O chefe
31 Assistente do satã
Notas iniciais
Assistente do satã
▬ Bella ▬
Por alguns momentos, eu fiquei até constrangida em responder alguma coisa pois convenhamos, agora estava na mente deles que eu estava dando e possivelmente tendo alguma vantagem com isso, mas estava tudo um silêncio constrangedor. Decidi que: foda-se, já viram a maldita tatuagem mesmo, já sabem a resposta pra pergunta que fizeram... eu não queria falar nada, mas agora que já arrebentaram o cu do palhaço, fazer o que né?!
— Como se você já não soubesse a resposta – revirei os olhos puxando meu sapato de volta da mão de Jessica e o calçando.
Os três me lançaram olhares julgadores. Estava estampado na cara deles que eu estava sendo julgada por
— Você tá dando pro nosso chefe? – Jess arregalou os olhos me olhando surpresa.
— Bella, isso é tão errado – Jane brigou.
— Quem diria, a Bella é a primeira a vir com essa história de ‘ai o lúcifer vai devorar minha alma’, mas tá dando pra ele e conseguindo vantagens aqui na empresa – Riley gargalhou alto.
Eu vi vermelho quando vi Jess e Jane concordarem com aceno de cabeça.
— Mas de que porra de vantagem vocês estão falando? – respondi ácida e irônica – Mas que caralho hein. Vocês estão aqui, vocês veem como ele não alivia pro meu lado, a gente namora da porta pra fora, aqui eu ainda sou apenas Isabella a assistente dele e ele ainda é só o próprio lúcifer manifestado.
— Então você não soube dar uma boa chave de pernas porque ainda não recebeu aumento – Jane ironizou rindo – Se for pra dar pro chefe, que dê direito.
— Bella você não tá dando direito pra ele, logo ele cansa – Riley completou.
— Ah é? Querem ir por esse caminho? Eu vou – perdi a compostura – Jane, você não pode abrir a boca pra falar de mim já que você está tendo um caso com o Jeff e advinha? Ele é seu chefe e superior também, é pior porque ele é casado e a mulher está entrando no nono mês de gestação – ela me olhou completamente surpresa por eu saber disso quando ela imaginou que era segredo – Riley você é outro, acha que eu não sei que tá de pega com o Joe da contabilidade? Pelo amor de deus, ele também é seu superior e Jess... – ela me olhou com os olhos arregalados – Bom Jess não me atacou e na verdade, ela é bem explícita com relação ao caso dela com o Mike, então... enfim, meu ponto é: é o sujo falando do mal lavado.
— Como você... – Jane ainda estava surpresa.
Jessica intercalava olhares entre Riley e Jane. Falando em Riley, ele parecia tinha que acabado de parir uma criança pois estava suando e arfante.
— Vocês acham que eu ou tapada? – questionei furiosa – Bom, eu sou mesmo, admito, mas eu não sou burra. Eu sei dos casos de vocês tudinho aqui, mas vocês não me veem julgando alguém ou veem? Isso que vocês estão fazendo comigo é errado. Qual o problema de estarmos juntos? Ambos somos adultos, solteiros e profissionais o suficiente pra saber separar o profissional do pessoal. E POR DEUS EU NÃO TENHO VANTAGEM NENHUMA NESSA MERDA – gritei a última parte atraindo alguns olhares para mim, mas ignorei – Comecem a frescar pro meu lado que vocês vão descobrir porque me apelidaram de ‘A assistente do satã’ pois eu vou estar possessa nesse lugar e daí eu espalho isso pra todo mundo – bradei completamente irritada e sentindo minha cara vermelha de raiva.
— No meio de tudo isso eu só consigo estar chocada com essa fofoca toda – Jess foi a única que se manifestou e nesse momento, Riley pareceu acordar.
— Você não pode contar isso pra ninguém, ouviu? – falou em tom de voz baixo olhando ao redor para ver se alguém tinha escutado.
— Mas aí depende, se você continuar com essa cara irritante de que tá me julgando eu vou espalhar pro mundo inteiro, mas se você parar com isso, eu continuo de bico fechado – sorri cínica pra ele.
Jane fechou a cara pra mim, girou em seus calcanhares e sal dali de cara amarrada e parecendo estar potassa, Riley bufou irritado comigo e saiu dali logo em seguida.
— Que bafão, como você descobriu? – Jess perguntou após os dois saírem me deixando com cara de tacho.
— Eu peguei eles se agarrando – confessei – Riley foi mais traumatizante porque eu o vi com a boca no trombone... literalmente, sabe que eu tenho mania de ir no banheiro masculino de vez em quando. Ouvi uns gemidos e enfiei a cabeça pra ver... me arrependi – suspirei – É um trauma que terapia nenhuma no mundo é capaz de consertar.
— E você? Como começou essa história toda? Nera tu que disse que ele não transava?
— Estou com ele tem uns... estamos em novembro né? Hum... desde setembro desse ano – ela fez uma careta e não pareceu acreditar – Sério, antes disso, nós nem nos falávamos... eu ainda quero socar a cara dele se servir de consolo.
— Ai, não sei se te invejo ou sinto pena de você. O homem é um porre, chato e mandão pra caralho, mas poxa, sentar nele deve ser o máximo – Jess falou me fazendo gargalhar alto.
Claro que eu apenas ri. Não ia ficar fazendo propaganda do pau dele né?! Ela já olha descaradamente pra bunda dele, imagina se souber que ele tem um pau mágico, vai ficar se imaginando sentada nele.
Eca.
[...]
— Ei – Edward chamou minha atenção quando eu estava guardando minhas coisas no carro – Ei, espera.
— Tô com pressa, diga.
— Arisca – revirei os olhos pra ele – O que aconteceu? Você está a tarde inteira estranha – perguntou ao notar minha impaciência.
— Não quero falar disso aqui – suspirei cansada – Já passei muita raiva aqui pra isso.
— Certo, vamos lá pra minha casa então, pedimos alguma coisa pra comer, conversamos e de quebra você dorme lá comigo.
— Claro que não Edward, isso é estranho.
— O que é estranho? Minha namorada indo dormir comigo na minha casa? Eu acho bem normal.
— Mas eu...
— Bella, você pode dar 1000 desculpas e eu te arranjo 1001 soluções, eu não tenho pressa – falou estampando um sorriso vitorioso no rosto.
Inferno de homem gostoso que gosta de arranjar solução quando eu quero por dificuldade. Suspirei vencida. Tá bom, eu estou mesmo precisando sentar nele pra ver se eu relaxo depois de todo estresse de hoje.
— Tá bom, vamos fazer assim, eu vou pra casa, pego algumas roupas pra eu dormir lá e ir pro trabalho amanhã, alimento o Convergir e daí vou pra sua casa, que tal? Enquanto isso, você vai pedindo comida que até entregarem é o tempo que eu chego lá.
— Agora sua resposta me agrada – se aproximou de mim inclinando seu corpo até que seu rosto ficasse na altura do meu tomando meus lábios em um beijo urgente. Seus braços circundaram minha cintura e por um segundo eu quase esqueci que estávamos no estacionamento da empresa... quase— Estava com saudade da sua boca – falou após eu literalmente o afastar antes que alguém nos visse – Ainda preocupada que alguém nos veja? Mesmo depois do barraco de hoje? – o olhei completamente surpresa.
— Como você sabe dessas coisas? – perguntei sem acreditar – Nem a Ang tá sabendo e você que tava na puta que me pariu sabe. Como?
— Do meu computador eu tenho acesso as câmeras da empresa – explicou tranquilamente colocando as mãos no bolso e se escorando na porta do meu carro despreocupadamente – Eu estou sempre monitorando se meus funcionários estavam mesmo trabalhando ou me fazendo perder tempo e dinheiro – deu de ombros olhando para algum ponto no meu carro, franziu o cenho e logo em seguida começou a rir – Falei que você era uma motorista ruim. Isso não estava aqui ontem – disse enquanto passava o dedo no arranhado mais recente.
— Para de ser enxerido – briguei batendo na mão dele – Seu futriqueiro, ainda fica espionando os outros e você nem foi me ajudar, seu inútil. Que namorado bosta hein – Edward riu alto jogando a cabeça para trás e eu só consegui pensar que ele abriu tanto a boca rindo que dava pra enfiar um frango inteiro na boca dele.
Eu hein.
— Eu ia lá, mas você lidou bem com a situação. Não precisou de mim – deu de ombros – Olha quem fala – Edward revirou os olhos – Era bem eu mesmo que sabia que Jane tava tendo um caso com Jeff e que Riley estava dando pro Joe, aliás, como você sabe dessas coisas?
— Não te interessa, seu fofo.
— Parece que nessa relação, eu não sou o único fofoqueiro – ele gargalhou – Depois você me conta porque eu realmente quero saber. Agora vai logo buscar suas coisas que eu vou ficar te esperando lá em casa.
— Só pra te broxar, eu vou pôr a Nat pra dormir com a gente na mesma casa.
— Então você se fodeu porque ela vai dormir com a mãe dela – respondeu sério.
Achei que ele fosse dar ao menos um sorrisinho, mas ele permaneceu com o rosto sério e percebi que algo deve ter acontecido.
— Ela levou Nat contra sua vontade de novo? – perguntei puxando sua mão que estava no bolso da calça e entrelaçando nossos dedos.
Edward olhou surpreso para nossas mãos entrelaçadas, um leve, discreto e quase inexistente sorriso surgiu em seus lábios, mas durou pouco. Ele respirou fundo fechando os olhos e concordou com um aceno de cabeça.
— Nunca é minha vontade que Tanya leve Natalie – falou esfregando as têmporas com a outra mão – Eu nunca sei se minha filha vai ou não voltar traumatizada da casa da mãe e isso acaba comigo.
— Eu sei que sim – me aproximei dele ficando na ponta dos pés para beijar seu rosto, mas só alcancei seu queixo, o homem é alto – Vou logo pra casa pegar algumas coisas e te encontro daqui a pouco tá bom? Deixa minha entrada liberada.
— Sua entrada está sempre liberada – sorriu docemente acariciando minha bochecha para em seguida tocar meus lábios com os seus – Agora vai logo se não eu te arrasto pra ir comigo com a roupa que você está.
Revirei os olhos pra ele e fiz o gesto favorito dele: lhe dei o dedo médio. Agora eu sei porque ele gosta de fazer isso. É realmente libertador.
▬ Edward ▬
Fiquei observando Bella entrar no seu carro e deixar o estacionamento. Eu fiz o mesmo, entrei em meu carro e deixei o prédio empresarial da Cullen & Co Enterprises, mas assim que o fiz, meu celular começou a tocar alto. Desviei o olhar da rua a minha frente e olhei na tela vendo que se tratava de Victoria.
Conectei o celular ao Bluetooth do carro para não ter que atender enquanto dirijo. Tenho que ser prudente pois, caso eu morra, Natalie fica com Tanya e isso não é uma opção pra mim.
— Quanta demora, Edward – Victoria falou assim que atendi e já pude até a imaginar revirando os olhos.
— Estou dirigindo, Victoria.
— Ah, isso explica muita coisa. Medo de deixar a filha na guarda eterna da mãe...
Victoria e eu estudamos juntos por um semestre na faculdade, até ela decidir que não queria cursar administração e que queria ser corretora de imóveis. Aparentemente, eu fui o único que lhe dei apoio com isso já que seus pais não ficaram muito felizes come essa decisão. Continuamos bons amigos após ela deixar a faculdade e até hoje ainda somos bons amigos e toda vez que eu preciso de algum imóvel, é com Victoria que eu falo, ela sempre tem os melhores lugares a oferecer e não é a toa que ela é considerada a melhor corretora dessa cidade.
— Sim – concordei – Mas com certeza não me ligou pra falar sobre meu pavor em deixar Nat sob os péssimos cuidados de Tanya. Diga, Isabella concordou com o valor do imóvel?
— Péssimo foi você por ter escolhido Tanya como mãe da sua filha— ela gargalhou alto. Todos faziam isso, inclusive a própria Tanya – Mas voltando ao que interessa, ela parece disposta a comprar o imóvel, mas está desconfiada do valor. Até ela que pelo que pude perceber é meio devagar percebeu que está muito abaixo do valor de mercado.
— Nem tanto assim...
— ‘Nem tanto assim’? — Victoria me interrompeu com a voz irônica – Edward, o lugar custa 475 mil dólares pois é bem localizado e em uma área movimentada, você me faz colocar um valor que é menos da metade e ainda abre a boca pra dizer ‘nem tanto assim’? Pau no seu cu — reclamou – Por que você só não conta pra ela que comprou a porcaria do lugar e resolveu dar de presente pra ela?
— Eu gosto de namorar e gosto de manter minhas bolas no lugar. Bella literalmente me mataria caso soubesse que eu já comprei o lugar, após me matar, ela ia me ressuscitar apenas para me deixar e isso não está nos meus planos – expliquei soltando pesadamente o ar pela boca – Apenas faça esse favor por mim, sim? Ela assinou o contrato de compra?
— Não, ela está bem desconfiada do valor, até inventei uma mentira pra justificar, mas ela não pareceu acreditar. Ela levou o contrato e a aconselhei a pedir ajuda pra alguém que entendesse sobre isso caso ela tivesse dúvidas...
— Pra que? – a interrompi – Eu já redigi esse contrato de forma que não ficasse claro que o proprietário era eu, fiz com cláusulas bem explícitas e simples e ainda facilitei a forma como ela poderia pagar. Não tem o que contestar, fiz sob medida pra ela. O que ela quer contestar?
— Hã... o fato de que um imóvel que custa quase meio milhar está sendo vendido por 200 mil?— ironizou – Eu também contestaria.
— Que inferno, Victoria.
— Calma meu pequeno gado, tenho certeza que ela vai pedir sua ajuda com esse contrato e daí você só concorda e diz que é seguro comprar. Deixa de ser farofeiro.
Tentei me acalmar pensando que Victoria estaria certa. Não acredito que Bella fosse procurar outra pessoa para pedir ajuda com o contrato senão eu. Primeiro porque ela não seria burra o suficiente para saber que eu sou a melhor pessoa que poderia a ajudar com isso já que meu sobrenome é ‘contrato’, segundo porque porra, nós namoramos, ela tem que confiar em mim pra mim.
— Certo, eu vou apenas esperar que ela fale comigo – concordei por fim – Agora eu vou desligar porque não estou afim de bater papo, obrigado Victoria. Qualquer coisa me mantenha informado.
— Sua mãe tem razão, você é nojento mesmo – riu – Até mais Edward, caso ela volte a entrar em contato comigo, eu te aviso. Dá um beijo na Nat por mim.
— Até.
Apenas desliguei. Não sou de ficar pendurado no telefone me despedindo e ela sabe bem disso.
Me mantive atendo na rua a minha frente, me distrair enquanto dirigia não era uma boa alternativa, mas inferno. O que custava Bella não dificultar minha vida e apenas assinar a porcaria do contrato de compra? Ela só precisa assinar, eu já comprei essa merda desse lugar pensando nela, mas é claro que ela ia dificultar a porra toda. Inferno. Eu nem quero que ela pague valor algum pelo lugar, só coloquei um valor baixo pois ela se recusaria a aceitar caso eu dissesse a ela que estava lhe dando o lugar de presente.
Pedi comida para nós quando parei em um sinal vermelho e como Nat não dormiria em casa, Esme resolveu levar Gianna para sair, o que eu acho ótimo, assim, Bella e eu ficamos com a casa apenas para nós dois.
A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi tomar um banho e duas aspirinas. O dia foi bem... intenso e eu ainda estava preocupado com Natalie que estava com Tanya. Ela mandou mensagem dizendo que estava bem e pelo menos dessa vez, minha filha estava com o celular dela.
A comida que pedi chegou e logo em seguida Bella. Sinceramente, eu não acreditei quando ela veio com a gaiola do rato encardido dela em mãos. Pelo amor de Deus, não me diz que o infeliz desse rato vai passar a noite aqui também?!
— Ou fica o rato ou fica eu, os dois juntos não dá – reclamei assim que ela entrou colocando a gaiola do rato encardido em cima da mesa. DA MESA QUE NÓS IRÍAMOS COMER – Se o Conv não pode ficar então eu também não fico – me olhou em desafio – Escolhe, Cullen.
— Eu odeio você – disse derrotado ao perceber que ela falava sério – Mas deixa esse rato longe da mesa e de mim. Odeio animais.
— Você odeia tudo, só deve amar o bode.
— Bode?
— Sim, o símbolo do diabo não é o bode?
— Tome no seu cu, Isabella – revirei os olhos enquanto ela gargalhava.
— Não fala assim do coitado, ele ia ficar sozinho em casa e não ia ter quem alimentasse ele ou pegasse ele no colo caso ele tivesse pesadelo – Bella acariciou o bicho que ainda estava dentro da gaiola – Pra ele não se sentir sozinho, eu trouxe o John também.
Não contente, ela puxou de dentro da bolsa o macaco de pelúcia dela que usava uma roupinha de bebê ridícula e o colocou em cima da gaiola.
— Pronto, agora seu irmão vai te fazer companhia, não caga perto dele – ela falava com o rato e eu só conseguia pensar que puta que pariu, minha namorada é louca.
Ela não tem um único parafuso na cabeça.
— Sabe – disse atraindo sua atenção pra mim – Você diz que não quer ter filhos, mas a forma com você trata esse macaco e esse rato me dizem o contrário. Se você quiser, nós podemos subir e fazer nosso próprio bebê – falei sugestivo.
Não que eu queria outro filho agora, realmente não quero, mas a ideia de vê-la com raiva era sempre tentadora para mim.
— Vai pra puta que pariu Edward, inferno de homem chato da porra.
Bella ficou vermelha de raiva e eu achei isso simplesmente adorável e sexy pra caralho.
Após ela acomodar -sob protestos- o rato na área de serviço pois eu me recusei em o deixar em qualquer outro canto da casa, jantamos enquanto conversávamos amenidades e Bella me contava sobre como ela descobriu sobre Jane e Riley.
Falando em Riley, devo confessar, eu não gostava dele antes, agora, eu gosto menos ainda dele e eu vou fazer questão de infernizar a vida dele o máximo que eu conseguir.
— Enfim, de qualquer forma, quero sua ajuda com uma coisa – Bella falou nervosa mordendo o lábio e largando o talher em seu prato.
Eu já sabia do poderia se tratar, mas como não podia demonstrar isso...
— Diga – falei casualmente colocando outra garfada de comida na boca.
— Hoje me encontrei com a corretora do lugar que você me mostrou outro dia – Bella olhava para baixo brincando com o arroz em seu prato, esperei pacientemente que ela falasse – Ela já tem o contrato pronto, eu até ache ele bem ok, tem uma outra cláusula mal feita, mas de forma geral ele é bem consistente, mas eu ainda estou meio incerta por conta do valor. Estive pesquisando, está abaixo do valor de mercado e não se... Victoria me disse que eu poderia verificar com alguém ou algum advogado ou ligar para ela caso eu tenha dúvidas, mas como você é a pessoa que eu conheço que melhor entende de uma papelada burocrática, queria pedir sua ajuda com isso.
Primeiro de tudo, ‘cláusula mal feita’ é o meu rabo. Não tem nada mal feito na porra desse contrato. Segundo, meu cu que tem algo mal feito no caralho desse contrato.
Fiz minha melhor cara de surpreso, afinal, ela não sabia que eu sabia que ela tinha falado com Victoria. Bella pareceu contente em me ver surpreso e feliz com isso.
— Certo – concordei escondendo toda minha raiva por ela ter falado que o contrato estava com ‘cláusula mal feita’ – Bom, fico muito contente que você tenha ido ver o lugar, eu mais do que ninguém te apoio em você fazer sua confeitaria e acredite, acho que mais do que você, eu realmente quero ver você fazendo o que gosta e claro, eu ajudo você com o que for, traga o contrato quando quiser, nós podemos ver juntos, sim?
— Tá na minha bolsa. Vamos olhar agora? – pediu empolgada.
— Ótimo.
Assim que ela se virou para pedir o contrato em sua bolsa, eu a olhei mortalmente. Meu saco que tem cláusula mal feita nesse caralho. Ela só podia falar isso pra me irritar e o pior é que ela conseguia. Voltei a sorrir amigavelmente quando ela se virou novamente para mim com o contrato em mãos.
A puxei para sentar comigo no sofá para lermos juntos, mas minha concentração foi pro inferno quando ela sentou no meu colo. Fiquei até na dúvida do que começar fazendo. Sexo ou contrato? Céus, que escolha difícil.
▬ Natalie ▬
— Vem cá filha, quero ter uma conversa séria com você – minha mãe me chamou para sentar na cama com ela.
Tanya estava muito estranha, me levou para tomar sorvete, foi até o parque comigo e aceitou brincar de comidinha comigo, até fiz um bolinho de lama só pra testá-la e apesar de todo nojo, ela continuou brincando comigo. Eu que me ferrei né, que eu tenho nojo de lama e ainda fiquei suja.
Não que minha mãe não gostasse de mim ou não fizesse coisas comigo, ela só... bom, não é a melhor mãe do mundo e de forma geral, eu prefiro meu pai. Desconfiada, mas não muito, fui até a cama sentando ao seu lado. Fingi que não estava desconfiada e me enfiei debaixo das cobertas, ficando em silêncio e esperando que ela começasse a falar.
Minha mãe passou os braços magricelas ao meu redor me abraçando e me puxando de forma que eu ficasse mais próximo dela. Apesar de eu estar desconfiadíssima, não vou dizer que não gostei, pelo contrário, gostei bastante, eu gosto da minha mãe e gosto quando ela é carinhosa comigo.
— Filha, eu sei que a maior parte do tempo eu não sou a melhor mãe do mundo e que nem sempre deixo claro o quanto eu te amo, eu já agi muito errado e reconheço isso – me surpreendi ao ouvir minha mãe falando isso, era algo que eu não esperava – Na última conversa que tive com seu pai, quando deixei você ir sozinha pra escola, ele me disse algumas coisas que foram bem... difíceis de ouvir, porém muito verdadeiras.
Euzinha fiquei em silêncio apenas escutando. Sabe-se lá quando ela falaria sobre isso de novo e eu queria saber onde essa conversa ia dar.
— Eu sempre fui muito dura com você pois queria que você crescesse sendo emocionalmente forte e não fraca como eu fui quando era mais nova. Você sabe que minha família é louca e não é como a família do seu pai, eles só são perturbados, minha família é louca no sentido ruim da palavras, é desajustada e foi muito difícil pra mim crescer no meio disso tudo – mamãe me olhava enquanto falava e fazia um carinho suave em minha bochecha. Era bom – Eu quis tanto que você não crescesse com todas as inseguranças que eu tive que acabei esquecendo o principal que é te amar acima de qualquer coisa. você é minha filha, minha única filha e eu te amo mais que qualquer coisa filha, de verdade.
— Eu sei que ama – falei – Sei de verdade, mas as vezes você demonstra isso de um jeito estranho.
— Eu sei, infelizmente é meu jeito. Apesar de nem sempre eu estar presente e de constantemente ser uma mãe ruim, eu nunca abri mão da sua guarda porque eu me recuso a abrir mão da coisa mais preciosa que eu tenho. Você é a melhor coisa que eu já fiz, filha e infelizmente, não posso te prometer que vou ser a melhor mãe do mundo a partir de agora, ninguém muda assim de uma hora pra outra e acho que ainda vou ter uns momentos bem ruinzinhos, mas posso te prometer tentar melhorar porquê de verdade, eu não quero que você cresça como eu cresci, achando que a mãe não liga pra você porque eu sei o que isso vai faz com a pessoa e não quero isso pra você.
— Tudo bem mamãe, eu te perdoo – a abracei com força sentando em seu colo e limpando uma lágrima que escorria em seu rosto – Só não seja mais tão malvada comigo, não é legal.
— Prometo que vou dar meu melhor – ela riu – Como eu disse, nem sempre eu vou conseguir, mas saiba que eu te amo filha, não parece, mas eu daria minha vida por você e diferente do que eu sempre falo, eu jamais tentaria ter sua guarda completa pois eu sei o quanto você ama o insuportável do seu pai e sei que te deixaria triste.
— Bastante – concordei.
— De qualquer forma, prometo que vou ser menos malvada, tá bom? – assenti concordando – Ah e outra, pra não ficar longe de você, eu vou voltar a morar aqui.
— Sério? – perguntei animada e ela concordou com um aceno de cabeça – Isso é maravilhoso mãe, você e a Bella vão se dar tão bem.
— Quem é Bella? – perguntou curiosa.
Ops.
— Ah – falei sem graça – É a namorada do papai.
— Só me responde uma coisa, ela te destrata? Porque se ela alguma vez já tiver te destratado, filha, eu arrebento a cara dela.
— Se ela tivesse feito isso eu já tinha posto ela pra correr – disse orgulhosa – Entre ela e eu, meu pai ia escolher eu. Ele sempre me escolhe.
— Não faz mais que a obrigação dele – mamãe deu de ombros – Bom, de qualquer forma, vamos manter essa conversa em segredo tá bom? Eu ainda tenho muitos planos de irritar seu pai, então não deixa ele saber que eu nunca vou tirar você dele.
Arregalei os olhos em surpresa pra ela.
— Você tá mesmo me pedindo pra esconder isso do meu pai só pra fazer ele passar raiva totalmente de graça? – perguntei surpresa.
— Sim.
— Tá bom então – concordei.
Me parece algo justo a se pedir.
— Bom – ela sorriu – Agora vamos aproveitar que você puxou a mim e não ao estômago podre do seu pai e vamos comer sorvete enquanto assistimos alguns filmes.
MELHOR NOITE DA MINHA VIDA.
Meu pai não me deixa comer sorvete antes de dormir. Ele diz que doce me deixa elétrica e eu não durmo pra ir pra escola. Gostei de ter tido essa conversa com minha mãe, eu realmente gosto muito dela e sempre fico triste quando ela é malvada, mas agora que ela prometeu tentar melhorar isso, eu me sinto melhor. Ficamos vendo filmes até tarde e eu nem sei quando dormir, mas dormi e é isso que importa. Pelo menos meu pai não vai me brigar por não ter ido pra aula, já que eu consegui acordar a tempo e minha mãe foi me deixar na escola. Que dia surpreendente eu tive.
▬ Edward ▬
— Só pode ser brincadeira – reclamei com a gaiola do rato encardido de Bella em minhas mãos – A porra do diabo me conhece e sabe como me estressar.
Essa manhã, não fui a empresa porque Rosalie decidiu que ela estava com ‘desejo’ de passar o dia com o irmão. Até tentei a mandar para o inferno, mas ela começou a chorar ao telefone e isso acabou me comovendo.
Não contente, Bella ao notar que eu não iria, me pediu para cuidar da porcaria do rato dela enquanto ela ia trabalhar. Claro que eu recusei, não gosto e animais e simpatizo menos ainda com esse rato encardido, mas Bella choramingou que ele ia sentir sede, fome e tudo mais, isso ainda não me comoveu, mas daí ela usou sexo pra me convencer e bom, o resto já dá pra imaginar já que agora eu estou na casa dos meus pais, com a merda da gaiola do rato em mãos e extremamente puto com isso.
Como castigo de pobre é pouco, Rosalie resolver passar o dia infernizando minha vida. Ela me fez fazer chá pra ela, massagem em seus pés, massagem em suas costas, pentear seu cabelo, embalar ela numa rede maldita, comer uma comida estranha com ela e muito mais apenas porque toda vez que eu me recusava a fazer algo, ela fazia a porra de uma cara de quem ia chorar que eu frouxo do jeito que era acabava cedendo.
— Vá para o inferno, Rosalie – falei após atingir o meu limite de irritação – O seu marido é outro, vá atazanar a vida dele.
— Mas Edlove meu amor, meu bebê quer que o titio amado dele pegue sorvete pra ele.
— Rosalie, a porra do seu marido está sentado do outro lado do jardim, chama ele.
— Mas meu bebê quer que o tio dele pegue o sorvete.
Emmett me olhava com um sorriso vitorioso no rosto e sussurrava um ‘se fodeu’ pra mim a cada 5 minutos.
Eu tive que me controlar pra caralho pra não cuspir na porra do sorvete dela. Não contente, Esme e Alice acharam bonito o pouco inferno que Rosalie estava fazendo do meu dia e se uniram a Rosalie para me infernizar.
— Amorzinho, você está muito estressadinho – Esme disse apertando minha bochecha – Me conte, quando foi a última vez que Bella deu um jeito em você.
— Tia, acho que ele precisa de um bom sexo oral pra desestressar – Alice sugeriu – Eddie, eu já vi você fazendo na Bella, mas ela faz em você também?
PUTA QUE ME PARIU. Só posso estar na porra do inferno.
— Caralho, me deixem em paz porra – me estressei.
— Acho que temos que dar algumas dicas pra Bella – Rosalie sugeriu se metendo na conversa.
— Ela parece tão novinha, tão inexperiente. Acho que ela não sabe que tem que pegar nas bolas enquanto chupa – quis enfiar uma faca nos meus ouvidos ao ouvir Esme falando um negócio desses.
— Porra, chega – as interrompi – Bella é ótima tá ok? Ela sabe bem o que faz, o problema são vocês que me estressam como o inferno.
— Não vamos fazer sexo oral em você – Alice disse assustada
— EU NÃO QUERO ISSO, PORRA – gritei perdendo totalmente a paciência – Só quero que me deixem em paz. Eu preciso trabalhar e vocês não estão deixando. Eu não consigo ouvir nem meus próprios pensamentos.
— Olha o tamanho do meu bebê – Rosalie me ignorando, levantou sua blusa mostrando o pequeno volume em sua barriga.
Fiquei olhando pra ela sério pois minha vontade foi gritar com ela também, mas vendo sua barriga antes lisa agora ganhando certo volume e vendo o quanto ela estava feliz por finalmente realizar seu maior sonho, minha irritação passou e sorri feito idiota pra ela que sorriu de volta com a mesma animação.
Rosalie pegou minha mão e levou até sua barriga. Espalmei minha mão no local acariciando sua barriga. Por um segundo, quase me deu vontade de ter outro filho. Quase.
Rosalie sorria contente acompanhando o movimento da minha mão e tá, tenho que concordar com ela que essa coisa de ‘telepatia de gêmeos’ pode ser verdade mesmo, pois eu podia sentir o quão feliz ela estava e posso jurar que estava ouvindo seus pensamentos e todos eles giraram em torno de sua felicidade com seu filho. Estou ficando maluco, é isso.
— Você não acha que sua barriga tá muito grande pra tão pouco tempo de gravidez? – falei sugestivo vendo ela me olhar confusa – Sabe... você é gêmea, eu não tive gêmeos, então... vai que o gene dos ‘gêmeos’ ficou com você?
— Você nem brinca comigo Edward – Rosalie falou assustada – Nem brinca comigo.
Após um tempo, as três decidiram me dar uns momentos de paz e eu pude trabalhar. Ainda liguei para Bella dizendo que estava tudo certo com seu contrato e que ela poderia assinar, ela disse que o faria hoje e a chamei para vir até a casa dos meus pais, iríamos jantar por aqui mesmo, ela recusou, mas acabou aceitando.
— Edward, Edward – Jasper me chamou visivelmente desesperado – EDWAAAAAAAAAARD.
— O que é, porra?
— Eu fiz uma besteira – olhei para Jasper e vi que ele tinha os olhos arregalados – Eu achei o hamster bonitinho e quis brincar com ele, acontece que o danado escapou da minha mão, correu e foi pra perto da piscina. Ele é suicida, eu acho que ele se jogou.
— Puta que me pariu – larguei o notebook de lado e fui ver onde estava a porra do maldito rato – Se esse bicho morre a Bella me mata e eu te mato em seguida – falei irritado – Caralho Jasper, o rato tava quieto na merda da gaiola, porque foi mexer nele? – passei a mão nervoso pelo cabelo quando em aproximei da piscina.
— Ele é tão fofinho e peludo, os olhos dele pediam pra eu brincar com ele.
— Pai eu cheguei – ouvi a voz de Natalie, mas apenas consegui ignorar e ficar estático.
Continuei parado, olhando pra piscina sem de fato acreditar que essa porcaria tava mesmo acontecendo comigo.
— Pai, nem parece que o senhor tá me ouvindo – Natalie reclamava enquanto puxava a barra da minha camisa em uma vã tentativa de chamar minha atenção – PAI – ela gritou – O senhor tá me ouvindo?
Ela parou de falar e virou seu olhar para a direção na qual eu olhava.
— O que é isso flutuando? – questionou confusa.
Respirei fundo antes de conseguir responder.
— É o rato da Bella.
— OSCAR – ela gritou alarmada.
Nat se inclinou na piscina pegando o rato molhado e o segurando em suas duas mãos. Natalie, Jasper e eu olhávamos para o rato imóvel em expectativa.
— Se esse rato morrer e Bella ficar puta comigo, eu te afogo nessa piscina – falei olhando mortalmente para Jasper que sorriu sem graça.
Quase me ajoelho e agradeço aos céus quando o rato maldito mexeu a pata.
Não morreu e é isso que importa.
— Solta esse rato Nat – ouvi a voz de Tanya e constatei que estava MESMO na porra do inferno – Esses bichos transmitem doença.
— É só o Oscar, mãe.
— Podia ser até o Grammy, agora joga isso no lixo.
— Finalmente você abre a boca pra falar algo que preste – ironizei vendo Tanya me mostrar o dedo do meio.
Natalie nos ignorou e colocou o rato deitado no chão e esperamos ele se recuperar. Sei lá, acho que eu esperava que ele fosse tossir água, se virar pra gente e dizer ‘eu tô bem’. Acho que eu estou mesmo ficando louco e a culpa é toda da minha família... e de Tanya também, ela tem a parcela de culpa dela apenas por existir, a culpa também é de Bella pois inventou de comprar a merda desse rato.
Passado o susto e desafiando todas as leis do universo, o rato estava vivo. Tanya estava até me fazendo um favor a ir tirar Esme do sério, eu me sentia vingado com isso, mas sua presença aqui ainda me incomodava pois Bella a qualquer momento chegaria aqui e não queria Tanya perto da minha namorada.
Tanya é como uma cobra e Bella é como uma ovelha indefesa. Nem tanto, mas perto de Tanya é basicamente isso.
— Pai a Bella chegou – Natalie falou chamando minha atenção.
Olhei para trás e ela vinha até nós com um sorriso no rosto. Achei que ela estava olhando para mim, mas na verdade, ela estava olhando para Natalie que segurava o macaco e o rato nas mãos. Nunca me senti tão trocado em toda minha vida.
Claro que eu tinha que a impedir de ir falar primeiro com os bichos de pelúcia dela. A segurei pela cintura impedindo-a de continuar andando na direção onde Nat estava.
— Oi pra você também – falei e ela pareceu notar minha presença.
— Ah, oi – ela sorriu sem graça – Você cuidou bem do Convergir? – perguntou preocupada – Senti meu coração apertado enquanto vinha pra cá.
— Vai ver eram gases – sugeri mudando o foco do assunto – Enfim, de qualquer forma, como foi no trabalho?
— Uma merda, Riley, Jane, Jess e Ang não estavam falando e tá todo mundo me olhando estranho – ela lamentou e pude notar a tristeza em sua voz.
— Ei, não fica assim, ninguém tem nada a ver com nossas vidas – me inclinei para beijar-lhe os lábios – Não sei porque estão irritados, mas logo passa.
— Espero que sim – Bella passou os braços ao meu redor e afundou a cabeça em meu peito – Você está tão cheirosinho, dá até vontade de te lamber.
Não pude deixar de rir.
— Você vai ter oportunidade pra isso mais tarde – falei afagando seu cabelo. Bella ergueu o rosto pra me olhar e não pude deixar de ficar contente ao ver que ela usava o cordão que eu lhe dei – Aliás, não fica sozinha com Esme, Alice e Rosalie, a conversa pode não ser agradável.
— Vou querer saber o motivo? – perguntou temerosa. Sinalizei um ‘não’ com a cabeça – Então por favor, não me deixe sozinha.
— Nunca – beijei o topo de sua cabeça apertando mais seu pequeno corpo contra o meu.
Bella sorriu fracamente e fiquei com um aperto no coração ao ver que ela estava triste pela forma como os colegas a trataram no trabalho. Eu não poderia me importar menos com o que falam ou pensam, mas pelo visto, Bella se afeta com isso. Já falei, eu por mim demito todos e contrato uma nova equipe inteira se ela quiser, o problema é que ela não quer. Bom, talvez eu faça isso de qualquer forma.
— Bella, eu tenho uma coisa pra falar – Natalie veio até nós com o rato encardido nas mãos.
— Solta isso Nat, transmite doenças – Tanya veio logo atrás.
Bella ficou olhando para Tanya e em seguida para mim. Apenas balancei a cabeça negativamente na esperança de ela entender que Tanya era indesejada por mim -e por todos ali- e eu não fazia ideia do que ela ainda fazia aqui.
— E o que é? – ela perguntou temerosa.
— Eu estou confiscando o Oscar. Você não tem como cuidar dele e ele quase morre hoje porque meu pai não está nem aí pra ele. Ele está vivo graças a mim – a pequena anunciou.
— Esse rato não vai mesmo morar na minha casa – falei cortando a animação de Natalie que me olhou de cara feia.
— Vai sim.
— Não vai não – dessa vez quem falou foi Bella – E o nome dele é Convergir, agora devolve meu hamster que você já cresceu o olho pra ele... espera, como assim ‘ele quase morre’?
Sorri sem graça quando Bella me olhou com os olhos semicerrados e visivelmente furiosa.
— A culpa foi do Jasper – anunciei me sentindo idiota por isso.
Mas que merda?
Eu não tenho 12 anos pra me brigarem e eu transferir a culpa pra alguém.
— Mas por mim, ele tinha morrido mesmo – dei de ombros.
— Depois a gente conversa sobre isso – Bella falou furiosa e se virou para Nat de novo – Agora devolve o Convergir que eu vou levar ele embora.
— Não – Nat se negou.
— Entrega o rato, Natalie – Tanya tentou fazer Nat mudar de ideia, sem sucesso.
— Edward, sua filha está tentando me usurpar meu hamster, diz pra ela me devolver por favor?
Que merda que estava acontecendo aqui?
— Não vou devolver.
— Filha, devolve esse rato encardido – briguei com a pequena que só fez esconder o rato debaixo da blusa.
— Encardido é sua cara. O Converger é meio loiro – Bella falou fazendo com que Jasper, Tanya, eu e Natalie a olhássemos sem de fato acreditar que ela falou isso.
— Louca – Tanya sibilou.
A olhei enfurecido.
— Que merda você ainda está fazendo aqui? Já deixou a Nat, vai embora.
— Me convidei para o jantar – Tanya disse convencida jogando os cabelos para trás.
— Ah puta que me pariu – agora até Esme que estava passando para voltar para dentro da casa reclamou.
— Aceita ou surta, dona Esmeralda.
— Eu vou surtar com a minha mão na sua cara.
Tanya deu língua para Esme e puta que pariu. Quando voltamos a ter 10 anos e ficamos nessa palhaçada?
— Eu estava vendo a discussão de vocês – Carlisle falou anunciando sua presença e todos viramos para o olhar, ele se aproximou de Natalie pegando o rato em suas mãos e passou o indicador na cabeça do bicho – Pois eu resolvo isso. Nenhum de vocês tem capacidade pra cuidar de outra vida. Bella, já ouvi os relatos de como você cuida do coitado, Nat, seu pai iria ele mesmo matar o bicho, nesse caso, eu digo que o hamster fica comigo e o nome dele agora vai ser Quinoa.
Dito isso, Carlisle apenas girou em seus calcanhares e nos deu as costas saindo dali levando o rato consigo. Ficamos todos olhando bestificados e eu comecei a rir, mas parei quando Bella pareceu que ia me matar apenas com o olhar. Tá, eu não parei de rir totalmente, só prendi o riso. Eu achei bem feito.
— Seu pai roubou meu hamster – ela falou triste fazendo beicinho – Eu quero ele de volta.
A puxei pela mão para perto de mim na tentativa de a consolar. Fiz o mesmo com Nat que também pareceu desolada por conta do rato encardido. Soltei Bella e peguei Nat no colo, em janeiro, quando ela fizer 11 anos eu definitivamente vou parar de fazer isso ou vou foder minha coluna antes da hora.
— O que eu perdi? – Alice falou empolgada trazendo Rosalie em seu encalço – Além da presença desagradável da cobra loira – falou desgostosa olhando para Tanya.
— Eu ouço uma voz mas não vejo ninguém – Tanya respondeu irônica colocando a mão na testa e estreitando os olhos como se estivesse procurando alguém – A voz vem muito de baixo, eu não consigo ver quem fala.
Alice trincou os dentes. Ela aceita ser chamada de baixinha pela família, mas quando Tanya faz isso, ela fica bem puta.
— Girafa albina.
— Ai que lindo seu cordão – Rosalie mudou de assunto abruptamente olhando para Bella e tocando o cordão em seu pescoço.
Merda.
— Obrigada, Edward que me deu – Bella agradeceu sorrindo olhando para o cordão.
— Ai que bom gosto irmãozinho – a loira elogiou e eu ainda tentei fazer gestões para que ela parasse de falar, mas ela não entendeu e por isso continuou falando – É da nova coleção da Tiffany’s, é uma peça exclusiva e só fora feitas 10 unidades dele no mundo todo, especialmente porque o pingente, apesar de ter apenas 2,5 cm, é de diamante puro... Aliás, Edward, porque você pode dar um diamante pra Bella e eu não?
— Dia o que? – Bella perguntou surpresa arregalando os olhos e virando o rosto na minha direção.
A expressão em seu rosto não era nada amigável e Rosalie ao perceber que Bella não sabia sobre a origem do cordão, sorriu sem graça e literalmente, correu dali. Traidora de uma figa, quero que ela me venha com palhaçada de 'parceria de gêmeos'. Vou mandá-la tomar em um lugar onde o sol não bate.
Agora Bella surta de vez.
(Continua...)
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