O chefe

23 Endiabrado


Notas iniciais
Oi Oi pessoas que acompanham essa fic ♥ Tudo bem com vocês? Comigo tudo ótimo, rsrsrsrs. Antes de qualquer coisa, quero agradecer a CullenGirl por ter recomendado a fic, muito obrigada, amei as palavras e amo saber o carinho que você tem pela fic. Espero que goste do capítulo pois dedico a você como agradecimento ♥ Também quero agradecer a todos que comentaram, vocês me fazem muito feliz e me dão incentivo pra continuar escrevendo ♥ Bom, espero que gostem e boa leitura ♥

Endiabrado

▬ Natalie ▬

Respirei fundo mais uma vez. Da última vez que tinha olhado no relógio eram quatro da manhã e eu já estava acordada. Fiquei extremamente feliz quando o despertador tocou sinalizando que já eram cinco e meia da manhã, levantei num pulo e peguei uma toalha para tomar banho.

— Por que você já está de pé tão cedo? – mamãe perguntou sem nem ao menos abrir os olhos.

— Eu tenho que ir pra escola – respondi simplesmente.

Não que ela fosse ligar, claro.

Quando chegasse na escola, a primeira coisa que faria seria pegar o celular do Matt e ligar pro meu pai. É um absurdo que minha mãe tenha tirado meu celular por causa da brincadeirinha que eu fiz com Jacob. Ele mereceu, é insuportável.

Tomei um banho rápido, sequei meu cabelo e arrumei tão rápido quanto pude. Vesti meu uniforme, calcei meu sapato, peguei alguns pompons e mesmo contra minha vontade, fui até minha mãe.

— Mãe – a chamei com a voz baixa, ela não gosta que eu fale alto quando ela está dormindo – Você pode me ajudar a amarrar meu cabelo?

Durante uns dez segundos, ela ficou totalmente em silêncio, estava até me perguntando se ela tinha me escutado, já ia perguntar novamente quando ela finalmente abriu os olhos.

— Você já é grande Natalie, devia saber fazer isso sozinha.

Fiquei a olhando sem entender o que ela quis dizer. Isso significa que ela está reclamando e vai arrumar ou que é pra eu me virar? Prefiro meu pai, ele é mais objetivo. Mamãe bufou irritada se sentando na cama em seguida.

— Vem aqui – me chamou.

Reuni meus pompons e fui até ela. Ela arrumou meu cabelo bem mais rápido do que meu pai faria, amarrou as fitinhas direitinho e meu cabelo não ficou torto, ainda assim, eu prefiro quando meu pai arruma meu cabelo. Assim que terminou, ela me virou de frente pra ela me olhando e conferindo se estava tudo no lugar e beijou minha bochecha em seguida.

— Não esquece de passar perfume – alertou.

— Já passei – respondi – O que eu vou tomar café?

— Ali está o telefone, peça alguma coisa do serviço de quarto falou e voltou a deitar em seguida.

Que saudade do meu pai que sai correndo pra ver o que eu vou comer.

Fui até o telefone e pedi algumas panquecas e suco. Não estava com fome. A comida chegou rápido e não entendi quando o funcionário que trouxe a comida ficou com a mão estendida para mim como se esperasse alguma coisa. vai ver fui mal educada, apertei sua mão o cumprimentando e fechei a porta em seguida.

Não é que eu não goste da minha mãe, ela tem momentos legais – mas ontem e hoje não foram esses momentos – e eu até gosto dela... só não gosto de morar com ela ou passar muito tempo com ela. Ela não cuida de mim como meu pai cuida. Eu passei três anos longe dele, mas por sorte, minhas tias e minha vó sempre estavam por perto e meu pai ia quase todo fim de semana me ver. Isso tornava meus dias mais suportáveis.

Me sentei em uma poltrona no canto do quarto e comi lá mesmo. É tão triste comer sozinha, meu pai sempre fica me fazendo companhia no café da manhã, mesmo que ele não coma nada. Falando em meu pai, eu deia ter escovado os dentes antes de comer, meu pai vai me matar se souber que eu comi sem escovar os dentes.

— Natalie, pega água pra mim – mamãe ordenou – Não esquece que eu bebo água com limão de manhã.

Tudo eu nesse lugar, que inferno.

Terminei de engolir o que tinha na boca e fui pegar a maldita água morna, cortei um limão e espremi na água. Olhei para os lados vendo que ela não olhava pra mim e cuspi em sua água. Espero que o gosto do meu mau hálito fique aí.

— Mãe, você tem que me deixar na escola – falei quando entreguei sua água cuspida – Se não e vou me atrasar, o trânsito pra lá é muito intenso.

— Filha, eu vou te ensinar algo que seu pai ainda não te ensinou, mas já devia ter ensinado – fiquei calada esperando ela falar – A pegar o ônibus... melhor, vou te ensinar a pegar o metrô.

— Meu pai não me deixa andar nessas coisas, ele diz que eu ainda sou muito nova pra isso.

— Seu pai te mima demais. Ninguém gosta de criança mimada sabia?

— Mas eu... – me calei frente ao olhar irritado que ela me deu.

— Já está pronta? Eu vou te deixar na estação.

Apenas respirei fundo mais uma vez. Que saudade do meu pai.

▬ Edward ▬

— INFERNO DE TRÂNSITO – gritei irritado socando o volante.

Quando acordei, a primeira coisa que fiz foi me vestir, pegar minhas coisas e ir até a escola de Nat. Bella se adiantou e falou que eu não devia me preocupar com horário pois ela realocaria meus compromissos dessa manhã e deixaria a manhã livre.

Como claro que tudo ia dar errado, fiquei preso na porra de um trânsito do caralho no qual estou parado a exatos trinta minutos, não indo nem pra frente e nem pra trás. Se eu chegar na escola depois das sete, eu vou buscar Natalie na sala que ela estiver.

Sabe Deus como, eu consegui chegar na escola faltando vinte minutos para as sete. Varri o pátio da escola com o olhar e não vi Natalie por ali. Eu sei que ela fica no pátio sentada conversando com os amigos e só entra quando o sino toca as sete, ela me descreve sua rotina todos os dias, então, por que ela não está aqui?

Sentei em um banco e fiquei esperando, se der sete horas e ela não chegar aqui, eu vou atrás de Tanya. Ela não é nem doida de te voltado pra Londres levando Nat junto.

Algumas professoras me olhavam com um sorriso no rosto e acenavam para mim. Ignorei todas e agradeci por nenhuma ter vindo falar comigo. Com o humor que eu estava, mandaria até o papa para o inferno. Olhei o relógio em meu pulso sentindo o desespero me consumir quando notei que faltavam dez para as sete. Eu vou matar Tanya com minhas próprias mãos.

Senti simultaneamente alívio e confusão ao ver Natalie chegar correndo, esbaforida, com os cabelos bagunçados e as bochechas vermelhas. A expressão em seu rosto era de susto e isso me alarmou. Ela não me viu ali e quando passou correndo por mim, a segurei pela mão fazendo ela parar e gritar assustada.

— AAAA ME SOLTAAAA – gritou tentando morder minha mão.

— Filha, calma – ao ouvir minha voz, ela pareceu se acalmar. Levantou o olhar e quando me viu, se jogou em mim me abraçando pela cintura – O que aconteceu? Você está bem? Responde filha, está me deixando preocupado. O que houve?

— Eu não quero mais ficar com minha mãe – falou com a voz chorosa.

A peguei em meu colo e caminhei com ela até um banco que tinha próximo a entrada da escola, sentei ela no banco e sentei ao seu lado. Notei que seus olhos estavam vermelhos, levemente inchados e parecia que ela tinha chorado durante a noite e recentemente. Estava consumido pela raiva e senti minha respiração pesada.

— Filha, o que aconteceu? Por que você só chegou agora? Cadê sua mãe? – questionei em busca de respostas para acalmar meus nervos.

— Pai eu não quero mais ficar com minha mãe, por favor, consegue logo minha guarda – pediu chorosa.

— Natalie, cadê a sua mãe?

— Ela me fez pegar o metrô...

— O QUE? – gritei surpreso chamando a atenção de alguns professores que estavam perto. Me recompus e questionei novamente – Me diz que ela veio com você.

— Não. Ela falou que você me mimava demais. Que eu já era grande e tinha que aprender a andar pela cidade. Ela me levou até a estação e me colocou dentro do metrô e falou que eu tinha que descer 10 paradas depois – falou em um só fôlego – Foi muito assustador, todo mundo me empurrava, todos que chegavam perto eu achava que iam me sequestrar. Eu não quero fazer isso de novo. Ela fez eu mesma pedir meu café e comer sozinha. Ontem ela mandou eu parar de chorar e que se eu quisesse chorar fizesse isso em silêncio pois eu já era muito grande pra chorar.

Fechei os olhos esfregando minhas têmporas com força. Filha de uma puta. Eu vou matar Tanya com minhas próprias mãos. Abracei Natalie com força e senti quando ela começou a soluçar em meus braços.

— Pai, consegue minha guarda, por favor – pediu novamente.

— Filha, eu não quero te expor a todo o estresse que é uma batalha judicial desse nível, mas eu vou com certeza matar a sua mãe...

— Eu não me importo – falou me interrompendo – Eu já conversei com alguns amigos que passaram por isso, eu já pesquisei sobre isso. Não é cansativo e nem estressante. Por favor paizinho, mesmo que seja, eu não me importo de passar por isso se no final eu puder ficar só com o senhor e minha mãe só me visitar e eu só passar um final de semana com ela.

— Filha, é uma batalha judicial – tentei explicar.

— Eu não me importo papai.

Olhei bem em seus olhos. Natalie parecia determinada e apesar da pouca idade, conhecia bem minha filha pra saber que ela estava falando sério quando disse que não se importava e que não voltaria atrás em sua decisão.

— Tanya acabou de comprar uma briga comigo – falei em concordância ao pedido de Nat – Você não vai voltar com ela hoje, você vai voltar comigo pra casa e eu vou ir ter uma conversinha com sua mãe.

— Obrigada papai – ela me abraçou mais forte.

— Oi Nat – um garoto de olhos azuis e um sorriso irritante apareceu tocando o ombro da minha filha – Estava te procurando. Fiquei preocupado que você ainda não tinha chegado – o garoto pareceu notar minha presença e sorriu pra mim – E aí tio. Tudo beleza?

Fechei a cara pra ele.

— Tio? – repeti irônico – Eu não tenho sobrinho feio.

— Pai, para de ser chato – Nat revirou os olhos – Oi Matt. Eu me atrasei, mas cheguei.

Ah. O tal ‘Matt’. Vendo agora, é o mesmo garoto que Nat me apresentou no dia do seu primeiro jogo. A contra gosto, tive que ficar vendo a interação dos dois que conversavam animados. Tive que bater algumas vezes na mão do tal Matt toda vez que ele encostava na minha filha. Esse garoto não tem medo de apanhar?

Depois que Natalie me olhou feio pela milésima vez, deixei os dois conversando e me afastei pois precisava fazer uma ligação. Infelizmente, Rosalie não poderia ficar com Nat pois iria para uma consulta com Emmett, Alice também não poderia pois já tinha um compromisso agora pela manhã e nem Carlisle e nem Esme atendiam o telefone. Inferno. Pra que esse povo tem telefone se não vão atender essa merda?

Como Natalie estaria com Tanya essa semana, liberei Gianna para que ela fosse ao hospital fazer alguns exames de rotina que ela faria hoje, então também não poderia contar com ela. Liguei para a única pessoa que me veio à mente.

— Diga, mas seja breve pois estou trabalhando – Bella disse assim que atendeu o telefone.

Por não se tratar de um assunto referente a empresa, liguei para o seu número pessoal.

— Bella, eu preciso que você me faça um favor pessoal – falei sério e interpretei seu silêncio como um incentivo para prosseguir – Alice e Rosalie não podem ficar com Natalie. Gianna está no hospital fazendo exames e meus pais não atendem a merda do telefone deles... você poderia olhar Nat por algumas horas?

— Claro, trás ela aqui pra empresa. Vou usar ela como pombo correio pra levar alguns documentos no setor do protocolo. Já me economiza tempo – ela riu.

— Isabella... – falei sério e ela riu mais alto ainda.

— Eu estou rindo, mas é sério. Eu vou mesmo recrutar a Nat pra me ajudar.

— Espero que ela te dê muito trabalho – suspirei vencido.

— Nada, ela é inteligente, vai aprender fácil.

— Ela é inteligente mesmo – disse orgulhoso – Em alguns minutos eu chego aí.

Quando o sinal tocou para que os alunos entrassem, o amigo abusado de Nat já estava a puxando para entrar com ele, mas eu o impedi. Hoje Nat não iria para a escola. A levei para a empresa e deixei ela com Bella e ela não pareceu se importar por eu a deixar sozinha por algumas horas. Por favor Deus, que Isabella não quebre a minha filha.

[...]

— Edward – Tanya sorriu assim que abriu a porta para mim – Sentiu saudades? Para a sua sorte eu sempre arranjo um tempinho pra você.

Ignorei cada uma de suas palavras e não esperei que ela me convidasse para entrar, entrei assim mesmo passando reto por ela. Tanya fechou a porta atrás de si se escorando nela, cruzando os braços no peito e me olhando com um sorriso atrevido no rosto.

— Nossa, você parece tão tenso, deixa eu te ajudar com is...

— Você vai calar a porra da sua boca e vai me escutar – rispidamente, a interrompi de continuar falando e ela me olhou assustada – Qual é a porcaria do seu problema? Que tipo de dano cerebral você tem na merda da sua cabeça de vento e de qual tipo de filha da putice você sofre pra pôr minha filha de dez anos. Repito, dez anos na porra de um metrô e a colocar pra andar sozinha na merda de uma cidade que ela não conhece direito? – minha voz estava algumas oitavas mais alta.

— Como você sabe disso?

— Olha, eu não ligo pra sua vida, pro que você faz ou pro caralho a quatro – falei ignorando sua pergunta – Mas quando você põe a minha filha em risco, a história é completamente diferente.

— Ela também é minha filha...

— SUA PORRA NENHUMA – acusei – Você nem queria seguir com a gravidez. Eu criei Natalie praticamente sozinho. Sua única preocupação era a merda da sua ‘juventude que foi desperdiçada’. Você abrir a boca pra dizer que ela é sua filha chega a ser uma ofensa pra quem é mãe de verdade. Natalie tem três mães e nenhuma delas é você. Esme, Alice e Rosalie são muito mais mãe da Nat do que você.

— Eu...

— Eu já falei que você vai me escutar, porra – eu estava completamente fora de mim, mas não me importava – Você sabe como foi ver minha filha com os olhos inchados e vermelhos, descabelada, assustada com todos a sua volta e apavorada como o inferno porque você sem o menor discernimento achou bonito a mandar sozinha pra escola em uma cidade grande? Ela tem dez anos Tanya, não é quinze, não é dezesseis, é dez. Dez anos, porra. Qual é a merda do seu problema?

— Onde está Natalie?

— Graças a tudo que é mais sagrado bem longe de você – respondi – Ela não vai voltar aqui com você me ouviu? Ela vai ficar comigo, de onde ela não devia ter saído.

— Você não pode me impedir de ficar com a minha filha – falou irritada – Nossa guarda é compartilhada, lembra? Eu tento tanto direito quant...

— Uma porra que você tem – a cortei – Você não tem nem o direito de ser chamada de mãe. Ela vai ficar comigo. Se você quiser a ver, pode ver, não vou impedir. Quer passar um final de semana com ela? Que passe. Mas você não vai mais a levar pra longe de mim por tanto tempo assim e nem cortar a comunicação dela comigo. Tirar o celular dela? Que palhaçada foi essa?

— Você acha mesmo que pode me afastar dela assim? Eu sou a mãe dela, Edward. Não me importa o que você pensa, do meu jeito, eu também amo ela.

— Que merda de amor é esse seu hein. Olha, uma porcaria. Merece até aplausos – bati palmas ironicamente – Patético.

— O problema é que você e sua família são muito moles, muito dependentes um do outro e tudo que eu não quero é que minha filha cresça dessa mesma forma.

— O único problema é que você é uma péssima mãe e que não tem senso nenhum do que seja família – rebati – Não tenho culpa de você vir de uma família fodidamente desestruturada e por conta disso, deveria querer algo diferente pra sua filha...

— Ah, pelo amor de Deus Edward. Não vai dizer que você queria se casar e montar uma família tradicional. Me poupe – Tanya revirou os olhos – Vê se cresce.

— Foda-se o tradicionalismo. Não estou falando de casamento. Estou falando de você tentar manter uma convivência pacífica e não fazer todas as merdas eu você faz. Eu já estou saturado disso e cheguei no meu limite. O que você fez hoje foi o ápice pra mim.

— Você não vai me afastar da minha filha. Nem que pra isso e tenha que ir até o inferno.

— Iria mesmo expor a sua filha a uma extensa e cansativa batalha judicial apenas para me desafiar? – questionei – Se você fosse uma mãe decente eu não iria me importar em ela estar contigo, mas você sendo essa porcaria de mãe, acha mesmo que eu deixaria minha filha sob os seus cuidados?

— Faria isso apenas para poder ficar com minha filha sem você tentando me afastar dela.

Suas palavras apenas serviram para despertar a ira em mim. Ela nunca se importou com Natalie a ponto de querer armar uma confusão. Por que justo agora ela quer começar? Caminhei até ficar bem próximo dela, ela recusou um passo ficando imprensada entre a porta e eu. Olhei bem em seus olhos e pude ver o medo refletido neles.

— Cuidado com o que vai fazer, Tanya – adverti – Pois você pode mesmo chegar no inferno, mas quando chegar lá, não é com o diabo que você vai ter que lidar, vai ser comigo e acredite, você ia preferir comprar briga com o diabo do que comprar briga comigo— falei em tom de voz ameaçador.

Vi quando ela engoliu em seco e piscou diversas vezes desviando o olhar. Sua boca abrindo e fechando, mas nenhum som foi emitido. Me afastei dela e saí batendo a porta com força. Eu realmente espero que ela não me faça entrar em uma batalha judicial pela guarda de Nat e não submeta minha pequena a isso, mas se ela o fizer, é bom estar ciente que eu quando entro em uma batalha, não é pra perder.

▬ Bella ▬

— Isso parece tãããããão chato – Nat reclamou quando a fiz ir com Jane pegar a ata da reunião com os representantes da Amazon para que eu redigisse o contrato.

— Sim, por isso se chama trabalho, fofinha e acredite... eu pai nos entope dessas coisas – falei com uma careta de desgosto.

— Sério? Meu pai é tão amorzinho. Ele faz tudo por mim – ela sorriu.

‘É porque ele é um filho da puta com todo mundo, menos com você, porque como foi dito, ele é cadelinha de menina’, pensei, mas não falei.

— Sorte a sua... agora corre, pega lá pra mim por favor se não vou me atrasar, me enrolar toda e provavelmente ficar em almoçar.

— Você já ficou sem almoçar?

— Mais vezes do que eu gostaria de admitir – confessei.

— Meu pai nunca ficou sem almoçar.

— Eu sei e se soubesse antes que o estomago dele era todo podre, teria colocado trigo na comida dele. Eu perderia meu almoço, mas ele perderia tempo no banheiro.

— Eu vou pisar no seu pé, Bella – Nat me ameaçou.

Apenas ri pra ela que me deu as costas e foi até Jane pegar os documentos que eu pedi.

Passei a manhã conversando com a Nat. Ela não parava de dizer o quanto tinha gostado de não ter que assistir aula e de saber que hoje dormiria com o pai de novo. Não vou negar, eu estava incrivelmente feliz por saber que Natalie voltaria hoje pra casa do pai. Eu vi de perto como Edward ficou quando Tanya a levou e me partiu o coração o ver naquele estado e partiu mais ainda saber que Nat tinha chorado pedindo para não ir. Como alguém poderia fazer uma criança tão fofinha como ela chorar?

— Bella? – Nat chamou minha atenção.

— Hun?

— Eu gosto de você, sabia? Você é legal – ela sorriu animada.

— Também gosto de você fofinha – estendi o braço para alcançar seu rosto e apertar sua bochecha com força, força até demais.

— AAAAIIII – ela gritou de dor.

— Desculpe, foi de maldade, mas é porque você é muito fofinha, não resisti – sorri sem graça.

— Eu vou contar isso pro meu pai.

Do jeito que Edward é super protetor com ela, é capaz de ele vir aqui arrancar minha cabeça e até que eu explique que é porque ela é fofa, eu já vou estar sem cabeça alguma em meu corpo. ri com essa perspectiva, era engraçado porque era real.

Redigir o contrato foi incrivelmente rápido já que Nat me ajudava lendo alguns pontos importantes para mim o que me economizou tento de parar, ler, esquecer o que li, ler novamente e por fim redigir. Não parece, mas isso me toma muito tempo.

Ao finalizar o contrato que seria assinado, notei um detalhe importante. Edward teria que ir a Nova Iorque para fechar o contrato já que as negociações não terminaram quando os representantes vieram até agora, agora seria Edward a ir finalizar toda negociação. Uau, três dias sem meu chefe aqui me enchendo a paciência. Vai ser meu próprio paraíso particular.

Eu honestamente não me importaria se Nat viesse me ajudar todo dia. Tudo era mais rápido com ela me ajudando. Como ela estava sem celular, lhe emprestei o meu para que ela jogasse, assistisse vídeo ou seja lá o que ela quisesse fazer nele.

— Você é adulta e trabalha. Por que não compra um celular mais moderno pra você? O seu é um iPhone 7, até eu tenho o novo iPhone a pirralha filha do lúcifer resolveu me atentar.

— Porque diferente de você eu não nasci herdeira – ela deu de ombros – E se você falar muito, eu vou pegar meu celular de volta, sua ingrata.

A pirralha apenas riu. Faltava apenas quinze minutos para o meu horário do almoço e esses eram os momentos em que mais parecia que o tempo congelava e não passava nunca. Poxa. Eu só queria ir logo fofocar com as meninas. O que será que aconteceu hoje pela empresa? O auge seria alguém ter levado uma queda... eu queria que fosse o Joe da contabilidade, ele é um puto, não gosto dele.

— Bella, a tia Alice mandou mensagem pra você – Nat falou me tirando dos meus devaneios.

— Abre aí e vê o que ela quer – falei desinteressada.

— Ela quer saber se você quer ir semana que vem com ela e a tia Rose no shopping fazer compras.

Quero não.

— Tá, diz que eu vou – falei e Nat apenas assentiu concordando.

Não é porque eu não quero ir que eu não irei. Tô precisando mesmo sair de casa.

Continuei pensando. Será que alguém caiu da escada hoje? Normalmente alguém sempre cai, se não caiu, eu posso empurrar o Joe. Será que eu seria demitida por isso? Se eu fosse, ia valer tanto a pena. Joe é um nojento. Me afundei na cadeira e comecei a rodar em nela. Tinha esquecido como é gostosinho sentar aqui e ficar rodando como se não houvesse amanhã.

— Você não está em um playground, Isabella – ouvi a voz do meu chefe me repreendendo.

Ah só pode ser sacanagem do universo com a minha cara. Por favor, que isso seja uma projeção da minha mente e que o enviado do lúcifer ainda esteja na puta que pariu fazendo sabe Deus o que.

— Pare de rodar nessa cadeira, Isabella – ouvi sua voz novamente chamando minha atenção.

PRO INFERNO ELE E SUA MANIA DE ACABAR COM MINHA DIVERSÃO.

Levantei a cabeça e vi Edward me olhando de forma repreensiva. Minha vontade foi fazer uma careta e dar língua, mas eu sou uma mocinha profissional, não faço essas coisas... não quando meu chefe está olhando.

Ih, lembrei que ainda não coloquei o nome dele no macumbaonline hoje. Isso tem que ser corrigido. Urgente!

— Desculpe – murmurei me ajeitando na cadeira – Ih, é meu horário do almoço – levantei apressada olhando o relógio marcar meio dia – Tchau fofinha, amei passar a manhã com você, apareça mais vezes pra me ajudar no meu trabalho.

— Tirando o trabalho escravo também gostei. Tchau Bella – Nat veio até mim e me abraçou em seguida.

Retribuí seu abraço e em seguida saí quase correndo dali antes que sobrasse pra mim pois não liguei para o restaurante pedindo o almoço dele. Espero que a Nat o faça comer fora, caso contrário, eu que lute.

— Vejo três mosquitos reunidos fofocando e não me vejo aí nesse meio – falei ao ver Jess, Jane e Ang agrupadas conversando baixinho – Posso saber porque não fui chamada pra fofoca?

— Fala baixo sua indiscreta – Jane me repreendeu me puxando pela mão pra rodinha delas – Estamos falando mal do chefe.

— Meu momento favorito do dia – até sentia meus olhos brilhado – Qual a fofoca de hoje?

— Acho que ele parou de transar – Ang disse fazendo cara de desprezo – Voltou a ser o demônio de sempre. Chegou aqui sem cumprimentar ninguém, ignorou todo mundo que falou com ele e chegou soltando fogo pelas ventas.

— Eu sempre soube que não ia durar muito – Jess deu de ombros – Foi bom enquanto durou.

— Aqui entre nós – falei em tom mais baixo e as três se inclinaram mais para ouvir melhor – Eu ouvi que ele teve uma puta de uma discussão com a mãe da filha dele...

Tudo bem, eu não deveria ter falado nada, mas foi mais forte do que eu. Meu espírito de fazer fofoca sobre o chefe falou mais alto que meu bom senso que convenhamos, é meio inexistente.

— Se ele quiser, eu posso ir consolar ele – Jess oferecida se ofereceu.

— Você não teria chances, Jess – Jane falou e eu concordei com um aceno de cabeças – Eu tenho certeza que ele prefere as loiras – falou tocando em seu próprio cabelo e eu fechei a cara pra ela.

— Gente, é o demônio lembram? – chamei a atenção delas – O próprio lúcifer manifestado. Ele pode fazer da vida de vocês um inferno. Esqueceram disso?

— Se for pra sentar naquele homem, vai valer a pena cada segundo no inferno – Ang estava muito pra frente pro meu gosto.

— Espero que ele infernize a vida de vocês tanto, tanto, mais tanto que vocês se arrependam de falar essas coisas – murmurei ranzinza.

— Você por acaso está com ciúmes do chefinho é? – Jane brincou – A gente divide ele com você, sua boba.

— Pro inferno todas vocês – fechei a cara pra elas.

— Bella, achei que não ia mais te ver nessa empresa – a voz de Riley atrás de mim chamou minha atenção – Ficou presa no calabouço?

— Calabouço? – repeti confusa

— Sim. A sua sala – Ang respondeu e todos riram – Foi o apelido carinhoso que demos para o seu local de trabalho.

— Ou como dizemos popularmente ‘A assistente do satã está presa no calabouço’ – Riley concluiu me fazendo revirar os olhos pra ele – Não ganho um abraço?

— Depois dessa sua piadinha ruim? Não – fiz bico pra ele, mas não resisti e o abracei – Tem tempo que não te vejo pela empresa.

— Você parece menor a cada dia – ele riu e beijou minha bochecha.

— Mantenham a relação pessoal de vocês longe deste prédio – a voz em tom cortante de Edward se fez audível – Vocês não são pagos pra isso.

Praticamente empurrei Riley para longe de forma brusca. Quando esse homem apareceu aqui gente? Claro que ele passou reto e não nos olhou por um segundo sequer ao contrário de Nat que estava de mãos dadas com o pai e virou a cabeça para trás só pra me olhar de forma repreensiva e balançar a cabeça negativamente mostrando todo seu descontentamento.

Ah pronto, que eu estou ‘feita’ com essa família.

— Parece que alguém vai passar muito tempo presa o calabouço – Jess sussurrou e eu olhei ameaçadoramente para Riley.

Era só o que me faltava.

[...]

Infelizmente, Jess estava coberta de razão. Eu passei mesmo muito tempo no meu próprio ‘calabouço’ e me sinto no direito de dizer que: minha semana estava sendo infernal. Após ele ter me visto abraçada com Riley e ele ter beijado meu rosto, Edward mal falava comigo e quando falava, era pra me encher de trabalho e fora da empresa, ele agia da mesma forma: mal falando comigo.

Nat também ficou assim, mas durou só três dias, ela não resistiu e me mandou uma foto que achou engraçada e desde lá ela voltou a falar direito comigo, mas disse que o pai dela estava de mau humor desde aquele dia. Ah pronto, agora o lúcifer fica de mau humor e a culpa é minha? Não tenho culpa se ele não tá de cu virado pra lua.

Plena sexta feira, quase meia noite e eu não estava transando. Acho isso um absurdo pois eu tenho um contrato justamente pra garantir que eu transaria. Como o enviado do satã não respondia minhas mensagens e eu já estava bem puta da vida com ele, ia pessoalmente tomar satisfações com ele.

Troquei meu pijama por uma roupa um pouco mais decente, escovei meus dentes, pois se iria discutir não seria bom estar com mau hálito e amarrei meu cabelo num coque mal feito, mas dane-se, é o que teremos pra hoje. Coloquei John deitado em minha cama, um cobertor por cima dele e deixei meu boneco funko pop do Thor do ladinho dele pra ele se sentir protegido.

— Fica bem bebê, eu vou ali estapear a cara do seu pai e já volto – dei um beijo na cabeça peluda de John e ajeitei o tambor em suas patas/mãos.

Enquanto dirigia até a casa da criança mimada que Edward era, fiquei pensando, eu só posso gostar muito dele mesmo pra sair da minha casa, as 23:42 só pra ir questionar o porquê de ele estar sendo filho da puta comigo. Qual é Edward, colabora comigo, como eu sou saber se estou apaixonada por você se você fica agindo assim?

Sabe aquele negócio de que achar a sua metade da laranja é simples? Não concordo. Pra mim é bem difícil. Então me peguei pensando... e se a minha metade da laranja for uma porção de batatas fritas? Talvez á seja uma laranja inteira, então só preciso achar alguém que me chupe bem. Se bem que eu já achei e porra, como ele faz isso bem. Talvez ele seja minha porção de batata frita.

Mais uma vez, consegui subir sem problemas já que tenho meu nome autorizado e assim que cheguei em frente a sua porta, mandei mensagem para Nat para ela não se alarmar pois era eu na porta e ela respondeu dizendo que deixaria Gianna ciente disso. Respirei fundo. Vamos lá Bella, vamos começar os trabalhos.

Coloquei meu dedo na campainha e a toquei freneticamente repetidas vezes. O barulho era irritante, mas isso não me intimidou. Tocaria a porcaria dessa campainha até Edward abrir a maldita porta o que não demorou muito já que pelo horário o barulho deveria incomodar.

Edward abriu a porta usando apenas uma calça de moletom, seus cabelos estavam selvagens apontando para todas as direções e ele tinha uma expressão não muito agradável no rosto e fechou ainda mais o rosto quando me viu parada em sua porta.

— Para com essa porra – reclamou e só de raiva, ainda toquei a campainha mais umas três vezes até ele segurar minha mão me impedindo de continuar – Você parece criança.

— EU pareço criança? – tive que gargalhar alto com isso – Eu pareço criança? Você que tá que nem uma criança mimada me ignorando e eu sou a criança? Me poupe – devolvi irônica cruzando os braços.

— O que você quer aqui? – perguntou impaciente passando a mão no cabelo.

Senti meu sangue ferver de raiva. Por que mesmo que eu saí de casa?

— Queria saber porque você está sendo escroto comigo, mas foda-se, não quero mais saber. Engula sua criancice, se engasgue com ela e morra – irritada, me virei para ir embora dali.

John esperava por mim e eu lucraria mais indo assistir filme com meu filho do tambor.

Quando me virei, Edward me segurou pela mão e minha vontade foi estapear a cara dele só de raiva, mas eu não passei só vontade, dei um tapa em seu peito e de raiva ainda dei mais um e ainda ia o estapear mais se ele não tivesse segurado minha mão.

— Para – falou prendendo o riso – Me desculpa, eu estou mesmo me comportando como uma criança.

— Está mesmo, seu ridículo – bufei irritada – Por que você está assim?

— Porque eu fiquei irritado como o inferno quando fui te convidar pra almoçar comigo e te vi de beijos e abraços com outro cara. Por que estava assim com ele? – seu tom era mais acusatório do que curioso.

— Porque eu saio de casa, eu vejo pessoas, tenho amigos e sou sociável, você não?

— Não – respondeu irritado.

— Ah para, vai dizer agora que estava com ciúmes? – perguntei irônica.

— Na verdade, estava sim.

Ok, por essa eu não estava esperando. Gente, ninguém nunca disse pra ele que esse tipo de coisa você nega? O que eu respondo agora?

Só percebi que abandonei minha postura defensiva e baixei minha guarda quando me senti ser envolvida por seus braços e ser abraçada por ele que me trouxe para perto de si e se inclinou beijando meu pescoço que estava exposto por eu estar de cabelo amarrado.

— Me desculpe ser um idiota, as vezes eu faço isso – falou com a voz rouca contra minha pele sensível.

Pernas pra que te quero. Foi só ele beijar meu pescoço e falar um pouco mais doce que eu já fiquei mole das pernas. Quando eu fiquei tão fraca assim pra homem gente? Se você perguntar meu nome eu não vou saber responder.

— Você é mesmo um idiota – concordei com ele – Eu já tinha dito que quando não te quisesse mais ia te falar e quebraríamos o contrato.

— Não pensa muito no contrato – pediu.

— Claro que eu penso e você tem que parar de ser escrotinho sabia?

— Sim. Temos que aprender a nos resolver, nossa personalidade é muito filha da puta, dificulta nossa vida.

Tive que concordar com ele. Nós éramos mesmo duas pessoas de personalidade forte que precisam aprender a lidar um com o jeito do outro. Antes que eu pudesse concordar com ele, ele já tinha reivindicado meus lábios para si.

Edward agarrou minha cintura com força e sua outra mão foi até minha nuca fazendo um carinho no local que me arrepiou até a alma. Sua língua delineando meu lábio pedindo passagem foi o suficiente pra me fazer perder a razão. Abri a boca permitindo que sua língua faminta explorasse minha boca.

Agarrei um punhado do seu cabelo com força. Quando nossas línguas se tocaram, a suguei arrancando um gemido abafado dele. Dane-se meu bom senso, o empurrei até ele cair sentado no sofá e sentei por cima dele, com uma perna de cada lado do seu corpo. Sua mão deslizou por minha coxa até chegar na minha bunda onde ele apertou com força me fazendo gemer alto.

O fato de eu estar completamente sem ar me impedia de continuar beijando sua boca, mas não me impedia de continuar o beijando e por isso, aproveitei que ele estava sem camisa e desci com a boca para o seu maxilar descendo até seu pescoço. Eu sentia sua ereção sob o tecido do moletom e me perguntei se ele estava de cueca. Não me importei com isso, me esfreguei em sua ereção gemendo com o contato dos nossos sexos. Malditas roupas que atrapalhavam meus planos.

Edward suspirava alto e tinha seus olhos fechados. Era a visão mais sexy que eu tinha dele, só perdendo pra visão que eu tenho quando ele está completamente nu, em cima de mim, me fodendo com força... quero.

— Ei – ele disse arfante me afastando – Nat e Gianna estão em casa... – ignorei o que ele falava e continuei o provocando, passei a mão por entre nossos corpos e toquei em seu pau o estimulando por cima da roupa – Porra... Bella – ele segurou minha mão – Não vai ser legal se minha filha vier aqui e eu estiver de pau duro.

Isso lá era hora pro meu bom senso voltar? Merda! Agora eu estava excitada e molhada.

Saí de cima dele ocupando o lugar vago ao seu lado no elegante sofá dele. Ele que lute com a ereção evidente dele.

Estávamos ambos ofegantes e quando nos olhamos, acabamos rindo que nem dois adolescentes que foram pegos fazendo coisa errada. Por que meu coração tá batendo rápido assim e por que eu estou amando ver ele todo sorridente pra mim e amando mais ainda saber que já nos resolvemos? Merda. Eu acho que eu gosto dele. Inferno de homem que veio do inferno só pra me seduzir. Vai ver ele é uma pomba gira que veio dos confins do fim do mundo só pra me seduzir e confundir minha cabeça. Pelo menos veio em uma forma gostosa pra caralho e olha... que forma gente... que forma.

— Você parece uma banana – falei quebrado o silêncio.

— Hum... o que? – questionou confuso franzindo o cenho.

— Sei lá, você é branco e cheio de pintinha. Parece um palmitinho manchado – não me aguentei e ri alto.

Edward apenas me olhava sem entender, até que suspirou alto e balançou a cabeça.

— Eu não vou nem tentar entender isso – falou simplesmente, segurando minha mão e brincando com meus dedos – Dorme aqui comigo.

Fiquei olhando pra ele, não entendi. Isso foi uma pergunta ou uma ordem? Se for uma ordem, mando ele pro inferno, se for um pedido, eu posso considerar. Vou dizer que não do mesmo jeito, mas posso considerar o pedido.

— Han? – me fiz de desentendida.

— Dorme aqui comigo? – agora ficou mais claro, foi um pedido.

— Não dá. Eu saí tão puta com você que nem lembro se tranquei minha casa – fiz uma careta ao lembrar que poderia voltar e estar sem meus móveis... meu Deus e se levarem o John? – Mas como hoje eu estou um amorzinho, você pode ir comigo.

— Nat está em casa – falou como quem pede desculpas.

Revirei os olhos pra ele. Como se a Nat fosse um problema.

— Traz ela também – falei como se fosse óbvio... porque era óbvio.

Ele me olhou surpreso e parecia não esperar por isso.

— E ela vai dormir na cama com a gente? Ela é espaçosa... mais que você.

— Eu tenho outro quarto em casa sabia? – falei ofendida.

— Não. Eu só estive em um quarto da sua casa – deu de ombros – Tá bom, vou ver se ela quer ir... mas vou daqui a pouco – apontou para sua ereção que ainda estava evidente.

Dei uma risadinha convencida... eu que causei e me orgulho muito disso.

Depois de alguns minutos, Edward preguiçoso como só ele, ao invés de subir para falar com a filha, simplesmente ligou pra ela. Gente, era só ele subir a escada, a menina estava no andar de cima. Eu hein, homem sedentário. Nat desceu as escadas animada sentando entre nós no sofá.

— Por que me chamaram? – perguntou assim que sentou.

Eu não chamei ninguém, quem chamou foi seu pai. Se resolve com ele.

— Vamos dormir lá na casa da Bella hoje? – perguntou sem cerimonias.

— Eu sair da minha cama com minha colcha macia pra ir dormir lá só pra vocês ficarem se agarrando? Eu não – se recusou.

Minha vontade foi rir na cara dele e falar ‘se fodeu’. Mas Edward se inclinou sussurrando alguma coisa que eu não consegui ouvir no ouvido da mini lúcifer que logo sorriu e mudou de ideia.

— Eu vou pegar minhas coisas – ela se levantou num pulo e quando pisquei a coisinha ruiva não estava mais na sala.

— O que você falou pra ela? – perguntei curiosa.

— Para de ser fofoqueira, Bella – o filho da puta riu.

— Pau no seu cu – mostrei o dedo do meio pra ele que apenas riu mais alto e levantou dizendo que ia mudar de roupa.

Eu sou uma piada pra essa família mesmo.

[...]

— Bella? – Edward me chamou – Seu macaco está me olhando estranho.

Quando chegamos em casa, após deixar Nat no quarto que ela iria dormir, fomos para o meu e disse a Edward para ele me esperar sentado na cama enquanto eu tomava banho e não deitar em cima do John. Ele é uma criança sensível.

— É porque ele quer conhecer o pai dele – brinquei.

— O que?

— Não sabia não? Você o pai do John – ri – Dá um beijinho nele.

Edward olhou com certo desprezo para John deitado na cama e olhou pra mim novamente.

— Meu pau – falou ranzinza – Mas me lembra disso quando Nat vier pedir um irmão de novo.

— Nat já chegou na fase de querer irmãos? – ele assentiu concordando – Se fodeu então – gargalhei alto.

Edward me olhou com a sobrancelha arqueada e um sorriso no rosto que dizia ‘não me fodi sozinho’. Credo. Até parei de rir. Fui tomar meu banho e quando voltei, Edward estava deitado na cama, John estava ao seu lado e ele olhava estranho para meu filho peludo.

— Eu posso jurar que seu macaco me odeia. Juro que ele me olha estranho.

— É porque ele sabe que você é o próprio lúcifer manifestado.

Ele até abriu a boca pra responder, mas as batidas na porta chamaram nossa atenção. Assim que abri a porta, Nat entrou no quarto se jogando na cama.

— Não quero dormir. Podemos assistir filme? – perguntou manhosa se jogando nos braços do pai.

— Sim

— Não.

Edward e eu falamos ao mesmo tempo. Claro que ele ia ser o chato que ia dizer não e eu sou a legal que concordou.

— Ebaaaa – Nat bateu palmas animada – Posso escolher o filme?

— Não.

— Pode.

Mais uma vez, Edward e eu falamos juntos, mas dessa vez, quem disse o ‘não’ fui eu. Minha casa, meus filmes.

— Se decidam – a mini lúcifer ruiva disse impaciente.

— Podemos assistir, mas eu escolho – falei pegando o controle e ligando a televisão – Vamos assistir Frozen.

— Eu topo – Nat concordou.

Oh fofinha, nem se você não topasse. Ou é meu filme ou não é filme nenhum.

— Isso não é filme da Disney? – Edward perguntou fazendo uma careta engraçada e fofa. Assenti concordando – Puta que pariu. Não me diz que vão cantar nesse filme.

— Para de falar palavrão perto dela – apontei pra Nat que deu de ombros – E vai ter música sim. Se não gostar, fura os ouvidos.

Ele aproveitou que Nat estava distraída no celular e usou as duas mãos me mostrando o dedo médio. Madura como eu sou, fiz o mesmo. Espero que ele enfie no cu.

Coloquei o filme pra começar, apaguei a luz do quarto e me deitei na cama, Nat bloqueou a tela do celular e ao invés de ir deitar ao lado do pai, veio deitar ao meu lado. Edward me puxou para perto passando o braço ao redor da minha cintura e apoiando a cabeça no outro braço. Nat apoiou a cabeça no meu braço e eu aproveitei pra abraçar ela também. Edward se mexeu na cama e logo depois vi ele passando John por cima de mim e entregando a Nat que o olhou sem entender.

— Pega teu irmão – falou divertido.

— Ai que fofo – ela se animou segurando o MEU John e abraçando ele apertado.

Senhor, ela vai matar ele sufocado.

— Você tá sufocando ele – briguei.

— Desculpe – ela riu sem graça e afrouxou o abraço.

Olhei desconfiada pra ela e só consegui pensar que ela quase mata o John. Eu ia ter que matar ela e por consequência, Edward ia me matar. Ia ser uma chacina.

Quando chegou na parte do ‘você quer brincar na neve’, Edward bufou irritado e ganhou um olhar raivoso meu e de Nat já que ele estava cortando nossa vibe. Nat ainda estava deitada com a cabeça apoiada no meu braço, abraçada a John e Edward ainda me abraçava com sua mão por baixo da minha blusa, tocando minha pele e fazendo um carinho gostoso em minha barriga.

Estranhamente, eu estava achado tão bom ficar aqui, como se eu pertencesse a esse lugar, o que é óbvio pois estou na minha casa, no meu quarto, mas ainda assim, era uma sensação diferente. Estava gostando de estar aqui com Nat e com Edward e ele com o queixo apoiado em meu ombro e fazendo um carinho sutil e sem malícia alguma estava sendo maravilhoso, ainda mais ele estando deitado assistindo um filme de desenho com a gente e mesmo ele não gostando, não abriu a boca pra reclamar, só revirava os olhos ou bufava irritado quando tocava uma música, mas logo parava. Não sei, parece tão certo estar aqui. Sorri feliz comigo mesma, fazia tanto tempo que não me sentia bem assim.

Bocejei e esfreguei os olhos para e manter acordada até arregalei os olhos lembrando da conversa que tive com Alice e Rosalie. PUTA QUE PARIU. Eu estou mesmo em um relacionamento e não percebi.

Notas finais
Três pontos de vista em um capítulo, rsrsrsrs. Amei ver o Edward indo pra cima da Tanya e dizendo que era melhor ela comprar briga com o demônio do que com ele. Sensatíssimo. Ele é meu amor todinho. Gente, o Edward com ciúmes da Bella, foi tudo pra mim e ele dizendo que eles tem que se resolver na personalidade deles e pedindo pra ela não pensar no contrato. É MUITO AMOR DA MINHA VIDA SIM. Amo um Edward ogro, fofo bipolar ♥ Perceberam a Bella ela mesma chamando o Edward e Nat pra irem dormir na casa dela? Ela ainda não consegue por em palavras o que sente, mas as atitudes dela já mostram o quanto ela tá apaixonada. Esse momento familiazinha feliz foi tudo pra mim ♥ NINGUÉM ME SEGURA QUE ESSE MOMENTO É TODO MEU. Bella percebendo que eles estão MESMO em um relacionamento. esse momento chegou, aleluia Deus. Obrigada pai. Agora vamos torcer pra ela não surtar e não jogar tudo pro ar tentando afastar o Edward, rsrsrsrs. Digam o que acharam do capítulo e como acham que a bella vai reagir. Não me deixem sozinha, comentem, amo ler os comentários de vocês e isso super me incentiva ♥ Para spoilers ou apenas interagir comigo, me sigam no twitter: @winterdxs É isso, vejo vocês no próximo capítulo ♥ 01.02.2020