam nessa relação estranha de vocês, não sei como funciona, não quero saber e não quero participar.

— Bella, eu conheço Tanya por mais de doze anos, temos uma filha juntos e nunca tivemos nada além de sexo. Por que você acha que agora que eu estou com você de repente eu ia querer ficar com ela?

— Não é da minha conta...-

— Para – me interrompeu – Conversa direito comigo. Eu ia falar com você depois, estávamos falando sobre a Nat, eu não tenho a guarda dela sabia? É algo que eu quero muito e tira minha paz não ter.

Respirei fundo e tentei me controlar. Péssimo momento pra ter e demonstrar uma crise de ciúmes.

— Droga... desculpa, mas ai não sei, fiquei irritada – confessei deixando minha postura defensiva e soltando o ar pela boca – Sério mesmo? Xixi na cama até os sete anos? – ri.

— Vá para o inferno, Isabella – ele revirou os olhos, mas riu em seguida – E foi até os seis.

— Espero que a Nat não tenha seguido seu exemplo.

— Não... ela parou com dois...

— Esperta!

Edward soltou meu braço e se aproximou envolvendo seus braços ao redor da minha cintura me puxando para um abraço tentando me beijar, mas o afastei.

— Pode parar de graça que estamos no trabalho – lhe dei um tapa no ombro me afastando – Nosso acordo, lembra? Zona neutra.

Ele levantou os braços em rendição, mas tinha um sorriso divertido nos lábios. Não resisti e sorri pra ele e antes de sair da sala, ainda o vi piscar sedutoramente pra mim e sentar novamente em sua mesa. Aí aí, se não estivéssemos no trabalho eu com certeza o agarrava aqui mesmo.

[...]

Rose

20:53 pm

“Oi Bella, tudo bem? Você pode ir lá na casa do Edward, ver se ele está bem e ficar com ele um pouco? Obrigada”

Fiquei olhando pra tela do meu celular e não compreendi o motivo no qual Rose havia me mandado essa mensagem. Alguns minutos depois Alice me mandou mensagem fazendo o mesmo pedido.

Não questionei muito, estava de pijama e minha pantufa de unicórnio, encarei a tela do celular e algo me dizia que era urgente demais, então apenas peguei as chaves do carro e saí assim mesmo. Dirigi até a casa de Edward e como o porteiro já havia me visto lá e segundo ele, Nat já deixou minha entrada autorizada, me deixou subir sem muitos problemas e foi bem fácil para mim ignorar os olhares atravessados que as pessoas no prédio me davam por estar de pijama. Gianna abriu a porta assim que toquei a campainha.

— Bella – falou com um sorriso estranho – Acho que agora não é um bom momento menina. Edward está péssimo. A mãe da Nat esteve aqui e eles tiveram uma discussão feia.

Seu corpo na frente da porta me impedia de entrar e ela tinha uma expressão estranha. Ouvi um barulho de algo se quebrando vindo de dentro do apartamento e não me aguentei.

— Ele não deixou ninguém entrar, nem a mãe, irmã, prima, pai...

— Desculpe, eu preciso entrar – lhe dei um sorriso de como quem pede desculpas e gentilmente a empurrei forçando minha passagem.

Ainda ouvi me chamar, mas ignorei. Segui a direção de onde os barulhos vinham e logo cheguei ao escritório de Edward. Ele estava de costas para a porta e as coisas que estavam em sua mesa estavam todas no chão. Assumi que em um excesso de raiva ele as derrubou propositalmente. Hesitante, entrei no escritório tocando seu ombro.

Ele sobressaltou de susto e quando se virou para mim, seu rosto estava vermelho e a raiva estava estampada em seu rosto. Edward virou-se novamente para a janela e permaneceu em silêncio. Ficaria muito feio se eu fosse no Google agora pesquisar como acalmar alguém que estava com raiva? Sério. No máximo eu consigo contar uma piada ruim.

— Você quer conversar? – esse foi o melhor que consegui fazer.

Edward me olhou e bufou com raiva, me ignorando completamente tirando minha mão de seu ombro e sentando na cadeira em frente à sua mesa. Ele apoiou a cabeça nas mãos e parecia 0 disposto a falar algo.

Quando eu era pequena e ficava com raiva, minha mãe cantava ‘brilha, brilha estrelinha’ pra mim? Será que funciona com ele também? Comecei a cantarolar baixinho sem emitir palavras, apenas a melodia da música.

— Para com essa porra – falou irritado.

É. Eu tentei. Não funcionou.

— Eu não sei ler mentes, sabia? – falei me aproximando e sentando em cima da mesa a sua frente cruzando os braços no peito.

— Não me diga – ironizou.

— O que aconteceu?

— Nada.

— O que aconteceu? – repeti minha pergunta.

— Nada.

— Você está começando a me irritar.

— Eu não pedi pra você vir. Está aqui porque quer – falou áspero.

Respirei fundo e contei até dez pra não sentar minha mão na cara dele.

— Exatamente, então faça valer eu querer estar aqui – ele desviou o olhar irritado para direção oposta – O que aconteceu? – perguntei novamente, tocando seu rosto de forma gentil.

— Tanya decidiu que quer ficar com a filha e levou Natalie pra passar essa semana com ela – falou após alguns minutos de silêncio – Nat saiu daqui chorando porque não quer ficar com a mãe. Ela queria ficar comigo e eu não pude fazer nada porque a merda da nossa guarda é compartilhada e por lei eu não posso a impedir de levar minha filha. Ela saiu daqui chorando Bella e eu tive que ver Tanya mandando-a parar de ser fresca. Eu quis matar essa mulher.

Aí Jesus. Eu respondo alguma coisa? Minha vontade foi fazer como o Sheldon faz, dar um tapinha na costa dele e dizer “passou, passou”, mas acho que não ia ser bem interpretado. Merda. O que eu faço?

Como não soube o que fazer ou falar e como estava sentada em frente dele em cima da mesa, passei os braços ao redor do seu pescoço o abraçando. Acho que isso deve adiantar né?! Sabia que devia ter trazido o John pra tocar uma música pra ele.

— Sabe o que é pior? – fiquei em silêncio esperando-o continuar – Por causa do que a Nat fez trancando o Jacob no banheiro, Tanya decidiu que como castigo ela ficaria essa semana sem o celular dela. Ela fez isso de propósito pra dificultar de eu falar com ela e eu conheço Tanya o suficiente pra saber que ela vai dificultar tudo o que pode e que eu não consiga ver como minha filha está.

— Ela está com a mãe dela, não deve ser tão ruim...

— Ela saiu daqui chorando me pedindo pra não deixar Tanya levar ela – se afastou para me olhar – Sabe como foi pra mim ver minha filha naquele estado? Porra Bella, eu não aguento ver ela chorando.

— Eu sei que não – tentei o consolar.

Eu realmente não nasci pra consolar ninguém, mas sentia a necessidade de o confortar. Partia meu coração o ver nesse estado e me fazia entrar em desespero.

Ficamos em silêncio por incontáveis minutos. Eu tinha minha bochecha apoiada no topo de sua cabeça e sua cabeça repousava em meu peito e eu tinha os braços ao redor do seu pescoço. Eu estava me sentindo péssima pois sabia que a culpa disso era minha.

— Me desculpe – falei rompendo o silêncio.

— Não é sua culpa.

— É sim. Se eu não tivesse feito besteira e enviado a porcaria daquele convite errado, ela não estaria aqui e não teria levado a Nat. Me desculpe.

Ele respirou fundo e se afastou apoiando as costas na cadeira. Segurou minha mão brincando com meus dedos e me olhou em seguida.

— Teria acontecido mais cedo ou mais tarde. Tava demorando até que ela viesse. Não é a primeira vez que ela faz isso Bella e enquanto eu não tiver a guarda total da Nat, infelizmente não vai ser a última.

— Mas eu fui o motivo do ‘mais cedo’.

— Hoje enquanto conversávamos em minha sala, ela falou que desde o início do mês já estava com as passagens pra compradas para vir. Os convites só foram enviados perto do final do mês. Ela já estava vindo de qualquer forma, você não causou nada.

Oh graças a Deus, que alivio. Só percebi que prendia o ar quando ele falou isso e eu pude respirar tranquila. Me chamem de egoísta, mas saber que não causei um pandemônio na vida de alguém é libertador.

Vi que tinha uma cartela de aspirinas em uma prateleira atrás dele e me inclinei pegando-as, destaquei duas e entreguei em suas mãos. Ele passou uns bons momentos de raiva, devia estar com a cabeça estourando.

— Não tem água aqui – falou franzindo o cenho.

— Junta cuspe na boca e engole.

Ele riu revirando os olhos e me mostrou o dedo médio. Esse é o Edward que eu conheço e eu prefiro o ver com esse sorriso. Beijei sua bochecha e fui até a cozinha pegando um copo com água e levando pra ele que tomou os comprimidos e me puxou para sentar em seu colo, apoiando a cabeça na curva do meu pescoço. Passei os braços ao redor dele o abraçando.

— Porra, eu gosto tanto de você – falou e eu senti meu corpo inteiro enrijecer – Quero dizer, por estar aqui. Obrigado por estar aqui – corrigiu o que tinha dito anteriormente e pude por fim relaxar.

— Eu sei, eu sou demais – disse pra descontrair e funcionou, pois ele riu – Agora vem, vamos dormir na sua cama bunda de coelho – levantei da mesa o arrastando pela mão até o quarto.

– Eu não vou conseguir dormir. Natalie deve estar chorando até agora e Tanya deve tê-la deixado pra chorar em silêncio no quarto pois nunca vai ver se Natalie está bem antes de dormir e porra, tendo a casa dela aqui, ela vai ter que ficar em um quarto de hotel.

— A Nat é esperta. Já deve ter ido dormir pro tempo passar mais rápido pois ela sabe que amanhã cedo na escola, o pai dela vai aparecer lá pra ver se ela está bem.

Edward me olhou confuso por alguns segundos e logo arregalou os olhos.

— Eu estava com tanta raiva que não considerei como possibilidade ir na escola dela...

— Quem diria que entre nós, eu era a mente pensante hein – brinquei – Agora deita, fecha o olho e dorme que o tempo vai passar rápido.

Ele assentiu concordando e deitou na cama. Sobrou pra mim. Fui até um armário e peguei uma coberta para nos cobrir, liguei o ar condicionado, fechei a persiana pois a luz do sol assim que acordo me incomoda, desliguei a luz e fui deitar ao seu lado, mas ficou muito escuro e liguei o abajur que tinha próximo a cama.

Ficamos deitados em silêncio um de frente pro outro e sua expressão era de pura preocupação, queria o distrair, mas sei que sua mente estava na filha agora, então seria assim que iria o distrair.

— Você nunca me falou o nome todo da Nat – puxei assunto.

Acho que funcionou em o distrair já que ele abriu um lindo sorriso.

— Natalie Lilian Cullen.

— Por que Lilian?

— Por causa da Rose, o nome dela é Rosalie Lilian Cullen – olhei confusa pra ele – Eu quero jogar Rose numa fornalha a maior parte do tempo, mas Deus sabe o quanto eu a amo e o quanto ela esteve ao meu lado e me deu forças durante a gestação de Tanya, além do que, foi Rosalie que conseguiu convencer Tanya a prosseguir com a gravidez. Não me pergunte como, ela nunca disse, mas sempre fui grato por isso... também foi ótimo irritar Tanya dessa forma – explicou com um sorriso no rosto.

— Ela é adorável, uma pequena mente maligna, mas um amor.

— Sim, ela é e é tudo pra mim – sorriu fraco – Bella, desculpe ter sido grosso com você quando chegou, não foi minha intenção, mas eu estava tão...

— Eu sei – o interrompi – Não foi sua atitude mais bonita e eu quis muito te mandar ir tomar longe, mas entendo seus motivos. Se for honesta, eu mesma quero ir lá e meter a porra nessa mulher apenas por ela ter feito a fofinha da Nat chorar – ele suspirou alto e eu soube que tinha que mudar de assunto – Mas enfim, quando Nat começou a andar?

— Com onze meses, ela sempre foi meio preguiçosa – riu e se empolgou de novo falando da filha.

Consegui o manter entretido por bastante tempo até que ele pareceu ser vencido pelo cansaço pois seus olhos já estavam pesados. Fiquei olhando pra ele e apesar da preocupação e raiva evidente em seu rosto, ele ainda estava deslumbrante e ficou mais deslumbrante ainda quando sorriu pra mim.

Aí que caralhozinho, como eu gosto desses olhos verdes tão límpidos e brilhantes. E esse sorriso? Porra, que sorriso mais apaixonante. Ele é grosso, irritante pra caramba, convencido e tá sempre me irritando, mas não vou negar que eu até gosto quando ele me provoca e convenhamos... eu também sou meio grossa com ele as vezes.

Eu sabia que esse ruivo de olhos verdes era problema desde o momento que eu olhei pra ele. Tá tatuado na testa dele em letras garrafais: PROBLEMA. Mas no momento ele é meu problema. Talvez Alice tivesse razão. Algumas coisas simplesmente acontecem mesmo.

Talvez eu esteja me apaixonando por ele e isso me assusta como o inferno, mas seguiria o conselho de Rosalie e me permitiria sentir algo sem eu mesma dificultar minha própria vida. Dei um beijo cálido em seus lábios e desliguei a luz do abajur me virando pro lado e pronta pra dormir já que ele pelo visto não aguentaria muito acordado.

— Boa noite, sapo.

— Boa noite, Fiona.

É... eu posso me acostumar com isso.

Notas finais
Gosto é da Alice e da Rose que já jogaram a real pra Bella de uma vez sem pena, nem dó e nem piedade, kkkk. AMO. Pelo visto depois dessa conversa ela já abre os olhos pro que está na cara dela. Olha que amorzinho, já estão até se dando apelidinhos, não é o apelido mais carinhoso do mundo, mas já é um progesso, rsrsrsrs. De novo Edward levando essa relação nas costas e se declarando na surdina, kkk. Eu não quero nem falar sobre a raiva que eu estou sentindo da Tanya que veio lá do outro lado do mundo só pra fazer a Natbaby sofrer. Como eu disse, não acho que consigo postar antes do dia 31, então vou deixar como spoiler pro próximo capítulo: EDWARD VAI VIR COM OS CARALHO PRA CIMA DA TANYA POR CAUSA DISSO. É tudo que vou adiantar pra vocês, rsrsrs. É isso, digam o que estão achando, o quanto vocês também querem matar a Tanya pra ter aparecido só pra tirar a Nat do Edward e o que mais o coraçãozinho de vocês quiser, rsrsrs. Qualquer coisa podem me encontrar no twitter: @winterdxs Vejo vocês no próximo capítulo, comenteeeemmm ♥ 28.01.2020